sexta-feira, 29 de julho de 2011

FILHOS OU MORTE


Creio que a maioria de nós, brasileiros, está acostumada com a frase: “Independência ou Morte”, que é atribuída a Dom Pedro I no dia da proclamação da Independência do Brasil. Há uma frase semelhante na Bíblia, ela se encontra em Gênesis 30.1; “Dá-me filhos, ou se não, morrerei”. Ela foi pronunciada por Raquel para seu marido Jacó. Vamos olhar o contexto para melhor entender a frase.

Os pais de Jacó o enviaram à casa de seu tio Labão, com um duplo propósito: fazer com que Jacó escapasse da ira de seu irmão Esaú, que ele havia enganado, e conseguir uma esposa (Gen 27.42-45; 28.1,2). Labão tinha duas filhas: Lia e Raquel. Raquel era do tipo que enchia os olhos de qualquer rapaz (Gen 29.16,17). Logo,Jacó apaixonou-se por Raquel, e para casar com ela pagou o dote com sete anos de trabalho alegre, cuidando dos rebanhos de seu futuro sogro (Gen 29.18-20).

Só que Labão, aproveitando-se dos costumes do local e da paixão de Jacó, não cumpriu o trato. No dia do casamento deu a filha mais velha para Jacó (o fato das noivas usarem véu e o escuro da noite permitiu o engodo). Jacó teve que trabalhar mais sete anos para pagar o dote de Raquel, e assim ficou com as duas esposas. O que era praticado naquela cultura, apesar de não aprovado por Deus (Gen 29.21-30).

Raquel era a mais amada, Lia apenas tolerada, mas Lia tinha filhos, Raquel não. Apesar do amor do marido, Raquel passou a ter ciúmes pelo fato da irmã poder ter filhos. Sentiu-se ameaçada em perder o lugar de esposa privilegiada. Ela pensava que se não tivesse filhos, era melhor morrer. Esquece Deus, esquece o amor de seu marido, as provas de amor que ele já havia dado, e tem uma única preocupação: ter filhos. Isto se torna sua obsessão. Ela acreditava que sua segurança estava no fato de ter filhos, que seu valor na vida dependia disso. Ela havia se tornado idólatra.

Quando se é dominado por um desejo, a vida parece só ter sentido se esse desejo for satisfeito. Tudo passa a girar em torno do que ansiamos. E nos tornamos confusos e inseguros. Cobra-se de quem não pode resolver. Raquel exige que Jacó lhe dê filhos. Mas, Jacó sabia que isto era com Deus.

Outra conseqüência desta obsessão é a disposição para desobedecer a Deus, se isto se mostrar necessário na realização dos desejos. Raquel dá sua serva, para que seu marido Jacó coabite com ela, e possa ter filhos, que seriam considerados como seus. Mas estas soluções não resolvem o problema. O desejo e o anseio continuam. Só quando o primeiro filho nasce é que Raquel acha que seu vexame foi retirado (Gen 30.23).

Nossos desejos nunca são satisfeitos se eles se tornam o motivo da nossa existência. Quando Raquel tem seu primeiro filho, ela ainda pede que Deus lhe conceda outro (Gen 30.24).

Quando nossos desejos nos dominam eles nos matam. E foi no nascimento deste segundo filho que Raquel perdeu a vida. Isto é uma ironia. A mulher que desejou ter filhos, senão, preferiria morrer, morre por ter filhos (Gen 35.16-19).

Nossa segurança e valor não dependem de termos nossos desejos satisfeitos, mas do amor e cuidado de Deus para conosco. Nossos impulsos e desejos devem ser colocados diante de Deus. E esperamos nossa satisfação apenas Dele, e de mais ninguém. Pois, só Ele pode satisfazer plenamente nosso coração (Sl 37.4)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

RECUSOU O OURO, MAS ACEITOU O ENGANO!


Os livros de Reis (1º e 2º) nos contam a história do declínio do povo de Deus: do auge da bênção, com Salomão, ao fundo do poço, no exílio. Também dá a explicação para isso: a desobediência aos mandamentos de Deus e à Palavra dos profetas.O capítulo 13 do 1º livro de Reis nos declara estas verdades de modo ilustrado na vida de três personagens: o rei Jeroboão e dois profetas, cujos nomes não são mencionados.

Um dos profetas, intitulado “homem de Deus”, é enviado por Deus à Betel. Cidade do Reino de Israel, onde Jeroboão havia construído um santuário, e estava desviando o povo para a idolatria, adorando um bezerro de ouro. Este profeta demonstra ter muita coragem. Acata a ordem de Deus e se dirige a um reino que naquele momento era inimigo do seu país. Ele proclama a mensagem contra o altar idólatra no exato momento que o rei, diante de todo o povo, está oferecendo incenso nele.

Sua confiança em Deus também é notável. Pois anuncia um sinal, a rachadura do altar, que caso não ocorresse, traria a sua morte. Ele enfrenta um rei que está mais preocupado com seu bem estar do que com a obediência a Deus. A primeira reação do rei é de oposição e ameaça, a segunda é de pedir sua cura, nenhuma de arrependimento.

Mesmo assim o profeta demonstra ser alguém mais preocupado com a glória de Deus, do que com sua honra. Ele intercede pelo rei que havia ordenado a sua prisão. Ele sabe que era mais um milagre ocorrendo para vindicar a Palavra de Deus, e que poderia levar aquele povo ao arrependimento. Orar pelo bem de quem nos persegue é uma demonstração de obediência e confiança em Deus, e aquele profeta fez isso.

O profeta manifesta uma forte firmeza. Ele recusa o convite do rei para ir ao palácio, onde poderia ter uma refeição fortalecedora e ainda ganhar uma recompensa. Ele mantém seu compromisso e devoção a Deus, ainda que isso demande um sacrifício de ficar sem alimentação e suprimento de água. Sua necessidade está em segundo plano. Diferente de Jeroboão, pois testemunha que a glória de Deus está acima de seu bem-estar.

Só que esta história não tem um final feliz. Outro profeta surge na cena. Este morava no reino do norte, mas parece que não pregava contra a idolatria. Seus filhos estavam envolvidos no falso culto. Quando escuta sobre o homem de Deus e sua profecia, ele engendra uma falsa profecia. Não sabemos suas razões. Poderia ser o sincero desejo de manter comunhão com alguém que de fato conhecia a Deus, de saber mais sobre o propósito de Deus, ou o desejo de ganhar alguns pontos diante do rei, por levar o profeta de Deus até sua casa. O fato é que ele mentiu.

O ouro não corrompeu o homem de Deus, mas a falsa profecia o enganou o matou. Ele vacilou na vigilância. Como profeta de Deus poderia ter consultado a Deus sobre aquela nova mensagem. Ainda poderia ter solicitado alguma evidência da veracidade da profecia. Mas não faz nada disso. Acreditou que o outro profeta estava falando a verdade. Esta falta de vigilância lhe custou a vida.

Deus não muda a Sua palavra. A palavra dada ao profeta era para não comer nem beber em Israel, e não voltar pelo mesmo caminho, demonstrando que Deus estava rejeitando aquela nação. Por não seguir esta palavra, o profeta foi morto. Deus estava dizendo àquele povo: no passado Eu já anunciei que vocês deveriam adorar apenas a mim, e não fazer ídolos; e agora este novo rei fez ídolos e vocês estão adorando, pensando que isso veio de mim. Mas estão sendo enganados, e vou puni-los por se deixarem levar por esta falsidade.

A quem muito é dado, muito será cobrado. O profeta de Deus, apesar de sua grande devoção e obediência, porque caiu no engano, foi castigado. Deus estava avisando o povo, que privilégios demandam responsabilidades. Quantos privilégios Deus nos tem dado! A oportunidade de conhecer Sua Palavra, de conviver com pessoas que temem e buscam a Deus, o perdão dos nossos pecados, oportunidades para arrependimento, etc. Devemos tomar cuidado para não sermos enganados por falsas vozes.

Mais um milagre ocorre na história: o leão mata o profeta, mas não o devora, o jumento vê o leão e não corre. O corpo do profeta fica entre o jumento e o leão. Animais obedecem às ordens de Deus, os homens não. Nota-se pouco arrependimento nesta história, apesar das ameaças de Deus, de demonstrações sobrenaturais de Seu poder, e de como Ele faz cumprir a Sua Palavra, apenas o profeta velho acredita na Palavra de Deus. Aparentemente ele se arrependeu, e pediu para ser sepultado na tumba do homem de Deus, isto salvou seus ossos da profanação, quando, duzentos anos depois, a profecia foi cumprida (2 Reis 23.15-20) .

domingo, 3 de julho de 2011

O BRAÇO FOI CURADO, MAS O CORAÇÃO CONTINUOU DOENTE


Algumas pessoas recebem a graça de ver os sinais autenticadores da verdade de Deus, desfrutar dos atos milagrosos do Senhor, e ainda assim continuam na desobediência! Adoram a Deus da sua maneira, e buscam a Deus apenas para terem os problemas temporais e imediatos resolvidos, mas recusam resolver o problema eterno. Procuram a Deus para a cura do corpo, mas preferem continuar com a alma enferma.

Um exemplo disso é o rei Jeroboão, que passou a ser conhecido como Jeroboão I. Ele era um funcionário do rei Salomão. Sua capacidade o fez ser promovido a administrador. Por causa da desobediência de Salomão, Deus decidiu dividir o reino de Israel. O profeta Aías anunciou a Jeroboão que ele seria o rei das dez tribos. Se ele fosse obediente a Deus, seu reino seria estabelecido como o do rei Davi. Isto é, seria uma dinastia sobre Israel (1 Reis 11.40).

No tempo certo Jeroboão foi feito rei (1 Reis 12.20). Todavia não confiou em Deus, mas em sua capacidade e esperteza. Resolveu usar suas estratégias políticas e administrativas para manter o reino. Não existe erro em usar nossas capacidades, mas jamais devemos usá-las em desobediência à Palavra de Deus. Ele teve medo de que o povo voltasse para debaixo do domínio do reino dos filhos de Davi, se continuasse cultuando no templo, em Jerusalém. Por isso criou alternativas: dois novos lugares de adoração, dois bezerros de ouro para representar os deuses, sacerdotes que não eram da tribo de Levi, e festas religiosas na mesma época das festas instituídas por Deus. Um culto segundo a sua vontade, para atender aos seus interesses, conforme as suas conveniências, a seu bel-prazer (1 Reis 12.25-33).

Deus não se permite ser adorado conforme nós queremos, mas apenas segundo Ele mesmo estabeleceu! Por isso enviou um profeta para anunciar o juízo que traria sobre Jeroboão.

O homem de Deus chega exatamente no momento em que Jeroboão está oferecendo o incenso. Por ordem de Deus, ele profetiza que aquele altar seria destruído e profanado, por um rei chamado Josias, que seria um descendente de Davi. Os ossos dos falsos sacerdotes, que haviam sido instituídos por Jeroboão, seriam queimados nele. Esta profecia apresenta que aquele culto não era aprovado por Deus.

O rei se revolta e manda prender o profeta. Neste momento um segundo sinal ocorre: o braço do rei fica paralisado. Jeroboão clama que o profeta busque o favor de Deus, não para mudar seu coração duro, mas para curar seu braço endurecido. Jeroboão demonstra que estava mais preocupado com o seu bem-estar do que em ser obediente à Palavra de Deus. Buscava Deus para satisfazer seus desejos, resolver seus problemas, curar seus males imediatos, escapar de uma situação complicada e dolorosa. Não queria obedecer, não queria os bons resultados de longo prazo, que vêm como resultado de uma vida caminhando em obediência a Deus.

O profeta, que demonstra temer a Deus, clama, e mais um sinal se opera: o braço é curado. O rei o convida para comer em sua casa, e assim ele lhe presentearia. Mas o homem de Deus fica firme e resiste à tentação, obedece a Deus. Sendo modelo de como Jeroboão e a nação deveriam se comportar.

No capítulo 14 temos o mesmo comportamento de Jeroboão. Seu filho adoece, ele manda sua mulher ir disfarçada falar com o profeta Aías, o mesmo que havia profetizado o reino para ele. Manda presentes, tentando comprar Aías, da mesma forma que tentou comprar o homem de Deus do cap. 13. A profecia de Deus anuncia juízo, e dá como sinal a morte do menino. Mesmo assim, Jeroboão continua incrédulo.

Ele prefere um corpo sadio, e não um espírito obediente. Prefere garantir seu reino de acordo com suas idéias, do que confiar e obedecer a Deus. Prefere o caminho da sua vontade, ao da vontade de Deus. Ele já tinha visto o que acontecera no reino do sul, viu o altar fender-se, viu seu braço secar e voltar ao normal. Mas, os olhos do coração continuavam cegos para a Palavra de Deus, porque o coração estava seco.

Apesar de todos estes sinais, dados graciosa e explicitamente por Deus, nem Jeroboão nem o povo se arrepende. O braço do rei fora curado e voltou a movimentar-se, mas o coração continuou seco, afastado de Deus.