segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O QUE É VIVER PARA A GLÓRIA DE DEUS?


Fomos criados para Deus, para a glória de Deus (Is 43.7). Tudo que fazemos deve ser para a glória de Deus (1 Co 10.31). O alvo do homem é a glória de Deus, e pecado é não atingir este alvo (Rm 3.23). Mas o que é viver para a glória de Deus?
Quando vivemos para alguém ou algo nossa alegria está naquilo. Isso é amar, é fazer do outro nosso motivo de vida e regozijo, é encontrar nossa satisfação no bem estar do outro. Assim viver para a glória de Deus é alegrar-se Nele e encontrar prazer no relacionamento com Ele. Na alegria Dele, encontramos nossa alegria (Sl 16.11; 27.4; 73.25s; 84.1s,10). 
Mesmo nas tribulações há alegria, por causa das lições que Deus nos ensina através delas (Rm 5.2s; Fp 4.4; 1 Ts 5.16-18; Tg 1.2; 1 Pd 1.6,8). 
Quando nos alegramos em Deus, Ele se alegra conosco (Is 62.5; Sf 3.17s). Por isso é que desfrutaremos a alegria suprema e perfeita só no céu, a glória manifesta para nós de forma completa.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

QUANDO NÃO SE ATENDE AO AVISO, SOFRE-SE O JUÍZO!

“Tragédia anunciada” é a expressão costumeiramente usada para se referir a uma catástrofe ou desgraça já prevista, mas que nada foi feito para impedir o seu acontecimento.  Alguns exemplos: povoações que se instalam nas encostas dos morros até que a chuva chegue e arraste a todos; pais que não corrigem seus filhos e estes lhe causam muitos sofrimentos; motoristas que dirigem descuidadamente até que provocam um acidente; pessoas que continuam em seus pecados até que o julgamento de Deus traga o devido castigo. Este foi o caso da cidade de Nínive.
Nínive era uma antiga, grande e poderosa cidade. Fundada por um forte guerreiro chamado Ninrode (Gen 10.11). Escavações arqueológicas indicam que por volta de 4500 anos antes de Cristo ela já era habitada. Ela cresceu e se tornou a capital do grande Império Assírio. Por quase 300 anos foi considerada a principal cidade do mundo e viveu o auge de sua prosperidade (900-612 antes de Cristo).
Os assírios eram grandes conquistadores, seus reis eram cruéis, desapossavam as terras conquistadas e levavam seus moradores como cativos. Agiram assim com várias nações, inclusive com o povo de Israel (2 Reis 17.3-6).  Faziam as guerras com ferocidade, torturavam e mutilavam com brutalidade. A cidade era conhecida por seus pecados: arrogância, mentiras, crueldade, pilhagens de guerra, prostituição, feitiçarias, exploração comercial, etc.
O pecado de Nínive tinha chegado até Deus (Jonas 1.2), e Ele já havia avisado várias vezes que o julgamento viria. Jonas foi enviado anunciando a ameaça de Deus, cem anos antes do profeta Naum. Na época houve um arrependimento, então Deus poupou a cidade. Mas foi um arrependimento transitório, os habitantes de Nínive voltaram aos seus pecados. Depois de Jonas vários profetas avisaram Nínive e o Império Assírio sobre o perigo que uma vida pecaminosa acarreta (Sofonias 2.13; Isaías 10, 11,14; 30.27-33; Miquéias 5.6). 
Os governantes e habitantes da cidade confiavam nas providências que haviam tomado para defender a cidade de qualquer conquista.  Na época de Naum, Nínive tinha um muro externo de quase 13 Km de extensão e 15 mts  de largura (três carruagens poderiam passar em sua largura lado a lado, o equivalente a 6 carros de hoje). Havia ainda um fosso de 45 mts de largura,  que poderia ser cheio quando as tropas inimigas ameaçassem a cidade. Outro recurso era uma linha de proteção por escudos cobertos de couro para desviar pedras e flechas.   O distrito administrativo da cidade tinha entre 50 a 100 km de um extremo a outro, eram necessários três dias para ser percorrida (Jn 3.3).
            Um de seus grandes reis, Senaqueribe, desviou o curso do rio, pois quando transbordava inundava a cidade e minava os alicerces de alguns palácios.  Também o represou para que a cidade tivesse água quando fosse sitiada, e fortaleceu os alicerces do templo. Havia um ditado na cidade "Nenhum inimigo jamais tomará Nínive de surpresa a menos que o rio se torne primeiro o inimigo da cidade".
            O profeta Naum avisou a queda de Nínive (1.1,8,10,11,14. 2.1,3-10; 3.1-7;11-19). Note os detalhes da profecia: haveria inundação; seria destruída num estado de embriaguez; cairia com facilidade; seria queimada; seria totalmente destruída e ficaria devastada.  
            Já que Nínive não deu atenção aos avisos, a tragédia anunciada aconteceu.
Como era a cidade dominante, Nínive tinha muitos inimigos e estes se uniram para derrotá-la: medos, babilônicos e citas.  Um historiador antigo (Deodoro da Sicília) narrou que o rei da Assíria não estava consciente do que estava ocorrendo com suas defesas, e estava acampado do lado de fora das muralhas, confiando em seus exércitos, e junto com estes começou a beber e a banquetear. Desertores contaram ao general inimigo a situação, este fez um ataque noturno e pegou o exército assírio desprevenido, causou pesadas baixas e os obrigou e recuar para a cidade.  Os exércitos estavam desorganizados e embriagados.  Vários ataques foram feitos, mas a cidade ainda resistiu por um tempo. 
Fortes chuvas provocaram uma inundação e o rio que atravessava a cidade e que tivera seu fluxo controlado por uma represa provocou brechas no muro da cidade, por estas o exército inimigo entrou.  O rei, acreditando que seu fim fora chegado, mandou colocar numa área do palácio suas riquezas e concubinas e mandou atear fogo no palácio inteiro. A cidade foi então destruída rapidamente (612  a.C.),   depois de um cerco de 3  meses.  Para uma cidade tão fortificada, ela caiu em pouco tempo, (certas cidades levaram 29 anos para se entregarem como Asdode).   A cidade foi saqueada, abandonada e se transformou num montão de ruínas.
Durante séculos Nínive esteve esquecida, nem se sabia onde ficavam suas ruínas. Mas no sec. 19 os arqueólogos descobriram os morros por baixo dos quais estava Nínive, algo tão grande que ainda hoje fazem escavações no local. Chegaram ao palácio que ainda tinha o entulho do incêndio, que chegava a 3 mts de altura.
Cumpriu-se Sf  2.13-15,  e ainda  hoje‚ Nínive é terra de escavações  e  pastagens  de rebanho, seu nome moderno  é "morro de muitas ovelhas". A Bíblia profetizou a queda de Nínive e ela ocorreu. O que aconteceu com Nínive foi escrito para nosso exemplo. Ela não escapou, e nós, se permanecermos no pecado, também não escaparemos.

Nínive não ouviu o aviso,
e por isso sofreu o juízo.
Para quem vive no pecado sem arrependimento,
e deixa os avisos de Deus no esquecimento
O resultado será: enfrentar Seu julgamento.

sábado, 24 de agosto de 2013

UMA PRESENÇA IMPRESCINDÍVEL PARA O SUCESSO NAS MISSÕES RECEBIDAS

Só vou se você for, se você não for eu também não vou. Estas frases são pronunciadas diante de tarefas que não nos sentimos capazes de realizar sozinhos, e solicitamos a ajuda de alguém conosco. 

Algumas vezes, a pessoa que nos dá a tarefa simplesmente nos diz “se vire”, e ela também se vira, mas para ir embora, e nos deixa sozinhos.
Lembro-me de um caso destes numa empresa onde trabalhei. Um recém-chegado ao trabalho recebeu algumas tarefas para realizar, mas precisava de ajuda. Então solicitou orientação para o funcionário que desempenhava a função antes dele. O que ouviu de volta foi “se vira”. O choque foi tão grande, que aquele moço chorou.
                Nosso Deus não age assim, pelo contrário, quando nos dá a tarefa, Ele também promete a Sua presença para nos dar o sucesso na tarefa.
                Vejamos alguns exemplos.
                Quando Deus deu a Josué a missão de levar o povo de Israel até a terra prometida, Deus lhe disse para ser forte e corajoso, e também lhe deu certeza de vitória, a razão era “Eu serei contigo”.Ordenou o SENHOR a Josué, filho de Num, e disse: Sê forte e corajoso, porque tu introduzirás os filhos de Israel na terra que, sob juramento, lhes prometi; e eu serei contigo.” (Deuteronômio 31.23). 
Este incentivo é repetido mais três vezes, indicando que Deus quis deixar claro para Josué que o sucesso estava garantido porque Ele continuaria presente. Em Josué 1.5 Deus reafirma tanto o sucesso da missão quando diz que ninguém faria uma oposição permanente a Josué, como relembra a razão deste sucesso: como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei, nem te desampararei. Isso seria por todos os dias da tua vida.  Mas Deus também afirma que Sua presença estaria com Josué, não apenas todos os dias, mas também em todos os lugares: o SENHOR, teu Deus, é contigo por onde quer que andares (Josué 1.9). Deus agiu para que todos os de Israel soubessem que como fui com Moisés, assim serei contigo (Josué 3.7).
Josué seguiu as orientações de Deus, dependendo de Sua presença e cumpriu a missão que recebeu (Josué 21.43-45)
Outra pessoa que também recebeu uma missão e a mesma promessa foi o rei Jeroboão em 1 Reis 11.38. A condição para Jeroboão ser bem sucedido era respeitar a presença de Deus, sendo obediente e seguindo as instruções Dele. Mas este caso terminou diferente do de Josué, pois Jeroboão resolveu seguir suas próprias táticas e não confiar em Deus, assim não foi bem sucedido na missão recebida. Ele não deu importância à presença de Deus (1 Reis 12.25-33 ; 13 e 14)
                Um terceiro exemplo ocorreu depois do exílio babilônico, quando Deus deu uma missão aos líderes de Israel: reconstruir o templo. E junto com a missão, a promessa: Eu sou convosco (Ageu 1.13). Havia muitos impedimentos para a reconstrução. Ameaças de outras nações, desinteresse do próprio povo de Deus, e falta de recursos. Isso poderia desanimar os líderes, mas Deus lhe anima dizendo: Ora, pois, sê forte, Zorobabel, diz o SENHOR, e sê forte, Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e tu, todo o povo da terra, sê forte, diz o SENHOR, e trabalhai, porque eu sou convosco, diz o SENHOR dos Exércitos; segundo a palavra da aliança que fiz convosco, quando saístes do Egito, o meu Espírito habita no meio de vós; não temais. A confiança na presença de Deus os levou a obedecer, e cumpriram a missão recebida.
Uma missão também foi dada aos discípulos de Jesus: fazer outros discípulos em todas as nações da terra (Mateus 28.18-20). Fico imaginando aquele pequeno grupo, ali na Palestina, ouvindo esta ordem. O que será que pensaram? Ou ainda, será que de fato entenderam o alcance da missão recebida? Como aquele pequeno grupo poderia levar uma mensagem sobre um Messias rejeitado ao mundo inteiro? Como enfrentariam os poderes religiosos judaicos? Como reagiriam diante do poder imperial romano? E os recursos viriam de onde? E a capacidade, pois não eram homens cultos, nem viajados? Eram galileus, considerados inferiores pelos próprios judeus. Como cumpririam esta enorme missão?
Mas havia uma promessa: E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.
Eles confiaram e obedeceram, e ainda no primeiro século o evangelho já havia chegado a quase todo mundo conhecido daquela época. A presença de Deus capacitou os discípulos a realizarem tão grande missão.
É a mesma presença que nos capacita e nos anima a continuar cumprindo esta missão. Cada um de nós, no lugar e na posição que Deus nos deu, deve permanecer fiel, confiando que Jesus permanece conosco, que o Seu Espírito nos capacita, e que a missão será cumprida. A Igreja será bem sucedida em anunciar o evangelho ao mundo, porque Deus se faz presente com ela. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

UM PRESENTE SEMPRE PRESENTE E QUE FAZ A DIFERENÇA


Num sítio aqui perto, as pessoas costumam se reunir à tardinha para conversar. Tratam de tudo nestas conversas, desde assuntos mais sérios, até coisas engraçadas. Um dia alguém decidiu fazer a conversa girar em torno da pergunta: o que me dá mais prazer? Um foi dizendo uma coisa, outro foi dizendo outra, até que um encerrou o papo dizendo que o que lhe dava mais prazer era ver uma visita pelas costas.
Se isso for verdade, é apenas em alguns casos, pois há visitas para as quais podemos aplicar a palavra presente em dois dos seus sentidos: (1) alguém que está conosco, e (2) algo que é doado para trazer felicidade a alguém. Há presenças que são presentes, elas fazem a diferença para melhor.
                Após um jogo de futebol, no qual certo jogador foi determinante para seu time vencer a partida, os seus companheiros disseram que, se aquele jogador estivesse presente em todos os jogos, o time teria um aproveitamento de cem por cento. Aquele jogador era um atleta diferenciado, sua presença era um presente para o time, pois ele fazia a diferença.
                Diferenciado tornou-se um termo que expressa um elogio. Quando nos referimos a alguém como diferenciado, estamos afirmando que ele é distinto, isto é, ele se destaca por ser melhor do que os outros naquilo que está sendo comparado.  Alguém que deseja melhorar certa situação diz “quero fazer a diferença”. quando se espera que outra pessoa torne a situação melhor, ouvimos “Ele pode fazer a diferença”.
Algumas pessoas querem que a vida seja diferente, mas não conseguem fazer a diferença. Elas acham que para a vida ser diferente é preciso que as outras pessoas mudem, os lugares sejam outros, os recursos sejam melhores e etc.
Como ter uma vida diferenciada? 
Uma vida diferenciada é resultado de uma Presença que é um Presente. O salmista diz que a presença de Deus é o que faz a diferença entre o medo e a coragem, pois, mesmo no vale da sombra da morte, ele não teme, pois Deus está presente (Salmo 23.4).
Esta verdade também nos foi mostrado por Moisés em Êxodo 33. 15.16. Após o episódio do bezerro de ouro, quando o povo de Israel quebrou a aliança que havia recebido de Deus, foi lhe ordenado que conduzisse o povo à terra prometida. Mas ele disse para Deus: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar. Em outras palavras; Só vou se o SENHOR for, caso contrário, não sairei daqui.
Moisés preferia ficar no deserto com Deus, do que ir para Canaã sem a presença Dele. Para Moisés, a presença de Deus tornava o deserto melhor do que a terra que manava leite e mel. A terra prometida não lhe atraía, se o Deus que a prometera não estivesse nela. Deus era o maior presente, não a terra.
Tanto as situações difíceis do deserto, como a teimosia daquele povo, tornavam-se suportáveis apenas com a presença de Deus. Ele já havia aprendido que o diferencial na vida, não era o lugar, nem as pessoas, mas a presença de Deus.  A qualidade de vida para ele não dependia das condições de lugar, nem de recursos, ou outra coisa qualquer, mas da presença de Deus.   
Ele confirma esta verdade dizendo: “E como se há de saber então, que eu e este povo achamos graça (favor) diante dos teus olhos? Não é por andares conosco, fazendo a mim e a teu povo distintos de todos os povos que estão sobre a face da terra? ”          .
A presença de Deus evidenciava Sua graça. Esta graça se manifesta supremamente não nas coisas que Ele nos dá, mas em Ele dar a Si mesmo para estar conosco. Sem a Sua presença, as Suas dádivas não nos servem. Sem Ele presente, Seus presentes ficam sem graça. A Sua presença é tudo que precisamos. Sua presença é Seu maior presente! Ele presente é o maior presente que devemos ansiar.
Esta mesma verdade foi afirmada para o apóstolo Paulo com outras palavras. Diante de uma situação de maus tratos e ofensas, produzidas por um enviado de Satanás, ele clamou a Deus por livramento. Fez isso três vezes e Deus lhe respondeu: A minha graça te basta (2 Co 12.9). Em outras palavras: Paulo, tudo que você precisa para estar contente é da minha graça. Ela é suficiente para lhe deixar satisfeito.
 O favor de Deus se manifestava em Sua presença no meio do Seu povo, e esta presença era o que tornava aquele povo diferenciado de todos os outros povos. O que era verdade para o povo também era para Moisés. A presença de Deus era o sinal de que Deus estava lhe agraciando, e fazendo-o distinto dos outros homens.
                Depois de uma sublime manifestação de Deus, mostrando o que Ele era, Moisés reitera sua afirmação da necessidade da Sua presença (Ex 34.5-9). Ele diz: Senhor, se, agora, achei graça aos teus olhos, segue em nosso meio conosco; porque este povo é de dura cerviz. Moisés reconhece que só poderia fazer a diferença, no meio daquele povo indiferente para com Deus, se Deus estivesse com ele. A presença de Deus é que faria a diferença.
                Moisés já havia experimentado como esta presença fazia a diferença e trazia graça para o povo.  Deus já mostrara no Egito que tratava o seu povo com distinção, quando o separou para que as pragas não atingissem, e o propósito era mostrar que Ele era o Deus Soberano sobre a terra (Ex 8.22; 9.4; 11.7).  Deus graciosamente levara os egípcios a doarem aos israelitas valores que compensassem o tempo da escravidão (Ex 11.2,3).
                Há outros exemplos de que a presença de Deus faz a diferença. Labão testemunha que havia recebido graça e benção por causa da presença de Deus na vida de Jacó (Gn 30.27). José era outra pessoa diferenciada. Em Gênesis 39 é afirmada por seis vezes a presença de Deus em sua vida, era esta presença que fazia a diferença.
                Também foi a presença de Deus que fez a diferença na vida de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego quando foram lançados na fornalha sobremaneira acesa, que matou os que os jogaram lá dentro, mas não fez nada com eles (Dn 3.22-27). Foi a mesma presença que fez a diferença na vida de Daniel, quando passou uma noite com leões famintos, que nada lhe fizeram, mas que devoraram seus inimigos (Dn 6.22-24).
A presença de Deus conosco é um favor que Ele nos concede. Um favor tão precioso que deve ser buscado com insistência, humildade e sinceridade. É esta presença que nos distingue das outras pessoas. A presença de Deus faz a diferença.  

quinta-feira, 4 de julho de 2013

UMA PRESENÇA NECESSÁRIA PARA VENCER OS DESAFIOS

O grupo de meninos avançava conversando animadamente. Cada um buscando sua vez de falar sobre seus feitos e se esforçando em ser ouvido sobre as expectativas de mergulhar e atravessar o rio. Aquela aventura era um verdadeiro desafio. No meio deles, um menino sem o mesmo entusiasmo. Nunca tinha conseguido a coragem para pular e atravessar o rio! 
Quando chegaram ao local, ele se assentou à margem, abraçando os joelhos junto ao queixo, contemplou os outros que gritando, saltavam e nadavam até a outra margem. Notava-se em seus olhos o desejo, mas em seu coração habitava o medo. Seria aquele um desafio invencível para ele? 
Um colega, um pouco mais velho, assentou-se ao seu lado e perguntou se ele não gostaria de pular. A cabeça balançou dizendo que sim. O colega então disse: se você pular eu pulo com você e fico do seu lado até você chegar ao outro lado. Um momento para pensar e vencer a dúvida. Animado pelo apoio do amigo, o menino se levanta e avança para enfrentar seu desafio. Pula, começa a nadar, o colega o acompanhou, nadando no mesmo ritmo do menino, de vez em quando dizia: coragem, eu estou aqui. Ao chegar do outro lado, havia uma dupla alegria, a do menino que vencera seu desafio, e a do colega que o ajudara. Mas o maior ganho fora o aprendizado que acompanharia aquele menino por toda a vida: é mais fácil enfrentar desafios, quando temos alguém que se coloca ao nosso lado e nos encoraja.
Desafios são as situações de dificuldades ou grandes problemas que enfrentamos e precisam ser vencidos ou superados.  Eles podem se apresentar como missões ou tarefas para as quais não nos sentimos capazes. Nestas ocasiões Deus garante a Sua presença e nos encoraja.
Foi isso que aconteceu com Moisés. Quando Deus o comissionou a enfrentar o Faraó e tirar o povo de Israel do Egito, ele simplesmente respondeu: Quem sou eu? Demonstrando que se sentia incapaz para enfrentar tal situação. Afinal, ele era apenas alguém já com oitenta anos, sendo que os últimos quarenta foram gastos pastoreando as ovelhas e bodes de seu sogro no meio do deserto! Além do mais, ele já havia fugido do Egito, e era procurado como assassino por lá. Inclusive, o próprio povo de Israel já o ignorara uma vez. 
Mas Deus o animou incentivou a aceitar o desafio. Só que o incentivo de Deus não veio de uma maneira que evidenciasse as capacidades, recursos ou talentos de Moisés. Deus não respondeu de modo que a estima própria de Moisés fosse elevada. Mas com uma simples palavra que garantia uma grande promessa: Eu serei contigo. (Êxodo 3.10-12). Foi como se Deus dissesse: Eu sei que você não é capaz, mas Eu estarei com você.  
E quando Moisés alegou que não era a pessoa adequada para se dirigir ao povo e a Faraó, pois não era eloquente, Deus lhe responde: Eu serei com a tua boca. (Êxodo 4.10-12). A presença de Deus era tudo que Moisés precisava para enfrentar os desafios da dureza do Faraó, da incredulidade de Israel e de sua própria incapacidade.
Outro caso é o de Gideão. Na primeira vez que o anjo do SENHOR lhe apareceu, ele estava moendo o trigo dentro de um lagar (tanque adequado para pisar as uvas) com medo dos midianitas, que na época dominavam o povo de Israel. Mesmo assim o anjo o chamou de homem valente, que seria equivalente a herói corajoso. Quando observamos as reações iniciais de Gideão não notamos essa coragem e valentia, pelo contrário, encontramos um homem cheio de dúvidas e medo. Mas a coragem e heroísmo vinham de outra fonte: a presença de Deus. A frase completa do anjo foi: O SENHOR é contigo homem valente (Juízes 6.12).
A comissão de Deus para ele soa até irônica: Vai nessa tua força e livra Israel das mãos dos midianitas. A força de Gideão era quase nenhuma, ou mesmo nenhuma que pudesse livrar Israel. Ele mesmo confessa que sua família era a mais fraca da tribo, e ele o mais insignificante da família. Deus concorda, e dá a real razão para a vitória: Porque Eu estou contigo, ferirás os midianitas como se fossem um só homem.(Juízes 6.14-16). Esta seria a força que Gideão precisava para enfrentar aquele desafio. Os acontecimentos subsequentes provaram que o sucesso não foi por causa da força de Gideão, mas por causa da presença de Deus.
                Ainda podemos citar o exemplo de Jeremias. Quando Deus o comissionou para ser um profeta às nações, ele respondeu dizendo que era apenas um menino e que não sabia falar. Mas Deus garantiu que Jeremias cumpriria completamente sua função e que ele não precisava ter medo: Porque Eu sou contigo. Deus disse que ele enfrentaria grande oposição, ficaria sozinho contra todos. Mas não seria derrotado: porque Eu sou contigo. Mesmo sendo apenas um menino, e estando sozinho, Jeremias seria como um muro de bronze para enfrentar os desafios, e a razão era a mesma: porque Eu sou contigo (Jeremias 1.8,19; 15.20). O sucesso de Jeremias foi devido à presença de Deus.
                A presença de Deus garantiu a vitória de Moisés contra Faraó, a de Gideão contra os midianitas e o sucesso de Jeremias profetizando contra as nações. A mesma presença está conosco para enfrentarmos os desafios da nossa vida. Não são os nossos recursos, nem a nossa capacidade, nem nossa inteligência, nem nossos talentos que nos darão a vitória, mas a presença de Deus conosco.
                Encorajados pela presença de Deus ao nosso lado, avancemos para os desafios que se apresentam a nossa frente. 

terça-feira, 18 de junho de 2013

UMA PRESENÇA QUE AFASTA O MEDO

O garoto sempre corria para a cama dos pais quando ouvia um trovão. Ali, tremendo, aninhava-se no colo do pai, e seu medo passava. Um dia, seu pai lhe explicou que não havia motivo para temer os trovões, pois quando estes ocorriam, o perigo já havia passado. O menino voltou para sua cama. Mas, quando trovejou mais uma vez, ele correu de novo para a cama do pai e disse: papai, não é que eu estou com medo do trovão, é que eu gosto de ficar perto do senhor.
                Esta história, engraçada e verdadeira, demonstra como o medo passa quando contamos com a presença de alguém em quem confiamos. É mais fácil enfrentar o medo quando acompanhados de presenças que podem nos defender: os pais, o irmão mais velho, colegas, autoridades, etc.
No salmo 23, o salmista confessa que não teme mal nenhum “Porque Tu está comigo”. Sua razão para não temer, mesmo quando passava pelo vale da sombra da morte, era a presença do Seu Pastor, o SENHOR.
 Esta é a parte central do salmo, e nela há uma transição: o salmista deixa de falar de Deus na terceira pessoa, e passa a dirigir-se a Deus, introduzindo o tratamento direto. A frase que afirma a presença do pastor está no centro da poesia. Literalmente ela poderia ser traduzida como “porque Tu comigo”, e transmite os conceitos de comunhão, companheirismo, experiências comuns no sofrimento e na prosperidade, ressaltando um relacionamento muito próximo.  Com ela o salmo nos ensina       que a presença do SENHOR afasta o medo, e nos dá segurança e coragem.
Deus prometeu sua presença para Seu povo, e fez isso em vários momentos.  Ele garantiu estar com os Seus em momentos de necessidades. Quando sobreveio um período de fome e escassez na terra que Isaque estava morando, Deus lhe disse: Eu serei contigo, (Gen 26.1-3).  E quando Isaque enfrentou a ameaça de falta de água, porque os inimigos entulhavam e contendiam pelos poços que ele cavava, Deus novamente lhe promete: Eu estou contigo, (Gen 26.15-24). Momentos de escassez e necessidades podem se tornar motivos para a presença do medo, mas a presença do SENHOR o afasta, e Ele prometeu estar com Seu povo nas horas da necessidade.
Ele também prometeu sua presença em ocasiões de perigo. Jacó recebeu esta promessa quando fugia de seu irmão, e anos depois ele testemunhou para sua família que Deus o acompanhara no caminho por onde ele havia andado, livrando sua vida da ameaça causada pela ira do irmão, e também dos resultados da fraude provocada por seu sogro. (Gen 28.15; 31.1-5; 35.3).
O povo de Deus no Antigo Testamento teria que enfrentar guerras contra seus inimigos, mas Deus prometeu a Sua presença com eles nestes momentos de perigo (Deut 20.1-4). Uma ocasião em que isso ficou patente foi em 2 Crônicas 20.1-17, quando o rei Josafá teve que enfrentar uma multidão que vinha contra ele. Mas, incentivados pela promessa de Deus, ele desafiou o povo a ficar firme, pois Deus estava com eles.
A mesma promessa foi feita para o povo de Deus quando estivesse no exílio babilônico (Isaías 43.1-5). Mas agora, assim diz o SENHOR, que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.  Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.  Porque eu sou o SENHOR, teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; dei o Egito por teu resgate e a Etiópia e Sebá, por ti.  Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida.  Não temas, pois, porque sou contigo; trarei a tua descendência desde o Oriente e a ajuntarei desde o Ocidente.
 Deus não prometeu que os seus não passariam pelas tribulações e problemas, claramente disse que experimentariam as muitas águas e o fogo, mas também deixou claro que estaria com Seu povo quando passasse por estas calamidades. Noé foi um que experimentou a presença de Deus no meio de muitas águas, e os amigos de Daniel viram a presença de Deus no meio do fogo (Gen 7; Dan 3).

E assim tem sido com as ovelhas do Senhor Jesus Cristo. Elas passam pelos vales de sombra e morte, atravessam as enchentes e o fogo; experimentam escassez e necessidades, lutam contra perigos e enganos. Em todas estas situações elas podem ter uma certeza: o Pastor, o SENHOR, está com elas, jamais as abandona.  Por isso, não temem, enfrentam as situações sem medo, armados com uma coragem e segurança que não vem delas, mas Daquele que está com elas.  

sexta-feira, 10 de maio de 2013

UMA CARTA PARA QUEM ESTÁ SOFRENDO


Há algum tempo recebi uma carta de uma senhora cristã que, juntamente com sua família, passava por intenso sofrimento. Na carta ela perguntava a razão daquele sofrimento. Esta é uma pergunta sempre feita: Por que os bons sofrem? Compartilho neste blog  a resposta que lhe escrevi.
Prezada irmã,
É difícil dizer com precisão as razões do nosso sofrimento. À luz da Bíblia podemos dizer que Deus faz uso do sofrimento para nos corrigir, fortalecer, testar nossa fé e testemunhar tanto aos homens como aos seres espirituais, o nosso amor por Ele, como foi o caso de Jó.
O sofrimento também pode nos preparar para missões que Deus tem para nós. Veja o exemplo de José (Gn 37-50). Homem fiel, que andava com Deus, mas passou anos numa cadeia, isto sem ter cometido nenhum crime, pelo contrário, a razão do seu sofrimento foi sua obediência. Deus estava preparando José para testemunhar Dele e ser instrumento salvador para Seu povo. Os alvos de Deus vão além de nosso conforto e bem estar neste mundo.
Pense em Noemi e Rute que passaram por sofrimento, viuvez, desamparo e pobreza que chegou ao estado de ter que depender de outros. Tudo isto para prepará-las para serem antecedentes do Messias. Não teríamos conhecido a história de Rute se não fosse o seu sofrimento (Rt 1-4).
Davi, mesmo fiel, teve que passar anos se escondendo no deserto, muitas vezes sem ter o suficiente para ele se seus acompanhantes. Deus o estava preparando para ser o rei de Israel 1 Sm 22-31).
Outro exemplo é o do paralitico que Jesus curou. Quanto sofrimento ele suportou! Mas era o meio preparado por Deus para que ele se encontrasse com Jesus e recebesse a graça da salvação (Mc 2.1-12).
Foi no exílio da ilha de Patmos que João teve a gloriosa visão do Apocalipse (Ap 1.).
Há muitos outros exemplos bíblicos.
É difícil saber a razão de cada sofrimento num caso em particular. Algumas vezes, nem aquele que está sofrendo sabe o motivo. Voltemos ao exemplo de Jó. Ele nunca soube por que passou por tudo aquilo. Para ele foi suficiente saber que Deus estava no controle e que Deus era sábio.
Nestas áreas não temos muitas certezas. Apenas algumas, e estas devem ser suficientes para manter a nossa fé. Quero compartilhar três certezas que se encontram em Romanos 8.
1ª certeza. A glória  futura será bem maior que o sofrimento do presente. Rm 8.18
Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.
Paulo claramente diz que tem a certeza de que o sofrimento presente nem se compara à glória que será revelada em nós. Uma verdade que ele já havia escrito de modo enfático em 2 Coríntios 4.16-18,
Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.
Apesar dos problemas externos, não podemos desanimar; porque a tribulação momentânea de agora vai produzir uma glória eterna no futuro, sem qualquer comparação; quando olharmos para trás vemos que a tribulação, por mais intensa, ainda foi leve, se comparada à glória que teremos; por isso não devemos nos concentrar apenas no que é visível, no que é temporal, mas no que Deus tem preparado para nós na eternidade.
2ª certeza. Deus faz todas as coisas cooperarem para o nosso bem.  Romanos 8.28,29.
Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
O verso 29 explica qual é este bem: ser semelhantes a Jesus. O grande alvo de Deus para nossas vidas, não é nosso sucesso aqui, não é uma situação confortável neste mundo, mas sim que sejamos semelhantes a Jesus, para então habitarmos na eternidade com Ele. Todos nós temos uma cota de sofrimento, que nos aperfeiçoa para sermos semelhantes ao Filho de Deus. Todos os homens de Deus passaram por sofrimentos, de uma maneira ou outra. A fidelidade deles não era uma troca pelas bênçãos de Deus, antes era a manifestação de sua fé amorosa e sua devoção para Aquele que é O Bem e Valor supremo do universo.  
3ª certeza. Nada nos afasta do amor de Deus, Romanos 8.38,39.
Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Não podemos medir o amor de Deus pelas bênçãos terrenas. Satanás vai nos tentar a medir o amor de Deus pelo tanto de conforto que Ele nos dá aqui. Muitas vezes nos comportamos como crianças e adolescentes imaturos, que medem o amor dos pais pelos presentes recebidos. A grande prova do amor de Deus já nos foi dada, Jesus Cristo (Rm 5.8). Por causa disto, nenhum sofrimento desta vida pode nos separar deste amor. Este é o maior amor que podemos ter.
Minha oração será que você se agarre nestas certezas, e que no meio deste sofrimento sua fé seja aperfeiçoada, passando no teste, mostrando que é mais valiosa do que qualquer bem deste vida (1 Pedro 1.7).

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