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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A PERSEVERANÇA É O CAMINHO PARA A VITÓRIA



Certas pessoas têm muitas iniciativas e poucas “acabativas”. A primeira vez que ouvi essa frase a achei engraçada. Depois, pensando melhor, vi que ela pode ser mais trágica do que cômica. A maioria de nós inicia muito e conclui pouco.
Se existe uma época pródiga em revelar esta verdade, essa é o final de um ano e início de outro. O final nos faz lembrar que projetamos muito e realizamos pouco. O início manifesta a renovação de nosso entusiasmo em almejar muito.
Mas por que esta busca é abandonada no meio do caminho?
Creio que não seja por falta de capacidade ou oportunidade, mas por falta de perseverança. Cedemos facilmente diante dos obstáculos e problemas que aparecem entre nós e nossas metas.
Geralmente abandonamos nossos sonhos diante das primeiras dificuldades. Ao invés da resistência, cultivamos a desistência. Não chegamos às grandes conquistas, não experimentamos grandes vitórias, ficamos sempre no meio do caminho, tornamo-nos medianos, aceitamos a mediocridade e nos satisfazemos com ela.  Tudo isso porque nos faltam coragem para ultrapassarmos as barreiras, disciplina para enfrentarmos os desafios e a consciência de que sem luta não há vitórias.
Há uma história nas Escrituras que nos mostra que a perseverança pode ser um instrumento tocado por Deus para produzir em nós e através de nós o som da vitória.   Ela é narrada duas vezes, em 2º Samuel 23.8-12 e 1º Crônicas 11.10-14 onde são alistados os valentes de Davi.
O termo “valente” era usado para adjetivar quem realizava uma façanha incomum e se destacava em qualquer área de atividade. Nos textos mencionados, indica os guerreiros mais destacados,  os campeões do exército de Davi.
Três destes heróis ganharam a posição de proeminência por causa das conquistas nos campos de batalha. O primeiro deles numa só batalha matou 800 homens com sua lança. Para entender um pouco deste feito, é preciso ter em mente como eram as batalhas naquele tempo. Bem parecidas com as que são encenadas nos filmes da trilogia Senhor dos Anéis e o Hobbit, onde um soldado luta contra vários outros ao mesmo tempo com seu escudo, espada ou lança.
Mas, para evidenciar a proposta desta meditação quero enfatizar a ação dos outros dois. Os exércitos de Israel e dos filisteus estavam reunidos para a batalha, mas os soldados israelitas não resistiram e bateram em retirada. No entanto, Eleazar permaneceu ao lado de Davi e lutou tanto que teve uma espécie de câimbra e não consegui mais soltar a espada.  O texto diz que naquele dia Deus realizou um grande livramento e os outros soldados voltaram apenas para  aproveitar os despojos.
 O terceiro valente foi Sama. Também numa guerra contra os filisteus na qual os soldados israelitas fugiram. Mas ele se plantou no meio do terreno e bravamente resistiu, resgatando aquela terra das mãos dos inimigos. Novamente o texto menciona o grande livramento realizado pelo Senhor.
Nos dois casos houve luta ferrenha, desistência da maioria e alguns que perseveraram na batalha, mesmo sendo poucos e a peleja feroz. Estes heróis tiveram a coragem de se arriscar por um bem maior, a causa do reino do Senhor, representada naquela época na manutenção e expansão do reinado davídico.
Em ambas as ocasiões Deus estava atuando através da ação humana. A resistência e perseverança daqueles homens foram os meios para Deus operar o livramento de Seu povo.  O escritor do livro menciona estes atos para mostrar como Deus honra o esforço daqueles que permanecem fieis em prol do Seu Reino.
A causa final do grande livramento foi a ação de Deus, mas Ele a realizou através da coragem resistente e perseverante de Eleazar e Sama. Se eles tivessem também fugido diante do ataque filisteu, não teriam desfrutado a vitória. A perseverança foi o caminho trilhado por Deus para conduzi-los à glória.
Pode ser que em 2015 você se depare com situações semelhantes. Lutando sozinho pelos seus alvos. Se realmente vale a pena, se é de Deus, não desista, persista, resista, lute com coragem. Ele irá lhe conceder a vitória.  Lembremos de que, se somarmos as desistências de cada ano, poderemos chegar ao final da vida vazios de realizações e cheios de frustrações,  pois nossos alvos não passaram de boas intenções. Deus pode realizar grandes feitos através da nossa perseverança em continuar lutando.







sábado, 13 de abril de 2013

O SENHOR É O MEU PASTOR... NÃO TEMEREI


O medo é uma experiência universal, todos já o sentiram em um momento ou outro, e há os que são constantemente dominadas por ele.  Desde a infância tememos o escuro, o desconhecido, os trovões, as tempestades, a altura, etc.
Mas, o que é o medo? É a reação diante de algo que ameaça o que nos valorizamos e desejamos. Ele ocorre quando percebemos que podemos perder algo que julgamos ser importante para nós.  Pode-se experimentar o medo por ameaças à integridade física ou psicológica. Tememos a dor, o desconforto, o perigo, os desastres, os acidentes, a desconsideração, a indiferença, o desprezo, a solidão, o fracasso, a perda da honra, do nome, da posição social, etc. Mas creio ser a morte a causa maior do medo.
                O medo é ineficaz contra muitos dos perigos que tememos. No salmo 23, o salmista deixa claro que passamos pelo vale da sombra da morte mesmo tendo o SENHOR como o nosso pastor. A questão não é se vamos experimentar os perigos que tememos, mas como iremos enfrentá-los. Como passaremos pelo vale da sombra da morte?
As manifestações do medo são variadas: fuga, como Adão fugiu de Deus, Jacó de Labão, e Moisés do Faraó (Gn 3.10;  31.31; Ex 2.14,15); ira que tenta eliminar a causa aparente do medo, como Saul tentando matar Davi (1 Sm 18. 11,12); agitação do coração, como  o rei Acaz diante da ameaça de invasão (Is 7.2); mentira, como Abraão, Sara e Pedro (Gn 12.10-13; 18.15; Mt 26.69-75); tremor, como o povo de Israel (Ex 20.18); etc.
As consequências do medo também são diversas: gritos de desespero (Mt 14.26); vida atormentada (1 Jo 4.18); angústia, aflição, estresse, perturbação e perda do sono (Gn 32.7); desfalecimento, desânimo, paralisia, e falta de coragem para realizar os deveres (Dt 20.3); rebeldia e revolta contra pessoas e contra Deus (Nm 14.1-12); abandono das ordens de Cristo (Mt 14.30); etc.
O medo também pode causar atitudes positivas, como tomar cuidado diante de situações de perigo e, a mais importante, aumentar a confiança e dependência de Deus. Creio que Davi se refere a isso no Salmo 23, as situações ameaçadoras não irão assustá-lo a ponto de desanimá-lo, desorientá-lo ou desesperá-lo, mas aumentarão sua confiança no SENHOR, para que ele vença os desafios. Por isso ele diz que: Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, Salmo 23.4.
                 Davi passou por várias situações de perigos, diante das quais reagiu com coragem. Quando era pastor de ovelhas enfrentou um leão e um urso que haviam tomado ovelhas do rebanho, ele tanto recuperou a ovelha da boca das feras, como as matou. Parece que o perigo lhe dava uma injeção de adrenalina, mas de fato era a confiança no SENHOR que o levava a enfrentar os perigos e dominar seu medo (1 Sm 17.34,35,37).
Uma grande demonstração de falta de medo foi quando enfrentou o gigante Golias no vale de Elá. Todo o povo de Israel ficou dominado pelo medo, mas Davi dominou o medo por causa da certeza de que Deus estava com ele (1 Sm 17.24,36,37,45-47).
Depois disso ele foi injustamente perseguido por Saul, a quem ele havia ajudado, e demonstrou coragem diante dos ataques e armadilhas (1 Sm 18.10,11,17-27; 19.8-10).  Fugindo de Saul, teve que experimentar a saudade dos parentes, a distância de sua terra, a falta de moradia, as necessidades físicas, a recusa de pessoas em ajuda-lo; etc. (1 Sm 22-29).  
                Certa vez, voltando de uma guerra, ele e seus soldados encontraram todo o acampamento devastado e as mulheres e os filhos sequestrados. Foi um momento de grande angústia, Davi ainda teve que lidar com a revolta e amargura de seus homens. Mas ele buscou forças no SENHOR (1 Sm 30.6).
Mesmo depois de rei, Davi ainda teve muitos vales tenebrosos: além de constante guerra contra os inimigos do seu povo, teve problemas em sua casa (um filho estuprando a irmã; um filho assassinando o outro, etc.). A vida de Davi não foi fácil. Não era um tempo de paz aquele! Estamos enganados em pensar que Davi podia dizer o Salmo 23.4 porque teve uma vida sem dificuldades, não, ele pode dizer isto porque tinha experimentado o vale da sombra e da morte.
                Sua confiança em Deus era maior que o medo. Quando os filisteus o pretenderam ele disse: Em me vindo o temor, hei de confiar em ti. [...] neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei. Que me pode fazer o homem?  (Salmo 56.1,3,11).
                Quando seu próprio filho reuniu  um numeroso exército, e veio contra ele, Davi teve que fugir de sua cidade e dormir no deserto. Nessa situação ele afirmou: Deito-me e pego no sono; acordo, porque o SENHOR me sustenta. Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados.(Salmo 3.5,6).
                Em outra situação extrema, de um exército se acampando ao redor dele, a confiança em Deus foi novamente declarada:  O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O SENHOR é a fortaleza da minha vida; a quem temerei? Ainda que um exército se acampe contra mim, não se atemorizará o meu coração; e, se estourar contra mim a guerra, ainda assim terei confiança. Salmo 27.1,3.
                Na boca de Davi o Não temerei não era uma afirmação de arrogância, mas de confiança em Deus. Para vencer o medo é preciso confiar em Deus. Quando a confiança em Deus cresce o medo desaparece. 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

CUIDADO COM O QUE VOCÊ DESEJA!


Há algum tempo li a frase acima num subtítulo de um romance e fiquei pensando no significado. Pela história narrada no livro, acredito que o autor queria comunicar a ideia de que alguns de nossos desejos podem se realizar, e que isso não será nada agradável, por isso devemos tomar cuidado com o que desejamos.  
            Mas há outras razões para tomarmos cuidado com os nossos desejos. Uma delas é que nossos desejos podem ser instrumentos de forças além de nós e trazer consequências desastrosas para nós e para aqueles que nos rodeiam. Esta verdade pode ser ilustrada no capítulo 21 de 1º Crônicas.
O livro de Crônicos foi escrito para animar o povo de Deus que voltara do exílio, e viu que seus motivos de glória haviam enfraquecidos. Sua terra estava pouco habitada, a dinastia davídica estava dominada por outros impérios, o templo reconstruído não tinha o esplendor do antigo e estavam rodeados de inimigos. Mas o autor também queria exortar este povo, mostrando a razão para aquilo estar acontecendo: a desobediência às ordens de Deus; e incentivar um comportamento de obediência, que poderia mudar aquela situação.
Este capítulo introduz a parte do livro que trata dos preparativos feitos pelo rei Davi para a construção do templo. Nele é dito como Davi adquiriu o terreno onde o templo deveria ser construído.
No período narrado, Davi e o reino viviam momentos de glória, crescimento e vitórias. Então apareceu Satanás, que é o inimigo de Deus e de Seu povo. Seu nome significa “adversário”. Ele procura frustrar os planos de Deus tentando pessoas, mesmo aquelas escolhidas por Deus para cumprir uma missão. Ele seduziu e fascinou o rei Davi, e assim o incitou e o instigou a realizar um senso. A ideia da palavra é que Satanás usou de esperteza para enganar Davi e levou-o a fazer o censo.
Satanás fez isso através do desejo de autoglorificação do rei Davi, ou ainda sua inclinação de confiar na quantidade para avaliar sua grandeza e segurança. Davi foi advertido por Joabe, que mostrou que aquele ato traria culpa sobre o povo e era uma atitude abominável (21.3,6). Mas, parece-nos que Davi estava dominado por seu desejo e cego para os perigos que sua realização traria.
Devemos tomar cuidado com os desejos do nosso coração, através deles Satanás pode nos enganar e nos levar a fazer aquilo que desagrada a Deus e prejudica o Seu povo. Nossos desejos podem ser instrumentos de poderes invisíveis que estão além de nosso controle.
Satanás tentou e induziu, mas isso não isentou Davi. Ele foi considerado culpado, e teve que arcar com as consequências de sua escolha. O próprio Davi admitiu sua culpa, e não se aproveitou da tentação como desculpa (21.8). É comum as pessoas fugirem da admissão e da culpa de seus erros, usando a tentação de Satanás e a provocação das pessoas como pretexto, e uma forma de se desculparem. Somos tentados, mas a queda nesta tentação é responsabilidade nossa, a culpa é nossa se cairmos, e as consequências serão nossas e daqueles que estão sob nossa responsabilidade.
Quando ouvimos Satanás e seguimos os desejos errados do nosso coração, nós desagradamos a Deus (21.7).  Ele se entristece e fica desgostoso e pesaroso, especialmente porque sabe que terá que agir para corrigir e disciplinar Seu povo. Nosso pecado afeta mais pessoas do que imaginamos: nós mesmos, aqueles que estão sob nossa responsabilidade e desgosta Deus.
A realização de desejos que são contrários à vontade de Deus é uma loucura. Davi reconheceu isso (21.8). Saul já havia cometido esta loucura:  “Então, disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente em não guardar o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te ordenou” (1 Sam 13.13). Depois de Davi, o rei Asa também procedeu assim: “Porque, quanto ao SENHOR, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele; nisto procedeste loucamente” (2 Cr 16.9). Aliar-se a Satanás e se colocar contra os planos de Deus é uma total falta de senso. Pois é ficar ao lado do derrotado, e abandonar Aquele que pode nos fortalecer e dar a vitória.
As consequências de nossa desobediência são desastrosas. Os três modos de disciplina oferecidos a Davi eram pesados: três anos de fome, três meses de perseguição ou três dias de peste. Davi reconhece que todos eram angustiosos (21.11-13).
Quando desobedecemos a Deus, a solução é o arrependimento que confessa admitindo o erro e confia na misericórdia de Deus.  Reconhecendo que merecemos apenas o castigo de Deus (21.8,13,16,17).
O perdão oferecido por Deus deve ser apropriado do modo estabelecido por Ele. O SENHOR ordenou que Davi levantasse um altar no lugar escolhido por Deus (o mesmo local onde o SENHOR ordenara que Abrãao oferecesse Isaque e providenciou um substituto, 2 Cr 3.1). Davi recusa receber o terreno de modo gratuito, pois sabe que há um preço a ser pago, e o compra pelo equivalente a sete quilos e duzentos gramas de ouro. Deus aceita o sacrifício oferecido conforme as ordens Dele, e manifesta isso com fogo, da mesma maneira que havia enviado fogo na inauguração do tabernáculo (Lev 9.24) e que faria quando o templo fosse inaugurado naquele local (2 Cr 7.1).  Com esta expiação houve perdão e o castigo cessou.
Hoje o modo da expiação pelos nossos pecados é o sacrifício já realizado por Jesus Cristo. Esta foi a maneira proposta pelo próprio Deus para propiciação dos nossos pecados (Rom 3.24,25). Da mesma maneira que não haveria perdão e cessação do castigo se Davi não tivesse buscado o perdão da maneira ordenada por Deus, hoje não há perdão e salvação se não for pela fé no sacrifício realizado por Jesus Cristo (Atos 4.12).
A resposta de Deus com fogo mostrou a Davi que aquele era o local escolhido para ser o templo de Deus, o lugar da adoração. Séculos depois Deus enviou seu Filho, que foi o templo de Deus entre nós (João 1.14; 2.21). Hoje este templo é o povo de Deus, verdade manifestada quando do envio do Espírito Santo (1 Cor 3.16).
É preciso dizer que nossos desejos podem ser usados por poderes que estão além de nós e não são controlados por nós, mas que não estão além nem fora do controle de Deus. Satanás é um inimigo, mas não um rival de Deus. Ele está debaixo do controle de Deus, o capítulo demonstra que Deus usou a suposta esperteza de Satanás e a fraqueza de Davi para que o local do futuro templo fosse descoberto e adquirido. Na tentativa de frustrar os planos de Deus, Satanás ajuda a Deus a realizar este plano. Este resultado positivo não o isenta, pois sua intenção era a de prejudicar e não a de ajudar. A ajuda não veio porque ele assim desejou, mas por causa da soberania de Deus sobre todas as pessoas e situações, até sobre aqueles e aquelas que tentam prejudicar Seus propósitos.
Estando Deus está no controle de tudo, vamos submeter nossos desejos à vontade Dele. Assim, evitaremos que estes desejos sejam usados por forças além de nós, desagradem a Deus e tragam resultados desastrosos para nós e para aqueles que nos rodeiam. 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

FELICIDADE É TER SIDO PERDOADO


A principal causa da infelicidade é o pecado. O pecado atrapalha a vida, deixando-a torta, desorientada, perdida. Ele produz tragédias, corrompe nossa mente, traz o medo, as acusações, as brigas, os problemas nos relacionamentos, etc. O pecado coloca culpa na nossa consciência. E uma consciência culpada não desfruta de paz, pelo contrário carrega uma angústia constante, uma agonia que atormenta e nos pressiona, levando-nos a ver a vida como algo sem graça, sem cor, sem sentido.
    A culpa pode levar alguém à loucura, e até mesmo à morte. Resolver o problema da culpa é essencial para nossa felicidade. Algumas pessoas tentam afogar a culpa nos vícios: álcool, sexo, drogas, etc. Outros tentam esquecê-la com uma vida agitada envolvendo-se em muitas atividades, passeios, diversões variadas, compras compulsivas, etc. Ainda há aqueles que procuram compensá-la com trabalhos, serviços aos outros, ou atividades religiosas. Estes são apenas paliativos que aliviam temporariamente a sensação de culpa, como analgésicos que amortizam a dor, mas não curam a infecção.
    O rei Davi passou pela experiência de tentar viver com a culpa sem tratá-la devidamente. Ele nos descreve como sofreu com isso. Mas ele também nos conta a tremenda felicidade de experimentar o perdão de Deus, que é o único remédio que resolve o problema da culpa. Estas descrições estão no salmo 32.
    O salmo começa com a expressão “Bem-aventurado”, que significa “abençoado por Deus”, “feliz”, “realizado”, “afortunado”.  Davi está dizendo “Oh! Como é feliz, e como vale a pena, a vida de alguém que foi perdoado”.
    O pecado é descrito como transgressão, rebeldia, infidelidade. É o não viver conforme os alvos estabelecidos por Deus. Pecar é fracassar em fazer a vontade de Deus. O pecado nos engana e seduz, nos leva a viver de modo mentiroso e ilusório.
    O perdão é expresso de modo bem gráfico. Quando Deus nos perdoa Ele pega o nosso pecado e leva embora. O fardo que pesava e afundava nossas vidas é removido e jogado longe. Podemos caminhar com os ombros levantados. Que alívio! Oh! Que felicidade!
    Quando Deus nos perdoa Ele cobre o nosso pecado, dando a ideia de que Ele não mais o vê quando trata conosco. As manchas são lavadas de modo completo, não fica nenhuma lembrança delas. Ele nos vê como pessoas puras, e todo fracasso é deixado no passado, sendo esquecido e não mais lançado em nosso rosto. Podemos começar de novo. Que oportunidade! Oh! Que felicidade!
    Quando Deus nos perdoa Ele apaga a nossa conta devedora. Nossa dívida é cancelada. Passamos a ter ficha limpa com Ele. Somos declarados sem culpas pelo Supremo Tribunal do Universo. Já não cabe mais nenhuma apelação contra nós. Estamos livres do medo da condenação. Um novo começo! Oh!Que felicidade!
    Quando Deus nos perdoa Ele nos liberta do estresse de viver enganosamente, iludindo a nós mesmos e aos outros. O auto-engano não existe mais, o pecado foi tratado com honestidade. Não precisamos mais fingir nem nos esconder. Podemos desfrutar de plena comunhão com Ele. Que recepção! Oh! Que felicidade!
    Mas, oh! Que infelicidade quando nós mesmos tentamos esconder o nosso pecado. Que tristeza quando não confessamos nossos erros e fracassos diante de Deus! Nosso físico sofre, os ossos ficam moídos. Não há louvor e palavras alegres, só gemidos. Não há ânimo, nem cores, nem vida, tudo parece um deserto. Não há flores nem frutos, a vida fica seca e desolada. Não há comunhão com Deus, mas Sua mão é um peso em nossas vidas. A pressão aumenta. A vida fica em tempo de explodir. Como uma infecção que lateja e traz dor para toda nossa vida.
    Quando nós cobrimos os nossos pecados, Deus os descobre. Que vergonha! Que infelicidade. Mas quando nós os descobrimos diante de Deus, Ele os cobre. O pus é retirado, a inflamação é tratada. A dor vai embora. A pressão do peito desaparece. Que alegria.  
Só é feliz quem recebe o perdão de Deus. Podemos ouvir com alegria a canção:
Oh! Sê então feliz, feliz.
Cada erro que você cometeu.
Foi pago pela graça de Deus, o Senhor.
Sê então feliz, feliz!

sábado, 18 de dezembro de 2010

DEUS É NOSSO ESCUDO


Uma das preocupações mais agudas que os pais têm com os filhos é a da segurança. Tememos pelo que pode acontecer com eles diante da violência que se agiganta em nossos tempos. Conheço pais, que só conseguem dormir quando todos os filhos já têm chagado em casa. Uma mãe me contou que , quando seu filho viaja de moto, ela passa o dia doente. Quando escrevia este artigo recebi um telefone informando que o filho de uma irmã foi baleado. Ah! Se pudéssemos construir um escudo em torno de nossos filhos, para deixá-los totalmente protegidos quando atravessassem as ruas movimentadas, quando se encontrassem com pessoas violentas e mal intencionadas, etc. Só que não temos este poder. Mas há alguém que é um Escudo em torno de seus filhos.

Hoje o escudo é usado pelos policiais, como identificação de alguma marca, ou como emblema de uma equipe esportiva. Mas, antes do uso da pólvora, era uma arma extremamente importante nas guerras. No Antigo Testamento havia dois tipos de escudo: um menor e mais comum, redondo, que era usado pela infantaria ligeira e pelos oficiais, e outro retangular que cobria toda a parte da frente do corpo (Dic. Int. Teol do AT, pg. 279). Nossas versões não foram uniformes na tradução das palavras que descrevem estas armas, os termos “escudo” “pavês” e “broquel” foram usados para expressar a idéia.

Os crentes dos tempos bíblicos usaram o escudo como uma das imagens para indicar a proteção que Deus é para o Seu povo. O próprio Deus falou que era o Escudo contra os perigos da vida. Em Gn 15.1, após Abrão voltar da guerra contra quatro reis, libertando seu sobrinho Ló, Deus se dirige a ele e lhe diz para não temer, pois Ele mesmo era o seu escudo. O termo traduzido como “escudo” tem a mesma raiz do verbo traduzido como “entregar” em 14.20, quando o sacerdote Melquisedeque menciona que o Deus Altíssimo entregou (ou libertou) os inimigos de Abrão. A vitória naquela guerra, com a conseqüente libertação do sobrinho de Abrão, havia sido obra de Deus, que é escudo.

Não sabemos a razão do medo de Abrão. Poderia ser que estivesse sentindo-se ameaçado por retaliações dos quatro reis. Ou ainda, estivesse temendo pelo futuro, já que ainda não tinha filhos, e seu sobrinho continuava distante, em Sodoma. Independente da razão de seu medo, Deus lhe tranqüiliza. Deus garante que é o seu escudo, aquele que estaria lhe protegendo tanto dos perigos presentes, quanto da ameaça futura de terminar a vida sozinho, sem deixar descendência. Em nossos momentos de apreensão, vamos lembrar que o próprio Deus se coloca como nosso escudo, como Aquele que nos defende dos perigos da vida.

Isto deve ser motivo de felicidade para nós. Foi assim que Moisés abençoou o povo de Israel, fazendo-o lembrar que tinha o Senhor como o escudo para lhe ajudar e socorrer (Dt 33.29). Mas quando este povo escolheu outros deuses para servir, ficou desprotegido, ficou sem escudo (Jz 5.8). Os escudos que os homens produzem, por mais valiosos que sejam, podem ser levados embora, e servir ao inimigo (1 Rs 10.17; 14.26), mas quando Deus é o defensor, o escudo do homem não prevalece (2 Rs 19.32; Sl 76.3), pois Ele é o Dono dos escudos da terra (Sl 47.9)

Davi, um hábil guerreiro, fez questão de proclamar que Deus era o seu escudo (2 Sm 22.3; Sl 18.2,30,35; 28.7; 144.2). Em momentos de intensa aflição, Davi cantava que Deus era o seu escudo: quando teve que fugir por estar sendo perseguido por seu filho (Sl 3.3), quando difamado, nesta mesma fuga (Sl 7.10); quando sua casa foi cercada a mando de Saul, visando matá-lo (Sl 59.11). Em meio a estas enormes ameaças, Davi sabia, dependia da proteção de Deus, que era o seu escudo.

Já que Deus se manifesta como nosso escudo, nós devemos buscar refúgio Nele (2 Sm 22.31), reconhecendo que nossa salvação depende Dele ( 2 Sm 22.36). Devemos esperar Nele (Sl 115.9,10,11), clamando por Ele em nossas aflições (Sl 35.2), e buscando a orientação da Sua Palavra (Sl 119.114), pois nela está a sabedoria que é o nosso escudo (Pv 2.7), e ela é verdade que nos protege (Sl 91.4).

O fato de Deus ser nosso escudo não garante que não passaremos por momentos difíceis, tanto Abraão, como Davi, enfrentaram lutas e dificuldades. Mas o que eles tinham de mais precioso lhe foi protegido e preservado: a vida com Deus. Além dos perigos visíveis, precisamos do escudo da fé contra as ameaças invisíveis, os dardos inflamados do maligno (Ef 6.16). Este é o maior perigo que enfrentamos, a perda da fé. O abandonar a vida com Deus. Precisamos tomar em nossos braços, e mantermos firmes diante de nós a nossa fé, pois é ela quem apaga as flechas com fogo que o inimigo lança sobre nós.

Não temamos, Deus é nosso escudo!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

OS CISNES CANTAM MAIS DOCEMENTE QUANDO SOFREM


As palavras do título desta postagem vieram do livro "O Sorriso Escondido de Deus", de John Piper (pg. 9).
Tanto a Bíblia como a natureza nos ensinam que o sofrimento pode nos fazer cantar melhor. Nos sofrimentos os cisnes cantam com mais doçura. No Brasil temos o exemplo do pássaro Assum-Preto, que depois de ter seus olhos furado passa a cantar o dia todo.
A mesma verdade pode ser aplicada à Davi, o doce salmista de Israel (2 Sm 23.1), pois ele escreveu vários de seus salmos em horas de sofrimento. Um exemplo é o salmo 3, que foi composto quando fugia de seu filho Absalão. Fugir de um filho já é algo tremendamente trágico para qualquer pai, e no caso de Davi era pior, pois além da vida, o filho queria seu trono.
A história nos é contada em 2 Sm 15-17. Após quatro anos de subversão, Absalão liderou uma rebelião aberta. Quando tomou ciência da revolta, Davi fugiu, pois sabia que esta era sua única alternativa naquele momento, pois muitos haviam  se aliado à Absalão.
Enquanto fugia, subindo pelo monte das Oliveiras, Davi e o povo choravam com a cabeça coberta. Um desafeto resolveu atirar-lhe pedras e xingá-lo de assassino, bandido e homem sem valor. Davi se sentia frustrado, triste, envergonhado e com dúvidas. O que tinha de mais precioso estava deixando para trás. Sua vida parecia estar entrando em colapso.
Com mais de 60 anos, Davi teve que lidar com os problemas que a notícia repentina lhe trazia: planejar uma fuga rápida, tomar decisões no meio da pressão, enfrentar uma subida íngreme, acalmar os acompanhantes e suportar a angústia interior.
Ele chegou às margens do Jordão, cansado e estressado (2 Sm 16.14). Ali passou pelo menos uma noite. Será que foi nesta ocasião que compôs este salmo? Ou depois de ter atravessado o Jordão quando organizava o exército para a defesa (2 Sm 17.27-18.2)? Ou mesmo quando ficou no acampamento esperando o resultado da guerra (2 Sm 18.4)? Todas essas eram ocasiões de aflição, necessidade e exaustão.
Mas o cisne canta mais docemente nesta hora! O salmo é uma oração em forma de poesia, onde Davi contou a Deus o seu problema de modo realista: são muitos os inimigos, muitos os revoltosos, e muitos os que o desanimam dizendo que Deus não mais o salvará. (versos 1,2).
Davi não era um sonhador otimista que havia cegado para a realidade. Ele via a situação como ela se apresentava, e a colocou diante de Deus.
Mas ele também via Deus como Ele é: o seu escudo, a sua glória, Aquele que era capaz de animá-lo, mesmo quando tudo era motivo para desânimo (verso 3). Então ele clamou com a confiança de que seria ouvido. Mesmo longe de seu palácio, da arca do Senhor, de sua Jerusalém amada, e com sua vida e reino ameaçados, ele sabia que podia deitar, dormir e levantar, porque era Deus quem o segurava (verso 5). Mesmo perseguido em um deserto, ele não ficava assustado por causa dos muitos inimigos. Já que muitos estavam se levantando contra ele, pediu que Deus se levantasse a favor dele. Já que muitos estavam dizendo que Deus não iria salva-lo, ele pediu para Deus salvá-lo. Porque é somente Deus quem pode salvar e abençoar os seus (versos 6,7).
Quando estiver em situações de sofrimento, lembre-se de Davi. Conte a Deus sua aflição, mas também, lembre-se de quem Deus é para você. Não se deixe levar pelas palavras de desânimo, clame a Deus. Mesmo quando perseguidos, em desespero e dúvida, cansados, estressados, podemos deitar, dormir, acordar e cantar

Quando a luta está travada, ventos fortes sopram em mim
Quando sinto-me cercado, e a força chega ao fim
Quando a vida destrói sonhos, e os vales são reais
Deus me dá quando a Ele clamo, asas espirituais.
(Hino "Asas Qual Águias", de Ron Hamilton, Tradução de Paulo C. Bondezan, publicado no Hinário Voz de Melodia, 2004).



O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...