sábado, 31 de março de 2012

NEM “ESCATOMANIA” NEM “ESCATOFOBIA”

          As duas expressões acima são de um escritor de teologia, e procuram expressar as reações que alguns têm diante da escatologia. O nome “escatologia” é formado por duas palavras gregas: “escatos” que quer dizer “último” e “logia”, que indica estudo ou assunto. Por isso esta palavra designa a parte da teologia que estuda os eventos futuros, os últimos atos de Deus na concretização de Seu projeto redentivo.

          “Escatofobia” é atitude daqueles que têm medo do que Deus nos disse sobre o futuro, e por isso não querem saber nada sobre o assunto. Alguns, inclusive, têm medo de ler e estudar o livro de Apocalipse.  Já “Escatomania” seria a reação daqueles que fazem da escatologia uma mania, entendendo que ela é o principal, senão único, assunto digno de estudo bíblico. 

          Parece-me que é comum as pessoas pensarem que a profecia bíblica trata apenas de eventos futuros. Isto não é verdade. Profecia tem a ver com revelação, e Deus não revelou apenas o futuro. O profeta era o porta-voz de Deus, isto é, aquele que trazia uma mensagem direta de Deus. Este significado da palavra aparece no uso que o próprio Deus fez dela em Êxodo 7.1,2, quando disse que Arão seria o profeta de Moisés, isto é, Arão deveria falar as palavras que Deus havia ordenado a Moisés. Outra evidência é o livro de Apocalipse, que é uma profecia, mas que revela as coisas que aconteceram, que estavam acontecendo e que iriam acontecer (Apocalipse 1.3,19).
           A profecia comunica a Palavra de Deus, revelando Sua interpretação do passado, Seus planos para o futuro, visando ensinar Seu povo como viver no presente. Os profetas do Antigo Testamento condenaram os pecados que o povo estava cometendo. Quando o véu do futuro era levantado, tinha como objetivo desmascarar a hipocrisia e as falsas expectativas do momento. 
         O interesse pela profecia pode ser motivado pelo fascínio de saber o futuro. Isto pode ser movido pela curiosidade e também pelo desejo de autonomia. Acreditamos que, conhecendo o futuro, nós teremos maior controle da nossa vida.  Por isso alguns querem um esquema bem detalhado dos eventos futuros. Mas Deus nos revelou apenas o suficiente para nos preparar para o futuro, e não para satisfazer nossa curiosidade. O futuro foi revelado por causa do presente. Ao mostrar o que vai acontecer amanhã, Deus quer provocar uma resposta hoje. 
         Quais as respostas que Deus espera de Sua igreja diante da profecia da volta do Senhor Jesus Cristo? 
         Quando O Senhor Jesus respondeu a tríplice pergunta dos discípulos em Mateus capítulos 24 e 25 (texto que é denominado de sermão profético), Ele enfatizou duas atitudes: Vigilância e Perseverança. Ele adverte: cuidado que ninguém engane vocês (Mateus 24.4). Então avisa que muitos falsos pregadores surgiriam, que o mundo não iria melhorar, e sim as catástrofes e conflitos aumentariam, haveria perseguições, desvios da fé, e aumento do pecado. Isto causaria o esfriamento no amor de muitos (Mateus 24.5-14). Feliz o servo que se conservar fiel e atuante em todo tempo, mesmo em meio a estes grandes problemas (Mateus 24.46-25.30).
         O apóstolo Paulo, elucidando dúvidas da igreja em Tessalônica, apresenta outra atitude: Conforto (1 Tessaloninces 4.13-18).  Saber que nosso futuro é estar com Jesus para sempre, deve servir de consolo em meio às tristezas da vida. O Senhor Jesus também havia destacado isto no sermão que usou com o propósito de preparar os discípulos para Sua partida (João 14.1-3). O mundo não deve nos assustar, pois Jesus já garantiu nosso futuro. Saber que um dia seremos transformados em pessoas glorificadas deve nos animar e fortalecer (Filipenses 3.20,21).
        Ao concluir um tratado sobre a nossa ressurreição, em 1 Coríntios 15.58, o apóstolo Paulo exortou outra atitude: Operosidade, isto é, disposição para trabalhar produtivamente na obra de Deus. A vida não acaba quando se morre, sendo assim, o que fazemos para Deus não é inútil. Portanto “mãos ao trabalho crentes”.
         Em sua primeira carta o apóstolo João nos mostra mais uma atitude: Pureza. Ele diz que ainda não somos o que devemos ser, mas quando Cristo se manifestar seremos semelhantes a Ele. Todo que tem esta esperança busca a purificação de sua vida (1 João 3.2,3).
         Jesus há de voltar, por isso, vamos ser vigilantes, perseverantes, destemidos, atuantes, e puros. 

domingo, 18 de março de 2012

O CARPINTEIRO


              No dia 19 de Março comemora-se o dia do carpinteiro. É muito comum confundirmos o carpinteiro com o marceneiro, pois ambos trabalham com madeira. Mas, estritamente falando um carpinteiro é um artesão que trabalha com madeira, montando especialmente obras pesadas, como estruturas, vigamentos, tabuados, etc.
             Este  ofício  é muito importante, pois grandes obras de construção civil e naval, não seriam possíveis sem o trabalho do carpinteiro.  No entanto, o que tornou esta arte famosa foi um conhecido carpinteiro. Com certeza, o carpinteiro mais famoso que já existiu: Jesus Cristo.
           Tanto Ele, como José, seu pai adotivo, foram chamados de carpinteiros (Mateus 13.55; Marcos 6.3).  Na linguagem do NT, “carpinteiro” era a palavra usada para indicar um fabricante ou artesão, que poderia trabalhar com madeira, metal e outros materiais (Isaías 44.13-17); e também para indicar alguém que trabalhava em construções. Nos tempos bíblicos, as grandes construções envolviam pedras e madeira. Podemos citar como exemplo o templo construído por Salomão que foi edificado com pedra e forrado com madeira (1 Reis 4-7).
Como Jesus atuava em um ambiente rural, é provável que Ele e seu pai fabricassem   carroças, consertassem arados, entalhassem bacias, colheres ou enxadas, construíssem baús, bancos, camas, levantassem parreirais e galpões, cobrissem e consertassem telhados, etc. Nosso Salvador, gastou a maior parte de sua vida nesta função útil, mas dura.
Jesus cresceu e morou na cidade de Nazaré até por volta de seus 30 anos.  Acreditamos que durante este tempo Ele tenha ajudado José e assim, aprendera o mesmo ofício, e se tornou o carpinteiro daquela pequena cidade, até quando se mudou para Cafarnaum e começou sua obra de anunciar o Reino de Deus. 
         Um dia Ele voltou à Nazaré, e ali ensinou na sinagoga. Seus ouvintes ficaram espantados com Sua sabedoria e com os milagres que operava (Marcos 6.1-3). Apesar das evidências de seu ensino e milagres, não conseguiram crer Nele, porque apenas o conheciam como aquele que havia sido o carpinteiro da sua pequena cidade. Os habitantes de Nazaré não conseguiram entender como o carpinteiro havia se tornado um grande Mestre, e por não conseguirem entender, resolveram não crer.
                Nos primeiros anos da história do Cristianismo, o fato de Jesus ser um carpinteiro também foi motivo de gracejos. Mas este fato nos mostra a humildade de Jesus. Aquele que construiu o Universo, agora fabricava pequenas coisas. Jesus nos ensina que é possível servir a Deus nos trabalhos do dia a dia. Ao servirmos as pessoas com o nosso trabalho, estamos adorando o Criador do mundo e das pessoas.
                Os habitantes de Nazaré creriam se a mensagem maravilhosa tivesse sido pregada por alguém mais nobre, com mais glamour. Mas, já que a mensagem fora pregada por alguém que era igual a eles, não creram. Eles achavam que conheciam Jesus muito bem, afinal Ele havia crescido entre eles, e trabalhado para eles. Apesar de conhecerem Jesus como “o carpinteiro”, não O conheciam como “o Salvador”. 
Sim, o homem que passou a maior parte de sua vida fabricando e consertando objetos e casas, foi o escolhido, enviado e ungido por Deus, para consertar vidas, e construir uma Igreja, um povo, um novo mundo. Foi enviado, de forma humilde, para realizar uma salvação poderosa.
             O que aconteceu em Nazaré ainda acontece hoje. As pessoas desprezam a mensagem por desconsiderarem o mensageiro. Embora muitas vezes até admirem a mensagem, mas o preconceito as impede de acreditar na mesma. Algumas mensagens não prosperam porque a própria mensagem é ruim, mas há mensagens que não são aceitas porque a audiência é ruim.
            Em Nazaré, Jesus só era conhecido como “o carpinteiro”, ninguém ali percebeu que Ele era muito mais que um carpinteiro, a primeira impressão foi a que ficou. Ainda hoje há pessoas que pensam conhecer Jesus muito bem, afinal cresceram numa igreja, ouvindo histórias bíblicas e cantando hinos sobre Jesus. Mas ficaram com a impressão de Jesus apenas como um bom mestre, um profeta, um milagreiro a quem se pode recorrer nas horas de dificuldade. Elas não conseguem ver que Jesus é muito mais do que tudo isso. Ele é o próprio Deus que assumiu a humanidade, para viver numa pequena aldeia, trabalhando para pessoas que depois iriam rejeitá-lo (João 1.1,10,11,14). Ele é o Messias Salvador, que veio morrer numa cruz para pagar pelos pecados dos homens, e libertá-los destes pecados (2 Coríntios 5.21). Ele é Aquele que venceu a morte pela ressurreição, e hoje está à direita de Deus, intercedendo pelos seus (Romanos 8.34). Ele é o Juiz que voltará para concretizar a salvação eterna dos que creram e condenar os que O rejeitaram (Mateus 25.31-46).
Conheça Jesus, o Carpinteiro que pode consertar Sua vida para toda a eternidade.

quarta-feira, 7 de março de 2012

OLHO PIDÃO


A expressão “olho pidão” indica alguém que pede com os olhos. Pode ser o olhar suplicante do mendigo, ou o olhar guloso da criança diante do balcão de doces. Ambos comunicam seus desejos pelos olhos.  É o olhar do personagem Chaves, do seriado do mesmo nome, que mesmo balançando a cabeça indicando que não quer o sanduiche de presunto, os olhos dizem o contrário.
O olhar do peregrino também é um olhar pidão. No salmo 123 ele diz que seus olhos esperam em Deus, e este olhar além de esperar, clama. Junto com o olhar há um pedido por misericórdia. Ele olha para Deus e conta os seus problemas. A causa de seu sofrimento é o desprezo. Ele e os outros adoradores são vistos como insignificantes, sem valor, e sem importância, desdém que é acompanhado de escárnio. E isto irrita e dói em sua alma. 
Por isso ele diz que está saturado e ensopado das zombarias dos arrogantes e soberbos. Daqueles que pensam que podem viver sem Deus, desfrutando do bem bom da vida sem preocupações.  Os arrogantes são descritos em Amós 6.1 e Isaías 32.9,11, como pessoas que não se importam com a iminência do juízo de Deus, e nem se afligem com o pecado cometido. Vivem para vestir-se bem, festejar e divertir-se. A indulgência, luxúria e frivolidade são suas aspirações. 
Os orgulhosos se levantam como ondas do mar. Apoiando-se em seus próprios expedientes e forças, zombam daqueles que humildemente dependem de Deus; que sofrem, e aparentemente não prosperam.
Um exemplo deste desprezo aparece em Neemias 2.19 e 4.1-4. Provocado pela ira e pela inveja, o menosprezo duvida de até onde podemos ir; considera inútil os nossos esforços; e zomba do potencial de nossas realizações. Ele pode se manifestar lançando dúvidas sobre nossas intenções e nos caluniando. Seu alvo é nos desanimar. Este desprezo é pior do que a ira (Mateus 5.22).
Diante deste ataque o salmista dirige seu olhar para o SENHOR, com atitude de servo (humilde, submissa, concentrada, esperançosa), e conta seu problema para Deus.
Igual ao peregrino, também enfrentamos o desprezo dos outros. Talvez por nos considerarem fracos, idiotas, atrasados, retrógrados, por ainda acreditamos em coisas que não fazem sentido no mundo moderno. Somos incompreendidos, por não darmos vazão às nossas paixões, por reprimirmos os nossos desejos. Chamados de bobos, de gente que não sabe aproveitar a vida (1 Pedro 2.11,12,13; 4.2,4).
Qual o desprezo que lhe aflige? A indiferença dos que você ama? O descompromisso de quem deve cuidar de você? A infidelidade de quem deveria ser fiel? A falta de atenção e gratidão das pessoas pelas quais você tem se desgastado? Falsas acusações? Juízos precipitados sobre suas aflições? Depreciação do seu trabalho? Descrença em suas capacidades? Pouco caso de suas ideias? Xingamentos? Pessoas que nem lhe dirigem a palavra? Outros que riem de suas convicções e comportamento? Você está cheio, já não aguenta mais?
O que pretende fazer? Para quem está olhando?
O peregrino nos ensina que na adoração alegre, também há espaço para o desabafo humilde, a súplica sofrida, o clamor confiante. Faça como ele, dirija seu olhar para o Senhor, pedindo misericórdia, conte seu problema, e aguarde com confiança.

  

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O OLHAR QUE ESPERA


O que esse olhar espera? Debruçada no muro, ao lado do portão, olhar concentrado, penso que minha amiga Regina esperava algo. Mas o quê? Como a foto já tem algum tempo, penso que nem ela mesma se lembre. Mas, se ela pudesse recordar para quem ou o quê olhava, ela saberia o que estava esperando. 
Jesus disse que os olhos são a lâmpada do corpo (Mateus 6.22,23). Por eles podem entrar a luz que ilumina nossa vida, ou as trevas que nos deixam na escuridão. 
Nosso olhar pode nos corromper ou fazer nossa vida brilhar.  Em momentos de dificuldades, o lugar ou a pessoa para onde olhamos pode determinar nossa reação. Podemos nos encher de esperança ou de frustração, dependendo de para o quê, ou quem olhamos. O cantor peregrino nos ensina no Salmo 123 que devemos olhar para Deus em nossos momentos de aflição.
A expressão “elevar os olhos” era usada para expressar a atenção de alguém quando precisava fazer uma escolha, como Ló que ergueu os olhos para procurar a melhor parte da terra (Gn 13.10,14). Também para indicar o desejo por alguém, como a mulher do Potifar que pôs os olhos em José (Gn 39.7).
O salmista fala que eleva os olhos para “Aquele que habita nos céus”. Que não é atingido pela revolta dos homens, pois está muito acima deles (Sl 2.4). Também tem seu trono estabelecido no alto, e por isso domina sobre tudo (Sl 103.19). Ele é o que do alto olha e sonda tudo (Sl 11.4). Por estar acima de todos, Ele faz tudo como lhe agrada (Sl 115.3). O que habita nos céus é Supremo e Soberano. É para Ele que o salmista dirige o seu olhar em busca de socorro (Sl 25.15; 141.8). 
O peregrino, estando no templo, eleva os olhos em adoração, expressando tanto sua escolha por Deus ao invés dos ídolos (Ez 18.6,12,15), como seu desejo e esperança de ser socorrido.
O modo como se olha também é importante. O olhar pode ser de revolta, de ódio, de tristeza, ansiedade, etc. Mas o olhar do peregrino é de expectativa concentrada, humilde e confiante. É como olhar da empregada para as mãos da patroa, que não desvia a atenção, aguardando as ordens na forma de gestos, para então se levantar e obedecer. É o olhar da deferência e dependência, da submissão e prontidão.
Mas também é o olhar súplice do servo necessitado, que reconhece não ter mérito, mas que precisa do socorro, e por isso busca a graça e misericórdia de Deus. Ele quer ver um gesto de compaixão, pois se encontra numa situação de necessidade. Esta pode ser causada por vários fatores: a aflição e solidão que surge do ódio dos inimigos (Sl 25.15,16,19); a tribulação que é fruto dos próprios pecados (Sl 31.9); a culpa que precisa de perdão (Sl 51.1); a angústia contínua que causa depressão (Is 33.2); o desânimo que debilita (Sl 6.2); as calamidades que pedem solução (Sl 57.1).
Ele sabe que Deus é Soberano na administração da Sua graça (Ex 33.19), por isso mantêm uma atitude de espera submissa. Com confiança obediente.  Cheio de esperança persistente. Manifestando humildade dependente.
Na espera há uma tensão, mas como servo, ele prefere esperar o alívio com tensão; do que renunciar a Deus, e tornar-se soberbo, buscando em suas ações a solução para seus problemas.
Ao elevar os olhos ele espera misericórdia. Sua atitude não é “Dê-me o que quero”, mas, tem piedade de mim. Não é “recompensa minha bondade para que as pessoas vejam como sou superior”, mas “tem compaixão de mim”; não é “castiga-me pelos meus pecados para que me sinta melhor”, mas, “tem misericórdia de mim”; não é, “seja bom comigo, pois eu tenho feito boas coisas”, mas, “preciso de tua graça, pois sou pecador”.
Para onde você olha quando se encontra em dificuldade? Para os lados, buscando a ajuda de outros homens; para si mesmo, buscando a ajuda interior; para baixo, não buscando ajuda nenhuma e entregando os pontos; para cima, buscando a ajuda dos grandes; ou para o céu, buscando a ajuda de Deus, e esperando pela misericórdia Dele? 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

CULTO: OPORTUNIDADE PARA ORAR


            É incrível como tarefas simples, mas importantes, são negligenciadas. Certos deveres não são complicados, têm muita importância para a vida, e mesmo assim são descuidados. Exemplos: escovar os dentes, lavar as mãos, exercitar-se fisicamente, etc. A mesma atitude é vista na vida com Deus.  Certos compromissos espirituais não são difíceis, são até muito simples de serem executados. Têm extrema importância para a manutenção e desenvolvimento de nossa vida espiritual. Mas são absurdamente negligenciados. Um exemplo: a oração.
                A oração está longe de ser uma tarefa complicada. Para orar não é preciso conhecimento bíblico avançado, nem recursos financeiros, e nem talentos especiais. Qualquer um pode orar: criança, jovem, adulto ou idoso. Pobre ou rico. Culto ou iletrado. Não é necessário um tempo e nem um lugar especial para se praticar a oração. Qualquer hora e em qualquer lugar podemos orar. Mas, quão pouco oramos!
                Embora simples, a oração é de importância incalculável. Ainda que se faça uma leitura superficial das Escrituras, ela nos revela os efeitos que a oração pode produzir em nossas vidas. Apenas para reforçar esta verdade podemos citar: “Muito pode em seus efeitos a súplica do justo” (Tg 5.16b); “e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis” (Mt 21.22); “Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” (Lc 11.9). Mesmo assim, oramos muito pouco!
                Há momentos que podem relembrar e incentivar a prática da oração. Um deles é o culto coletivo.  O peregrino que ia adorar em Jerusalém sabia da importância da oração e que o culto era uma oportunidade para motivá-la. No salmo 122, após testemunhar sua alegria em adorar com comunhão e aprendizado, ele faz um pedido: “Orai pela paz de Jerusalém, e ele mesmo faz a oração “eu peço: haja paz em ti (Sal 122.6,8).
                A motivação da sua oração era o amor. Amor por Jerusalém. Lá estava a casa do Senhor, onde o povo de Deus se reunia em comunhão e adoração; ali estava o trono do rei ungido que tinha como dever garantir um governo justo; e lá se podia aprender as instruções de Deus. Para manter o louvor, aprendizado e comunhão havia a necessidade da paz e do sucesso de Jerusalém.
                Mas também amor por seus irmãos e amigos. Ele queria o bem estar deles, e isto dependia da tranquilidade e segurança de Jerusalém. Estes dois amores estavam relacionados. Da paz de Jerusalém dependia a paz dos que cultuavam em Jerusalém.  
                A forma da oração era entusiástica. Isto se manifesta quando ele fala de buscar o bem de Jerusalém. A palavra “buscar” significa procurar alguma coisa com entusiasmo e esforço. O que deixa claro como ele valorizava aquela cidade e a adoração a Deus.  Pois só se ora com entusiasmo por aquilo que se valoriza. Também revela que acreditava na oração como uma forma de fazer algo pelo bem de alguém. Para ele, orar era buscar o bem daquele pelo qual se orava.  Nossa falta de oração não seriam sinais de nossa falta de amar e de valorizar o que Deus valoriza? Ou ainda sinal de nossa falta de crença na eficácia da oração?
                A exortação do salmo é válida para nós, pois Deus tem um plano para a Jerusalém terrestre (Lc 21.24). Ela não reconheceu sua oportunidade de paz (Lc 19.41-44). Mas, um dia a adoração a Deus será restaurada nela (Is 2.2-5; Ez 40-44).
                Enquanto oramos pela restauração da Jerusalém terrestre e aguardamos a chegada da Jerusalém celestial (Ap 21.10,11) devemos orar também por nossas igrejas. Somos exortados a isso com ordens diretas das Escrituras: “Orais uns pelos outros” (Tiago 5.16, ver ainda Efésios 6.18-20); e também com exemplos de pessoas que oravam e pediam orações (Rom 1.9,10; 15.30; 2 Co 1.11; Ef 1.6; Col 1.9).
                A Bíblia também nos exorta à prática da oração nos cultos: Mt 18.19,20  Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.
                Uma das razões da oração deve ser paz e tranquilidade para o avanço do evangelho. 1 Tim 2.1,2Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito.” 2 Tes 3.1,2Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós; e para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque a fé não é de todos.
Eugene Peterson disse que Uma das aflições do trabalho pastoral é a de ouvir sem fazer careta todas as desculpas que as pessoas dão como motivo de não irem à igreja. Para aqueles que tiraram seu foco de Deus há muitos motivos para não adorar na igreja (causados pelos nossos pecados e dos outros). Se você tem estes motivos vá adorar por causa de Deus, com alegria pelo que Ele já fez, faz e vai fazer por você. E também para pedir que Ele aperfeiçoe sua vida e a de seus irmãos.  Vamos banhar nossa adoração com oração. Vamos usar nossos cultos públicos para buscarmos nosso Deus em oração e pedir que Ele abençoe Sua Igreja.


domingo, 22 de janeiro de 2012

ADORAÇÃO: MOMENTO DE APRENDIZADO


            Na época em que o templo de Deus estava construído em Jerusalém, os adoradores sinceros viajam até lá para cultuar. Algumas vezes isso era perigoso, mas mesmo assim, o trajeto era feito com cânticos. Os salmos 120-134 são chamados “de romagem” ou “dos degraus”, por ser uma coletânea de hinos que aqueles adoradores peregrinos entoavam enquanto subiam para a cidade.
            Após cantarem sua oração de angústia e sua confissão de segurança (Salmos 120, 121), eles entoavam um hino de alegria pela oportunidade da adoração (122). O fiel exultava por ter sido convidado ao templo, e por estar em Jerusalém adorando (versos 1,2), e proclamava a oportunidade de comunhão com os irmãos das outras tribos (versos 3,4).  
            No verso 5 ele fala da razão da ida à Jerusalém “Porque lá habitam tronos de justiça, tronos da casa de Davi.”A ida ao culto era uma oportunidade para aprender e praticar a justiça.
            Deus havia escolhido Jerusalém como capital de Seu reino terrestre naquela dispensação, e Davi e seus descendentes como os administradores deste reino. Neste governo a justiça deveria prevalecer (2ª Samuel 8.15; Jeremias 21.12). A cidade era a representação da autoridade de Deus sobre Seu povo em todas as áreas. Lá as disputas judiciais eram resolvidas. O padrão para esta decisão não era a vontade do rei, mas a Lei de Deus. Deus havia ordenado que o rei de Seu povo deveria conhecer a Sua Palavra e administrar o reino conforme estes princípios (Deuteronômio 17.18-20).    
            A prática desta justiça era para se tornar um costume diário abrangendo todos os aspectos da vida. Por isso, a ida ao culto era também um momento de aprendizado (Deut 14.23). Ir à Jerusalém adorar e comungar tinha como alvo o aprendizado do temor do Senhor,  que deveria ser praticado em todos os momentos da vida.
Em certas ocasiões a lei de Deus seria lida pelos sacerdotes e levitas para que todas as pessoas (incluindo as crianças) aprendessem e obedecessem a Deus todos os dias. (Deut. 31.9-13).  Foi isso que aconteceu na época do rei Josias (2ª Reis 23.1-3), e na época de Esdras (Neemias 8.1-12). E nestas duas ocasiões um reavivamento foi produzido. No culto coletivo o povo era lembrado de seu dever de cultuar a Deus pela obediência aos seus mandamentos, quando voltassem para casa.
            Em nossos dias não há um templo igual ao de Jerusalém, mas há um templo formado por pessoas, que é a Igreja de Jesus Cristo (1ª Pedro 2.5-10). Neste templo de gente cultuamos ao nosso Deus e aprendemos a Sua Palavra.
A leitura e ensino da Palavra devem ser praticados no culto. Timóteo é exortado a  ler, exortar e ensinar a Palavra de Deus. Era a exposição da Palavra que alimentaria o povo com os ensinos de Deus ((1 Tim 4.6,11,13).  O apóstolo Paulo exortou que suas cartas fossem lidas nas igrejas (Colossenses 4.16). Quando escreveu a primeira carta aos tessalonicenses ele exigiu em juramento que a carta fosse lida a todos (1 Tessal 5.27). Ele mesmo ensinava nas igrejas (1ª Cor 4.17) e ordenou que o ensino mútuo fosse praticado (Colossenses 3.16).
            A igreja também deve ser um local de administração da justiça (1 Cor 5.1-5; 6.1-11; Mateus 18.15-17). As reuniões para disciplinar e corrigir irmãos da igreja, e mesmo decidir sobre os problemas entre eles, devem ser momentos de adoração, e também de instrução (1ª Tm 5.20).
            Nossos cultos devem ser momentos de ensino e aprendizado. Neles devemos ser alimentados para a prática diária da Palavra de Deus. Mas, muitas vezes nossa prática é de  não nos importamos com a Palavra. 

sábado, 7 de janeiro de 2012

RESOLUÇÕES QUE PREVALECEM


            Resolução é uma tomada de decisão após deliberação. Isso é feito com freqüência na virada do ano. Aproveita-se a chegada do ano novo para renovar planos e projetos, atualizar sonhos e buscar uma vida melhor. Para isso decisões são tomadas. Sinceramente, temos que admitir muitas delas não vingam. Com o passar dos dias esquecemos o que prometemos, outras atividades tomam a prioridade, fraquejamos na disciplina, outros projetos surgem, e por aí vai. E assim, no final do ano, não lembrar torna-se até uma alternativa mais confortável do que a sensação de fracasso.
Mas há aqueles que com firme determinação mantêm suas resoluções. São pessoas resolutas, decididas em cumprir seus projetos, resolvidas em alcançar seus alvos. Uma dessas pessoas foi Jonathan Edwards, pastor que viveu no século 18. Admiro-o muito, e o que mais me impressiona é que, ainda na juventude, ele tomou 70 decisões e se empenhou em segui-las até o fim de sua vida. Elas passaram a ser conhecidas como as resoluções de Jonathan Edwards. Cito algumas delas: Resolvi que farei tudo o que considerar ser mais importante para a glória de Deus; resolvi nunca perder um momento, mas aproveitar o tempo da forma mais vantajosa que puder; resolvi nunca fazer qualquer coisa da qual devesse ter medo, caso esteja vivendo a última hora da minha vida.
Podemos perguntar: como tomar uma resolução que prevalece, que se mantêm e se cumpre? Podemos aprender muito com as resoluções de Jonathan Edwards. Mas gostaria de considerar outro jovem, que num ambiente bem inóspito tomou e manteve uma resolução extremamente importante. Sua história aparece em Daniel 1.8-16.
Ele encontrava-se cativo na Babilônia. Era um jovem com muitas qualidades, pois fora escolhido para ser treinado e se tornar um oficial no governo mundial que Nabucodonosor estava estabelecendo. Fazia parte da elite daquele povo pagão. Estar naquele grupo era o equivalente a ter passado no vestibular da Academia Imperial. Neste contexto sedutor e hostil, ele tomou uma decisão que marcou sua vida, e permitiu que a glória de Deus se manifestasse.
Esta resolução foi firmada em seu coração. A expressão traduzida como “resolveu firmemente” literalmente é “colocou no coração”. Uma análise rápida de seus usos no Antigo Testamento indica que colocar no coração incluía tratar algo como importante (como em 2ª Sm 18.3 e em Is 57.1 onde a Versão Atualizada traduziu como “impressionar-se”); de modo atencioso (traduzido como “observar” em Jó 1.8; 2.3); considerando aquilo com seriedade,  até chegar a uma conclusão correta (1 Sm 21.12 ; Is 41.20; Ag 1.5,7; 2.18); e assim guardar na mente para colocar em prática e não esquecer (Deut 11.18). Esta era uma atitude exigida para com a Palavra Deus (traduzido “aplicar” em  Deut 32.46).
Concluímos que Daniel observou a situação em que estava, aplicou seu coração às informações que tinha da Palavra de Deus, e chegou à conclusão de que era pecado participar daquela comida. Assim tomou uma decisão: não iria contaminar-se.
Este é um requisito para uma resolução que prevalece: surgir de um coração informado e comprometido com a Palavra de Deus. Daniel conhecia os mandamentos do Senhor quanto ao que poderia torná-lo impuro. E isso ocorria quando alguém desobedecia o que Deus havia ordenado (Sof 3.1; Nee 13.29; Mal 1.7,12).
Era parte do treinamento de Daniel ser alimentado pelo cardápio real. Só que aquela comida não seguia os padrões estabelecidos na lei de Deus (Lev 11.1-47; Deut 14.3-20), também poderia ter sido dedicada aos ídolos, antes de ir para a mesa. Ou ainda, Daniel e seus amigos perceberam que o banquete real seria um modo deles serem assimilados pela cultura babilônica, e assim perderiam sua identidade como servos de Deus. Eles reconheciam que sua missão não era a de se conformar com o mundo, mas de transformar o mundo. O que para muitos era um prêmio: comer da comida do rei, e beber do vinho real; para Daniel era uma maneira de se contaminar. Por isso ele preferiu ser fiel a um alimento superior, a Palavra de Deus (Deut 8.3; Sl 119.103).
Outro requisito para uma resolução prevalecer é colocá-la em prática de modo correto. Depois de tomar a decisão Daniel a implementou com entusiasmo, sabedoria e fé. Ele foi pedir ao chefe dos eunucos. Naquela época o termo “eunuco” referia-se a pessoas que eram oficiais do rei, não sendo necessariamente castrados. A palavra traduzida como “pedir” indicava uma busca entusiasmada e esforçada por algo desejado. Daniel procurou a autoridade competente, e de modo educado, mas incisivo, apresentou seu desejo.
O chefe dos eunucos, apesar de simpático a Daniel, mostrou que ele tinha outro senhor, com outras ordens, o seu rei. Notamos que ele temia a este senhor, tal qual Daniel temia ao Seu Deus. Seu medo era que, não participando da dieta real, Daniel e seus amigos ficassem mais abatidos do que os outros jovens daquele curso, e assim o rei iria culpar o chefe. Sua vida seria colocada em risco.
Daniel não desiste diante deste empecilho. É mais um desafio a ser vencido para concretizar sua resolução. Ele busca o encarregado imediato, que estava abaixo do chefe, e propõe um teste.  A maneira como ele se aproxima daquele encarregado é muito educada. A linguagem original dá a ideia dele pedindo “por favor”, e ainda apresentando-se como servo daquele homem.   Ele age com sabedoria e bom senso. Usa de tato e educação. Não é um revolucionário causando problemas.
Mas, também, age com fé. Isso transparece no teste proposto. Durante dez dias eles comeriam apenas legumes. Isto é, sementes, que poderiam incluir grãos de cereais, como cevada e trigo. E beberiam apenas água. No final dos dez dias o responsável examinaria as aparências deles e tomaria a decisão mais adequada.
Uma decisão que prevalece precisa de entusiasmo: deve haver esforço e disciplina para colocá-la em prática, e superar os desafios que surgem. Também é necessário sabedoria: escolher o melhor meio para aplicá-la, o modo melhor de tratar o assunto, as palavras corretas, as pessoas certas, e assim por diante. E ainda demanda fé: agir acreditando na bênção de Deus.
Isso nos leva ao terceiro requisito: uma decisão que prevalece necessita da graça de Deus. A graça de Deus se manifesta concedendo ao chefe dos eunucos uma atitude generosa e compassiva com Daniel. Ele se inclina ao pedido de Daniel. Ele torna-se simpático e não implicante com Daniel e seus amigos. Isso facilitou as coisas, mas isso foi concedido por Deus. Podemos ver a mão do Senhor agindo do início ao fim desse capítulo. Daniel estava naquela posição porque Deus entregara o seu povo na mão da Babilônia, Daniel conseguira ter seu pedido atendido por conta da simpatia do chefe dos eunucos, Daniel e seus amigos foram notados mais saudáveis do que os outros jovens, e receberam da parte de Deus, uma sabedoria maior.
Nossas resoluções só se concretizarão se Deus for gracioso conosco, e abrir as portas e caminhos para que elas se realizem. Devemos reconhecer que somos dependentes Dele. Sem Ele, nossa determinação, disciplina, empenho, sabedoria e recursos não darão em nada. Mas devemos lembrar que Sua graça usa nossa determinação, disciplina, empenho, sabedoria e recursos.
Uma resolução que prevalece precisa começar em nossa mente informada pela Palavra de Deus; ser implementada com empenho, sabedoria e fé; e ser dependente da graça de Deus. 

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