domingo, 28 de agosto de 2016

UMA MORADA SEGURA NOS BRAÇOS DO ETERNO


            Penso que há duas situações nas quais carregaremos alguém nos braços: a primeira é em caso de extrema necessidade, em que a pessoa, precisando de socorro,  não possa caminhar; a segunda, é quando estamos muito alegres com a pessoa que queremos demonstrar nossa afeição e admiração.
            Exemplificando: alguém sofre um acidente e em decorrência disso, fica sem poder se locomover e necessita de que um socorrista o tome e o carregue nos braços para que seja atendido. Alguém também pode ser carregado nos braços como forme de festejar uma conquista, como na final de um campeonato esportivo, ou ainda como uma demonstração de amor, como faz o noivo com sua amada.     
Na verdade, há vezes quem as duas situações podem estar entrelaçadas. Quando uma mãe pega o filho que caiu e o carrega em seus braços, ela o faz como socorro e como demonstração de seu amor.
            Porém com nossos braços tão frágeis e limitados, não conseguimos carregar alguém para sempre, nem socorrê-lo em todas as situações. Quando criança, experimentei isso. Certa vez, precisei fazer uma caminhada um tanto longa com minha mãe. Naquele momento, ela estava sem condições de me carregar, mas um amigo adulto me levou nos braços.  Chegamos bem mais rápido, e eu não me cansei. Mas, esse amigo não pode voltar conosco, e tive que fazer toda caminhada a pé. Como senti falta daquele braço amigo!
            Estar em braços confiáveis é uma situação de extremo conforto.     Lembro-me ainda de quando uma de minhas filhas estava brincando e caiu.  Logo veio chorando para os meus braços. Estar nos meus braços não mudou o fato de ela ter caído, não tirou a dor que sentia, mas lhe serviu de conforto e segurança.
            Há situações na vida que ansiamos muito por um braço que nos carregue e nos conforte, que nos transmita a sensação de que não precisamos temer, que nos forneça a certeza de que estamos seguros e de que somos amados. Experimentamos momentos de choque e paralisia. Situações em que não conseguimos caminhar e que parece que nosso mundo desabou. Ah, quanto precisamos de braços amorosos e fortes que nos carreguem e consolem!   
Mas, há, de fato, braços suficientemente fortes para nos proteger em toda situação? E grandes o suficente para sempre nos socorrer?
            A resposta da Bíblia é que sim: os braços de Deus.
            Estes são atuantes, poderosos e gloriosos (Sl 89.13; Is 63.12). Muitas vezes eles são mencionados para expressar a ação onipotente de Deus para salvar e livrar o Seu povo (Sl 77.15).  São braços que podem nos fortalecer para que cumpramos as tarefas e missões que recebemos na vida (Sl 89.21).
            Também são ternos e carinhosos. São comparados aos braços de um pastor que ternamente toma os cordeirinhos que não podem caminhar no ritmo do rebanho e os carrega junto do seu coração:
Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seio (Is 40.11).
Outra comparação é a de um pai que toma o seu filhinho ainda pequeno nos braços e o ensina a andar
eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços (Os 11.3).
            Mas há uma diferença gritante entre os braços de Deus e o dos homens, os braços de Deus são eternos, podem nos carregar para sempre.
O Deus eterno é a tua habitação e, por baixo de ti, estende os braços eternos (Dt 33.27).
O texto acima afirma que os braços de Deus se colocam por baixo de nós, para nos carregar, dar o suporte e apoio que precisamos nessa vida. Estes braços podem se tornar nossa morada eterna, em outras palavras, podemos ficar por toda vida nos braços d’Ele.  O termo traduzido como “habitação” indica um lugar seguro para estar. No Salmo 90.1 foi traduzido como “refúgio” sendo aplicado a Deus, testemunhando que n’Ele temos um lugar de eterna segurança.
Podemos clamar com confiança:
SENHOR, tem misericórdia de nós; em ti temos esperado; sê tu o nosso braço manhã após manhã e a nossa salvação no tempo da angústia. (Is 33.2)
            O consolo e conforto humano podem nos faltar. Nem sempre seremos socorridos e compreendidos pelos homens. O abraço e apoio humanos podem não aparecer nos momentos que precisamos, mas nos braços de Deus estaremos eternamente socorridos e amados.