quarta-feira, 23 de julho de 2008

Maioridade em que?

No Brasil há pelo menos três tipos de maioridade: a política, que a pessoa entra quando completa 16 anos, a criminal, quando completa 18, e a civil, quando faz 21 anos. Mas, há outra maioridade que precisamos: a maioridade do amor a Deus. Existimos para glorificar a Deus, esta é nossa razão de existência, nossa missão. Glorificaremos a Deus se O amarmos do modo como Ele deve ser amado.
Nós podemos amar a alguém, e ainda assim não honrar aquela pessoa com nosso amor. Um homem que ama sua esposa no mesmo patamar que ama suas colegas de trabalho não estará honrando sua esposa. Por ser sua esposa, ela merece ser amada acima do amor que ele tem para com outras mulheres. Uma mulher que ama seu filho na mesma ordem que ama seu animal de estimação estará desonrando seu filho com este tipo de amor. Por ser filho, e por ser humano, ele deve ser amado bem mais do que um animal de estimação.
Deus é glorificado quando é amado acima de todos os outros amores. O Senhor Jesus disse que o amar a Deus é o maior dos mandamentos (Mt 22.36,37 Mc 12.30; Lc 10.27). Não amar a Deus acima de todos os outros amores é cometer o maior dos pecados.
Não somos proibidos de amar outras pessoas e coisas. Mas devemos amar a Deus acima de tudo. Jesus disse que quem ama qualquer outra pessoa mais do ama a Ele não está dando o devido valor a Ele (Mt 10.37). Amor e valor estão ligados, já que valor é a importância, estima ou consideração que damos a determinada coisa ou pessoa. Amamos aquilo que valorizamos. Quando amamos alguém mais do que amamos a Deus estamos mostrando que esta pessoa tem mais valor para nós do que Deus. De fato estamos fazendo daquela pessoa o nosso deus, e cometemos idolatria.
Teremos nossa maioridade quando compreendermos que Deus é nosso maior tesouro, e estivermos dispostos a perder tudo para não perder seu amor (Mt 13.44-46).
Esta maioridade não é uma conquista de uma única vez. Mas algo que se mantém a cada dia. Nesta caminhada devemos estar alertas aos outros amores, que são lícitos, mas que tentam ocupar uma posição ilícita, a de primeiro lugar em nossas vidas. É muito fácil um outro amor se insinuar em nossa vida, e com o tempo ocupar o lugar que deve ser de Deus. O amor à família, a si mesmo, à igreja, o amor à comunhão com os irmãos, o amor ao serviço, o amor ao crescimento, o amor ao louvor, o amor às pregações, o amor ao local, etc. Todos estes amores, que são bons, devem ser colocados na ordem certa, abaixo do amor a Deus.
Seremos de fato pessoas plenas quando amarmos a Deus acima de qualquer outro amor, inclusive acima do amor a nós mesmos. Quando proclamarmos como o rei Davi: Digo ao SENHOR: Tu és o meu Senhor, outro bem não possuo, senão a ti somente. (Salmo 16.2).

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Amor Total – Parte 2

Jesus não estava inovando quando resumiu a Lei em amar a Deus de todo coração, alma e força. Esta verdade já estava declarada desde quando Deus dera a Lei. É um princípio repetido nas Escrituras, mostrando que Deus não apenas quer ser amado por nós, mas quer ser amado na intensidade certa (Dt 6.5).
Tanto Moisés como Josué mostraram que era apenas isto que Deus exigia de seu povo. Podemos ler as palavras de Moisés em Deuteronômio 10.12 assim: E então Israel, o que é que o SENHOR seu Deus requer (deseja) de você? Que apenas (tão somente) você tema o SENHOR seu Deus, e ande em todos os seus caminhos, e O ame, e sirva o SENHOR seu Deus de todo seu coração e toda sua alma.
Josué, quando se dirigiu às duas tribos e meia do povo de Israel que ficariam um tanto distante das demais, disse: tão somente tomem extremo cuidado para fazer conforme os mandamentos e a lei que Moisés, servo do SENHOR deu a vocês, para amar o SENHOR seu Deus ... de todo o seu coração e de toda a sua alma (Josué 22.5).
O que é necessário para amar a Deus com esta intensidade? Uma obra de Deus em nossos corações. Somos propensos a amar com intensidade total tudo que não é Deus. Nosso país, nossa família, nossas posses, nosso time, etc., especialmente amamos intensamente a nós mesmos. Em Deuteronômio 30.6 Deus disse que circuncidaria o coração do povo. Isto significa que, Deus iria limpar, converter, o coração de Israel. Só assim o povo poderia amá-Lo de todo coração e alma. Deus agiria desta forma com o propósito de produzir vida no povo. Amar a Deus de todo coração e alma é sinal de que temos a vida criada pelo próprio Deus em nós.
Como nosso coração é facilmente atraído por outros amores, também é preciso uma grande vigilância de nossa parte. Josué faz esta advertência duas vezes. No texto já lido acima (Josué 22.5), é dito para tomar muito cuidado. A palavra traduzida como “diligência” em nossas versões é a mesma para “força” em Deut 6.5. Isto indica que devemos vigiar com muita força para poder amar ao SENHOR. E em Josué 23.11 é dito: tomem muito cuidado com a alma de vocês para amar o SENHOR seu Deus.
Amar a Deus com todo o ser requer separar-se de modo radical de todos os amores que tentam nos seduzir para longe de Deus. Sejam filhos, pais, cônjuge, ou amigos. Devemos amar profundamente nossos cônjuges e podemos ter um grande amor por um amigo, mas a intensidade de nosso amor a Deus deve ser maior do que estes amores (Deut 13.6-12).
O que se ganha amando a Deus com esta intensidade? Amar a Deus com toda intensidade do ser é escolher a vida, é amar a vida, pois estamos amando quem nos dá vida (Deut 30.19,20). Deus promete abençoar os que o amam de todo coração e alma (Deut 11.13). A misericórdia do SENHOR acompanha estas pessoas ( Deut 5.10; 7.9).
Amar a Deus com tal intensidade excede qualquer ritual religioso (Mc 12.33).
Deus quer ser amado, amado acima de qualquer outro amor, e amado com toda intensidade do nosso ser.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Amor Total – 1a parte

Qual o maior dos mandamentos? Esta pergunta foi feita em duas ocasiões a Jesus. Em ambas por pessoas que queriam pega-Lo em um erro. Em uma das vezes Jesus respondeu com outra pergunta: O que está escrito na lei? E o questionador respondeu citando Deut 6.5. Jesus disse que ele havia acertado na resposta (Lc 10.25-28). Na outra vez é o próprio Jesus que cita a mesma passagem. Jesus claramente ensinou que este era o grande e principal dos mandamentos (Mt 22.35-38; Mc 12.28-30).
Todos nós sabemos este mandamento: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda a tua alma e de toda o teu entendimento. Mas devemos notar que o mandamento não apenas indica que devemos amar a Deus, mas amar a Deus de todo coração, de toda a alma, e de toda a força.
Os termos “coração e alma” aqui (como nas várias vezes que aparecem juntos no livro de Deuteronômio), não se referem à partes distintas da personalidade humana, mas ressaltam que o amor para com Deus deve envolver a totalidade do ser da pessoa, seu pensamento, suas emoções e sua vontade. Amar de todo coração e alma é amar com todo o ser, com tudo que a pessoa é.
“Amar com toda tua força” é amar com toda a intensidade, poder, energia, recursos, que a pessoa tem. É amar de forma abundante e extrema. É amar de forma devotada e total. Devemos a amar a Deus com todo nosso tempo, toda nossa influência, todos os nossos recursos, todos os nossos relacionamentos, enfim, com tudo que somos e temos.
Porque Deus deve ser amado assim? A razão aparece em Deut 6.4. O SENHOR nosso Deus é UM SENHOR. Duas idéias se destacam nesta afirmação. A de unidade, o SENHOR é um só. A divindade não é composta de vários deuses. A segunda idéia é singularidade, só há um Deus, Ele é o SENHOR. Não há outro deus, apenas o SENHOR. Além da razão, temos aqui a possibilidade para que amemos a Deus com a intensidade exigida. É possível amar a Deus porque Ele é único nesta categoria. O politeísmo dificulta este tipo de amor. Não é possível amar vários deuses com toda a intensidade do nosso ser. Um seria mais amado do que outro. Seria um amor dividido. Nosso Deus nem é dividido (vários deuses), nem divide sua posição com outros na situação de primeiro. Ele é o único primeiro. Já que o SENHOR é um Deus só e único, temos que amá-Lo com toda a intensidade de nosso ser, abrangendo com toda força aquilo que somos.
Não seria esta uma exigência grande demais? Em Deut 10.12, depois de relembrar a desobediência de Israel, no caso do bezerro de ouro, e o perdão de Deus, Moisés diz que, diante do que Deus fez, Ele apenas pede isto: que Israel o amasse de todo coração e alma. A exigência pode parecer grande, mas diante do que Deus havia feito, era um pedido pequeno. Quando pensamos bem, este pedido de Deus não é nada diante de tudo que Deus tem feito por nós, especialmente diante de quanto nos tem perdoado.
Deus não deve apenas ser amado na prioridade certa, como o primeiro e maior amor da nossa vida, mas também com a intensidade certa: toda a força do nosso ser. Da mesma forma que nosso amor pode desonrar a Deus se nós não o amarmos acima de qualquer outro amor, nosso amor também não honrará a Deus se não for com a intensidade de todo nosso ser.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

ORANDO PELOS DESCRENTES

Qual a maior coisa que você pode fazer pelos descrentes que você ama? A maior coisa que alguém pode fazer para Deus e pelo homem é orar. É nosso dever orar pela conversão dos descrentes. O apóstolo Paulo fazia isto. Em Romanos 10.1 ele diz: “Irmãos, a boa vontade do meu coração e a minha súplica a Deus a favor deles são para que sejam salvos.. O “eles” a quem ele se refere aqui são os seus compatriotas judeus, os seus parentes, que, apesar de religiosos ainda não tinham a salvação em Cristo. Paulo suplicava pela salvação deles. Devemos também clamar pela salvação daqueles que nós amamos.

Esta oração deve ser motivada pelo desejo que sejam salvos. A expressão “Boa vontade” significa: “desejo, prazer, deleite”. O desejo do nosso coração, o nosso prazer deve ser a salvação das pessoas. Para isto nós precisamos sentir tristeza pelo estado em que se encontram. Era isto que Paulo sentia. Em Rm 9.1,2, ela fala da grande tristeza e uma dor constante que sentia por estas pessoas. Foi isto que Jesus sentiu pela cidade de Jerusalém, a ponto de chorar e lamentar por seu estado de descrença (Lucas 19.41).

O estado das pessoas sem Cristo deve despertar em nós tristeza e dor incessante. Elas estão sem a verdadeira vida, estão mortas, apesar da diversão que desfrutam. Elas estão em um estado de perdição eterna. Ficamos tristes quando encontramos pessoas que estão doentes e sem possibilidade de cura. Quanto mais devemos nos entristecer pelas pessoas que estão condenadas a uma eternidade no inferno caso não se arrependam!

Esta oração deve nos levar a fazer sacrifícios para que estas pessoas conheçam a salvação. Em Rm 9.3 Paulo diz: Estou a ponto de desejar (orar) ser separado de Cristo. Ele estava disposto a fazer sacrifícios pelos que amava. Esta mesma verdade ele afirma em 1o Co 9.22 e 10.33. Tudo ele fazia para que as pessoas fossem salvas. Estava disposto a fazer as mudanças que fossem necessárias em sua vida, desde que estas levassem as pessoas a conhecerem a salvação em Cristo. Foi isto que Jesus fez. Ele fez o supremo sacrifício para nossa salvação. Somos capazes de fazer sacrifícios por pessoas que necessitam de coisas materiais. Por que não por pessoas que carecem da vida eterna?

Esta oração não pode desanimar diante da descrença. Paulo discorre sobre a descrença dos judeus em todo capítulo 9 de Romanos. Mostra como eles têm rejeitado a salvação de Deus. Apesar disto, ele não desiste de orar. O comportamento dos descrentes não deve nos desanimar. Seja o qual for a reação deles, devemos continuar clamando. Se Deus fosse esperar uma atitude adequada em nós para nos converter, nunca seríamos salvos.

Esta oração deve ser acompanhada de um entendimento correto do evangelho. Paulo sabia que seus parentes tinham zelo por Deus, isto é, eram religiosos (Rm 10.2-4). Mas era um zelo errado. Apesar de religiosos eles não conheciam a justiça de Deus, não sabiam o modo como Deus salva os homens. Assim eles procuravam ser salvos com seus próprios esforços e criaram a sua própria religião. Fazendo isto estavam rejeitando a Cristo. Não devemos confundir religião com salvação. Devemos estar bem cientes que zelo sem conhecimento não salva. As pessoas precisam conhecer o evangelho para serem salvas.

Esta oração deve conduzir ao trabalho para Deus. Em Rm 11.13,14 Paulo fala do seu trabalho de pregar aos gentios. Com isto ele pretendia despertar também os judeus para a salvação. Nossa oração deve conduzir à ação. Além de orar devemos nos envolver na pregação e testemunho do evangelho para as pessoas que ainda não são salvas.

Nas planícies do Oeste dos Estados Unidos, vivia um mineiro doente. Muito cedo na vida passara o desgosto de perder a esposa e a primeira fi­lha. Tornou-se um revoltado. Enquanto estava doente, uma senhora crente administrava-lhe os cuidados de enfermeira e orava por ele. Uma noite, a filhinha desta senhora lhe disse:

- Mamãe, tu não oraste por aquele homem hoje; já desanimaste?

- Creio que sim - responde a mãe.

- E Deus já desanimou, também?

- Creio que não - respondeu a mãe.

- Mamãe, é justo que nós desanimemos, enquanto Deus não desanima? -inquiriu a criança.

Naquela noite, a mãe orou novamente pelo homem, endurecido na sua obstinação. No dia seguinte ela levou consigo a filhinha para visitar o enfer­mo. Chegando lá, a criança começou a conversar com ele e lhe disse:

- O senhor já teve uma filhinha, não é verdade? Deus a levou para o céu, mas o senhor vai se encontrar com ela lá.

- Não, não creio que vá, pois sou um homem mau - replicou ele.

- Mas Jesus veio a este mundo para fazê-lo um homem bom - acrescen­tou a criança, arguta e crente.

E foi através daquela criança de fé que o homem obcecado se converteu.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

PERSEVERANÇA NA ORAÇÃO

Certo garimpeiro passou vários anos cavando em seu garimpo e não conseguiu encontrar ouro. Desanimado, vendeu o garimpo para uma empresa. Poucos dias depois a empresa descobriu ouro. Era só questão de cavar mais um pouco. Faltou perseverança.
A perseverança é o fator mais importante para o sucesso de alguém. Claro que talento, oportunidades, incentivo de familiares e amigos contribuem, mas nada disso produz o efeito desejado se não houver perseverança.
O mesmo pode ser dito na vida com Deus, especialmente nas orações. Deus valoriza e deseja nossa perseverança nas orações. No Novo Testamento há quatro grupos de palavras para perseverança. Eram termos militares que serviam como metáforas para as batalhas da vida. Indicavam aquela virtude de ficar firme diante das dificuldades da vida. Um destes grupos é composto de três termos, dois verbos e um substantivo. O verbo original vem da palavra “força” e significa “ficar forte”, “suportar com força, firmeza e coragem uma situação”. O verbo derivado acrescenta uma preposição que indica um elemento de tempo, dando a idéia de “persistir com força”, “perseverar em ser firme e forte”. O substantivo aponta para a qualidade da perseverança. (Na língua grega do NT estes termos são Kartereo; proskartereo, proskarterhesis).
Quando aplicados a coisas estes termos falavam da ocupação pronta, diligente, forte, firme e disciplinada com algo. Quando usados para pessoas significavam a atenção constante, ou a fidelidade perseverante de alguém para outra pessoa (At 8.13; 10.7). Estes termos aparecem doze vezes no NT, sendo que sete vezes fala diretamente da consagração ou perseverança na oração. Somos exortados a perseverar, a ocupar-se de forma diligente, forte, firme à oração.
Os primeiros discípulos reconheceram o valor de se apegar com firmeza e persistência à oração. Em Atos 1.14 lemos que eles esperavam a descida do Espírito Santo perseverando na oração. O Senhor Jesus já havia dito que enviaria o Espírito Santo, mas mesmo assim era necessário esperar este cumprimento com oração perseverante. A perseverança na oração é necessária para esperamos o cumprimento das promessas de Deus. É a oração que nos ajuda a permanecer firmes e fortes enquanto aguardamos.
A perseverança na oração se tornou uma característica da Igreja. Quando nos é descrito como era a vida daquela igreja nos é dito que ela perseverava na oração (Atos 2.42). Foi desta perseverança que a Igreja tirou forças para resistir aos obstáculos e continuar crescendo.
Os apóstolos não estavam dispostos a deixar de lado esta perseverança. Eles afirmam enfaticamente que a igreja deveria escolher pessoas para ajuda-los nas outras tarefas, porque eles se devotariam à oração e ao serviço da Palavra (Atos 6.4). Somos tentados a nos devotarmos ao que é urgente e público, àquilo que é visto e cobrado pelas pessoas. Muitas deves deixamos de orar para atender às pressões e pedidos urgentes. Mas Deus nos chama para priorizarmos a oração. Não podemos nos deixar levar pelas pressões e esquecermos de orar.
Por três vezes o apóstolo Paulo nos exorta a perseverarmos na oração (Romanos 12.12; Efésios 6.18 e Colossences 4.2). Isto nos mostra o quanto esta perseverança é importante.
Esta perseverança só pode ser alimentada pela fé que vê o invisível, que não se deixa esmorecer pelas ameaças visíveis. Tal qual a fé que fez Moisés perseverar firme diante da ira do Faraó, porque ele estava contemplando a promessa de Deus (Hebreus 11.27). Certo estudioso disse que a Oração não é apenas um exercício piedoso. É uma obra séria. É arte da batalha, da nossa guerra espiritual. Numa guerra precisamos de perseverança para vencer. Assim na oração. Deus valoriza e deseja nossa perseverança nas orações.

terça-feira, 10 de junho de 2008

TRANSFORMADOS PELA ARTE DA MEDITAÇÃO

A mente humana tem a capacidade de escolher em que se concentrar, de dirigir e manter a atenção em algo. É uma liberdade que ninguém pode tirar, a não ser você mesmo. Neste momento, você pode escolher pensar em que você quiser. E ninguém tem o poder de mudar isto. Pode-se até tentar. Diante de você alguém pode gritar, plantar bananeira, contar piadas, chorar, fazer palhaçada, etc. Mas apenas você poderá decidir se vai prestar atenção nele ou no que está lendo aqui.
Esta capacidade é poderosa, ela nos ajuda a nos tornarmos o que devemos ser. Quer se tornar um praticante das Escrituras? Escolha concentrar sua mente nas Escrituras. Quer entender melhor a vida? Escolha manter seus pensamentos na vida.
O que colocamos em nossa mente, determina o que somos. Nossos sentimentos são governados por nossos pensamentos. John Pipper disse que A mente é a janela do coração, por ela entra as coisas para nosso coração. O problema é que a maioria das pessoas não tem consciência disto. O que elas pensam está moldando suas vidas, só que elas não percebem isto, nem se esforçam para mudar seus padrões de pensamentos e assim mudarem também suas vidas.
Uma arte que pode nos ajudar a mudar nossa vida através do pensamento consciente é a meditação. Meditar é uma disciplina extremamente necessária se quisermos assumir o controle de nossa mente. A meditação pode nos ajudar a formar atitudes melhores, a encarar a vida de modo mais realista e positivo, a controlar nossa respiração, a ter uma saúde melhor, a pensar com mais profundidade e inteligência, e a encontrar soluções para os problemas que enfrentamos.
O que é meditar? Certos termos bíblicos nos mostram o que está envolvido na meditação. Para meditar é preciso adquirir certas informações e guardá-las com cuidado na mente (Lc 2.51). A observação e a leitura são necessárias. Deve se acrescentar o esforço em fazer permanecer na mente o que foi observado e lido (1 Tm 4.15).
Meditar é lembrar, trazer à memória algum assunto para nele se ocupar. No salmo 77.3,5,6,11,12 “meditar” aparece em paralelo com “lembrar”. O salmista relembra o que Deus havia feito, e chama isto de meditar.
O mesmo acontece em Sl 143.5, onde os dois termos usados no AT para meditar (na versão atualizada traduzidos como “pensar” e “considerar” ) aparecem em paralelo com “lembrar”.
Meditar é refletir, contemplar com cuidado. O paralelismo no Sl 119.15 demonstra isto (a versão atualizada traduziu como “ter respeito”). Ainda no Sl 77.3,5,6,11,12 a atividade da meditação é descrita em termos de pensar, considerar, perscrutar (que é examinar, investigar, buscar entender). Isto acontece quando o salmista, de forma silenciosa, repassa em sua mente as perguntas que lhe perturbam. Outro exemplo é Maria, que se pôs a pensar no significado do que ouviu (Lc 1.29). Também Pedro, que ponderou seriamente sobre a visão que lhe fora dada (At 10.19).
Meditar é planejar algo, formar um pensamento bom ou ruim (Pv 15.28; 24.2 “maquinar”;Sl 2.1 “imaginar”).
Meditar é reunir as informações na mente, então comparar uma com a outra. Fazendo uma reflexão cuidadosa. Tentando compreender e conferir (Lc 2.18).
Meditar é uma atividade interior, uma reflexão silenciosa, feita com o íntimo, como conversar consigo mesmo. Mas que pode se refletir num falar em voz baixa, como um murmurar, por isso algumas vezes é traduzido como queixar-se (Sl 55.17). E ainda pode se repetir os pensamentos em voz alta (Sl 145.5, onde a palavra é traduzida como “narrar”).
Meditar é aplicar a mente para receber, reter, e entender informações, e então relacioná-las com a vida. Podemos ilustrar a meditação com a atividade do boi, que ingere seu alimento, e depois o remói, para que este se transforme em nutrição para seu corpo.
Aplicado ao cristão, meditar é buscar solitariamente a presença de Deus através da lembrança e reflexão na Sua Palavra (Salmo 63.6), falando com Ele e pensando no que Ele falou para nós. E buscando meios de aplicar isto à situações da nossa vida. Transformando informações em alimento nutritivo para a alma.
Sua vida será transformada pela meditação. Por isso Resolva que você será resoluto a respeito do que a sua mente considera. Ela se deterá em algo e se transformará naquilo em que se deter. (John Pipper).


domingo, 1 de junho de 2008

A MAIOR NECESSIDADE

Qual a sua maior necessidade? Uma das maneiras de descobrir e se imaginar na fábula da lâmpada do gênio. Você encontra uma lâmpada, toca nela, e de dentro dela sai um gênio disposto a atender um desejo seu. Se isto fosse possível, e acontecesse com você, qual seria o seu pedido? Outra maneira é se imaginar diante de Deus, tendo a permissão de fazer um único pedido. O que você pediria? Pense nisto com atenção por alguns momentos.
Com certeza iríamos pedir aquilo que julgássemos ser nossa maior necessidade. Isto mostraria nossa escala de valores, o que nós mais valorizamos, o que nós colocamos no topo da lista de nossos desejos e carências. Nosso pedido trataria de algo para nossa vida nesta terra: posse de algum bem, cura de alguma doença, solução de algum conflito relacional, alcançar algum estado ou posição na vida, etc. Em resumo: alívio de algum sofrimento ou realização de um sonho.
Mas nossa maior necessidade não é alívio de nenhum sofrimento que passamos nesta vida, nem a realização de algum sonho enquanto vivemos neste mundo. Nossa maior necessidade está relacionada com a eternidade. O que mais precisamos é o perdão dos nossos pecados para que assim possamos ter a salvação eterna com Deus.
Isto foi demonstrado num episódio contado nos evangelhos (Mt 9.1-8; Mc 2.1-12; Lc 5.17-26). Havia em Cafarnaum um paralítico, incapacitado de qualquer movimento. Qualquer pessoa que olhasse para aquele homem julgaria que sua maior necessidade seria a de andar, movimentar-se, ter o controle de seus músculos. Acredito que tanto ele como seus amigos pensavam assim, e por isso o conduziram até Jesus, para que fosse curado.
Quando Jesus olha para aqueles homens logo vê que eles têm fé. E diz para o paralítico: Tem bom ânimo filho, os teus pecados têm sido perdoados (Mt 9.2). Para quem está deitado em uma maca sem poder mover-se, ouvir esta frase parece até irônico. Jesus diz para ele ter coragem, ficar animado, deixar o medo de lado, pois os seus pecados estão perdoados. “Como ter bom ânimo se ainda estou paralítico?” Pode ter pensado aquele homem. Como aquele homem poderia ter coragem para enfrentar a vida se continuava paralítico?
É lógico que Jesus percebeu que aquele homem era paralítico, que tinha uma necessidade bem aparente: a de ser curado. Mas Jesus percebeu também a maior necessidade daquele homem, e esta não estava tão aparente aos olhos humanos. A necessidade do perdão dos pecados.
A maior causa de nossos medos e desânimos não é nossas necessidades físicas, nem nosso sofrimento causado por doenças, perseguição, falta de recursos, etc. A maior causa para nossa falta de coragem em enfrentar a vida é o nosso pecado. O pecado nos paralisa e consome nosso ânimo (Sl 32.3,4). Ele impede nossa plena realização na vida. Para ter ânimo e coragem para enfrentar a vida precisamos do perdão de Deus para nossos pecados.
Todos nós temos pecados (Rm 3.10-12,23). Aquele homem, que era um paralítico, completamente incapacitado de mover seus músculos, tinha pecados. É provável que nunca tenha matado ou roubado alguém, que não tenha cometido algum adultério, etc. Afinal nem podia se mover por si mesmo. Talvez ele fosse visto por alguns como um pobre coitado, inocente, já que sofria tanto com aquela situação. Mas ele tinha pecados, e o perdão de Deus era sua maior necessidade. Todos nós também somos pecadores, não importando a nossa situação, e nossa maior necessidade é o perdão de Deus.
Podemos ter o perdão de todos os nossos pecados quando nós aproximamos com fé do Senhor Jesus Cristo. Aquele homem buscou Jesus com fé, e recebeu o perdão dos pecados. Deve ter ficado surpreso com as palavras que Jesus lhe dirigiu, mas deve também ter se sentido aliviado de um grande fardo. A paz inundou a sua alma, todo o medo de Deus se foi, sabia que nenhuma condenação pesava sobre ele. Nós também podemos experimentar este mesmo perdão (1 Jo 1.9).
Deus pode usar nossos problemas e sofrimentos, para nos conduzir a Jesus, e assim termos perdão de pecados. A paralisia foi uma grande bênção para aquele homem. Pois se ele não fosse paralítico é provável que nunca teria buscado Jesus. Estaria levando sua vida como todos os outros homens, mas aquele sofrimento o levou até Jesus, e assim ele ganhou a salvação. As dificuldades em nossa vida têm como propósito nos levar a Jesus, e obter sua graça para desfrutarmos a eternidade com Ele.
As pessoas duvidam que Jesus possa perdoar pecados. Naquela casa muitos religiosos duvidaram do poder de Jesus em perdoar pecados. Ainda hoje, muitas pessoas também duvidam que possam ter seus pecados perdoados. Levadas por conceitos religiosos errados elas não podem crer que Jesus possa perdoas todos os seus pecados. E assim não desfrutam deste grande alívio na vida.
As curas e milagres realizados por Jesus teve como maior finalidade, não o bem estar ou alívio do receptor, mas a demonstração de Sua autoridade e missão neste mundo. Jesus curou e realizou milagres para demonstrar que Ele era o enviado autorizado por Deus para tratar com o problema do pecado do homem. Ele era o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Hoje Ele ministra o mesmo perdão através da pregação de Sua Palavra. Ele ordenou que seus seguidores pregassem este perdão em todo o mundo (Lc 24.47). A através Dele, qualquer pessoa que com arrependimento crê nesta mensagem tem o perdão dos pecados (Ef 1.7).
Este é nossa maior necessidade: o perdão dos nossos pecados.

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...