sábado, 30 de maio de 2020

E VOCÊ, QUEM DIZ QUE EU SOU? - Parte I


Desenho de pássaro cinza desenho animado com olhos grandes e ...Certa feita, Jesus perguntou aos seus discípulos: Quem os outros dizem que eu sou? A resposta dos discípulos mostrou que havia vários conceitos sobre a identidade d’Ele naquela época. Então Jesus fez outra pergunta: E vocês, quem dizem que eu sou? (Marcos 8.27-29)
No quarto evangelho temos a resposta de alguém que presenciou os sinais miraculosos de Jesus (Jo 2.11), assentou-se mais próximo dele na comemoração da última páscoa (Jo13.23), testemunhou sua encarnação, morte e ressurreição (Jo 1.14; 19.35; 20.21), e escreveu com o declarado propósito de evidenciar que Jesus é o Messias prometido, o Filho de Deus, Aquele que concede vida eterna (Jo 20.31).
Logo no início, chamando Jesus de Verbo, isto é, a revelação de Deus, João nos informa que Jesus sempre existiu como Deus e com Deus (1.1). N’Ele reside a vida, através d’Ele a luz brilha nas trevas trazendo vida aos homens, proporcionando ao povo de Deus o privilégio se tornarem filhos de Deus (1.12). Já que Jesus compartilha uma intimidade única com o Pai, Ele é plenamente capaz de revelar Deus, e foi isso que fez ao se encarnar (1.14,18). Moisés apenas viu a glória de Deus como alguém vê outro pelas costas, e assim refletiu esta glória para o povo de Israel (Ex 33.18-20; 34.5-7, 29-35). Mas Jesus estava com o Pai, e é a encarnação da glória de Deus (João 1.14-18).
João nos indica que Jesus compartilha com Deus Pai um nome comum (17.11), um poder comum (5.19,21,22) e uma identidade comum (10.30).  Também evidencia que Jesus é Deus ao lhe atribuir prerrogativas que são exclusivas do Deus único e verdadeiro de Israel.  Jesus é o Criador e governador do mundo (1.3; 5.7), tem o poder de ressuscitar mortos (5.21), julga a humanidade (5.22), sopra o Espírito da vida (20.22) e tem o direito de ser adorado (5.23; 20.28).
As palavras de Jesus indicavam que Ele assumia ser Deus (5.17,18). Ele disse ter autoridade para dar vida a quem quisesse (5.21). É verdade que outras pessoas ressuscitaram mortos (entre eles Elias, Eliseu), mas Jesus afirmou ter este poder em si mesmo, para exercer a favor de quem quisesse (5.21,26). Algo que somente Deus pode fazer (Dt 32.39). Também afirmou ter o poder de executar o juízo escatológico (5.22,27-29). 
O nome próprio pelo qual Deus revelou sua identidade no Antigo Testamento foi “Eu Sou” (Êxodo 3.14), no evangelho de João este nome aparece aplicado a Jesus de duas maneiras: forma absoluta e acompanhado de um predicativo. 
Sete vezes Jesus simplesmente afirma de forma absoluta: Eu sou. Quando se revelou à mulher samaritana como o  Messias prometido e esperado (4.26); quando se manifestou aos discípulos como aquele que domina o mar e o vento (6.20); ao afirmar que se as pessoas não reconhecessem que Ele é o Eu sou, elas morreriam em seus pecados (8.24); ao anunciar Sua morte na cruz (8.28); quando afirmou Sua pré-existência (8.58), e neste caso os judeus compreenderam claramente que Ele reivindicava ser Deus, pois tentaram apedrejá-lo; quando anunciou eventos ainda futuros aos seus discípulos, para fortalecer sua fé (13.19), e a capacidade de anunciar o futuro é algo que o próprio Deus usa como prerrogativa de divindade no Antigo Testamento (Is 46.9,10); e quando se identificou diante dos enviados para prendê-lo (Jo 18.5-8). 
Outras sete vezes o nome aparece com um predicativo que salienta sua função salvadora. Jesus diz Eu sou: o pão da vida (Jo 6.35,41,48); a luz do mundo (Jo 8.12); a porta das ovelhas (Jo 10.7,9); o bom pastor (Jo 10.11,14); a ressurreição e a vida (Jo 11.25); o caminho, a verdade e a vida (Jo 14.6); a videira verdadeira (Jo 15.1). 
Podemos comparar estas afirmações com outras sete que aparecem no Antigo Testamento, nas quais o SENHOR reivindica ser o único Deus (Dt 32.39; Is 43.10; 44.6; 45.5,6,18; 45.21,22) 
Certo comentarista afirmou que, com isso João nos dava alusões claras às sete declarações de Yahweh sobre sua divindade única e sem paralelo no AT. O que João quer dizer é claro: Jesus é Yahweh. (Pai, Filho e Espírito Santo - A Trindade e o Evangelho de João Andreas J. Kostenberger e  Scott R. Swain, Trad. A.G. Mendes, SP:Vida Nova, 2014.Pg.162).
Diante da pergunta: e você, quem diz que eu sou? João claramente respondeu: Tu és Deus. E você, que resposta tem dado a esta pergunta? 

sábado, 11 de abril de 2020

POR TER EXPIADO, ELE NÃO MAIS ESPIA


Uma letra trocada pode causar uma grande confusão! Podemos ilustrar com os verbos espiar e expiar, dos quais derivam respectivamente espionagem e expiação. Espiar significa olhar, verificar, espionar, na maioria das vezes com o propósito de prejudicar ou acusar. Jó se queixou de Deus e se referiu a Ele como o Espreitador dos homens, pois ficava espiando os seus pecados, e não lhe deixava em paz (Jó 7.20).   Já expiar...
No Antigo Testamento o verbo expiar era correlato de extinguir ou apagar. Em Isaías 28.18 Deus disse para a liderança do povo de Israel, que alegava ter feito uma aliança com a morte e um pacto com o além para não ser destruída, que a aliança com a morte seria anulada (literalmente “expiada”) e o acordo com o além não subsistiria (isto é, não permaneceria). Jeremias orou pedindo para Deus não expiar nem apagar o pecado dos inimigos que lhe tramavam a morte (Jr 18.23). Algo que era expiado tinha sido eliminado ou apagado. A palavra foi usada também com o sentido de aplacar ou apaziguar a ira de alguém, pois uma ira expiada tinha sido apagada ou extinta (Gn 32.30; Pv 16.14).
A maioria dos usos do verbo expiar e do substantivo expiação, no Antigo Testamento, está no contexto religioso, referindo-se ao relacionamento com Deus. Especialmente tratando da questão do pecado.  Expiar refere-se ao processo pelo qual o problema dos nossos pecados é resolvido diante de Deus. Expiação é o meio pelo qual nossos pecados são perdoados. 
O pecado é uma desobediência à lei de Deus. Como a lei é de Deus, o pecado é também uma ofensa contra Ele. Isso provoca a Sua ira e traz juízo sobre o pecador. Para que esse juízo não se inicie, ou se já começado, cesse, a expiação se faz necessária. 
Deus, como parte ofendida, é quem determina o modo que a expiação deve ser feita. Os ofensores devem submeter-se ao modo estabelecido por Deus. Quando a expiação é realizada, eles são perdoados e purificados e a razão da ira de Deus já não existe mais.
A expiação apagava o pecado. Por isso, a pessoa era perdoada e purificada, sendo aceita por Deus e ficava pronta para servi-Lo (Levítico 4.20,26,31,35; 16.30). Foi dito para Isaías que a tua iniquidade foi tirada (afastada, retirada) e perdoado (literalmente “expiado”) o teu pecado (Is 6.7). Em Daniel 9.24, em um paralelismo triplo, notamos que a ideia de extinguir e apagar os pecados, aparece ao lado de expiar (fazer cessar, dar fim, expiar). Esta é a razão pela qual, algumas vezes, o verbo foi traduzido como “perdoar” em nossas versões, usando a metonímia, figura de linguagem que, neste caso, emprega o efeito no lugar da causa (2Cr 30.18; Sl 65.3). 
A expiação incluía a reparação ou satisfação para com a parte ofendida, por isso carregava também a ideia de resgate, isto é, uma restituição pelo prejuízo causado. Era a expiação que tornava possível o resgate (Jó 33.24). Quando Deus castigou Israel por causa dos pecados de Saul contra os gibeonitas, Davi foi até eles e perguntou: de que modo expiarei, normalmente traduzido em nossas versões como que resgate vos darei. E só depois da expiação feita, foi que Deus se tornou favorável com a terra (2Sm 21.1-14).    
Deus estabeleceu que a vida fosse dada em sacrifício, demonstrando isso através do sangue derramado (Lev 17.11). O animal morto em sacrifício era a expiação, o resgate dado no lugar do pecador. Por isso, havia a cerimônia de imposição das mãos sobre o animal e a súplica que confessava o pecado (Lev 4.15,20; Dt 21.8).
A expiação apaziguava a ira divina, desviando-a (Nm 16.46,47; 25.11-13). No Salmo 78.38 a palavra expia foi traduzida como perdoa. Como o pecado havia sido apagado, a ira também era apagada, deixava de existir. 
Todo o ritual sacrificial do Antigo Testamento era uma figura que apontava e prometia a realidade que ainda viria e se completaria com um sacrifício superior, o sacrifício do Senhor Jesus Cristo. Isso foi proposto pelo próprio Deus (Rm 3.21-25).
Nossos pecados foram um ultraje contra a honra infinita devida a Deus (Sl 90.11). Ninguém dentre a humanidade é capaz de pagar o preço devido. Por isso, o próprio Deus infinito, na pessoa de Seu Filho Jesus, fez-se humano, pois era necessário que Ele se tornasse semelhante àqueles que iria salvar e, assim, fizesse expiação pelos pecados deles (Hb 2.17).
Encarnado, ele cumpriu perfeitamente as exigências da Lei de Deus (1Pd 2.22) e, mesmo assim entregou-se como uma oferta pelo pecado (Rm 8.3), fazendo um sacrifício perfeito, que satisfez plenamente a honra ultrajada de Deus, trouxe o perdão e a purificação para todos os que se submetem a este modo estabelecido por Deus (Hb 9.11-14).
A motivação de Deus foi o amor. Nisto consiste o amor... enviou o Seu Filho como expiação pelos nossos pecados (1Jo 4.10).              Jesus Cristo tornou-se a expiação pelos nossos pecados (1Jo 2.2) 
Para receber este perdão é necessário reconhecer que não há em nós nenhuma possibilidade de resolver nosso próprio pecado e seus resultados condenatórios. Ao reconhecer isso, fazer como o publicano, que clama: Ó Deus, faz uma expiação por mim, pecador! (Lc 18.13). Isso faz com que o pecado seja apagado, a ira desviada e o pecador justificado (Lc 18.14). 
Quando isso é feito Deus não mais espia os nossos pecados, pois eles foram expiados. Portanto: aqueles que foram expiados não são mais espiados!

sábado, 4 de abril de 2020

POR QUE PESTES E PRAGAS? BUSCANDO UMA RESPOSTA NA BÍBLIA – PARTE 1


A Bíblia nos apresenta Deus como Aquele que tem o domínio de todos os seres, situações e circunstâncias. Nada, absolutamente nada, acontece sem Sua soberana permissão. Conforme é dito pelo Senhor Jesus Cristo, nem a morte de um pássaro pequeno e barato, isto é, quase sem valor diante dos homens, escapa do Seu controle. E quanto a nós, até todos os cabelos de nossas cabeças Ele os tem contado!  (Mt 10.29,30).  Nós podemos até negligenciar o nosso alimento, como os discípulos que esqueceram de levar pão para uma viagem, mas Deus não negligencia nenhum destes pequenos pássaros (Mc 8.14; Lc 12.6,7).

            Crendo nisso, temos que admitir que esta pandemia ocorre por Sua permissão soberana. Isso pode nos levar a perguntar: por que Deus permite isso?
            Não me sinto seguro para dar respostas quanto aos propósitos específicos de Deus em relação ao mal que o mundo enfrenta neste momento. Todavia, gostaria de examinar alguns textos bíblicos que apresentam situações semelhantes, verificando quais eram os propósitos de Deus para aquelas situações, e assim incentivar-nos à reflexão e ao discernimento. 
            A primeira vez que a palavra “praga” ocorre nas Escrituras é em Gênesis 12.17. Isso ocorreu quando Deus infligiu severas doenças ao Faraó e sua família porque ele havia tomado Sara, mulher de Abraão, para seu harém. O propósito de Deus nesse evento não é explícito, que até nos choca, porque o Faraó havia feito isso sem saber que Sara era esposa de Abraão. Mas, através de um evento semelhante em Gênesis 20.1-7 e do que é dito no Salmo 105, versículos 12-15, deduzimos que Deus fez isso para impedir a consumação do pecado e garantir que Seu plano de trazer um descendente através de Abraão e Sara fosse cumprido. A conclusão aqui é que Deus usa doenças para impedir pecados e garantir o cumprimento de Seu plano.
            O próximo evento que examinaremos é o que trata das pragas no Egito (Êxodo capítulos 5 a 14). O povo de Deus estava sob opressão. Moisés foi enviado para liderar a saída deles do Egito e comunicar ao Faraó que o SENHOR quer que o Seu povo deixe aquela terra para servi-Lo. Caso o Faraó se negasse a permitir a saída do povo de Deus, haveria pestes e violências. Mas o Faraó recusou-se a liberar o povo. Ele disse que não conhecia o SENHOR, não devia obediência a Ele, por isso não deixaria o povo ir (Ex 5.1-3). 
            Diante da pergunta do Faraó: Quem é o SENHOR? Deus decidiu apresentar Seu cartão de visitas e mostrar quem Ele é, tanto para o Faraó e os egípcios, como para o povo de Israel. Uma batalha para evidenciar quem estava no comando da terra foi travada. 
Deus agiu através das pragas para manifestar que ninguém há na terra semelhante a Ele. Os egípcios, apesar de servirem a vários deuses, não foram socorridos por nenhum deles. Deus mostrou que era superior aos deuses do Egito (Êxodo 9.13-16; 12.12). Deus mostrou aos incrédulos que Ele é o SENHOR (Ex 14.18).
Era crença no antigo Egito que o Faraó era deus, e que por causa dele a terra tinha ordem e não confusão. Portanto, quando Moisés chegou falando de outro Senhor, o Faraó não aceitou. Ele considerava aquela terra como sua. Era seu território. Ali mandava ele e nenhum Deus poderia lhe impor Sua vontade. Era necessária uma ação de proporção tal que evidenciasse para o Faraó e para seu povo que o Dono da terra era Deus. Através dos castigos infligidos aos oponentes, Deus mostrou que age nas forças da natureza para cumprir Seus propósitos. Ele manda sobre tudo, até sobre o coração do Faraó e a disposição dos egípcios (Ex 8.19; 11.10; 12.36).
O Faraó e alguns de seus oficiais manifestaram indiferença. Não quiseram levar a sério a Palavra de Deus, não se preocuparam em colocá-la no coração (Ex 7.23; 9.21). Na verdade, o Faraó até tentou negociar com Deus e permitir a saída do povo, mas queria que isso fosse feito de acordo com as suas condições, como se Deus fosse seu igual (Ex 8.25; 10.11,24). Mesmo vendo a ruína de todo o Egito, teimava em não ceder (Ex 10.7). Através das pragas Deus mostrou que Ele é o SENHOR sobre toda a terra, incluindo a terra do Egito (Ex 8.22; 14.17,18). 
Mas Deus queria também ensinar o Seu povo que a salvação é realizada por Ele, por Sua força e Seu poder (Ex 6.6,7; 10.2). Não poderia ficar nenhuma dúvida no coração dos israelitas de que sua vida, sua libertação e sua vitória dependeriam exclusivamente de Deus. Que se dependesse deles, todos teriam morrido escravos no Egito. 
Deus permite situações devastadoras para que os falsos deuses sejam desmascarados. Alguns de nós têm uma confiança quase idólatra na ciência e na tecnologia. Acreditamos que elas podem resolver todos os nossos problemas. Manifestamos uma convicção muito forte no progresso da humanidade. Há momentos em que até esquecemos que Deus existe ou que Ele seja necessário. 
Confiávamos que problemas medievais, como pestes, não mais se alastrariam em nosso meio. Afinal, conseguimos dominar a ciência. Cremos que somos capazes de desvendar a genética de todos os agentes eventualmente nocivos e nos defender deles. Mas, eis que, surge um vírus que nos humilha. Que nos faz ver que ainda precisamos voltar aos princípios rudimentares de uma vida saudável: lavar as mãos com água e sabão. 
Não dominamos a criação. Nossos deuses, aqueles nos quais confiamos para nos socorrer em situações como essas – ciência, medicina, governos, recursos financeiros, etc. – têm sua utilidade, mas são ineficazes para garantir aquilo que é mais básico na vida: segurança e saúde. 
Precisamos aprender que nossa vida está nas mãos de Deus. Que Ele é a nossa salvação, o nosso socorro. Precisamos nos humilhar diante d’Ele, saber que Ele é o Dono da terra e de nossas vidas.  Que Ele existe e está atuante.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

O QUE NOS ESPERA EM 2020?


             
Fazer previsões se tornou algo comum no início de cada ano. Isso alimenta tanto a curiosidade como o desejo humano de controlar o futuro. Lendo astros, cartas, búzios, bolas de cristal e outros artefatos, os videntes de nossa época, na maioria das vezes fazem generalizações quanto ao futuro. Se algum deles é mais preciso em suas conjecturas e estas não ocorrem, isso não os afeta, pois logo as pessoas esquecem e buscam novas suposições para o futuro. 
            Eu não sou vidente, nem profeta e nem filho de profeta, não sei ler cartas, nem búzios, nem astros e nem bola de cristal, mas procuro ler a Bíblia. E baseado no que ela diz, vou repartir algumas certezas que devem nos acompanhar durante este ano que se inicia. Estas não são apenas previsões, mas certezas que Deus nos revelou. É preciso dizer que estas certezas são válidas apenas para os que seguem o Senhor Jesus Cristo.  
A primeira é que teremos sofrimentos. Isso de acordo com as palavras do Senhor Jesus no evangelho de João 16.33 "Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo." O termo traduzido por “aflições” indica as várias dificuldades associadas aos problemas cotidianos. O mundo no qual vivemos é marcado pelo pecado e pela oposição a Deus. Estamos numa guerra entre o Reino de Deus e o reino deste mundo que se rebelou contra a autoridade d’Ele (Salmo 2). É ingenuidade esperar ausência de estresses numa guerra. Mas contamos com a promessa de Jesus de desfrutar de Sua paz, no meio das aflições. E que podemos ter ânimo apesar das adversidades, pois Ele já conquistou a vitória nesta guerra. Sua vitória sobre o reino deste mundo deve ser nossa fonte de ânimo.   
Além disso, Deus nos garante que os sofrimentos de agora nem se comparam as glórias do futuro. "Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós." (Romanos 8.18). Os sofrimentos daqui não chegam aos pés da glória que se manifestará naqueles que perseveram em seguir o Senhor Jesus. O Reino de Deus se revelará em esplendorosa glória, que tornará cada sofrimento daqui como um pequeno arranhão numa criança, que na hora chora como se fosse a maior dor do mundo. Mas depois que cresce, nem se lembra mais. 
Outra certeza garantida por Deus é que nem tudo que ocorrerá em nossa vida será confortável, mas cooperará para que aquilo para o que fomos criados se concretize em nossa vida: a imagem de Cristo em nós. "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos."  Romanos 8.28,29. Tudo que ocorrerá na vida daqueles que são discípulos de Jesus já tem sido planejado por Deus para cooperar para o bem deles. É necessário destacar que esse bem não é o sucesso financeiro, nem profissional, nem familiar, nem tão pouco uma boa saúde. O supremo bem que Deus almeja para nós é nos tornar semelhantes ao Seu Filho Jesus Cristo. Pois é nisto que está a nossa realização. Ser realizado é alcançar o alvo para o qual se vive. Nós fomos criados para refletirmos a imagem de Deus (Gn 1.26,27). Se você é um seguidor de Jesus, entre em 2020 sabendo que tudo que acontecerá em sua vida, foi programado por Deus para lhe deixar mais parecido com Jesus Cristo. 
            Uma terceira certeza é que teremos perdas em 2020, mas aquilo que nos é de maior valor nós não perderemos. Teremos desde perdas mais simples, como fios de cabelo, dentes, força, (alguns só não perderão peso!), até perdas mais significativas como bens, saúde e amizades. Nossa reação diante de cada das perdas depende do valor que atribuímos a elas. Quanto mais valiosa elas forem para nós, mais dor e desespero a perda causará. Um consolo que podemos ter diante das perdas é se algo de maior valor permaneceu. Diante de um acidente que causa a perda de um carro, alguém pode dizer: mas graças a Deus escapamos com vida. Sendo assim, as perdas que teremos não nos causarão desespero, porque nosso mais importante valor estará garantido. "Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." (Romanos 8.38,39). Nosso maior patrimônio é o amor de Deus, e temos a certeza de que nós nunca o perderemos. Quando as perdas ocorrerem poderemos dizer: graças a Deus ainda temos o amor d’Ele. 
            E por último, temos a certeza de que a misericórdia de Deus se renovará todos os dias de 2020. Pode ser que em alguns dias deste ano o sol não brilhe em nossas vidas, que sejam dias sejam nublados, escuros, frios, solitários e tristes. Mas a graça de Deus nascerá nova em cada dia sobre a vida daqueles que seguem a Jesus.  "As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade."(Lamentações 3.22,23).
            Em 2020 nos aguardam aflições, problemas, sofrimentos, desconfortos e perdas, e também nos esperam a paz de Cristo, a vitória de Cristo, o ânimo de Cristo, o plano sábio de Deus, o amor de Deus e a graça de Deus sempre se renovando em nossas vidas. Somente isso garante um feliz 2020!