terça-feira, 11 de setembro de 2012

COMO SABER O QUE É MELHOR?

       Sempre desejamos o melhor. Exemplos: quando temos a possibilidade de escolher entre dois produtos, escolhemos aquele que entendemos ter qualidades superiores; e quando é necessário decidir entre certas situações, preferimos aquela que, segundo nossa avaliação, possui o máximo de atributos para satisfazer nossa apreciação. 
    A busca pelo melhor, guia nossas decisões. Mesmo quando escolhemos o que, aparentemente não é o melhor, é porque acreditamos que isso é o mais adequado a ser feito naquela situação. Exemplo: você não escolhe o melhor pedaço de bolo, pois quer deixá-lo para um amigo, isso é um sacrifício. Mas,você agiu assim por julgar que o sacrifício era o melhor a se fazer naquela situação. 
       Até as decisões desesperadoras foram orientadas pelo que se acreditou ser o melhor. Um suicida pensou que tirar sua própria vida era a melhor saída para a situação que enfrentava. Agiu assim porque acreditou que a morte era melhor que a vida naquele momento. 
       É esta busca pelo melhor que nos move. O problema é que nem sempre sabemos o que é melhor. Por isso, algumas, senão muitas, de nossas decisões são equivocadas. Fazemos escolhas pensando que elas são as melhores, só depois descobrimos que não eram. Nosso juízo do que é melhor depende de nossa escala de valores. O melhor será sempre aquilo que julgamos mais valioso, mais importante, e mais benéfico. No final das contas, nossos valores determinam nossa vida. 
    Por sermos finitos, somos dependentes para formar nossos valores. A princípio adquirimos estes valores do mundo que nos rodeia: nossos pais, parentes, professores, amigos, etc. Com o tempo descobrimos que estes valores nem sempre são suficientes para nos orientar na escolha do que é melhor. Notamos que a vida é muito complexa e nós somos simples demais; que ela nos oferece muitas possibilidades, mas nós somos limitados; que o futuro é muito incerto e nós não temos o poder de adivinhar. Cedo podemos perceber que não conhecemos a vida o bastante para identificarmos o que é melhor. 
    Mesmo com muita pesquisa e estudo o conhecimento humano não é completo. É comum ouvirmos que uma descoberta de hoje desmente o que ontem foi anunciado como melhor. Os costumes mudam, as opiniões das pessoas que nos rodeiam nem sempre são coerentes, como diz Provérbios 16.29: "O homem violento alicia o seu companheiro e guia-o por um caminho que não é bom." Tudo isso nos deixa  confusos sobre o que é melhor. 
    Quais são os valores superiores, mais adequados e acertados para nossa vida? Como saber quais são estes valores? A pergunta feita pelo escritor de Eclesiastes, há quase três mil anos, continua ecoando “Pois quem sabe o que é bom para o homem durante os poucos dias da sua vida de vaidade, os quais gasta como sombra?” Eclesiastes 6.12. 
    Deus, que é o Criador da vida e o Conhecedor do futuro sabe o que é o melhor, conhece o que é bom, pois Ele é bom em Sua essência. "Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom"  (1 Cr 16.34). Quando Ele criou o universo, fez tudo bom, "Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom". (Gn 1.31). Também pensou no que era melhor para o homem: "Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só" (Gn 2.18). Ele é o Soberano capaz de transformar o que seria mal, em algo bom, como disse José a respeito do mal que seus irmãos tentaram fazer contra ele: "Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem" (Gn 50.20).  
    Ele planejou dar o melhor para o Seu povo: "o SENHOR prometeu boas coisas a Israel."(Nm 10.29). Ele revelou ao Seu povo o bem: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom” (Miquéias 6.8). Fez isso dando a Sua palavra através de Seus profetas que a ensinaram ao Seu povo: "Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal" (Dt 30.15; ver ainda 1 Sm 12.23). É Ele quem faz o Seu povo ver o bem: "Há muitos que dizem: Quem nos dará a conhecer o bem? SENHOR, levanta sobre nós a luz do teu rosto."(Sl 4.6), e dá o Espírito Santo que nos ensina, "E lhes concedeste o teu bom Espírito, para os ensinar"(Neemias 9.20). 
    Sabemos o que é melhor pedindo que Ele nos dê sabedoria para discernirmos o que é bom: "Tu és bom e fazes o bem; ensina-me os teus decretos".(Salmo 119.68), e buscando conhecer este bem: "Buscai o bem e não o mal, para que vivais; " (Amós 5.14). 
   Algumas vezes Ele nos deixa passar por aflições para aprendermos o que é melhor: "Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos."(Sl 119.71). Ele cerca os maus caminhos que escolhemos, para que entendamos que o melhor é voltar para Ele, como fez com o povo de Israel  (Oseias 2.7).  
   Como nossa existência é vivida sempre diante Dele, e é a Ele que daremos conta, o melhor para nós é agradá-Lo: "Guarda e cumpre todas estas palavras que te ordeno, para que bem te suceda a ti e a teus filhos, depois de ti, para sempre, quando fizeres o que é bom e reto aos olhospan>" (Dt 12.28). 
    Sem Deus, o melhor que conseguimos da vida é canseira e enfado: "Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos."(Salmo 90.10).
    É na obediência a Ele que encontramos o melhor: "Dar-lhes-ei um só coração e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem e bem de seus filhos." (Jr 32.39, ver ainda Dt 6.24; 10.13).

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

UM DESAFIO AO PROFETA JEREMIAS, MAS QUE SERVE AOS PREGADORES DE TODAS AS ÉPOCAS

          Jeremias foi um profeta que pregou a palavra de Deus por mais de quarenta anos.
          Durante este tempo foi perseguido, ameaçado, surrado, aprisionado, sequestrado e levado ao Egito. Ele sofreu solitário, sem companhia de amigos e família, abandonado por parentes e amigos.
          Depois de vinte e três anos pregando ele testemunhou que o povo de Judá não lhe dava ouvido, mas ele persistentemente continuava anunciando a mensagem do Senhor (25.1-3). Ao invés de ouvir a Palavra de Deus que convocava a uma mudança de vida, o povo preferia as mensagens adocicadas dos falsos profetas (23).
          Algumas vezes o profeta lamentou o seu ofício. Sentia de modo intenso a tensão entre pregar o que Deus ordenou e sofrer a perseguição, ostracismo e ridicularização dos homens, ou calar e não anunciar mais o que Deus havia mandado e ainda sofrer a pressão interna criada pela compulsão da obediência a Deus. Confiando na força e presença de Deus, ele preferiu enfrentar o primeiro tipo de tribulação (20.7-11).
          Numa de suas crises, ele lamenta a situação a qual Deus lhe havia imposto, e pergunta se Deus não lhe seria apenas uma miragem, um ilusório ribeiro de águas, que quando ele mais precisasse descobrisse que o ribeiro secou. Parece que estava se sentindo tentado a conformar sua mensagem às expectativas dos ouvintes. Deus lhe responde convocando-o ao arrependimento, pois assim Deus o restauraria e o fortaleceria para continua cumprindo a missão dada. Deus insta para que Jeremias continuasse falando o que era de valor, e não uma mensagem insignificante. Era o povo que deveria se conformar à mensagem, e não a mensagem se adequar ao povo. (15.15-21).
          Os pregadores da Palavra de Deus devem crer que é o ouvinte que deve ser mudado pela pregação e não a pregação ser mudada pelos desejos e expectativas do ouvinte. A Palavra muda o homem, e não o homem a Palavra.