sábado, 24 de dezembro de 2016

O NASCIMENTO DE JESUS PROVA QUE PARA DEUS NÃO HÁ IMPOSSÍVEIS

O nascimento de Jesus foi o maior dos milagres: Deus assumiu a natureza humana. Isso só foi possível, porque para Deus nada é impossível. Isto nos é relatado em Lucas 1.26-38.
O anjo Gabriel, servindo como mensageiro de Deus, foi enviado a Nazaré, cidade sem muita importância, de fato, apenas uma aldeia, na região da Galileia. Com a missão de comunicar uma mensagem para uma jovem que estava prometida em definitivo para se casar com um homem chamado José (uma espécie de noivado que não poderia ser mais desmanchado). Este era descendente de Davi, linhagem real que estava em decadência há vários anos.
A saudação do anjo contém três expressões conhecidas no Antigo Testamento: Alegra-te, favorecida, o Senhor é contigo. A saudação “alegra-te” já havia aparecido em contextos de promessas de restauração para o povo de Israel (Jl 2.21; Sf 3.14; Zc 9.9). Maria havia sido agraciada, isto é, fora alvo da graça de Deus. Termo que a retrata como beneficiária e não como dispensadora da graça divina. A frase “O Senhor é contigo” foi usada em momentos importantes para apoiar pessoas escolhidas na realização de missões libertadoras (Ex 3.12; Js 1.5; Jz 6.12).
A visita do anjo e a carga concentrada da frase surpreenderam e perturbaram Maria, que tentou entender seu significado, para compreender a missão que estava recebendo. O anjo a tranquilizou, usando outra expressão muito comum em situações de aparecimentos de seres celestiais trazendo uma missão: “Não temas”. E reafirmou que o favor de Deus a havia escolhido, da mesma forma como fizera com Noé (Gn 6.8), isto é, o olhar gracioso de Deus pousara sobre ela e estava tratando-a com bondade. Em Sua Soberana vontade, o Senhor decidiu escolher Maria, sem nenhum mérito da parte dela, como vaso importante no cumprimento das Suas promessas.
Depois a missão lhe foi explicada. Ela ficaria grávida e teria um filho que deveria ser chamado de Jesus, cujo nome significa “O SENHOR salva”, sendo equivalente a Josué ou Oséias na linguagem do Antigo Testamento. Este filho seria um personagem sumamente importante, teria como título “Filho do Altíssimo” e herdaria o reinado de Davi, reinando eternamente sobre Israel. Isto significava que Deus estava cumprindo as promessas feitas no Antigo Testamento. A missão era de extrema importância: Maria seria a mãe do Messias, o Rei Salvador que traria o reino eterno de Deus a este mundo.
A incompreensão de Maria passou a ser quanto ao modo do cumprimento, pois ela era virgem, nunca havia se relacionado sexualmente com nenhum homem.
O anjo explica que o milagre seria realizado pelo Espírito Santo, que desceria sobre ela da mesma maneira que a glória cobriu o tabernáculo (Êxodo 40.34s). Por causa disso, aquele menino seria Filho de Deus. Não teria uma geração natural como a de outras pessoas. Nascendo de mulher, ele nasceria humano, mas gerado pelo Espírito Santo, seria divino.  Através dele, Deus se faria presente no mundo, encarnando, assumindo a forma humana e manifestando a Sua glória (Jo 1.18).
Um sinal foi concedido à Maria para comprovar a veracidade das palavras do anjo: a gravidez de Isabel, sua parente que, além de estéril, já estava idosa. Duas impossibilidades para conceber: idade e esterilidade. O milagre futuro, a gravidez de Maria, foi garantido com um milagre já realizado, a gravidez de Isabel, que estava no sexto mês.
Então foi dito que “nada é impossível para Deus”. Quase as mesmas palavras pronunciadas para a desconfiada Sara, quando duvidou se ainda poderia ficar grávida depois de velha (Gn 18.14).
O nascimento de Jesus é uma evidência de que não existe impedimento algum para Deus cumprir Suas promessas. Ele é totalmente poderoso para realizar todas as Suas palavras.
A reação de Maria foi de completa obediência. Ela se apresentar como serva, isto é, uma escrava que se rendia completamente à disposição do Senhor. Deixou Deus agir em seu corpo e sua vida, usando-a como instrumento para o cumprimento de Seu plano. Sabia os riscos que corria, mas confiantemente aceitou e se submeteu à vontade de Deus.  
O nascimento de Jesus é a maior demonstração de que para Deus nada é impossível. E isso deve nos curvar diante d’Ele, levando-nos a confiar n’Ele, aceitar e obedecer a Sua vontade para nossas vidas.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

QUANDO A FÉ É PEQUENA



            “Tudo vale a pena, se a alma não é pequena” estas linhas do poema “Mar Português”, de Fernando Pessoa (1888-1935), poderiam ser mudadas para “tudo é possível, se a fé não é pequena”. Foi isso que Jesus afirmou em Mateus 17.20:
         E Jesus lhes respondeu: Por causa da pequenez da vossa fé. Pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele passará
             Nada vos será impossível.
            Jesus havia descido do monte onde ocorrera a transfiguração e logo se deparou com uma multidão rodeando os discípulos. Um pai aflito lhe rogou pelo filho possesso de um espírito mau que tentava destruir o menino. Ele avisou que havia buscado a ajuda dos discípulos, mas isso não resultou em libertação. Jesus curou o menino. Em particular os discípulos indagaram de Jesus sobre o motivo de terem fracassado. A razão dada por Jesus foi a pequena fé dos discípulos.
            O que seria uma fé pequena? A expressão foi usada por Jesus em várias ocasiões, sempre repreendendo seus discípulos. Vamos meditar nelas para verificar os sinais de uma pequena fé.
            As palavras de Jesus deixam claro que não se trata de tamanho ou quantidade, pois a seguir ele diz que a fé do tamanho de um grão de mostarda pode realizar o impossível.  A leitura do texto nos indica que “pequena fé” é sinônimo de incredulidade, ou falta de fé (Mateus 17.17).
            A ansiedade é um dos sinais de pequena fé. Isto é ensinado em Mateus 6.30 e em Lucas 12.28. A vida de preocupação e ansiedade quanto às nossas necessidades é um indicador de uma fé pequena. Em sua argumentação, Jesus partiu do menor para o maior: se Deus alimenta pássaros, veste de modo esplendoroso plantas que nascem hoje e morrem amanhã, quanto mais Seus filhos que valem mais do que aves e flores?  A falta de confiança no cuidado provedor de Deus é uma manifestação de falta de fé.
            A preocupação voltou a tomar conta dos discípulos no evento relatado em Mateus 16.8. Eles não haviam trazido pão e entenderam que Jesus os repreendia por isso. Mas, Jesus afirmou que o pão não devia ser um problema para eles, pois estavam com aquele que já demonstrara poder suficiente para suprir suas necessidades. Apesar de presenciarem milagres, a confiança nos próprios recursos e provisões ainda os dominava, e quando estes faltavam, a fé também ia embora.  Confiança em nós mesmos, nas provisões e recursos que temos, sinaliza que é pequena a nossa fé. Não é uma fé suficiente para descansarmos completamente no cuidado poderoso e gracioso de Deus.       
O medo diante de situações ameaçadoras também é um indicador de uma fé pequena. Ainda no evangelho de Mateus (8.26) Jesus voltou a usar a frase para repreender seus discípulos. Eles atravessavam o Lago da Galiléia, Jesus estava dormindo no barco e uma tempestade assombrou os discípulos. Estes clamaram a Jesus. Ele acordou e, censurando o medo que tomava conta dos discípulos, declarou que este medo tinha como raiz a pequena fé. E o medo se demonstra em desânimo, desespero e até em covardia para enfrentar os desafios da vida.
            Jesus não só acalmou o mar, mas também a turbulência que tomava conta dos corações dos discípulos. Eles, na hora do desespero, haviam clamado a Jesus, então tinham alguma confiança. O problema era que sua fé não havia se aprofundado o suficiente para crer em Jesus como o Senhor do Mar. Eles pensavam que Jesus também poderia perecer na tempestade. Por isso a admiração tomou conta deles depois do milagre.
            Para deixar de ser pequena, a fé precisa aumentar seu conhecimento da pessoa de Jesus. Confiança está ligada à conhecimento. Quanto mais conhecemos alguém, mais confiamos ou deixamos de confiar naquela pessoa. Quanto mais conhecermos a Deus, mais iremos confiar n’Ele, maior será a nossa fé e menor será o nosso medo diante das tempestades da vida, pois jamais Ele dará motivo para desconfiarmos d’Ele.
            Noutro episódio de tempestade, a frase volta a aparecer e demonstra que a pequena fé produz dúvidas (Mateus 14.31). Já era madrugada, os discípulos estavam no meio do Lago, enfrentando ventos fortes quando Jesus veio ao encontro deles caminhando sobre as águas. Pedro pediu para também caminhar sobre as ondas e Jesus o autorizou. Enquanto manteve os olhos fitos em Jesus, Pedro realizou o impossível, caminhando sobre as águas, no meio de ondas e ventos, sem afundar. Mas, quando sua atenção se voltou para o poder da tempestade ao seu redor, ele começou a afundar. Então clamou por socorro, Jesus estendeu a mão para salvá-lo e perguntou porque ele duvidou, chamando-o de “homem de pequena fé”.
            Desviar os olhos de Cristo para reparar nas provações, perigos e dificuldades que surgem no caminho é sinal de pequena fé. Isso trará dúvida e hesitação, e o hesitante fica entre duas ordens. Não sabe se confia em Deus ou se olha as circunstâncias.  A dúvida faz-nos afundar. O desânimo e o temor pesam sobre nós e o mar da incredulidade nos engole.
            Como está a sua fé? Para responder a esta pergunta olhe para sua vida. Está cheia de preocupações e ansiedades? Você vive preocupado quanto ao seu sustento e vestuário? Você se desespera diante das turbulências e desafios da vida? Sua confiança se firma em suas provisões e recursos? Seus olhos se voltam para as circunstâncias?
            Para sua fé deixar de ser pequena conheça mais a Deus através de Sua palavra, descanse no seu amor e poder para cuidar de você. Mantenha sua atenção em Jesus mesmo no meio das dificuldades. Clame a Deus para tirar a montanha da incredulidade que existe em seu coração. Pois: tudo é possível, quando a fé não é pequena.
             
             



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

COMO UM SOPRO



A queda do avião que levava o time do Chapecoense chocou nosso país na manhã da terça-feira, dia 29 de novembro. Apesar de acidentes ocorrem todos os dias, este causou uma comoção maior porque ocorreu com pessoas que se tornaram nossas conhecidas através dos meios de comunicação e que lidavam com o futebol,  que é considerado paixão nacional.  
O time tinha a possibilidade de conquistar seu primeiro título internacional. Três dias antes havia jogado contra o clube que conquistou o campeonato brasileiro deste ano e seu técnico manifestou a esperança de que o Chapecoense tivesse a mesma vibração daquele time. Os jogadores partiram animados e alegres, cheios de planos e esperanças. Mas os planos, sonhos e vidas chocaram-se contra uma montanha e se despedaçaram no meio de uma mata colombiana. 
Diante do que li, a tragédia poderia ter sido evitada SE a companhia área tivesse decidido  por outro plano de vôo, SE a fila das aeronaves para aterrissar fosse menor, SE não houvesse outro avião em situação de emergência e que obteve prioridade na aterrissagem, SE fosse outra companhia, SE as condições climáticas fossem outras e assim por diante. Estes “SEs” só demonstram  quanto nossa vida é vulnerável e está sujeita à tantas variáveis, muitas  delas desconhecidas de nós. 
Todos nós corremos riscos diariamente. Dependemos do planejamento, ambição, pressa, incompetência, cuidados e descuidos nossos e de muitas pessoas, e ainda da falha de equipamentos, condições climáticas  e outros fatores. Nossa vida é frágil e breve.  Esta verdade é afirmada na Bíblia com várias figuras de linguagem.  
Uma das metáforas é a da fumaça como aparece em Tiago 4.13-15, que a versão Atualizada traduz como neblina.  Naquele texto o autor nos adverte para não vivermos como se fossemos donos da nossa própria vida, fazendo planos cheios de auto confiança, como se tudo dependesse apenas de nós. É como se ele dissesse: prestem atenção vocês que dizem hoje e amanhã iremos para tal cidade, ficaremos lá um ano, negociaremos e lucraremos.  Falar assim demonstra que nos achamos no controle de nossa vida, do tempo (hoje, amanhã, um ano), do espaço (tal cidade), das atividades (negociaremos) e dos resultados (lucraremos).   A verdade é que não sabemos o que nos vai acontecer amanhã. A nossa vida é como fumaça, que aparece por pouco tempo e logo desaparece
Esta verdade já havia sido afirmada por outros, no Antigo Testamento, usando também a metáfora da sombra, que ilustra algo frágil e breve, bastando a direção da luz mudar para ela desaparecer. Outra figura é a da flor, que apesar de bela, tem duração brevíssima.  
Debaixo de sua intensa tribulação Jó afirmou “O homem, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação, nasce como a flor e murcha, foge como a sombra e não permanece” (Jó 14.1,2).  Davi, no Salmo 39.5 e 6, diz que nossa vida tem o comprimento de palmos e que todo homem, por mais firme que esteja, é como sopro ou vapor, passamos como uma sombra, toda nossa inquietação é inútil, pois o que entesouramos aqui ficará. E no Salmo 144.4 repetiu que “todo homem é como um sopro, os seus dias são como a sombra que passa”. Moisés, meditando sobre a vida no Salmo 90.9 e10 disse que nossos anos são como um pensamento, algo que passa pela nossa mente e vai embora. Que mesmo vivendo setenta ou oitenta anos, tudo passa tão rapidamente que a sensação é a de que voamos. 
Podemos trazer à nossa mente a imagem de um menino que sopra a vela de um bolo de aniversário. A luz da vela seria a nossa vida. Em um  momento está acesa, tremulando, brilhando nos olhos do menino. Após cantados os parabéns, ela com um sopro se apaga e logo é esquecida, e a festa continua sem nós.
Se a vida é assim, apenas um sopro, o que fazer? 
Tiago nos adverte para reconhecermos Deus em nossas vidas, lembrar de que dependemos da vontade dele “Se o Senhor quiser, não só viveremos como faremos isso ou aquilo”. Sim, nossa vida depende da vontade de Deus. Daniel disse a mesma coisa para o rei Belsazar, “mas a Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, a ele não glorificaste” (Daniel 5.23). Todas as nossas ações dependem da permissão de Deus. 
No Salmo 90 somos ensinados a fazer o nosso refúgio no Deus Eterno, suplicando que Ele nos ensine a viver com sabedoria e reconhecimento  dos nossos limites. Devemos clamar que Ele confirme as nossas obras e que sua graça seja a nossa satisfação a cada dia. Só assim, nossos breves dias serão revestidos de significado, independente de qual seja o nosso fim (Salmo 90.12-17). 
Como nossa vida é tão breve, apeguemo-nos com Aquele que é Eterno, pois somente nele nossa vida fica eterna e com substância.  
Efêmera é a vela,
a brisa, a vida e a luz
de quem brilha sem Jesus” (Silvestre Kuhlmann, Efêmera)