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quarta-feira, 20 de abril de 2011

TENHO SEDE!


A sede é uma sensação agonizante. Ela é o anelo angustiante para que uma das necessidades mais básicas do nosso organismo seja satisfeita. Sentir-se seco, a garganta ardendo, o corpo a desfalecer, lábios rachando, língua grudando no céu da boca é um sofrimento aterrador.

Estar com sede sinaliza a perda de água através de suor, do derramar de sangue, e do vapor do ar expirado. Estas três razões estiveram presentes na mais famosa de todas as sedes: a de Jesus na cruz.

Das sete frases que Jesus proferiu na cruz esta é a única que faz referência ao Seu sofrimento físico. Por si, isto já extremamente revelador. Ele teve palavras de preocupação com os que o crucificavam, e clamou perdão para eles; com a salvação do malfeitor ao seu lado, e lhe prometeu entrada no Paraíso; com o futuro de sua mãe, e responsabilizou alguém para cuidar dela; e suas palavras também expressaram seu intenso sofrimento espiritual diante do abandono do Pai. Mas apenas uma frase expressa a angústia que estava passando na cruz: TENHO SEDE (João 19.28,29).

Ele já estava perdendo liquido desde o dia anterior, quando suou sangue no Getsêmani; esteve sob intenso stress quando preso, abandonado pelos discípulos, negado por Pedro, acusado injustamente diante dos vários interrogatórios que passou, zombado pelos seus acusadores, etc.,; também já havia perdido sangue quando chicoteado e esbofeteado; estava tão fraco e caiu no caminho para o Gólgota, sem conseguir carregar a cruz. Ali perdeu mais sangue com as perfurações nos pulsos e tornozelos. Então ficou dependurado por mais de seis horas (das 9hs até mais de 15 hs), sob o sol da Palestina. Sofria uma desidratação rápida, por isso Sua sede era intensa, era de fato uma tortura.

Já havia tentado lhe dar algum líquido antes, mas Ele havia rejeitado (Mc 16.23). A razão é que era mistura de vinho com mirra, uma espécie de anestésico, que poderia abrandar-lhe a dor da crucificação. Mas Ele precisava sofrer aquele padecimento em toda sua extensão e intensidade. Por isso recusou. Diferente da maioria de nós, Jesus não usou suas necessidades como oportunidades ou desculpas para desobedecer a Deus. Ele já havia demonstrado isso na tentação quando teve fome (Mateus 4.3,4). Sua maior necessidade não era a fome ou a sede, mas fazer a vontade do Pai (João 4.34).

Mas agora, Ele viu que tudo já havia se completado. E plenamente consciente de que sua morte cumpria o propósito de Deus, manifesta sua sede. Seu clamor tem como propósito principal não buscar a satisfação de Sua necessidade, mas cumprir a profecia das Escrituras. Suas necessidades físicas, mesmo sendo intensas e prementes, estavam em segundo plano. A realização da vontade do Pai era sua água mais anelada. Depois, vendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede João 19.28.

Ele estava cumprindo as profecias feitas por Davi nos Salmos 22.15 e 69.21. “ Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca”; “Por alimento me deram fel, e na minha sede me deram a beber vinagre”.

Mas, sua sede não foi saciada. Deram-lhe apenas uma esponja embebida com vinagre. Que era um soro de vinho, barato e azedo, usado pelos soldados. Mesmo sendo este tipo de bebida, Ele não pode beber o suficiente para matar sua sede. Apenas os lábios foram molhados. Como alguém que esta doente, mas não pode beber água, então passa-se um algodão molhado nos lábios para não ressecar. O que a bebida fez foi torná-lo ainda mais consciente.

Que paradoxo!

Aquele que havia dessedentado uma multidão no deserto, fazendo sair água da rocha;

Aquele que disse ser a água da vida, e que saciarei de modo permanente a sede das pessoas (João 4.13-14);

Aquele que disse: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim rios de águas vivas correrão dentro dele. (João 7.37,38);

Aquele que matou uma sede de amor de uma mulher, que outros seis homens não haviam conseguido (João 4.17);

Estava com sede.

Mas, Sua sede, nos livrou da maior sede que um ser humano poderá sofrer: a sede no inferno (Lucas 16.24). Naquela chama, um homem clamava apenas por uma gota d’água para lhe aliviar o sofrimento. Ali, ele não pode ser atendido.

Sim, Jesus sofreu a sede na cruz, para nos livrar do sofrimento da sede eterna, no inferno. A sede Dele foi para matar a nossa sede. A sede que Ele sentiu ao morrer matou a nossa sede e nos faz viver.

quarta-feira, 31 de março de 2010

NA MAIOR SOLIDÃO



A solidão é uma sensação horrível. Especialmente quando é resultado do abandono. Algumas pessoas podem sentir solidão, mesmo rodeada de outras pessoas, por algum problema interno. Já outros sentem solidão porque de fato estão solitários, foram abandonados. Mesmo estando num bom ambiente, e rodeado de boas coisas, a solidão não é agradável, é isto que o próprio Deus diz a respeito de Adão (Gn 2.18). Ele estava no Paraíso, mas sozinho, e Deus disse que isso não era bom.

Agora imagine, estar sozinho numa situação de intenso sofrimento! Sem ninguém que manifeste amor e possa socorrer! Quando o próprio Deus se afasta! Esta foi a solidão que Jesus experimentou.

Jesus já havia sido abandonado por seu povo, por aqueles para quem veio, conforme nos diz João: Ele veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam (Jo 1.11). Pense no que é deixar a glória dos céus, a presença imediata do Pai e do Espírito, o louvor perfeito dos anjos, tornar-se homem, e um homem servo, para salvar um povo, e ser rejeitado por este povo?! Foi isso que Jesus fez (Filip 2.5-9). Sua vida foi perseguida desde cedo (Mt 2.16). Vários foram os momentos em que tentaram matá-lo (Lc 4.28-30; João 5.18; 8.59). Foi questionado e colocado a prova muitas vezes (Mt 22.15,23,35). Os de sua cidade o desprezaram (Mt 13.54-58) e os de Samaria recusaram lhe dar hospitalidade (Lc 9.51). Ele veio para ajuntar os seus como a galinha reúne seus filhotes, mas foi rejeitado (Lc 13.34)

Jesus foi desprezado até por sua própria família e considadãos. Seus irmãos não criam nele (João 7.5). Uma vez chegaram a considerar que ele estava fora de si, e quiseram prende-lo (Mc 3.21).

Jesus foi abandonado por seus discípulos. Logo no início alguns o deixaram porque consideram sua palavra muito dura (João 6.60,66), e naquele momento outros reafirmaram sua fé, mas mesmo estes depois o deixaram, primeiro dormindo quando Ele pediu que orassem por Ele (Mc 14.37), depois fugiram quando Ele foi preso (Mc 14.50).

Todos estes abandonos doeram em Jesus. Mesmo Ele sabendo de antemão que isso lhe ocorreria. Pois saber que uma injeção vai doer, não elimina a dor, quando nós a tomamos. Mas foram abandonos mais suportáveis, porque o Pai estava com Ele (Jo 16.32). Mas houve um abandono que doeu mais que todos, houve uma solidão que foi a maior de todas. Houve uma hora que nem o Pai ficou com Ele, que Ele ficou realmente sozinho! Este foi o maior de todos os abandonos, a maior de todas as solidões.

A quarta palavra da cruz nos revela este abandono, que ocorreu após seis horas que Jesus estava na cruz. Ele foi crucificado às nove horas da manhã, e as palavras foram gritadas às 3 horas da tarde (Mc 14.25,33,34). Mateus 27.46 e Marcos 15.34 deixaram estas palavras registradas. Elas foram proferidas na língua materna de Jesus: o aramaico (com algumas características do hebraico).

Antes de falar estas palavras Jesus já havia pedido o perdão do Pai para seus inimigos, garantido salvação ao ladrão, e confiado Sua mãe aos cuidados de João. Agora, depois de três horas de escuridão, Ele dá seu grito de desamparo. Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? As trevas já haviam demonstrado o juízo e abandono de Deus naquele momento.

Estão entre as mais misteriosas palavras da Bíblia. Elas demonstram o quão profundamente Jesus estava abandonado pelo Pai por carregar os pecados dos homens sobre Ele. Elas ilustram o intenso sofrimento de Sua alma, pelo castigo que recebia pelos pecados humanos (5 Co 5.21). Deus Pai desviou Seu favor do Filho naquele momento, pois os pecados dos homens estavam sobre Ele (Is 53.6,10; Rm 3.25; Gl 3.13), e a santidade de Deus não aceita o pecado (Is 59.2; Hab 1.13), mesmo quando recai sobre Seu próprio Filho amado, no qual estava toda Sua alegria (Mt 3.17).

Mas o grito não expressa desespero, e sim fé. Jesus diz: Meu Deus. Ainda era o Seu Deus. As palavras já haviam sido proferidas quase mil anos antes, pelo rei Davi, num momento de aflição (Salmo 22.1). Neste mesmo salmo Davi canta sua confiança de que Deus iria libertá-lo (22.22). Jesus também demonstra esta confiança, apesar da solidão e da dor.

As palavras eram para testemunhar que Ele era o escolhido de Deus para cumprir as profecias, e ser o Salvador do mundo. E para nos mostrar o quanto é horrível o nosso pecado. Expressa a desolação do senso de ter sido abandonado por Deus que o pecado causa. E avisa que esta será a sensação daquele que não aceitarem segui-Lo, (Mt 25.41). Também dá confiança àqueles que seguem Jesus, de que nunca serão abandonados (Hb 13.5), pois Jesus já sofreu o maior dos abandonos no lugar deles.

domingo, 5 de abril de 2009

PAI, PERDOA-LHES.


Há vários setes na Bíblia: setes dias da semana, sete lâmpadas no candelabro, sete cartas às Igrejas da Ásia, setes selos do Apocalipse, etc. Há um grupo de sete frases, não tão famoso, mas muito importante, que aparece nos evangelhos. São frases curtas, ditas por Jesus na cruz, normalmente denominadas as sete palavras da cruz. Elas são interessantes por nos revelar as preocupações de Jesus naquele momento tão sofrido e decisivo.
Jesus havia estado sob intenso estresse. Pois há algum tempo a sombra da cruz o angustiava (João 12.27). A expectativa do cálice da ira de Deus caindo sobre Ele, fazia com que sua alma fosse sacudida por uma profunda comoção interna. Esta perturbação aumentou na reunião da quinta-feira com os discípulos (Jo 13.21), e atingiu proporções de uma enorme luta na agonia do Getsêmani, a ponto de Seu suor tornar-se como gotas de sangue (Lc 22.44).  
  Ele também havia passado por humilhações terríveis: preso como se fosse um bandido, à noite e em segredo, por um grupo armado; traído, negado e abandonado por seus seguidores; passara a noite em claro apanhando e sendo zombado pelos que o haviam prendido; depois sofreu um interrogatório injusto e difamador, sendo cuspido e esbofeteado; acusado falsamente diante de Pilatos, o governador. Este o enviou para o rei Herodes que desprezou e ironizou. Novamente voltou para Pilatos, que O reconheceu como inocente e por três vezes tentou libertá-lo. Mas a inveja e o ódio das autoridades judaicas eram grandes, por isso insuflaram a multidão para pedir que Jesus fosse crucificado e Barrabás solto. Jesus foi trocado por um rebelde e assassino, por aqueles que ele viera salvar!
O sofrimento físico de Jesus também foi intenso. Depois de preso foi esbofeteado, com os olhos vedados, para que pudesse profetizar quem o havia agredido. Sofreu o flagelo, que era ser amarrado de costas e apanhar com um chicote de couro, que trazia nas pontas pequenos pedaços de metal ou osso, e que tirava pedaços da pele. Alguns estudiosos afirmam que este castigo era tão cruel, que algumas pessoas morriam quando flageladas.  Nas mãos dos soldados Ele voltou a ser escarnecido.  Todo o destacamento foi chamado para zombar dele, dando-lhe um manto de púrpura, colocando-lhe uma coroa de espinhos sobre a cabeça, ajoelhando-se diante Dele com ironias, e lhe batendo-lhe na cabeça (Mc 15.16-20). 
Normalmente o condenado carregava apenas a parte horizontal da cruz, com a sentença escrita, ou um arauto ia à frente proclamando a acusação. Jesus estava tão exausto que desfaleceu no caminho. Quando chegou ao Monte chamado Caveira, Ele foi despido, deitado sobre a parte horizontal, os braços amarrados e os pulsos pregados pelos soldados. Com cordas, esta parte da cruz era levantada e fixada na parte vertical, que já estava posicionada. Havia um apoio para que o crucificado ficasse quase sentado e não tivesse seus pulsos rasgados pelos pregos. Seus tornozelos também eram atravessados com cravos. 
A posição era extremamente dolorosa. Há trinta centímetros do solo, cada esforço para respirar provocava grandes dores; a perda de sangue não era grande, pois os pregos estavam em locais de músculos, nervos e tendões, isto aumentava a dor e fazia com que o sangue regurgitasse para cabeça e estômago, provocando uma dor de cabeça lancinante.
Qual a primeira frase dita por Jesus neste momento de extremo sofrimento? Ao lado de dois criminosos e olhando para a multidão em volta, ele disse: Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem (Lucas 23.34).  A primeira preocupação de Jesus foi com o futuro eterno daqueles causavam seu enorme sofrimento! Ele clama que Deus lhes conceda mais uma oportunidade para arrependerem-se. As respostas daquela oração vieram tanto naquele momento, quando o ladrão e o centurião se arrependeram, como mais tarde, quando outros também aceitaram o perdão oferecido (Atos 2.37,38). 
Com isto Jesus nos ensina que dispensar perdão não depende de como nós nos sentimos. As sensações de Jesus naquele momento não eram agradáveis, de fato sua situação era muito desconfortável. Algumas vezes queremos perdoar, apenas, se nos sentirmos bem na situação, se nossas sensações nos guiarem ao perdão. Mas não é assim. Não importa o que estamos sentindo. Devemos dispensar perdão aos nossos ofensores, mesmo quando nosso sofrimento é grande.
Dispensar perdão também não depende de como os ofensores estão nos tratando. Enquanto Jesus estava na cruz, os soldados sorteavam suas roupas diante de seus olhos, desafiavam-no gracejando; as autoridades o ridicularizavam e blasfemavam, e a multidão olhava. Aparentemente ninguém manifestava arrependimento, tristeza, ou uma disposição para mudança. Mesmo assim Jesus pede que Deus não os condene, mas que mantenha Sua misericórdia, oferecendo mais uma chance de perdão. 
É comum guardarmos mágoas e ressentimentos em nossos corações. E só queremos perdoar quando notamos que as pessoas estão mudando de atitude em relação a nós.  Mas não deve ser assim. A disposição para o perdão, a dispensa da mágoa, o cancelamento do ressentimento, a soltura do desejo de vingança deve estar em nosso coração, mesmo que as pessoas não se arrependam. A reconciliação, a restauração às posições anteriores, e o desfrutar do perdão, dependem do arrependimento destas pessoas, mas o perdão em nosso coração não. Eles ainda podem continuar nos maltratando, mas nossa atitude deve ser de orar para que Deus lhes perdoe. 
Esta disposição depende de nos relacionarmos com Deus como nosso Pai. Jesus sabia que seu valor não dependia de como a multidão lhe tratava, nem do desprezo das autoridades. Mas do fato de ser Filho de Deus, de estar submisso à vontade soberana do Pai.  Ter Deus como Pai é o relacionamento que nos concede valor e estima. Temos certeza de Seu amor, Sua sabedoria, e Sua Soberania. Aceitamos que o sofrimento causado por outros é permissão Dele para nosso aperfeiçoamento ou concretização de Sua obra. Assim, não haverá espaço para as mágoas, e sim força para o perdão.  
Tiraram tudo de Jesus, até a roupa, mas não tiraram sua confiança e comunhão com o Pai e seu amor pelos homens. Jesus nos mostra que podem tirar tudo de nós: dignidade, respeito, conforto, fama, posses, roupas, e até a vida, mas ainda restará em nós algo para dar aos que nos roubam: o amor. Podemos amar mesmo quando estivermos despidos de tudo. 
Em seu amor Ele sabe que aqueles que o crucificavam não tinham noção do tamanho do pecado que estavam cometendo (Atos 3.17).  Nenhum de nós tem consciência de quão grandes são nossos pecados. Da gravidade de qualquer um deles. São tão pesados que causaram a morte de Cristo. As pessoas que nos ofendem também não têm noção da seriedade do que estão fazendo. Devemos clamar que Deus lhes perdoe. 
Diante do exemplo de Jesus reconheçamos que nada deve nos impedir de perdoar os que nos causam sofrimentos. Por mais dolorosos que sejam estes sofrimentos. Você tem retido o perdão? Imite a Jesus, perdoe.

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...