quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

CULTO: OPORTUNIDADE PARA ORAR


            É incrível como tarefas simples, mas importantes, são negligenciadas. Certos deveres não são complicados, têm muita importância para a vida, e mesmo assim são descuidados. Exemplos: escovar os dentes, lavar as mãos, exercitar-se fisicamente, etc. A mesma atitude é vista na vida com Deus.  Certos compromissos espirituais não são difíceis, são até muito simples de serem executados. Têm extrema importância para a manutenção e desenvolvimento de nossa vida espiritual. Mas são absurdamente negligenciados. Um exemplo: a oração.
                A oração está longe de ser uma tarefa complicada. Para orar não é preciso conhecimento bíblico avançado, nem recursos financeiros, e nem talentos especiais. Qualquer um pode orar: criança, jovem, adulto ou idoso. Pobre ou rico. Culto ou iletrado. Não é necessário um tempo e nem um lugar especial para se praticar a oração. Qualquer hora e em qualquer lugar podemos orar. Mas, quão pouco oramos!
                Embora simples, a oração é de importância incalculável. Ainda que se faça uma leitura superficial das Escrituras, ela nos revela os efeitos que a oração pode produzir em nossas vidas. Apenas para reforçar esta verdade podemos citar: “Muito pode em seus efeitos a súplica do justo” (Tg 5.16b); “e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis” (Mt 21.22); “Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” (Lc 11.9). Mesmo assim, oramos muito pouco!
                Há momentos que podem relembrar e incentivar a prática da oração. Um deles é o culto coletivo.  O peregrino que ia adorar em Jerusalém sabia da importância da oração e que o culto era uma oportunidade para motivá-la. No salmo 122, após testemunhar sua alegria em adorar com comunhão e aprendizado, ele faz um pedido: “Orai pela paz de Jerusalém, e ele mesmo faz a oração “eu peço: haja paz em ti (Sal 122.6,8).
                A motivação da sua oração era o amor. Amor por Jerusalém. Lá estava a casa do Senhor, onde o povo de Deus se reunia em comunhão e adoração; ali estava o trono do rei ungido que tinha como dever garantir um governo justo; e lá se podia aprender as instruções de Deus. Para manter o louvor, aprendizado e comunhão havia a necessidade da paz e do sucesso de Jerusalém.
                Mas também amor por seus irmãos e amigos. Ele queria o bem estar deles, e isto dependia da tranquilidade e segurança de Jerusalém. Estes dois amores estavam relacionados. Da paz de Jerusalém dependia a paz dos que cultuavam em Jerusalém.  
                A forma da oração era entusiástica. Isto se manifesta quando ele fala de buscar o bem de Jerusalém. A palavra “buscar” significa procurar alguma coisa com entusiasmo e esforço. O que deixa claro como ele valorizava aquela cidade e a adoração a Deus.  Pois só se ora com entusiasmo por aquilo que se valoriza. Também revela que acreditava na oração como uma forma de fazer algo pelo bem de alguém. Para ele, orar era buscar o bem daquele pelo qual se orava.  Nossa falta de oração não seriam sinais de nossa falta de amar e de valorizar o que Deus valoriza? Ou ainda sinal de nossa falta de crença na eficácia da oração?
                A exortação do salmo é válida para nós, pois Deus tem um plano para a Jerusalém terrestre (Lc 21.24). Ela não reconheceu sua oportunidade de paz (Lc 19.41-44). Mas, um dia a adoração a Deus será restaurada nela (Is 2.2-5; Ez 40-44).
                Enquanto oramos pela restauração da Jerusalém terrestre e aguardamos a chegada da Jerusalém celestial (Ap 21.10,11) devemos orar também por nossas igrejas. Somos exortados a isso com ordens diretas das Escrituras: “Orais uns pelos outros” (Tiago 5.16, ver ainda Efésios 6.18-20); e também com exemplos de pessoas que oravam e pediam orações (Rom 1.9,10; 15.30; 2 Co 1.11; Ef 1.6; Col 1.9).
                A Bíblia também nos exorta à prática da oração nos cultos: Mt 18.19,20  Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.
                Uma das razões da oração deve ser paz e tranquilidade para o avanço do evangelho. 1 Tim 2.1,2Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito.” 2 Tes 3.1,2Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós; e para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque a fé não é de todos.
Eugene Peterson disse que Uma das aflições do trabalho pastoral é a de ouvir sem fazer careta todas as desculpas que as pessoas dão como motivo de não irem à igreja. Para aqueles que tiraram seu foco de Deus há muitos motivos para não adorar na igreja (causados pelos nossos pecados e dos outros). Se você tem estes motivos vá adorar por causa de Deus, com alegria pelo que Ele já fez, faz e vai fazer por você. E também para pedir que Ele aperfeiçoe sua vida e a de seus irmãos.  Vamos banhar nossa adoração com oração. Vamos usar nossos cultos públicos para buscarmos nosso Deus em oração e pedir que Ele abençoe Sua Igreja.


domingo, 22 de janeiro de 2012

ADORAÇÃO: MOMENTO DE APRENDIZADO


            Na época em que o templo de Deus estava construído em Jerusalém, os adoradores sinceros viajam até lá para cultuar. Algumas vezes isso era perigoso, mas mesmo assim, o trajeto era feito com cânticos. Os salmos 120-134 são chamados “de romagem” ou “dos degraus”, por ser uma coletânea de hinos que aqueles adoradores peregrinos entoavam enquanto subiam para a cidade.
            Após cantarem sua oração de angústia e sua confissão de segurança (Salmos 120, 121), eles entoavam um hino de alegria pela oportunidade da adoração (122). O fiel exultava por ter sido convidado ao templo, e por estar em Jerusalém adorando (versos 1,2), e proclamava a oportunidade de comunhão com os irmãos das outras tribos (versos 3,4).  
            No verso 5 ele fala da razão da ida à Jerusalém “Porque lá habitam tronos de justiça, tronos da casa de Davi.”A ida ao culto era uma oportunidade para aprender e praticar a justiça.
            Deus havia escolhido Jerusalém como capital de Seu reino terrestre naquela dispensação, e Davi e seus descendentes como os administradores deste reino. Neste governo a justiça deveria prevalecer (2ª Samuel 8.15; Jeremias 21.12). A cidade era a representação da autoridade de Deus sobre Seu povo em todas as áreas. Lá as disputas judiciais eram resolvidas. O padrão para esta decisão não era a vontade do rei, mas a Lei de Deus. Deus havia ordenado que o rei de Seu povo deveria conhecer a Sua Palavra e administrar o reino conforme estes princípios (Deuteronômio 17.18-20).    
            A prática desta justiça era para se tornar um costume diário abrangendo todos os aspectos da vida. Por isso, a ida ao culto era também um momento de aprendizado (Deut 14.23). Ir à Jerusalém adorar e comungar tinha como alvo o aprendizado do temor do Senhor,  que deveria ser praticado em todos os momentos da vida.
Em certas ocasiões a lei de Deus seria lida pelos sacerdotes e levitas para que todas as pessoas (incluindo as crianças) aprendessem e obedecessem a Deus todos os dias. (Deut. 31.9-13).  Foi isso que aconteceu na época do rei Josias (2ª Reis 23.1-3), e na época de Esdras (Neemias 8.1-12). E nestas duas ocasiões um reavivamento foi produzido. No culto coletivo o povo era lembrado de seu dever de cultuar a Deus pela obediência aos seus mandamentos, quando voltassem para casa.
            Em nossos dias não há um templo igual ao de Jerusalém, mas há um templo formado por pessoas, que é a Igreja de Jesus Cristo (1ª Pedro 2.5-10). Neste templo de gente cultuamos ao nosso Deus e aprendemos a Sua Palavra.
A leitura e ensino da Palavra devem ser praticados no culto. Timóteo é exortado a  ler, exortar e ensinar a Palavra de Deus. Era a exposição da Palavra que alimentaria o povo com os ensinos de Deus ((1 Tim 4.6,11,13).  O apóstolo Paulo exortou que suas cartas fossem lidas nas igrejas (Colossenses 4.16). Quando escreveu a primeira carta aos tessalonicenses ele exigiu em juramento que a carta fosse lida a todos (1 Tessal 5.27). Ele mesmo ensinava nas igrejas (1ª Cor 4.17) e ordenou que o ensino mútuo fosse praticado (Colossenses 3.16).
            A igreja também deve ser um local de administração da justiça (1 Cor 5.1-5; 6.1-11; Mateus 18.15-17). As reuniões para disciplinar e corrigir irmãos da igreja, e mesmo decidir sobre os problemas entre eles, devem ser momentos de adoração, e também de instrução (1ª Tm 5.20).
            Nossos cultos devem ser momentos de ensino e aprendizado. Neles devemos ser alimentados para a prática diária da Palavra de Deus. Mas, muitas vezes nossa prática é de  não nos importamos com a Palavra. 

sábado, 7 de janeiro de 2012

RESOLUÇÕES QUE PREVALECEM


            Resolução é uma tomada de decisão após deliberação. Isso é feito com freqüência na virada do ano. Aproveita-se a chegada do ano novo para renovar planos e projetos, atualizar sonhos e buscar uma vida melhor. Para isso decisões são tomadas. Sinceramente, temos que admitir muitas delas não vingam. Com o passar dos dias esquecemos o que prometemos, outras atividades tomam a prioridade, fraquejamos na disciplina, outros projetos surgem, e por aí vai. E assim, no final do ano, não lembrar torna-se até uma alternativa mais confortável do que a sensação de fracasso.
Mas há aqueles que com firme determinação mantêm suas resoluções. São pessoas resolutas, decididas em cumprir seus projetos, resolvidas em alcançar seus alvos. Uma dessas pessoas foi Jonathan Edwards, pastor que viveu no século 18. Admiro-o muito, e o que mais me impressiona é que, ainda na juventude, ele tomou 70 decisões e se empenhou em segui-las até o fim de sua vida. Elas passaram a ser conhecidas como as resoluções de Jonathan Edwards. Cito algumas delas: Resolvi que farei tudo o que considerar ser mais importante para a glória de Deus; resolvi nunca perder um momento, mas aproveitar o tempo da forma mais vantajosa que puder; resolvi nunca fazer qualquer coisa da qual devesse ter medo, caso esteja vivendo a última hora da minha vida.
Podemos perguntar: como tomar uma resolução que prevalece, que se mantêm e se cumpre? Podemos aprender muito com as resoluções de Jonathan Edwards. Mas gostaria de considerar outro jovem, que num ambiente bem inóspito tomou e manteve uma resolução extremamente importante. Sua história aparece em Daniel 1.8-16.
Ele encontrava-se cativo na Babilônia. Era um jovem com muitas qualidades, pois fora escolhido para ser treinado e se tornar um oficial no governo mundial que Nabucodonosor estava estabelecendo. Fazia parte da elite daquele povo pagão. Estar naquele grupo era o equivalente a ter passado no vestibular da Academia Imperial. Neste contexto sedutor e hostil, ele tomou uma decisão que marcou sua vida, e permitiu que a glória de Deus se manifestasse.
Esta resolução foi firmada em seu coração. A expressão traduzida como “resolveu firmemente” literalmente é “colocou no coração”. Uma análise rápida de seus usos no Antigo Testamento indica que colocar no coração incluía tratar algo como importante (como em 2ª Sm 18.3 e em Is 57.1 onde a Versão Atualizada traduziu como “impressionar-se”); de modo atencioso (traduzido como “observar” em Jó 1.8; 2.3); considerando aquilo com seriedade,  até chegar a uma conclusão correta (1 Sm 21.12 ; Is 41.20; Ag 1.5,7; 2.18); e assim guardar na mente para colocar em prática e não esquecer (Deut 11.18). Esta era uma atitude exigida para com a Palavra Deus (traduzido “aplicar” em  Deut 32.46).
Concluímos que Daniel observou a situação em que estava, aplicou seu coração às informações que tinha da Palavra de Deus, e chegou à conclusão de que era pecado participar daquela comida. Assim tomou uma decisão: não iria contaminar-se.
Este é um requisito para uma resolução que prevalece: surgir de um coração informado e comprometido com a Palavra de Deus. Daniel conhecia os mandamentos do Senhor quanto ao que poderia torná-lo impuro. E isso ocorria quando alguém desobedecia o que Deus havia ordenado (Sof 3.1; Nee 13.29; Mal 1.7,12).
Era parte do treinamento de Daniel ser alimentado pelo cardápio real. Só que aquela comida não seguia os padrões estabelecidos na lei de Deus (Lev 11.1-47; Deut 14.3-20), também poderia ter sido dedicada aos ídolos, antes de ir para a mesa. Ou ainda, Daniel e seus amigos perceberam que o banquete real seria um modo deles serem assimilados pela cultura babilônica, e assim perderiam sua identidade como servos de Deus. Eles reconheciam que sua missão não era a de se conformar com o mundo, mas de transformar o mundo. O que para muitos era um prêmio: comer da comida do rei, e beber do vinho real; para Daniel era uma maneira de se contaminar. Por isso ele preferiu ser fiel a um alimento superior, a Palavra de Deus (Deut 8.3; Sl 119.103).
Outro requisito para uma resolução prevalecer é colocá-la em prática de modo correto. Depois de tomar a decisão Daniel a implementou com entusiasmo, sabedoria e fé. Ele foi pedir ao chefe dos eunucos. Naquela época o termo “eunuco” referia-se a pessoas que eram oficiais do rei, não sendo necessariamente castrados. A palavra traduzida como “pedir” indicava uma busca entusiasmada e esforçada por algo desejado. Daniel procurou a autoridade competente, e de modo educado, mas incisivo, apresentou seu desejo.
O chefe dos eunucos, apesar de simpático a Daniel, mostrou que ele tinha outro senhor, com outras ordens, o seu rei. Notamos que ele temia a este senhor, tal qual Daniel temia ao Seu Deus. Seu medo era que, não participando da dieta real, Daniel e seus amigos ficassem mais abatidos do que os outros jovens daquele curso, e assim o rei iria culpar o chefe. Sua vida seria colocada em risco.
Daniel não desiste diante deste empecilho. É mais um desafio a ser vencido para concretizar sua resolução. Ele busca o encarregado imediato, que estava abaixo do chefe, e propõe um teste.  A maneira como ele se aproxima daquele encarregado é muito educada. A linguagem original dá a ideia dele pedindo “por favor”, e ainda apresentando-se como servo daquele homem.   Ele age com sabedoria e bom senso. Usa de tato e educação. Não é um revolucionário causando problemas.
Mas, também, age com fé. Isso transparece no teste proposto. Durante dez dias eles comeriam apenas legumes. Isto é, sementes, que poderiam incluir grãos de cereais, como cevada e trigo. E beberiam apenas água. No final dos dez dias o responsável examinaria as aparências deles e tomaria a decisão mais adequada.
Uma decisão que prevalece precisa de entusiasmo: deve haver esforço e disciplina para colocá-la em prática, e superar os desafios que surgem. Também é necessário sabedoria: escolher o melhor meio para aplicá-la, o modo melhor de tratar o assunto, as palavras corretas, as pessoas certas, e assim por diante. E ainda demanda fé: agir acreditando na bênção de Deus.
Isso nos leva ao terceiro requisito: uma decisão que prevalece necessita da graça de Deus. A graça de Deus se manifesta concedendo ao chefe dos eunucos uma atitude generosa e compassiva com Daniel. Ele se inclina ao pedido de Daniel. Ele torna-se simpático e não implicante com Daniel e seus amigos. Isso facilitou as coisas, mas isso foi concedido por Deus. Podemos ver a mão do Senhor agindo do início ao fim desse capítulo. Daniel estava naquela posição porque Deus entregara o seu povo na mão da Babilônia, Daniel conseguira ter seu pedido atendido por conta da simpatia do chefe dos eunucos, Daniel e seus amigos foram notados mais saudáveis do que os outros jovens, e receberam da parte de Deus, uma sabedoria maior.
Nossas resoluções só se concretizarão se Deus for gracioso conosco, e abrir as portas e caminhos para que elas se realizem. Devemos reconhecer que somos dependentes Dele. Sem Ele, nossa determinação, disciplina, empenho, sabedoria e recursos não darão em nada. Mas devemos lembrar que Sua graça usa nossa determinação, disciplina, empenho, sabedoria e recursos.
Uma resolução que prevalece precisa começar em nossa mente informada pela Palavra de Deus; ser implementada com empenho, sabedoria e fé; e ser dependente da graça de Deus. 

sábado, 24 de dezembro de 2011

NATAL: UMA VISITA ESPECIAL DE DEUS A HUMANIDADE


             Uma resposta adequada à pergunta “o que é o Natal?”, é que ele é a comemoração da visita especial que Deus fez aos homens.
              Deus fez várias visitas fez ao homem. A Bíblia é a história de Deus, cheio de misericórdia e amor, buscando o homem, que está perdido em seus pecados. Desde o Jardim do Éden que Ele vem ao homem. Ele visitou o homem de várias maneiras; em sonhos e visões, através de anjos e mensageiros humanos, falando e aparecendo diretamente. Todas estas vindas eram preparatórias para uma vinda especial e diferente: aquela que Ele veio em forma humana.
No Natal Deus veio assumindo nossa humanidade, tornando-se homem, sem deixar de ser Deus. O evangelho de Mateus nos conta como foi esta visita.  No capítulo 1.1-17 é mostrada a ascendência humana de Jesus. Indicando que Ele era descendente de Abraão, a família escolhida; de Israel, a nação escolhida; e de Davi, a rei escolhido. A primeira frase do parágrafo que vai de 18-23 diz: “O nascimento (origem) de Jesus Cristo foi assim. O propósito é contar que a geração de Jesus foi sobrenatural, isto é, não foi produzida por meios humanos, fato enfatizado três vezes no texto.
           Maria estava prometida em casamento a um homem chamado José, mas o casamento ainda não havia sido consumado. Seria correspondente hoje a um noivado, só que naquela época já era um compromisso tal qual um casamento, mas o casal ainda não morava na mesma casa. Maria e José tinham o status de casados, mas não haviam tido relações sexuais.  Neste estado Maria foi encontrada grávida. Esta gravidez foi produzida pelo Espírito Santo.  Ele veio e gerou Jesus no ventre da virgem. Sendo assim, não houve a participação de um homem. Foi um ato sobrenatural. Fugindo aos padrões normais da geração de qualquer outra pessoa.
A Bíblia narra outros nascimentos milagrosos, mas nenhum semelhante a este. Podemos citar Isaque, Jacó, João Batista e outros. Nestes casos havia a impossibilidade causada pela esterilidade das mulheres e ou pela velhice dos homens. O milagre foi a habilitação para que os homens gerassem e para que as mulheres concebessem, mas ainda através de uma relação sexual. Deus capacitou homens e mulheres incapazes a manterem um relacionamento, e assim gerarem outro ser humano.  O milagre foi essa capacitação, mas o modo foi natural.
No nascimento de Jesus não foi assim, o próprio modo não foi natural. Não houve a participação de nenhum homem. Não houve nenhum relacionamento sexual.  A geração de Jesus no ventre de Maria foi feita pelo Espírito Santo. Era o próprio Deus que estava naquele ventre, só que em forma humana, na forma de um bebê.
José percebeu que Maria estava grávida, mas ainda não sabia que a geração havia sido do Espírito Santo. Pela lei, ele poderia acusar Maria diante de um tribunal e levá-la ao apedrejamento (Deuteronômio 22.23,24). Mas ele era um homem justo, não queria envergonhá-la, expor publicamente a sua gravidez, ou o pecado que ele pensava que ela teria cometido. Por isso planejou um processo de divórcio particular. Seu propósito era deixar que Maria ficasse  livre para casar com o pai do bebê. 
Enquanto ele refletia neste projeto, Deus lhe enviou um anjo que lhe revelou a realidade. Este mensageiro celestial confirma que a gravidez de Maria havia sido gerada pelo Espírito Santo. O anjo acrescenta a missão de Jesus: salvar alguém de alguma coisa.
Por isso o seu nome seria Jesus, que é a forma da língua original do Novo Testamento (grego) dos nomes Josué e Oséias, que eram suas formas na língua original do Antigo Testamento (hebraico). O significado destes nomes é “o SENHOR salva”. Jesus veio para ser o Salvador de Seu povo, não de toda e qualquer pessoa, mas daqueles que se comprometem com Ele em fé e arrependimento. Daqueles que se identificam como seus, formando o Seu povo.
A salvação seria do pecado. Todos os nossos males são causados pelo pecado, nosso e dos outros. O pecado trouxe doenças, dores, maldições, tristezas, choro, morte física e morte eterna. Deste modo, a salvação genuína tem que nos livrar desta causa maior. Ser livre do pecado significa ser salvo da maldição aqui e da condenação eterna. Esta foi a salvação que Jesus veio trazer.
É dito que o nascimento de Jesus foi assim, para que uma profecia feita 700 anos antes, fosse cumprida. Esta profecia se acha em Isaías 7.14. Ela anuncia a concepção por parte de uma virgem. Novamente temos a ênfase na geração sobrenatural de Jesus. E pela terceira vez mostra que esta criança seria a presença de Deus entre nós. Por isso um de seus outros nomes seria Emanuel, uma palavra hebraica que significa “Deus entre nós” ou “Deus conosco”.
Isto é o Natal, Deus se fazendo presente entre nós. Deus visitando-nos através de Seu Filho Jesus. E esta visita foi para nos salvar de nossos pecados. Este Deus deve estar presente em sua vida. Deve ser Emanuel para você. Você precisa fazer parte do povo Dele, recebendo-O em sua vida, através do arrependimento de seus pecados. Crendo na Pessoa Dele, e na missão que Ele veio realizar.  Só assim você terá, não apenas um Feliz Natal, como também uma eternidade feliz.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

UM SÍMBOLO E SUAS EVOCAÇÕES


          Pela graça de Deus tive a honra de ser o paraninfo da turma de formandos do Seminário Batista do Cariri de 2011. Esta turma escolheu como nome a palavra grega “ichthys”, que significa peixe.  Este foi um dos primeiros símbolos dos cristãos e uma das primeiras manifestações da arte na Igreja Cristã.  Com base neste símbolo evoquei três pensamentos.
            O primeiro deles surge do conteúdo do símbolo.   Uma das razões para a escolha do peixe como emblema cristão era que as cinco letras da palavra em grego (IX𝚯US?US) formavam um acróstico com as letras iniciais da frase “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”.  E a frase expressava a confissão de fé na centralidade da Pessoa de Cristo.  "Jesus", que significa “O Senhor Salva” era o nome humano de Cristo, e mostrava a crença da Igreja na encarnação e historicidade desta pessoa. "Cristo", que significa “ungido” (Messias), indicava que Ele foi o escolhido e ungido por Deus para realizar Seu projeto redentivo, e trazer o estabelecimento de Seu reino.  "Filho de Deus", manifestava a crença de que este Jesus é da mesma natureza de Deus, sendo Deus também. E que, por ser Deus e o Ungido de Deus, Ele se tornou o Salvador dos seus seguidores, livrando-os do pecado e da condenação que este acarreta. O escritor Michael Green diz “Notem como este símbolo sustenta o fato de que o cristianismo é Cristo, e que se ocupa totalmente com Ele.” (Livro Mundo em Fuga, pg. 24).
É imperativo que Jesus Cristo seja reconhecido como o Deus eterno, auto-existente, que foi o Messias prometido, e na plenitude do tempo se encarnou na história, pisou nesta terra, no tempo e no espaço, que aqui viveu e ensinou, morreu e ressuscitou, para ser nosso Salvador. Que Ele foi o designado e escolhido por Deus para ser o Único Mediador e Autor da nossa salvação (João 1.14; Atos 4.12; 10.38-43;  1 Coríntios 15.3,4; Gálatas 4.4,5; Hebreus 5.7-9).
O peixe, como gravura cristã nos lembra que o centro de nossa fé e da nossa vida é Cristo. Não fomos chamados primariamente para seguir uma religião, mas uma Pessoa. Não fomos vocacionados para propagar idéias de um grupo, mas os ensinos de uma Pessoa.  Não fomos convocados para servir prioritariamente a uma causa, mas a uma Pessoa.  Não fomos ordenados para nos comportarmos principalmente de acordo com uma moral elevada e cumprir princípios éticos sábios, mas para imitar uma Pessoa. E esta pessoa é Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador.
            O segundo pensamento vem da razão do símbolo. Ele foi adotado pelos cristãos  por causa das perseguições e calúnias levantadas contra eles. Os cristãos  tinham que evitar a ostentação de sua religião, isto é, qualquer símbolo que fosse entendido imediatamente como religioso. O desenho do peixe foi uma das maneiras que usaram para facilitar a identificação, e marcação de lugares das reuniões e cultos. Apenas os iniciados saberiam o significado deste acrônimo.
O peixe é uma testemunha da perseguição que nossos antepassados enfrentaram, na forma de oposições, calúnias, injustiças, perdas de bens, torturas, prisões e mortes. Mas também atesta que eles não desistiram da fé. Nossa época e cultura, acostumada ao conforto, nem consegue entender como alguém se dispõe a morrer por uma crença. Mas o peixe também nos lembra que ser cristão é estar disposto a sofrer.
Este sofrimento é por causa da identificação com Cristo, conforme 1ª Pedro 4.12-14. Não deve ser encarado como surpresa, como se fosse estranho ao cristianismo, mas como parte do pacote da salvação.  Ele é sinal da glória futura. Portanto, sofrer por Cristo é uma graça (Filipenses 1.29).
Mas o sofrimento, também, é por causa do serviço a Deus. Conforme Colossenses 1.24, o sofrimento é necessário para o crescimento e edificação da Igreja. E em 2ª Timóteo 2.10 é dito  que é preciso suportar o sofrimento para que os eleitos conheçam a salvação.   
A perseguição, a oposição, a humilhação, a injustiça e a calúnia, devem ser aceitas como parte do seguir e do servi r a este Jesus Cristo Filho de Deus, Salvador.
            O terceiro pensamento me vem à lembrança por causa do chamado que Jesus fez aos primeiros discípulos, relatada em Mateus 4.19: “E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” Eles eram pescadores e continuaram pescadores, mas de outro tipo de peixes. Agora deveriam lançar as redes da pregação para pescarem outros discípulos.  Eles haviam sido conquistados, agora deveriam conquistar (Filipenses 3.12). Foram chamados, e agora deveriam chamar.
Podemos fazer um jogo de palavras aqui, usando o símbolo cristão do peixe. Eram pescadores, que foram pescados pelo ICHTUS (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador), para pescarem outros homens, e levá-los ao mesmo ICHTUS que os pescou.
Como diz o hino “Pescador” todo mundo está pescando nesta vida, mas pescando peixes que não saciam a fome. Precisam conhecer o Peixe verdadeiro (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador).
           O peixe me lembra que somos pescadores de homens, para conduzi-los a Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador.

sábado, 3 de dezembro de 2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

DUAS CASAS, UMA TEMPESTADE, DOIS DESTINOS


Sendo um excelente comunicador, Jesus desenhava e pintava seus ensinos na mente dos ouvintes. Ele usava ilustrações e figuras que facilitavam a compreensão e a memorização de suas idéias. Uma destas ilustrações fala de duas casas (Mateus 7.24-27; Lucas 6.46-49).
            As duas casas poderiam ser iguais na aparência. Ou, talvez, uma delas fosse mais bonita, mais rica, mais luxuosa, mais atraente, etc. Mas havia uma diferença significativa entre elas, e esta não era aparente.  Quem passasse por aquelas casas não notaria esta diferença de imediato, teria que ser um bom observador para perceber. Mas esta diferença iria marcar os destinos daquelas casas.
            As duas casas enfrentaram uma tempestade. Uma mesma tempestade. Tempestade que trouxe ventos fortes e chuvas que se transformaram em enchentes. Foi aí que a diferença apareceu. Quando a tempestade passou as pessoas viram que uma casa ainda estava de pé, mas a outra havia desabado. Uma casa resistiu à tempestade, outra foi destruída por ela.  Qual era a diferença?
            Os alicerces. Uma casa tinha alicerces firmes, sobre a rocha, em cima de chão resistente. A outra fora construída sobre areia, sem firmes fundamentos. Os alicerces não apareciam para quem observasse depois das casas construídas, mas fizeram a diferença quando a tempestade apareceu.
De fato a diferença também estava além dos alicerces, estava nos homens que haviam construído as casas. Um deles cavou até que aparecesse o solo firme, a rocha, para então começar a construir. Ele trabalhou, esforçou-se, preocupou-se com a segurança de sua casa. Levou em conta que as tempestades poderiam surgir. Foi previdente. Já o outro não quis ter este trabalho. Construiu a casa na superfície. Foi imediatista, queria uma casa logo, não queria ter trabalho. Não pensou na segurança. Talvez imaginou que a vida sempre seria fácil, que as tempestades não surgiriam. Não foi previdente.
O que Jesus queria ensinar com esta ilustração? O que ele queria dizer com casa, tempestade e alicerces? 
As casas são nossas vidas. Os alicerces são o ouvir e obedecer aos ensinos de Jesus. Quem apenas ouve os ensinos de Jesus, e apenas confessa que O segue, sem de fato obedecer aos seus ensinos, esta construindo uma vida sem alicerces. Aquele que não apenas ouve e confessa, mas também obedece, está edificando uma vida com alicerces firmes. Um dia virá a tempestade. A grande tempestade, que testará nossas vidas. Quem ouviu e obedeceu ficará firme, quem apenas ouviu será arruinado.
Algumas pessoas acham fácil seguir a Jesus, pois estão seguindo apenas de ouvido e de boca, mas não estão obedecendo, e nem querem obedecer. Quem olha para elas pode até achar que de fato elas são fiéis seguidoras de Jesus. Mas a tempestade irá mostrar que elas não têm alicerces. Já outras pessoas sabem que seguir a Jesus envolve o custoso trabalho de obedecer, estão com as vidas edificadas sobre a rocha. Uma permanecerá, outra será destruída. Qual é a casa que moramos?

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...