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domingo, 6 de março de 2016

Duas perguntas capitais - João 1.1-13

Duas perguntas capitais. Da resposta dada a estas perguntas dependem nossa felicidade eterna.

Que é Jesus para você?

O que você fará de Jesus?

Exposição do Evangelho de João 1.1-13



sábado, 15 de novembro de 2014

JESUS, O ÚNICO INVICTUS

O poema Invictus, escrito pelo inglês William Ernest Henley em 1875, foi citado muitas vezes na literatura e no cinema, normalmente de forma motivadora, para afirmar que nada pode impedir a vontade de alguém em realizar seus sonhos e projetos. Nele o poeta agradece a algum deus (se houver algum, conforme ele diz) por sua alma que não se curva aos golpes da vida. O verso final diz assim:




Por ser estreita a senda – eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino  
Eu sou o comandante de minha alma.

            As duas últimas linhas são as mais conhecidas e expressam a filosofia autônoma que caracteriza a vida no mundo ocidental desde o advento do Iluminismo. O homem se julga dono e senhor de seu destino, o único comandante de sua vida.
Mas a História de cada um de nós prova o contrário, nenhum de nós é senhor do seu destino nem comandante de sua vida. A declaração da poesia só se aplica a um homem: Jesus Cristo. Só Ele foi senhor e dono de seu destino e comandante de sua vida.  
            Nenhum de nós escolheu nascer, nem decidimos a nossa origem e lugar de nosso nascimento. Mas Jesus teve este poder. Ele escolheu nascer entre os homens, esta foi uma decisão sua. Lemos em Filipenses 2.6,7 que Ele esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo e tudo que inclui a verdadeira natureza humana.  Sendo Deus, Jesus escolheu o tempo e o lugar de seu nascimento. Sabemos disso pelas profecias que já estavam feitas muito antes d’Ele nascer (Mt 1.22; 2.5).
            Ninguém consegue controlar suas decisões e o seu tempo de modo a não se curvar a nenhuma pressão, seja das pessoas ou circunstâncias. Por mais forte que seja a nossa determinação, normalmente nossos planejamentos cedem diante de imprevistos superiores à nossa vontade. Mas Jesus era senhor de seus momentos e da direção de sua vida, não cedendo às pressões ao seu redor. Quando sua mãe lhe comunica a necessidade de vinho nas bodas de Caná, Ele calmamente responde que ainda não é chegada a sua hora (Jo 2.4). Quando seus irmãos insistem para que Ele suba a festa e manifeste publicamente suas obras, Ele lhes diz que o seu tempo ainda não havia chegado (Jo 7.4).  Noutra ocasião sua mãe e seus irmãos tentam falar com Ele, mas nem isso interrompeu Seu ministério de ensino (Mt 12.46-50).  Quando seus discípulos o procuram para lhe informar de Seu sucesso, Ele não se deixa levar por essa informação, mas se levanta para continuar cumprindo Sua missão (Mc 1.35-39).
            Muitas vezes as necessidades físicas se colocam entre nós e as nossas decisões, de modo que não conseguimos avançar com nossos projetos por causa delas. Jesus soube dominar suas necessidades de fome e sede, priorizando Sua missão (Lc 4.2-4; Jo 4.6-30). Os discípulos insistiram que Ele se alimentasse, mas Ele indicou que não era o alimento físico que determinava seu uso do tempo, mas a vontade do Pai (Jo 4.34).
            Mesmo que alguém, com fortíssima determinação, consiga controlar os fatores mencionados nos dois parágrafos acima, a morte ainda tem o poder de impedir a realização de seus sonhos. Mas com Jesus não foi assim. Ninguém apressou Sua morte, mesmo tentando (Lc 4.28-30). Ela ocorreu no momento que Ele havia marcado. Apesar da astúcia dos homens e da traição de um dos seus, Ele sabia o Seu momento e o havia predito (Mc 8.31; 9.31; 10.32ss; 14.1,41,42). Conhecia quem o entregaria, quem o negaria e que os discípulos o abandonariam (Mc 14.21,27,30). Estava certo de Seu destino depois da morte (Mc 14.28). Voluntariamente se encaminhou para o lugar onde seria preso, pois era desta forma que as Escrituras se cumpririam (Mc 10.32,49).
            No seu julgamento não conseguiram incriminá-lo com falsas acusações, mas voluntariamente e sinceramente confessou quem Ele era, fornecendo o motivo que seus adversários queriam para acusá-lo e mandar matá-lo (Mc 14.53,55-65). Contrapondo-se à negação medrosa de Pedro, Ele manifesta confiança (Mc 14.66-72). Quando interrogado por Pilatos, governador e representante do Império Romano, a força dominante na época, Ele é que se mostra o Soberano e Senhor da situação (Mc 15.1-15).
Ele permaneceu calado e deixou-se castigar (Mc 15.15-20). Rejeitou a bebida anestesiante que poderia aliviar Sua dor (Mc 15.23). Foi Ele quem entregou Seu espírito, demonstrando completo senhorio sobre a morte (Mc 15.37). A sua morte foi uma autodoação em prol de seus amigos (Jo 15.13). Deixou claro que Sua vida lhe pertencia e que poderia espontaneamente doá-la, pois tinha autoridade para entregá-la e reavê-la (Jo 10.18).
Ninguém tem este poder e autoridade sobre sua própria vida, apenas Jesus. Portanto, Ele é o Único Invictus, o único Invencível.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

ESTÁ CONSUMADO


        Terminar um trabalho é algo apreciável. A sensação produzida é agradável, e pode ser de alívio por se livrar de uma responsabilidade, ou de vibração exuberante por causa do resultado alcançado. Aqueles que já tiveram que escrever uma monografia ou um artigo podem testemunhar isso.  Mas raramente concluímos um trabalho com a sensação de realização plena, pois logo percebemos que ele poderia ter ficado melhor, que há erros a serem corrigidos, ou mesmo partes que precisam ser melhoradas.
  Já o Senhor Jesus concluiu Sua obra é bradou “Está terminado” com plena consciência que nada melhor poderia ser feito, que a obra fora perfeitamente cumprida.
      A expressão “Está consumado”, relatada em João 19.28-30, é considerada a sexta palavra da cruz. Jesus já estava na cruz por aproximadamente seis horas.  Após pedir que o Pai perdoasse os que O crucificavam, prometer que o malfeitor arrependido estaria no paraíso, pedir que João cuidasse de Sua mãe, clamar diante do abandono do Pai, e manifestar Sua sede, Ele proclama que a obra fora consumada!
        Na língua original apenas uma palavra é usada para expressar a ideia bradada por Jesus.  É um verbo conjugado numa forma que expressa uma ação completa, e cujos resultados continuam. Conforme estudiosos, o uso desta forma é uma escolha deliberada do autor para indicar o estado presente de uma ação passada. Seria como se Jesus estivesse dizendo: a obra se cumpriu e os resultados perduram. 
           A raiz deste verbo é um substantivo que indica o fim, a conclusão, o término, ou o alvo de alguma coisa.  O verbo pode indicar que algo foi terminado, concluído, completado, cumprido, e que o objetivo foi alcançado. O Novo Testamento usa este verbo para indicar: 
(1) o final de algo, como o dos sermões de Jesus em Mateus 7.28; 11.1; 13.53; 19.1; 26.1; 
(2) um tempo que se completa, como os mil anos de Apocalipse 20.3,5,7; 
(3) o aperfeiçoamento de uma virtude, como o poder em 2º Coríntios 12.9; 
(4) a obediência a um mandamento, Tiago 2.8; 
(5) o pagamento de impostos Romanos 13.6; Mt 17.24;
(6) o cumprimento ou realização de uma profecia Apocalipse 10.7 e 17.17. 
         Alguns destes usos podem ser aplicados a João 19.28-30, mas creio que o contexto indica que o sentido principal aqui é o de cumprimento das Escrituras. 
João enfatiza isso usando duas palavras, a que foi traduzida como “está consumado” (já tratada acima), e outra semelhante que significa “Encher, completar, cumprir”. Esta já havia sido usada com o sentido de cumprir uma profecia na tradução grega do Antigo Testamento (1 Reis 2.27; 8.15,24; 2 Crônicas 36.21,22).
Ao relatar a semana da morte de Jesus, o apóstolo João mostra como Jesus estava cumprindo as profecias.
(1) Em 12.37-43, ele afirma que a rejeição de Jesus já havia sido profetizada, e cita Isaías 53.1 e 6.10. 
(2) Em 13.18, o próprio Jesus afirma que a traição já estava profetizada, e cita o Salmo 41.9. 
(3) Também em 15.25, Jesus diz que o ódio a Ele já estava profetizado, citando os Salmos 35.19 e 69.4. 
(4) Em 17.12, novamente falando a respeito de Judas Iscariotes, Jesus menciona que as Escrituras estavam se cumprindo. Quando pensamos em suas palavras à luz de Atos 1.20, podemos perceber o Salmo 109.8.
(5) João volta a dar sua própria interpretação em 18.9, e agora para mostrar que eram as próprias palavras ditas por Jesus em 17.12, que estavam se cumprindo. 
(6) Outra vez, agora em 18.32, João mostra como a profecia feita pelo próprio Jesus, a respeito do modo da Sua morte, estava se cumprindo. Se os judeus tivessem executado Jesus, a morte seria por apedrejamento, mas o próprio Jesus havia dito que seria levantado (João 3.14; 8.28; 12.32s, compare com Deuteronômio 21.23).
(7) No ato da crucificação, os soldados romanos não rasgaram as vestes de Jesus (19.23,24), e João cita o Salmo 22.18, indicando que isso era cumprimento das Escrituras. Este salmo havia sido escrito mil anos antes da morte de Jesus, e nele são descritos detalhes de uma cena de execução, dos quais muitos se cumpriram em Jesus. 
(8) Em 19.28, é dito que Jesus estava consciente de que tudo já tinha e continuava se cumprindo de acordo com a Escritura. Isto é, Jesus sabia que cada detalhe da Sua morte cumpria as Escrituras. Então Ele deu um passo para um último cumprimento: o da sua sede, que havia sido profetizada nos Salmos 22.15 e 69.21.  
       Para aliviar sua sede os soldados lhe molharam os lábios com soro de vinho. Isto não matou sua sede, mas molhou sua garganta e o habilitou a proclamar o cumprimento das Escrituras quanto à obra redentora. 
(9) E por último, em 19.36,37, João fala do cumprimento do Salmo 34.20 e Zacarias 12.10.
Jesus já havia dito que tudo que fora profetizado em relação a Ele seria cumprido (Lucas 18.31-33; 22.37, citando Is 53.12). E agora Ele confirma isso, com Sua palavra na cruz. Os apóstolos também testemunharam que os acontecimentos da crucificação cumpriam as Escrituras (Atos 13.29).
     A obra consumada significava que as profecias relativas à morte de Cristo foram cumpridas. A morte de Jesus não foi acidental. Mas o cumprimento perfeito do que Deus havia proclamado no Antigo Testamento. Os inimigos de Jesus inconscientemente cooperaram para que o plano de Deus se realizasse, e as Escrituras se cumprissem. Os planos de Deus nunca serão frustrados!
     Com o cumprimento das Escrituras, outros aspectos da obra de Cristo também se completaram. Neste caso, outros sentidos da expressão “está consumado” podem ser aplicados.
     O “está consumado” também foi uma palavra de alívio. Seu sofrimento e angústia terminaram. Mesmo sabendo das profecias quanto à sua morte, Jesus experimentou sofrimento real e antecipado. Ele mesmo afirma que se sentia comprimido, como se estivesse sendo apertado por vários lados, até que sua missão fosse completada (Lucas 12.50). Agora, a obra estava concluída, o sofrimento havia passado. Ele persistiu e resistiu até o final. O nosso sofrimento também terminará um dia. Portanto, olhando para Jesus, não desanimemos (Hebreus 12.3).
      Ao cumprir as Escrituras Jesus completou a obra que o Pai lhe confiara. A expressão usada por Jesus também era pronunciada quando alguém concluía um trabalho. Quando um pintor terminava um quadro ou um autor um livro. Ali na cruz Jesus conclui a maior de todas as obras. Completar a obra do Pai era o supremo propósito de Sua vida (João 4.34), Ele tinha consciência de que Sua missão era fazer a vontade de Deus. Cumprir as obras do Pai era Seu modo de dar testemunho (João 5.36). Completando a missão recebida Ele glorificava o Pai (João 17.4). O propósito da nossa vida é glorificar a Deus. Realizamos isso cumprindo a vontade Dele em nossas vidas, e permanecendo fiel até o fim à missão que Ele nos deu, mesmo que isso envolva sofrimento.
       Quando cumpriu as Escrituras Jesus também pagou nossa dívida. Este era outro uso da expressão “está consumado”. Foram encontrados em papiros, recibos de impostos que apresentam esta expressão significando “pago em sua totalidade”.  Tínhamos uma grande dívida com Deus, os nossos pecados. Não tínhamos condições de pagar. Mas a morte de Jesus na cruz pagou esta dívida em sua totalidade. (Colossenses 2.13,14).  
       Outro uso da expressão era quando o sacerdote examinava um animal para o sacrifício, e não encontrando nenhum defeito nele, dizia: está consumado! Isto é, tudo está perfeito. O animal pode ser ofertado como sacrifício. A morte de Cristo foi uma oferta perfeita pelo pecado, que nunca mais precisaria ser repetida. A obra foi consumada de uma vez, uma única morte, pagando pelos pecados de todos aqueles que Deus iria salvar (Hebreus 1.3; 9.11-14, 22-28).
     Ao dizer “Está consumado”, Jesus estava confirmando Seu amor pelos Seus discípulos. Pois Ele os amou até o fim (João 13.1). Isto significa tanto que amou até que Sua vida fosse entregue cumprindo as profecias, como que amou até que o alvo fosse alcançado: nossas vidas fossem salvas.
    Diante disso vamos crer que o sacrifício de Cristo não foi um acidente. Mas a obra eternamente planejada, e no tempo executada, para salvar o povo de Deus, e habilitar este povo para glorificar a Deus para sempre.
    Vamos crer também que o plano de Deus jamais será frustrado.  Quando as pessoas pensam estar trabalhando contra ele, estão cooperando para sua realização. 
      Creiamos ainda que o nosso sofrimento, por maior que seja, um dia acabará. Portanto não vamos desistir da luta. Vamos perseverar. 
     Vamos concluir a missão de Deus para as nossas vidas, lembrando que nosso propósito aqui é cumprir a vontade Dele. Só assim poderemos dizer: completei a carreira. 
      Vamos nos alegrar, pois nossos pecados estão totalmente pagos, quitados completamente. Não por nada que tenhamos feito. Mas, única e exclusivamente por causa do sacrifício de Jesus na cruz. Estamos perdoados de todos os pecados.
     Vamos louvar a Deus pelo grande amor de Jesus por nós. Ele nos tem amado de modo que o alvo preparado para nossa vida se realizou. Embora isso tenha incluído o Seu sofrimento.    Vamos amar os nossos irmãos assim também. 
     Regozijemo-nos, pois “Está consumado!”.

domingo, 18 de março de 2012

O CARPINTEIRO


              No dia 19 de Março comemora-se o dia do carpinteiro. É muito comum confundirmos o carpinteiro com o marceneiro, pois ambos trabalham com madeira. Mas, estritamente falando um carpinteiro é um artesão que trabalha com madeira, montando especialmente obras pesadas, como estruturas, vigamentos, tabuados, etc.
             Este  ofício  é muito importante, pois grandes obras de construção civil e naval, não seriam possíveis sem o trabalho do carpinteiro.  No entanto, o que tornou esta arte famosa foi um conhecido carpinteiro. Com certeza, o carpinteiro mais famoso que já existiu: Jesus Cristo.
           Tanto Ele, como José, seu pai adotivo, foram chamados de carpinteiros (Mateus 13.55; Marcos 6.3).  Na linguagem do NT, “carpinteiro” era a palavra usada para indicar um fabricante ou artesão, que poderia trabalhar com madeira, metal e outros materiais (Isaías 44.13-17); e também para indicar alguém que trabalhava em construções. Nos tempos bíblicos, as grandes construções envolviam pedras e madeira. Podemos citar como exemplo o templo construído por Salomão que foi edificado com pedra e forrado com madeira (1 Reis 4-7).
Como Jesus atuava em um ambiente rural, é provável que Ele e seu pai fabricassem   carroças, consertassem arados, entalhassem bacias, colheres ou enxadas, construíssem baús, bancos, camas, levantassem parreirais e galpões, cobrissem e consertassem telhados, etc. Nosso Salvador, gastou a maior parte de sua vida nesta função útil, mas dura.
Jesus cresceu e morou na cidade de Nazaré até por volta de seus 30 anos.  Acreditamos que durante este tempo Ele tenha ajudado José e assim, aprendera o mesmo ofício, e se tornou o carpinteiro daquela pequena cidade, até quando se mudou para Cafarnaum e começou sua obra de anunciar o Reino de Deus. 
         Um dia Ele voltou à Nazaré, e ali ensinou na sinagoga. Seus ouvintes ficaram espantados com Sua sabedoria e com os milagres que operava (Marcos 6.1-3). Apesar das evidências de seu ensino e milagres, não conseguiram crer Nele, porque apenas o conheciam como aquele que havia sido o carpinteiro da sua pequena cidade. Os habitantes de Nazaré não conseguiram entender como o carpinteiro havia se tornado um grande Mestre, e por não conseguirem entender, resolveram não crer.
                Nos primeiros anos da história do Cristianismo, o fato de Jesus ser um carpinteiro também foi motivo de gracejos. Mas este fato nos mostra a humildade de Jesus. Aquele que construiu o Universo, agora fabricava pequenas coisas. Jesus nos ensina que é possível servir a Deus nos trabalhos do dia a dia. Ao servirmos as pessoas com o nosso trabalho, estamos adorando o Criador do mundo e das pessoas.
                Os habitantes de Nazaré creriam se a mensagem maravilhosa tivesse sido pregada por alguém mais nobre, com mais glamour. Mas, já que a mensagem fora pregada por alguém que era igual a eles, não creram. Eles achavam que conheciam Jesus muito bem, afinal Ele havia crescido entre eles, e trabalhado para eles. Apesar de conhecerem Jesus como “o carpinteiro”, não O conheciam como “o Salvador”. 
Sim, o homem que passou a maior parte de sua vida fabricando e consertando objetos e casas, foi o escolhido, enviado e ungido por Deus, para consertar vidas, e construir uma Igreja, um povo, um novo mundo. Foi enviado, de forma humilde, para realizar uma salvação poderosa.
             O que aconteceu em Nazaré ainda acontece hoje. As pessoas desprezam a mensagem por desconsiderarem o mensageiro. Embora muitas vezes até admirem a mensagem, mas o preconceito as impede de acreditar na mesma. Algumas mensagens não prosperam porque a própria mensagem é ruim, mas há mensagens que não são aceitas porque a audiência é ruim.
            Em Nazaré, Jesus só era conhecido como “o carpinteiro”, ninguém ali percebeu que Ele era muito mais que um carpinteiro, a primeira impressão foi a que ficou. Ainda hoje há pessoas que pensam conhecer Jesus muito bem, afinal cresceram numa igreja, ouvindo histórias bíblicas e cantando hinos sobre Jesus. Mas ficaram com a impressão de Jesus apenas como um bom mestre, um profeta, um milagreiro a quem se pode recorrer nas horas de dificuldade. Elas não conseguem ver que Jesus é muito mais do que tudo isso. Ele é o próprio Deus que assumiu a humanidade, para viver numa pequena aldeia, trabalhando para pessoas que depois iriam rejeitá-lo (João 1.1,10,11,14). Ele é o Messias Salvador, que veio morrer numa cruz para pagar pelos pecados dos homens, e libertá-los destes pecados (2 Coríntios 5.21). Ele é Aquele que venceu a morte pela ressurreição, e hoje está à direita de Deus, intercedendo pelos seus (Romanos 8.34). Ele é o Juiz que voltará para concretizar a salvação eterna dos que creram e condenar os que O rejeitaram (Mateus 25.31-46).
Conheça Jesus, o Carpinteiro que pode consertar Sua vida para toda a eternidade.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

UM SÍMBOLO E SUAS EVOCAÇÕES


          Pela graça de Deus tive a honra de ser o paraninfo da turma de formandos do Seminário Batista do Cariri de 2011. Esta turma escolheu como nome a palavra grega “ichthys”, que significa peixe.  Este foi um dos primeiros símbolos dos cristãos e uma das primeiras manifestações da arte na Igreja Cristã.  Com base neste símbolo evoquei três pensamentos.
            O primeiro deles surge do conteúdo do símbolo.   Uma das razões para a escolha do peixe como emblema cristão era que as cinco letras da palavra em grego (IX𝚯US?US) formavam um acróstico com as letras iniciais da frase “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”.  E a frase expressava a confissão de fé na centralidade da Pessoa de Cristo.  "Jesus", que significa “O Senhor Salva” era o nome humano de Cristo, e mostrava a crença da Igreja na encarnação e historicidade desta pessoa. "Cristo", que significa “ungido” (Messias), indicava que Ele foi o escolhido e ungido por Deus para realizar Seu projeto redentivo, e trazer o estabelecimento de Seu reino.  "Filho de Deus", manifestava a crença de que este Jesus é da mesma natureza de Deus, sendo Deus também. E que, por ser Deus e o Ungido de Deus, Ele se tornou o Salvador dos seus seguidores, livrando-os do pecado e da condenação que este acarreta. O escritor Michael Green diz “Notem como este símbolo sustenta o fato de que o cristianismo é Cristo, e que se ocupa totalmente com Ele.” (Livro Mundo em Fuga, pg. 24).
É imperativo que Jesus Cristo seja reconhecido como o Deus eterno, auto-existente, que foi o Messias prometido, e na plenitude do tempo se encarnou na história, pisou nesta terra, no tempo e no espaço, que aqui viveu e ensinou, morreu e ressuscitou, para ser nosso Salvador. Que Ele foi o designado e escolhido por Deus para ser o Único Mediador e Autor da nossa salvação (João 1.14; Atos 4.12; 10.38-43;  1 Coríntios 15.3,4; Gálatas 4.4,5; Hebreus 5.7-9).
O peixe, como gravura cristã nos lembra que o centro de nossa fé e da nossa vida é Cristo. Não fomos chamados primariamente para seguir uma religião, mas uma Pessoa. Não fomos vocacionados para propagar idéias de um grupo, mas os ensinos de uma Pessoa.  Não fomos convocados para servir prioritariamente a uma causa, mas a uma Pessoa.  Não fomos ordenados para nos comportarmos principalmente de acordo com uma moral elevada e cumprir princípios éticos sábios, mas para imitar uma Pessoa. E esta pessoa é Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador.
            O segundo pensamento vem da razão do símbolo. Ele foi adotado pelos cristãos  por causa das perseguições e calúnias levantadas contra eles. Os cristãos  tinham que evitar a ostentação de sua religião, isto é, qualquer símbolo que fosse entendido imediatamente como religioso. O desenho do peixe foi uma das maneiras que usaram para facilitar a identificação, e marcação de lugares das reuniões e cultos. Apenas os iniciados saberiam o significado deste acrônimo.
O peixe é uma testemunha da perseguição que nossos antepassados enfrentaram, na forma de oposições, calúnias, injustiças, perdas de bens, torturas, prisões e mortes. Mas também atesta que eles não desistiram da fé. Nossa época e cultura, acostumada ao conforto, nem consegue entender como alguém se dispõe a morrer por uma crença. Mas o peixe também nos lembra que ser cristão é estar disposto a sofrer.
Este sofrimento é por causa da identificação com Cristo, conforme 1ª Pedro 4.12-14. Não deve ser encarado como surpresa, como se fosse estranho ao cristianismo, mas como parte do pacote da salvação.  Ele é sinal da glória futura. Portanto, sofrer por Cristo é uma graça (Filipenses 1.29).
Mas o sofrimento, também, é por causa do serviço a Deus. Conforme Colossenses 1.24, o sofrimento é necessário para o crescimento e edificação da Igreja. E em 2ª Timóteo 2.10 é dito  que é preciso suportar o sofrimento para que os eleitos conheçam a salvação.   
A perseguição, a oposição, a humilhação, a injustiça e a calúnia, devem ser aceitas como parte do seguir e do servi r a este Jesus Cristo Filho de Deus, Salvador.
            O terceiro pensamento me vem à lembrança por causa do chamado que Jesus fez aos primeiros discípulos, relatada em Mateus 4.19: “E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” Eles eram pescadores e continuaram pescadores, mas de outro tipo de peixes. Agora deveriam lançar as redes da pregação para pescarem outros discípulos.  Eles haviam sido conquistados, agora deveriam conquistar (Filipenses 3.12). Foram chamados, e agora deveriam chamar.
Podemos fazer um jogo de palavras aqui, usando o símbolo cristão do peixe. Eram pescadores, que foram pescados pelo ICHTUS (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador), para pescarem outros homens, e levá-los ao mesmo ICHTUS que os pescou.
Como diz o hino “Pescador” todo mundo está pescando nesta vida, mas pescando peixes que não saciam a fome. Precisam conhecer o Peixe verdadeiro (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador).
           O peixe me lembra que somos pescadores de homens, para conduzi-los a Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador.

quarta-feira, 31 de março de 2010

NA MAIOR SOLIDÃO



A solidão é uma sensação horrível. Especialmente quando é resultado do abandono. Algumas pessoas podem sentir solidão, mesmo rodeada de outras pessoas, por algum problema interno. Já outros sentem solidão porque de fato estão solitários, foram abandonados. Mesmo estando num bom ambiente, e rodeado de boas coisas, a solidão não é agradável, é isto que o próprio Deus diz a respeito de Adão (Gn 2.18). Ele estava no Paraíso, mas sozinho, e Deus disse que isso não era bom.

Agora imagine, estar sozinho numa situação de intenso sofrimento! Sem ninguém que manifeste amor e possa socorrer! Quando o próprio Deus se afasta! Esta foi a solidão que Jesus experimentou.

Jesus já havia sido abandonado por seu povo, por aqueles para quem veio, conforme nos diz João: Ele veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam (Jo 1.11). Pense no que é deixar a glória dos céus, a presença imediata do Pai e do Espírito, o louvor perfeito dos anjos, tornar-se homem, e um homem servo, para salvar um povo, e ser rejeitado por este povo?! Foi isso que Jesus fez (Filip 2.5-9). Sua vida foi perseguida desde cedo (Mt 2.16). Vários foram os momentos em que tentaram matá-lo (Lc 4.28-30; João 5.18; 8.59). Foi questionado e colocado a prova muitas vezes (Mt 22.15,23,35). Os de sua cidade o desprezaram (Mt 13.54-58) e os de Samaria recusaram lhe dar hospitalidade (Lc 9.51). Ele veio para ajuntar os seus como a galinha reúne seus filhotes, mas foi rejeitado (Lc 13.34)

Jesus foi desprezado até por sua própria família e considadãos. Seus irmãos não criam nele (João 7.5). Uma vez chegaram a considerar que ele estava fora de si, e quiseram prende-lo (Mc 3.21).

Jesus foi abandonado por seus discípulos. Logo no início alguns o deixaram porque consideram sua palavra muito dura (João 6.60,66), e naquele momento outros reafirmaram sua fé, mas mesmo estes depois o deixaram, primeiro dormindo quando Ele pediu que orassem por Ele (Mc 14.37), depois fugiram quando Ele foi preso (Mc 14.50).

Todos estes abandonos doeram em Jesus. Mesmo Ele sabendo de antemão que isso lhe ocorreria. Pois saber que uma injeção vai doer, não elimina a dor, quando nós a tomamos. Mas foram abandonos mais suportáveis, porque o Pai estava com Ele (Jo 16.32). Mas houve um abandono que doeu mais que todos, houve uma solidão que foi a maior de todas. Houve uma hora que nem o Pai ficou com Ele, que Ele ficou realmente sozinho! Este foi o maior de todos os abandonos, a maior de todas as solidões.

A quarta palavra da cruz nos revela este abandono, que ocorreu após seis horas que Jesus estava na cruz. Ele foi crucificado às nove horas da manhã, e as palavras foram gritadas às 3 horas da tarde (Mc 14.25,33,34). Mateus 27.46 e Marcos 15.34 deixaram estas palavras registradas. Elas foram proferidas na língua materna de Jesus: o aramaico (com algumas características do hebraico).

Antes de falar estas palavras Jesus já havia pedido o perdão do Pai para seus inimigos, garantido salvação ao ladrão, e confiado Sua mãe aos cuidados de João. Agora, depois de três horas de escuridão, Ele dá seu grito de desamparo. Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? As trevas já haviam demonstrado o juízo e abandono de Deus naquele momento.

Estão entre as mais misteriosas palavras da Bíblia. Elas demonstram o quão profundamente Jesus estava abandonado pelo Pai por carregar os pecados dos homens sobre Ele. Elas ilustram o intenso sofrimento de Sua alma, pelo castigo que recebia pelos pecados humanos (5 Co 5.21). Deus Pai desviou Seu favor do Filho naquele momento, pois os pecados dos homens estavam sobre Ele (Is 53.6,10; Rm 3.25; Gl 3.13), e a santidade de Deus não aceita o pecado (Is 59.2; Hab 1.13), mesmo quando recai sobre Seu próprio Filho amado, no qual estava toda Sua alegria (Mt 3.17).

Mas o grito não expressa desespero, e sim fé. Jesus diz: Meu Deus. Ainda era o Seu Deus. As palavras já haviam sido proferidas quase mil anos antes, pelo rei Davi, num momento de aflição (Salmo 22.1). Neste mesmo salmo Davi canta sua confiança de que Deus iria libertá-lo (22.22). Jesus também demonstra esta confiança, apesar da solidão e da dor.

As palavras eram para testemunhar que Ele era o escolhido de Deus para cumprir as profecias, e ser o Salvador do mundo. E para nos mostrar o quanto é horrível o nosso pecado. Expressa a desolação do senso de ter sido abandonado por Deus que o pecado causa. E avisa que esta será a sensação daquele que não aceitarem segui-Lo, (Mt 25.41). Também dá confiança àqueles que seguem Jesus, de que nunca serão abandonados (Hb 13.5), pois Jesus já sofreu o maior dos abandonos no lugar deles.

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...