sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

UMA ILUSTRAÇÃO DA INTERAÇÃO ENTRE A SOBERANIA DE DEUS E A AÇÃO HUMANA.


Atos 27:9-28.10 é um texto intrigante. Além de outras lições, penso que podemos aprender algo sobre o relacionamento entre a soberania de Deus e a decisão humana.Faz parte da narrativa onde Lucas relata a viagem que fez acompanhando Paulo à Roma. 
            Neste ponto da viagem, eles já haviam ultrapassado metade do mês de setembro, e os romanos consideravam a viagem marítima depois de 15 de setembro muito duvidosa. Por isso Paulo aconselhou que o correto era passar o inverno onde estavam, pois continuar naquele momento traria grande prejuízo para todos.
            No entanto o chefe militar, que era o encarregado dos presos, prefere acreditar nos técnicos (piloto e o mestre do navio). A maioria também considerava o lugar onde estava inconveniente para passarem o inverno, e preferia um outro porto. Além disso, as aparências eram de que o vento sopraria tranquilo até que o navio chegasse ao lugar que consideravam apropriado. 
            Mas, em pouco tempo tudo mudou! Um tufão arrastou com violência o navio. A carga deve que ser lançada no mar. Depois se desfizeram também da armação do navio. Muitos dias no escuro, sem sol nem estrelas, e mais tempestade batendo no navio, a esperança e o apetite também foram embora.
            Paulo sofria sem culpa. Ele havia advertido do perigo, mas a maioria decidiu continuar a viagem. Algumas vezes o nosso sofrimento é resultado da escolha de outros. Avisamos e alertamos, mas os que nos acompanham teimam em prosseguir no que vai dar errado, e nem sempre conseguimos ou podemos abandonar o barco! Então, a tempestade se abate sobre nós também, e sofremos o prejuízo junto com outros. Nestas horas devemos lembrar: há um Deus no controle, Ele cuida de nós. Nossas vidas estão em Suas sábias e amorosas mãos.
            Mas Paulo tinha uma palavra para seus companheiros de tormenta. A tempestade poderia ter sido evitada. Mas agora, é hora de animar-se.
            Deus havia prometido que nenhuma vida se perderia, todos do navio seriam salvos. Mas eles precisavam se animar e se alimentar. Este alimento seria para a salvação deles. Deus fizera uma promessa contundente: nenhum fio de cabelo deles se perderia. Mas eles tinham que se alimentar. Paulo dá o exemplo, agradecendo a Deus e se alimentando. Este ato animou a todos.
            Quando o navio estava a ponto de espatifar-se nas rochas, os soldados aconselharam matar os prisioneiros, mas o centurião fez uma intervenção. O plano de Deus estava se cumprindo.
            Todos tiveram que se lançar ao mar, para salvar suas vidas.  Uns nadaram, outros se agarram em tábuas e flutuaram até à praia. Mas, todos se salvaram.
            Deus prometeu salvamento para todos os que estavam no navio. E providenciou os meios para isso. Usou Paulo para anunciar este salvamento e desafiá-los a se alimentarem para poder sobreviver. Usou o centurião para poupar a vida quando os soldados queriam matar todos os presos. Usou as tábuas para salvar a todos. Usou as forças dos viajantes para nadarem até à praia.
            Um claro exemplo de que Deus dispõe os fins e providencia os meios, mas cada um deve fazer uso destes meios, para que o fim planejado se concretize.
O desastre contribuiu para que o povo de Malta visse e ouvisse o poder do evangelho. Deus usou a desobediência da tripulação do navio, a tempestade, o prejuízo, o sofrimento e testemunho de Paulo, para que a Sua glória através do evangelho chegasse a outras pessoas.
            Soberania divina, e ação humana! Plano divino, e reação do homem. No final tudo coopera para que a Sua vontade se cumpra!
            Se o centurião tivesse escutado Paulo, o navio não enfrentaria esta tempestade e não sofreria o prejuízo, mas também, Paulo não chegaria a Malta para testemunhar. Podemos perguntar intrigados: e aí, como ficaria o plano de Deus?
            Não tenho resposta para esta pergunta. Mas, podemos aprender da atitude de Paulo: tentar evitar o máximo o desastre, sempre procurar e aconselhar a melhor opção, isto é, fazer a nossa parte o melhor que podemos. E mesmo quando isso não for suficiente para evitar o sofrimento e prejuízo, continuar confiando em Deus, sabendo que Ele sempre faz o melhor, e que, no final, tudo cooperará para Sua glória, que é o nosso alvo supremo!
            O Supremo Deus não erra e faz todos os acontecimentos cooperarem para o bem: nosso aperfeiçoamento e a Sua glória!
            

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

UMA ORAÇÃO FEITA NA HORA DA MORTE E RESPONDIDA UM ANO DEPOIS


Neste último domingo foi comemorado o dia da Bíblia. Em muitas cidades de nosso país há uma praça que homenageia a Bíblia, recebendo o nome de “Praça da Bíblia”. Há muitas opções de leitura e audição da Bíblia ao nosso dispor, tanto impressas como digitalizadas. É tão comum termos a Bíblia em nossa língua e em nossas mãos, que não imaginamos que há cinco séculos pessoas morreram para que hoje se pudesse ter este privilégio.  
Uma destas pessoas foi William Tyndale (1495-1536). Ele era um clérigo inglês que se dispôs a traduzir a Bíblia para a língua de seu povo, de modo que qualquer um pudesse ler e entender. Em sua época era ilegal traduzir ou copiar qualquer trecho da Bíblia. Pessoas eram queimadas por ensinarem o Pai Nosso em inglês para seus filhos. Antes dele, John Wycliff (1328-1384) e alguns de seus seguidores fizeram uma tradução para o inglês manuscrita e que continha vários erros de tradução e cópia.   
A liderança da Igreja não queria que o povo tivesse a Bíblia em suas mãos, e a ignorância e corrupção do clero eram grandes. Tyndale declarou para um clérigo: Se Deus poupar minha vida... farei um jovem camponês que empurra o arado conhecer a Bíblia melhor do que você”.  Para empreender este projeto ele teve que deixar a Inglaterra em 1523, sem autorização do rei, o que aumentava o risco de sua vida.   
Em 1525 sua primeira tentativa de imprimir o Novo Testamento malogrou, pois as autoridades atacaram de surpresa a gráfica. Mas em 1526 o Novo Testamento foi impresso na Alemanha e, durante cinco anos, quinze mil cópias foram contrabandeadas para a Inglaterra em sacos de cerais e barris de peixes. Um arcebispo comprou um grande número para destruir. Só que isso contribuiu para financiar uma edição melhor.
William Tyndale continuou revisando e aperfeiçoando sua tradução, até que em 1535 saiu a edição definitiva, em um estilo popular, pronta para ser entendida pelo homem simples. Cópias foram levadas para a Escócia e ajudou a promoção da Reforma naquele país.  Ele mudou-se para a Bélgica para traduzir o Antigo Testamento, mas só conseguiu traduzir os cinco livros de Moisés, os históricos até 2ª Crônicas, e o livro de Jonas. Ele foi traído por um colega, então preso e condenado à morte.
Suas últimas palavras foram uma oração gritada: “Senhor, abre os olhos do rei da Inglaterra”. Depois da oração ele foi estrangulado e seu corpo foi queimado.
Enquanto esteve preso, um de seus colaboradores completou a tradução do Antigo Testamento, e um ano depois de sua morte, o rei da Inglaterra aprovou a publicação da Bíblia na versão de Tyndale. Esta tradução teve profundo impacto e influência nas traduções subsequentes e na história do cristianismo no mundo.
O fogo queimou o corpo de Tyndale, mas não os frutos de seu trabalho! Hoje temos a liberdade de ter a Bíblia em nossa língua e em nossas mãos. 
Se quiser ver uma versão de sua história num vídeo de seis minutos acesse http://www.youtube.com/watch?v=rzpueVS7Htk