segunda-feira, 28 de abril de 2008

Intensificando nossas orações

Orar e meditar nas Escrituras são deveres diários de cada cristão. A própria Bíblia nos exorta a meditarmos diariamente (Sal 1.2) e a orarmos sem cessar (1 Tes 5.17). Mas há épocas em nossas vidas nas quais precisamos intensificar nosso contato com Deus. Isto aconteceu na vida de Moisés para receber a Palavra de Deus na primeira vez e na segunda para interceder pelo povo (Ex 24.12-18; 34.28,29). Elias, quando desanimado diante da perseguição de Jezabel passou 40 dias caminhando (1 Reis 19.1-18). Daniel aplicou-se a oração por 21 dias para compreender a mensagem da Palavra de Deus (Daniel 10.1-3,12,13). Neemias quando soube da situação da cidade de Jerusalém passou três meses orando (Neemias 1.1-2.1). O próprio Jesus Cristo, guiado pelo Espírito Santo, passou 40 dias no deserto, antes de iniciar seu ministério (Lucas 4.1-13).
Os resultados na vida destes homens foram fantásticos. Moisés quando desceu do monte brilhava, irradiando a glória de Deus, manifestando a autenticidade da revelação recebida. Elias teve uma nova percepção dos modos de ação de Deus e foi reanimado para continuar com missão que Deus lhe dera. Daniel recebeu entendimento das revelações de Deus. Neemias teve a oportunidade de reconstruir os muros de Jerusalém. E Jesus venceu Satanás.
Nós também precisamos selecionar algum tempo para intensificar nossa busca por Deus. Assim poderemos refletir melhor sua glória, ganharmos novo ânimo para cumprirmos a missão que Deus tem para nós, entendermos melhor as Escrituras, realizarmos uma obra específica, e vencer as tentações de nosso inimigo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

OS CISNES CANTAM MAIS DOCEMENTE QUANDO SOFREM


As palavras do título desta postagem vieram do livro "O Sorriso Escondido de Deus", de John Piper (pg. 9).
Tanto a Bíblia como a natureza nos ensinam que o sofrimento pode nos fazer cantar melhor. Nos sofrimentos os cisnes cantam com mais doçura. No Brasil temos o exemplo do pássaro Assum-Preto, que depois de ter seus olhos furado passa a cantar o dia todo.
A mesma verdade pode ser aplicada à Davi, o doce salmista de Israel (2 Sm 23.1), pois ele escreveu vários de seus salmos em horas de sofrimento. Um exemplo é o salmo 3, que foi composto quando fugia de seu filho Absalão. Fugir de um filho já é algo tremendamente trágico para qualquer pai, e no caso de Davi era pior, pois além da vida, o filho queria seu trono.
A história nos é contada em 2 Sm 15-17. Após quatro anos de subversão, Absalão liderou uma rebelião aberta. Quando tomou ciência da revolta, Davi fugiu, pois sabia que esta era sua única alternativa naquele momento, pois muitos haviam  se aliado à Absalão.
Enquanto fugia, subindo pelo monte das Oliveiras, Davi e o povo choravam com a cabeça coberta. Um desafeto resolveu atirar-lhe pedras e xingá-lo de assassino, bandido e homem sem valor. Davi se sentia frustrado, triste, envergonhado e com dúvidas. O que tinha de mais precioso estava deixando para trás. Sua vida parecia estar entrando em colapso.
Com mais de 60 anos, Davi teve que lidar com os problemas que a notícia repentina lhe trazia: planejar uma fuga rápida, tomar decisões no meio da pressão, enfrentar uma subida íngreme, acalmar os acompanhantes e suportar a angústia interior.
Ele chegou às margens do Jordão, cansado e estressado (2 Sm 16.14). Ali passou pelo menos uma noite. Será que foi nesta ocasião que compôs este salmo? Ou depois de ter atravessado o Jordão quando organizava o exército para a defesa (2 Sm 17.27-18.2)? Ou mesmo quando ficou no acampamento esperando o resultado da guerra (2 Sm 18.4)? Todas essas eram ocasiões de aflição, necessidade e exaustão.
Mas o cisne canta mais docemente nesta hora! O salmo é uma oração em forma de poesia, onde Davi contou a Deus o seu problema de modo realista: são muitos os inimigos, muitos os revoltosos, e muitos os que o desanimam dizendo que Deus não mais o salvará. (versos 1,2).
Davi não era um sonhador otimista que havia cegado para a realidade. Ele via a situação como ela se apresentava, e a colocou diante de Deus.
Mas ele também via Deus como Ele é: o seu escudo, a sua glória, Aquele que era capaz de animá-lo, mesmo quando tudo era motivo para desânimo (verso 3). Então ele clamou com a confiança de que seria ouvido. Mesmo longe de seu palácio, da arca do Senhor, de sua Jerusalém amada, e com sua vida e reino ameaçados, ele sabia que podia deitar, dormir e levantar, porque era Deus quem o segurava (verso 5). Mesmo perseguido em um deserto, ele não ficava assustado por causa dos muitos inimigos. Já que muitos estavam se levantando contra ele, pediu que Deus se levantasse a favor dele. Já que muitos estavam dizendo que Deus não iria salva-lo, ele pediu para Deus salvá-lo. Porque é somente Deus quem pode salvar e abençoar os seus (versos 6,7).
Quando estiver em situações de sofrimento, lembre-se de Davi. Conte a Deus sua aflição, mas também, lembre-se de quem Deus é para você. Não se deixe levar pelas palavras de desânimo, clame a Deus. Mesmo quando perseguidos, em desespero e dúvida, cansados, estressados, podemos deitar, dormir, acordar e cantar

Quando a luta está travada, ventos fortes sopram em mim
Quando sinto-me cercado, e a força chega ao fim
Quando a vida destrói sonhos, e os vales são reais
Deus me dá quando a Ele clamo, asas espirituais.
(Hino "Asas Qual Águias", de Ron Hamilton, Tradução de Paulo C. Bondezan, publicado no Hinário Voz de Melodia, 2004).



quinta-feira, 10 de abril de 2008

DEUS NOS CONTOU O SEGREDO DO SUCESSO

           O sucesso é perseguido por todas as pessoas, embora haja diferentes ideias sobre o que é ser bem-sucedido. Na verdade, para muitos, os conceitos sobre ser bem-sucedido envolvem ganhar muito dinheiro, ou poder e fama, ou bem estar e paz. Mas há um grande contingente de pessoas que sucesso é ter tudo isso, ao mesmo tempo.            Do ponto de vista de Deus, o Criador da vida, bem-sucedida é a pessoa que se deu bem na vida, que alcançou seu propósito durante sua existência, atingiu seus alvos e completou sua missão neste mundo.            Como nossa vida é complexa, dificilmente o sucesso é alcançado em todas as áreas. Alguns conseguem a realização profissional, mas fracassam na relação familiar. Outros são um sucesso entre os amigos, mas um fracasso profissional. Outros há, ainda, que são considerados bem-sucedidos na área financeira, mas têm saúde frágil. Isto nos leva às perguntas: "É possível ser bem-sucedido em tudo? Qual seria o segredo de se dar bem em todas as áreas?"            Apresento um conselho que aparece quatro vezes na Bíblia, mostrando como ter sucesso em tudo.            Em Deuteronômio 29.9, na renovação da aliança feita entre Deus e o povo, logo antes de tomarem posse da terra prometida, Moisés diz "Guardem as palavras desta aliança para as fazerem, e assim serás bem sucedido em tudo que fizeres." Em outras palavras: se vocês tomarem o cuidado de obedecer, vocês serão bem sucedidos em tudo o que fizerem. O sucesso estava atrelado à obediência à Palavra de Deus.            Em Josué 1.7,8, encontramos o mesmo conselho. Nesse momento da história, Moisés havia falecido e Josué estava assumindo o seu lugar. Sua missão era levar o povo de Deus para a terra prometida. Diante de tão grande responsabilidade, capaz de amedrontar Josué, Deus lhe diz: "Somente sê forte e muito corajoso, para teres o cuidado de fazer conforme toda a lei que te ordenou Moisés, meu servo, não se desvie dela nem para direita nem para a esquerda, assim serás bem-sucedido em tudo que andares. Não se afaste da tua boca este livro da lei, e medita nele dia e noite com o propósito teres o cuidado de fazer conforme tudo que está escrito nele, porque então farás prosperar o teu caminho e assim serás bem-sucedido." Novamente é dito que a obediência à Palavra de Deus tem como resultado o sucesso em tudo que se faz na vida.            No texto citado, podemos perceber que para se ter uma obediência que traga sucesso é necessário muita coragem, força e firmeza. Deus diz que Josué precisaria apenas ser muito forte. Sem coragem não se consegue obedecer à Palavra de Deus. Os covardes, os fracos, os desanimados e os preguiçosos logo desistem, não persistem em obedecer. Por isso não alcançam o sucesso.            A obediência também exige cuidado e atenção. Josué, tanto seria pressionado a agir conforme os outros desejavam, como seria constantemente tentado a fazer as coisas ao seu modo. Por isso, era necessário estar vigilante, guardando-se das tentações e pressões, para poder fazer conforme a Palavra de Deus. Os desatentos e descuidados caem nas tentações, deixam-se levar pelas pressões, explícitas ou sutis, e assim desobedecem a Deus, e não chegam ao sucesso.            Um terceiro requisito para a obediência é a meditação. Isto é enfatizado duplamente no texto. Primeiro na frase: não se afaste da tua boca o livro desta lei. Esta expressão "deixar sempre na boca" vem do costume que as pessoas tinham de repetirem em voz baixa enquanto estudavam ou meditavam. Depois é dito para Josué meditar. Isto significa lembrar e pensar sobre a Palavra de Deus. Meditar é falar consigo mesmo, é ficar matutando sobre alguma coisa. É repassar o assunto na mente e refletir em como aplicar na vida. É através da meditação que a Palavra de Deus se incorpora em nós, e assim ficamos prontos para obedecer. Pela meditação na Palavra, passamos a pensar como Deus pensa, a ver a vida como Deus vê, a reagir diante das situações como Deus quer. O que não medita, não repassa em sua mente, nem reflete sobre Palavra de Deus, não obedece. Quem não obedece não será bem sucedido. A obediência bem-sucedida é a obediência total. Toda a lei deveria ser obedecida. Não poderia haver nenhum desvio, nem para um lado nem para outro. Esta obediência garantiria a Josué o sucesso em todos os caminhos da vida.            A terceira vez que o conselho aparece é em 1 Crônicas 22.12,13. Aqui o conselho é dado pelo rei Davi para o seu filho Salomão, que assumiria o trono em seu lugar. "Seguramente te dará o SENHOR sabedoria (sucesso) e entendimento e te comandará sobre Israel para guardar a lei do SENHOR. Assim prosperarás se cuidarem em fazer os estatutos e os juízos que ordenou o SENHOR a Moisés sobre Israel, seja forte e corajoso, não temas e não desanimes". Vários elementos do que foi dito a Josué também aparecem aqui. A condição para ter sucesso era a de obedecer ao que Deus havia ordenado. Davi também indica que para isto era preciso coragem e firmeza. Deus iria dar a sabedoria, mas sabedoria que deveria ser usada na obediência. Salomão seria bem-sucedido se obedecesse à Palavra de Deus A última passagem é um conselho para todos nós, dado em forma de um cântico no Salmo 1.1-3. Ali é dito que abençoado é o homem que medita nas instruções de Deus ao invés de seguir as ideias e opiniões dos homens sem Deus. Ele será bem sucedido em tudo que fizer: "E tudo quanto fizer prosperará." Este é o segredo: não perseguir o sucesso, mas perseguir a obediência à Palavra de Deus. Sucesso é resultado. Sim, resultado de uma vida de obediência à Palavra de Deus.

sábado, 5 de abril de 2008

Adorando com alegria

A mãe de uma adolescente e uma criança disse a respeito de suas filhas e a igreja: Uma chora para não vir, outra chora para não sair. O interessante é que um dia esta adolescente havia sido como sua irmã, havia chorado para não sair da igreja, mas, com o passar do tempo, ela perdera o entusiasmo em adorar. Suas alegrias estavam em outros lugares. Infelizmente isto ocorre com muitos crentes. Quando novos convertidos há um brilho em seus olhos na hora de cultuar, o tempo passa e o brilho se apaga. Procuram qualquer desculpar para não adorar: choveu, fez frio, fez calor, não gosto do pregador, o irmão tal me ofendeu, o culto é chato, a pregação longa, etc. e tal.
Por que perdemos a alegria em adorar? Uma das razões é o pecado na vida. Davi admite que a falta de confessar o pecado o tornou sem ânimo. Sua vida ficou seca e sem entusiasmo. A mão de Deus se tornou um fardo sobre ele (Sl 32.3,4; 38-2-8). Como desfrutar o sabor de uma boa comida se o paladar está amortecido pelos vícios do mundo? Mas Davi nos aponta a solução. Confessar o pecado, aceitar o perdão de Deus (SL 32.5,6), e clamar para Deus restaurar a nossa alegria (Sl 51.8,12).
Outra causa para a falta de alegria na adoração é o mundanismo. Para o homem do mundo a alegria vem do comer, beber e divertir-se (Lc 12.19; 16.19), pois para ele é isto que faz a vida valer a pena, ele considera que é para isto que existem as coisas materiais. E quando nosso coração está dominado pelas coisas do mundo, só encontramos alegria nas coisas do mundo, e não em adorar a Deus. Passamos a ver a adoração apenas como um dever a ser cumprido. A solução é a transformação da mente e das afeições para não pensarmos como o mundo e para não amarmos o mundo (Rm 12,1,2; 2 Jo 2.15
Este mundanismo pode nos levar a fazer da adoração um ato de diversão. Foi isto que aconteceu com o povo de Israel (Ex 32.1-6). Moisés estava no monte recebendo as instruções de Deus. O povo ficou decepcionado com a demora dele. O termo traduzido por “tardar” dá a idéia de “ficar envergonhado, embaraçado, ou desapontado”. As expectativas do povo quanto à adoração eram outras. Não aceitaram o tempo e a forma de Deus. Reagem criando ídolos, que poderiam adorar segundo sua própria vontade. Não queriam adorar um Deus invísivel (Ex 20.3,4), com um profeta que os deixava ali no pé do monte por quarenta dias. E a adoração descambou para a diversão. A expressão “divertir-se” tanto pode se referir ao riso de incredulidade (Gn 18.12,13,15), à zombaria (Gn 19.14;21.9), ao ato sexual (Gn 26.8, traduzido como “acariciar”), ou a diversão na adoração (Jz 16.25). A alegria daquele povo estava em seus ídolos, e no fato de se divertir enquanto adorava (At 7.41).
A solução é adorar a Deus respeitando a Sua santidade. Deus exige ser adorado da maneira que Ele tem ordenando. O episódio acima ocorreu justamente depois de Deus dar as instruções para adoração. Ele indicou cada detalhe do lugar da adoração (Ex 25.8,9). A falha em adorar da forma estabelecida produz Sua ira (Lv 10.1-3; 2 Sm 6.1-11). Devemos adorar a Deus em reverência e santo temor (Hb 12.28,29)
A falta de gratidão é outro fator que ocasiona falta de alegria na adoração. Gratidão vem de apreciar a graça de Deus. Este pecado pode sutilmente entrar em nosso coração. Achamos que merecemos mais bênçãos do que aquelas que Deus graciosamente nos tem dado. Ficamos com a sensação de que temos recebido de Deus menos do que nós merecemos. Consideramos que Deus não está sendo justo conosco. E assim, perdemos a alegria em adorá-lo. O povo de Israel é um exemplo disto. Sempre achava que estava faltando alguma coisa: ora era água, ora comida, depois uma comida diferenciada, etc. Sua falta de contentamento levou a uma vida de murmuração e não de adoração alegre. Mesmo Deus se fazendo presente diariamente em suas vidas: nuvem guiando, maná diário, etc.
A solução é considerar que temos recebido muito mais do que merecemos. De fato todas as bênçãos de Deus sobre nós são imerecidas. Somos pecadores, e o que merecemos é a condenação eterna. Mas Deus nos tem dado a vida, a oportunidade de conhecê-Lo, de manter comunhão com Ele em adoração, e mesmo assim achamos isto pouco. Vamos lembrar os benefícios que Deus nos tem feito, isto tornará nossa adoração alegre. Como diz o hino: Se das vidas as vagas procelosas são, se com desalento julgas tudo vão, Conta as muitas bênçãos dize-as de uma vez, e hás de ver surpreso o que Deus já fez.
Com qual das duas filhas do exemplo inicial você se identifica? Você vem a igreja sem alegria por pura obrigação? Ou você acha prazeroso adorar a Deus?
Adorar a Deus sempre deve ser motivo de alegria.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Alegria

Ele era um expatriado. Longe, num lugar onde predominava a mentira e a guerra. Clamava por paz, mas seus vizinhos só pensavam na guerra. Vivia no meio de línguas mentirosas. Dentro destas aflições clamou, e Deus o atendeu (Sl 120).
Foi convidado para adorar em Jerusalém. O caminho era cheio de perigos. Os montes poderiam esconder quadrilhas de assaltantes que atacavam, molestavam e roubavam as caravanas de peregrinos. Nas estradas pedregosas e sinuosas, corria o risco de tropeçar e assim não chegar ao seu destino. Arriscava-se ser ferido pelo sol escaldante do dia, e ficar desorientado pelo aluamento norturno. Mas ele sabia que tinha um guarda poderoso, vigilante, que o guardariam do mal até chegar em Jerusalém. O guarda de Israel, Senhor Criador dos céus e da terra (Sl 121). Por isso aceitou o convite. Peregrinou até Jerusalém.
Qual sentimento lhe dominou nesta caminhada? O Salmo 122.1 responde a esta pergunta: Alegrei-me quando me disseram vamos à casa do Senhor. O peregrino ia para Jerusalém cheio de alegria. O chamado para adorar, ou a lembrança de que era tempo de adorar, produziu nele uma grande alegria.
Como era esta alegria? O verbo “alegrar” denota um estado de pleno contentamento. Alegria que afeta o coração, a alma, e faz brilhar os olhos. Foi como Arão ficou quando se encontrou com Moisés (Ex 4.14). Alegria que diz: Oba! Que bom! Era como se o peregrino dissesse: Pulei de alegria quando fui chamado para ir para a casa do SENHOR! Esta alegria enche a pessoa de forças (Pv 15.30; Ne 8.10). Ela é um dom de Deus e se manifesta de modo bem visível (Ne 12.43).
O ir à casa de Deus era a oportunidade de lembrar e agradecer por tudo que Deus dera, e por tudo que Deus era. O culto era para ser uma ocasião alegre, mas sem descambar para as orgias, ou manifestações pecaminosas, como era comum nas religiões das nações em torno de Israel. A alegria deveria refletir o conceito de Deus.
Por que deveria adorar com alegria? As festas instituídas pelo Senhor deveriam ser celebradas com alegria (Dt 12.7; 14.26; 16.1; 26.11; 27.7). Não adorar com alegria traria juízo (Dt 28.45-47). Na casa de Deus o louvor era conduzido com instrumentos para manifestar alegria (1 Cr 15.16). Todo israelita havia aprendido que a alegria deveria ser manifestada diante do Senhor, pois Ele e suas obras eram a razão maior e primeira de toda alegria. Diante de Deus há fartura de alegria (Sl 16.11). No templo ele iria ouvir a Palavra de Deus, e ela produz alegria (Sl 19.8; 119.14,162; Jr 15.16); teria a oportunidade de contribuir para a casa de Deus com suas ofertas de animais e alimentos, e isto deveria ser feito com alegria(1 Cr 29.9; 2 Cr 24.10). Esta manifestação de alegria era uma antecipação do tempo da salvação (Is 35.10).
Nós também somos peregrinos que devem adorar a Deus com alegria. Além de nossas devoções particulares (e Davi era exemplo nisto), devemos praticar a adoração comunitária. Deus tem ordenado o estímulo mútuo quanto a isto (Hb 10.25).
O fiel a Deus tem motivos de sobra para se reunir e adorar com alegria: o avanço do evangelho (Rm 15.10) ; irmãos que andam na verdade (3 Jo 4); o crescimento da igreja (At 15.3); o contribuir para a obra de Deus (At 20.35; 2 Co 9.7); a vitória dos filhos de Deus sobre o mal (Ap 12.12); a vitória final de Deus (Ap 18.20). Mesmo diante do sofrimento, aquele que ama a Deus se alegra porque sabe que sua salvação é maior do que o sofrimento. Quando o sofrimento presente faz desaparecer nossa alegria, é porque valorizamos mais este mundo do que a salvação. Indicamos que a salvação não é tão preciosa assim. O crente sabe que sua alegria parcial de hoje será completada na glória.
Temos muitos motivos para dizer: Alegrei-me quando me disseram vamos à casa do Senhor.

segunda-feira, 24 de março de 2008

QUEM FOI O CULPADO?


Encontrar as causas de uma morte nem sempre é fácil e se torna mais difícil se a morte ocorreu há muito tempo, como é o caso da morte de Jesus, ocorrida há quase dois mil anos. Qual seria a causa final da Sua morte? Será que foram  os atos de entrega que Ele sofreu? Vamos examinar estes atos  e o seus autores.
     A primeira entrega foi a que Judas fez aos sacerdotes (Lc 22.3-6). Ele é o suspeito mais imediato. É chamado de Judas Iscariotes por ser da cidade de Queriote. Era um dos doze apóstolos (Mt 10.4), desempenhava a função de tesoureiro neste grupo (Jo 13.29) e tinha um olho clínico para finanças, mas também era avaro e ganancioso. Interessado no lucro, tornou-se ladrão (Jo 12.3-6).
        O Diabo aproveitou-se de sua avareza e o induziu a trair Jesus. Depois de negociar o preço, trinta moedas de prata (o preço de um escravo comum), passou a procurar a melhor ocasião para entregar Jesus sem provocar tumulto entre o povo (Mt 26.14-16). A oportunidade surgiu na Páscoa (Jo 13.1,2,21,26-30). Judas conseguiu enganar a todos, pois ninguém desconfiou dele, apenas Jesus sabia do seu intento.  Participou da ceia, recebeu o bocado que Jesus lhe deu, demonstrando que era amigo de Jesus e ficou sabendo onde o grupo iria se reunir depois. Então saiu para contar aos sacerdotes e os guiou até Jesus entregando-o com um beijo (Mc 14.43-46).
          Judas foi movido pelo dinheiro. Jesus havia dito que era impossível servir a Deus e ao dinheiro, Judas escolheu o dinheiro. Percebendo que não iria ganhar nada seguindo a Jesus, decidiu ganhar alguma coisa traindo-o. O que o amor ao dinheiro pode fazer! Podemos perguntar: como Judas foi capaz de fazer isto? Da mesma forma que nós fazemos hoje. Quantas vezes também traímos Jesus por dinheiro. Traímos seus ensinos quando agimos com desonestidade, não honramos nossos contratos e com esperteza enganamos as pessoas. Quantos não estão seguindo a Jesus pelo desejo de ganhar mais! Não se dedicam a Jesus por conta de preocupações financeiras! Não contribuem com a missão de Jesus por avareza. Não nos apressemos em condenar Judas, cada um de nós é um pouco de Judas, quando negamos ou desonramos a Jesus movidos por amor ao dinheiro.
          Alguns pensam que Judas não poderia ser considerado culpado. Já que Jesus tinha que morrer , alguém deveria desempenhar o papel de traidor e Judas foi o escolhido. O próprio Jesus disse que isto aconteceria para que se cumprisse a Escritura (Jo 17.12; At 1.15-17,25). Mas isto não elimina culpa de Judas, pois ele foi um agente livre que a Providência resolveu usar (Mc 14.21). O próprio Judas reconheceu sua culpa (Mt 27.3-5).
         Apesar de ter entregue Jesus para ser preso, Judas não matou Jesus. Inclusive ele sentiu remorso depois, talvez não esperasse que Jesus fosse condenado e morto. Isto nos leva a próxima entrega: a que o povo judeu e seus sacerdotes fizeram. Desde cedo o mundo culpou os judeus pela morte de Jesus. Deus escolhera este povo para anunciar Sua salvação ao mundo. Eles esperavam um Messias Salvador, que viria para libertá-los e restaurá-los na terra como o Reino de Deus. Jesus era um judeu e era o Messias esperado, mas o povo o rejeitou (Jo 1.1).
          Os sacerdotes eram os líderes que Deus havia constituído para guiarem este povo na obediência a Ele. Com o passar do tempo eles se corromperam. Eles prenderam a Jesus quando Judas lhes entregou (Mt 25.47). Com falsas testemunhas O julgaram e condenaram (Mt 26.59,66). Já que não podiam executar a pena de morte o entregaram a Pilatos (Mt 27.1; Jo 18.31). Diante de Pilatos acusaram-no falsamente, persuadiram o povo a condená-lo, e clamaram pedindo a Sua morte (Lc 23.1,2; Mt 27.20; Lc 23.23)
     Por que fizeram isto? Jesus os havia perturbado deste o início: não era um rabi formado, confraternizava-se com gente de má fama, condenava seus ensinos e tradições, chamando-os de hipócritas e para completar dizia ser igual a Deus (Mc 11.18;Lc 15.1,2;Mt 15.1-9; 23.27; Jo 8.58; 10.33). Mas o motivo real foi a inveja (Mc 15.10). Os sacerdotes tinham orgulho de sua posição e a vida de Jesus os ameaçava. Inveja é o lado inverso da moeda chamada vaidade. Ninguém que não tenha orgulho de si mesmo terá inveja dos outros (John Stott).
          Não nos apressemos em condenar os judeus e seus sacerdotes, pois cada um de nós também tem traído Jesus por conta de nossa vaidade e inveja. Jesus é uma ameaça a nosso estilo de vida egoísta e orgulhoso, por isso ficamos ressentidos com a intervenção de Seus ensinos e tentamos eliminá-Lo de nossas vidas, pois queremos que Ele nos deixe viver do nosso jeito.
          Jesus disse que eles foram culpados (Jo 19.11), foram considerados assassinos do Autor da vida (At 3.12-15). Mas eles não mataram Jesus, entregaram a Pilatos, e este O entregou aos soldados. Esta foi a outra entrega.
          Pôncio Pilatos era um militar romano, nomeado pelo imperador Tibério como governador da Judéia. Tinha plenos poderes. Era conhecido como hábil administrador, mas também era muito cruel (Lc 13.1-3). Os soldados eram enviados do imperador para garantir seu domínio nas províncias. Eles foram os responsáveis imediatos pela morte de Jesus. Pilatos aprovou a pena de morte e os soldados O açoitaram, zombaram dele, obrigaram-No a carregar a cruz e O crucificaram (uma morte lenta e agonizante).
          Por que O crucificaram? Pilatos sabia que Jesus era inocente (Lc 23.4,13-15,22). Sua mulher o avisou (Mt 27.19), mas ele não queria desagradar aos judeus que lhe haviam entregue Jesus. Tentando sair desta situação complicada ele empreendeu várias tentativas: transferiu a responsabilidade para Herodes; meias-medidas, mandou açoitar e depois soltar Jesus; tentou fazer a escolha certa com motivos errados (soltar Jesus pela escolha da multidão); e por fim protestou inocência (Lc 23.4-21; Mt 27.4). Mas no fim o clamor, o pedido, e a vontade do povo prevaleceu (Lc 23.23-25). Ele quis agradar a multidão, e entre Cristo e César, escolheu César (Mc 15.15; Jo 19.12). Ele foi movido por medo e ambição. Não queria colocar seu cargo em risco.
          Quantas vezes agimos como Pilatos! Sabemos que Jesus está certo, mas também queremos agradar aos outros. Ficamos entre dois amores: o de Deus e o do mundo. Tentamos manter os dois: deixando a decisão para outros (maridos, esposa, pais, etc.); optamos por um compromisso meio termo (seguir, mas não completamente); honrá-lo com motivos errados; recusamos nos identificar com Ele, preferimos preservar nosso conceito na sociedade, nossas amizades, nosso sossego doméstico, e assim lavamos as mãos. Dentro de cada um de nós há um pouco de Pilatos, quando por covardia, medo ou ambição, não nos identificamos com Cristo.
          Tanto Jesus como a Igreja o consideraram culpado (Jo 19.11; At 4.27)
        De cada um destes suspeitos e dito que “entregou Jesus” . Eles foram culpados, mas nós também somos culpados. Crucificamos Jesus sempre que nos desviamos Dele (Hb 6.6), o nosso pecado foi a causa de sua morte (1 Co 15.1-3). É isso que a pintura que ilustra este artigo representa. É o quadro chamado de "A Elevação da cruz", pintado em cerca de 1633 pelo holandês Rembrandt, ele retratou  a si mesmo entre aqueles que ajudaram a erguer a cruz,  mostrando que suas culpas causaram a morte de Cristo. Mas nossos pecados não foram a causa final desta morte, pois se afirmarmos isso estaremos dizendo que Deus estava obrigado a nos perdoar. E Deus decidiu nos perdoar por amor, voluntariamente, porque assim Ele quis. Mas, para  nos perdoar e ao mesmo a justiça ser feita,  alguém tinha que  pagar a culpa. E Ele decidiu entregar Seu próprio Filho para sofrer a penas que nós merecíamos.   
      Tudo isto aconteceu porque Deus assim planejou (At 2.23), o próprio Pai O entregou (Rm 8.32). Mas isto não é tudo: Jesus não apenas foi entregue, Ele também se entregou, deu a sua vida por nós, por amor (Jo 10.11,17,18; Gl 2.20).
Quem entregou Jesus para morrer?
Não foi Judas por dinheiro,
Nem foi Pilatos por temor,
Não foram os judeus por inveja,
Mas, foi o Pai, por amor.
(John Murray)

sexta-feira, 21 de março de 2008

GRATIDÃO: TEMPERO DO DEVER

Certos alimentos ganham um sabor especial quando acompanhados de outros. Exemplos: o pão fica mais saboroso, se com manteiga e café; a salada, se com azeite, e a carne, se temperada com sal. O mesmo fenômeno ocorre nos deveres para com Deus. Estes ficam mais agradáveis, quando temperados com a gratidão. A Bíblia nos ensina a realizarmos todos os serviços que prestamos a Deus com gratidão.
         A manutenção da unidade entre os irmãos deve ser acompanhada com a gratidão. Somos exortados a deixar a paz de Cristo governar os nossos corações, pois fomos chamados para conviver nesta paz, em um corpo. Para isto devemos ser agradecidos: Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos (Cl 3.15). Uma atitude de gratidão ajuda a manter tanto a paz em nossos corações, como a paz nos relacionamentos com os demais membros do Corpo de Cristo. As queixas e murmurações, sinais de ingratidão, tornam a convivência desagradável. 
         O louvor a Deus deve ser acompanhado pela gratidão: cantando ao Senhor com graça nos vossos corações (Cl 3.16). Louvar a Deus é reconhecer quem Ele é, o que Ele tem feito por nós e pelos outros, e elogiá-lo. Fazer isto sem gratidão, seria pura hipocrisia. Uma forma de expressar nossa gratidão é cantando.
         Todas as nossas ações devem representar o Senhor Jesus, e todas elas devem ser feitas com gratidão: tudo o que fizerem, em palavra ou ação, façam em nome de Jesus, agradecendo através Dele a Deus (Cl 3.17). Somos embaixadores de Jesus, trazemos sobre nós a Sua marca. O que falamos e fazemos apontam para Ele. A gratidão é uma maneira de mostrarmos o quanto confiamos nele, na Sua soberania, no Seu amor e na sua sabedoria em cuidar de nós. Ela também indica que somos felizes em sermos servos dele.
         Nosso crescimento espiritual deve ser abundando em ações de graças (Cl 2.7). Crescer no relacionamento com Deus é conhecer mais e melhor a Deus. E quanto mais conhecermos a Deus, mais maravilhados ficaremos com Ele e, consequentemente, mais gratos seremos. Não é possível crescer na fé com a ingratidão dominando o nosso coração.
Nossas orações devem ser regadas com ações de graças. A perseverança na oração deve ser seguida com a vigilância em ações de graças: Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. (Cl 4.2). Em Filipenses 4.6, Paulo nos diz que a cura para a ansiedade é a oração acompanhada de gratidão: Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. A oração por todos os homens também deve ser feita com ações de graças: Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens. (1 Tm 2.1).
         Por último, a recepção de todas as boas coisas da vida deve ter a companhia da gratidão: pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável (1 Tm 4.4). Sempre lembrando que tudo que temos de bom, como o alimento, o companheirismo e outras bênçãos, chegam a nós como produto da graça de Deus. E a reação adequada diante de uma graça recebida é a gratidão.
         A gratidão é o acompanhamento indispensável dos deveres para com Deus. Sem gratidão, todos os deveres ficam sem graça e assim é impossível servir a Deus. A gratidão vai tornar o serviço a Deus uma obra de amor e alegria.
A gratidão é uma questão de atitude interior e não de circunstância. Veja o exemplo de David Rothenberg. Quando ele tinha seis anos, seu pai deu-lhe um sonífero, depois derramou querosene sobre ele e ateou fogo. Ele sofreu queimaduras de 3º grau em 90% do seu corpo. Alguns anos e 60 cirurgias depois, sabendo que faria outras, disse: estou vivo, o que já é bom o suficiente.
         Sempre há motivos para agradecer. Nosso coração sempre será uma festa, quando a gratidão for o tempero constante de nossa vida. 
            A generosidade de Deus é tão grande, e nossa gratidão tão pequena.


O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...