sábado, 31 de março de 2012

NEM “ESCATOMANIA” NEM “ESCATOFOBIA”

          As duas expressões acima são de um escritor de teologia, e procuram expressar as reações que alguns têm diante da escatologia. O nome “escatologia” é formado por duas palavras gregas: “escatos” que quer dizer “último” e “logia”, que indica estudo ou assunto. Por isso esta palavra designa a parte da teologia que estuda os eventos futuros, os últimos atos de Deus na concretização de Seu projeto redentivo.

          “Escatofobia” é atitude daqueles que têm medo do que Deus nos disse sobre o futuro, e por isso não querem saber nada sobre o assunto. Alguns, inclusive, têm medo de ler e estudar o livro de Apocalipse.  Já “Escatomania” seria a reação daqueles que fazem da escatologia uma mania, entendendo que ela é o principal, senão único, assunto digno de estudo bíblico. 

          Parece-me que é comum as pessoas pensarem que a profecia bíblica trata apenas de eventos futuros. Isto não é verdade. Profecia tem a ver com revelação, e Deus não revelou apenas o futuro. O profeta era o porta-voz de Deus, isto é, aquele que trazia uma mensagem direta de Deus. Este significado da palavra aparece no uso que o próprio Deus fez dela em Êxodo 7.1,2, quando disse que Arão seria o profeta de Moisés, isto é, Arão deveria falar as palavras que Deus havia ordenado a Moisés. Outra evidência é o livro de Apocalipse, que é uma profecia, mas que revela as coisas que aconteceram, que estavam acontecendo e que iriam acontecer (Apocalipse 1.3,19).
           A profecia comunica a Palavra de Deus, revelando Sua interpretação do passado, Seus planos para o futuro, visando ensinar Seu povo como viver no presente. Os profetas do Antigo Testamento condenaram os pecados que o povo estava cometendo. Quando o véu do futuro era levantado, tinha como objetivo desmascarar a hipocrisia e as falsas expectativas do momento. 
         O interesse pela profecia pode ser motivado pelo fascínio de saber o futuro. Isto pode ser movido pela curiosidade e também pelo desejo de autonomia. Acreditamos que, conhecendo o futuro, nós teremos maior controle da nossa vida.  Por isso alguns querem um esquema bem detalhado dos eventos futuros. Mas Deus nos revelou apenas o suficiente para nos preparar para o futuro, e não para satisfazer nossa curiosidade. O futuro foi revelado por causa do presente. Ao mostrar o que vai acontecer amanhã, Deus quer provocar uma resposta hoje. 
         Quais as respostas que Deus espera de Sua igreja diante da profecia da volta do Senhor Jesus Cristo? 
         Quando O Senhor Jesus respondeu a tríplice pergunta dos discípulos em Mateus capítulos 24 e 25 (texto que é denominado de sermão profético), Ele enfatizou duas atitudes: Vigilância e Perseverança. Ele adverte: cuidado que ninguém engane vocês (Mateus 24.4). Então avisa que muitos falsos pregadores surgiriam, que o mundo não iria melhorar, e sim as catástrofes e conflitos aumentariam, haveria perseguições, desvios da fé, e aumento do pecado. Isto causaria o esfriamento no amor de muitos (Mateus 24.5-14). Feliz o servo que se conservar fiel e atuante em todo tempo, mesmo em meio a estes grandes problemas (Mateus 24.46-25.30).
         O apóstolo Paulo, elucidando dúvidas da igreja em Tessalônica, apresenta outra atitude: Conforto (1 Tessaloninces 4.13-18).  Saber que nosso futuro é estar com Jesus para sempre, deve servir de consolo em meio às tristezas da vida. O Senhor Jesus também havia destacado isto no sermão que usou com o propósito de preparar os discípulos para Sua partida (João 14.1-3). O mundo não deve nos assustar, pois Jesus já garantiu nosso futuro. Saber que um dia seremos transformados em pessoas glorificadas deve nos animar e fortalecer (Filipenses 3.20,21).
        Ao concluir um tratado sobre a nossa ressurreição, em 1 Coríntios 15.58, o apóstolo Paulo exortou outra atitude: Operosidade, isto é, disposição para trabalhar produtivamente na obra de Deus. A vida não acaba quando se morre, sendo assim, o que fazemos para Deus não é inútil. Portanto “mãos ao trabalho crentes”.
         Em sua primeira carta o apóstolo João nos mostra mais uma atitude: Pureza. Ele diz que ainda não somos o que devemos ser, mas quando Cristo se manifestar seremos semelhantes a Ele. Todo que tem esta esperança busca a purificação de sua vida (1 João 3.2,3).
         Jesus há de voltar, por isso, vamos ser vigilantes, perseverantes, destemidos, atuantes, e puros. 

2 comentários:

Marcos Paulo Soares disse...

Concordo, pr. Almir, que nem a escatofobia nem a escatomania produzem obras verdadeiras e adoradoras de Deus como o salutar conhecimento revelado sobre o futuro presentes nas Sagradas Escrituras. Ora vem, Senhor Jesus!

Anônimo disse...

Se todo crente pensasse desta forma, teríamos mais frutos na seara do Mestre e menos crentes perdendo tempo através de propósitos inadequados. Que a Escatologia seja um meio de conforto para nossa vida em Cristo, não de contendas no Evangelho de Jesus Cristo. Deus te abençoe pastor Almir.