quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

COMO UM SOPRO



A queda do avião que levava o time do Chapecoense chocou nosso país na manhã da terça-feira, dia 29 de novembro. Apesar de acidentes ocorrem todos os dias, este causou uma comoção maior porque ocorreu com pessoas que se tornaram nossas conhecidas através dos meios de comunicação e que lidavam com o futebol,  que é considerado paixão nacional.  
O time tinha a possibilidade de conquistar seu primeiro título internacional. Três dias antes havia jogado contra o clube que conquistou o campeonato brasileiro deste ano e seu técnico manifestou a esperança de que o Chapecoense tivesse a mesma vibração daquele time. Os jogadores partiram animados e alegres, cheios de planos e esperanças. Mas os planos, sonhos e vidas chocaram-se contra uma montanha e se despedaçaram no meio de uma mata colombiana. 
Diante do que li, a tragédia poderia ter sido evitada SE a companhia área tivesse decidido  por outro plano de vôo, SE a fila das aeronaves para aterrissar fosse menor, SE não houvesse outro avião em situação de emergência e que obteve prioridade na aterrissagem, SE fosse outra companhia, SE as condições climáticas fossem outras e assim por diante. Estes “SEs” só demonstram  quanto nossa vida é vulnerável e está sujeita à tantas variáveis, muitas  delas desconhecidas de nós. 
Todos nós corremos riscos diariamente. Dependemos do planejamento, ambição, pressa, incompetência, cuidados e descuidos nossos e de muitas pessoas, e ainda da falha de equipamentos, condições climáticas  e outros fatores. Nossa vida é frágil e breve.  Esta verdade é afirmada na Bíblia com várias figuras de linguagem.  
Uma das metáforas é a da fumaça como aparece em Tiago 4.13-15, que a versão Atualizada traduz como neblina.  Naquele texto o autor nos adverte para não vivermos como se fossemos donos da nossa própria vida, fazendo planos cheios de auto confiança, como se tudo dependesse apenas de nós. É como se ele dissesse: prestem atenção vocês que dizem hoje e amanhã iremos para tal cidade, ficaremos lá um ano, negociaremos e lucraremos.  Falar assim demonstra que nos achamos no controle de nossa vida, do tempo (hoje, amanhã, um ano), do espaço (tal cidade), das atividades (negociaremos) e dos resultados (lucraremos).   A verdade é que não sabemos o que nos vai acontecer amanhã. A nossa vida é como fumaça, que aparece por pouco tempo e logo desaparece
Esta verdade já havia sido afirmada por outros, no Antigo Testamento, usando também a metáfora da sombra, que ilustra algo frágil e breve, bastando a direção da luz mudar para ela desaparecer. Outra figura é a da flor, que apesar de bela, tem duração brevíssima.  
Debaixo de sua intensa tribulação Jó afirmou “O homem, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação, nasce como a flor e murcha, foge como a sombra e não permanece” (Jó 14.1,2).  Davi, no Salmo 39.5 e 6, diz que nossa vida tem o comprimento de palmos e que todo homem, por mais firme que esteja, é como sopro ou vapor, passamos como uma sombra, toda nossa inquietação é inútil, pois o que entesouramos aqui ficará. E no Salmo 144.4 repetiu que “todo homem é como um sopro, os seus dias são como a sombra que passa”. Moisés, meditando sobre a vida no Salmo 90.9 e10 disse que nossos anos são como um pensamento, algo que passa pela nossa mente e vai embora. Que mesmo vivendo setenta ou oitenta anos, tudo passa tão rapidamente que a sensação é a de que voamos. 
Podemos trazer à nossa mente a imagem de um menino que sopra a vela de um bolo de aniversário. A luz da vela seria a nossa vida. Em um  momento está acesa, tremulando, brilhando nos olhos do menino. Após cantados os parabéns, ela com um sopro se apaga e logo é esquecida, e a festa continua sem nós.
Se a vida é assim, apenas um sopro, o que fazer? 
Tiago nos adverte para reconhecermos Deus em nossas vidas, lembrar de que dependemos da vontade dele “Se o Senhor quiser, não só viveremos como faremos isso ou aquilo”. Sim, nossa vida depende da vontade de Deus. Daniel disse a mesma coisa para o rei Belsazar, “mas a Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, a ele não glorificaste” (Daniel 5.23). Todas as nossas ações dependem da permissão de Deus. 
No Salmo 90 somos ensinados a fazer o nosso refúgio no Deus Eterno, suplicando que Ele nos ensine a viver com sabedoria e reconhecimento  dos nossos limites. Devemos clamar que Ele confirme as nossas obras e que sua graça seja a nossa satisfação a cada dia. Só assim, nossos breves dias serão revestidos de significado, independente de qual seja o nosso fim (Salmo 90.12-17). 
Como nossa vida é tão breve, apeguemo-nos com Aquele que é Eterno, pois somente nele nossa vida fica eterna e com substância.  
Efêmera é a vela,
a brisa, a vida e a luz
de quem brilha sem Jesus” (Silvestre Kuhlmann, Efêmera)   


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

DEUS É PROTEÇÃO TANTO NA GRANDE TEMPESTADE COMO NO FORTE CALOR

Tanto quem está sob o escaldante calor de um deserto, como quem está no meio de uma tormentosa tempestade têm um mesmo desejo: desfrutar de  um lugar de proteção.  Para o primeiro uma sombra seria um achado extremamente valioso, pois lhe abrandaria o calor e lhe refrescaria o corpo, permitindo um descanso restaurador. Para o segundo, o tesouro a se encontrar seria uma casa que lhe abrigasse do vento e do aguaceiro da chuva, providenciando calor para aquecer seu corpo.
Algumas vezes as aflições da vida nos atingem como uma sequidão do deserto, noutras como uma tempestade que nos açoita com a força do vento e tenta nos carregar como enchentes de chuvas. Seja qual for a sensação, só há uma solução, a sombra e abrigo que vem do Senhor.
Porque foste a fortaleza do pobre e a fortaleza do necessitado na sua angústia; refúgio contra a tempestade e sombra contra o calor; porque dos tiranos o bufo é como a tempestade contra o muro, como o calor em lugar seco. Tu abaterás o ímpeto dos estranhos; como se abranda o calor pela sombra da espessa nuvem, assim o hino triunfal dos tiranos será aniquilado. (Isaías 25.4,5)
            Estes versículos fazem parte de um cântico entoado pelo profeta Isaías, agradecendo a Deus pelo livramento realizado, no qual foram manifestos Sua soberania, Seu poder e Sua fidelidade. Deus havia destruído as fortalezas dos inimigos causando temor e conversão (Is 25.1,2).
            É um louvor a Deus porque se tornara a fortaleza do pobre e do necessitado em suas angústias. Deus é retratado como uma morada segura para proteger aqueles que se encontram desvalidos e abandonados em suas aflições. É comparado a um refúgio que abriga contra a tempestade e uma sombra que protege do calor.
            No tempo de Isaías o povo de Deus enfrentava a angústia na forma de ameaças e opressões dos grandes impérios. Eles eram cruéis, brutais e violentos. Eram os tiranos da época. Aproximavam-se com uma fúria tão grande, que Isaías compara a respiração deles ao vento de uma tempestade batendo contra um muro. O desastre que causavam era tão intenso que se assemelhava à aridez e sequidão de um deserto.
            Algumas vezes o povo não esperava em Deus e buscava refúgio em outras nações, mas elas falhavam e deixavam envergonhados todos que corriam atrás de abrigo em sua sombra (Isaías 30.2,3).
            Mas Deus estava agindo, Ele abateria o movimento estrondoso e violento destes tiranos da mesma forma que uma espessa nuvem abranda um forte calor. Isaías já havia profetizado um tempo, no qual Deus criará uma situação de sombra contra todo calor e esconderijo contra toda tempestade (Isaías 4.5,6). Isso ocorreria com a vinda do Rei justo (Isaías 32.1-3).
            Hoje também enfrentamos tiranos dos mais variados tipos, que nos perseguem e oprimem. Como ventos de uma tempestade que tentam nos derrubar, ou o aguaceiro de uma chuva que tenta nos impedir de caminhar. São situações angustiosas de crueldade e opressão que deixam nossas almas secas como um deserto. A vida fica abrasada, como um terreno queimado, sem nenhum refrigério. A aridez é tanta que chegamos ao ponto de desmaiar sem esperanças.     
Somos também tentados a buscar refúgio e sombra nos recursos humanos. Mas, descobrimos que esses abrigos desabam junto com os temporais e as sombras se acabam na hora do calor mais intenso.
            Ainda hoje Deus está agindo e Ele pode se tornar nosso refúgio na hora da turbulência e nossa sombra contra o ardor. Ele já enviou o Rei Messias, Jesus Cristo, que abateu a maior tirania que nos afligia: nosso pecado, as forças espirituais que nos tentam e nossos acusadores (Colossenses 2.13-15).
Ele nos uniu ao ao Seu Filho, e nele estamos escondidos, podendo encontrar abrigo e proteção tanto das tempestades que tumultuam nossa nossa vida e podem nos levar ao desespero, como do calor que nos desanima, causando desesperança (Colossenses 3.3).  Escondidos n’Ele, esperamos o dia quando nenhum ardor nos queimará 
Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, (Apocalipse 7.16).







domingo, 18 de setembro de 2016

SERÁ QUE EXISTE UM LUGAR SEGURO?

Este mundo não é um lugar seguro. Na verdade, está longe disso.
Nós é que nos enganamos quando pensamos o contrário e buscamos segurança nele. Algumas vezes confiamos em nossos recursos ou na ajuda de outros, mas, mais cedo ou mais tarde, quando a tragédia nos encontra, descobrimos nosso engano e percebemos que estamos profundamente vulneráveis.
Então sentimos o desejo de encontrar um lugar de segurança, um local onde haja consolo, um colo onde chorar, um esconderijo que nos abrigue. Nossos sentimentos tornam-se parecidos com o de alguém que, desamparado e atacado na rua, volta para casa buscando proteção ou de alguém que busca um abraço que traga conforto.
Mas será que existe esse lugar?
A resposta da Bíblia é sim. Há um lugar de refúgio seguro quando enfrentamos as perturbações dessa vida. Esse lugar é uma pessoa, esse lugar é o Senhor Deus.
Podemos traduzir de uma forma ampliada, o clamor do salmo 71.3, assim:
“SENHOR, 
torna-te para mim uma rocha protetora e habitável, s
empre acessível, 
para onde eu possa ir continuamente”.
            Quando lemos o salmo inteiro percebemos que foi escrito por alguém já idoso, que diante de uma situação de desafio e pressão volta-se para Deus, clamando, lembrando e agradecendo, pois não quer desanimar e perder a corrida, agora que já avista o marco da chegada. Ainda deseja testemunhar da salvação graciosa de Deus, por isso o salmo está cheio de gratidão e esperança, mesmo numa situação de aflição.
            O autor, além de lidar com as provações próprias da velhice, também está passando por problemas excepcionais. Enfrenta a hostilidade na forma de desamparo, calúnia e perseguição. Inimigos, aproveitando-se de sua situação fraca e vulnerável, querem levá-lo ao fracasso e vergonha.
Mas ele sabe que há um lugar de socorro, por isso pede que Deus se torne um rochedo, isto é, lugar alto e seguro, onde o perigo não o alcance, onde possa habitar e que tenha acesso a todo instante. Ele quer uma rocha, mas uma rocha hospitaleira, que o possa abrigar sempre que for necessário. Clama que Deus se torne uma casa com muros altos e fortes, mas com as portas sempre abertas para ele.
É comum as palavras não fluírem quando estamos em situações angustiosas. Muitas vezes só conseguimos produzir choros e gemidos. Talvez, por isso, no início, o autor recorre e repete as palavras do salmo 31,  escrito por Davi, que também pedia que Deus se tornasse um lugar seguro para ele, uma proteção diante das armadilhas que seus adversários tinham preparado (31.1-4). Davi clamou numa situação de desespero, tristeza e desânimo. A angústia o consumia e esgotava suas forças, a ponto de perder o apetite. Era perseguido pelos inimigos, evitado e esquecido pelos amigos (31.9-13). Era vítima de intrigas e acusações, por isso sentia-se alarmado (31.22). Então clamou a Deus, pedindo que Ele se tornasse sua casa acolhedora (31.2).
Ambos usam a imagem de uma rocha para descrever o que esperam de Deus. A rocha era um lugar seguro, alto e inacessível ao perigo. Num conjunto de rochedos se encontraria grutas e fendas que serviam de abrigo diante dos ataques das armas usadas naquela época. Em várias ocasiões pessoas em perigo buscaram refúgios em montanhas rochosas e penhascos. Os soldados de Saul esconderam-se neles diante da ameaça dos filisteus (1 Sm 13.6). O próprio Davi protegeu-se de Saul numa rocha (1 Sm 23.25).  Algumas eram tão amplas que chegaram a proteger 600 homens (Jz 20.47).  Elas ainda providenciavam sombra contra o calor do deserto e um chão firme em contraste com a terra que poderia fazer os pés escorregarem (Is 32.2; Sl 40.2). Por isso, o termo era usado para expressar a ideia de proteção contra as instabilidades e ameaças da vida.
Utilizam também termos que expressam a ideia de uma fortaleza, um local construído para proteção diante do ataque dos exércitos inimigos.
A terceira imagem é de uma casa, onde normalmente, encontra-se abrigo contra o frio, o calor, o escuro e as ameaças de fora. No salmo 91.9 encontramos as duas ideias em paralelo, refúgio e morada, aplicadas à Deus, que serve de abrigo e proteção aos desamparados e desprotegidos. "Pois disseste:
O SENHOR é o meu refúgio.
Fizeste do Altíssimo a tua morada."
Sabemos por experiência que a vida neste mundo é insegura, que enfrentamos momentos de tempestade e turbulência em nossa passagem por aqui. Que algumas vezes a tragédia poderá se abater sobre nós. Mas também sabemos com certeza, que nessas ocasiões, poderemos clamar a Deus e contar com Ele para ser nossa casa acolhedora e protetora, com as portas sempre abertas, para nos receber e abrigar.
Pois, o SENHOR é a morada segura, para onde podemos correr quando nos deparamos com os perigos dessa vida.