segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

A ESPERANÇA MESSIÂNICA

          Duas palavras usadas em nossa língua para designar o Senhor Jesus significam uma mesma coisa: Messias e Cristo. Ambas significam Ungido. A palavra “Messias” é a transliteração de uma palavra hebraica que tem sua raiz no verbo que significa "ungir", "untar", ou "esfregar". Já o termo “Cristo” foi transliterado da língua grega e também tem origem num verbo que significa “ungir”. Quando o Antigo Testamento foi traduzido para a língua grega, “messias” foi traduzido como “Cristo”.
         Esta palavra indicava alguém ou algo que recebera unção. No Antigo Testamento coisas e pessoas eram ungidas. Jacó ungiu uma coluna entornando azeite sobre ela (Gn 28.18; 31.13); os bolos ofertados a Deus eram ungidos (em nossas versões a tradução é “untados”, Ex 29.2); o tabernáculo e todos os seu móveis também foram ungidos (Ex 40.9-11). As pessoas ungidas foram: os sacerdotes (Ex 29.4,7; Lv 4.16); profetas (Sl 105.15; 1 Rs 19.16), e os reis (1 Rs 19.16).
          Com o tempo  a palavra passou a ser um termo técnico, um título do rei que Deus levantaria para libertar seu povo. Isso é ilustrado  quando é usado para Ciro, um rei pagão, que não passou pelo processo da unção dos reis de Israel. Mesmo assim ele é chamado de “ungido” pelo SENHOR, pois traria livramento para seu povo (Is 45.1-5). Ainda antes de haver rei em Israel a palavra é usada em paralelismo com o termo  "rei" (1 Sm 2.10).  Mostrava uma função diante da qual o sacerdócio seria exercido (1 Sm 2.35). 
               No Novo Testamento este título foi aplicado a Jesus (Mt 1.16), mas com o passar do tempo o título se tornou parte do seu nome, não era apenas "Jesus, o Cristo", mas "Jesus Cristo" (Mt 1.1). Esta dinâmica acontece em todas as línguas. Uma palavra que designa uma função se torna um título. Podemos citar como exemplo professor e pastor. Estas palavras designam funções, mas com o passar do tempo elas se tornaram títulos, de modo que alguém que desempenha algumas destas funções é chamada de Professor Fulado, ou Pastor Sicrano. E com o uso o título pode se incorporar ao nome. Alguém chegando à igreja e apontando para mim, perguntar “qual o nome daquele homem?”. Penso, que alguns responderiam: "Pastor Almir".                            
          O modo mais comum para ungir era o de derramar ou aspergir óleo. Mas, o que era um ungido? Para responder a esta questão temos que entender o significado do ato da unção. Este era um símbolo e sinal de algo realizado por Deus. A unção sinalizava:
          1) A escolha divina. Só poderia ser ungido aquele que o SENHOR havia escolhido. Tanto o sacerdote (Ex 20.7; 40.15), como o profeta (1 Rs 19.16), e o rei (1 Sm 16.1-13) eram ungidos porque Deus os escolhera para uma função. O ungido era um escolhido de Deus.
         2) A autorização divina. O ungido adquiria direito à posição de ser o representante autorizado por Deus, de agir em nome de Deus. Quando Arão foi ungido sacerdote ele ganhou o direito a representar o povo diante de Deus (Ex 30.30; 40.13,15). Quando Saul foi ungido rei ele recebeu a autoridade para ser líder do povo representando Deus para o povo (1 Sm 15.1,17). Os profetas eram ungidos para proclamar a verdade de Deus (Is 61.1). O ungido era um escolhido e autorizado por Deus para ter uma posição.
           3) A proteção divina. A unção separava e consagrava. O objeto ou pessoa ungida era separado, colocado à parte, para ser do SENHOR (Ex 29.1-37). Um laço específico era estabelecido entre o SENHOR e o ungido. Ele se era o representante de Deus diante do povo e representava o povo na presença de Deus. Por isso que Davi não quis matar Saul (1 Sm 24.6-11; 26.9-24), pois tocar no ungido era tocar no próprio SENHOR (Sl 105.15). Nas coisas ungidas, separadas para Deus, apenas os também ungidos poderiam tocar (Ex 40.9-11; Lv 8.10,11; Nm 7.10,11). Isto pode ser exemplificado nos casos da morte de Uzá por tocar na arca (2 Sm 6.6,7), e na morte dos meninos que zombaram de Eliseu. (2 Rs 2.23-25). O ungido era um escolhido, autorizado e protegido por Deus para uma posição.
              4) A habilitação divina. O ungido era qualificado para a tarefa designada. Isto indica que os escolhidos eram incapazes para desempenhar as funções apontadas e dependiam da ação de Deus para equipá-los. Esta habilitação vinha com a presença do Espírito do SENHOR (1 Sm 10.6; Is 61.1-3). Deus dava de Si mesmo para equipar o ungido. O uso do óleo para ungir é significativo, pois nas Escrituras o óleo representa sempre o que é bom, forte e abençoado. O ungido era um escolhido, autorizado, protegido e capacitado por Deus.
            5) A comissão divina. O ungido recebia uma tarefa para desempenhar. Para que alguém era ungido? Para ser sacerdote, rei ou profeta. O sacerdote tinha a função de representar o povo diante de Deus apresentando as ofertas de expiação e oficiando o culto (Ex 28.41; Lv 4.3,5). O rei representava Deus libertando (literalmente salvando), julgando e governando o povo de acordo com as leis de Deus (1 Sm 9.16; 10.1; Is 45.1,2). E o profeta representava Deus para o povo trazendo a palavra Dele, sendo o porta-voz de Deus ( Is 61.1) O que todas estas funções tinham em comum era o fato de serem mediadoras. O ungido mediava Deus para o povo e o povo diante de Deus. O ungido era um escolhido, autorizado, protegido, e habilitado por Deus para ocupar uma posição e desempenhar uma função, de representar Deus.
          A leitura dos salmos sobre o ungido nos mostra como o povo idealizava seu rei. O ungido seria um rei sem igual, justo e santo, que teria um trono eterno (Sl 45.6,7). Seria um descendente de Davi (89.3,4,20; 132.10,17; 2 Sm 22.51). Um regente que dominaria a rebeldia das nações por ser constituído pelo próprio Deus, sendo considerado Seu filho (Sl 2). Um rei vitorioso (Sl 20.6). Este rei representava todo o povo de Deus, as vitórias e a salvação concedida a ele eram vitórias e salvação para o povo (Sl 28.8). Por isso que orações eram feitas em prol do ungido (84.9: 89.38,50,51).
          Nenhum rei judeu cumpriu isto plenamente. Os ungidos do Antigo Testamento eram tipos do Ungido que ainda viria. Representavam de modo parcial o Ungido completo e final, o Messias prometido. O povo de Deus esperava o tempo quando Deus iria restaurar esta terra, redimindo-a do pecado. Aguardava um Messias que realizaria de modo pleno a salvação divina. Deus faria isto através de um Mediador escolhido, autorizado, protegido, habilitado por Ele para ser o sacerdote-profeta-rei ideal.
          Esta era a esperança messiânica.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

BASTARAM TRÊS DIAS

             Três dias são o bastante para que muita coisa  seja mudada!
            Certo comentarista chamou minha atenção para dois acontecimentos na história do povo de Israel, quando grandes mudanças ocorreram em três dias. Do entusiasmo e vibração para a amargura e murmuração,  do ânimo para o desânimo.
      O primeiro está registrado em Êxodo 15.22-24. O povo de Israel havia caminhado do Mar Vermelho ao deserto de Sur. Três dias antes, aquelas pessoas haviam presenciado um grande milagre, considerado um dos maiores na história de Israel. Deus abriu o mar, o povo passou pelo meio e os exércitos inimigos foram destruídos. Cantando  alegremente, eles louvaram a Deus por esta vitória. Já haviam testemunhado outras grandes manifestações do poder e da graça de Deus, quando foram as dez pragas enviadas sobre seus opressores.
            Mas, bastaram três dias de caminhada pelo deserto sem achar água, para que a alegria se transformasse em desespero.
            Temos que admitir que a situação não era fácil. Homens, mulheres, crianças e animais caminhando no deserto; os estoques de água acabando, e nada de encontrar fontes, rios ou lagos para saciarem sua sede. Mas eis que encontram um lugar onde havia água! Imagine os olhos brilhando, os sorrisos de alegria, as exclamações de alívio! Mas..., não puderam beber, as águas eram amargas. Que decepção!
            Qual a reação esperada em um momento assim? Em circunstâncias que consideramos normais, por causa de nossa natureza pecaminosa, a reação esperada seria de desespero. Mas este povo já tivera evidências suficientes, dadas há pouco tempo, de que Deus era capaz de providenciar água potável. Portanto, o esperado era que mantivessem uma expectativa alegre, indagando: qual milagre providencial Deus haverá de realizar agora?! Que nova maravilha nós testemunharemos da ação provedora de Deus?!
            No entanto, havia outra coisa amarga ali, além da água, era o coração do povo!            
          Mais decepcionante do que estar com sede, encontrar água e não poder bebê-la, é ter um Deus com tanto poder e ser incapaz de confiar Nele. Se existe um teste para a fé é o de uma esperança frustrada. O povo de Israel não passou neste teste. Sua reação não foi de confiança, mas de murmuração.
            O outro episódio ocorreu quase dois anos depois. Está registrado em Números 10.33-11.3. O povo havia passado quase dois anos parado no Sinai (quando as murmurações também haviam parado). Neste tempo, havia presenciado várias ações divinas. Inclusive a aparição magnífica de Deus no monte Sinai, quando desceu para dar as leis. O povo também tinha escutado as leis de Deus, construído o tabernáculo, aprendido as regulamentações quanto às ofertas e sacrifícios, provado  o juízo no caso do bezerro de ouro, entre outros acontecimentos extraordinários.
            Já havia experimentado  a direção divina todos os dias com a nuvem e a coluna de fogo, a provisão diária do maná e da água que saiu  da rocha. Será que agora confiavam que Deus era capaz supre todas as necessidades?
            Bastaram três dias de caminhada para as reclamações voltarem. O povo não reagiu com fé, mas se queixando. É interessante que nos dez primeiros capítulos do livro de Números há uma forte ênfase na obediência do povo a Deus. A frase “segundo tudo o que o SENHOR ordenara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel ” é repetida várias vezes. Mas, bastaram três dias de marcha para mostrar quão superficial era esta obediência e como ela estava condicionada às circunstâncias.
            Como somos parecidos como este povo. Mesmo sabendo e já tendo visto e experimentado o infinito poder provedor do nosso Deus, bastam três dias de dificuldades (algumas vezes até menos) para murmurarmos , esquecendo este poder e amor soberanos.
            Diante de uma dificuldade, o que se espera do povo de Deus é aceitação e obediência incondicionais. Quando se confia, também se espera sem reclamar. Murmurar é julgar a Deus e suas ações. Os que pertencem a Deus jamais devem se colocar numa posição de querer julgá-lo.
           A reclamação demonstra que minha devoção não é total, que minha obediência depende do meu conforto, que minha fé não é robusta e que meu amor é interesseiro.         
   Peregrinos murmuradores indicam que estão mais interessados no seu conforto do que no projeto de Deus para sua vida. Que preferem ficar acomodados em algum canto do deserto, do que enfrentar as provações para chegar à terra prometida.
            Quem reclama não tem espírito de peregrino!
            A murmuração demonstra que a memória é curta, pois logo esquece o que Deus já fez; que a visão é míope, pois é incapaz de enxergar o cuidado Dele vez após vez; e que se acha muito merecedor e importante para querer que Ele supra o que precisa imediatamente. Quanta arrogância!
            Murmurar é o resultado de esquecer o poder provedor de Deus e sua maravilhosa boa vontade e sabedoria em suprir nossas necessidades. Murmurar é ser impaciente com Deus. E isto é ser injusto.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Deus dá o serviço e os recursos para executá-lo.

     Já ouviu aquele ditado: "Deus dá o frio conforme o cobertor"? Penso que a verdade é o inverso disso: "Deus dá o cobertor conforme o frio"! Ele nos dá os recursos conforme o serviços que nos confia, de acordo com a missão que nos comissiona. Veja um exemplo em Números 7.
   Seguindo as ordens de Deus, Moisés construiu o tabernáculo, este era uma tenda que funcionava como o palácio de Deus no meio do acampamento do povo de Israel. Era o símbolo da presença de Deus com o Seu povo.
        Após levantar o tabernáculo, Moisés o ungiu e o santificou ao SENHOR. Santificar indica que este tabernáculo foi separado, consagrado e dedicado para uso exclusivo de Deus.
       Deus também ordenou que os levitas cuidassem do tabernáculo. Cada um dos ramos das famílias dos levitas tinham funções específicas para a manutenção do tabernáculo.
      Os lideres das outras tribos deram um presente ao SENHOR, para ser usado no serviço do tabernáculo: seis carroças cobertas e doze bois (Números 7.5-8). O SENHOR falou a Moisés que estas carroças deveriam ser distribuídas entre os levitas conforme a necessidade do serviço de cada família dos levitas. Duas carroças para a família de Gersom, quatro para a família de Merari e nenhuma para a família de Coate.
      Penso que, se a distribuição fosse feita por nós, teríamos dado duas carroças para cada família, por considerar isto o mais justo. Mas Deus distribuiu conforme a necessidade do serviço.
      Os meratitas receberam mais carroças porque seu serviço era transportar a estrutura do tabernáculo, quando este fosse desarmado (Nm 4.29-33); os gersonitas deveriam transportar as cobertas e as cortinas, para isto duas carroças bastavam(Nm 4.21-28). Já os coatitas deveriam carregar os móveis sagrados, e estes não poderiam ser levados por animais e sim nos ombros dos homens, portanto não precisavam de nenhuma carroça(Nm 4.1-15).      Notamos um princípio aqui: Deus nos dá os bens de acordo com o serviço que Ele tem para nós. Muitas vezes invejamos aqueles que têm mais do que nós, mas devemos lembrar que se eles têm mais, é porque precisam de mais para desempenhar o serviço de Deus. Quando obtemos mais do que precisamos, ficamos com um fardo extra, que ao invés de nos ajudar, irá nos atrapalhar no trabalho de Deus. Carroças para a família de Coate serviriam apenas para aumentar o trabalho(bois para cuidar e alimentar, etc.), e não ajudariam em nada.
      Podemos ilustrar assim: se Deus querque alguém trabalhe em regiões frias, Ele há de providenciar casacos, botas,etc., para que esta pessoa possa fazer bem o seu trabalho. Pode ser que outra pessoa queira também estes objetos, e lute para consegui-los, mas o seu trabalho será em uma praia. Os casacos e botas que conseguiu irão lhe atrapalhar, serão um fardo a mais para carregar. Nunca poderão ser usadas com propriedade.
      Ainda há outro princípio: Deus vai suprir os recursos para cumprimos nosso trabalho. Ele pode usar outras pessoas para isto. Os gersonitas e meratitas tinham a pesada missão de carregar o tabernáculo, precisavam de recursos para isto: Deus usou os líderes das tribos (que tinham mais condições) para suprir as carroças necessárias. Ele nos dá a missão, e pode levantar outras pessoas para suprirem os recursos para o cumprimento desta missão.      Deus nos dá conforme o serviço que temos para desempenhar para Ele, nem menos, nem mais. Alguém pode achar que tem menos, pode ser que esteja fazendo o trabalho que não é seu. Outra pessoa pode considerar que tem demais, ou ela está correndo atrás de recursos que não deveria ter, ou não está investindo na obra o que deveria investir.
      Finalmente, há o ensino que Deus supre os recursos para a missão. Quando Ele nos dá uma tarefa, podemos confiar que Ele nos dará também os meios para executarmos esta missão. O pensamento de que não teremos os recursos adequados não deve nos impedir de realizar a obra para a qual fomos chamados. Deus vai suprir, como supriu os levitas.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

GUARDADOS DE TROPEÇAR

          Havia uma pedra no meio do caminho! Quem dera fosse verdade que só houvesse uma pedra em nossos caminhos!            Descobrimos que são muitas as possibilidades de tropeçarmos em nossa caminhada. Não há apenas uma pedra, mas várias.
          Andar é correr o risco de tropeçar e cair. Todos que andam já tropeçaram. ou quando pequenos, começando a aprender a andar, ou na velhice, quando a vista e as pernas já não estão tão fortes, e até  entre estes dois períodos.

          Alguns tropeços causam apenas um pouco de atraso em nossa caminhada, já outros podem deixar marcas e cicatrizes que sempre carregaremos conosco. Algumas vezes tropeçamos em pedras que acidentalmente aparecem em nosso caminho, noutras em pedras que foram colocadas propositalmente para nos fazer tropeçar. Seja num caso ou noutro, nossos tropeços foram causados por nossa falta de atenção. É sempre bom ter alguém que nos avisa das pedras em nossos caminhos.

          O peregrino em sua caminhada para adorar em Jerusalém, também corria o risco de tropeços. Viajava a pé, por caminhos íngremes, cheios de curvas, não planos, rochosos e perigosos. O tropeçar e o cair eram sempre uma possibilidade. Mas ele clamava para não cair, pedia que Deus não permitisse que seus pés vacilassem (Sl 121.3). Naquelas estradas cheias de obstáculos, o peregrino confiava que Deus enviaria seus anjos para não deixá-lo tropeçar nas pedras (Sl 91.11,12).

          A expressão  “Pés que escorregam” também poderia expressar a possibilidade da perdição final (Dt 32.35), ou o cair da fé (Rm 14.4). Este é um tropeço grande, de consequências eternas. Só Deus pode nos impedir desta queda.

           A Bíblia nos fala de várias são as pedras que podem nos fazer cair:

- os ídolos (Dt 7.25); 
- o fazer justiça com as próprias mãos (1 Sm 25.31); 
- as dúvidas e a inveja da prosperidade dos ímpios (Sl 73); 
- a nossa própria prosperidade (Sl 69.22); 
- o apego aos nossos pecados (Mt 5.29,30); 
- as perseguições (Mt 13.21); 
- as pessoas que estão conosco mas não pensam conforme os propósitos de Deus (Mt 16.23);  - os escândalos que inevitavelmente virão do mundo (Mt 18.6,7); 
- a crença na salvação pelas obras (Rm 9.32); 
- os escândalos provocados por outros irmãos (Rm 14.13); 
- os irmãos que provocam divisões (Rm 16.17); 
- o mau uso da liberdade que temos em Cristo (1 Co 8.9); 
- a nossa desobediência à lei de Deus (Tg 2.10); 
- o uso da língua (Tg 3.2): 
- e os falsos ensinos (Ap 2.14). 
 Não há apenas uma pedra no meio do caminho, mas muitas! Mas Deus nos guarda dos tropeços.
           Para nos guardar dos tropeços Deus nos deu a Sua Palavra. Para quem anda conforme a Palavra de Deus não há tropeços (Sl 119.165). Obedecê-la é como andar na luz do dia, onde as pedras podem ser vistas e evitadas (Jo 10.9,10).

          Obediência a esta Palavra inclui esforço e dedicação. Somos exortados a diligenciarmos em fazer firme nossa salvação (2 Pd 1.10). Jesus advertiu severamente e por duas vezes para tomarmos a decisão radical de cortar toda atitude e atividade pecaminosa, que pode nos fazer tropeçar (Mt 25.29,30; 18.8,9). O autor de Hebreus nos anima em fortalecer os joelhos desanimados, a fim de evitarmos a queda (Hb 12.12).

          A oração é outro método usado por Deus para nos impedir de tropeçar e cair. Por isso que Jesus nos ensinou a orar Não nos deixe cair em tentação (Mt 6.13)

          Mas no final é a Sua misericórdia que nos impede de cair (Sl 94.18). Podemos até chegar ao quase, como Asafe (Sl 73.2), mas podemos confiar que Deus é poderoso para nos guardar de todos estes tropeços, e nos
apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória (Jd 24).
          Tal qual o peregrino, podemos confiar que chegaremos à Jerusalém, à nossa Jerusalém celestial, guardados por Aquele que não permite que nossos pés vacilem.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O poder da Bíblia para mudar sentimentos.


O salmo 19 verso 7ª e 8a diz:
"A Lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma ...
Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração
"
Dois acontecimentos chegaram ao meu conhecimento e ilustram o  poder de transformar sentimentos que a Bíblia tem.
Certo casal teve sua casa assaltada. Os ladrões, além de roubarem os bens, tomarem droga dentro da casa, depois de amarrem o marido, estupraram a esposa, com o filho de oito anos, ouvindo tudo. Evidentemente o homem ficou revoltado. Mas um jovem começou a ler a Bíblia para ele, enquanto ele trabalhava. Ele testemunhou que pouco a pouco, a raiva foi embora, seu sentimento mudou em relação ao que lhe havia acontecido.
Em 1977, um jovem matemático e jogador de xadrez brilhante, foi preso pela KGB por suas repetidas tentativas de emigrar para Israel. Seu nome Anatoly Shcharansky. Passou 13 anos nas prisões soviéticas. O dia todo, ele lia e estudava os 150 salmos. "Que vantagem isso me traz?", ele perguntou numa carta. "Aos poucos meu sentimento de grande perda e dor se transforma em grandes esperanças"
A Bíblia é um grande remédio contra a tristeza, a ira, a revolta e a depressão.Ela  pode transformar nossos sentimentos. 
Vamos ler e estudar esta Palavra.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

A SEGURA PROTEÇÃO DE DEUS

Vivemos tempos perigosos. Desde a entrada do pecado que este mundo não é mais um lugar seguro. As ameaças são constantes. A nossa integridade física e a espiritual, e esta muito mais, vivem sob constante risco. Mas não podemos nos admirar desta situação, pois está é a vida de um peregrino. Em terra estranha, com gente estranha, rodeado de inimigos, só pode esperar ameaças. Mas, ao invés de medo, precisamos de proteção que seja segura para nos guardar neste tempo de peregrinação. No salmo 121 o peregrino canta que tem encontrado esta proteção em Deus. Seis vezes ele menciona Deus como o que guarda. Ele nos diz como esta proteção é segura.
É segura porque é Poderosa, pois ela é feita pelo Criador dos céus e da terra, isto é, Criador de tudo que há. Deus não está limitado a um lugar, nada está fora de seu conhecimento e controle. Tudo está debaixo de suas ordens. Nem família, nem governo, nem amigos, nem riquezas podem nos fornecer ajuda tão poderosa.
É segura porque é Vigilante, pois Ele nem dorme, nem tão pouco cochila. Esta verdade é repetida. Ao dizer Eis que não cochila e não dorme o que guarda Israel, o salmista quer dizer “Vejam, prestem atenção, aquele que guarda o povo de Deus, não chega a tirar nem um cochilo sequer”. É possível uma sentinela dormir no seu posto; um motorista dormir no volante; uma mãe dormir enquanto cuida de seu filho, mas Deus nunca dorme.
É segura porque é Eficaz, pois é uma sombra protetora à nossa direita. A direita indica favor, força (Gn 48.13-19), e certeza de que jamais seremos abalados (Sl 16.8). Deus nos protege do nosso lado mais importante e necessário. Ele segura na nossa mão direita em nossos momentos de dúvida (Sl 73.23). A proteção dos homens pode falhar em detectar onde estamos mais carentes de segurança, a de Deus é eficiente, pois nos protege onde mais precisamos.
É segura porque é Constante, pois é todo dia e o dia todo. O salmista faz questão de dizer que é de dia e de noite, na entrada e na saída, agora e para sempre. A expressão "entrar e sair" indica todos os movimentos, toda extensão da vida humana (2 Sm 3.25; Dt 28.6; 1 Sm 29.6). Deus nos guarda não apenas agora, mas para sempre. Não apenas a viagem do peregrino a Jerusalém e sua volta ao lar, mas também na viagem eterna. Nossos protetores humanos podem nos deixar em certos momentos da vida, mas a proteção de Deus é eterna.
Li na internet de um menino que estava num avião. Durante a decolagem olhava pela janela com os olhos brilhando. Depois que o avião ganhou altura entre as nuvens, ele passou a pintar uns desenhos que havia trazido. Quando o avião passou por uma turbulência, ele não se abalou e continuou pintando. Uma moça, sentada ao seu lado, perguntou se ele não estava com medo. Ele respondeu: Meu pai é o piloto.
A confiança em seu pai como piloto daquele avião, era maior do que o medo de um desastre. Nas turbulências nesta vida de peregrinos devemos lembrar que nosso Pai é o piloto. Foi isto que o poeta disse neste hino
Quando a fé por vezes falta, e o sol não posso ver
A Jesus eu digo humilde: "Oh, vem meu Piloto ser"!
Quando a tentação me envolve e não posso a Cristo ver,
Eis que em meio à tempestade ouço o Salvador dizer:
Oh, não temas sou contigo ,Teu Piloto até o fim!
Não te importes com o perigo, Eis a mão, confia em Mim.
Quando a alma se abate, Quando os dias longos são,
Volvo o olhar ao meu Piloto, este canto escuto então:
Oh, não temas sou contigo Teu Piloto até o fim!
Não te importes com o perigo, Eis a mão, confia em Mim.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

OS MONTES PODEM NOS PROTEGER ?

          Um jogo interessante e que exige nossa atenção é aquele que aparece em algumas revistas, onde se deve encontrar os erros. Dois desenhos bem parecidos são apresentados e temos que achar as diferenças entre eles. Quero pedir que você encontre a diferença entre estas duas leituras do Salmo 121.1:
  Elevo os meus olhos para os montes, de onde me virá o socorro.
 Elevo os meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro?        
          Você notou que a diferença está nos sinais do meio e do final das frases. Pois, estes dois sinais fazem toda a diferença. Algumas pessoas podem ter uma crença errada por conta de uma leitura errada. Uma coisa é olhar para os montes afirmando que lá está nosso socorro, outra é olhar para eles procurando socorro.        
             O contexto do salmo nos indica que o socorro buscado aqui era em termos de proteção e segurança. A vida nem sempre nos dá a sensação de ser segura. Enfrentamos momentos de insegurança.
            Na vida de peregrinos este senso de insegurança aparece de forma mais intensa. Perdemos nossas referências quando estamos no meio de pessoas estranhas e em lugares desconhecidos. Situações diferentes geram incertezas e ansiedades. A falta de familiaridade com as circunstâncias nos leva à desconfiança.           Os peregrinos que caminhavam para adorar em Jerusalém enfrentavam perigos tais como assaltantes e acidentes naturais, assim a insegurança lhes sombreava (Lc 10.30). Por causa disto alguns levantavam seus olhos para os montes buscando socorro (Sl 121.1).
           As montanhas emanavam uma sensação de segurança por conta de sua majestade e altura. Simbolizavam poder. Pessoas, coisas, e reinos grandiosos eram comparados às montanhas (Jr 51.25; Zc 4.7; Dn 2.44). Diante de perigos até reis buscavam refúgio nos montes (Gn 14.10). Os montes também eram associados aos deuses. Na Palestina eram adorados por nações vizinhas à Israel. Os altares dos deuses eram feitos nas montanhas. Alguns levantavam os olhos para os montes buscando a proteção dos deuses que ali eram cultuados (Ez 18.15).
           Apesar da aparência, os montes desapontam. A proteção oferecida por elas era uma ilusão (Jer 3.23). As montanhas também eram símbolos de obstáculos (Mt 21.21). Elas poderiam também esconder ameaças servindo de esconderijo para vagabundos, ladrões e quadrilhas. Por isso o senso de segurança que proporcionavam era dúbio. Confiar nos montes era candidatar-se ao desapontamento.
           Por isto o peregrino canta que sua segurança está em Deus (Sl 121.2). A mesma coisa que Davi cantou (Sl 11.1). Deus é maior do que as montanhas. Ele quem criou as montanhas (Sl 65.6), e as pesou (Is 40.12). E é Ele quem as despedaça (Hab 3.6); remove-as (Jó 9.5); pisa sobre elas (Mq 1.4) e acaba com elas (Is 40.4).
           Todo sistema de segurança humana é como os montes. É bom tomar precauções: cinto de segurança; capacete na moto; cuidar da saúde; ter sistemas de alarme; recorrer aos encarregados da segurança, empresas de seguro, etc. Vamos lembrar que Deus usa estas coisas para nos guardar. Os recursos humanos são meios, usados por Deus, mas nossa confiança não deve estar nos meios, e sim naquele que dispõe dos meios. Pois os meios humanos são ambíguos. Pessoas já morreram por mau funcionamento do cinto de segurança; por capacetes falhos; por cuidados de saúde que se demonstraram errados; por sistemas de alarme que não funcionaram; por descuido nos encarregados da segurança.        
            Nossa confiança deve estar em Deus, que já existia antes dos montes e continuará existindo depois deles (Sl 90.1).

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

A vida está na obediência

Pensamos que viver é satisfazer os nossos desejos. Ouvimos e algumas vezes até repetimos que "viver é fazer tudo que se quer"; "desfrutar a vida é fazer todas as nossas vontades". Mas não é isto que Deus nos diz.
Em Levítico 18.5 Deus diz para o povo de Israel que é em guardar os mandamentos Dele que o homem encontra a vida. Desfrutar a vida na terra de Canaã, para onde o povo ia, dependia da obediência aos mandamentos de Deus.
Romanos 8.13 diz que a vida satisfazendo aos desejos da carne (nossa natureza pecaminosa) vai com certeza nos levar para a morte, mas se fizermos morrer as atividades da carne, nós iremos desfrutar da vida.
Pensar que para ter vida é preciso satisfazer nossos desejos é mais uma mentira de Satanás, do mundo, e dos nossos pensamentos pecaminosos. Não é assim! Para ter vida precisamos é de obedecer a Deus. Conhecer os seus mandamentos e cumprir.
Nossos desejos para o pecado devem ser mortos por nós. Isto é deixados inativos, não devemos dar ouvidos a eles, nem buscarmos formas de satisfaze-los. Fazendo isto, desfrutaremos da verdadeira vida.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O PREÇO DA PAZ


   Quem me dera ter paz! esta frase expressa  o desejo de muitas almas. O compositor do Salmo 120, também cantou seu anseio por paz na sua peregrinação para Jerusalém: A minha alma habita há muito tempo entre os que odeiam a paz! (Sl 120.6). Mas a paz tem seu preço!      
    Uma das condições para a paz é a justiça (Is 32.17). A violação da justiça abre a porta para a paz ir embora. Ela se recusa habitar debaixo de paredes rachadas pela injustiça. Seu retorno depende das injustiças serem reparadas. 
       A Bíblia demonstra esta verdade usando a expressão “fazer a paz” para indicar o pagamento de alguma dívida ou a restituição de algum prejuízo. Em Êxodo 21.36, 2 Reis 4.7 e Ezequiel 33.14,15,  a palavra que em nossas versões foi traduzida como “pagar”, literalmente é “fazer paz”. 
    A falta de paz se dava pelo prejuízo causado ou pela dívida não paga. Para apaziguar a pessoa ofendida o preço deveria ser pago. Algumas vezes este pagamento era uma atitude de submissão (Lc 14.32; 1 Co 14.33). Assim os gibeonitas conseguiram a paz diante de Josué (Js 9,10.1).          
    Às vezes alguns pagavam para que outros tivessem paz. O reinado de Salomão foi de imensa paz, porque seu pai, o rei Davi, havia feito as guerras para subjugar os reinos ao redor. A geração de Davi pagou o preço da paz que a geração de Salomão desfrutou (1 Rs 4.20-27; 5.1-4). 
    Em outras situações um mediador  faria a paz (At 7.26; 12.20).      
   Toda falta de paz em nossa vida advém das injustiças cometidas contra Deus. A ausência da paz com Deus gera todos os outros problemas. O preço para se ter paz com Deus deve ser pago. Os adoradores do Antigo Testamento  faziam ofertas de paz,  algumas vezes chamadas de  “sacrifícios de ações de graças” (Sl 50.14,). Aquelas ofertas de paz eram apenas sombras da oferta suprema que seria feita pelo Príncipe da paz, que ainda estava por vir (Is 9.5,6).
      Jesus veio como Mediador da paz com Deus, para nos guiar pelo caminho da paz (Lc 1.79). Ele nos reconciliou com Deus, Ele fez a paz. Deu sua própria vida como pagamento (Ef 2.14,15,17; Cl .1.20). Ele pagou o preço da nossa paz.
       Como podemos desfrutar desta paz? Pela fé. Devemos acreditar que Jesus Cristo pagou a nossa dívida com Deus, assim Deus foi apaziguado e nós fomos reconciliados com Ele (Rm 3.25,26). A injustiça que cometemos contra Deus foi reparada e nós fomos justificados de nossos pecados através de Jesus Cristo, agora pela fé, temos paz com Deus (Rm 5.1).      
    Esta fé se demonstra em um propósito firme de seguir a Jesus (Is 26.3). Obedecendo aos Seus caminhos, deixando-se orientar pelo Espírito Santo (Rm 8.6), pois é o Espírito que produz a paz (Gl 5.22). Confiando na sabedoria divina e não seguindo seus próprios conselhos (Tg 3.17). Aceitando a disciplina de Deus, sabendo que este Deus nos disciplina para podermos desfrutar de paz (Hb 12.11).
      Paz que é desfrutada mesmo diante de ansiedades, pois somos exortados a colocar as preocupações diante de Deus, em orações e Sua paz vai nos encher (Fp 4.6,7). É paz usufruída  sem medo, mesmo no meio de aflições, pois ela vem de ouvir as palavras de Jesus e segui-las (Jo 14.27;16.33).
      Esta confiança não elimina nosso trabalho em viver em paz com as pessoas. Devemos nos esforçar por manter laços de paz com nossos irmãos (Ef 4.3). Este empenho pela paz inclui o afastamento do mal (1 Pd 3.11). 
        Alguns prometem uma paz sem preço, uma paz barata. Apenas colocam bandagens nas feridas, algo que alivia dor, mas não cura a infecção. Prometem que as pessoas podem viver em seus pecados e ainda ter paz (Jr 6.14; 8.11). Esta é uma falsa paz. 
      Aqueles que desfrutam da verdadeira paz devem anunciá-la a outros. Evangelizar é anunciar a paz de Deus através de Jesus Cristo (At 10.36; Ef 6.15).

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Honrando mais a glória de Deus do que a nossos filhos

        Filhos são verdadeiros tesouros! Tão preciosos que nos afeiçoamos a eles de modo muito intenso. Mas, existe um perigo, o do nosso amor por eles se tornar maior do que o nosso amor a Deus.         
     O nosso amor à honra de Deus deve estar acima de nossa afeição por nossos filhos. Em Levítico capítulo 10 temos um acontecimento que ilustra esta verdade.         
       Os dois filhos mais velhos do sumo-sacerdote Arão, Nadabe e Abiú, morreram dentro do tabernáculo por terem feito algo que Deus não havia ordenado. Não foi permitido à Arão que manifestasse luto pela morte de seus dois filhos, nem a seus outros dois filhos que chorassem pelos irmãos recentemente falecidos. O restante do povo poderia lamentar, mas eles não. Não lhes foi permitido nem tirar os corpos de dentro do tabernáculo, dois primos fizeram isto.        
        Arão e os dois outros filhos, Eleazar e Itamar, deveriam demonstrar uma afeição maior a Deus do que aos filhos e irmãos falecidos. A missão que haviam recebido de Deus exigia isso. O amor à honra de Deus  teria que superar a manifestação de dor pela perda dos familiares.  O trabalho de adoração a Deus tinha mais valor do que o sepultamento de seus filhos. A honra e a santidade de Deus deveriam ser mais amadas do que os filhos.
        O amor a Deus deve estar acima do amor aos filhos.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Conforme ordenou o SENHOR

          Nossa adoração deve ser do modo ordenado por Deus.        
          O Livro de Êxodo descreve as ordens de Deus sobre o lugar do culto e a construção do mesmo. Na inauguração o próprio Deus se faz presente, chegando com Sua glória (Ex 35-40).        
          Do tabernáculo Ele chama Moisés (Lev 1.1) e dá as ordens de como deveria ser este culto. Especificando quais eram as ofertas a serem sacrificadas, como deveriam ser sacrificadas, e quem deveria oferecê-las e ministrá-las (Lev 1-7). Esta  primeira parte do  livro  é uma espécie de Manual do Culto do povo de Israel.        
          Nos capítulos 8-10  temos o relato da ordenação de Arão e seus filhos ao sacerdócio em Israel (eles seriam os ministros encarregados do culto), e das primeiras ofertas que eles oficiaram em adoração a Deus.        
        A expressão conforme ordenou o SENHOR e semelhantes aparecem 20 vezes nestes capítulos (15 vezes referindo-se diretamente a Deus, e 5 vezes a Moisés, que era o agente de Deus em trazer a revelação).Uma vez, é dito que Nadabe e Abiú, fizeram algo que o SENHOR não ordenou. Foram fulminados por causa disto (Lev 10.1-3).        
          Há uma ênfase na obediência. Somos chamados para adorar em obediência, conforme o SENHOR ordenar. Porque nossa adoração deve manifestar a santidade de Deus, e assim glorificá-Lo.        
          A falta em se conformar às ordens de Deus manifesta que não estamos dando a Deus a posição de singularidade que Ele tem e merece, isto é falta de santidade. Deus é Santo, e isto é repetidamente enfatizado em Levítico. Afirmar que Deus é santo quer dizer que Ele está extremamente acima de qualquer outro ser ou coisa, que Ele é distinto e completamente separado de tudo. Sendo singular e incomparável. Então, somente Ele pode nos dizer como quer ser adorado. Não somos capazes de imaginar como deve ser esta adoração, pois somos pecadores, e bem inferiores a Ele. Nossa adoração só é aceitável a Ele, quando expressa nos termos Dele.        
          A adoração do nosso jeito também não O glorifica nem O agrada, porque não expressa o que Ele é. Podemos ilustrar da seguinte maneira. Suponha que você tem um amigo e quer homenageá-lo com  um presente, você sabe que ele gosta de futebol e torce ardorosamente por um time,  então decide comprar a camisa de um time. Só que você não se preocupa em saber qual é o time que ele torce, e compra a camisa do time rival. Por mais caro que tenha sido o presente, com certeza seu amigo não se sentirá homenageado, mas ofendido. Imagine se um palmeirense se sentirá homenageado recebendo de presente uma camisa do Corinthians, ou vascaíno recebendo uma camisa do Flamengo, e vice-versa?! Para que seja um presente que honre o Seu amigo, é preciso ser algo que o agrade.        
          Muitas vezes queremos adorar a Deus, mas do nosso jeito, e não conforme Ele ordenou. Foi o problema de Nadabe e Abiú, como já havia sido o problema de Caim (Gênesis 4). Deus não se agrada, mas se irrita com esta adoração.        
          Será que da nossa vida de adoração pode ser dito “fez tudo como o SENHOR ordenou?

terça-feira, 6 de novembro de 2007

O QUE É PAZ ?


          “Eu só quero viver em paz!”; “Me deixem em paz”; “Ah! Seu eu pudesse ter paz”. Estas frases expressam um anseio compartilhado pela maioria das pessoas. Todos querem uma vida de paz. Este também era o anelo do peregrino que, caminhando a Jerusalém, cantava seu desejo por paz (Sl 120.6,7).             
       Mesmo sendo tão desejada, a paz é pouco compreendida. Se alguém lhe perguntasse: “O que é a paz?”, o que você responderia? O que você quer dizer quando pede para ter paz?
     A Bíblia indica que a paz é um estado de plenitude. Uma situação onde tudo está completo e nada falta. Todas as coisas estão bem. Nenhum problema ocorre para perturbar. De fato, a paz só é possível quando tudo na vida está bem, nada nos ameaça. A Bíblia também apresente os indicadores de uma vida com paz. 
 1. Temos harmonia e não contendas. Quando há reconciliação e os relacionamentos estão restaurados. Não há brigas nem guerras. (Lc 14.32; At 7.26; 12.20). Não há confusão nem desentendimentos com as pessoas com as quais convivemos (1 Co 7.15; 14.33). 
2. Temos segurança e não ameaças. Havia paz para o povo de Israel na época de Salomão, porque em seu governo houve segurança (1 Rs 4.24s; 5.4). O povo poderia viver descansado e confiante, desfrutando de uma sensação de bem estar, sentindo-se a salvo. Estar num estado de constante ameaça é viver sem paz. 
3. Temos saúde e não sofrimento. No Salmo 38.3 Davi diz que os ossos estavam sem paz (traduzidos como “saúde”), isto é, estavam adoentados, doloridos. A doença é algo que ameaça e perturba, ela tira a nossa paz. Só há paz quando há saúde. 
4. Temos prosperidade e não escassez. No Salmo 73.3-5, Asafe inveja os perversos por sua paz (traduzido como “prosperidade” em nossas versões). E ele descreve esta paz em termos de ausências de tormentos; de doenças; de labutas (canseira, dificuldades, aflição, fadiga, trabalho extenuante). A paz só é possível quando nossas necessidades estão satisfeitas. Quando há carência de algo, não há paz. 
5. Temos descanso e sossego e não preocupações. Este descanso vem pela ausência de perturbações tanto externas como internas. É aquela situação onde a pessoa deita e logo dorme, por estar completamente despreocupado (Sl 4.8). Ansiedades e preocupações tiram a nossa paz, só quando nossa mente está despreocupada e tranquila é que podemos ter paz. 
6. Temos sucesso e não frustração. Uma vida de paz é uma vida onde se alcança a realização em cumprir nossa missão. Foi assim com o rei Josias, que mesmo tendo morrido em uma guerra, é dito que morreu em paz, isto é, ele cumpriu com sucesso sua missão (2 Rs 22.20). Não conseguir realização em nosso projeto de vida traz a sensação de fracasso, e isto tira a nossa paz. 
7. Temos certeza de salvação e não afastamento de Deus (Rm 5.1). Por causa dos pecados todos os homens estão em guerra com Deus, não conhecem o caminho da paz (Rm 3.17). Jesus veio para fazer a paz entre Ele e nós (Ef 2.14-18). Esta paz foi conseguida quando a pena devida pelos nossos pecados foi paga, com a morte de Cristo na cruz. Agora, qualquer pessoa que, arrependida de seus pecados, confie nesta provisão feita por Cristo, desfruta da justificação, isto é, os seus pecados são perdoados e ela tem paz com Deus. A reconciliação foi feita, porque o preço foi pago,  podemos ter acesso à presença de Deus. Jesus fez esta paz (Cl 1.20). 
8. Temos a direção do Espírito Santo e não disposição para o pecado (Rm 8.6) O apóstolo Paulo diz que a vida orientada pelo Espírito tem paz. Esta é a vida que se deixa levar pelos pensamentos do Espírito de Deus e não pelos seus próprios. O seu modo de pensar não é o do mundo, mas o de Deus. Uma vida conforme o mundo é uma vida orientada pelo pecado e o pecado tira a nossa paz. Somente uma vida que seja guiada pelo Espírito Santo pode ter o fruto da paz (Gl 5.22). Quando esta vida está em nós, temos paz (Rm 15.13).          
Esta é uma vida de paz! É a vida que todos nós desejamos! Será possível ter esta paz?

terça-feira, 30 de outubro de 2007

O que é pecar?

Com base nas palavras que O Antigo e o Novo Testamento usam para pecado, podemos resumir dizendo que
Pecar é ...

desconhecer a vontade de Deus para nossas vidas.
deixar- se enganar quanto a Sua Palavra.
não prestar atenção ao que Deus diz.
errar o alvo não vivendo conforme o propósito de Deus para nossas vidas.
faltar com o respeito devido à Deus.
ir além dos limites marcados por Deus.
não viver de acordo com a natureza humana como criada por Deus.
rebelar-se contra Deus.
insubmissão a Deus, não aceitando a Sua autoridade em nossas vidas.
uma traição contra Deus, quebrando o compromisso com Ele.
viver de modo torto, fora do prumo e padrão de Deus.
fazer o que Deus tem nojo.
ter uma vida anormal.
fazer o que é mal e que traz malefícios.
fazer algo que nos torna culpados diante de Deus.
cometer atos que se tornarão problemas para a vida. Por tudo isto devemos evitar pecar, pois todo pecado é sempre contra Deus.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

CUIDADO, A TENTAÇÃO É ESPERTA

    Em Gênesis 3.1 diz Mas a serpente, mais sagaz.... A palavra sagaz é usada no Antigo Testamento tanto com conotações positivas ( exemplo: “prudente” em Provérbios 13.16), como negativas (exemplo: “astuto” em Jó 5.12). Creio que o sentido que liga estes dois usos é o de ser esperto para empreender os melhores meios, e assim  conseguir o que deseja. Quando usado para o bem, ela é a prudência, quando usada para o mal, ela se torna a astúcia.
     Foi assim que os gibeonitas procederam com Josué, fingiram algo que não eram, para alcançar seu objetivo de não serem destruídos pelos israelitas (Josué 9.4).     

    A palavra usada no Novo Testamento ( 2 Coríntios 11.3) tem em sua formação a ideia de alguém que é “capaz de qualquer trabalho”, mas depois passou a ser usada para indicar alguém que é “capaz de fazer qualquer coisa” para atingir seus objetivos, i.e. alguém sem princípios.      
    Como os inimigos de Jesus que usaram de astúcia para tentar pegá-lo em uma armadilha (Lucas 20.23), fizeram isto usando pessoas que se fingiam de justos (Lucas 20.20). Outros que assim procediam eram os falsos mestres que usavam métodos enganosos no ensino (Efésios 4.14).
    Ainda hoje Satanás tem seus métodos para tentar nos enganar e colocar contra Deus (Efésios 6.11). Ele pensa e faz planos (2 Coríntios 2.11), e seu planos são sagazes.     A tentação é esperta, ela vai usar os melhores meios para nos colocar contra Deus.  Ela é capaz de qualquer coisa para nos fazer cair em pecado. Cuidado!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

NÃO SIGA O SEU CORAÇÃO

     "Siga o seu coração"; "faça o que o seu coração mandar";  "ouça o que diz o seu coração", já ouviu  conselhos assim?      Parecem  bons conselhos. Pois procuram nos guiar a ouvir o nosso interior, sondar o que realmente queremos. Mas, o que será que a Bíblia diz a respeito disto?      Provérbios 28.26 diz o seguinte "O que confia no seu próprio coração é insensato, mas o que anda em sabedoria será salvo." A afirmação é clara, não é sábio confiar no próprio coração. Agir assim  é o oposto da verdadeira sabedoria, é sinal de insensatez.
     Jeremias 17.9 diz "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?" Note que nosso coração nos engana. Pode ser um desastre confiar nele, além de que é difícil conhece-lo verdadeiramente. Apenas Deus conhece nosso coração, e Ele disse que este coração é mau desde nossa infância. Gênesis 8.21 "porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice,"      
Jesus afirmou que é do coração que procedem os pecados que tornam o homem impuro. Mateus 15.19,20 "Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina."     
     "Seguir o coração" é mais uma das mentiras que estamos rodeados. Ao invés de seguis o nosso coração vamos procurar conhecer e seguir a Palavra de Deus.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

LIVRA-ME DA MENTIRA !

      Vivemos rodeados de mentiras. É impossível passar um dia sem se que nos deparemos  com palavras ou ações mentirosas tanto de nossa parte, como da dos outros. São
- mentiras da publicidade que afirmam saber o que preciso e desejo;
- mentiras que oferecem a alegria rápida através da diversão barata;
- mentiras dos homens públicos que prometem resolver os problemas comunitários, mas o que querem é resolver os problemas deles;
- mentiras de conselheiros que afirmam ser preciso dar vazão aos desejos egoístas para se adquirir  a felicidade;

- mentiras dos que oferecem uma fórmula fácil para o sucesso, que funciona apenas para os que vendem a tal fórmula;
- mentiras das religiões, que em nome de Deus oferecem conselhos que curam apenas supercialmente os problemas das pessoas;
- mentiras dos pastores que para manter suas igrejas cheias dão um jeito nos mandamentos de Deus, e seguem as modas religiosas do mundo;
- mentiras dos moralistas que acreditam que somente com esforço próprio podemos nos livrar dos  vícios, pois o homem é senhor de seu destino e capitão de sua alma;
- mentiras dos libertinos que ensinam que podemos desobedecer a Deus, porque no final tudo vai dar certo;
- mentiras  que afirmam que a razão dos meus problemas está nos outros e não em mim e que se eles mudassem minha vida seria mais feliz;
- mentiras de que se o mundo fosse do meu jeito a minha vida seria melhor;
- mentiras de que nós podemos salvar a nós mesmos.

Mentiras e mais mentiras. Neste mundo rodeado de mentiras o peregrino clama: “SENHOR, livra-me dos lábios mentirosos, da língua enganadora.” (Sl 120.2). A maior guerra no mundo está na nossa mente e é entre a mentira e a verdade. 
Quais formas a mentira assume? Enquanto a verdade nunca muda, pois no dia que mudar deixa de ser verdade, a mentira é mutante e assume várias formas. 
Mentir é falar ou agir em desacordo com a verdade e a realidade. A mentira se manifesta de várias formas: 
- quebrar uma promessa; 
- ser infiel a um acordo; 
 - agir sem uma base (como odiar alguém sem causa, Sl 38.19); 
 - usar de falsidade no comércio (Am 8.5); 
 - não recompensar com o resultado adequado (como Nabal fez com Davi, 1 Sm 25.21); 
 - falar o que de fato não ocorreu (Ex 20.16; Dt 19.18); 
 - gabar-se contando vantagens (Pv 25.14); 
- cobrir a verdade com uma pintura que a distorce (Jó 13.4);
 - passar-se pelo que de fato não é (como ídolos que se passam como auxiliadores, mas não podem socorrer Jr 10.14,15); 
 - despertar esperanças que não serão cumpridas (Hc 2.18); 
 - confiar em algo que não têm condições de honrar a confiança (Sl 33.17); 
 - falar em nome do Senhor, quando o Senhor não falou (sonhos e profecias, mentirosos, Jr 23.25,32); 
 - encobrir os verdadeiros sentimentos com palavras falsas (Pv 10.18); 
 - afirmar que não tem pecado (1 Jo 1.10); 
 - dizer que conhece os mandamentos de Deus, mas não guardar (1 Jo 2.4); 
 - dizer que ama a Deus, mas odiar o irmão (1 Jo 4.20); 
 - arrepender-se com fingimento (Jr 3.10); 
- negar as doutrinas bíblicas (1 Jo 2.22). 
 Tudo isto é manifestação da mentira. 
Como acontece a mentira? Ela começou com o pai da mentira, o Diabo (Jo 8.44). A mentira é algo que pertence a ele, que lhe é próprio, ele mente desde o princípio. Ele é o enganador de todo mundo (Ap 12.9). Ele usa vários meios para espalhar a mentira: os seus filhos que desvirtuam a verdade de Deus (At 13.10); a sedução do mundo (Ef. 2.2). Mas o modo mais comum é atrair usando nossos próprios desejos: 
 - a ganância e o de ganhar dinheiro fácil (Jr 8.10); 
 - o de impressionar (Pv 25.14); 
 - o de conseguir escape diante de situações complicadas, sem enfrentar as dificuldades (Is 28.15); 
 - o de enganar as pessoas (Pv 10.18); 
- e todos os outros desejos ilícitos. 
A mentira nasce no coração, onde é concebida em segredo (Is 59.13); depois é declarada. Com o passar do tempo incorpora-se ao caráter da pessoa, de modo que ela não consegue falar sem mentir, sua língua e seus lábios são caracterizados como mentirosos (Pv 12.22;26.28); torna-se um seguidor do espírito da mentira (Mq 2.11), toda sua vida passa a ser orientada pela mentira (Pv 17.4), e ela mesma é iludida por sua própria mentira (Is 44.20). 
Quais os resultados da mentira? A mentira pode até ser agradável e funcionar no início, mas depois será como pedras nos dentes (Pv 20.17). Mentir é pecar contra Deus (Is 59.13), Ele odeia a mentira (Pv 6.16-19; 12.22), e não a permitirá em Sua presença (Sl 101.7), logo ela será desmascarada (Pv 12.19) e punida (Pv 19.5,9). Os benefícios conseguidos com mentiras são ventos passageiros, que não trazem nada de utilidade permanente e ainda nos arrastam para a destruição (Pv 21.6; 25.14). O destino final dos mentirosos será o lago de fogo (Ap 21.18). 
Como posso me defender da mentira? Clamar a Deus, como o salmista (120.3; 144.11) e conhecer e apoiar-se na verdade da Palavra de Deus (Sl 119.69,86,128). Neste mundo cheio de mentiras somos chamados para seguir a verdade e a viver a verdade (Ef 4.15). Por isso, clamemos a Deus que nos livre da mentira!