Um clamor por justiça percorre este
mundo. Em todas as esferas da existência ele se faz ouvir. Nos lares, nas
escolas, nos empregos, nos governos, é comum ouvirmos: Mas isso não é justo!
Ou ainda: e ninguém não vai fazer nada?
A injustiça nos deixa indignados. E com
razão, pois fomos feitos para viver em justiça. Todavia, nem sempre esse clamor
é sincero. Não raro, o pedido por justiça carrega alguma hipocrisia. Como Davi,
exigimos que os injustos sejam punidos, e então ouvimos: Tu és o homem injusto
(2 Sm 12.6,7). A maioria de nós comete injustiças diariamente. Em quase todos
os momentos de nossa vida estamos nos colocando contra a justiça que clamamos.
A injustiça ocorre quando se nega a
alguém aquilo que lhe pertence por direito. E quando não somos gratos a Deus
por tudo, estamos lhe negando a glória que lhe é devida. Portanto, ser ingrato
é ser injusto.
A ingratidão rouba de Deus aquilo que por
direito lhe pertence: o reconhecimento de que Ele merece ser honrado como Deus.
Em Romanos 1.21 está escrito que embora os homens conhecessem a Deus, não o
honraram como Deus nem lhe deram graças (ou lhe foram gratos)...
Por isso a ingratidão se configura uma
espécie de ateísmo. Ser ingrato é resultado de não levar em consideração a
Pessoa mais importante do mundo e da nossa vida. É ignorar a Deus e Sua
revelação. É ser indiferente Àquele a quem devemos vida, respiração e tudo o
mais (Atos 17.25).
Já a gratidão evita a injustiça, pois
reconhece que Deus merece toda a honra, glória e elogios pelo que ocorre em
nossa vida. Ela admite e confessa que todo presente bom e todo dom perfeito
é lá do alto, que desce do Pai das luzes... (Tiago 1.17). Estes presentes
são dados a nós sem nenhum mérito de nossa parte, mas por pura graça de Deus. E
a reação adequada a esta graça só pode ser a gratidão. A ingratidão é receber o
presente e nem dar muito obrigado.
Com a gratidão confessamos que Deus é
soberano, sábio e bom. E Ele usa esta soberania, sabedoria e amor para levar a
efeito o melhor para seus filhos. Mesmo quando a situação é dolorosa e
desconfortável, o filho de Deus, embora sem entender todos os detalhes, será
grato a Ele, e não irá escurecer o Seu plano com palavras sem conhecimento (Jó
38.2).
Agradecer a
Deus por tudo é uma questão de justiça. Portanto, ser ingrato é ser injusto.
