sábado, 29 de maio de 2010

SEU FILHO PRECISA DE DISCIPLINA - 1ª PARTE


Disciplina não é uma palavra muito apreciada. Pelo contrário, ela é nos provoca aversão. Preferimos fazer o que queremos, na hora que quisermos. Desde cedo isto é manifestado. Mas, esta atitude traz destruição para nossas vidas. Uma pessoa sem disciplina caminha para o prejuízo certo. Para impedir que cresçamos sem disciplina Deus nos deu pais. É dever dos pais disciplinar os filhos. Deus também nos disse como disciplinar.

O termo que o Antigo Testamento usa para “disciplina”, comporta as idéias de: julgar, argumentar para convencer, repreender verbalmente, castigar fisicamente, reprovar um comportamento. Tudo isso é ligado pelo sentido original da palavra que é “mostrar o que é correto”. Entendemos que para mostrar a maneira certa de viver, um pai deve julgar o comportamento do filho, argumentar para mostrar o que é o certo a fazer, repreender verbalmente quando este comportamento estiver errado, e quando necessário, reforçar a repreensão com castigos físicos.

Isto pode parecer fora de moda, mas é o que a Bíblia ensina. Vamos observar alguns versículos, apenas no livro de Provérbios, e apresentar algumas características da disciplina que os pais devem aplicar aos filhos.

A disciplina é um sinal de amor. Em Pv 3.12 temos duas afirmações unidas por uma comparação: Deus disciplina aqueles que Ele ama, assim como o pai disciplina aquele que quer bem. Podemos tirar três conclusões disto:

1) A disciplina tem como padrão a pessoa de Deus. Ele é o Supremo Pai, e Ele disciplina seus filhos. Ele tem compartilhado com os pais terrenos está responsabilidade, a de disciplinar seus próprios filhos.

2) A disciplina é uma maneira de valorizar o filho. A expressão “quer bem” indica a idéia de “manifestar favor”, “alegrar-se com”, “desejar o bem de”. Sendo assim, um pai que disciplina seu filho está demonstrando que deseja o bem dele, e que o filho lhe é um tesouro muito precioso, no qual ele se alegra.

3) Amar é desejar o bem da outra pessoa. No verso, “ama” faz paralelo com “quer bem”. Um pai que quer que seu filho se dê bem na vida, irá discipliná-lo quando necessário. Amar um filho não é sinônimo de satisfazer-lhe as vontades, mas de fazer o que for necessário para o bem dele. Com certeza, um pai que procura aprender da Palavra de Deus, sabe o que é bom para o seu filho.

A disciplina deve começar cedo. Pv 13.24, também nos traz duas afirmações, só que desta vez ligadas por oposição: aquele que não faz uso da vara aborrece a seu filho, mas, aquele que ama o seu filho, desde cedo o disciplina. Além de confirmar que a disciplina é um ato que demonstra amor, outras conclusões podem ser alistadas.

1) A disciplina pode ser dolorosa, inclui o castigo físico. O termo vara indica algo usado para castigar, causar dor (Ex 21,20). O exemplo também vem de Deus, Ele também usa situações dolorosas para disciplinar seus filhos (2 Sm 7.14; Is 10.15).

2) O fato de um pai não querer infligir dor a seu filho quando este necessita de disciplina, não é sinal de amor, mas de ódio. O não disciplinar indica que o pai está mais preocupado consigo mesmo, com o que outros vão pensar, com o que o seu filho vai achar dele, em não querer criar problemas em casa, passar por constrangimentos, ou desconfortos, que uma disciplina traz. Este pai não está pensando no bem do filho, mas apenas no seu próprio bem-estar.

3) A disciplina deve começar cedo na vida da criança. O pai que espera o filho ficar mais taludo, pode já ter começado tarde demais, e a disciplina não mais funcionar.

Se você ama seu filho, você irá discipliná-lo, desde cedo. Agora se você não o ama, deixe ele crescer do jeito que ele quiser, e depois, agüente.

sábado, 22 de maio de 2010

MINHA FAMÍLIA NO ALTAR DO SENHOR




Este foi o tema da conferência sobre família para a qual fui chamado a pregar neste fim de semana. Por isso me preocupei em entender o que é estar no altar de Deus.

A palavra “altar” tem várias aplicações em nossa língua: mesa que se usa em cerimônias religiosas, e no caso dos evangélicos é comum o púlpito ser chamado de altar. Mas o que a Bíblia ensina que é um altar? Tanto no Antigo como no Novo Testamento a palavra altar significa “lugar de sacrifício”. Ela se origina do verbo que significa “sacrificar”, “imolar”, “abater”; e do substantivo “sacrifício”.

Quando estudamos as ocorrências do termo no Antigo Testamento, percebemos que altar era um lugar de encontro com Deus. Os altares foram construídos onde Deus aparecia aos Seus servos, revelava-se a eles, e lhes abençoava (Gn 12.7s; 13.4). Neste lugar os servos de Deus também se aproximavam Dele, para manifestar sua gratidão, devoção e arrependimento, ofertando seus sacrifícios (Ex 20.24). Algumas vezes o altar era um memorial, que servia para lembrar o que Deus havia feito, uma e monumento memorial, para testemunho às futuras gerações (Js 22.10,26,28,34).

No tabernáculo os altares foram resumidos a dois: o de holocaustos e o de incenso. Num eram ofertados os sacrifícios de expiação, dedicação, ação de graças e comunhão. No outro as orações, petições e gratidão, que chegavam ao trono, simbolizado no Santos dos Santos.

Assim o altar de um lado indicava a soberania de Deus sobre a terra, que Ele estava presente, e disposto a se manifestar aos homens. E por outro também mostrava quais homens reconheciam esta soberania, aproximando-se de Deus para honrá-lo com suas ofertas. No altar a aliança entre Deus e os homens se manifestava e se renovava. No altar Deus era cultuado. No altar a fé e devoção eram demonstradas (1 Sm 16.5; 1 Rs 8.64; 2 Cr 30.17). Estar no altar era manifestar a consagração da vida a Deus.

No Antigo Testamento dois termos transmitiam a idéia de consagração. Um deles era “santificar”, que expressa a idéia de “separar”, “colocar à parte para uso exclusivo de Deus”. Assim objetos, casas, campos, cidades, tesouros, e pessoas poderiam ser consagrados, santificados, isto é, separados para o serviço exclusivo de Deus (Lv 27; Nm 7.1; Js 20.7; 2 Sm 8.11).

Pessoas que se consagravam eram movidas diante do altar de Deus, por exemplo, os levitas, que substituíam os primogênitos, que deveriam ser dedicados a Deus (Nm 8.11,16-18). As ofertas oferecidas sobre o altar também eram manifestações de consagrações, de separação para Deus (Ex 28.38; Lv 22.2). Estar no altar era manifestar consagração a Deus. Esta consagração deveria ser demonstrada numa vida pura, pronta para estar na presença de um Deus santo (Ex 19.10). Deixando de lado as práticas pagãs, das pessoas que não temiam a Deus (Lv 11.14).

A outra expressão que indicava consagração era “encher as mãos”, que dificilmente apare em nossas versões, sendo traduzida como “consagrar” (Ex 28.41). Ela significava a habilitação da pessoa consagrada, e também indicava sua disposição para servir a Deus. Estar diante de Deus com as mãos cheias era estar cheio de vontade e disposição para obedecê-Lo e servi-Lo.

Estar no altar de Deus era ter a vida consagrada em santidade e disposição para servir a Deus, cumprindo a missão que Ele havia dado.

No Novo Testamento uma passagem que expressa isso é Romanos 12.1,2. Somos exortados, diante de tudo que Deus fez por nós, a dedicarmos os nossos corpos, como um sacrifício a Deus. Isto é dedicar o que somos, que se manifesta através de nossos corpos a Deus. Antes, nossos corpos serviam ao pecado, agora devem servir a Deus (Rm 6.13,19). Este é nosso culto inteligente e consciente.

Esta dedicação inclui uma rejeição dos padrões mundanos de pensar e viver, e uma transformação aos padrões divinos. Assim iremos experimentar a vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável.

Uma família no altar de Deus é uma família que se aproximou de Deus através de Jesus (Hb 10.12), e que agora procura mudar seu modo de pensar e viver. Busca viver a vida familiar conforme os padrões de Deus, e não de acordo com as idéias do mundo. Que assume o modelo bíblico e não o da TV, ou do mundo da moda, ou dos artistas, e assim por diante. É uma família que procura devotar-se a Deus, vivendo conforme a vontade Dele.

Uma família no altar de Deus é uma família que se enche de vontade de servir a Deus. Entendendo que sua principal missão neste mundo é representar Deus e não buscar Seu conforto. Esta família tem compreendido que o motivo de sua existência é a glória de Deus, e está ansiosa por glorificá-Lo.

Será que nossas famílias estão no altar de Deus?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A ONIPRESENÇA DE DEUS


O que significa a onipresença de Deus? Quais as implicações para as nossas vida do fato de nosso Deus encher os céus e a terra? Ouça nove pequenos estudos na Pasta A ONIPRESENÇA DE DEUS clicando no link
Ou assista os videos acessando www.youtube.com/user/igrejabatistanj25

sábado, 1 de maio de 2010

DO QUE MEU FILHO PRECISA?


Uma das preocupações dos pais é prover os seus filhos daquilo que eles precisam. É normal que os pais queiram dar o melhor para os filhos. Mas, como saber o que é o melhor para eles? Não podemos nos guiar pelo que nossos pais nos deram, pois os tempos são outros. Também não podemos dar tudo que as crianças querem, pois elas não têm idade suficiente para saber o que é bom para elas.

Ainda não posso fazer como todos os outros fazem, porque o que é bom para uns, nem sempre é o ideal para os outros. Não nos sentimos sábios o suficiente para deixarmo-nos levar por nossas próprias idéias. E aí, o que fazer?

Aqueles que acreditam que a Bíblia é a Palavra de Deus podem ter uma resposta segura para esta pergunta. Pois Deus, o Pai perfeito, que sempre dá o melhor para os Seus filhos, revelou o que é melhor para darmos aos nossos filhos. Neste artigo vamos ver que as crianças precisam de instrução.

Um dos termos para “criança” no AT descreve pessoas numa ampla faixa etária, desde alguém de poucos meses, como Moisés em Ex 2.6, até José já com dezessete anos (Gn 37.2) passando por Absalão com idade de guerrear (2 Sm 14.21; 18.5), e jovens em idade de casar (Gn 34.19). Por isso a palavra é traduzida como criança (Pv 20.11; 22.6), menino (1 Sm 1.22), moço (2 Sm 17.18), jovem (Pv 1.4), etc.

Em Provérbios 1.8, lemos que estas pessoas (do nascimento até a idade de casar) precisam instrução para ter conhecimento. Este conhecimento inclui capacidade para saber o que é melhor (Pv 24.5). Também indica a posse de uma habilidade técnica específica (Ex 31.3), e discernimento moral do certo e errado (Gn 2.9).

Esta instrução também deve dar bom siso para a criança. Esta expressão, “bom siso”, significa habilidade para considerar e fazer planos. Uma criança instruída será capaz de tecer propósitos sábios para a vida.

A instrução apropriada tem como base o temor do Senhor. Ela capacita a criança a levar Deus em consideração em todos os seus caminhos (Pv 1.7).

Uma criança instruída seguirá o bom caminho por toda a vida (Pv 22.6). Este versículo nos mostra que uma criança iniciada, isto é, desde pequena dedicada ao caminho correto, ela assumirá isto como um costume, um hábito em sua vida, e mesmo quando envelhecer não se afastará deste caminho. Um dos exemplos bíblicos é Moisés. Que foi educado quando criança por sua mãe (Ex. 2.9,10), e mesmo depois de ter sido levado para o palácio do Faraó e recebendo toda instrução do Egito não se esqueceu de seu povo (At 7.22,23)

Os bons resultados de uma criança bem ensinada servem tanto aos pais como às próprias crianças. Para os pais este filho trará alegria e não tristeza (Pv 10.1; 23.15,16)

Já as crianças que aceitam a instrução dos pais ganham vida, proteção, glória e honra conforme Provérbios 4.1-9.

A fonte desta instrução é a Palavra de Deus (Dt 4.6,7). Nela encontramos os conselhos divinos, que tornarão as crianças hábeis em saber o que é bom e o que é ruim. Nela estão ensinos que capacitarão nossos filhos a aprenderem a fazer planos que serão bem sucedidos. Nela eles aprenderão a temer a Deus.

Mais do que presentes, conforto financeiro, e outras coisas mais, nossos filhos precisam da nossa instrução. Os pais devem lembrar que são os primeiros professores de seus filhos. Quer queiram ou não, as lições que ensinarem para eles, irão acompanhá-los por toda a vida. É quase impossível mensurar a influência que os pais têm sobre os filhos.

Alguns pais têm passado esta responsabilidade para a TV, a babá, a creche, a igreja, etc., mas este privilégio e responsabilidade foi dado por Deus aos pais.

Seu filho precisa de instrução. Ele tem recebido?

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A CRUZ É CRUCIAL


O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (Edição 2008) apresenta quatro sentidos para a palavra crucial: (1) em forma de cruz; (2) inevitável, decisivo; (3) difícil, duro; (4) fundamental para a existência ou destino de alguém.

O sacrifício do Senhor Jesus Cristo foi crucial em todos estes sentidos.

Sua morte foi crucial porque foi morte de cruz (Filipenses 2.8), a maneira mais vergonhosa e dolorosa de execução. Destinada aos piores criminosos que eram levantados para serem expostos como exemplos e para espetáculo e zombaria do povo. Nenhum cidadão romano poderia ser condenado à morte de cruz. Era tão degradante que não se mencionava nas altas rodas da sociedade.

Sua morte foi crucial porque foi dura e difícil. Jesus já vinha sofrendo a angústia diante da expectativa da cruz (João 12.27). Ele já tinha plena consciência do sofrimento que iria passar. Na noite de sua prisão foi tomado de pavor e grande ansiedade, a ponto de ficar extremamente triste (Marcos 14.33,34).

Ele sabia que a cruz era uma morte cruel e extremamente dolorosa, que visava torturar e não apenas matar. A pessoa morria lentamente, com fome, exaustão, perda de sangue, cabeça latejando, e sangue acumulado no estômago. A intensidade da dor e a pressão do sangue poderiam causar a rotura do coração.

No caso de Jesus não foi difícil apenas por conta do sofrimento físico, mas também houve o psicológico de ser traído e abandonado pelos amigos, e acima de tudo, o sofrimento de beber o cálice da ira de Deus pelos pecados dos homens.

Sua morte foi crucial porque era inevitável e decisiva. O próprio Jesus já havia assinalado isto. Ele disse que, apesar da angústia que estava sofrendo, aquela morte era o propósito de sua vinda (João 12.27). Por várias vezes mencionou que esta morte era necessária, devia acontecer, importava ocorrer (Mt 16.21; 26.54; Lc 13.33; 17.25; 22.37; 24.7,26,44; Jo 3.14; 12.34).

Deus ama o homem, e quer salvá-lo, mas homem pecou contra Deus, rebelando-se contra Sua vontade. A natureza de Deus, expressa em Sua lei, exige a morte daqueles que pecaram, a morte eterna, no lago de fogo (Ezequiel 18.4,20; Apocalipse 20.14,15). Desde o Antigo Testamento, com os sacrifícios, que Deus mostrava para o Seu povo que o pecado exigia a morte, porque sem derramamento de sangue, não há remissão (Hebreus 9.22). Para realizar o plano de salvar os homens a morte de Jesus era crucial.

Sua morte foi crucial porque é fundamental para a existência e destino do homem. Jesus havia dito que para produzir vida o grão de trigo precisa morrer (João 12.24). Sua morte trouxe vida para Suas ovelhas (João 10.15-20,28). Jesus tomou sobre si os pecados do povo de Deus (Isaías 53.5), sua morte trouxe o nosso perdão. Ele morreu para salvar o povo de Deus disperso em todo o mundo (João 11.51,52), sua morte trouxe a nossa unidade. Ele morreu para prestar um serviço de resgate (Marcos 10.45) sua morte foi a nossa libertação.

Para perdoar o homem tinha que ser uma morte de valor infinito para satisfazer o Deus infinito, e tinha que ser a morte de um homem para pagar no lugar do homem (Hebreus 2.9-11, 14-18). Por isso Deus Filho se tornou homem, e como Deus homem foi sacrificado na cruz. Sua morte satisfez as exigências da justiça divina, e valeu para os homens.

Na morte de Cristo a morte dos filhos de Deus foi derrotada. Esta vitória sobre a morte vem por causa da cruz de Cristo (1 Coríntios 15.57; Apocalipse 12.11). Foi com o sangue derramado na cruz que a Igreja de Cristo foi comprada (Atos 20.28), foi com a morte de Cristo na cruz que pessoas de toda tribo, língua, povo e nação foi comprada para Deus, e feita um reino e sacerdotes e reinarão sobre a terra (Apocalipse 5.9,10).

Sem cruz não haveria Igreja. Sem cruz continuaríamos extraviados e dispersos dos caminhos de Deus (Efésios 2.13). Sem cruz não haveria o Reino de Deus. Sem cruz não teríamos acesso a presença de Deus (Hebreus 10.19,20). Sem cruz não haveria perdão. Sem cruz não teríamos o Intercessor rogando por nós diante do Pai (Romanos 8.34). Sem cruz a ira de Deus ainda estaria sobre nós. Sem cruz não teríamos certeza do amor de Deus (Romanos 8.31). Sem cruz não haveria salvação. Sem cruz estaríamos eternamente perdidos nos horrores do inferno.

A cruz é crucial. Você reconhece isto?

terça-feira, 13 de abril de 2010

O jejum e a Glória de Deus - 3ª mensagem


Um dos perigos que corremos com frequência é o de fazer as coisas certas pelos motivos errados. Isto pode acontecer com o jejum. Podemos jejuar, uma prática bíblica e que Deus espera que os cristãos realizem, com motivos inadequados. Quando feito com a motivação errada o jejum não glorifica a Deus. O jejum glorifica a Deus quando feito buscando a recompensa que é dada por Deus, e não buscando o aplauso dos homens.

Clique no link a seguir e ouça a mensagem O JEJUM E A GLÓRIA DE DEUS 3

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quarta-feira, 31 de março de 2010

NA MAIOR SOLIDÃO



A solidão é uma sensação horrível. Especialmente quando é resultado do abandono. Algumas pessoas podem sentir solidão, mesmo rodeada de outras pessoas, por algum problema interno. Já outros sentem solidão porque de fato estão solitários, foram abandonados. Mesmo estando num bom ambiente, e rodeado de boas coisas, a solidão não é agradável, é isto que o próprio Deus diz a respeito de Adão (Gn 2.18). Ele estava no Paraíso, mas sozinho, e Deus disse que isso não era bom.

Agora imagine, estar sozinho numa situação de intenso sofrimento! Sem ninguém que manifeste amor e possa socorrer! Quando o próprio Deus se afasta! Esta foi a solidão que Jesus experimentou.

Jesus já havia sido abandonado por seu povo, por aqueles para quem veio, conforme nos diz João: Ele veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam (Jo 1.11). Pense no que é deixar a glória dos céus, a presença imediata do Pai e do Espírito, o louvor perfeito dos anjos, tornar-se homem, e um homem servo, para salvar um povo, e ser rejeitado por este povo?! Foi isso que Jesus fez (Filip 2.5-9). Sua vida foi perseguida desde cedo (Mt 2.16). Vários foram os momentos em que tentaram matá-lo (Lc 4.28-30; João 5.18; 8.59). Foi questionado e colocado a prova muitas vezes (Mt 22.15,23,35). Os de sua cidade o desprezaram (Mt 13.54-58) e os de Samaria recusaram lhe dar hospitalidade (Lc 9.51). Ele veio para ajuntar os seus como a galinha reúne seus filhotes, mas foi rejeitado (Lc 13.34)

Jesus foi desprezado até por sua própria família e considadãos. Seus irmãos não criam nele (João 7.5). Uma vez chegaram a considerar que ele estava fora de si, e quiseram prende-lo (Mc 3.21).

Jesus foi abandonado por seus discípulos. Logo no início alguns o deixaram porque consideram sua palavra muito dura (João 6.60,66), e naquele momento outros reafirmaram sua fé, mas mesmo estes depois o deixaram, primeiro dormindo quando Ele pediu que orassem por Ele (Mc 14.37), depois fugiram quando Ele foi preso (Mc 14.50).

Todos estes abandonos doeram em Jesus. Mesmo Ele sabendo de antemão que isso lhe ocorreria. Pois saber que uma injeção vai doer, não elimina a dor, quando nós a tomamos. Mas foram abandonos mais suportáveis, porque o Pai estava com Ele (Jo 16.32). Mas houve um abandono que doeu mais que todos, houve uma solidão que foi a maior de todas. Houve uma hora que nem o Pai ficou com Ele, que Ele ficou realmente sozinho! Este foi o maior de todos os abandonos, a maior de todas as solidões.

A quarta palavra da cruz nos revela este abandono, que ocorreu após seis horas que Jesus estava na cruz. Ele foi crucificado às nove horas da manhã, e as palavras foram gritadas às 3 horas da tarde (Mc 14.25,33,34). Mateus 27.46 e Marcos 15.34 deixaram estas palavras registradas. Elas foram proferidas na língua materna de Jesus: o aramaico (com algumas características do hebraico).

Antes de falar estas palavras Jesus já havia pedido o perdão do Pai para seus inimigos, garantido salvação ao ladrão, e confiado Sua mãe aos cuidados de João. Agora, depois de três horas de escuridão, Ele dá seu grito de desamparo. Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? As trevas já haviam demonstrado o juízo e abandono de Deus naquele momento.

Estão entre as mais misteriosas palavras da Bíblia. Elas demonstram o quão profundamente Jesus estava abandonado pelo Pai por carregar os pecados dos homens sobre Ele. Elas ilustram o intenso sofrimento de Sua alma, pelo castigo que recebia pelos pecados humanos (5 Co 5.21). Deus Pai desviou Seu favor do Filho naquele momento, pois os pecados dos homens estavam sobre Ele (Is 53.6,10; Rm 3.25; Gl 3.13), e a santidade de Deus não aceita o pecado (Is 59.2; Hab 1.13), mesmo quando recai sobre Seu próprio Filho amado, no qual estava toda Sua alegria (Mt 3.17).

Mas o grito não expressa desespero, e sim fé. Jesus diz: Meu Deus. Ainda era o Seu Deus. As palavras já haviam sido proferidas quase mil anos antes, pelo rei Davi, num momento de aflição (Salmo 22.1). Neste mesmo salmo Davi canta sua confiança de que Deus iria libertá-lo (22.22). Jesus também demonstra esta confiança, apesar da solidão e da dor.

As palavras eram para testemunhar que Ele era o escolhido de Deus para cumprir as profecias, e ser o Salvador do mundo. E para nos mostrar o quanto é horrível o nosso pecado. Expressa a desolação do senso de ter sido abandonado por Deus que o pecado causa. E avisa que esta será a sensação daquele que não aceitarem segui-Lo, (Mt 25.41). Também dá confiança àqueles que seguem Jesus, de que nunca serão abandonados (Hb 13.5), pois Jesus já sofreu o maior dos abandonos no lugar deles.

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...