sábado, 4 de abril de 2020

POR QUE PESTES E PRAGAS? BUSCANDO UMA RESPOSTA NA BÍBLIA – PARTE 1


A Bíblia nos apresenta Deus como Aquele que tem o domínio de todos os seres, situações e circunstâncias. Nada, absolutamente nada, acontece sem Sua soberana permissão. Conforme é dito pelo Senhor Jesus Cristo, nem a morte de um pássaro pequeno e barato, isto é, quase sem valor diante dos homens, escapa do Seu controle. E quanto a nós, até todos os cabelos de nossas cabeças Ele os tem contado!  (Mt 10.29,30).  Nós podemos até negligenciar o nosso alimento, como os discípulos que esqueceram de levar pão para uma viagem, mas Deus não negligencia nenhum destes pequenos pássaros (Mc 8.14; Lc 12.6,7).

            Crendo nisso, temos que admitir que esta pandemia ocorre por Sua permissão soberana. Isso pode nos levar a perguntar: por que Deus permite isso?
            Não me sinto seguro para dar respostas quanto aos propósitos específicos de Deus em relação ao mal que o mundo enfrenta neste momento. Todavia, gostaria de examinar alguns textos bíblicos que apresentam situações semelhantes, verificando quais eram os propósitos de Deus para aquelas situações, e assim incentivar-nos à reflexão e ao discernimento. 
            A primeira vez que a palavra “praga” ocorre nas Escrituras é em Gênesis 12.17. Isso ocorreu quando Deus infligiu severas doenças ao Faraó e sua família porque ele havia tomado Sara, mulher de Abraão, para seu harém. O propósito de Deus nesse evento não é explícito, que até nos choca, porque o Faraó havia feito isso sem saber que Sara era esposa de Abraão. Mas, através de um evento semelhante em Gênesis 20.1-7 e do que é dito no Salmo 105, versículos 12-15, deduzimos que Deus fez isso para impedir a consumação do pecado e garantir que Seu plano de trazer um descendente através de Abraão e Sara fosse cumprido. A conclusão aqui é que Deus usa doenças para impedir pecados e garantir o cumprimento de Seu plano.
            O próximo evento que examinaremos é o que trata das pragas no Egito (Êxodo capítulos 5 a 14). O povo de Deus estava sob opressão. Moisés foi enviado para liderar a saída deles do Egito e comunicar ao Faraó que o SENHOR quer que o Seu povo deixe aquela terra para servi-Lo. Caso o Faraó se negasse a permitir a saída do povo de Deus, haveria pestes e violências. Mas o Faraó recusou-se a liberar o povo. Ele disse que não conhecia o SENHOR, não devia obediência a Ele, por isso não deixaria o povo ir (Ex 5.1-3). 
            Diante da pergunta do Faraó: Quem é o SENHOR? Deus decidiu apresentar Seu cartão de visitas e mostrar quem Ele é, tanto para o Faraó e os egípcios, como para o povo de Israel. Uma batalha para evidenciar quem estava no comando da terra foi travada. 
Deus agiu através das pragas para manifestar que ninguém há na terra semelhante a Ele. Os egípcios, apesar de servirem a vários deuses, não foram socorridos por nenhum deles. Deus mostrou que era superior aos deuses do Egito (Êxodo 9.13-16; 12.12). Deus mostrou aos incrédulos que Ele é o SENHOR (Ex 14.18).
Era crença no antigo Egito que o Faraó era deus, e que por causa dele a terra tinha ordem e não confusão. Portanto, quando Moisés chegou falando de outro Senhor, o Faraó não aceitou. Ele considerava aquela terra como sua. Era seu território. Ali mandava ele e nenhum Deus poderia lhe impor Sua vontade. Era necessária uma ação de proporção tal que evidenciasse para o Faraó e para seu povo que o Dono da terra era Deus. Através dos castigos infligidos aos oponentes, Deus mostrou que age nas forças da natureza para cumprir Seus propósitos. Ele manda sobre tudo, até sobre o coração do Faraó e a disposição dos egípcios (Ex 8.19; 11.10; 12.36).
O Faraó e alguns de seus oficiais manifestaram indiferença. Não quiseram levar a sério a Palavra de Deus, não se preocuparam em colocá-la no coração (Ex 7.23; 9.21). Na verdade, o Faraó até tentou negociar com Deus e permitir a saída do povo, mas queria que isso fosse feito de acordo com as suas condições, como se Deus fosse seu igual (Ex 8.25; 10.11,24). Mesmo vendo a ruína de todo o Egito, teimava em não ceder (Ex 10.7). Através das pragas Deus mostrou que Ele é o SENHOR sobre toda a terra, incluindo a terra do Egito (Ex 8.22; 14.17,18). 
Mas Deus queria também ensinar o Seu povo que a salvação é realizada por Ele, por Sua força e Seu poder (Ex 6.6,7; 10.2). Não poderia ficar nenhuma dúvida no coração dos israelitas de que sua vida, sua libertação e sua vitória dependeriam exclusivamente de Deus. Que se dependesse deles, todos teriam morrido escravos no Egito. 
Deus permite situações devastadoras para que os falsos deuses sejam desmascarados. Alguns de nós têm uma confiança quase idólatra na ciência e na tecnologia. Acreditamos que elas podem resolver todos os nossos problemas. Manifestamos uma convicção muito forte no progresso da humanidade. Há momentos em que até esquecemos que Deus existe ou que Ele seja necessário. 
Confiávamos que problemas medievais, como pestes, não mais se alastrariam em nosso meio. Afinal, conseguimos dominar a ciência. Cremos que somos capazes de desvendar a genética de todos os agentes eventualmente nocivos e nos defender deles. Mas, eis que, surge um vírus que nos humilha. Que nos faz ver que ainda precisamos voltar aos princípios rudimentares de uma vida saudável: lavar as mãos com água e sabão. 
Não dominamos a criação. Nossos deuses, aqueles nos quais confiamos para nos socorrer em situações como essas – ciência, medicina, governos, recursos financeiros, etc. – têm sua utilidade, mas são ineficazes para garantir aquilo que é mais básico na vida: segurança e saúde. 
Precisamos aprender que nossa vida está nas mãos de Deus. Que Ele é a nossa salvação, o nosso socorro. Precisamos nos humilhar diante d’Ele, saber que Ele é o Dono da terra e de nossas vidas.  Que Ele existe e está atuante.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

O QUE NOS ESPERA EM 2020?


             
Fazer previsões se tornou algo comum no início de cada ano. Isso alimenta tanto a curiosidade como o desejo humano de controlar o futuro. Lendo astros, cartas, búzios, bolas de cristal e outros artefatos, os videntes de nossa época, na maioria das vezes fazem generalizações quanto ao futuro. Se algum deles é mais preciso em suas conjecturas e estas não ocorrem, isso não os afeta, pois logo as pessoas esquecem e buscam novas suposições para o futuro. 
            Eu não sou vidente, nem profeta e nem filho de profeta, não sei ler cartas, nem búzios, nem astros e nem bola de cristal, mas procuro ler a Bíblia. E baseado no que ela diz, vou repartir algumas certezas que devem nos acompanhar durante este ano que se inicia. Estas não são apenas previsões, mas certezas que Deus nos revelou. É preciso dizer que estas certezas são válidas apenas para os que seguem o Senhor Jesus Cristo.  
A primeira é que teremos sofrimentos. Isso de acordo com as palavras do Senhor Jesus no evangelho de João 16.33 "Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo." O termo traduzido por “aflições” indica as várias dificuldades associadas aos problemas cotidianos. O mundo no qual vivemos é marcado pelo pecado e pela oposição a Deus. Estamos numa guerra entre o Reino de Deus e o reino deste mundo que se rebelou contra a autoridade d’Ele (Salmo 2). É ingenuidade esperar ausência de estresses numa guerra. Mas contamos com a promessa de Jesus de desfrutar de Sua paz, no meio das aflições. E que podemos ter ânimo apesar das adversidades, pois Ele já conquistou a vitória nesta guerra. Sua vitória sobre o reino deste mundo deve ser nossa fonte de ânimo.   
Além disso, Deus nos garante que os sofrimentos de agora nem se comparam as glórias do futuro. "Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós." (Romanos 8.18). Os sofrimentos daqui não chegam aos pés da glória que se manifestará naqueles que perseveram em seguir o Senhor Jesus. O Reino de Deus se revelará em esplendorosa glória, que tornará cada sofrimento daqui como um pequeno arranhão numa criança, que na hora chora como se fosse a maior dor do mundo. Mas depois que cresce, nem se lembra mais. 
Outra certeza garantida por Deus é que nem tudo que ocorrerá em nossa vida será confortável, mas cooperará para que aquilo para o que fomos criados se concretize em nossa vida: a imagem de Cristo em nós. "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos."  Romanos 8.28,29. Tudo que ocorrerá na vida daqueles que são discípulos de Jesus já tem sido planejado por Deus para cooperar para o bem deles. É necessário destacar que esse bem não é o sucesso financeiro, nem profissional, nem familiar, nem tão pouco uma boa saúde. O supremo bem que Deus almeja para nós é nos tornar semelhantes ao Seu Filho Jesus Cristo. Pois é nisto que está a nossa realização. Ser realizado é alcançar o alvo para o qual se vive. Nós fomos criados para refletirmos a imagem de Deus (Gn 1.26,27). Se você é um seguidor de Jesus, entre em 2020 sabendo que tudo que acontecerá em sua vida, foi programado por Deus para lhe deixar mais parecido com Jesus Cristo. 
            Uma terceira certeza é que teremos perdas em 2020, mas aquilo que nos é de maior valor nós não perderemos. Teremos desde perdas mais simples, como fios de cabelo, dentes, força, (alguns só não perderão peso!), até perdas mais significativas como bens, saúde e amizades. Nossa reação diante de cada das perdas depende do valor que atribuímos a elas. Quanto mais valiosa elas forem para nós, mais dor e desespero a perda causará. Um consolo que podemos ter diante das perdas é se algo de maior valor permaneceu. Diante de um acidente que causa a perda de um carro, alguém pode dizer: mas graças a Deus escapamos com vida. Sendo assim, as perdas que teremos não nos causarão desespero, porque nosso mais importante valor estará garantido. "Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." (Romanos 8.38,39). Nosso maior patrimônio é o amor de Deus, e temos a certeza de que nós nunca o perderemos. Quando as perdas ocorrerem poderemos dizer: graças a Deus ainda temos o amor d’Ele. 
            E por último, temos a certeza de que a misericórdia de Deus se renovará todos os dias de 2020. Pode ser que em alguns dias deste ano o sol não brilhe em nossas vidas, que sejam dias sejam nublados, escuros, frios, solitários e tristes. Mas a graça de Deus nascerá nova em cada dia sobre a vida daqueles que seguem a Jesus.  "As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade."(Lamentações 3.22,23).
            Em 2020 nos aguardam aflições, problemas, sofrimentos, desconfortos e perdas, e também nos esperam a paz de Cristo, a vitória de Cristo, o ânimo de Cristo, o plano sábio de Deus, o amor de Deus e a graça de Deus sempre se renovando em nossas vidas. Somente isso garante um feliz 2020!

sábado, 19 de outubro de 2019

E QUANDO A OBEDIÊNCIA A DEUS NOS COLOCA NO OLHO DO FURACÃO?

Já passava das três da manhã e eles estavam exaustos, molhados e com frio. Afinal, há mais de doze horas que remavam no meio daquela tempestade, com muito pouco progresso. Experimentavam sensações bem diferentes das da tarde do dia anterior, quando Jesus estava com eles e solucionou um enorme problema:  alimentar uma grande multidão com apenas cinco pãezinhos e dois peixes. 

Fora um momento empolgante. Eles serviram como garçons, organizando as pessoas em grupos de cem e cinquenta e depois distribuindo os pães e peixes multiplicados por Jesus! Só homens foram cerca de cinco mil! Se contassem as mulheres e as crianças passaria de quinze mil pessoas. Todos comeram, repetiram até se fartarem e ainda sobraram doze cestos cheios de pedaços!
Só que, depois disso, Jesus interrompeu toda a empolgação empurrando-os para entrarem em um dos barcos e atravessarem sozinhos de volta para Cafarnaum, enquanto o próprio Jesus permanecia despedindo a multidão. Eles tinham obedecido Jesus, e agora se encontravam no meio de uma tormenta!  
Se algum de nós estivesse observando os discípulos naquela situação, talvez se perguntasse: O que será que eles fizeram de errado? 
Quando os problemas afligem alguém de modo que a pessoa, apesar de todos os seus esforços, não consegue avançar, logo julgamos que ela tenha feito algo errado. Perguntamos:  Qual deve ter sido o seu pecado? Em que ela desobedeceu a Deus? Esquecemos de que, algumas vezes, a obediência a Deus pode colocar alguém em grandes dificuldades. Como foi o caso dos discípulos (Mateus 14.22-34; Marcos 6.45-52; João 6.15-21). 
            Após a multiplicação dos pães, Jesus compeliu seus discípulos para entrarem num barco e atravessarem o mar da Galiléia, enquanto Ele despedia a multidão. Depois subiu ao monte para orar. A chegada da noite encontrou os discípulos navegando no meio de um mar enfurecido tocado por fortes ventos e altas ondas.       
Os discípulos estavam no meio de uma tribulação exatamente porque haviam obedecido a Jesus. A ideia comunicada pelo verbo “compelir” é de obrigar mediante constrangimento ou uso de força. De alguma maneira Jesus havia ordenado que os discípulos tomassem o barco e fizessem aquela travessia. Ao fazer a vontade de Jesus eles foram colocados no olho da tempestade. Nem sempre os problemas enfrentados pelas pessoas são causados por desobediência. Algumas vezes a obediência a Deus nos coloca em situações extremamente complicadas.
            Por que Jesus agiu daquela maneira?
O contexto conta que ao presenciar o milagre da multiplicação e comer até ficar farta, a multidão entusiasmou-se, e creu que Jesus era o profeta que havia sido prometido por Deus em Deuteronômio 18.15,18. Afinal, profetas do passado, como Elias e Eliseu, também já haviam multiplicado alimentos e saciado pessoas! Além disso, alguém com aquele poder e capacidade para resolver problemas só poderia ser o Rei prometido, que libertaria o povo de Deus. E logo a multidão desejou tomar Jesus à força e coroá-lo rei. 
            Embora o conceito de que Jesus era o Profeta e Rei prometidos estivesse correto, a aplicação estava errada. Agiam por conta própria e não seguiam a direção de Deus. Não haviam compreendido que naquela primeira vinda, o Rei viera como servo, não para saciar a fome de pão material, mas a fome da justiça de Deus. Ainda não tomaria o trono, mas uma cruz. Sua coroa seria a de espinhos e não a de ouro, morreria pagando pelos pecados do povo e não receberia as honras de rei. 
            Se aquela pretensão do povo se concretizasse, uma revolução contra o Império Romano estaria começando e os resultados poderiam ser trágicos. O conceito que os discípulos tinham era semelhante ao da multidão. Havia o risco de também se empolgarem com a ideia e acompanhar aquele projeto, abandonando o plano de Deus. Os discípulos nem haviam percebido, mas Jesus os livrara de um grande perigo. Ao empurrá-los para o barco os impedira de sofrer um mal maior: o afastamento da vontade de Deus. 
Quando algo não dá certo, não sai de acordo com o que você planejou, não satisfaz suas expectativas, e essa situação não foi causada por erro seu, pois você fez o que devia, não se culpe, nem reclame de Deus. Ele continua cuidando de você e pode estar livrando você de algo pior.  Sossegue o coração, entre no barco e enfrente a tempestade sem jamais esquecer de que “até os ventos e o mar lhe obedecem”
Aprendamos com Jesus que, muitas vezes, depois de grandes momentos de alegria, o recolhimento talvez seja a melhor saída.  A glória do mundo pode nos seduzir, atrair, enfeitiçar e distrair-nos do propósito que Deus.   A multidão nos apoia para o seu próprio bem e não porque está querendo a vontade de Deus. Algumas vezes é necessário ficar sozinho com Deus.  
Pessoas que querem pressionar-nos a ir numa direção contrária à de Deus não nos entendem. Maiores pressões podem vir dos mais próximos de nós, nem sempre porque querem o nosso mal, ou porque nos odeiam, mas porque pensam erradamente quanto ao que é bom para nós.  Vamos deixá-los de lado com suas expectativas erradas por um momento, passemos um tempo a sós com o Pai para ouvir apenas a voz d’Ele e sentir Sua pressão. Isso conservará a paz no coração em meio às tormentas da vida!

sábado, 21 de setembro de 2019

GASTANDO-SE E DEIXANDO-SE GASTAR



            Se fosse outro, já teria desistido daquela gente! Já lhe tinham causado tantos problemas!
A igreja deles ficava numa cidade grande, capital da província da Acaia, com cerca de seiscentos e cinquenta mil habitantes. A cidade estava numa posição privilegiada, pois ligava por terra dois importantes portos, evitando uma perigosa viagem marítima de trezentos e vinte quilômetros. Tinha um comércio próspero e, nela, eram realizados os jogos Ístmicos de dois em dois anos, em honra ao deus Poseidon. 
Atraía gente de todos os lugares e, por isso, era um caldeirão multicultural, onde as pessoas olhavam mais para o moderno e pouco se arraigavam às tradições. A religiosidade era intensa. Havia, ali, 12 templos, entre eles o da deusa Afrodite, cujas mil sacerdotisas, no final de cada tarde, desciam do templo para a cidade para vender seus corpos, em forma de culto ao sexo. Além disso, a mobilidade da cidade incrementava a imoralidade. Hoje, temos o verbo europeizar que significa adotar costumes e usos próprios da Europa. Naquela época, era usado o verbo corintianizar, formado com o nome da cidade. Esse verbo tornou-se sinônimo de fornicação. Estamos falando da cidade de Corinto.
Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça. Em sua segunda viagem missionária, depois de ser escorraçado sucessivamente de três cidades na Macedônia, Paulo passou um tempo solitário em Atenas e seguiu para Corinto, em fraqueza, receoso e trêmulo (1 Co 2.3). Ali, encontrou Áquila e Priscila, um casal de crentes que, como Paulo, eram fabricantes de tendas.  Por isso ficou morando e trabalhando com eles. Depois da chegada de Silas e Timóteo, seus companheiros, Paulo dedicou-se, exclusivamente, à pregação da Palavra (At 18.1-5). Apesar da forte oposição, Deus o animou dizendo-lhe que tinha muito povo naquela cidade.  Como o número de salvos aumentava, Paulo fixou a reunião dos convertidos numa casa e permaneceu um ano e meio na cidade.
            Mesmo depois de partir, a ligação de Paulo com a igreja de Corinto continuou. Enquanto se ocupava na evangelização de Éfeso e arredores, Paulo teve que lidar com vários problemas surgidos na igreja de Corinto, praticamente pastoreando a igreja de longe, fazendo uma visita e escrevendo pelo menos quatro cartas. Os problemas daquela igreja eram muitos. Mau testemunho de alguns que se diziam crentes, mas praticavam a imoralidade, criação de facções internas, imaturidade, insatisfação com a liderança de Paulo, litígio entre os irmãos, abusos durante a celebração da ceia, conceitos errados quanto aos dons espirituais e heresias quanto à doutrina da ressurreição. Paulo escreveu respondendo uma carta da igreja que pedia esclarecimentos sobre casamento, carne sacrificada aos ídolos e uso do véu. Resolver problemas nos desgasta e esgota. Mas, Paulo não desistiu deles! O futuro da Igreja de Cristo estava em jogo.  
            Enviou-lhes Timóteo, mas este detectara uma forte oposição na igreja. Isso provocou uma visita imediata de Paulo, que lhe causou muita tristeza (2Co 2.1). A igreja se omitia diante dos acusadores. Ele parte carregado de aflição e é acusado de instável.
 Tito é enviado com uma carta escrita no meio de muita aflição. Enquanto aguardava a chegada de Tito com notícias, Paulo enfrenta forte tribulação em Éfeso, chegando a desesperar da própria vida (2Co 1.8). Chegando em Troâde e não encontrando Tito, não conseguiu tranquilidade suficiente para aproveitar a oportunidade que surgira ali. Seguiu para Macedônia, Tito chegou e as notícias foram boas. Com isso, a tristeza de Paulo transformou-se em euforia (2Co 7,6). Mas, logo depois novos informes noticiaram que outros falsos apóstolos chegaram a Corinto com novas acusações contra ele. 
Mas, apesar de todos estes problemas, ele não iria desistir daquela gente. Eu porém, de boa vontade me gastarei e serei gasto em prol da alma de vocês. Eu amo intensamente vocês. (2Co 12.15).
Ele iria gastar sua vida, tal como outros gastavam dinheiro (Mc 5,16; Lc 15.14). Não apenas gastaria, mas se deixaria gastar. Um gasto de sua própria vida em prol das almas daqueles irmãos que lhe causavam problemas e aflições. Este gasto seria de boa vontade, isto é, alegremente, cheio de disposição, sem colocar nenhum impedimento ou hesitação em gastar. E faria isso porque seu amor por eles era intenso.
Estamos dispostos a gastar nossas vidas e permitir que nos gastem em prol da salvação de almas?  Iremos nos gastar para resolver problemas que não foram causados por nós mas que podem causar prejuízo para a Igreja de Cristo? Estamos dispostos a sermos desgastados por pessoas que muitas vezes não valorizam nosso gasto?  Gastaremos nossa vida e nos deixaremos gastar por pessoas que não estão dispostas a nos recompensarem?  Faremos isso com disposição alegre, por sabermos que disso resultará frutos eternos? 
Isso depende do quanto amamos, pois quem ama intensamente, gasta-se e permite-se gastar por aquilo ou aqueles a quem ama. Mães gastam-se e deixam-se gastar pelos filhos a quem amam! Pessoas se gastam e se desgastam por uma causa pela qual se sentem apaixonadas!    
 Quer queiramos ou não, estamos gastando nossa vida e nossa vida está sendo gasta. Isto é inevitável. A questão é: Com que vamos gastá-la? Com efemeridades, que também se gastarão queimadas na fogueira do tempo? Ou com valores que resistirão e permanecerão por toda eternidade? Gastaremos nossa vida pelas almas, pela Igreja de Cristo, pelo povo de Deus, que permanecerão para sempre? 

domingo, 18 de agosto de 2019

A PERGUNTA NECESSÁRIA




dúvida,boy,doubt,vector Por que isso aconteceu comigo?
Esta é a pergunta mais comum, quando somos atingidos pelas tragédias da vida. Em geral, não queremos apenas entender a razão do ocorrido. Ansiamos por saber por que foi exatamente conosco e não com outros.          
O problema é que raras vezes temos uma explicação satisfatória para as tragédias e sofrimentos de nossa vida. E quando encontramos alguma explicação, ela não tem o poder de consertar o estrago causado e, portanto, dificilmente ajuda-nos a conviver pacificamente com o resultado da tragédia. Além disso, a pergunta esconde a crença de que, sabendo as causas, poderei evitar novas tragédias. Isso revela o desejo de controlar nossas vidas. 
            Por isso, penso que a pergunta adequada seria: Como reagir diante da tragédia? Como devemos nos comportar? Como deve ser nossa vida depois dela?
           Na busca de resposta a essas perguntas, convém analisarmos o comportamento de um homem que enfrentou uma enxurrada de tragédias: Jó. 
            Vivendo uma vida justa, agradável e cheia de prosperidade, de uma hora para a outra, Jó se viu vazio de tudo. Todos os bens levados por bandos inimigos, ou consumidos por uma tempestade de fogo, e todos os filhos mortos por um forte vento que derrubou a casa onde estavam. Estas trágicas notícias chegaram-lhe uma atrás da outra, sem lhe dar um mínimo de tempo para se recuperar (Jó 1.13-19).  
            Como Jó reagiu? Com sua tristeza adorou a Deus (Jó 1.20-22). 
            Tornou-se comum em nossa cultura, não suportar a tristeza. Queremos a alegria e até pagamos por ela.  Essa perspectiva contaminou nosso modo de adorar a Deus. Pensamos que só podemos adorar verdadeiramente na euforia dos momentos alegres. Mas Jó e vários salmistas depois dele nos mostram que devemos adorar não só na tristeza, como também COM nossa tristeza (Sl 42,43).
            Jó manifestou sua tristeza de acordo com a cultura de sua época: rasgou seu manto, rapou o cabelo e prostrou o rosto em terra. Mas nesta tristeza e com sua tristeza, ele adorou. 
            E como foi sua adoração? Ele se curvou diante de Deus, reconhecendo Sua soberania e declarou que tudo na vida era um dom. Seus bens e filhos não lhe eram direitos agora negados, mas doações imerecidas, que graciosamente lhe foram concedidos por Deus para serem desfrutados por um tempo. Eram presentes temporários, não eternos.  
Tragédias são choques de realidade que nos ajudam a perceber que não teremos para sempre nem os bens materiais e nem as pessoas que amamos. Mais cedo ou mais tarde elas nos deixarão, ou nós as deixaremos. 
            Em sua adoração, Jó confessou que o doador fora Deus e que, de modo soberano, Ele tinha o direito de tomar.  Este reconhecimento é adoração que pode coexistir com a tristeza e sua manifestação. Não é pecado chorar, lamentar nem manifestar tristeza, desde que reconheçamos que nosso Deus é o Soberano doador de todos os bens que possuímos. 
            Após essas tragédias, Jó perdeu a saúde e o apoio da esposa, mas não perdeu seu caráter. A aflição não modificou sua convicção. A esposa reconheceu que ele ainda se agarrava a sua integridade. Ela propôs que ele amaldiçoasse a Deus e se entregasse à morte. Enxergo nesta proposta a intensa aflição daquela mulher! Ela se aflige pela perda dos filhos e bens e com o sofrimento de seu marido. Diante disso, anseia que ele fique aliviado daquela angústia.  Antes de julgá-la, convém sermos compreensivos. Somos muito mais parecidos com ela do que com Jó. Queremos ver-nos livres do nosso sofrimento do modo mais rápido, ainda que isso contrarie nossas convicções e macule nosso caráter. Achamos que o alívio, mesmo que custe nossa fé, vale a pena. 
O conselho dela não é sábio e Jó claramente afirma isso. Ele também queria libertar-se de seus sofrimentos, mas sem perder sua fé em Deus. Para ele não valia a pena não sofrer se isso incluísse a perda da fé. A fé em Deus era, para ele, um bem mais valioso que uma vida confortável e sem sofrimento. Sua resposta para a esposa é uma declaração de fé das mais sublimes: 
            Deus nos deu o bem, e nós recebemos.
            Deus tem nos dado o mal, e devemos também receber. 
            Só a fé em Deus faz isso.
Jó perdeu também os amigos. Em um primeiro momento eles estavam tão aturdidos com o sofrimento, que ficaram sem palavras! Depois falaram o que não deviam, culpando Jó por aquele sofrimento. Além do fardo da tristeza, os amigos de Jó queriam que ele carregasse o da culpa. Afirmaram que se ele confessasse seus pecados, tudo voltaria ao que era antes. Mas Jó sabia que isso era mentira. Era mais uma saída fácil e errada que contrariava sua fé. 
Ele atravessou solitário todo o seu sofrimento, armado apenas com sua fé em Deus. E essa companhia foi o suficiente.  Para Jó, sua fé era mais valiosa que seus filhos, esposa e amigos. Era seu maior bem. Foi intensamente sofrido perder os filhos, não ter o apoio da esposa, ser acusado pelos amigos. Mas, seria eterna e irremediavelmente doloroso perder a fé. Se você perdeu tudo nesse mundo, menos a fé em Deus, você não perdeu nada.
Como se continua a viver depois de uma tragédia? Como levantar a cada dia e, acompanhado de intensa dor, enfrentar a vida? Mantendo a fé em Deus. Dando um passo de cada vez, e confiando naquele que tudo sabe, tudo pode e tem todo amor para nos confortar. 

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

A FALTA DE EXPLICAÇÃO É PARTE DA EXPLICAÇÃO


            Esse mês de julho demorou a passar! Talvez você pergunte: como assim? Ele não teve o mesmo tanto de dias que outros meses? Sim, mas não medimos o tempo apenas de modo cronológico pelo tanto de dias e horas que passam. Medimos também subjetivamente, pelos acontecimentos vividos ou presenciados nos intervalos temporais. É a percepção emocional do tempo. Acontecimentos alegres dão a impressão de passarem rápido demais. São visitantes que partem cedo, deixando saudades. Gostaríamos que se demorassem mais um pouco. Por outro lado, acontecimentos tristes, parecem demorar uma eternidade para passar. São visitas enfadonhas e maçantes, que gostaríamos que fossem embora logo. Ficamos com a sensação de que o sofrimento nunca vai acabar. Nesse sentido, esse julho foi comprido! Tivemos várias perdas, algumas trágicas!
Quando nos deparamos com uma tragédia, ficamos confusos, perplexos, sem entender. Buscamos uma explicação, algo que possa ser razoável o suficiente para aliviar, nem que seja por um pouco a nossa intensa angústia. Qual seria a explicação?
            Como explicar que jovens inteligentes, talentosos sejam colhidos como flores viçosas antes de se transformarem em frutos? Como explicar que pessoas dedicadas a Deus, ansiosas por continuar servindo e testemunhando, partem desta vida? 
            A explicação está além de nosso alcance. Qualquer elucidação de nossa parte será mera conjectura. Parafraseando o famoso escritor: há mais coisa entre o céu e a terra do que imagina as nossas explicações. Mas, na ausência da explicação, já temos uma explicação.
            Essa é uma das lições que o relato de Jó nos ensina. Creio que sua história é bem conhecida. Um homem com uma família exemplar, próspero, justo, íntegro, fiel a Deus em todas as áreas da vida, elogiado pelo próprio Deus, enfrentou terríveis e simultâneas tragédias. A perda de tudo de modo repentino, culminando com a morte dos dez filhos soterrados sob a casa em que estavam para um encontro fraterno e festivo. Algum tempo depois, perdeu também a saúde, a compreensão da esposa e a simpatia dos amigos. Ficou sozinho em seu sofrimento! 
            Solidão que foi aguçada pela sensação da ausência de Deus! Esse foi seu maior sofrimento: o silêncio de Deus. A saudade que sentia de Deus lhe consumia (Jó 19.27). Deus não lhe respondia as orações, não lhe dava explicações. Ele clamava, mas parecia que Deus nem se importava. Ele, que havia desfrutado de alegre comunhão, como servo fiel que era, sentia-se abandonado por Aquele que poderia, não só lhe explicar tudo que estava acontecendo, como lhe trazer esperança e consolo!
            Esta é a grande reclamação de Jó no decorrer do livro!
            Mas, Deus estava presente, e bem presente, embora Jó não percebesse. Ele ouviu e avaliava tudo que Jó e os amigos de Jó falaram (Jó 38.1,2; 42.7). Mas por que Deus não respondia e explicava? Será que Ele não amava Jó o suficiente para aliviar o sofrimento dando algumas explicações? Ou será que Deus não tinha explicações para dar? Ou se tinha, não tinha poder para acessar Jó? 
            Deus tinha todas as explicações. Ele poderia na hora em que quisesse interromper o sofrimento de Jó e explicar tudo. O próprio Jó reconheceu que Ele tudo pode(Jó 42.2). Deus amava seu servo Jó intensamente. E porque o amava, não explicava. 
            Deus estava vindicando Seu caráter e o de Jó. Queria deixar claro que Ele conhece bem os seus, e que Jó o servia com sinceridade. Para isso era necessário deixar Jó sofrer sem que soubesse a razão. 
            A falta de explicação fazia parte da explicação! Se a razão ficasse clara, a fé não seria tão testada!  Era necessário que Jó suportasse seu sofrimento sem conhecer os motivos, e demonstrasse que, com ou sem explicações, ele continuaria crendo e servindo ao seu Deus.           
           E foi isso que ele fez. Declarou de modo inconteste que não importaria o que Deus fizesse com ele, ele ainda esperaria em Deus.  
           Mesmo quando falou, Deus não explicou a razão das tragédias na vida de Jó. Apenas argumentou que Jó não sabia de tudo, mas Ele sabia e governava todas as coisas com sabedoria (Jó 38-41). Nós, leitores do livro, sabemos a razão do sofrimento de Jó, mas o próprio Jó não soube, mas creu!
         Jó foi aprovado em um teste em que não precisava de explicações sobre os motivos, mas apenas confiar em Deus. 
Não saber não foi empecilho para crer.  A falta de explicações para as tristezas e perdas da vida testa nossa fé e nos dá a oportunidade de exercitar nossa confiança em Deus. Vamos continuar confiando mesmo sem entender? 
            Jó passou no teste, e nós?

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

NADA É GRANDE DEMAIS PARA DEUS E NINGUÉM É PEQUENO DEMAIS PARA ELE

Aprender os pronomes de tratamento, normalmente ajuda-nos ao nos dirigir às pessoas. Mas há situações nas quais não sabemos se o tratamento deve ser formal ou não. Por exemplo: ficamos constrangidos de chamar uma mulher de “senhora” e ela reclamar que a estamos tratando como uma idosa. Por outro lado, não nos sentimos à vontade para chamá-la de “você”, pois ela poderia interpretar que estivéssemos tomando uma liberdade indevida. 
Podemos enfrentar uma situação semelhante no tratamento com Deus. Por considerá-lo um Ser inigualável, supremo e grandioso, nós O tratamos de um modo respeitoso, mas com medo de nos aproximar com intimidade. Ou podemos achá-lo tão amável e próximo a nós, que nos dirigimos a Ele como se fosse nosso “pareceiro”, sem nenhum respeito, eliminado a distinção que existe entre Ele e nós. 
  Na teologia há dois termos que tentam manter em equilíbrio a distância e proximidade de Deus, a intimidade e o temor devido a Ele. São eles: transcendência e imanência. Tais termos descrevem a ação de Deus em relação à Sua criação.    O primeiro expressa a ideia de que Deus é infinitamente superior a nós, soberano e exaltado, e o segundo que Ele está próximo de todos nós. Ele tanto é o Deus de longe, como o Deus de perto (Jr 23.23). O salmo 113 expressa estas duas verdades.
O salmo é emoldurado pela palavra “Aleluia”, que aparece no início e no fim e significa “Louvai ao SENHOR”, pois na língua na qual o salmo foi originalmente escrito ela é formada pelo verbo “louvar” e uma contração do nome pessoal de Deus (“Jeová” ou Javé”, que nas nossas versões da Bíblia normalmente é grafado com SENHOR, com todas as letras maiúsculas).
O salmista faz um convite ao louvor. Louvar é manifestar apreço, admiração diante das virtudes ou ações de alguém. É elogiar. No caso de Deus é reconhecer Seu Supremo valor e honra. Expressar sua importância contando quem Ele é e o que Ele tem feito. Isso acontece quando mencionamos Suas virtudes e feitos (Sl 78.4). 
O louvor ocorre nas nossas orações, no que testemunhamos aos outros, nos cânticos, nas ações de graças e na música que tocamos e cantamos. Para ser um louvor tem que ser com alegria e de modo público. Pois admiração não expressada não se torna elogio. 
A razão dada pelo salmista para o louvor é que Deus é Transcendente e Imanente.   Deus é excelso, acima de toda criação, soberano sobre tudo, está situado no lugar mais alto, acima dos céus, inigualável. Isso enfatiza Sua santidade, isto é, que Ele está separado de tudo o mais, não precisando de nada nem de ninguém. Que Ele basta a Si mesmo. Está tão acima de tudo que precisa se abaixar para ver o que está no céu!
Mas esse mesmo Deus se interessa e se relaciona com Sua criação. Ele se abaixa até o pó para levantar o desvalido, aquele que é considerado sem valor, rejeitado e sem socorro de ninguém. Ele vai até o monturo, o lixão da vida, para buscar o necessitado. Ele é o Grande Deus, mas também é o Deus que se importa e acode o necessitado. É o Deus que por ser grande pode mudar as situações, trazendo honra aos desonrados e alegria aos tristes.  Mesmo sendo um governador que poderia ser intocável, Ele bondosamente se inclina, verifica e age, invertendo situações e abençoando a terra. 
A transcendência e a imanência, junto com o poder e a graça de Deus são os pilares da oração. Apenas um Deus transcendente e poderoso merece a nossa oração, sabe o que fazer com nossas petições e pode receber nossa gratidão e nosso louvor. Somente um Deus imanente e gracioso vai se interessar por nossos problemas. Como um pai, que se inclina para ouvir os problemas que angustiam seu pequenino filho, mesmo que, para esse pai, aqueles problemas sejam bobagens fáceis de serem resolvidas. Mas ele sabe demonstrar interesse real e amoroso. 
O Salmo nos demonstra que a teologia pode ajudar na oração e fortalecer nossa confiança em Deus. Quanto mais conhecermos nosso Deus, mais iremos confiar Nele. Nada é tão grande como nosso Deus, e ninguém é pequeno demais para Ele não se importar. Ele não precisa de nós, mas nem por isso é indiferente a nós. 

Podemos clamar a Ele com confiança. 

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...