terça-feira, 13 de maio de 2008

MOVENDO A COMPAIXÃO DE JESUS

        Três evangelhos contam-nos a história de uma oração que moveu a compaixão de Jesus (Mt 8.1-4; Mc 1.40-43; Lc 5.12-13).         
Após proferir o ensino do sermão do monte, Jesus desceu da montanha para a cidade. Multidões O seguiam. No meio delas, uma pessoa se destacou: um homem coberto de lepra que, clamando, veio ao encontro de Jesus.         
        Quando a Bíblia fala de lepra, ela se refere a qualquer doença de pele que fosse contagiosa. Quem tinha estas doenças vivia separado da sociedade, usava roupas rasgadas, não penteava o cabelo, e quando se aproximava de alguém, gritava: imundo, imundo, alertando, para que os que estivessem próximo evitassem o contágio (Lev 13.45,46). Provavelmente era isto que este homem gritava avisando Jesus e as pessoas à volta sua volta sobre sua condição. Ele reconheceu e assumiu seu estado. Todos nós também estamos na situação daquele homem. Cobertos com nossos pecados, somos como imundos aos olhos de Deus (Is 64.6). Ao invés de escondê-los de Jesus, devemos declará-los, mostrar para Jesus que estamos imundos. Reconhecer nosso estado de impureza move a compaixão de Jesus.         
        Aquele homem demonstrou uma fé corajosa. Aquelas doenças maltratavam a pessoa física, social e psicologicamente. Ela ficava privada do convívio com a sociedade e das reuniões religiosas. Acreditava-se que a lepra era uma maldição de Deus. Ele poderia ser enxotado pela multidão, talvez nem permitissem que chegasse perto de Jesus. Mas sua fé o impulsionou a enfrentar os riscos. Jesus permitiu sua aproximação. Todos nós precisamos enfrentar os preconceitos à nossa volta para nos aproximarmos de Jesus, da forma como estamos, cobertos por nossos pecados. Movemos a compaixão de Jesus quando agimos com a fé que o busca corajosamente, enfrentado toda a oposição.         
        Sua fé foi reverente. Ele se ajoelha e coloca o rosto em terra. Esta era uma atitude de adoração. Ele adorou Jesus antes de fazer seu pedido, antes de alcançar qualquer cura. Todos nós precisamos nos aproximar de Jesus, reconhecendo que Ele merece nossa adoração, independente do que venha a fazer por nós. Movemos a compaixão de Jesus quando o adoramos pelo que Ele é, e não pelo que possa fazer por nós.         
        Depois de adorar, ele suplicou. Suplicar é apresentar a necessidade diante de Deus. Ele colocou diante de Deus seu desejo de ser curado. Nesta súplica, manifestou sua crença a respeito de Jesus: Se quiseres podes me tornar limpo. Movemos a compaixão de Jesus quando expomos nossas necessidades diante Dele.         
        Ele acreditou no poder de Jesus. As curas de lepra eram raras, consideradas até como um levantar-se dentre os mortos (2 Reis 5.9-14), mas este homem sabia que Jesus podia. Ele disse: Se quiseres, podes. Não havia nenhuma dúvida sobre o poder de Jesus. Precisamos crer no grandioso poder de Deus, que pode fazer o impossível. Movemos a compaixão de Jesus quando reconhecemos o Seu poder.                   
        Mas ele também cria que Jesus é Soberano. Se quiseres. Ele sabia que Deus não lhe devia nada, que não era obrigação de Jesus curá-lo. Jesus pode curar, mas Jesus também é soberano sobre o seu poder. Ele exerce o poder quando e como Ele quiser. Algumas pessoas acham que, pelo fato de Deus ter poder, Ele está obrigado a fazer. Não é assim. Deus tem poder. Mas Ele também tem vontade, e Ele exerce este poder de acordo com a Sua vontade. Ele não está obrigado a fazer nada por ninguém. Sua única obrigação é consigo mesmo. Movemos a compaixão de Jesus quando respeitamos Sua vontade.         
        Foi uma fé humilde, que reconheceu sua falta de méritos. Ele tinha certeza quanto ao poder, mas não quanto à disposição de Jesus para curar, mesmo assim suplicou. Isto demonstra que acreditava na misericórdia de Jesus. Sua esperança não estava baseada em seus méritos, mas puramente no amor de Jesus. Uma petição diante de Deus é uma esperança de misericórdia. Misericórdia é o exercício livre da ajuda diante de alguém que precisa, mas a quem não se deve aquela ajuda. Movemos a compaixão de Jesus quando apelamos somente a ela, e a mais nada.         
        E Jesus, movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou-o, e disse-lhe: Quero; sê limpo. Aquela atitude moveu a compaixão de Jesus. Jesus disse que queria. Contrariando todos os costumes tocou o leproso, e este ficou limpo. Ele ficou curado imediatamente. 
         Vamos mover a compaixão de Jesus?

terça-feira, 6 de maio de 2008

PRIORIZANDO A ORAÇÃO

        Uma das dificuldades do mundo moderno é a falta de tempo. Não temos tempo para fazer tudo o que nos é oferecido. Temos que escolher o que fazer. Muitas vezes essas escolhas são motivadas pelas pressões do momento e das pessoas. Aqueles que nos pressionam com mais força, ou as situações aparentemente mais urgentes ou mesmo as necessidades mais imediatas acabam assumindo o controle do nosso tempo.                                              O problema é que nem sempre quem pressiona mais, ou o que está mais próximo ou parece mais urgente é o mais importante. Uma das atividades prioritárias que acaba sendo deixada de lado por causa do que parece ser mais urgente é a oração. O Senhor Jesus Cristo também enfrentou esse tipo de problema, mas Ele priorizou a oração. Isto é demonstrado no texto de Marcos 1.35-39.       &nbspPara Jesus, a oração era mais importante do que o descanso. Várias vezes somos informados de que Jesus passava noites em oração após um dia de intensa atividade. Em Marcos 1.35 lê-se que ele levantou muito cedo para orar E de manhã quando era muito escuro, depois de levantar, saiu e foi para um lugar deserto e lá orava.       &nbspJesus estava na cidade de Cafarnaum, que, em virtude de sua posição estratégica, ele escolhera como sede de seu ministério na Galiléia (Mt 4.13). O dia anterior havia sido um sábado cheio de atividades. Pela manhã, Jesus estivera na sinagoga, ensinara de modo que as pessoas ficaram maravilhadas e enfrentou um endemoninhado. Saindo da sinagoga foi para a casa de Pedro, e ali curou a sogra deste. Depois do por do sol, os enfermos e endemoninhados da cidade vieram até Jesus. Toda a cidade reuniu-se à porta da casa de Pedro, e Jesus os atendeu. (1.21,29,32). Podemos deduzir que o dia foi cansativo e que Jesus foi dormir um tanto tarde.       &nbspMas ele acordou cedo para orar. O texto indica que era ainda muito escuro, o que dá a ideia de um horário entre as três e seis horas da manhã. O cansaço não impediu Jesus de orar. De fato, o cansaço não nos impede de fazer aquilo que valorizamos, aquilo que achamos extremamente necessário. Você pode estar muito cansado, mas quando se depara com uma situação onde a ação é necessária, ou mesmo diante de coisas de que você gosta bastante, o cansaço é deixado de lado. Quando não oramos é porque achamos que não precisamos, ou porque não gostamos de orar, ou mesmo as duas coisas. Jesus precisava orar, e gostava de orar. Por isso a oração venceu o cansaço.       &nbspPara Jesus, a oração era mais importante do que a necessidade imediata das pessoas. Jesus estava numa fase de muita popularidade. As pessoas estavam empolgadas com Ele. Elas o buscavam com intensidade para que Ele atendesse suas necessidades mais urgentes: saúde e perturbações demoníacas. Estas perturbações poderiam provocar problemas familiares, falta de paz, desejo de morrer, afastamento da sociedade, comportamentos de loucura, opressão, etc. Evidentemente que eram problemas sérios, que precisavam de solução. Mas com certeza, nenhum destes é o problema mais sério da vida. Ter a salvação eterna é a necessidade maior de todas as pessoas, e esta era a principal missão de Jesus, mas as pessoas não compreendiam isto.       &nbspOs próprios discípulos não entendiam que este era o bem maior a ser buscado. Eles pensavam que Jesus estava perdendo uma grande oportunidade, diante de tantas pessoas que o procuram. Procuram Jesus com muita assiduidade, para que Jesus continuasse atendendo as necessidades imediatas das pessoas. Mas, para Jesus, era mais importante orar do que socorrer as pessoas nestas necessidades. O sucesso não o empolgava, nem o desânimo diante da incompreensão o afligia. Ele busca forças no Pai, em oração.       &nbspPara priorizar a oração, Jesus usou certas estratégias para praticá-la. Levantou-se cedo, num horário em que poucas pessoas haviam levantado, quando as interrupções não seriam frequentes. Temos que procurar um tempo quando poderemos orar sem o risco da interrupção. Jesus buscou um lugar onde pudesse estar sozinho. Era mais difícil de ser encontrado. Temos que encontrar condições de tempo e local onde podemos estar a sós com Deus.       &nbspPor priorizar a oração Jesus entendeu corretamente sua missão e encontrou forças para não se afastar dela. Havia muitas pessoas que o buscavam naquela cidade, mas Ele sabia que sua vinda ao mundo tinha como propósito pregar em outros lugares, então não permitiu que a pressão das pessoas, nem suas necessidades imediatas atrapalhassem o seu ministério. A oração fez Jesus manter Suas prioridades e não se deixar levar pelos desejos da multidão e necessidades do momento. A sintonia com o Pai foi mantida.       &nbspManter a vida de oração é uma luta. Com certeza a pressão das pessoas, as necessidades imediatas, o cansaço e outras atividades poderão nos levar a não priorizar a oração. Estas coisas tentarão nos impedir de orar. Vamos tomar cuidado. Um amigo compartilhou um ditado que pode ser aplicado à nossa vida de oração: Quem quer, dá um jeito, quem não quer, dá desculpas. Vamos dar um jeito de orar, e não desculpas para não orar. Como Jesus, vamos priorizar a oração.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

QUERO FALAR COM O CHEFE

      Há alguns anos, um comercial de TV apresentava um cliente de um banco que entrava na agência querendo falar com o chefe. Não aceitava falar com a secretária do chefe, com assistente do chefe, nem com vice-chefe. Só o chefe servia. Algumas situações na vida só se resolvem se falarmos com o chefe.       Os salmos 50;73-83, de Asafe, testemunham isto. Nestes doze salmos, verificamos que o salmista falava sempre com o Chefe, que nesse caso era Deus. Creio que este é o tema maior de todos esses salmos: O Supremo Deus governa o mundo. Ele é o Chefe do Seu povo, e também de todas as nações.      No salmo 50 o salmista apresenta a mensagem de Deus chamando-o de SENHOR, o Deus Supremo, que convoca céus e terra para testemunhar o julgamento que Ele fará tanto sobre o povo da aliança (povo que entrou em acordo com Deus para que Ele fosse o Seu Deus) como sobre os ímpios. Este Chefe indica o que Ele quer dos homens: uma vida de dependência, manifestada em gratidão, busca de ajuda quando necessário e obediência aos seus mandamentos.      O salmo 73 é uma confissão que o salmista faz de seu quase afastamento de Deus, por invejar os ímpios que prosperavam em seus caminhos maus. Mas logo entendeu que Deus também é o Chefe que governa sobre os ímpios que prosperam. Ele os destruirá de modo tão completo, como o sonho que se acaba assim que as pessoas acordam. Este Deus deve ser o nosso bem supremo. Não podemos trocá-Lo por nada nem ninguém. Ele é o nosso instrutor, nossa força e esperança.      Diante dos ataques destruidores de um povo pagão, o salmista fala com o Chefe em oraçãonos Salmos 74 e 79. Não seria a temporária vitória do inimigo que faria o salmista deixar de acreditar no domínio de Deus. Ele manifesta toda a sua confiança nesta Soberania, ao mencionar que o ataque do inimigo só foi bem sucedido porque Deus ficou passivo, cruzou os braços, por estar irado contra o pecado do Seu povo. Pois Deus é o Rei desde a antiguidade e Ele é o Dono de tudo. Diante disso é que ele clama por socorro a este Deus. Alguns entendem que a doutrina da Soberania de Deus pode criar barreiras para a oração. Mas, pelo contrário, é a crença num Deus que é Soberano, que domina sobre tudo, que deve nos levar a orar, especialmente nos momentos de dificuldade. Que garantia se teria orando a um Deus que não tem controle sobre mundo?      Deus é Soberano não apenas para julgar a terra, mas também para determinar o tempo do julgamento e para sustentar a terra até que o tempo do juízo chegue, diz o salmista no cântico do Salmo 75. É ele quem exalta e humilha as pessoas. Por causa disso, devemos anunciar as Sua maravilhas ao mundo.      Deus é o Chefe que deve ser temido. Por sinal, o único que deve ser temido, pois Ele faz com que até a ira dos homens redunde para Sua Glória. Espera-se dos que são d’Ele que cumpram os votos que fizeram. Isso é dito no cântico do salmo 76.      Mesmo diante da perplexidade de clamar e não ser atendido, mesmo ficando um tanto desnorteado por estar angustiado e buscar a Deus e não encontrar resposta, o salmista ainda crê que Deus é o Soberano que mostra o Seu poder entre os povos. Quando sofre diante da aparente inatividade de Deus, o salmista medita no que Deus já fez (Sl 77)      O Salmo 78 é uma instrução indicando que, diante de tudo que este Deus Soberano já fez, é um tremendo pecado não O tratar com consideração. Cada geração deve cuidar para não repetir os erros do passado, mas aprender a confiar em Deus e ser fiel a Ele.      No salmo 80, o salmista pede ao Rei que tem seu trono entre os querubins que venha salvar o Seu povo. Reconhece que é Deus quem está enviando o sofrimento para o povo. Sabe que uma restauração do povo depende do Soberano operar nos corações, e por isto clama que Deus faça o seu povo se arrepender. A crença na soberania de Deus, ao invés de impedir a oração pela conversão das pessoas, incentiva esta oração, pois a conversão depende de Deus, que tem domínio sobre os corações das pessoas.      Este Deus Soberano almeja que Seu povo lhe seja fiel. Asafe mostra no salmo 81 que Ele abençoa os que se voltam para Ele. Como Ele é poderoso, e tem o controle de tudo em suas mãos, Ele pode abater todos os inimigos que se voltam contra Seu povo.      Deus é o Supremo Governante sobre todos os governos. O salmo 82 mostra como Deus preside sobre os juízes da terra. Ele é o Supremo Tribunal onde todos os governos terão que prestar contas, pois todas as nações pertencem a Deus.      Na oração do Salmo 83, o salmista clama para que Deus faça justiça, para que as nações saibam que SOMENTE TU, CUJO NOME É SENHOR, ÉS O ALTÍSSIMO SOBRE TODA A TERRA.      Note que, em toda e qualquer situação, o salmista procurava o Chefe. Tanto para louvar pela grandeza ou para clamar diante da necessidade. Por gratidão ou aflição, Ele sempre procurava o Supremo Chefe.      E você, não acha melhor falar com o Chefe?

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Intensificando nossas orações

Orar e meditar nas Escrituras são deveres diários de cada cristão. A própria Bíblia nos exorta a meditarmos diariamente (Sal 1.2) e a orarmos sem cessar (1 Tes 5.17). Mas há épocas em nossas vidas nas quais precisamos intensificar nosso contato com Deus. Isto aconteceu na vida de Moisés para receber a Palavra de Deus na primeira vez e na segunda para interceder pelo povo (Ex 24.12-18; 34.28,29). Elias, quando desanimado diante da perseguição de Jezabel passou 40 dias caminhando (1 Reis 19.1-18). Daniel aplicou-se a oração por 21 dias para compreender a mensagem da Palavra de Deus (Daniel 10.1-3,12,13). Neemias quando soube da situação da cidade de Jerusalém passou três meses orando (Neemias 1.1-2.1). O próprio Jesus Cristo, guiado pelo Espírito Santo, passou 40 dias no deserto, antes de iniciar seu ministério (Lucas 4.1-13).
Os resultados na vida destes homens foram fantásticos. Moisés quando desceu do monte brilhava, irradiando a glória de Deus, manifestando a autenticidade da revelação recebida. Elias teve uma nova percepção dos modos de ação de Deus e foi reanimado para continuar com missão que Deus lhe dera. Daniel recebeu entendimento das revelações de Deus. Neemias teve a oportunidade de reconstruir os muros de Jerusalém. E Jesus venceu Satanás.
Nós também precisamos selecionar algum tempo para intensificar nossa busca por Deus. Assim poderemos refletir melhor sua glória, ganharmos novo ânimo para cumprirmos a missão que Deus tem para nós, entendermos melhor as Escrituras, realizarmos uma obra específica, e vencer as tentações de nosso inimigo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

OS CISNES CANTAM MAIS DOCEMENTE QUANDO SOFREM


As palavras do título desta postagem vieram do livro "O Sorriso Escondido de Deus", de John Piper (pg. 9).
Tanto a Bíblia como a natureza nos ensinam que o sofrimento pode nos fazer cantar melhor. Nos sofrimentos os cisnes cantam com mais doçura. No Brasil temos o exemplo do pássaro Assum-Preto, que depois de ter seus olhos furado passa a cantar o dia todo.
A mesma verdade pode ser aplicada à Davi, o doce salmista de Israel (2 Sm 23.1), pois ele escreveu vários de seus salmos em horas de sofrimento. Um exemplo é o salmo 3, que foi composto quando fugia de seu filho Absalão. Fugir de um filho já é algo tremendamente trágico para qualquer pai, e no caso de Davi era pior, pois além da vida, o filho queria seu trono.
A história nos é contada em 2 Sm 15-17. Após quatro anos de subversão, Absalão liderou uma rebelião aberta. Quando tomou ciência da revolta, Davi fugiu, pois sabia que esta era sua única alternativa naquele momento, pois muitos haviam  se aliado à Absalão.
Enquanto fugia, subindo pelo monte das Oliveiras, Davi e o povo choravam com a cabeça coberta. Um desafeto resolveu atirar-lhe pedras e xingá-lo de assassino, bandido e homem sem valor. Davi se sentia frustrado, triste, envergonhado e com dúvidas. O que tinha de mais precioso estava deixando para trás. Sua vida parecia estar entrando em colapso.
Com mais de 60 anos, Davi teve que lidar com os problemas que a notícia repentina lhe trazia: planejar uma fuga rápida, tomar decisões no meio da pressão, enfrentar uma subida íngreme, acalmar os acompanhantes e suportar a angústia interior.
Ele chegou às margens do Jordão, cansado e estressado (2 Sm 16.14). Ali passou pelo menos uma noite. Será que foi nesta ocasião que compôs este salmo? Ou depois de ter atravessado o Jordão quando organizava o exército para a defesa (2 Sm 17.27-18.2)? Ou mesmo quando ficou no acampamento esperando o resultado da guerra (2 Sm 18.4)? Todas essas eram ocasiões de aflição, necessidade e exaustão.
Mas o cisne canta mais docemente nesta hora! O salmo é uma oração em forma de poesia, onde Davi contou a Deus o seu problema de modo realista: são muitos os inimigos, muitos os revoltosos, e muitos os que o desanimam dizendo que Deus não mais o salvará. (versos 1,2).
Davi não era um sonhador otimista que havia cegado para a realidade. Ele via a situação como ela se apresentava, e a colocou diante de Deus.
Mas ele também via Deus como Ele é: o seu escudo, a sua glória, Aquele que era capaz de animá-lo, mesmo quando tudo era motivo para desânimo (verso 3). Então ele clamou com a confiança de que seria ouvido. Mesmo longe de seu palácio, da arca do Senhor, de sua Jerusalém amada, e com sua vida e reino ameaçados, ele sabia que podia deitar, dormir e levantar, porque era Deus quem o segurava (verso 5). Mesmo perseguido em um deserto, ele não ficava assustado por causa dos muitos inimigos. Já que muitos estavam se levantando contra ele, pediu que Deus se levantasse a favor dele. Já que muitos estavam dizendo que Deus não iria salva-lo, ele pediu para Deus salvá-lo. Porque é somente Deus quem pode salvar e abençoar os seus (versos 6,7).
Quando estiver em situações de sofrimento, lembre-se de Davi. Conte a Deus sua aflição, mas também, lembre-se de quem Deus é para você. Não se deixe levar pelas palavras de desânimo, clame a Deus. Mesmo quando perseguidos, em desespero e dúvida, cansados, estressados, podemos deitar, dormir, acordar e cantar

Quando a luta está travada, ventos fortes sopram em mim
Quando sinto-me cercado, e a força chega ao fim
Quando a vida destrói sonhos, e os vales são reais
Deus me dá quando a Ele clamo, asas espirituais.
(Hino "Asas Qual Águias", de Ron Hamilton, Tradução de Paulo C. Bondezan, publicado no Hinário Voz de Melodia, 2004).



quinta-feira, 10 de abril de 2008

DEUS NOS CONTOU O SEGREDO DO SUCESSO

           O sucesso é perseguido por todas as pessoas, embora haja diferentes ideias sobre o que é ser bem-sucedido. Na verdade, para muitos, os conceitos sobre ser bem-sucedido envolvem ganhar muito dinheiro, ou poder e fama, ou bem estar e paz. Mas há um grande contingente de pessoas que sucesso é ter tudo isso, ao mesmo tempo.            Do ponto de vista de Deus, o Criador da vida, bem-sucedida é a pessoa que se deu bem na vida, que alcançou seu propósito durante sua existência, atingiu seus alvos e completou sua missão neste mundo.            Como nossa vida é complexa, dificilmente o sucesso é alcançado em todas as áreas. Alguns conseguem a realização profissional, mas fracassam na relação familiar. Outros são um sucesso entre os amigos, mas um fracasso profissional. Outros há, ainda, que são considerados bem-sucedidos na área financeira, mas têm saúde frágil. Isto nos leva às perguntas: "É possível ser bem-sucedido em tudo? Qual seria o segredo de se dar bem em todas as áreas?"            Apresento um conselho que aparece quatro vezes na Bíblia, mostrando como ter sucesso em tudo.            Em Deuteronômio 29.9, na renovação da aliança feita entre Deus e o povo, logo antes de tomarem posse da terra prometida, Moisés diz "Guardem as palavras desta aliança para as fazerem, e assim serás bem sucedido em tudo que fizeres." Em outras palavras: se vocês tomarem o cuidado de obedecer, vocês serão bem sucedidos em tudo o que fizerem. O sucesso estava atrelado à obediência à Palavra de Deus.            Em Josué 1.7,8, encontramos o mesmo conselho. Nesse momento da história, Moisés havia falecido e Josué estava assumindo o seu lugar. Sua missão era levar o povo de Deus para a terra prometida. Diante de tão grande responsabilidade, capaz de amedrontar Josué, Deus lhe diz: "Somente sê forte e muito corajoso, para teres o cuidado de fazer conforme toda a lei que te ordenou Moisés, meu servo, não se desvie dela nem para direita nem para a esquerda, assim serás bem-sucedido em tudo que andares. Não se afaste da tua boca este livro da lei, e medita nele dia e noite com o propósito teres o cuidado de fazer conforme tudo que está escrito nele, porque então farás prosperar o teu caminho e assim serás bem-sucedido." Novamente é dito que a obediência à Palavra de Deus tem como resultado o sucesso em tudo que se faz na vida.            No texto citado, podemos perceber que para se ter uma obediência que traga sucesso é necessário muita coragem, força e firmeza. Deus diz que Josué precisaria apenas ser muito forte. Sem coragem não se consegue obedecer à Palavra de Deus. Os covardes, os fracos, os desanimados e os preguiçosos logo desistem, não persistem em obedecer. Por isso não alcançam o sucesso.            A obediência também exige cuidado e atenção. Josué, tanto seria pressionado a agir conforme os outros desejavam, como seria constantemente tentado a fazer as coisas ao seu modo. Por isso, era necessário estar vigilante, guardando-se das tentações e pressões, para poder fazer conforme a Palavra de Deus. Os desatentos e descuidados caem nas tentações, deixam-se levar pelas pressões, explícitas ou sutis, e assim desobedecem a Deus, e não chegam ao sucesso.            Um terceiro requisito para a obediência é a meditação. Isto é enfatizado duplamente no texto. Primeiro na frase: não se afaste da tua boca o livro desta lei. Esta expressão "deixar sempre na boca" vem do costume que as pessoas tinham de repetirem em voz baixa enquanto estudavam ou meditavam. Depois é dito para Josué meditar. Isto significa lembrar e pensar sobre a Palavra de Deus. Meditar é falar consigo mesmo, é ficar matutando sobre alguma coisa. É repassar o assunto na mente e refletir em como aplicar na vida. É através da meditação que a Palavra de Deus se incorpora em nós, e assim ficamos prontos para obedecer. Pela meditação na Palavra, passamos a pensar como Deus pensa, a ver a vida como Deus vê, a reagir diante das situações como Deus quer. O que não medita, não repassa em sua mente, nem reflete sobre Palavra de Deus, não obedece. Quem não obedece não será bem sucedido. A obediência bem-sucedida é a obediência total. Toda a lei deveria ser obedecida. Não poderia haver nenhum desvio, nem para um lado nem para outro. Esta obediência garantiria a Josué o sucesso em todos os caminhos da vida.            A terceira vez que o conselho aparece é em 1 Crônicas 22.12,13. Aqui o conselho é dado pelo rei Davi para o seu filho Salomão, que assumiria o trono em seu lugar. "Seguramente te dará o SENHOR sabedoria (sucesso) e entendimento e te comandará sobre Israel para guardar a lei do SENHOR. Assim prosperarás se cuidarem em fazer os estatutos e os juízos que ordenou o SENHOR a Moisés sobre Israel, seja forte e corajoso, não temas e não desanimes". Vários elementos do que foi dito a Josué também aparecem aqui. A condição para ter sucesso era a de obedecer ao que Deus havia ordenado. Davi também indica que para isto era preciso coragem e firmeza. Deus iria dar a sabedoria, mas sabedoria que deveria ser usada na obediência. Salomão seria bem-sucedido se obedecesse à Palavra de Deus A última passagem é um conselho para todos nós, dado em forma de um cântico no Salmo 1.1-3. Ali é dito que abençoado é o homem que medita nas instruções de Deus ao invés de seguir as ideias e opiniões dos homens sem Deus. Ele será bem sucedido em tudo que fizer: "E tudo quanto fizer prosperará." Este é o segredo: não perseguir o sucesso, mas perseguir a obediência à Palavra de Deus. Sucesso é resultado. Sim, resultado de uma vida de obediência à Palavra de Deus.

sábado, 5 de abril de 2008

Adorando com alegria

A mãe de uma adolescente e uma criança disse a respeito de suas filhas e a igreja: Uma chora para não vir, outra chora para não sair. O interessante é que um dia esta adolescente havia sido como sua irmã, havia chorado para não sair da igreja, mas, com o passar do tempo, ela perdera o entusiasmo em adorar. Suas alegrias estavam em outros lugares. Infelizmente isto ocorre com muitos crentes. Quando novos convertidos há um brilho em seus olhos na hora de cultuar, o tempo passa e o brilho se apaga. Procuram qualquer desculpar para não adorar: choveu, fez frio, fez calor, não gosto do pregador, o irmão tal me ofendeu, o culto é chato, a pregação longa, etc. e tal.
Por que perdemos a alegria em adorar? Uma das razões é o pecado na vida. Davi admite que a falta de confessar o pecado o tornou sem ânimo. Sua vida ficou seca e sem entusiasmo. A mão de Deus se tornou um fardo sobre ele (Sl 32.3,4; 38-2-8). Como desfrutar o sabor de uma boa comida se o paladar está amortecido pelos vícios do mundo? Mas Davi nos aponta a solução. Confessar o pecado, aceitar o perdão de Deus (SL 32.5,6), e clamar para Deus restaurar a nossa alegria (Sl 51.8,12).
Outra causa para a falta de alegria na adoração é o mundanismo. Para o homem do mundo a alegria vem do comer, beber e divertir-se (Lc 12.19; 16.19), pois para ele é isto que faz a vida valer a pena, ele considera que é para isto que existem as coisas materiais. E quando nosso coração está dominado pelas coisas do mundo, só encontramos alegria nas coisas do mundo, e não em adorar a Deus. Passamos a ver a adoração apenas como um dever a ser cumprido. A solução é a transformação da mente e das afeições para não pensarmos como o mundo e para não amarmos o mundo (Rm 12,1,2; 2 Jo 2.15
Este mundanismo pode nos levar a fazer da adoração um ato de diversão. Foi isto que aconteceu com o povo de Israel (Ex 32.1-6). Moisés estava no monte recebendo as instruções de Deus. O povo ficou decepcionado com a demora dele. O termo traduzido por “tardar” dá a idéia de “ficar envergonhado, embaraçado, ou desapontado”. As expectativas do povo quanto à adoração eram outras. Não aceitaram o tempo e a forma de Deus. Reagem criando ídolos, que poderiam adorar segundo sua própria vontade. Não queriam adorar um Deus invísivel (Ex 20.3,4), com um profeta que os deixava ali no pé do monte por quarenta dias. E a adoração descambou para a diversão. A expressão “divertir-se” tanto pode se referir ao riso de incredulidade (Gn 18.12,13,15), à zombaria (Gn 19.14;21.9), ao ato sexual (Gn 26.8, traduzido como “acariciar”), ou a diversão na adoração (Jz 16.25). A alegria daquele povo estava em seus ídolos, e no fato de se divertir enquanto adorava (At 7.41).
A solução é adorar a Deus respeitando a Sua santidade. Deus exige ser adorado da maneira que Ele tem ordenando. O episódio acima ocorreu justamente depois de Deus dar as instruções para adoração. Ele indicou cada detalhe do lugar da adoração (Ex 25.8,9). A falha em adorar da forma estabelecida produz Sua ira (Lv 10.1-3; 2 Sm 6.1-11). Devemos adorar a Deus em reverência e santo temor (Hb 12.28,29)
A falta de gratidão é outro fator que ocasiona falta de alegria na adoração. Gratidão vem de apreciar a graça de Deus. Este pecado pode sutilmente entrar em nosso coração. Achamos que merecemos mais bênçãos do que aquelas que Deus graciosamente nos tem dado. Ficamos com a sensação de que temos recebido de Deus menos do que nós merecemos. Consideramos que Deus não está sendo justo conosco. E assim, perdemos a alegria em adorá-lo. O povo de Israel é um exemplo disto. Sempre achava que estava faltando alguma coisa: ora era água, ora comida, depois uma comida diferenciada, etc. Sua falta de contentamento levou a uma vida de murmuração e não de adoração alegre. Mesmo Deus se fazendo presente diariamente em suas vidas: nuvem guiando, maná diário, etc.
A solução é considerar que temos recebido muito mais do que merecemos. De fato todas as bênçãos de Deus sobre nós são imerecidas. Somos pecadores, e o que merecemos é a condenação eterna. Mas Deus nos tem dado a vida, a oportunidade de conhecê-Lo, de manter comunhão com Ele em adoração, e mesmo assim achamos isto pouco. Vamos lembrar os benefícios que Deus nos tem feito, isto tornará nossa adoração alegre. Como diz o hino: Se das vidas as vagas procelosas são, se com desalento julgas tudo vão, Conta as muitas bênçãos dize-as de uma vez, e hás de ver surpreso o que Deus já fez.
Com qual das duas filhas do exemplo inicial você se identifica? Você vem a igreja sem alegria por pura obrigação? Ou você acha prazeroso adorar a Deus?
Adorar a Deus sempre deve ser motivo de alegria.

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...