segunda-feira, 15 de maio de 2017

ENXUGANDO AS LÁGRIMAS COM LEMBRANÇAS ALEGRES


O que fazer quando a vida é triste? Quando nossa rotina é entremeada de choro e tristeza? O que fazer quando o sofrimento predomina em nosso caminhar aqui?
No salmo 126 o peregrino cantou a resposta para essas perguntas.  Este é um salmo de alegria, clamor e esperança em meio à tristeza. Ele nos mostra duas atitudes que devem ser tomadas quando o presente é de aflição: olhar para o passado e olhar para o futuro.
Olhar para o passado com o propósito de recordar o que Deus já fez. O salmista se reporta ao retorno dos exilados de Sião. Ele lembra quando Deus livrou Israel do cativeiro e o trouxe de volta para sua terra, mudando a sorte da nação.
A lembrança não foi apenas mental, mas também uma rememoração da alegria sentida naquela ocasião. “Ficamos com quem sonha. Então encheu-se de riso nossa boca e nossa língua de gritos de júbilo”. Aquela ocasião tinha sido tão maravilhosa que parecia um sonho. Ressentindo as emoções da ocasião da restauração, o salmista diz “Foi como um sonho! Como rimos! Como cantamos de alegria!”.
Algumas vezes as ações de Deus são tão surpreendentes que pensamos estar sonhando, como ocorreu com a Igreja de Atos, na ocasião do livramento de Pedro (Atos 12.9).
Quando embriagados pela tristeza, tornemos à sobriedade recordando e recitando as bênçãos que Deus já derramou sobre nós. Estas lembranças reproduzem a alegria sentida quando aquelas bênçãos foram derramadas. A recordação e a recitação das bênçãos divinas podem renovar nossa alegria.
Quando a nota dominante da nossa canção for a dor e o gemido podemos encontrar forças para continuar cantando se recordarmos que a alegria é fruto da ação graciosa de Deus e não algo a ser exigido pelo ser humano.
O peregrino proclama que a ação salvadora de Deus foi a causa de sua alegria. Quando o SENHOR restaurou.., então a nossa boca se encheu de júbilo. As manifestações de júbilo e os cânticos de alegria dos salmistas sempre ocorrem diante dos atos salvadores de Deus.
Muitas vezes pensamos encontrar a alegria nos divertimentos deste mundo, ou nas conquistas pessoais e terrenas. Mas a verdadeira alegria é resultado da ação salvadora de Deus em nossas vidas. O fato de Deus ter agido através de Jesus Cristo para nos libertar do cativeiro da corrupção e da condenação eterna deve encher nossa boca de um riso alegre e jubiloso. Pois não há bênção maior do que essa.
O Senhor Jesus nos ensinou esta mesma nota de forma bem sonante. Certa feita, seus discípulos retornam rejubilando porque tinham sido bem sucedidos na missão que lhes fora dada,  Jesus reagiu dizendo assim: Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus. (Lucas 10.20). Ter o nome escrito nos livro da vida nos céus deve ser a causa maior de nossa alegria.
A salvação que nos foi graciosamente doada por Deus deve ser lembrada em nossos momentos de tristeza, e essa lembrança deve ser suficiente para nos levar à alegria.
Podemos pintar de cores alegres o quadro de nossa vida, testemunhando as bênçãos recebidas, mesmo quando a paisagem maior for uma seca desoladora, que nos deixa solitários. Isso engrandecerá o nome de Deus entre as pessoas.
A ação salvadora de Deus não apenas produziu alegria no Seu povo como também tornou conhecido Seu nome entre as nações. “Então se dizia entre as nações, o SENHOR fez grandes coisas por estes”.
Quando recordamos e contamos as bênçãos de Deus, renovamos nossa alegria e anunciamos quão grande e bom é nosso Deus.

Em momentos de tristeza, enxugue suas lágrimas com os lenços das recordações alegres, traga à memória as bênçãos de Deus. Além de se alegrar você testemunhará.   

sábado, 13 de maio de 2017

FIRMES E SEGUROS COMO UMA MONTANHA

Várias vezes as Escrituras usam os elementos da natureza para ilustrar verdades espirituais. Um dos exemplos está no Salmo 125. O adorador peregrino, quando subia para cultuar em Jerusalém, notou que a cidade estava assentada numa montanha e rodeada por outras. Isso dificultava que fosse atacada e fornecia aos seus habitantes a sensação de segurança. Seus antigos moradores chegaram a considerá-la inconquistável. O salmista usou este aspecto geográfico para ilustrar a segurança daqueles que confiam em Deus.
Neste salmo, o que confia também é chamado de justo, bom e reto de coração e que não se desvia para caminhos tortuosos (versos 3-5).
Na língua do Antigo Testamento o verbo “confiar” descreve tanto a atitude exercida como o resultado causado por ela. 
Confiar em Deus significa depender e apoiar-se n’Ele. Encontrar n’Ele o centro de apoio, firmeza e solidez de que precisamos. Quem confia, derrama o seu coração diante de Deus por acreditar que n’Ele está o refúgio de que necessita. Por confiar em Deus, a pessoa segue o que Ele diz, mesmo em situações de escuridão e tempestade. A confiança leva o fiel a obedecer a Deus, fazendo o que é correto, afastando-se de tudo que desonra a Deus,  apegando-se a Ele com afeição e lealdade em todas as situações. E quando surgem dificuldades e perigos na vida, aquele que confia expressa em oração o seu pedido de socorro.
Confiar também significa a segurança que advém desta confiança. Quem confia desfruta do sentimento de bem-estar, tranquilidade, descanso sem preocupação e sem medo diante das ameaças.
Esta segurança é demonstrada em firmeza e estabilidade na vida. Enquanto os que confiam em Deus são comparados ao monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre, os que não confiam são comparados à areia que não oferece apoio suficiente a uma casa diante de uma tempestade, às ondas do mar que não conseguem se estabilizar,  também à palha que é facilmente levada pelo vento de um lado para o outro, e ainda a um bêbado que mal consegue se manter equilibrado (Mateus 7.26,27; Tiago 1.8; Salmo 1.4; Isaías 24.19).
A segurança é resultado da proteção de Deus. Tal como os montes estavam rodeando Jerusalém, o Senhor também rodeava o seu povo. Ele pode fazer isso enviando anjos para acampar ao redor dos seus, como fez para proteger seu servo Eliseu (2º Reis 6.16-18; Salmo 91.11).
Para dar segurança ao Seu povo, Deus punirá e afastará o mal deste mundo. Ele não permitirá o domínio permanente do ímpio.  Os que se valem da maldade não têm a proteção do Senhor, por isso não se estabelecerão neste mundo de modo definitivo. Os ímpios         serão desarraigados desta vida. Para proteger as ovelhas é preciso mandar os lobos embora. O mesmo Deus que protege, também condena.  
Deus também guarda o que n’Ele confia para que não caia no pecado. Desse modo, aquele que confia não se afastará do caminho para ter um comportamento contrário ao correto (Mc 13.20;1 Co 10.13). Guardado pelo Senhor, o fiel permanecerá e receberá o bem. 
Podemos confiar em Deus, pois nesta confiança está a nossa segurança.  Nos braços de Deus encontramos descanso e proteção (Dt 33.12), só Ele pode nos dar um sono sossegado e tranquilo (Salmo 4.8).

Quando as preocupações chegarem, vamos lembrar: É Teu, somente Teu, todo trabalho, O meu trabalho é descansar em Ti. Nas dúvidas, depressões, incertezas e problemas devemos  olhar para o que Deus é e para o que Ele já fez e não para os nossos sentimentos. Lembrando que nada nem ninguém poderá nos dominar a fim de nos afastar de Deus. Nem meus sentimentos, nem minha dor e nem meu sofrimento, pois para os filhos de Deus, o pior nunca dura.

sábado, 15 de abril de 2017

E O ÚLTIMO GRITO FOI DE CONFIANÇA


            As palavras ditas por alguém na hora da morte podem expressar o cuidado com outros, o sofrimento do moribundo, ou ainda sua expectativa pós-morte. Nas seis horas que permaneceu vivo na cruz, Jesus falou pouco, mas suas palavras abrangeram esses três assuntos.
Foram sete comunicações. Três delas tratavam das necessidades de outros: um clamor ao Pai pedindo perdão para seus ofensores, uma promessa de salvação ao criminoso arrependido e a provisão de cuidado para sua mãe. Outras três expressavam sua dor e missão: seu sofrimento físico, sua sensação de solidão e abandono, e sua declaração de que a obra já estava completa. Já escrevemos sobre estas seis em postagens anteriores (Pai Perdoa-lhes; Vidas semelhantes, destinos diferentes; Na cruz a valorização da Família; Tenho Sede; Na maior solidão; Está Consumado) 
A sétima tratou de sua esperança pós-morte. Antes dela, ocorreram alguns sinais extraordinários, como sempre acontecia quando Deus realizava um evento marcante de Seu plano redentor (Lc 23.44-46).
Houve três horas de trevas, que iniciaram em pleno meio-dia e terminaram às 3 horas da tarde. O brilho do sol não apareceu. Não nos é explicado o significado deste sinal, embora Jesus, ao ser preso, tenha mencionado que a hora do poder das trevas havia chegado (Lc 22.53). Os profetas do Antigo Testamento também anunciaram que haveria trevas quando o juízo de Deus se manifestasse(Jl 2.10,30,31; 3.15; Am 8.9; Sf 1.15). Na morte de Jesus ocorreu o juízo sobre o pecado do Seu povo. Também houve tremor de terra e despedaçar de rochas (Mt 27.51). Estes sinais demonstram a suprema importância da morte de Cristo no plano redentor de Deus.
O segundo sinal foi o véu do santuário ser rasgado ao meio, de alto a baixo. Este véu era formado pelas cortinas que faziam a separação entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos no templo, em Jerusalém. No Santo dos Santos ficavam o propiciatório e a arca, símbolos do trono e da presença de Deus (Ex 26.31-37; Lv 16; Hebreus 9.3-8). Apenas o sumo-sacerdote entrava ali, uma vez por ano, depois de confessar os seus pecados e os do povo, sobre a cabeça do bode expiatório. Este bode era sacrificado e o seu sangue aparado e levado até o propiciatório onde era aspergido. Neste dia era efetuada a expiação, isto é, a penalidade que perdoava os pecados do povo. 
O significado do rasgar do véu é mostrado em Hebreus 9. 11,12; 10.19-21, onde é afirmado que a morte de Jesus nos abriu um acesso livre ao Pai. Agora, para se aproximar de Deus, não é mais necessária intermediação humana. Outro sangue, muito mais precioso e eficaz, foi derramado e apresentando, e este sacrifício garantiu nosso acesso a Deus, pela fé em Jesus, em qualquer dia e hora.
            Depois de garantir nosso perdão e nosso acesso a Deus e de ter passado por  todo o desgaste e sofrimento da noite sem dormir por causa do julgamento, e de ter suportado os castigos físicos antes e durante a crucificação, Jesus reuniu suas últimas forças e clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.
            A palavra “entregar” foi usada em situações nas quais se oferecia uma refeição a outra pessoa, mostrando que aquele alimento ficava à disposição da vontade do outro (Lc 9.16; 10.8; 11.6; At 16.34). Este clamor expressou que Jesus se colocava voluntariamente à disposição de Seu Pai, para cumprir plenamente a Sua vontade e realizar a nossa salvação. Como é dito em Isaías 53.12, Ele derramou sua alma na morte, levando os nossos pecados para interceder por nós. Jesus já havia dito que ninguém tiraria sua vida, mas que Ele espontaneamente a daria (Jo 10.18). Sua morte cumpria a vontade do Pai. Tudo o que deveria ser feito havia sido feito. Nada mais faltava.  Ele sabia que realizava o sacrifício, recebendo a justa punição que nossos pecados merecem. Por isso, deixou seu espírito ir para o Pai (Mt 27.50; Jo 19.30).
            “Entregar” também expressava a confiança em deixar algo sob os cuidados de outra pessoa (Lc 12.48; At 14.23; 20.32). Jesus repetia as palavras do Salmo 31.5, no qual há uma súplica por salvação. Os judeus costumavam fazer esta oração ao anoitecer. Como o salmista clamou a Deus e confiou n’Ele no momento da perseguição, acreditando que Deus o libertaria, Jesus confiou que o Pai o traria de volta da morte, através da ressurreição. Demonstrou toda a Sua confiança no Pai, deixando sua vida nas mãos d’Ele. Não havia mãos melhores a quem confiar seu espírito. Em seu momento mais angustiante e sofrido, Jesus manifestou confiança inabalável no cuidado providencial do Pai. Na hora da grande tortura, Jesus ainda estava em comunhão com o Pai, confiando nele, como esteve durante toda a sua vida.

            E o Pai honrou esta confiança, pois Jesus ressuscitou.