
Algumas vezes tentamos compensar certas falhas de nossa vida colocando outras coisas no lugar. Podemos citar como exemplo: pais que não têm muito tempo para dedicar aos filhos tentam compensar dando-lhes presentes. Maridos que fazem certas promessas para as esposas, e não as cumprem também tentam compensar esta falha oferecendo presentes. Algumas pessoas aceitam esta nossa compensação, outras não. Tentamos aplicar esta mesma tática de compensação no nosso relacionamento com Deus. Achamos que nossa desobediência pode ser compensada com outras coisas. Mas será que Deus aceita as nossas compensasões?
Uma maneira usada para compensar nossa desobediência é sacrifícios e ofertas. Em 1 Sm 15.22-24 temos um exemplo de alguém que tentou fazer isto. Deus havia dado uma ordem ao rei Saul através do profeta Samuel. Só que o rei Saul não cumpriu a ordem totalmente, e no lugar resolveu oferecer sacrifícios a Deus. Então Samuel lhe diz que o prazer do Senhor está mais em quem ouve e presta atenção, isto é, obedece aos seus mandamentos, do que em sacrifícios e holocaustos. Desobedecer a Deus é o mesmo que feitiçaria. Pois a feitiçaria é a tentativa de manipular as forças espirituais com oferendas, sacrifícios e fórmulas verbais, ela não exige obediência moral. Quando somos desobedientes a Deus e tentamos compensar com nossos sacrifícios e ofertas, estamos dizendo que nosso Deus não tem caráter, e que Ele pode ser comprado e manipulado com minhas oferendas.
A desobediência acompanhada de rituais religiosos também é idolatria. Pois estaremos adorando um deus que não é o Deus da Bíblia, de fato quem é desobediente e se achega para cultuar, está adorando um outro deus. Um deus que não faz caso da vida do adorador, e aceita qualquer oferenda como compensação suficiente pelo pecado. O Deus que se revelou nas Escrituras não é assim. Sua alegria e prazer estão em que se obedeça aos Seus mandamentos.
A mesma verdade aparece em Jr 7.21-23, onde Deus fala ao povo de Israel, que estava em desobediência, mas continuava oferecendo os sacrifícios costumeiros. Deus diz, de forma irônica, que o povo ficasse com a carne daqueles sacrifícios, pois o que Ele queria mesmo era a obediência aos Seus mandamentos. Nossos sacrifícios não compensam nossa desobediência a Deus.
Deus não está dizendo que despreza os sacrifícios, ou que estes não tenham valor, mas que, sem obediência à Sua Palavra, os nossos sacrifícios não O agradam. Os sacrifícios não são compensações para a nossa falta em Lhe obedecer.
Outra forma frequentemente usada para compensar a desobediência é a freqüência aos lugares religiosos. Achamos que Deus pode nos aceitar com nossa desobediência se freqüentarmos certos lugares religiosos como igrejas, templos, santuários, etc.
Também em Jeremias 7.2-15, notamos que o povo de Israel estava fazendo isso. Então o Senhor Deus mandou o profeta Jeremias ficar na porta do templo que o próprio Deus havia mandado construir, e proclamar ao povo que era necessário mudar de vida, deixar e fazer o mal e passar a fazer o bem. O povo achava que podia fazer o que quisesse e depois era só ir até aquele templo, que era chamado de casa do Senhor, e tudo estaria bem. Pecavam durante a semana, mas então iam ao culto, e diziam estamos seguros, estamos livres, estamos salvos. A religião era uma maneira que usavam para continuarem com seus pecados, e ainda tranqüilizar suas consciências, achando que tudo estaria bem, que Deus aceitaria sua ida ao culto como compensação suficiente para seus pecados.
Deus diz que a freqüência a lugares sagrados não compensa a desobediência, pelo contrário, da mesma forma como Ele já havia feito no passado, quando havia destruído outro santuário chamado Silo, Ele também destruiria este.
Algumas pessoas agem assim. Vivem como se a vida fosse um carnaval, e a ida à igreja a quarta-feira de cinzas, quando confessam seus pecados, realizam alguns rituais de penitência, e depois aguardam ansiosas o carnaval do próximo ano. Ir a santuários não compensa a nossa desobediência. Deus quer que freqüentemos os lugares de culto, mas esta freqüência deve ser acompanhada de uma vida de obediência.
Não conseguimos compensar nossa desobediência nem com sacrifícios nem por freqüentar lugares sagrados. A única compensação para nossos pecados é o arrependimento sincero, acompanhado na fé no sacrifício que Jesus fez na cruz, pagando a penalidade que nossos pecados merecem. E este arrependimento vai se demonstrar numa vida de obediência aos mandamentos de Deus.
A Palavra de Deus é para ser obedecida e não substituída.