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sábado, 20 de abril de 2019

A CRUZ MATOU O MEDO DESTES HOMENS E OS TIROU DAS TREVAS PARA LUZ

            O nome do primeiro era José. O mesmo nome do patriarca que salvou os seus antepassados da fome, cerca de mil e oitocentos anos antes, quando seu povo foi para o Egito. Por haver outros “Josés” e porque ele era da cidade de Arimatéia, que distava uns 32km de Jerusalém, tornou-se conhecido como José de Arimatéia. Sua participação na vida de Jesus é contada nos quatro evangelhos (Mt 25.57-60; Mc 15.43-46; Lc 23.50-53; Jo 19.38-42)
            José era um homem rico que, além de posses, também tinha muito respeito e prestígio, sendo, por isso, muito estimado e honrado pelo seu povo. Pertencia ao Sinédrio, um conselho formado pelos líderes judeus com autoridade para administrar os assuntos civis e religiosos na Palestina. Este conselho estava subordinado apenas ao procurador romano. Mas, diferente de muitos outros membros do Sinédrio, José era um homem bom e justo. Alguém que prezava pelos valores de Deus e se esmerava em seguir a verdade, a bondade e a justiça. 
            Sua vida era dirigida por uma esperança: a vinda do Reino de Deus. Ele aguardava ansiosamente a chegada do Messias libertador, o descendente de Davi que assumiria o trono em Jerusalém, salvando o povo de Israel do domínio estrangeiro. Seria a chegada do Dia do Senhor, trazendo juízo sobre os opressores do povo e salvação para os fiéis. A morada santa de Deus, o templo do Senhor, seria purificado das profanações e corrupções, e o povo de Deus poderia adorá-lo em santidade e justiça para todo o sempre. A consolação de Israel, a redenção de Jerusalém era seu sonho e mais forte desejo. Esta esperança era compartilhada com obsessão po muitos judeus(Lc 1.68-75; 2.25,38). 
Além disso, José de Arimatéia era discípulo de Jesus, um seguidor, um aprendiz. Por isso não concordou com a decisão tomada pelo Conselho dos judeus. Provavelmente não estava presente, quando Jesus foi julgado pelo Sinédrio, pois Marcos nos diz que todos os presentes julgaram Jesus digno de morte. Soube depois, já que o julgamento foi realizado bem cedo naquele dia (Mc 14.64; Lc 22.66). 
Até então, José seguia Jesus ocultamente, não de forma declarada. Tal como outros, que depois de presenciar os milagres e ensinos de Jesus acreditaram nele, mas amavam mais a glória e respeito dos homens e não manifestavam sua fé publicamente (Jo 12.42,43). Talvez, José amasse mais seu lugar no Sinédrio e sabia que se proclamasse que Jesus era o Messias há tanto esperado, seria expulso, perderia sua posição de respeito e honra. Ele se contentava em seguir, mas não manifestava isso publicamente. Considerava que guardando em segredo sua fé em Jesus, manteria também sua posição de prestígio diante da sociedade!
Mas, a cruz o tirou do anonimato. O que aconteceu com Jesus constrangeu seu coração. Seu discipulado não mais seria um segredo. Tinha que manifestar de que lado estava, e não era do lado da liderança judaica. Não lhe importava mais perder sua posição e o prestígio. Honrar Jesus era uma valor maior agora, mesmo que já fosse um tanto tarde para isso.
 Sabia que, sendo membro do Sinédrio, poderia fazer um pedido oficial ao governador Pilatos para ter o corpo de Jesus e dar-lhe um sepultamento adequado, algo que que os parentes de Jesus não conseguiriam fazer. Precisava agir rápido, pois o sábado se aproximava, e nele não poderia fazer qualquer obra. Se o corpo não fosse sepultado logo, ficaria ao relento, iria se decompor mais rápido, e poderia até ter partes devoradas pelos abutres e feras.
José agiu com coragem, desafiando os perigos e oposição. Foi ousado. A ação que os seus pares tomaram contra Jesus não o intimidou. Algo precisava ser feito para impedir que o corpo de Jesus não recebesse um digno sepultamento digno e fosse lançado na vala comum. Teria também que arriscar um encontro com Pilatos, um governador que era conhecido como alguém inflexível e implacavelmente severo, e que já se encontrava indisposto para com a liderança judaica (Lc 13.1; Jo 19.19-22). 
A ação dele é mais admirável porque não esperava nenhum benefício, pois Jesus estava morto. Foi um ato de misericórdia, desprovido de qualquer interesse de receber retribuição. Era um risco desnecessário para ele, e que não lhe traria nenhuma recompensa. 
Não poderia fazer tudo sozinho. Providencialmente surgiu  Nicodemos, outro que seguia Jesus nas sombras da noite, e que já havia feito uma defesa de Jesus diante do Sinédrio (3.1-3; 7.50-52). Este cuidou da compra de cerca de 34 quilos de especiarias, uma mistura composta de mirra, uma resina aromática trazida do Egito, que era transformada em pó; alóes, que era um pó feito da madeira do sândalo aromático. Não se destinava a embalsamar o corpo. Tinha a função de suprimir o odor da putrefação. Este composto formava um perfume que geralmente era usado em ocasiões mais alegres (Sl 45.8; Ct 4.14).
Com a permissão de Pilatos, eles foram até o local, levando seus empregados. Era necessário tirar os cravos que pregavam os pés de Jesus no madeiro, depois baixar a parte horizontal da cruz, soltando as cordas que o amarravam. Então, depois do corpo depositado no chão, retirar os pregos dos pulsos, lavar o corpo para remover o sangue que o cobria, carregá-lo e colocar num local onde pudesse ser envolvido com os panos de linho que compraram. A quantidade e a qualidade do material usado demonstrava que eles queriam dar a Jesus um sepultamento digno de um rei. 
Estes panos já estavam cobertos pelas especiarias. Nas proximidades, havia um túmulo novo, ainda não usado, que tempo antes, José de Arimatéia havia mandado abrir numa rocha. No túmulo havia uma pedra, em forma de leito. Ali seriam colocada uma camada de especiarias, depois o corpo de Jesus já enfaixado, e o restante das especiarias acomodados em volta de Jesus. Uma pedra foi rolada para fechar a entrada. Proteção e cuidado necessários para proteger o corpo de Jesus. 
O sepultamento em grutas era para os ricos, que poderiam se dar ao luxo de comprar um terreno para isso, e ali mandar escavar na rocha uma espécie de quarto com nichos, onde os corpos seriam colocados. Os pobres eram sepultados em covas abertas no chão. Após um ano do corpo na gruta, os parentes poderiam entrar, pegar os ossos do cadáver e colocar numa caixa com o nome da pessoa, que era o ossuário, onde o morto aguardaria a ressurreição. Mal sabiam eles, que isso não ocorreria com o corpo de Jesus! Surpresa e alegria maior teriam ao ver Jesus ressuscitado! Esta seria sua recompensa inesperada e impagável! 
A cruz encheu estes homens de coragem, matou o medo que até então os dominava, libertou-os das amarras das glórias mundanas, e permitiu que manifestassem sua fé. Séculos depois Isaac Watts (1674-1748) expressaria esse sentimento assim:
Olhando o lenho crucial, em que morreu da glória o Rei
Às honras, vida mundanal, desprezo eterno votarei. 
Eles ainda não compreendiam tudo, mas a cruz lhes fez compreender que era necessário tornar pública sua fé em Jesus. A cruz os libertou do medo e os trouxe das trevas para a luz!

sábado, 15 de abril de 2017

E O ÚLTIMO GRITO FOI DE CONFIANÇA


            As palavras ditas por alguém na hora da morte podem expressar o cuidado com outros, o sofrimento do moribundo, ou ainda sua expectativa pós-morte. Nas seis horas que permaneceu vivo na cruz, Jesus falou pouco, mas suas palavras abrangeram esses três assuntos.
Foram sete comunicações. Três delas tratavam das necessidades de outros: um clamor ao Pai pedindo perdão para seus ofensores, uma promessa de salvação ao criminoso arrependido e a provisão de cuidado para sua mãe. Outras três expressavam sua dor e missão: seu sofrimento físico, sua sensação de solidão e abandono, e sua declaração de que a obra já estava completa. Já escrevemos sobre estas seis em postagens anteriores (Pai Perdoa-lhes; Vidas semelhantes, destinos diferentes; Na cruz a valorização da Família; Tenho Sede; Na maior solidão; Está Consumado) 
A sétima tratou de sua esperança pós-morte. Antes dela, ocorreram alguns sinais extraordinários, como sempre acontecia quando Deus realizava um evento marcante de Seu plano redentor (Lc 23.44-46).
Houve três horas de trevas, que iniciaram em pleno meio-dia e terminaram às 3 horas da tarde. O brilho do sol não apareceu. Não nos é explicado o significado deste sinal, embora Jesus, ao ser preso, tenha mencionado que a hora do poder das trevas havia chegado (Lc 22.53). Os profetas do Antigo Testamento também anunciaram que haveria trevas quando o juízo de Deus se manifestasse(Jl 2.10,30,31; 3.15; Am 8.9; Sf 1.15). Na morte de Jesus ocorreu o juízo sobre o pecado do Seu povo. Também houve tremor de terra e despedaçar de rochas (Mt 27.51). Estes sinais demonstram a suprema importância da morte de Cristo no plano redentor de Deus.
O segundo sinal foi o véu do santuário ser rasgado ao meio, de alto a baixo. Este véu era formado pelas cortinas que faziam a separação entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos no templo, em Jerusalém. No Santo dos Santos ficavam o propiciatório e a arca, símbolos do trono e da presença de Deus (Ex 26.31-37; Lv 16; Hebreus 9.3-8). Apenas o sumo-sacerdote entrava ali, uma vez por ano, depois de confessar os seus pecados e os do povo, sobre a cabeça do bode expiatório. Este bode era sacrificado e o seu sangue aparado e levado até o propiciatório onde era aspergido. Neste dia era efetuada a expiação, isto é, a penalidade que perdoava os pecados do povo. 
O significado do rasgar do véu é mostrado em Hebreus 9. 11,12; 10.19-21, onde é afirmado que a morte de Jesus nos abriu um acesso livre ao Pai. Agora, para se aproximar de Deus, não é mais necessária intermediação humana. Outro sangue, muito mais precioso e eficaz, foi derramado e apresentando, e este sacrifício garantiu nosso acesso a Deus, pela fé em Jesus, em qualquer dia e hora.
            Depois de garantir nosso perdão e nosso acesso a Deus e de ter passado por  todo o desgaste e sofrimento da noite sem dormir por causa do julgamento, e de ter suportado os castigos físicos antes e durante a crucificação, Jesus reuniu suas últimas forças e clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.
            A palavra “entregar” foi usada em situações nas quais se oferecia uma refeição a outra pessoa, mostrando que aquele alimento ficava à disposição da vontade do outro (Lc 9.16; 10.8; 11.6; At 16.34). Este clamor expressou que Jesus se colocava voluntariamente à disposição de Seu Pai, para cumprir plenamente a Sua vontade e realizar a nossa salvação. Como é dito em Isaías 53.12, Ele derramou sua alma na morte, levando os nossos pecados para interceder por nós. Jesus já havia dito que ninguém tiraria sua vida, mas que Ele espontaneamente a daria (Jo 10.18). Sua morte cumpria a vontade do Pai. Tudo o que deveria ser feito havia sido feito. Nada mais faltava.  Ele sabia que realizava o sacrifício, recebendo a justa punição que nossos pecados merecem. Por isso, deixou seu espírito ir para o Pai (Mt 27.50; Jo 19.30).
            “Entregar” também expressava a confiança em deixar algo sob os cuidados de outra pessoa (Lc 12.48; At 14.23; 20.32). Jesus repetia as palavras do Salmo 31.5, no qual há uma súplica por salvação. Os judeus costumavam fazer esta oração ao anoitecer. Como o salmista clamou a Deus e confiou n’Ele no momento da perseguição, acreditando que Deus o libertaria, Jesus confiou que o Pai o traria de volta da morte, através da ressurreição. Demonstrou toda a Sua confiança no Pai, deixando sua vida nas mãos d’Ele. Não havia mãos melhores a quem confiar seu espírito. Em seu momento mais angustiante e sofrido, Jesus manifestou confiança inabalável no cuidado providencial do Pai. Na hora da grande tortura, Jesus ainda estava em comunhão com o Pai, confiando nele, como esteve durante toda a sua vida.

            E o Pai honrou esta confiança, pois Jesus ressuscitou.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

ESTÁ CONSUMADO


        Terminar um trabalho é algo apreciável. A sensação produzida é agradável, e pode ser de alívio por se livrar de uma responsabilidade, ou de vibração exuberante por causa do resultado alcançado. Aqueles que já tiveram que escrever uma monografia ou um artigo podem testemunhar isso.  Mas raramente concluímos um trabalho com a sensação de realização plena, pois logo percebemos que ele poderia ter ficado melhor, que há erros a serem corrigidos, ou mesmo partes que precisam ser melhoradas.
  Já o Senhor Jesus concluiu Sua obra é bradou “Está terminado” com plena consciência que nada melhor poderia ser feito, que a obra fora perfeitamente cumprida.
      A expressão “Está consumado”, relatada em João 19.28-30, é considerada a sexta palavra da cruz. Jesus já estava na cruz por aproximadamente seis horas.  Após pedir que o Pai perdoasse os que O crucificavam, prometer que o malfeitor arrependido estaria no paraíso, pedir que João cuidasse de Sua mãe, clamar diante do abandono do Pai, e manifestar Sua sede, Ele proclama que a obra fora consumada!
        Na língua original apenas uma palavra é usada para expressar a ideia bradada por Jesus.  É um verbo conjugado numa forma que expressa uma ação completa, e cujos resultados continuam. Conforme estudiosos, o uso desta forma é uma escolha deliberada do autor para indicar o estado presente de uma ação passada. Seria como se Jesus estivesse dizendo: a obra se cumpriu e os resultados perduram. 
           A raiz deste verbo é um substantivo que indica o fim, a conclusão, o término, ou o alvo de alguma coisa.  O verbo pode indicar que algo foi terminado, concluído, completado, cumprido, e que o objetivo foi alcançado. O Novo Testamento usa este verbo para indicar: 
(1) o final de algo, como o dos sermões de Jesus em Mateus 7.28; 11.1; 13.53; 19.1; 26.1; 
(2) um tempo que se completa, como os mil anos de Apocalipse 20.3,5,7; 
(3) o aperfeiçoamento de uma virtude, como o poder em 2º Coríntios 12.9; 
(4) a obediência a um mandamento, Tiago 2.8; 
(5) o pagamento de impostos Romanos 13.6; Mt 17.24;
(6) o cumprimento ou realização de uma profecia Apocalipse 10.7 e 17.17. 
         Alguns destes usos podem ser aplicados a João 19.28-30, mas creio que o contexto indica que o sentido principal aqui é o de cumprimento das Escrituras. 
João enfatiza isso usando duas palavras, a que foi traduzida como “está consumado” (já tratada acima), e outra semelhante que significa “Encher, completar, cumprir”. Esta já havia sido usada com o sentido de cumprir uma profecia na tradução grega do Antigo Testamento (1 Reis 2.27; 8.15,24; 2 Crônicas 36.21,22).
Ao relatar a semana da morte de Jesus, o apóstolo João mostra como Jesus estava cumprindo as profecias.
(1) Em 12.37-43, ele afirma que a rejeição de Jesus já havia sido profetizada, e cita Isaías 53.1 e 6.10. 
(2) Em 13.18, o próprio Jesus afirma que a traição já estava profetizada, e cita o Salmo 41.9. 
(3) Também em 15.25, Jesus diz que o ódio a Ele já estava profetizado, citando os Salmos 35.19 e 69.4. 
(4) Em 17.12, novamente falando a respeito de Judas Iscariotes, Jesus menciona que as Escrituras estavam se cumprindo. Quando pensamos em suas palavras à luz de Atos 1.20, podemos perceber o Salmo 109.8.
(5) João volta a dar sua própria interpretação em 18.9, e agora para mostrar que eram as próprias palavras ditas por Jesus em 17.12, que estavam se cumprindo. 
(6) Outra vez, agora em 18.32, João mostra como a profecia feita pelo próprio Jesus, a respeito do modo da Sua morte, estava se cumprindo. Se os judeus tivessem executado Jesus, a morte seria por apedrejamento, mas o próprio Jesus havia dito que seria levantado (João 3.14; 8.28; 12.32s, compare com Deuteronômio 21.23).
(7) No ato da crucificação, os soldados romanos não rasgaram as vestes de Jesus (19.23,24), e João cita o Salmo 22.18, indicando que isso era cumprimento das Escrituras. Este salmo havia sido escrito mil anos antes da morte de Jesus, e nele são descritos detalhes de uma cena de execução, dos quais muitos se cumpriram em Jesus. 
(8) Em 19.28, é dito que Jesus estava consciente de que tudo já tinha e continuava se cumprindo de acordo com a Escritura. Isto é, Jesus sabia que cada detalhe da Sua morte cumpria as Escrituras. Então Ele deu um passo para um último cumprimento: o da sua sede, que havia sido profetizada nos Salmos 22.15 e 69.21.  
       Para aliviar sua sede os soldados lhe molharam os lábios com soro de vinho. Isto não matou sua sede, mas molhou sua garganta e o habilitou a proclamar o cumprimento das Escrituras quanto à obra redentora. 
(9) E por último, em 19.36,37, João fala do cumprimento do Salmo 34.20 e Zacarias 12.10.
Jesus já havia dito que tudo que fora profetizado em relação a Ele seria cumprido (Lucas 18.31-33; 22.37, citando Is 53.12). E agora Ele confirma isso, com Sua palavra na cruz. Os apóstolos também testemunharam que os acontecimentos da crucificação cumpriam as Escrituras (Atos 13.29).
     A obra consumada significava que as profecias relativas à morte de Cristo foram cumpridas. A morte de Jesus não foi acidental. Mas o cumprimento perfeito do que Deus havia proclamado no Antigo Testamento. Os inimigos de Jesus inconscientemente cooperaram para que o plano de Deus se realizasse, e as Escrituras se cumprissem. Os planos de Deus nunca serão frustrados!
     Com o cumprimento das Escrituras, outros aspectos da obra de Cristo também se completaram. Neste caso, outros sentidos da expressão “está consumado” podem ser aplicados.
     O “está consumado” também foi uma palavra de alívio. Seu sofrimento e angústia terminaram. Mesmo sabendo das profecias quanto à sua morte, Jesus experimentou sofrimento real e antecipado. Ele mesmo afirma que se sentia comprimido, como se estivesse sendo apertado por vários lados, até que sua missão fosse completada (Lucas 12.50). Agora, a obra estava concluída, o sofrimento havia passado. Ele persistiu e resistiu até o final. O nosso sofrimento também terminará um dia. Portanto, olhando para Jesus, não desanimemos (Hebreus 12.3).
      Ao cumprir as Escrituras Jesus completou a obra que o Pai lhe confiara. A expressão usada por Jesus também era pronunciada quando alguém concluía um trabalho. Quando um pintor terminava um quadro ou um autor um livro. Ali na cruz Jesus conclui a maior de todas as obras. Completar a obra do Pai era o supremo propósito de Sua vida (João 4.34), Ele tinha consciência de que Sua missão era fazer a vontade de Deus. Cumprir as obras do Pai era Seu modo de dar testemunho (João 5.36). Completando a missão recebida Ele glorificava o Pai (João 17.4). O propósito da nossa vida é glorificar a Deus. Realizamos isso cumprindo a vontade Dele em nossas vidas, e permanecendo fiel até o fim à missão que Ele nos deu, mesmo que isso envolva sofrimento.
       Quando cumpriu as Escrituras Jesus também pagou nossa dívida. Este era outro uso da expressão “está consumado”. Foram encontrados em papiros, recibos de impostos que apresentam esta expressão significando “pago em sua totalidade”.  Tínhamos uma grande dívida com Deus, os nossos pecados. Não tínhamos condições de pagar. Mas a morte de Jesus na cruz pagou esta dívida em sua totalidade. (Colossenses 2.13,14).  
       Outro uso da expressão era quando o sacerdote examinava um animal para o sacrifício, e não encontrando nenhum defeito nele, dizia: está consumado! Isto é, tudo está perfeito. O animal pode ser ofertado como sacrifício. A morte de Cristo foi uma oferta perfeita pelo pecado, que nunca mais precisaria ser repetida. A obra foi consumada de uma vez, uma única morte, pagando pelos pecados de todos aqueles que Deus iria salvar (Hebreus 1.3; 9.11-14, 22-28).
     Ao dizer “Está consumado”, Jesus estava confirmando Seu amor pelos Seus discípulos. Pois Ele os amou até o fim (João 13.1). Isto significa tanto que amou até que Sua vida fosse entregue cumprindo as profecias, como que amou até que o alvo fosse alcançado: nossas vidas fossem salvas.
    Diante disso vamos crer que o sacrifício de Cristo não foi um acidente. Mas a obra eternamente planejada, e no tempo executada, para salvar o povo de Deus, e habilitar este povo para glorificar a Deus para sempre.
    Vamos crer também que o plano de Deus jamais será frustrado.  Quando as pessoas pensam estar trabalhando contra ele, estão cooperando para sua realização. 
      Creiamos ainda que o nosso sofrimento, por maior que seja, um dia acabará. Portanto não vamos desistir da luta. Vamos perseverar. 
     Vamos concluir a missão de Deus para as nossas vidas, lembrando que nosso propósito aqui é cumprir a vontade Dele. Só assim poderemos dizer: completei a carreira. 
      Vamos nos alegrar, pois nossos pecados estão totalmente pagos, quitados completamente. Não por nada que tenhamos feito. Mas, única e exclusivamente por causa do sacrifício de Jesus na cruz. Estamos perdoados de todos os pecados.
     Vamos louvar a Deus pelo grande amor de Jesus por nós. Ele nos tem amado de modo que o alvo preparado para nossa vida se realizou. Embora isso tenha incluído o Seu sofrimento.    Vamos amar os nossos irmãos assim também. 
     Regozijemo-nos, pois “Está consumado!”.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A CRUZ É CRUCIAL


O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (Edição 2008) apresenta quatro sentidos para a palavra crucial: (1) em forma de cruz; (2) inevitável, decisivo; (3) difícil, duro; (4) fundamental para a existência ou destino de alguém.

O sacrifício do Senhor Jesus Cristo foi crucial em todos estes sentidos.

Sua morte foi crucial porque foi morte de cruz (Filipenses 2.8), a maneira mais vergonhosa e dolorosa de execução. Destinada aos piores criminosos que eram levantados para serem expostos como exemplos e para espetáculo e zombaria do povo. Nenhum cidadão romano poderia ser condenado à morte de cruz. Era tão degradante que não se mencionava nas altas rodas da sociedade.

Sua morte foi crucial porque foi dura e difícil. Jesus já vinha sofrendo a angústia diante da expectativa da cruz (João 12.27). Ele já tinha plena consciência do sofrimento que iria passar. Na noite de sua prisão foi tomado de pavor e grande ansiedade, a ponto de ficar extremamente triste (Marcos 14.33,34).

Ele sabia que a cruz era uma morte cruel e extremamente dolorosa, que visava torturar e não apenas matar. A pessoa morria lentamente, com fome, exaustão, perda de sangue, cabeça latejando, e sangue acumulado no estômago. A intensidade da dor e a pressão do sangue poderiam causar a rotura do coração.

No caso de Jesus não foi difícil apenas por conta do sofrimento físico, mas também houve o psicológico de ser traído e abandonado pelos amigos, e acima de tudo, o sofrimento de beber o cálice da ira de Deus pelos pecados dos homens.

Sua morte foi crucial porque era inevitável e decisiva. O próprio Jesus já havia assinalado isto. Ele disse que, apesar da angústia que estava sofrendo, aquela morte era o propósito de sua vinda (João 12.27). Por várias vezes mencionou que esta morte era necessária, devia acontecer, importava ocorrer (Mt 16.21; 26.54; Lc 13.33; 17.25; 22.37; 24.7,26,44; Jo 3.14; 12.34).

Deus ama o homem, e quer salvá-lo, mas homem pecou contra Deus, rebelando-se contra Sua vontade. A natureza de Deus, expressa em Sua lei, exige a morte daqueles que pecaram, a morte eterna, no lago de fogo (Ezequiel 18.4,20; Apocalipse 20.14,15). Desde o Antigo Testamento, com os sacrifícios, que Deus mostrava para o Seu povo que o pecado exigia a morte, porque sem derramamento de sangue, não há remissão (Hebreus 9.22). Para realizar o plano de salvar os homens a morte de Jesus era crucial.

Sua morte foi crucial porque é fundamental para a existência e destino do homem. Jesus havia dito que para produzir vida o grão de trigo precisa morrer (João 12.24). Sua morte trouxe vida para Suas ovelhas (João 10.15-20,28). Jesus tomou sobre si os pecados do povo de Deus (Isaías 53.5), sua morte trouxe o nosso perdão. Ele morreu para salvar o povo de Deus disperso em todo o mundo (João 11.51,52), sua morte trouxe a nossa unidade. Ele morreu para prestar um serviço de resgate (Marcos 10.45) sua morte foi a nossa libertação.

Para perdoar o homem tinha que ser uma morte de valor infinito para satisfazer o Deus infinito, e tinha que ser a morte de um homem para pagar no lugar do homem (Hebreus 2.9-11, 14-18). Por isso Deus Filho se tornou homem, e como Deus homem foi sacrificado na cruz. Sua morte satisfez as exigências da justiça divina, e valeu para os homens.

Na morte de Cristo a morte dos filhos de Deus foi derrotada. Esta vitória sobre a morte vem por causa da cruz de Cristo (1 Coríntios 15.57; Apocalipse 12.11). Foi com o sangue derramado na cruz que a Igreja de Cristo foi comprada (Atos 20.28), foi com a morte de Cristo na cruz que pessoas de toda tribo, língua, povo e nação foi comprada para Deus, e feita um reino e sacerdotes e reinarão sobre a terra (Apocalipse 5.9,10).

Sem cruz não haveria Igreja. Sem cruz continuaríamos extraviados e dispersos dos caminhos de Deus (Efésios 2.13). Sem cruz não haveria o Reino de Deus. Sem cruz não teríamos acesso a presença de Deus (Hebreus 10.19,20). Sem cruz não haveria perdão. Sem cruz não teríamos o Intercessor rogando por nós diante do Pai (Romanos 8.34). Sem cruz a ira de Deus ainda estaria sobre nós. Sem cruz não teríamos certeza do amor de Deus (Romanos 8.31). Sem cruz não haveria salvação. Sem cruz estaríamos eternamente perdidos nos horrores do inferno.

A cruz é crucial. Você reconhece isto?

quarta-feira, 31 de março de 2010

NA MAIOR SOLIDÃO



A solidão é uma sensação horrível. Especialmente quando é resultado do abandono. Algumas pessoas podem sentir solidão, mesmo rodeada de outras pessoas, por algum problema interno. Já outros sentem solidão porque de fato estão solitários, foram abandonados. Mesmo estando num bom ambiente, e rodeado de boas coisas, a solidão não é agradável, é isto que o próprio Deus diz a respeito de Adão (Gn 2.18). Ele estava no Paraíso, mas sozinho, e Deus disse que isso não era bom.

Agora imagine, estar sozinho numa situação de intenso sofrimento! Sem ninguém que manifeste amor e possa socorrer! Quando o próprio Deus se afasta! Esta foi a solidão que Jesus experimentou.

Jesus já havia sido abandonado por seu povo, por aqueles para quem veio, conforme nos diz João: Ele veio para os que eram seus, mas os seus não o receberam (Jo 1.11). Pense no que é deixar a glória dos céus, a presença imediata do Pai e do Espírito, o louvor perfeito dos anjos, tornar-se homem, e um homem servo, para salvar um povo, e ser rejeitado por este povo?! Foi isso que Jesus fez (Filip 2.5-9). Sua vida foi perseguida desde cedo (Mt 2.16). Vários foram os momentos em que tentaram matá-lo (Lc 4.28-30; João 5.18; 8.59). Foi questionado e colocado a prova muitas vezes (Mt 22.15,23,35). Os de sua cidade o desprezaram (Mt 13.54-58) e os de Samaria recusaram lhe dar hospitalidade (Lc 9.51). Ele veio para ajuntar os seus como a galinha reúne seus filhotes, mas foi rejeitado (Lc 13.34)

Jesus foi desprezado até por sua própria família e considadãos. Seus irmãos não criam nele (João 7.5). Uma vez chegaram a considerar que ele estava fora de si, e quiseram prende-lo (Mc 3.21).

Jesus foi abandonado por seus discípulos. Logo no início alguns o deixaram porque consideram sua palavra muito dura (João 6.60,66), e naquele momento outros reafirmaram sua fé, mas mesmo estes depois o deixaram, primeiro dormindo quando Ele pediu que orassem por Ele (Mc 14.37), depois fugiram quando Ele foi preso (Mc 14.50).

Todos estes abandonos doeram em Jesus. Mesmo Ele sabendo de antemão que isso lhe ocorreria. Pois saber que uma injeção vai doer, não elimina a dor, quando nós a tomamos. Mas foram abandonos mais suportáveis, porque o Pai estava com Ele (Jo 16.32). Mas houve um abandono que doeu mais que todos, houve uma solidão que foi a maior de todas. Houve uma hora que nem o Pai ficou com Ele, que Ele ficou realmente sozinho! Este foi o maior de todos os abandonos, a maior de todas as solidões.

A quarta palavra da cruz nos revela este abandono, que ocorreu após seis horas que Jesus estava na cruz. Ele foi crucificado às nove horas da manhã, e as palavras foram gritadas às 3 horas da tarde (Mc 14.25,33,34). Mateus 27.46 e Marcos 15.34 deixaram estas palavras registradas. Elas foram proferidas na língua materna de Jesus: o aramaico (com algumas características do hebraico).

Antes de falar estas palavras Jesus já havia pedido o perdão do Pai para seus inimigos, garantido salvação ao ladrão, e confiado Sua mãe aos cuidados de João. Agora, depois de três horas de escuridão, Ele dá seu grito de desamparo. Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? As trevas já haviam demonstrado o juízo e abandono de Deus naquele momento.

Estão entre as mais misteriosas palavras da Bíblia. Elas demonstram o quão profundamente Jesus estava abandonado pelo Pai por carregar os pecados dos homens sobre Ele. Elas ilustram o intenso sofrimento de Sua alma, pelo castigo que recebia pelos pecados humanos (5 Co 5.21). Deus Pai desviou Seu favor do Filho naquele momento, pois os pecados dos homens estavam sobre Ele (Is 53.6,10; Rm 3.25; Gl 3.13), e a santidade de Deus não aceita o pecado (Is 59.2; Hab 1.13), mesmo quando recai sobre Seu próprio Filho amado, no qual estava toda Sua alegria (Mt 3.17).

Mas o grito não expressa desespero, e sim fé. Jesus diz: Meu Deus. Ainda era o Seu Deus. As palavras já haviam sido proferidas quase mil anos antes, pelo rei Davi, num momento de aflição (Salmo 22.1). Neste mesmo salmo Davi canta sua confiança de que Deus iria libertá-lo (22.22). Jesus também demonstra esta confiança, apesar da solidão e da dor.

As palavras eram para testemunhar que Ele era o escolhido de Deus para cumprir as profecias, e ser o Salvador do mundo. E para nos mostrar o quanto é horrível o nosso pecado. Expressa a desolação do senso de ter sido abandonado por Deus que o pecado causa. E avisa que esta será a sensação daquele que não aceitarem segui-Lo, (Mt 25.41). Também dá confiança àqueles que seguem Jesus, de que nunca serão abandonados (Hb 13.5), pois Jesus já sofreu o maior dos abandonos no lugar deles.

sábado, 2 de maio de 2009

NA CRUZ, A VALORIZAÇÃO DA FAMÍLIA.



O que você diria na hora da morte? Se você estivesse morrendo com intenso sofrimento, quais seriam suas últimas palavras? O Senhor Jesus pronunciou sete frases quando estava morrendo. As três primeiras manifestam preocupações com pessoas que lhe rodeavam.

Na primeira faz uma oração, pedindo a Deus perdão para os que lhe causam aquele sofrimento. Na segunda atende a uma oração, a do ladrão que roga participar no Seu Reino. Na terceira, revela seu cuidado com sua mãe. João 19.25-27.

E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa.

Para Maria, ser mãe de Jesus foi motivo de grande alegria, e de certas perturbações, (Lc 1.29,46-55). Ela procurou sempre guardar os acontecimentos, e juntar as peças em sua mente para poder entender (Lc 2.19,51), mas demorou saber o tipo de Messias que Jesus era. Esta incompreensão fez com que o relacionamento de Jesus com sua mãe nem sempre fosse ausente de tensões, apesar de ser um filho obediente (Lc 2.51). Sua preocupação em fazer a vontade do Pai celeste causou certas aflições a sua mãe (Lc 2.48). Ela presenciou a descrença dos irmãos (Jo 7.5), e a falta de entendimento dos parentes, que chegaram até a pensar que Jesus estava insano (Mc 3.21). Ela mesma, apesar de crer no grande poder de Jesus, nem sempre compreendia que Jesus seguia uma agenda diferente, o calendário do Pai celeste (Jo 2.3,4 ), e que Sua prioridade nos relacionamentos seguia outra ordem, a de Deus (Mc 3. 31-35). Mas estas tensões, nem a impediram de seguir Jesus até a cruz, nem impediram Jesus de cuidar dela. Desentendimentos na família são oportunidades para um maior amor, e não desculpas para não amar.

Para ela, aquele momento era o cumprimento de uma profecia (Lc 2.35), uma espada estava atravessando sua alma. Além da dor de perder o filho, ela sofria a decepção, ou pelo menos a perplexidade, de seus anseios messiânicos não se concretizarem do modo esperado. Suas expectativas eram semelhantes à de seus contemporâneos: o Messias traria a libertação política, econômica, e espiritual numa única vinda. A salvação dos justos e a condenação dos ímpios se dariam num mesmo momento. O mistério de duas vindas não havia penetrado na mente dos discípulos. Ainda não entendiam, que o Messias tinha vindo como Servo Sofredor, para pagar a penalidade do pecado dos homens, e depois viria como Rei glorioso, para instalar o Reino de Deus.

Para Jesus, aquele momento era a oportunidade de prover cuidado e conforto para sua mãe. Após providenciar um lar eterno para o ladrão que estava morrendo, ele quer dar um lar terreno para sua mãe, enquanto ela continuasse neste mundo. Jesus sabia que a vida em família é necessária, é uma fonte de segurança emocional neste mundo turbulento. No lar se encontra o ninho para alimento e descanso, não apenas físico, mas também psicológico. É numa família que nosso senso de identidade e valor pode ser fortalecido, pois ali cuidamos e somos cuidados. Jesus estava provendo para sua mãe um lar, onde ela seria cuidada, e poderia cuidar. Amar e ser amada. Jesus valorizava a família!

Estas palavras de Jesus nos ensinam que é preciso cuidar de nossas famílias, sem deixar que este cuidado nos impeça de cumprir o propósito de Deus em nossas vidas. Pode ser que fazer a vontade do Pai nos traga problemas com a família terrena, mas estes problemas não devem nos levar a abandonar o caminho que Deus quer para nós. Mas também, não devem nos impedir de manifestar amor e cuidado para com esta família. Outras mulheres também estavam ali. Mulheres de valor, que haviam seguido e ajudado a Jesus (Lc 8.2,3). Mas Jesus se dirige apenas a sua mãe, expressando Seu amor e cuidado, e fazendo uma provisão atenciosa para suas necessidades. Cuidar da família também é parte da missão que Deus tem para nós.

Aquele momento também nos mostra o cuidado amoroso de Deus para com aqueles que, mesmo sofrendo e sem entender toda razão de seu sofrimento, buscam fazer a Sua vontade. Maria podia não entender tudo, mas estava disposta a fazer a vontade de Deus, era serva do Senhor (Lc 1.38). Aos pés da cruz, ela recebe não apenas o apoio do o discípulo amado, mas as carinhosas palavras de Seu Filho Jesus, cumprindo a bênção de Mateus 19.29. João, que corajosamente acompanha a mãe de Jesus até a cruz, também sem tudo compreender, ganha mais uma mãe. Diante de situações difíceis em nossas famílias terrenas, melhor do que reclamar e cobrar dos outros, é olhar para as oportunidades graciosas que Deus dispõe para nosso suprimento no meio da família de Deus, e desfrutar delas.

Aprendemos ainda que, por maior que seja nosso sofrimento, podemos pensar primeiro nos outros. A família é um lugar para praticarmos isto. Somos egoístas, e quando sofremos podemos manifestar este egoísmo de forma mais forte, achando que isto obriga os outros a se preocuparem conosco, e nos permite sermos indiferentes aos sofrimentos e necessidades deles. Mesmo que as tensões e imperfeições das pessoas de nossa família nos causem dor, vamos manifestar amor cuidadoso para com elas.

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...