segunda-feira, 26 de setembro de 2016

DEUS É PROTEÇÃO TANTO NA GRANDE TEMPESTADE COMO NO FORTE CALOR

Tanto quem está sob o escaldante calor de um deserto, como quem está no meio de uma tormentosa tempestade têm um mesmo desejo: desfrutar de  um lugar de proteção.  Para o primeiro uma sombra seria um achado extremamente valioso, pois lhe abrandaria o calor e lhe refrescaria o corpo, permitindo um descanso restaurador. Para o segundo, o tesouro a se encontrar seria uma casa que lhe abrigasse do vento e do aguaceiro da chuva, providenciando calor para aquecer seu corpo.
Algumas vezes as aflições da vida nos atingem como uma sequidão do deserto, noutras como uma tempestade que nos açoita com a força do vento e tenta nos carregar como enchentes de chuvas. Seja qual for a sensação, só há uma solução, a sombra e abrigo que vem do Senhor.
Porque foste a fortaleza do pobre e a fortaleza do necessitado na sua angústia; refúgio contra a tempestade e sombra contra o calor; porque dos tiranos o bufo é como a tempestade contra o muro, como o calor em lugar seco. Tu abaterás o ímpeto dos estranhos; como se abranda o calor pela sombra da espessa nuvem, assim o hino triunfal dos tiranos será aniquilado. (Isaías 25.4,5)
            Estes versículos fazem parte de um cântico entoado pelo profeta Isaías, agradecendo a Deus pelo livramento realizado, no qual foram manifestos Sua soberania, Seu poder e Sua fidelidade. Deus havia destruído as fortalezas dos inimigos causando temor e conversão (Is 25.1,2).
            É um louvor a Deus porque se tornara a fortaleza do pobre e do necessitado em suas angústias. Deus é retratado como uma morada segura para proteger aqueles que se encontram desvalidos e abandonados em suas aflições. É comparado a um refúgio que abriga contra a tempestade e uma sombra que protege do calor.
            No tempo de Isaías o povo de Deus enfrentava a angústia na forma de ameaças e opressões dos grandes impérios. Eles eram cruéis, brutais e violentos. Eram os tiranos da época. Aproximavam-se com uma fúria tão grande, que Isaías compara a respiração deles ao vento de uma tempestade batendo contra um muro. O desastre que causavam era tão intenso que se assemelhava à aridez e sequidão de um deserto.
            Algumas vezes o povo não esperava em Deus e buscava refúgio em outras nações, mas elas falhavam e deixavam envergonhados todos que corriam atrás de abrigo em sua sombra (Isaías 30.2,3).
            Mas Deus estava agindo, Ele abateria o movimento estrondoso e violento destes tiranos da mesma forma que uma espessa nuvem abranda um forte calor. Isaías já havia profetizado um tempo, no qual Deus criará uma situação de sombra contra todo calor e esconderijo contra toda tempestade (Isaías 4.5,6). Isso ocorreria com a vinda do Rei justo (Isaías 32.1-3).
            Hoje também enfrentamos tiranos dos mais variados tipos, que nos perseguem e oprimem. Como ventos de uma tempestade que tentam nos derrubar, ou o aguaceiro de uma chuva que tenta nos impedir de caminhar. São situações angustiosas de crueldade e opressão que deixam nossas almas secas como um deserto. A vida fica abrasada, como um terreno queimado, sem nenhum refrigério. A aridez é tanta que chegamos ao ponto de desmaiar sem esperanças.     
Somos também tentados a buscar refúgio e sombra nos recursos humanos. Mas, descobrimos que esses abrigos desabam junto com os temporais e as sombras se acabam na hora do calor mais intenso.
            Ainda hoje Deus está agindo e Ele pode se tornar nosso refúgio na hora da turbulência e nossa sombra contra o ardor. Ele já enviou o Rei Messias, Jesus Cristo, que abateu a maior tirania que nos afligia: nosso pecado, as forças espirituais que nos tentam e nossos acusadores (Colossenses 2.13-15).
Ele nos uniu ao ao Seu Filho, e nele estamos escondidos, podendo encontrar abrigo e proteção tanto das tempestades que tumultuam nossa nossa vida e podem nos levar ao desespero, como do calor que nos desanima, causando desesperança (Colossenses 3.3).  Escondidos n’Ele, esperamos o dia quando nenhum ardor nos queimará 
Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, (Apocalipse 7.16).







domingo, 18 de setembro de 2016

SERÁ QUE EXISTE UM LUGAR SEGURO?

Este mundo não é um lugar seguro. Na verdade, está longe disso.
Nós é que nos enganamos quando pensamos o contrário e buscamos segurança nele. Algumas vezes confiamos em nossos recursos ou na ajuda de outros, mas, mais cedo ou mais tarde, quando a tragédia nos encontra, descobrimos nosso engano e percebemos que estamos profundamente vulneráveis.
Então sentimos o desejo de encontrar um lugar de segurança, um local onde haja consolo, um colo onde chorar, um esconderijo que nos abrigue. Nossos sentimentos tornam-se parecidos com o de alguém que, desamparado e atacado na rua, volta para casa buscando proteção ou de alguém que busca um abraço que traga conforto.
Mas será que existe esse lugar?
A resposta da Bíblia é sim. Há um lugar de refúgio seguro quando enfrentamos as perturbações dessa vida. Esse lugar é uma pessoa, esse lugar é o Senhor Deus.
Podemos traduzir de uma forma ampliada, o clamor do salmo 71.3, assim:
“SENHOR, 
torna-te para mim uma rocha protetora e habitável, s
empre acessível, 
para onde eu possa ir continuamente”.
            Quando lemos o salmo inteiro percebemos que foi escrito por alguém já idoso, que diante de uma situação de desafio e pressão volta-se para Deus, clamando, lembrando e agradecendo, pois não quer desanimar e perder a corrida, agora que já avista o marco da chegada. Ainda deseja testemunhar da salvação graciosa de Deus, por isso o salmo está cheio de gratidão e esperança, mesmo numa situação de aflição.
            O autor, além de lidar com as provações próprias da velhice, também está passando por problemas excepcionais. Enfrenta a hostilidade na forma de desamparo, calúnia e perseguição. Inimigos, aproveitando-se de sua situação fraca e vulnerável, querem levá-lo ao fracasso e vergonha.
Mas ele sabe que há um lugar de socorro, por isso pede que Deus se torne um rochedo, isto é, lugar alto e seguro, onde o perigo não o alcance, onde possa habitar e que tenha acesso a todo instante. Ele quer uma rocha, mas uma rocha hospitaleira, que o possa abrigar sempre que for necessário. Clama que Deus se torne uma casa com muros altos e fortes, mas com as portas sempre abertas para ele.
É comum as palavras não fluírem quando estamos em situações angustiosas. Muitas vezes só conseguimos produzir choros e gemidos. Talvez, por isso, no início, o autor recorre e repete as palavras do salmo 31,  escrito por Davi, que também pedia que Deus se tornasse um lugar seguro para ele, uma proteção diante das armadilhas que seus adversários tinham preparado (31.1-4). Davi clamou numa situação de desespero, tristeza e desânimo. A angústia o consumia e esgotava suas forças, a ponto de perder o apetite. Era perseguido pelos inimigos, evitado e esquecido pelos amigos (31.9-13). Era vítima de intrigas e acusações, por isso sentia-se alarmado (31.22). Então clamou a Deus, pedindo que Ele se tornasse sua casa acolhedora (31.2).
Ambos usam a imagem de uma rocha para descrever o que esperam de Deus. A rocha era um lugar seguro, alto e inacessível ao perigo. Num conjunto de rochedos se encontraria grutas e fendas que serviam de abrigo diante dos ataques das armas usadas naquela época. Em várias ocasiões pessoas em perigo buscaram refúgios em montanhas rochosas e penhascos. Os soldados de Saul esconderam-se neles diante da ameaça dos filisteus (1 Sm 13.6). O próprio Davi protegeu-se de Saul numa rocha (1 Sm 23.25).  Algumas eram tão amplas que chegaram a proteger 600 homens (Jz 20.47).  Elas ainda providenciavam sombra contra o calor do deserto e um chão firme em contraste com a terra que poderia fazer os pés escorregarem (Is 32.2; Sl 40.2). Por isso, o termo era usado para expressar a ideia de proteção contra as instabilidades e ameaças da vida.
Utilizam também termos que expressam a ideia de uma fortaleza, um local construído para proteção diante do ataque dos exércitos inimigos.
A terceira imagem é de uma casa, onde normalmente, encontra-se abrigo contra o frio, o calor, o escuro e as ameaças de fora. No salmo 91.9 encontramos as duas ideias em paralelo, refúgio e morada, aplicadas à Deus, que serve de abrigo e proteção aos desamparados e desprotegidos. "Pois disseste:
O SENHOR é o meu refúgio.
Fizeste do Altíssimo a tua morada."
Sabemos por experiência que a vida neste mundo é insegura, que enfrentamos momentos de tempestade e turbulência em nossa passagem por aqui. Que algumas vezes a tragédia poderá se abater sobre nós. Mas também sabemos com certeza, que nessas ocasiões, poderemos clamar a Deus e contar com Ele para ser nossa casa acolhedora e protetora, com as portas sempre abertas, para nos receber e abrigar.
Pois, o SENHOR é a morada segura, para onde podemos correr quando nos deparamos com os perigos dessa vida.










domingo, 4 de setembro de 2016

NA RODA DA DIVINA MISERICÓRDIA


            Em séculos passados, diante de uma gravidez indesejada, as mulheres abandonavam seus filhos recém-nascidos nos rios ou florestas. Não é necessário dizer que a maioria morria. Para evitar esse crime cruel, foi instituído a Roda da Misericórdia, também conhecido como Roda dos Rejeitados. Era um cilindro, de madeira ou metal, colocado nos Conventos e Casas de Misericórdia a fim de receber as crianças enjeitadas. O bebê era colocado na parte de fora do equipamento, depois girado para dentro do convento,  onde era acolhido e criado. Em alguns cilindros, havia uma sineta para avisar que uma criança estava ali.
            Outro nome dado a este equipamento era Roda dos Expostos, porque ali eram recebidos os expostos à rejeição e ao abandono. Hoje há orfanatos e lares de acolhimento que recebem crianças que não têm quem cuide delas, aliviando um pouco o sofrimento e a dor causados pela rejeição e pelo abandono.
            Todos nós, apesar de não abandonados no nascimento, podemos nos sentir expostos à situações de esquecimento e abandono. O desprezo das pessoas amadas, a indiferença daqueles em quem depositamos nossas esperanças, o abandono por parte daqueles que têm o dever de nos auxiliar, ou ainda a perseguição e oposição de inimigos poderosos são algumas das circunstâncias que podem causar as dolorosas sensações da rejeição.
            Mas nós podemos contar com uma imensa roda de misericórdia para nos acolher e nos colocar numa casa de misericórdia infinita, que é a pessoa de Deus.
            O profeta Jeremias, após anunciar o juízo e a salvação de Deus para um povo que teimava em se afastar e desobedecer, canta o seguinte louvor: 
Ó SENHOR, força minha, e fortaleza minha, e refúgio meu no dia da angústia, Jeremias 16.19
            Jeremias enfatiza o poder e proteção que Deus é, especialmente nos momentos de dificuldades, usando três termos que poderiam ser aplicados a um lugar que servia de refúgio e acolhimento diante do perigo.  Ele diz que Deus é a Sua força, palavra que indicava o poder que habilitava alguém para enfrentar situações complicadas, e que também qualificava um lugar que servia de proteção na iminência de um ataque (Juízes 5.21; 9.51).
            Depois fala de Deus como sendo sua fortaleza, isto é, um local de segurança e defesa quando a guerra chegava.  E por último, ele canta que Deus é o Seu refúgio, lugar para onde alguém poderia correr e ser abrigado quando se deparava com as ameaças da vida.
            Note que ele personaliza essa proteção: Deus é minha força, minha fortaleza, meu refúgio. Não apenas um local impessoal de proteção, mas o seu local de abrigo. Deus é Aquele para o qual podemos correr em nossas angústias. Quando estiver em situações de extremo desconforto e tristeza, lembre-se disso: Ele te acolhe e te protege.
            O profeta Naum também proclamou que Deus é um lugar de acolhimento seguro.
O SENHOR é bom, é fortaleza no dia da angústia e conhece os que nele se refugiam.
Naum 1.7
            No meio de uma profecia que anuncia o juízo sobre a cidade de Nínive, ele anuncia um alento, lembrando a bondade de Deus, que acolhe e protege aqueles que O buscam para encontrar segurança. 
            Algumas pessoas podem buscar abrigo em lugares e pessoas que não são suficientemente capazes para proteger e talvez nem tenham a boa vontade para prestar alguma ajuda diante da dificuldade. Mas, há um Deus, que é poderoso e bom, e acolhe aqueles que correm para Ele na hora do desespero.
            Não há motivo para desespero ou desesperança, pois, mesmo quando abandonados e rejeitados pelas pessoas daqui, podemos entrar na roda dos rejeitados e sermos girados para dentro da Casa de Misericórdia que é o nosso Deus e para sempre estaremos protegidos e amados. Tudo isso através do nosso Senhor Jesus Cristo, nossa Roda de Misericórdia.
Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão... 

Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.
 (Hebreus 4.14-16).