sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

UMA ILUSTRAÇÃO DA INTERAÇÃO ENTRE A SOBERANIA DE DEUS E A AÇÃO HUMANA.


Atos 27:9-28.10 é um texto intrigante. Além de outras lições, penso que podemos aprender algo sobre o relacionamento entre a soberania de Deus e a decisão humana.Faz parte da narrativa onde Lucas relata a viagem que fez acompanhando Paulo à Roma. 
            Neste ponto da viagem, eles já haviam ultrapassado metade do mês de setembro, e os romanos consideravam a viagem marítima depois de 15 de setembro muito duvidosa. Por isso Paulo aconselhou que o correto era passar o inverno onde estavam, pois continuar naquele momento traria grande prejuízo para todos.
            No entanto o chefe militar, que era o encarregado dos presos, prefere acreditar nos técnicos (piloto e o mestre do navio). A maioria também considerava o lugar onde estava inconveniente para passarem o inverno, e preferia um outro porto. Além disso, as aparências eram de que o vento sopraria tranquilo até que o navio chegasse ao lugar que consideravam apropriado. 
            Mas, em pouco tempo tudo mudou! Um tufão arrastou com violência o navio. A carga deve que ser lançada no mar. Depois se desfizeram também da armação do navio. Muitos dias no escuro, sem sol nem estrelas, e mais tempestade batendo no navio, a esperança e o apetite também foram embora.
            Paulo sofria sem culpa. Ele havia advertido do perigo, mas a maioria decidiu continuar a viagem. Algumas vezes o nosso sofrimento é resultado da escolha de outros. Avisamos e alertamos, mas os que nos acompanham teimam em prosseguir no que vai dar errado, e nem sempre conseguimos ou podemos abandonar o barco! Então, a tempestade se abate sobre nós também, e sofremos o prejuízo junto com outros. Nestas horas devemos lembrar: há um Deus no controle, Ele cuida de nós. Nossas vidas estão em Suas sábias e amorosas mãos.
            Mas Paulo tinha uma palavra para seus companheiros de tormenta. A tempestade poderia ter sido evitada. Mas agora, é hora de animar-se.
            Deus havia prometido que nenhuma vida se perderia, todos do navio seriam salvos. Mas eles precisavam se animar e se alimentar. Este alimento seria para a salvação deles. Deus fizera uma promessa contundente: nenhum fio de cabelo deles se perderia. Mas eles tinham que se alimentar. Paulo dá o exemplo, agradecendo a Deus e se alimentando. Este ato animou a todos.
            Quando o navio estava a ponto de espatifar-se nas rochas, os soldados aconselharam matar os prisioneiros, mas o centurião fez uma intervenção. O plano de Deus estava se cumprindo.
            Todos tiveram que se lançar ao mar, para salvar suas vidas.  Uns nadaram, outros se agarram em tábuas e flutuaram até à praia. Mas, todos se salvaram.
            Deus prometeu salvamento para todos os que estavam no navio. E providenciou os meios para isso. Usou Paulo para anunciar este salvamento e desafiá-los a se alimentarem para poder sobreviver. Usou o centurião para poupar a vida quando os soldados queriam matar todos os presos. Usou as tábuas para salvar a todos. Usou as forças dos viajantes para nadarem até à praia.
            Um claro exemplo de que Deus dispõe os fins e providencia os meios, mas cada um deve fazer uso destes meios, para que o fim planejado se concretize.
O desastre contribuiu para que o povo de Malta visse e ouvisse o poder do evangelho. Deus usou a desobediência da tripulação do navio, a tempestade, o prejuízo, o sofrimento e testemunho de Paulo, para que a Sua glória através do evangelho chegasse a outras pessoas.
            Soberania divina, e ação humana! Plano divino, e reação do homem. No final tudo coopera para que a Sua vontade se cumpra!
            Se o centurião tivesse escutado Paulo, o navio não enfrentaria esta tempestade e não sofreria o prejuízo, mas também, Paulo não chegaria a Malta para testemunhar. Podemos perguntar intrigados: e aí, como ficaria o plano de Deus?
            Não tenho resposta para esta pergunta. Mas, podemos aprender da atitude de Paulo: tentar evitar o máximo o desastre, sempre procurar e aconselhar a melhor opção, isto é, fazer a nossa parte o melhor que podemos. E mesmo quando isso não for suficiente para evitar o sofrimento e prejuízo, continuar confiando em Deus, sabendo que Ele sempre faz o melhor, e que, no final, tudo cooperará para Sua glória, que é o nosso alvo supremo!
            O Supremo Deus não erra e faz todos os acontecimentos cooperarem para o bem: nosso aperfeiçoamento e a Sua glória!
            

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

UMA ORAÇÃO FEITA NA HORA DA MORTE E RESPONDIDA UM ANO DEPOIS


Neste último domingo foi comemorado o dia da Bíblia. Em muitas cidades de nosso país há uma praça que homenageia a Bíblia, recebendo o nome de “Praça da Bíblia”. Há muitas opções de leitura e audição da Bíblia ao nosso dispor, tanto impressas como digitalizadas. É tão comum termos a Bíblia em nossa língua e em nossas mãos, que não imaginamos que há cinco séculos pessoas morreram para que hoje se pudesse ter este privilégio.  
Uma destas pessoas foi William Tyndale (1495-1536). Ele era um clérigo inglês que se dispôs a traduzir a Bíblia para a língua de seu povo, de modo que qualquer um pudesse ler e entender. Em sua época era ilegal traduzir ou copiar qualquer trecho da Bíblia. Pessoas eram queimadas por ensinarem o Pai Nosso em inglês para seus filhos. Antes dele, John Wycliff (1328-1384) e alguns de seus seguidores fizeram uma tradução para o inglês manuscrita e que continha vários erros de tradução e cópia.   
A liderança da Igreja não queria que o povo tivesse a Bíblia em suas mãos, e a ignorância e corrupção do clero eram grandes. Tyndale declarou para um clérigo: Se Deus poupar minha vida... farei um jovem camponês que empurra o arado conhecer a Bíblia melhor do que você”.  Para empreender este projeto ele teve que deixar a Inglaterra em 1523, sem autorização do rei, o que aumentava o risco de sua vida.   
Em 1525 sua primeira tentativa de imprimir o Novo Testamento malogrou, pois as autoridades atacaram de surpresa a gráfica. Mas em 1526 o Novo Testamento foi impresso na Alemanha e, durante cinco anos, quinze mil cópias foram contrabandeadas para a Inglaterra em sacos de cerais e barris de peixes. Um arcebispo comprou um grande número para destruir. Só que isso contribuiu para financiar uma edição melhor.
William Tyndale continuou revisando e aperfeiçoando sua tradução, até que em 1535 saiu a edição definitiva, em um estilo popular, pronta para ser entendida pelo homem simples. Cópias foram levadas para a Escócia e ajudou a promoção da Reforma naquele país.  Ele mudou-se para a Bélgica para traduzir o Antigo Testamento, mas só conseguiu traduzir os cinco livros de Moisés, os históricos até 2ª Crônicas, e o livro de Jonas. Ele foi traído por um colega, então preso e condenado à morte.
Suas últimas palavras foram uma oração gritada: “Senhor, abre os olhos do rei da Inglaterra”. Depois da oração ele foi estrangulado e seu corpo foi queimado.
Enquanto esteve preso, um de seus colaboradores completou a tradução do Antigo Testamento, e um ano depois de sua morte, o rei da Inglaterra aprovou a publicação da Bíblia na versão de Tyndale. Esta tradução teve profundo impacto e influência nas traduções subsequentes e na história do cristianismo no mundo.
O fogo queimou o corpo de Tyndale, mas não os frutos de seu trabalho! Hoje temos a liberdade de ter a Bíblia em nossa língua e em nossas mãos. 
Se quiser ver uma versão de sua história num vídeo de seis minutos acesse http://www.youtube.com/watch?v=rzpueVS7Htk
                

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

UM COMEÇO OBSCURO, UMA HISTÓRIA IMPACTANTE


Grandes obras podem ter pequenos começos. Nem sempre um começo sem prestígio e influência pode indicar uma obra sem importância. Um exemplo é a carta aos Romanos. É provável que, quando a carta chegou a Roma, poucos a leram, e que a maioria nem tomou conhecimento dela. Se fosse hoje, não figuraria na lista dos livros mais vendidos. Não receberia uma menção e nem uma crítica das revistas de informação. Não estaria exposto nas vitrines das grandes livrarias.
Acredita-se que o apóstolo Paulo escreveu a carta aos romanos quando estava na cidade de Corinto, no começo da primavera do ano 57 depois de Cristo.
Nesta época, a cidade de Roma tinha mais de um milhão de habitantes, sendo que mais da metade da população era de fora. Certo escritor disse que “Numa cena típica de rua podiam-se ver escravos mouros conduzindo elefantes, germanos louros da Guarda Imperial, egípcios de cabeça raspada, um professor de grego com os seus manuscritos trazidos pelo escravo núbio que o seguia, príncipes orientais, selvagens da Britânia”.
Havia opulência e riqueza acumulada, mas, na sua maioria, os habitantes eram pobres e dependentes do governo, que lhes fornecia gratuitamente cereais, banhos públicos e divertimentos. Por causa da disparidade social, lado a lado havia: casas superlotadas, luxuosas mansões nas vilas elegantes e as imponentes construções públicas de mármore (templos, teatros, fóruns, etc.). Muitos dos problemas das grandes cidades modernas também eram comuns em Roma.
O imperador da época era Nero, que herdara o trono no ano 54, quando tinha apenas dezessete anos. Por ser jovem, o controle do Império, pelo menos até o ano 59, ficou nas mãos de outras pessoas, entre elas seu tutor, Sêneca, escritor e filósofo.
A religião era politeísta. Adorava-se um panteão de deuses de diferentes origens e características, incluindo os da mitologia greco-romana, os imperadores deificados, os deuses domésticos, os espíritos do campo, e os protetores das cidades.  Acreditava-se que os deuses controlavam quase todas as atividades da vida, então era conveniente render-lhes homenagens, para garantir o sucesso, ou pelo menos, evitar as desgraças. A preocupação não era com o pecado, mas com o sucesso e o êxito, isto é, com o dar-se bem na vida. Cícero escreveu “Júpiter é chamado o Melhor e o  Maior porque não só nos faz sóbrios e ajuizados como saudáveis, ricos e prósperos”.
                Provavelmente a carta aos Romanos foi lida apenas pelos cristãos, que eram menos de 0,5% da população. Os influentes da cidade e do Império não a leram nem tomaram conhecimento dela. Havia muitas outras obras consideradas mais interessantes para ler: decretos do imperador, poesias, livros sobre filosofia e história, etc. Além disso, havia muitas outras coisas com as quais ocupar o tempo: teatro, circo, adoração aos mais diversos deuses, etc.
                A carta também tratava de um tema que estava baseado num acontecimento, ocorrido há quase trinta anos, na distante Palestina, e que não havia chamado à atenção dos poderes de Roma: o ministério, morte e ressurreição de Jesus Cristo, fatos que são o centro do Evangelho. Para as autoridades romanas o cristianismo era apenas mais uma facção do judaísmo. Suetônio, historiador do Imperador Cláudio (que havia governado antes de Nero), escreveu que a expulsão dos judeus em torno do ano 49, ocorrera por causa da instigação de Chrestus, e ele está se referindo a Cristo. Isto indica que nem o nome e título correto de Jesus ele estava interessado em saber.
                Paulo, o escritor da carta, era um cidadão romano, até então sem muita influência, perseguido pelos judeus e criticado até por alguns cristãos. Nunca havia estado em Roma, e seus contatos lá não eram muitos. Anos mais tarde, quando lá chegou, os judeus nem tinham conhecimento dele (Atos 28.21).
                Mas, no decorrer da história, Deus se encarregou de colocar as coisas no seu devido lugar. E nenhuma literatura daquela época escrita para a capital do Império causou mais impacto do que esta carta. O evangelho exposto nela transformou o mundo, salvou vidas e mudou o curso da história em vários momentos. Seu autor, seu assunto e a própria carta são mais conhecidos e estudados do que os decretos imperiais da época, mais admirados do que as poesias, peças teatrais e músicas de então, mais informativos do que qualquer livro de história escrito naquele tempo, mais influentes do que qualquer obra filosófica produzida naquele período e mais resistentes e úteis do que as grandes e imponentes construções do Império Romano.
                 Esta verdade deve nos animar quando acharmos que o nosso trabalho em prol do Reino não faz diferença. Devemos fazer a obra que nos cabe, e confiar que Deus a usará como lhe apraz. E no Seu Reino receberemos a devida recompensa.  A verdade do Evangelho pode ser perseguida, ridicularizada e desprezada, mas ela triunfará sobre as modas vazias, populares e enganadoras de cada tempo. Quanto tudo passar, só esta Palavra e os que nela confiaram permanecerão vitoriosos.
                


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Quando a resposta de Deus me espanta!

O profeta Habacuque fez perguntas a Deus. Procurando saber porque os maus levavam vantagem no meio do povo de Deus. A resposta de Deus o deixou espantado.
Acesse o link abaixo e escute a mensagem sobre o texto de Habacuque 1.5-11
http://www.4shared.com/mp3/bH4EUEnQ/o_livro_de_habacuque_n_02_-_pr.html


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

FINADOS! SERÁ?


No dia 2 de Novembro é comemorado o dia de Finados. Mas qual o significado deste dia? O dicionário define finado como  “Que se finou.. Pessoa que faleceu; morto, falecido.”. Finado dá a ideia de algo que acabou, que findou. O dia seria uma lembrança das pessoas que findaram suas vidas. Mas será que a morte de fato encerra com a existência de uma pessoa? Será que quem morreu de fato já findou?  Há uma existência depois do túmulo?
                Para termos estas respostas, precisamos ouvir quem conhece o outro lado. Quem já experimentou a morte e a venceu.  A Bíblia nos apresenta esta pessoa: Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ele morreu, foi sepultado e ressuscitou. Ele sabe o que tem depois da morte. Vamos ver o que Ele tem a nos dizer.
                Durante o tempo que esteve na terra Jesus contou uma história de um rico e um mendigo. Esta história nos é narrada no evangelho de Lucas 16.19-31. Do rico não sabemos o nome. Sabemos que ele viveu neste mundo desfrutando de sua riqueza e sem se importar com Deus. Sua vida estava voltada apenas para este mundo. Todos os bens que ele queria ele havia conseguido em vida. Ele não havia almejado nenhum bem do outro lado. Os únicos bens que ele desejava era vestir-se luxuosamente, e sentir-se plenamente satisfeito com a vida suntuosa que tinha. Ele andava tão envolvido com sua riqueza que nem tinha tempo para ajudar o mendigo que havia sido colocado nos portões de sua casa, e ansiava por comer pelo menos das migalhas que caiam da mesa. Além disto, não dava ouvidos à Palavra de Deus.
                Já o mendigo era chamado de Lázaro, que quer dizer Deus ajuda. Este era alguém completamente abandonado. Havia sido posto nos portões da mansão do rico e deixado ali.  Ele se daria por satisfeito se comesse as migalhas da mesa do rico, mas nem isto tinha. Por causa de uma doença que o cobrira de feridas, ele não tinha forças nem para espantar os cães que vinham lamber-lhe as chagas.  Era alguém completamente dependente de Deus.
                Ambos morreram. Na linguagem deste dia, tornaram-se finados. Lázaro foi levado pelos anjos para um lugar de honra com Deus. O rico foi para a sepultura, e de lá para o inferno. Note que de fato eles não se tornaram finados, a existência não acabou para eles. Apenas mudaram o modo da existência. Lázaro, por ter vivido em dependência de Deus, por ter ansiado a vida de Deus, como o supremo bem, vai para junto de Deus.  O rico, que nunca se importou com Deus, vai para longe de Deus. Para o inferno.
                É dito que no inferno ele estava em tormentos, dores agudas, uma grande agonia por causa de chamas. O único bem que almejava agora era uma ponta de dedo molhada para lhe refrescar a língua. É incrível que nem o sofrimento do inferno mudou sua natureza. Ele não pede para sair, ou para ter comunhão com Deus, não demonstra arrependimento por ter se esquecido de Deus em vida, apenas pensa em diminuir seu sofrimento. Ele ainda vê Lázaro como alguém inferior, ele pede para pai Abraão mandar Lázaro molhar o dedo e refrescar sua língua.  Ele ainda não se preocupa com o bem estar de Lázaro, quer que este deixe o céu para ir servi-lo no inferno.
                Quem vai para o inferno não irá sair de lá, entre outras razões porque não quis, e ainda lá, continua sem querer mudar de vida. As decisões tomadas na vida, foram transformadas em ações, e estas em costumes, e estes cristalizaram o caráter de tal maneira, que nem no inferno será mudado. Mas há outra razão porque não poderão sair do inferno, é que um grande abismo foi posto entre céu e inferno. Um abismo que está firme e não pode ser mudado. Por isto, é dito que de modo nenhum alguém pode ir de um lugar para o outro. Com isto Jesus quer ensinar que a mudança tem que ocorrer em vida, depois de morto não há como conseguir ajuda de ninguém para melhorar o estado do finado.
                O rico ainda faz mais um pedido. Ele quer que Abraão mande Lázaro ir avisar seus irmãos sobre o inferno. Note que ainda não se preocupa com Lázaro, pois quer que este deixe o céu e volte para a terra. No entanto lhe é respondido que os irmãos já têm a Palavra de Deus para lhes avisar. O problema é que, como o rico havia feito, estes irmãos também não davam atenção a Ela, os únicos bens que queriam era aproveitar este mundo, sem pensar no além morte. O rico concorda que seus irmãos vivem sem arrependimento, apesar de terem a Palavra de Deus. Mas ele pensa que alguém que voltou dos mortos pode ter uma mensagem mais poderosa do que a Palavra de Deus.
                Quantos pensam e vivem assim! Não acreditam na Palavra de Deus, mas esperam que alguém que já morreu lhes diga alguma coisa, e se este lhes disser eles irão acreditar e mudar de vida. Dão mais valor às palavras dos mortos do que à Palavra de Deus!
                Só que é dito claramente que, quem não dá atenção à Palavra de Deus, quem não se arrepende diante da mensagem de Deus, não será persuadido por nenhum milagre, nem que seja de alguém voltando dos mortos.
                De fato a morte não é o fim. Pode ser uma ponte para uma vida melhor ou para uma vida pior. O que decide isto é o modo como se vive na terra. Com crença e obediência à Palavra de Deus, ou sem prestar atenção ao que Deus diz, preocupando-se apenas com os bens deste mundo.
Ao findar o labor desta vida, quando a morte ao teu lado chegar,
Que destino há de ter a tua alma? Qual será no futuro teu lar?
Meu amigo, hoje tu tens a escolha: vida ou morte qual vais aceitar?
Amanhã pode ser muito tarde, hoje Cristo te quer libertar.

TRINTA E UM DE OUTUBRO, UM DIA PARA SER CELEBRADO


No dia 31 de outubro é celebrado o dia da Reforma. É uma celebração dos cristãos protestantes, pois em 31 de outubro de 1517, foram afixadas na porta da Igreja de Wittenberg, na Alemanha, as 95 teses elaboradas pelo, então monge, Martinho Lutero. Este ato desencadeou uma volta aos ensinos de Jesus e dos apóstolos, que haviam sido abandonados pela Igreja. Este movimento passou a ser chamado de Reforma Protestante.
Após a adoção do cristianismo por parte do Imperador Constantino, no ano 312 depois de Cristo, a Igreja Cristã, pouco a pouco, conformou-se aos valores e práticas mundanas e pagãs. O fervor esfriou, o culto formalizou-se, e o ensino bíblico foi esquecido.
Muitas tentativas de reformas forma feitas. A liderança religiosa sufocou algumas , e outras ela cooptou.  O sistema monástico, entre outras razões, surgiu por causa da insatisfação com a frieza, mundanismo e formalismo. Várias ordens monásticas tentaram  reavivar a Igreja. Os monges de Cluny, os monges cistercienses, os dominicanos, Francisco de Assis e os franciscanos, (todas estas entre os anos 1000-1250), são alguns exemplos.
Outras tentativas foram: movimentos intelectuais, entre os anos 1000-1400, como o Escolasticismo, Renascença e os humanistas (que era um segmento da Renascença); movimentos religiosos, entre 1100-1250, como os Valdenses, os Cátaros ou Albigenses, e o misticismo cristão; e um movimento interno da própria Igreja, chamado de Conciliar, que tentava submeter a autoridade papal à autoridade dos concílios. Todos falharam.
Homens como John Wycliffe (1328-1384) e João Huss (1373-1415) pregaram contra os abusos da liderança religiosa, e esforçaram-se para que a Bíblia fosse traduzida e ensinada na linguagem do povo comum. Wycliffe, na Inglaterra, foi calado, e Huss, na Boemia (atual República Checa), foi queimado, depois de covardemente traído pelo Papa. Antes de ser executado disse: "Vocês hoje estão queimando um ganso (Hus significa "ganso" na língua boêmia), mas dentro de um século, encontrar-se-ão com um cisne. E este cisne vocês não poderão queimar.", 102 anos depois, Martinho Lutero elaborou as 95 teses.  
        O protesto de Martinho Lutero era principalmente contra as indulgências, prática romana, que oferecia o perdão de pecados em troca de ações religiosas em prol da igreja ou de ofertas em dinheiro. A base para isto era a crença de que a salvação é por obras. E que algumas pessoas excederam em boas obras, de modo que fizeram o suficiente para si e ainda sobrava um saldo que poderia ser utilizado em prol de outros. Este saldo era administrado pelo Papa, que assim, poderia conceder as indulgências.
         Lutero, depois de estudar o livro de Romanos, entendeu que esta prática anulava o sacrifício redentor de Jesus Cristo, e consequentemente o evangelho. A 62ª tese dizia "O verdadeiro tesouro da Igreja é o sacrossanto Evangelho da glória e da graça de Deus".

          Romanos 3.21-26 diz:
pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,  sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.
Já que todos os seres humanos estão debaixo da mesma condição, que é o pecado, só há um meio de salvação para todos. Este meio é a justificação, isto é, uma declaração de absolvição feita pelo próprio Deus, que é a sentença oposta a da condenação. Deus declara justificado o pecador que não tem obras para merecer este perdão, conforme diz Romanos 4.5: Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça.
Esta justificação é feita de forma gratuita, como um presente. Isto porque o preço foi pago por Jesus. Redenção era o termo utilizado para se referir ao pagamento feito para dar a liberdade a um escravo. O preço para a libertação da condenação que os pecados mereciam foi pago com o sacrifício de Jesus. Esta maneira foi proposta pelo próprio Deus. Através do sangue de Cristo, de sua morte na cruz, os pecados foram propiciados. Isto significa que a morte de Cristo na cruz, satisfez a justiça divina, Sua ira contra os pecadores foi aplacada. E a sentença de condenação retirada.  
A recepção deste dom não é automática, isto é, nem todos receberão o livramento da condenação. É necessária uma recepção com fé, um ato de confiança, que concorda com o veredito de Deus sobre nosso estado de pecado e aceita a solução proposta pelo próprio Deus como único meio de escape.  Esta fé não é um ato meritório, mas um clamor daquele que se reconhece perdido e desesperado, e confia na generosidade de Deus, submetendo-se humildemente ao caminho que Ele estabeleceu.
A Reforma foi um protesto, por isso foi chamada de Reforma protestante. Um protesto contra o falso evangelho, que não é evangelho, mas ensino humano, pois apregoa que o próprio homem pode realizar a sua salvação, e fazer obras que paguem por seus pecados.
A Reforma não corrigiu todos os erros da Igreja Cristã, nem Lutero foi um homem perfeito, estava longe disso. Mas, a Reforma foi um protesto, que trouxe de volta a pregação de que, todos são pecadores, e por isso estão condenados, e que o amor divino realizou a salvação através da morte de Cristo, e agora, todo aquele que pela fé aceita este evangelho é salvo:
Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. (Romanos 10.9).
31 de outubro é um dia para ser celebrado!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

O problema do Mal - Habacuque 1.1-4

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O que fazer quando nossa fé não consegue explicar as injustiças da vida? O profeta Habacuque passou por situação semelhante, e testemunhou o que aprendeu. As perguntas de Habacuque ainda continua sendo as nossas perguntas. E a reação dele, deve também ser a nossa.  Acesse o link abaixo para  ouvir ou baixar a mensagem.
http://www.4shared.com/mp3/DFMLAkpL/o_livro_de_habacuque_n_01_-_pr.html?

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

AI, ACÃ E ACOR


Na língua portuguesa o termo “ai” pode ser usado como uma interjeição, que na maioria das vezes expressa dor, lamento ou queixa. Também pode funcionar como um substantivo que, semelhantemente, indica dor, sofrimento ou desespero.
Já na língua original do Antigo Testamento, a palavra tem o sentido de fragilidade e ruína. Era o nome de uma cidade que ficava a leste de Betel, na terra de Canaã. Cidade sem muita importância, pequena e fragilizada. Tanto é que os observadores militares de Josué não viram necessidade de levar todo o exército para conquistá-la (Js 7.3). Talvez por isso a chamaram de Ai, isto é “um montão de ruínas”.
Estes sentidos de dor e fragilidade podem ser enfatizados por um acontecimento que é narrado em Josué capítulo 7.
O povo de Israel havia ultrapassado o Rio Jordão e conquistado a antiga cidade de Jericó. A próxima cidade era Ai. Josué enviou espias que relataram ser necessário apenas poucos soldados para conquistarem a cidade. Mas, ai de Israel! O improvável ocorreu! A pequena cidade fez o exército de Israel fugir. Trinta e seis soldados israelitas foram feridos. Pior foi o resultado psicológico: o coração do povo se derreteu (Js 7.4,5). O que antes estava acontecendo com os inimigos de Israel, agora ocorria com o povo de Israel: o medo fazia o coração desmaiar (Js 2.11; 5.1).
Diante do fracasso, Josué e a liderança fizeram o que deveriam ter feito antes de atacar a cidade, foram a Deus em oração (Js 7.6-9). Haviam confiado apenas na sua avaliação militar, e não buscaram o conselho de Deus. Agora, arrependidos, prostram-se diante do Senhor.
Deus explica o que havia acontecido: Israel havia pecado, isto é, falhado em continuar no alvo proposto por Deus. Este pecado é descrito como a violação da aliança e ultrapassar os limites ordenados por Deus (Js 7.10,11).  O escritor do livro já havia nos alertado para esta situação no versículo 1º, quando disse que o povo de Israel prevaricou, isto é, foi infiel, tal qual uma pessoa que adultera (Nm 5.12). E Deus ficara irado com isso.
Mesmo quando a luta é contra algo pequeno e fraco, se não houver obediência a Deus, a derrota é certa. A desobediência faz a ruína mudar de lado. Neste caso, a cidade fraca e arruinada, arruinou o povo de Israel, porque este já havia se arruinado com seu pecado.
O pecado específico foi o de ficar com as “coisas condenadas”, esta era uma expressão para o que fora consagrado total e definitivamente a Deus. Esta consagração se dava tanto através de uma doação para o uso no santuário, como através da completa destruição do que fora consagrado. De qualquer maneira, aquilo que fora votado a Deus ficava proibido para o uso comum. Ninguém poderia usar para si mesmo.
No caso de Jericó, o pecado daquela cidade a tornara tão abominável aos olhos de Deus, que tudo deveria ser destruído, nada aproveitado, exceção da arrependida Raabe e sua família. Tudo seria queimado, menos o que não era destrutível pelo fogo, que iria para o tesouro de Deus. Quem desobedecesse à ordem, colocaria sob maldição todo o povo de Israel. (Js 6.17-19).
Quem havia cometido este pecado fora um homem chamado Acã. Este nome tem como raiz um verbo que significa: atormentar, atribular, perturbar. Acã havia tirado o sossego e a paz de Israel, com o seu pecado individual. Ele passou a ser conhecido como o que perturbou Israel (2º Crônicas 2.7). Quem desobedece a Deus, mesmo de forma oculta, traz problemas para o povo de Deus.
A cidade de Jericó havia se colocado entre Deus e o Seu plano, por isso fora condenada. Quando Acã roubou e escondeu o que fora condenado, o povo de Israel se tornou condenado, pois também havia se colocado contra o plano de Deus. Era necessário que Acã e os objetos roubados, fossem destruídos, para que a condenação se afastasse de Israel (Js 7.12,13). Ficar contra o plano de Deus é perturbar o povo Dele, e também é estar do lado dos que necessariamente serão destruídos.
 Até então, o povo não sabia quem era o culpado. Um sorteio foi ordenado, depois da santificação do povo, para que o culpado fosse consagrado ou destinado à destruição, pois ele havia se apegado ao que havia sido votado à destruição, e isto foi considerado por Deus como uma loucura (Js 7.14,15). Apegar-se ao que Deus condenou é sujeitar-se à mesma condenação.
Acã confessa seu pecado, mas só depois de descoberto, quando não havia mais saída. Então foi levado ao Vale de Acor, que significa: Vale da Perturbação ou Vale do Problema. Ali, ele e sua família foram apedrejados, queimados e sepultados. O homem que havia perturbado o povo com seu pecado, teve sua vida irremediavelmente perturbada por Deus.
Acã morreu com os bens que cobiçou e se apegou, mas que nunca desfrutou. O que é adquirido com perversidade torna-se engano e perturba a vida (Provérbios 15.6,27). O perturbador encontrou como destino a perturbação (Josué 7.25). Creio que, se houvesse arrependimento, o Vale de Acor teria sido para Acã um vale de repouso e uma porta de esperança, conforme as promessas de Deus (Isaías 65.10; Oseias 2.15).
Deus estava ensinando que a obediência às ordens Dele era absolutamente essencial para a conquista da terra. E cada um individualmente tinha responsabilidade nesta obediência, de modo que a desobediência de um afetava a todos. O pecado de um podia destruir a nação (Js 22.20).
Cuidemos para não sermos um Acã, e assim, nossa igreja não terá um Ai, e nem nós e nossa família terão um Vale de Acor.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Amor ou obrigação?


Algumas pessoas não conseguem perceber um relacionamento entre obrigação e amor. Acham que um exclui o outro. Raciocinam que: se algo foi feito por obrigação, então não  houve amor, e se há  amor, então nenhuma obrigação está envolvida. 
Mas há sim um relacionamento.
O livro de Deuteronômio nos mostra isso.  Nele há tanto um incentivo para se guardar a Lei de Deus (uma obrigação), como uma exigência de que esta obediência seja motivada por amor. O povo de Israel tinha a obrigação de obedecer a Deus, mas esta obrigação deveria ser resultado de seu amor para com Deus. (Deuteronômio 6.4,5; 10.12,13;30.20)
A obrigação é fruto do amor. Pois quem ama assume compromissos. Sempre o amor vai gerar uma obrigação para com algo ou alguém que amamos. Os cônjuges assumem obrigações uns para com os outros, porque se amam.  Os pais assumem a obrigação de cuidar dos filhos porque os amam . Um amigo assume a obrigação de resolver um problema para outro amigo por conta da amizade que os une. Outros exemplos poderiam ser apresentados.
Penso ainda, que a obrigação repetida pode gerar amor. Agora isso nem sempre acontece, mas é possível. A disciplina em fazer alguma coisa pode nos levar a amar o que fazemos. Alguém pode não gostar de tocar violão, mas com a obrigação de praticar, pode acabar gostando. Algumas vezes não gostamos de uma matéria nos estudos, mas somos forçados a nos aplicar, então passamos a gostar. Outra situação é de sermos obrigados a conviver com alguém, e com o passar do tempo começarmos  a amar aquela pessoa.
Repito, este segundo relacionamento nem sempre acontece. Mas o primeiro sim. O amor sempre gera obrigação. 
Então,  não é "amor ou obrigação", mas "obrigação por amor". Pois "A obrigação resulta do amor".

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Perseguição e Sedução

Perseguição e sedução são as duas estratégias usadas para nos afastar de Deus.
A primeira ameaça a nossa sobrevivência e nos encurrala na conformação a uma cultura mundana, rebelde e indiferente a Deus.  A outra nos atrai com o glamour da glória, grandeza, poder, riqueza, e alegria mundanos.
A opção mais sábia é também a mais difícil: perseverar confiando e obedecendo a Deus, sem se desviar de Suas ordens. Esta foi a decisão de Daniel e seus três amigos.  Eles não consentiram com o que era oportuno, mas escolheram a lealdade a Deus.
O exemplo deles pode injetar em nossas débeis veias espirituais o estímulo necessário para não cedermos à pressão dolorosa da perseguição e nem ao fascínio deslumbrante da sedução.
Há muito mais em jogo do que nossos olhos podem enxergar.
Que as ocorrências do dia a dia, as ações dos poderosos diante do mundo, as interpretações da mídia, e o desenrolar daquilo que chamamos História, não ofusquem os nossos olhos diante da verdade de que há um Deus Altíssimo e Soberano que dirige a história e que merece nossa lealdade.  Nele deve estar nossa esperança.  
É a vida e a eternidade que estão em perigo. Não deixemos nos enganar. Nossas escolhas, mesmo que pareçam insignificantes, fazem diferença eterna.
Um dia a aflição da perseguição cessará, e o encanto da sedução desvanecerá. Só restarão a alegria da presença de Deus e o brilho da Sua glória.  

terça-feira, 11 de setembro de 2012

COMO SABER O QUE É MELHOR?

       Sempre desejamos o melhor. Exemplos: quando temos a possibilidade de escolher entre dois produtos, escolhemos aquele que entendemos ter qualidades superiores; e quando é necessário decidir entre certas situações, preferimos aquela que, segundo nossa avaliação, possui o máximo de atributos para satisfazer nossa apreciação. 
    A busca pelo melhor, guia nossas decisões. Mesmo quando escolhemos o que, aparentemente não é o melhor, é porque acreditamos que isso é o mais adequado a ser feito naquela situação. Exemplo: você não escolhe o melhor pedaço de bolo, pois quer deixá-lo para um amigo, isso é um sacrifício. Mas,você agiu assim por julgar que o sacrifício era o melhor a se fazer naquela situação. 
       Até as decisões desesperadoras foram orientadas pelo que se acreditou ser o melhor. Um suicida pensou que tirar sua própria vida era a melhor saída para a situação que enfrentava. Agiu assim porque acreditou que a morte era melhor que a vida naquele momento. 
       É esta busca pelo melhor que nos move. O problema é que nem sempre sabemos o que é melhor. Por isso, algumas, senão muitas, de nossas decisões são equivocadas. Fazemos escolhas pensando que elas são as melhores, só depois descobrimos que não eram. Nosso juízo do que é melhor depende de nossa escala de valores. O melhor será sempre aquilo que julgamos mais valioso, mais importante, e mais benéfico. No final das contas, nossos valores determinam nossa vida. 
    Por sermos finitos, somos dependentes para formar nossos valores. A princípio adquirimos estes valores do mundo que nos rodeia: nossos pais, parentes, professores, amigos, etc. Com o tempo descobrimos que estes valores nem sempre são suficientes para nos orientar na escolha do que é melhor. Notamos que a vida é muito complexa e nós somos simples demais; que ela nos oferece muitas possibilidades, mas nós somos limitados; que o futuro é muito incerto e nós não temos o poder de adivinhar. Cedo podemos perceber que não conhecemos a vida o bastante para identificarmos o que é melhor. 
    Mesmo com muita pesquisa e estudo o conhecimento humano não é completo. É comum ouvirmos que uma descoberta de hoje desmente o que ontem foi anunciado como melhor. Os costumes mudam, as opiniões das pessoas que nos rodeiam nem sempre são coerentes, como diz Provérbios 16.29: "O homem violento alicia o seu companheiro e guia-o por um caminho que não é bom." Tudo isso nos deixa  confusos sobre o que é melhor. 
    Quais são os valores superiores, mais adequados e acertados para nossa vida? Como saber quais são estes valores? A pergunta feita pelo escritor de Eclesiastes, há quase três mil anos, continua ecoando “Pois quem sabe o que é bom para o homem durante os poucos dias da sua vida de vaidade, os quais gasta como sombra?” Eclesiastes 6.12. 
    Deus, que é o Criador da vida e o Conhecedor do futuro sabe o que é o melhor, conhece o que é bom, pois Ele é bom em Sua essência. "Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom"  (1 Cr 16.34). Quando Ele criou o universo, fez tudo bom, "Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom". (Gn 1.31). Também pensou no que era melhor para o homem: "Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só" (Gn 2.18). Ele é o Soberano capaz de transformar o que seria mal, em algo bom, como disse José a respeito do mal que seus irmãos tentaram fazer contra ele: "Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem" (Gn 50.20).  
    Ele planejou dar o melhor para o Seu povo: "o SENHOR prometeu boas coisas a Israel."(Nm 10.29). Ele revelou ao Seu povo o bem: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom” (Miquéias 6.8). Fez isso dando a Sua palavra através de Seus profetas que a ensinaram ao Seu povo: "Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal" (Dt 30.15; ver ainda 1 Sm 12.23). É Ele quem faz o Seu povo ver o bem: "Há muitos que dizem: Quem nos dará a conhecer o bem? SENHOR, levanta sobre nós a luz do teu rosto."(Sl 4.6), e dá o Espírito Santo que nos ensina, "E lhes concedeste o teu bom Espírito, para os ensinar"(Neemias 9.20). 
    Sabemos o que é melhor pedindo que Ele nos dê sabedoria para discernirmos o que é bom: "Tu és bom e fazes o bem; ensina-me os teus decretos".(Salmo 119.68), e buscando conhecer este bem: "Buscai o bem e não o mal, para que vivais; " (Amós 5.14). 
   Algumas vezes Ele nos deixa passar por aflições para aprendermos o que é melhor: "Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos."(Sl 119.71). Ele cerca os maus caminhos que escolhemos, para que entendamos que o melhor é voltar para Ele, como fez com o povo de Israel  (Oseias 2.7).  
   Como nossa existência é vivida sempre diante Dele, e é a Ele que daremos conta, o melhor para nós é agradá-Lo: "Guarda e cumpre todas estas palavras que te ordeno, para que bem te suceda a ti e a teus filhos, depois de ti, para sempre, quando fizeres o que é bom e reto aos olhospan>" (Dt 12.28). 
    Sem Deus, o melhor que conseguimos da vida é canseira e enfado: "Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos."(Salmo 90.10).
    É na obediência a Ele que encontramos o melhor: "Dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem e bem de seus filhos." (Jr 32.39, ver ainda Dt 6.24; 10.13).

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

UM DESAFIO AO PROFETA JEREMIAS, MAS QUE SERVE AOS PREGADORES DE TODAS AS ÉPOCAS

          Jeremias foi um profeta que pregou a palavra de Deus por mais de quarenta anos.
          Durante este tempo foi perseguido, ameaçado, surrado, aprisionado, sequestrado e levado ao Egito. Ele sofreu solitário, sem companhia de amigos e família, abandonado por parentes e amigos.
          Depois de vinte e três anos pregando ele testemunhou que o povo de Judá não lhe dava ouvido, mas ele persistentemente continuava anunciando a mensagem do Senhor (25.1-3). Ao invés de ouvir a Palavra de Deus que convocava a uma mudança de vida, o povo preferia as mensagens adocicadas dos falsos profetas (23).
          Algumas vezes o profeta lamentou o seu ofício. Sentia de modo intenso a tensão entre pregar o que Deus ordenou e sofrer a perseguição, ostracismo e ridicularização dos homens, ou calar e não anunciar mais o que Deus havia mandado e ainda sofrer a pressão interna criada pela compulsão da obediência a Deus. Confiando na força e presença de Deus, ele preferiu enfrentar o primeiro tipo de tribulação (20.7-11).
          Numa de suas crises, ele lamenta a situação a qual Deus lhe havia imposto, e pergunta se Deus não lhe seria apenas uma miragem, um ilusório ribeiro de águas, que quando ele mais precisasse descobrisse que o ribeiro secou. Parece que estava se sentindo tentado a conformar sua mensagem às expectativas dos ouvintes. Deus lhe responde convocando-o ao arrependimento, pois assim Deus o restauraria e o fortaleceria para continua cumprindo a missão dada. Deus insta para que Jeremias continuasse falando o que era de valor, e não uma mensagem insignificante. Era o povo que deveria se conformar à mensagem, e não a mensagem se adequar ao povo. (15.15-21).
          Os pregadores da Palavra de Deus devem crer que é o ouvinte que deve ser mudado pela pregação e não a pregação ser mudada pelos desejos e expectativas do ouvinte. A Palavra muda o homem, e não o homem a Palavra.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

SEM MEDO DE SER DIFERENTE


         Geralmente ser diferente causa medo. Medo que assombra tanto quem é diferente, como aqueles dos quais o diferente difere.
         Diferente é aquilo que é raro, incomum, não frequente, e na maioria das vezes desconhecido, e tudo isso amedronta. A diferença normalmente é interpretada como divergência, desavença e falta de harmonia. E esta dissonância agride os ouvidos.          A diferença obriga as pessoas a reverem seus valores, a refletirem sobre suas escolhas tão semelhantes e comuns, e a avaliarem suas razões (que na maioria das vezes é baseada no que todo mundo faz e no que todo mundo pensa e diz). Este processo é desconfortável. Pode produzir mudanças, e estas assustam. Por isso, o diferente causa medo. 
         Mas o diferente também sente medo. Ser diferente é nadar contra a correnteza, o que exige um maior esforço. Ser diferente é andar na contramão, e isso é perigoso. Pode ser atropelado pela perseguição, o escárnio, e a pressão para se tornar igual a todo mundo e deixar de ser diferente. 
         Não gostamos de ser diferentes. Quando nos portamos diferentes, ou é porque queremos protestar, chamar a atenção,impressionar, ou orgulhosamente nos mostrar superiores, ou porque temos consciência da necessidade de agir assim. Nestes casos, ser diferente é algo dolorido e desconfortável, e exige coragem.
         Temos medo de ser diferentes. O medo sempre é causado por algo que ameaça aquilo que valorizamos. Há dois valores que prezamos muito: nossa integridade física e nossa imagem (nosso nome ou nossa estima). Ser diferente pode ameaçar estes dois bens preciosos.          Onde domina o totalitarismo, ter uma posição diferente da maioria pode causar perda da liberdade, sofrimento físico e até morte. Em culturas onde não há este totalitarismo, a imagem é o bem mais ameaçado. Ser diferente pode causar ostracismo, desprezo, perda de negócios, isolamento social, calúnias e rejeição. Isto tudo causa sofrimento e dor, gerando medo. 
         Este medo irá se manifestar em fuga, timidez, vergonha, desânimo, desespero, abandono de posição, mudança de convicções, e desistência de tarefas e missões. 
         Penso que foi por isso que o apóstolo Paulo escreveu para Timóteo reavivar o dom que Deus lhe havia dado (2ª Timóteo 1.6-8). “Por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos. Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus” 
         Eram tempos difíceis e de perseguição. Paulo encontrava-se preso, sem perspectiva de livramento e acreditava que o final de sua carreira terrestre havia chegado (2ª Tm 4.6).          Ele lembra Timóteo que o dom que Deus lhe havia dado não deveria se apagar. As perseguições e pressões daqueles tempos poderiam jogar água fria tanto na fé sem fingimento, como na herança espiritual de valor, como no dom que Deus havia dado a Timóteo. 
         As brasas para manter este fogo aceso já haviam sido fornecidas. Deus não dera espírito de covardia. O termo traduzido como covardia (em outras versões aparece timidez) descreve a atitude de alguém que se amedronta e se apavora, e por isso deixa-se levar pelo desespero ou desânimo. Como os discípulos diante da tempestade (Mt 8.26 e Mc 4.40). 
         Sabendo que a natureza pecaminosa é propensa à covardia, Deus não poupou incentivo para que seu povo deixasse de lado esta atitude. Várias vezes Ele exortou o povo de Israel a não se intimidar diante da missão de conquistar a terra prometida (Dt 1.21; 31.6,8; Js 1.9; 8.1; 10.25). Como a timidez é algo contagiante, Ele ensinou que os medrosos não deveriam ir à guerra, pois poderiam desanimar os outros (Dt 20.8; Jz 7.3).  
         Jesus prometeu sua paz aos discípulos, e os exortou a não se intimidarem ou se acovardarem diante das situações que viriam (João 14.27). Também é dito que os tímidos ou covardes não habitarão no novo céu e na nova terra, mas que a parte deles será o lago de fogo (Apocalipse 21.8). 
         Ao invés de covardia, Deus havia dado um espírito de poder, amor e moderação. O poder do Espírito Santo, que nos capacita a cumprir a tarefa que Ele nos dar; o amor, que nos faz temer a Ele e não aos homens; e a moderação, que é a disciplina que mantém a mente alerta, numa atitude equilibrada, com a disposição para cumprir a missão recebida diante de qualquer ameaça. Isto é suficiente para que se tenha energia para manter acesa a luz do testemunho cristão, que faz a diferença. 
         O medo pode levar a pessoa a sentir-se envergonhada por ser diferente. Por isso, Paulo diz para Timóteo não se envergonhar nem do testemunho de Jesus nem do aprisionamento de Paulo. Mas se tornar um participante no sofrimento.          O próprio Paulo não se envergonhava de seu sofrimento, e elogia Onesíforo, que não se envergonhava das prisões do apóstolo (2 Tm 1.12,16). Jesus não se envergonhou de agir em prol de nossa salvação (Hb 2.11; 12.2), como Deus não se envergonha daqueles que deixaram o mundo, tornando-se diferentes, para herdar a pátria celestial (Hb 11.16). Para fazer a diferença é preciso ter a coragem de ser diferente. 
         A vergonha, que é o medo de ser ridicularizado pelos homens, trará consequências eternas, Jesus irá se envergonhar diante do Pai, daqueles que se envergonharem Dele aqui (Mc 8.38; Lc 9.26). 
         A coragem para ser diferente hoje, dará a você um destino diferente na eternidade (1 Jo 2.28).

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O PIOR AINDA PODE ACONTECER!

 
      
        “O pior aconteceu!” esta frase é muita usada, e indica que um desastre, uma tragédia, algo não desejado e muito temido ocorreu. Mas creio que esta declaração só pode ser aplicada com propriedade a uma única situação.
         “Pior” é um termo usado numa relação de comparação. Expressa algo que não apenas é ruim, mas ruim de uma maneira absoluta, maior do que todas as outras ruindades. Pior é aquilo que é inferior a tudo, abaixo dele não tem mais nada nem ninguém. Pior é o equivalente a estar no fundo do poço, numa situação na qual o prejuízo extremo ocorreu. Pior significa que o mais terrível aconteceu.
         Pensando assim, nosso uso comum da frase “o pior aconteceu” é sempre relativo, pois a vida sempre pode piorar. Nenhum de nós passou pela situação pior, ainda. Por mais trágico que tenha sido o acontecimento, ainda poderia ser pior. Por mais gente que tenha morrido, ainda poderia ter morrido mais. Por mais grave e dolorosa que foi a doença, ainda poderia doer mais. Por maior que tenha sido o prejuízo, ele ainda poderia ser pior. E assim por diante.
         Não estou negando que não haja situações trágicas e dolorosas. Existem, e muitas. Há doenças que maltratam bastante. Há desarmonias que ferem nossa alma. Há decepções que nos arrancam pedaços. Há frustrações que nos fazem desejar a morte. Há fracassos que nos dão a impressão que o mundo acabou. Há medos que nos paralisam. Há perdas que nos deixam perdidos. Imagino a situação de um pai que não tem recursos para saciar a fome de seus filhos, isso é terrível. Penso ainda nos pais que perderam um filho, isto é uma tragédia que causa uma dor que nunca será curada nesta vida. Enfim, há muitas situações funestas. Mas nenhuma dessas ainda é a pior.
         Quando a vida é pensada corretamente, a declaração de que o pior aconteceu só pode ser aplicada, de modo absoluto, a uma situação: sermos condenados diante do Tribunal de Deus.
         A verdade de que haverá um juízo para todos é afirmada do início ao fim nas Sagradas Escrituras. Vamos lembrar apenas alguns textos. Em Eclesiastes 11.9 e 12.14 lemos “Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e alegre-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas essas coisas te trará Deus a juízo”. “Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más”.
         Jesus afirma em Mateus 12.36 “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo.” O apóstolo Paulo, pregando em Atenas, disse “porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça,” (Atos 17.34). Aos Romanos ele escreveu “no dia em que Deus, por meio de Cristo Jesus, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho.” (Rm 2.16) e “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.” (Rm 14.12). João teve uma visão do juízo final “Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros." (Ap 20.12).
         A Bíblia também declara que muitas pessoas serão condenadas neste julgamento. Jesus disse em Mateus 25.41 “Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. Em Apocalipse 21.8 é dito “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”. Ainda em Apocalipse 20.15 lemos “E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo”.
         O Senhor Jesus afirmou que pior do que passar por sofrimentos nesta vida, é receber o castigo eterno. Em Mateus 10.28 Ele afirmou “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”. E em Mateus 18.8: “Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno”. Poderíamos parafrasear estas últimas palavras assim “é pior manter os membros do corpo e não entrar na vida, mas ser lançado no fogo eterno”. Jesus está dizendo que há algo pior do que os sofrimentos desta vida.
        Imagine chegar diante de Deus e ouvir “apartai-vos de mim malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25.41). Isto sim, será o pior que nos pode acontecer.
         Diante do juízo de Deus tudo o mais se tornará comparativamente irrelevante. Todo sofrimento aqui, comparado à condenação eterna, é quase nada. Todo prazer desfrutado aqui perde seu encanto quando comparado ao desprazer de ser rejeitado por Deus e lançado para uma eternidade no lago de fogo!      
        Isto é o que de pior nos pode acontecer. Sabendo disso, devemos ter duas reações:
         - Uma de alento: já que o pior ainda não aconteceu, ainda há esperança!
         - Outra de advertência: já que o pior ainda pode acontecer, é preciso tomar cuidado, e acertar a vida com Deus, antes que isso aconteça!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

EU SÓ QUERO É SER FELIZ!

    “Eu só quero é ser feliz !” é parte do refrão de uma música na qual o autor diz que a felicidade é seu único desejo. Penso que todos concordam com isso. Nós só queremos ser felizes! A felicidade é o anseio de todas as pessoas. É o desejo que norteia toda nossa vida, orientando todas as nossas escolhas, dirigindo todo nosso caminhar e concentrando toda nossa atenção. 
    Mas, o que é a felicidade? Onde encontrá-la? Estas duas perguntas acompanham este desejo tão perseguido. Sem respostas definidas, somos como pessoas que procuram algo que não sabem bem o que é, nem onde achar. 
    De modo geral podemos dizer que ser feliz é ter os desejos satisfeitos, os anseios conquistados, os sonhos realizados. Ser feliz é ter as dores curadas, as ameaças afastadas, os problemas resolvidos. Ser feliz é uma vida sem problemas, com tudo arrumado, tudo no lugar que achamos adequado. Uma vida assim é morar no estado da felicidade. 
    Então surge a outra pergunta: onde está essa felicidade? Onde fica este estado? Como ter uma vida assim? Há uma receita para a felicidade? Há um segredo que possa desvendar como atingir tal estado de beatitude? Há uma trilha, um caminho, que possa me conduzir a este mundo ideal? 
   Através da história várias respostas foram dadas a estas perguntas. A princípio, a felicidade foi considerada, uma graça dos deuses, ou um produto da sorte, algo que o destino reservara a alguns. “Não tenhamos por feliz homem algum, até que tenha alcançado, sem conhecer doloroso destino, o último de seus dias” assim se expressou o autor grego Sófocles, em sua peça teatral: Édipo Rei. A felicidade era algo que acontecia a alguém, algo que não se buscava, mas que se encontrava no caminhar da vida, se a sorte ou os deuses nos sorrissem. 
    Depois, passou-se a crer que a felicidade era algo a ser buscado, especialmente pelo cultivo de certas virtudes, e até fazendo certos sacrifícios. Sthephen Covey, no livro Os Sete Hábitos das pessoas altamente eficazes diz que “Felicidade... fruto do desejo e da habilidade de sacrificar o que queremos agora em função do que queremos futuramente"(Pg 59) . A felicidade era algo a ser conquistado com certa disciplina.
    Em épocas mais recentes ser feliz passou a ser um direito, não apenas algo a ser buscado, mas  exigido. A felicidade tornou-se algo que o marido cobra da mulher, esta do marido, os filhos a reclamam dos pais, e todos demandam das autoridades que lhes proporcionem um estado feliz. 
    Agora, a felicidade é considerada natural ao ser humano, portanto nenhum sacrifício é requerido. Cobramos dos outros a nossa felicidade, e não queremos fazer nenhum esforço para obtê-la. Queremos ser felizes já e de modo fácil. Isto é percebido nas coisas e lugares onde a felicidade é procurada. 
    “Está infeliz? Vá ao shopping e compre o que quiser. Vá se divertir. Vá a uma festa. Saia com os amigos. Tome umas e outras. E se nada disso resolver, tome Prozac. Não deixe que nada impeça sua felicidade. Se o problema é seu casamento, acabe com ele. Se, é o trabalho, arrume outro. Se, é a escola, mude para outra. Crie seu mundo e seja feliz. Brigue com quem lhe atrapalha e alcance a felicidade. E intime todos que lhe permitam ser feliz.” 
    Quando buscamos a felicidade nas coisas, notamos que ela logo enfraquece, não é duradoura, e então buscamos outras coisas, como uma dose mais forte, para produzir o mesmo efeito. Assim, somos como crianças, quando ganham um brinquedo novo ficam cheias de felicidade, até enfastiar daquele brinquedo e chorar pedindo outro. 
    O que será que a Bíblia nos diz sobre a felicidade? O que Deus nos falou sobre o que é, e como alcançar a felicidade? Será que algo nos é dito por Ele sobre como é este estado de beatitude e de plena alegria, e como nós podemos atingi-lo? Será que Deus tem uma receita para a felicidade? 
    Há uma expressão bíblica que expressa o que é ser feliz e como ser feliz conforme a receita de Deus. Ela é traduzida nas nossas versões como “Bem-aventurado”, e aparece várias vezes, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento. Talvez a parte mais conhecida seja as bem-aventuranças pronunciadas por Jesus em Mateus 5.1-12. 
    Esta palavra era usada nos tempos bíblicos para apontar alguém que era feliz. Designava aquele que poderia viver sem os cuidados e preocupações que afligem os demais homens, sendo digno de ser invejado por ser abençoado por Deus, e por isso  podia viver de modo correto e próspero. Ela também poderia ser traduzida como: “Ah! Que felicidade a de...”; “Oh! como é feliz aquele que...”; “Como é recompensadora a vida de ...”; “Como é abençoada a pessoa que..”, "Quão afortunado é aquele que...", etc. Estudando esta expressão na Bíblia, você poderá descobrir o que é a felicidade, conforme Deus, e como conseguimos obtê-la.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

FELICIDADE COMEÇA COM FÉ

       Viajando de São Paulo a Curitiba, sintonizei um programa evangélico cuja  qualidade me atraiu. Programa muito agradável, com leituras bíblicas acompanhadas de pequenas, mas profundas meditações, e leituras de trechos de livros evangélicos edificantes comunicados pela expressiva voz de duas apresentadoras.  Mas o que mais me atraiu foi o nome do programa: “Felicidade começa com fé”.    
     Percebi que a frase fazia um jogo de palavras para que a verdade fosse reforçada. Com um pouco de esforço notamos que a palavra “felicidade” começa com “fé”, especialmente se nosso sotaque pronunciar o “e” de forma aberta, como sendo um “é”.  Mas, mesmo que o sotaque não seja assim, a verdade teológica permanece: a felicidade só é possível com fé. A fé é o princípio da felicidade, é com ela que a felicidade começa.
      Esta verdade é declarada por Jesus em João 20.29: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.”. A expressão “bem-aventurado”, quer dizer: feliz, abençoado, venturoso. Ela se refere a alguém que recebeu a graça de ser feliz, e de desfrutar da alegria. Neste versículo Jesus declara que felizes são os que crêem. Isto é, para ser feliz é preciso ter fé. Mas, que tipo de fé? Todas as pessoas têm fé, mas nem todas são felizes. O contexto do versículo nos indica qual é a fé que traz a felicidade, ele nos mostra o tipo de fé que inicia a felicidade.
      É a fé que não depende das evidências físicas. Neste capítulo temos o relato de três aparições pós-ressurreição de Jesus. Ele já havia aparecido para Maria Madalena e para um grupo dos discípulos, mas Tomé não estava neste grupo. Estes discípulos contaram para Tomé a alegre notícia: Nós vimos Jesus, Ele ressuscitou. Mas ele não acreditou no testemunho deles. Os discípulos repetiam a verdade da ressurreição de Cristo, e Tomé continuava exigindo as provas visíveis e tangíveis da ressurreição. Ele dizia de modo bem enfático: Nunca jamais crerei se não vir  (João 20.25).
      Por causa disso, Tomé não compartilhava a felicidade dos outros discípulos, ele recusava acreditar na palavra de pessoas com quem havia convivido durante algum tempo. Ele queria ver e tocar, para saber que não era uma ilusão coletiva, ou mesmo um engodo de outro homem fazendo-se passar por Jesus.
      Noutra situação, Maria agiu diferente, mesmo sem ver, acreditou que as palavras de Deus se cumpririam, por isso foi abençoada. Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor. (Lucas 1.45).
      Ainda hoje pessoas são infelizes porque são incapazes de crer sem as provas. Elas exigem experimentar, tocar e ver, para poder crer. É interessante que elas não exigem isso para crer em outras verdades. Exemplo: não viram o passado, mas acreditam no que lhes contaram. Não viram seus pais concebendo-as, mas acreditam no testemunho deles de que são seus pais. Não viram os portugueses descobrindo o Brasil, mas acreditam nisso. Mas, quando se trata de crer na palavra de Deus, elas exigem evidências tangíveis. Assim, deixam de desfrutar a felicidade que esta fé pode lhes proporcionar.
      Esta fé é resultado da graça de Deus. Jesus não tinha nenhuma obrigação de dar evidências visíveis para Tomé. Pois, já havia dito que iria morrer e ressuscitar (Mateus 16.21; 17.22,23; 27.63). Deus já havia dado a Tomé demonstrações suficientes de que a palavra de Jesus era verdadeira, pois vários milagres já haviam sido realizados, inclusive ressurreições. Mesmo assim Jesus fornece a prova que Tomé exigia, foi uma manifestação de graça. Mas crer sem ver também é resultado da graça de Deus. Jesus disse para Pedro que ele havia crido por causa de uma revelação do Pai, e não por causa das capacidades ou méritos dele (Mt 16.17). Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Felicidade começa com fé, porque sinaliza a graça de Deus sobre os que creem.
      A fé que traz a felicidade não é uma fé vaga, ela tem um conteúdo bem definido. É a fé que aceita Jesus como Senhor e Deus. Tomé, após ouvir Jesus, reconhece quem de fato Jesus é; Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu! (João 20.28). Pedro também manifestou sua fé abençoada numa confissão que demonstrava a verdade sobre Jesus: Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16.16).
      Muitas pessoas crêem em Jesus, mas ainda são infelizes, porque o Jesus que elas crêem não é o Jesus da Bíblia. É o Jesus da imaginação delas ou o Jesus que o mundo inventou. O Jesus curandeiro, o menino Jesus impotente nos braços de Maria, o Jesus ainda pendurado na cruz, o Jesus apenas um grande profeta, ou mestre, ou até espírito iluminado, ou ainda o Jesus meu empregado para fazer as minhas vontades. Mas não aceitam o Jesus que é Deus e meu e também teu Senhor, como diz o hino.
      E por último, a fé que traz felicidade tem como alicerce o testemunho das Escrituras. O comentário inspirado que o evangelista João faz nos versos 30 e 31 aponta para esta verdade: Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome. O que foi escrito tem como propósito nos levar a crer em Jesus como o Filho de Deus, e também o Escolhido e Ungido por Deus para nos salvar. Esta crença vai nos dar vida, ela nos fará felizes, porque felicidade começa com fé.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

FELICIDADE É TER SIDO PERDOADO


A principal causa da infelicidade é o pecado. O pecado atrapalha a vida, deixando-a torta, desorientada, perdida. Ele produz tragédias, corrompe nossa mente, traz o medo, as acusações, as brigas, os problemas nos relacionamentos, etc. O pecado coloca culpa na nossa consciência. E uma consciência culpada não desfruta de paz, pelo contrário carrega uma angústia constante, uma agonia que atormenta e nos pressiona, levando-nos a ver a vida como algo sem graça, sem cor, sem sentido.
    A culpa pode levar alguém à loucura, e até mesmo à morte. Resolver o problema da culpa é essencial para nossa felicidade. Algumas pessoas tentam afogar a culpa nos vícios: álcool, sexo, drogas, etc. Outros tentam esquecê-la com uma vida agitada envolvendo-se em muitas atividades, passeios, diversões variadas, compras compulsivas, etc. Ainda há aqueles que procuram compensá-la com trabalhos, serviços aos outros, ou atividades religiosas. Estes são apenas paliativos que aliviam temporariamente a sensação de culpa, como analgésicos que amortizam a dor, mas não curam a infecção.
    O rei Davi passou pela experiência de tentar viver com a culpa sem tratá-la devidamente. Ele nos descreve como sofreu com isso. Mas ele também nos conta a tremenda felicidade de experimentar o perdão de Deus, que é o único remédio que resolve o problema da culpa. Estas descrições estão no salmo 32.
    O salmo começa com a expressão “Bem-aventurado”, que significa “abençoado por Deus”, “feliz”, “realizado”, “afortunado”.  Davi está dizendo “Oh! Como é feliz, e como vale a pena, a vida de alguém que foi perdoado”.
    O pecado é descrito como transgressão, rebeldia, infidelidade. É o não viver conforme os alvos estabelecidos por Deus. Pecar é fracassar em fazer a vontade de Deus. O pecado nos engana e seduz, nos leva a viver de modo mentiroso e ilusório.
    O perdão é expresso de modo bem gráfico. Quando Deus nos perdoa Ele pega o nosso pecado e leva embora. O fardo que pesava e afundava nossas vidas é removido e jogado longe. Podemos caminhar com os ombros levantados. Que alívio! Oh! Que felicidade!
    Quando Deus nos perdoa Ele cobre o nosso pecado, dando a ideia de que Ele não mais o vê quando trata conosco. As manchas são lavadas de modo completo, não fica nenhuma lembrança delas. Ele nos vê como pessoas puras, e todo fracasso é deixado no passado, sendo esquecido e não mais lançado em nosso rosto. Podemos começar de novo. Que oportunidade! Oh! Que felicidade!
    Quando Deus nos perdoa Ele apaga a nossa conta devedora. Nossa dívida é cancelada. Passamos a ter ficha limpa com Ele. Somos declarados sem culpas pelo Supremo Tribunal do Universo. Já não cabe mais nenhuma apelação contra nós. Estamos livres do medo da condenação. Um novo começo! Oh!Que felicidade!
    Quando Deus nos perdoa Ele nos liberta do estresse de viver enganosamente, iludindo a nós mesmos e aos outros. O auto-engano não existe mais, o pecado foi tratado com honestidade. Não precisamos mais fingir nem nos esconder. Podemos desfrutar de plena comunhão com Ele. Que recepção! Oh! Que felicidade!
    Mas, oh! Que infelicidade quando nós mesmos tentamos esconder o nosso pecado. Que tristeza quando não confessamos nossos erros e fracassos diante de Deus! Nosso físico sofre, os ossos ficam moídos. Não há louvor e palavras alegres, só gemidos. Não há ânimo, nem cores, nem vida, tudo parece um deserto. Não há flores nem frutos, a vida fica seca e desolada. Não há comunhão com Deus, mas Sua mão é um peso em nossas vidas. A pressão aumenta. A vida fica em tempo de explodir. Como uma infecção que lateja e traz dor para toda nossa vida.
    Quando nós cobrimos os nossos pecados, Deus os descobre. Que vergonha! Que infelicidade. Mas quando nós os descobrimos diante de Deus, Ele os cobre. O pus é retirado, a inflamação é tratada. A dor vai embora. A pressão do peito desaparece. Que alegria.  
Só é feliz quem recebe o perdão de Deus. Podemos ouvir com alegria a canção:
Oh! Sê então feliz, feliz.
Cada erro que você cometeu.
Foi pago pela graça de Deus, o Senhor.
Sê então feliz, feliz!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

ESTÁ CONSUMADO


        Terminar um trabalho é algo apreciável. A sensação produzida é agradável, e pode ser de alívio por se livrar de uma responsabilidade, ou de vibração exuberante por causa do resultado alcançado. Aqueles que já tiveram que escrever uma monografia ou um artigo podem testemunhar isso.  Mas raramente concluímos um trabalho com a sensação de realização plena, pois logo percebemos que ele poderia ter ficado melhor, que há erros a serem corrigidos, ou mesmo partes que precisam ser melhoradas.
  Já o Senhor Jesus concluiu Sua obra é bradou “Está terminado” com plena consciência que nada melhor poderia ser feito, que a obra fora perfeitamente cumprida.
      A expressão “Está consumado”, relatada em João 19.28-30, é considerada a sexta palavra da cruz. Jesus já estava na cruz por aproximadamente seis horas.  Após pedir que o Pai perdoasse os que O crucificavam, prometer que o malfeitor arrependido estaria no paraíso, pedir que João cuidasse de Sua mãe, clamar diante do abandono do Pai, e manifestar Sua sede, Ele proclama que a obra fora consumada!
        Na língua original apenas uma palavra é usada para expressar a ideia bradada por Jesus.  É um verbo conjugado numa forma que expressa uma ação completa, e cujos resultados continuam. Conforme estudiosos, o uso desta forma é uma escolha deliberada do autor para indicar o estado presente de uma ação passada. Seria como se Jesus estivesse dizendo: a obra se cumpriu e os resultados perduram. 
           A raiz deste verbo é um substantivo que indica o fim, a conclusão, o término, ou o alvo de alguma coisa.  O verbo pode indicar que algo foi terminado, concluído, completado, cumprido, e que o objetivo foi alcançado. O Novo Testamento usa este verbo para indicar: 
(1) o final de algo, como o dos sermões de Jesus em Mateus 7.28; 11.1; 13.53; 19.1; 26.1; 
(2) um tempo que se completa, como os mil anos de Apocalipse 20.3,5,7; 
(3) o aperfeiçoamento de uma virtude, como o poder em 2º Coríntios 12.9; 
(4) a obediência a um mandamento, Tiago 2.8; 
(5) o pagamento de impostos Romanos 13.6; Mt 17.24;
(6) o cumprimento ou realização de uma profecia Apocalipse 10.7 e 17.17. 
         Alguns destes usos podem ser aplicados a João 19.28-30, mas creio que o contexto indica que o sentido principal aqui é o de cumprimento das Escrituras. 
João enfatiza isso usando duas palavras, a que foi traduzida como “está consumado” (já tratada acima), e outra semelhante que significa “Encher, completar, cumprir”. Esta já havia sido usada com o sentido de cumprir uma profecia na tradução grega do Antigo Testamento (1 Reis 2.27; 8.15,24; 2 Crônicas 36.21,22).
Ao relatar a semana da morte de Jesus, o apóstolo João mostra como Jesus estava cumprindo as profecias.
(1) Em 12.37-43, ele afirma que a rejeição de Jesus já havia sido profetizada, e cita Isaías 53.1 e 6.10. 
(2) Em 13.18, o próprio Jesus afirma que a traição já estava profetizada, e cita o Salmo 41.9. 
(3) Também em 15.25, Jesus diz que o ódio a Ele já estava profetizado, citando os Salmos 35.19 e 69.4. 
(4) Em 17.12, novamente falando a respeito de Judas Iscariotes, Jesus menciona que as Escrituras estavam se cumprindo. Quando pensamos em suas palavras à luz de Atos 1.20, podemos perceber o Salmo 109.8.
(5) João volta a dar sua própria interpretação em 18.9, e agora para mostrar que eram as próprias palavras ditas por Jesus em 17.12, que estavam se cumprindo. 
(6) Outra vez, agora em 18.32, João mostra como a profecia feita pelo próprio Jesus, a respeito do modo da Sua morte, estava se cumprindo. Se os judeus tivessem executado Jesus, a morte seria por apedrejamento, mas o próprio Jesus havia dito que seria levantado (João 3.14; 8.28; 12.32s, compare com Deuteronômio 21.23).
(7) No ato da crucificação, os soldados romanos não rasgaram as vestes de Jesus (19.23,24), e João cita o Salmo 22.18, indicando que isso era cumprimento das Escrituras. Este salmo havia sido escrito mil anos antes da morte de Jesus, e nele são descritos detalhes de uma cena de execução, dos quais muitos se cumpriram em Jesus. 
(8) Em 19.28, é dito que Jesus estava consciente de que tudo já tinha e continuava se cumprindo de acordo com a Escritura. Isto é, Jesus sabia que cada detalhe da Sua morte cumpria as Escrituras. Então Ele deu um passo para um último cumprimento: o da sua sede, que havia sido profetizada nos Salmos 22.15 e 69.21.  
       Para aliviar sua sede os soldados lhe molharam os lábios com soro de vinho. Isto não matou sua sede, mas molhou sua garganta e o habilitou a proclamar o cumprimento das Escrituras quanto à obra redentora. 
(9) E por último, em 19.36,37, João fala do cumprimento do Salmo 34.20 e Zacarias 12.10.
Jesus já havia dito que tudo que fora profetizado em relação a Ele seria cumprido (Lucas 18.31-33; 22.37, citando Is 53.12). E agora Ele confirma isso, com Sua palavra na cruz. Os apóstolos também testemunharam que os acontecimentos da crucificação cumpriam as Escrituras (Atos 13.29).
     A obra consumada significava que as profecias relativas à morte de Cristo foram cumpridas. A morte de Jesus não foi acidental. Mas o cumprimento perfeito do que Deus havia proclamado no Antigo Testamento. Os inimigos de Jesus inconscientemente cooperaram para que o plano de Deus se realizasse, e as Escrituras se cumprissem. Os planos de Deus nunca serão frustrados!
     Com o cumprimento das Escrituras, outros aspectos da obra de Cristo também se completaram. Neste caso, outros sentidos da expressão “está consumado” podem ser aplicados.
     O “está consumado” também foi uma palavra de alívio. Seu sofrimento e angústia terminaram. Mesmo sabendo das profecias quanto à sua morte, Jesus experimentou sofrimento real e antecipado. Ele mesmo afirma que se sentia comprimido, como se estivesse sendo apertado por vários lados, até que sua missão fosse completada (Lucas 12.50). Agora, a obra estava concluída, o sofrimento havia passado. Ele persistiu e resistiu até o final. O nosso sofrimento também terminará um dia. Portanto, olhando para Jesus, não desanimemos (Hebreus 12.3).
      Ao cumprir as Escrituras Jesus completou a obra que o Pai lhe confiara. A expressão usada por Jesus também era pronunciada quando alguém concluía um trabalho. Quando um pintor terminava um quadro ou um autor um livro. Ali na cruz Jesus conclui a maior de todas as obras. Completar a obra do Pai era o supremo propósito de Sua vida (João 4.34), Ele tinha consciência de que Sua missão era fazer a vontade de Deus. Cumprir as obras do Pai era Seu modo de dar testemunho (João 5.36). Completando a missão recebida Ele glorificava o Pai (João 17.4). O propósito da nossa vida é glorificar a Deus. Realizamos isso cumprindo a vontade Dele em nossas vidas, e permanecendo fiel até o fim à missão que Ele nos deu, mesmo que isso envolva sofrimento.
       Quando cumpriu as Escrituras Jesus também pagou nossa dívida. Este era outro uso da expressão “está consumado”. Foram encontrados em papiros, recibos de impostos que apresentam esta expressão significando “pago em sua totalidade”.  Tínhamos uma grande dívida com Deus, os nossos pecados. Não tínhamos condições de pagar. Mas a morte de Jesus na cruz pagou esta dívida em sua totalidade. (Colossenses 2.13,14).  
       Outro uso da expressão era quando o sacerdote examinava um animal para o sacrifício, e não encontrando nenhum defeito nele, dizia: está consumado! Isto é, tudo está perfeito. O animal pode ser ofertado como sacrifício. A morte de Cristo foi uma oferta perfeita pelo pecado, que nunca mais precisaria ser repetida. A obra foi consumada de uma vez, uma única morte, pagando pelos pecados de todos aqueles que Deus iria salvar (Hebreus 1.3; 9.11-14, 22-28).
     Ao dizer “Está consumado”, Jesus estava confirmando Seu amor pelos Seus discípulos. Pois Ele os amou até o fim (João 13.1). Isto significa tanto que amou até que Sua vida fosse entregue cumprindo as profecias, como que amou até que o alvo fosse alcançado: nossas vidas fossem salvas.
    Diante disso vamos crer que o sacrifício de Cristo não foi um acidente. Mas a obra eternamente planejada, e no tempo executada, para salvar o povo de Deus, e habilitar este povo para glorificar a Deus para sempre.
    Vamos crer também que o plano de Deus jamais será frustrado.  Quando as pessoas pensam estar trabalhando contra ele, estão cooperando para sua realização. 
      Creiamos ainda que o nosso sofrimento, por maior que seja, um dia acabará. Portanto não vamos desistir da luta. Vamos perseverar. 
     Vamos concluir a missão de Deus para as nossas vidas, lembrando que nosso propósito aqui é cumprir a vontade Dele. Só assim poderemos dizer: completei a carreira. 
      Vamos nos alegrar, pois nossos pecados estão totalmente pagos, quitados completamente. Não por nada que tenhamos feito. Mas, única e exclusivamente por causa do sacrifício de Jesus na cruz. Estamos perdoados de todos os pecados.
     Vamos louvar a Deus pelo grande amor de Jesus por nós. Ele nos tem amado de modo que o alvo preparado para nossa vida se realizou. Embora isso tenha incluído o Seu sofrimento.    Vamos amar os nossos irmãos assim também. 
     Regozijemo-nos, pois “Está consumado!”.