sábado, 30 de dezembro de 2017

A FELICIDADE COMPLETA NÃO VIRÁ COM O ANO NOVO, MAS COM O MUNDO NOVO

No final de ano habitualmente usamos a frase “feliz ano novo” para cumprimentar as pessoas da nossa convivência. Com estes votos desejamos que o ano prestes a se iniciar seja novo não apenas quanto ao tempo, mas que, com sua novidade traga também a felicidade que o ano que se finda não proporcionou. No entanto, nossa experiência e os relatos históricos demonstram que nenhum ano tem o poder de produzir felicidade. Antes, cada um deles traz sua cota de alegrias e tristezas, nascimentos e mortes, realizações e frustrações, sonhos e pesadelos. Por mais intenso que sejam nossos votos, o ano de 2018 não fugirá à regra, mas virá com o mesmo ciclo de fracassos e sucessos, acontecimentos bons e ruis, lágrimas e sorrisos.
            No entanto, não perca a esperança, Deus promete um tempo quando não haverá tristezas, somente felicidade. Isso ocorrerá quando Ele criar algo novo, não um novo ano, mas os novos céus e a nova terra. Essa promessa de renovação do universo aparece em vários lugares da Bíblia.
Ela é mencionada várias vezes em Isaías 40-66, com o objetivo de animar a confiança do povo que estaria no cativeiro. Deus lembrou que, da mesma forma que havia estendido os céus e fundado a terra, também protegeria o Seu povo estendendo novos céus e fundando nova terra (Is 51.13,16). Ele garantiu o retorno do exílio, como um novo ato de salvação que prefiguraria a renovação final de todas as coisas. Novos céus e nova terra seriam o clímax de todo aquele projeto libertador (Is 65.17; 66.22).  
O Senhor Jesus Cristo anunciou a regeneração de todas as coisas. O termo “regeneração” significa  “novo gênesis” ou “nova geração”, isto é, uma nova criação (Mt 19.28). Na primeira criação Deus criou os céus e a terra e na regeneração Ele criará novos céus e nova terra. Esta regeneração é o estabelecimento total do Seu reino, o completo domínio do universo, quando sua soberania será plenamente aceita e os revoltados totalmente banidos (Lc 22.29,30). É a completitude da vida eterna no mundo por vir (Mc 10.30). O usufruir desta vida começa agora, para todos que experimentam o novo nascimento, sendo regenerados pelo Espírito Santo, que fecunda e gera esta nova vida com a semente da palavra de Deus (Jo 3.3; Tt 3.5; 1 Pd 1.23). Para morar no novo céu e na nova terra, desfrutando a regeneração de todas as coisas, é preciso experimentar já nesta vida uma regeneração. O desfrute atual desta herança eterna é feito em esperança (1 Pd 1.3).
Outra forma da Bíblia anunciar um novo mundo foi avisando a destruição deste (Mc 13.24,25). Esta primeira criação foi amaldiçoada por causa do pecado humano. Tornou-se vazia, fútil, passageira, sofrida e frustrada. Quando ficamos apenas com a criação, tudo fica sem sentido, como diz Eclesiastes, “debaixo do sol tudo é vaidade” (Gn 3.17; Rm 8.20-22; Ec. 1.2,3).  Por isso, Deus há de destruí-la.
Destruição que já ocorre e continuará em fases, culminando com o juízo final e a criação de novos céus e nova terra. O apóstolo Pedro proclamou a esperança de um tempo de refrigério, com a chegada da conclusão definitiva da nossa salvação, no qual haveria alívio das aflições presentes. Este descanso seria o resultado da restauração de todas as coisas que Deus já havia anunciado através dos profetas. Assim, a criação seria restabelecida ao seu estado e propósitos originais (At 3.20,21). Em sua segunda carta ele avisou que os atuais céus e terra serão incendiados, e que novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça, tomarão o seu lugar (2 Pd 3.10-13). Todas as coisas abaláveis serão removidas, para que surja um reino inabalável (Hb 12.27,28).
A Bíblia começa narrando a criação dos céus e da terra e termina anunciando a visão dos novos céus e da nova terra (Gn 1.1; Ap 21.1). Neste novo mundo, Deus habitará com os homens. Sua presença não permitirá a existência de nenhuma tristeza, a morte será banida para sempre, o pecado e seus praticantes impenitentes ficarão de fora, a doença não existirá, nunca mais haverá qualquer maldição e a escuridão será expulsa pela luz da gloriosa presença de Deus, sendo assim, não haverá nenhum motivo para choro (Ap 21.1-22.5).

Que em cada dia de 2018 você possa lembrar desta promessa e depositar sua esperança nesta certeza, pois só assim, o ano que se inicia será mais feliz do que o que se finda.

O evangelho é inseparável da graça

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

CINCO SÉCULOS DA REFORMA

No dia 31 de outubro deste ano foram celebrados os 500 anos da Reforma. Foi nessa data, em 1517, que foram afixadas na porta da Igreja de Wittenberg, na Alemanha, as 95 teses elaboradas pelo, então monge, Martinho Lutero. Aquele ato desencadeou uma volta aos ensinos de Jesus e dos apóstolos, abandonados pela Igreja. Não demorou muito para que o movimento passasse a ser chamado de Reforma Protestante. Martinho Lutero (1483-1546) é o nome mais conhecido deste movimento, mas outros, como João Calvino (1509-1564) e Ulrico Zuínglio (1484-1531) também contribuíram grandemente para o sucesso da Reforma. 
No ano 312 depois de Cristo, o cristianismo foi adotado como religião oficial pelo Imperador Constantino. A partir de então, a Igreja Cristã foi, paulatinamente, adaptando-se aos valores e práticas mundanas e pagãs. O fervor esfriou, o culto formalizou-se, o ensino bíblico foi esquecido e muita tradição pagã passou a ser crida e obedecida.
Tentativas anteriores de reformas foram empreendidas mas a liderança religiosa sufocou algumas e cooptou outras.  Uma delas foi o sistema monástico, que, entre outras razões, surgiu por causa da insatisfação com a frieza, o mundanismo e o formalismo da Igreja dominante. Várias ordens monásticas, como os monges de Cluny, os cistercienses, os dominicanos, Francisco de Assis e os franciscanos, todas surgidas entre os anos 1000-1250, tentaram reavivar a Igreja. 
Outras tentativas foram surgiram entre os anos 1000-1400, com os movimentos intelectuais,  como o Escolasticismo, a Renascença e o Humanismo; Nesse esforço, destacaram-se, entre os anos 1100-1250, movimentos religiosos como os Valdenses, os Cátaros ou Albigenses e o misticismo cristão, além de um movimento interno da própria Igreja, chamado de Conciliar, o qual tentava submeter a autoridade papal à autoridade dos concílios. Todos falharam.
Homens como John Wycliffe (1328-1384) e João Huss (1373-1415) pregaram contra os abusos da liderança religiosa e esforçaram-se para que a Bíblia fosse traduzida e ensinada na linguagem do povo comum. Wycliffe, na Inglaterra, foi silenciado. Huss, na Boemia (atual República Checa), foi queimado, depois de covardemente traído pelo Papa. Antes de ser executado, Huss afirmou: "Vocês hoje estão queimando um ganso (Hus significa "ganso" na língua boêmia), mas dentro de um século, encontrar-se-ão com um cisne. E este cisne vocês não poderão queimar." Cento e dois anos depois, Martinho Lutero elaborou as 95 teses.  
        O protesto de Martinho Lutero era principalmente contra as indulgências, prática romana que oferecia o perdão de pecados em troca de ações religiosas ou de ofertas em dinheiro em prol da igreja. A base para isto era a crença de que a salvação é por obras. E que alguns santos excederam em boas obras, de modo que fizeram o suficiente para si e ainda sobrava um saldo que poderia ser utilizado em prol de outros. Este saldo seria administrado pelo Papa, o qual poderia conceder as indulgências.
                  Lutero, depois de estudar o livro de Romanos, entendeu que esta prática anulava o sacrifício redentor de Jesus Cristo e, consequentemente, o evangelho. A 62ª tese dizia "O verdadeiro tesouro da Igreja é o sacrossanto Evangelho da glória e da graça de Deus".
         Os principais ensinos da Reforma foram posteriormente sistematizados na forma dos “Cinco Solas” que são as frases latinas: Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria, escritos assim porque o Latim era a língua religiosa oficial da época. O significado é: somente as Escrituras, somente Cristo, somente a graça, somente a fé, e glória somente a Deus. Estes ensinos resumem os fundamentos das crenças evangélicas: a suprema autoridade do cristão é a Bíblia, a salvação depende exclusivamente da obra realizada por Cristo, a motivação divina para realizar a salvação foi apenas a graça, o único meio de se apropriar da salvação é a fé, e somente Deus merece toda a glória. Nas próximas publicações trataremos um pouco mais detalhadamente de cada um deles. 
A Reforma foi um protesto. Por isso foi chamada de Reforma Protestante. Um protesto contra o falso evangelho, que não é evangelho, mas ensino humano, pois apregoa que o próprio homem pode realizar a sua salvação e fazer obras que paguem por seus pecados.
Convém reconhecer que a Reforma não corrigiu todos os erros da Igreja Cristã e que nem Lutero e nem os outros reformadores foram homens perfeitos. Estavam longe disso. Na implementação da Reforma, eles cometeram erros que condenamos. Mas, o seu protesto trouxe de volta a pregação de que, todos são pecadores e por isso estão condenados, que o amor divino realizou a salvação através da morte de Cristo, e agora, todo aquele que pela fé aceita este evangelho é salvo. (Romanos 10.9).

Louvemos a Deus pelos ensinos bíblicos recuperados pela Reforma!No dia 31 de outubro deste ano foram celebrados os 500 anos da Reforma. Foi nessa data, em 1517, que foram afixadas na porta da Igreja de Wittenberg, na Alemanha, as 95 teses elaboradas pelo, então monge, Martinho Lutero. Aquele ato desencadeou uma volta aos ensinos de Jesus e dos apóstolos, abandonados pela Igreja. Não demorou muito para que o movimento passasse a ser chamado de Reforma Protestante. Martinho Lutero (1483-1546) é o nome mais conhecido deste movimento, mas outros, como João Calvino (1509-1564) e Ulrico Zuínglio (1484-1531) também contribuíram grandemente para o sucesso da Reforma. 
No ano 312 depois de Cristo, o cristianismo foi adotado como religião oficial pelo Imperador Constantino. A partir de então, a Igreja Cristã foi, paulatinamente, adaptando-se aos valores e práticas mundanas e pagãs. O fervor esfriou, o culto formalizou-se, o ensino bíblico foi esquecido e muita tradição pagã passou a ser crida e obedecida.
Tentativas anteriores de reformas foram empreendidas mas a liderança religiosa sufocou algumas e cooptou outras.  Uma delas foi o sistema monástico, que, entre outras razões, surgiu por causa da insatisfação com a frieza, o mundanismo e o formalismo da Igreja dominante. Várias ordens monásticas, como os monges de Cluny, os cistercienses, os dominicanos, Francisco de Assis e os franciscanos, todas surgidas entre os anos 1000-1250, tentaram reavivar a Igreja. 
Outras tentativas foram surgiram entre os anos 1000-1400, com os movimentos intelectuais,  como o Escolasticismo, a Renascença e o Humanismo; Nesse esforço, destacaram-se, entre os anos 1100-1250, movimentos religiosos como os Valdenses, os Cátaros ou Albigenses e o misticismo cristão, além de um movimento interno da própria Igreja, chamado de Conciliar, o qual tentava submeter a autoridade papal à autoridade dos concílios. Todos falharam.
Homens como John Wycliffe (1328-1384) e João Huss (1373-1415) pregaram contra os abusos da liderança religiosa e esforçaram-se para que a Bíblia fosse traduzida e ensinada na linguagem do povo comum. Wycliffe, na Inglaterra, foi silenciado. Huss, na Boemia (atual República Checa), foi queimado, depois de covardemente traído pelo Papa. Antes de ser executado, Huss afirmou: "Vocês hoje estão queimando um ganso (Hus significa "ganso" na língua boêmia), mas dentro de um século, encontrar-se-ão com um cisne. E este cisne vocês não poderão queimar." Cento e dois anos depois, Martinho Lutero elaborou as 95 teses.  
        O protesto de Martinho Lutero era principalmente contra as indulgências, prática romana que oferecia o perdão de pecados em troca de ações religiosas ou de ofertas em dinheiro em prol da igreja. A base para isto era a crença de que a salvação é por obras. E que alguns santos excederam em boas obras, de modo que fizeram o suficiente para si e ainda sobrava um saldo que poderia ser utilizado em prol de outros. Este saldo seria administrado pelo Papa, o qual poderia conceder as indulgências.
                  Lutero, depois de estudar o livro de Romanos, entendeu que esta prática anulava o sacrifício redentor de Jesus Cristo e, consequentemente, o evangelho. A 62ª tese dizia "O verdadeiro tesouro da Igreja é o sacrossanto Evangelho da glória e da graça de Deus".
         Os principais ensinos da Reforma foram posteriormente sistematizados na forma dos “Cinco Solas” que são as frases latinas: Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria, escritos assim porque o Latim era a língua religiosa oficial da época. O significado é: somente as Escrituras, somente Cristo, somente a graça, somente a fé, e glória somente a Deus. Estes ensinos resumem os fundamentos das crenças evangélicas: a suprema autoridade do cristão é a Bíblia, a salvação depende exclusivamente da obra realizada por Cristo, a motivação divina para realizar a salvação foi apenas a graça, o único meio de se apropriar da salvação é a fé, e somente Deus merece toda a glória. Nas próximas publicações trataremos um pouco mais detalhadamente de cada um deles. 
A Reforma foi um protesto. Por isso foi chamada de Reforma Protestante. Um protesto contra o falso evangelho, que não é evangelho, mas ensino humano, pois apregoa que o próprio homem pode realizar a sua salvação e fazer obras que paguem por seus pecados.
Convém reconhecer que a Reforma não corrigiu todos os erros da Igreja Cristã e que nem Lutero e nem os outros reformadores foram homens perfeitos. Estavam longe disso. Na implementação da Reforma, eles cometeram erros que condenamos. Mas, o seu protesto trouxe de volta a pregação de que, todos são pecadores e por isso estão condenados, que o amor divino realizou a salvação através da morte de Cristo, e agora, todo aquele que pela fé aceita este evangelho é salvo. (Romanos 10.9).

Louvemos a Deus pelos ensinos bíblicos recuperados pela Reforma!

terça-feira, 10 de outubro de 2017

INVEJA – O PECADO DO OLHO GRANDE

Ela já foi chamada de o câncer da alma. Sua definição de felicidade bem que poderia ser: aquela agradável sensação de prazer ao ver a desgraça do outro. Isso é a inveja.
Uma expressão usada originalmente nas Escrituras para representar a inveja era “olho mau”. Equivaleria à nossa expressão “olho-grande”, sugerindo um olhar de cobiça, hostilidade e ressentimento para com o bem-estar do outro (Sl 68.16; Mc 7.22). Parafraseando um pensador grego da antiguidade: O sucesso dos outros é motivo suficiente para o invejoso ficar zangado (Xenofonte). Tomás de Aquino definiu a inveja como o desgosto pelo bem alheio.
            Outro termo usado pelos escritores originais da Bíblia para indicar a inveja descreve um estado de espírito enérgico e intenso que instiga a ação. É um desejo ou emoção forte que anseia por algo. Aquele sentimento que se preocupa com algo ou alguém. Quando motivado e executado de forma apropriada ele é descrito como zelo, pois se esforça pelo bem-estar do outro. Mas, como o mal sempre é uma perversão do bem, a inveja e o ciúme são a perversão deste zelo, tornando-se um esforço que prejudica e destrói.
Qual seria a diferença entre a inveja e o ciúme? Enquanto o ciúme zela por manter o que é seu, a inveja zela por conseguir destruir o que é dos outros. O ciúme pode ser correto se cuida daquilo que é seu por direito e do modo adequado (Pv 6.34; 2 Co 11.2). Mas pode degenerar-se em vício, imaginando ameaças e reagindo de forma inadequada. Por isso é dito que o amor não arde em ciúmes (1 Co 13.4).
            Precisamos também diferenciar a inveja da imitação positiva, que é a emulação, a atitude que admira e deseja possuir algo de outro ou mesmo ser-lhe igual em algum sentido, sem lhe trazer nenhum prejuízo (2 Co 9.2; Gl 4.18). Nesse caso a pessoa pode até querer comparar-se com o outro, mas tem prazer com o bem daquele a quem imita. Ela deseja a mesma alegria para si. E como ela admira aquele modelo, isso a motiva a esforçar-se por conseguir a posse ou qualidade desejada. Podemos ilustrar esse fato com um músico que, ao deparar-se com outro que toca melhor do que ele, fica admirado e impressionado e se propõe aprender e treinar mais, para um dia tocar tão bem quanto o outro.
A inveja porta-se diferente. Faz a comparação e ao perceber que não é ou não tem aquilo que é do outro, sente-se inferiorizada e até injustiçada. Fica triste e ressentida e começa a desprezar ou rebaixar o outro, ou mesmo destruir aquele bem. Comparando: enquanto a emulação empurra a pessoa para a escada rolante que faz todos subirem, a inveja procura puxar o tapete de quem está acima.
A inveja apresenta-se como ressentimento, amargura ou rancor e, se o invejoso não consegue ter o que deseja, fica satisfeito em pelo menos privar o outro daquilo. Essa atitude pode ser expressa com a frase “Nem eu, nem ele”. Isto é, “já que eu não consigo ter, fico satisfeito que ele também não tenha”. 
O escritor Os Guiness, em seu livro “Os 7 pecados capitais”, apresenta algumas características da inveja. Ela é o vício da proximidade, isto é, inveja-se aquilo que se tem em comum com pessoas próximas: um orador não invejará o talento de um músico, mas o de outro orador; um administrador não invejará a posição de um médico, mas a de outro na mesma função; e assim por diante.
A inveja também é subjetiva, ela está nos olhos de quem vê, e nem tanto nas qualidades do que é invejado. Pode até ser que o invejado nem seja tão bom assim, mas a inveja faz com que o invejoso enxergue aquilo como o melhor bem possível, e conclui que sua infelicidade se deve ao fato de o outro possuir aquilo.
A tentação da inveja não diminui com a idade. Ela pode até intensificar-se. À medida que o tempo e as oportunidades passam, os outros acumulam conquistas, e o invejoso fica para trás, ela tende a invejar mais.
Outra característica da inveja é que seus praticantes nunca a apreciam e raramente a confessam. O prazer que ela traz é desesperador e nunca admirado, pois se compraz na destruição e privação. Outros pecados podem até trazer um prazer temporário e alguma admiração aos seus perpetradores, embora nenhum prazer ou admiração compense as consequências. Um enganador pode até lucrar alguma coisa com seu engano e ser admirado por sua esperteza. Um assaltante pode até levar algum bem com seu assalto e ter sua perícia e coragem admiradas. Mas a inveja? O que ela deixa de saldo? Quem conta como vantagem o fato de ser invejoso?
A inveja é insaciável, desgastante e torna o invejoso um destruidor de si mesmo. Ele nunca estará satisfeito. Após arruinar o prazer de um, ele se defrontará com o prazer de outro e sofrerá com ele.  Em Provérbios 14.30, lemos que um interior sadio produz um corpo com vida, mas a inveja faz apodrecer os ossos. O autor nos alerta que um coração que cultiva bons sentimentos desfrutará de uma vida saudável, mas aquele que permite a inveja dentro de si, será como uma pessoa apodrecida, desgastada, sem alegria e ânimo para viver. A inveja faz a pessoa adoecer.
A inveja também é destruidora. Em Provérbios 27.4, após afirmar que o furor é cruel e comparar a ira a uma inundação destruidora, o autor pergunta: mas quem pode enfrentar a inveja? Demonstrando que ela é mais cruel que o furor e mais destruidora que a ira. O mundo está cheio de desastres causados pela inveja.
Em Gênesis 26.12-16 temos um exemplo de como a inveja é destruidora. Deus havia abençoado muitíssimo a Isaque, de modo que ele ficou riquíssimo. Os filisteus, seus vizinhos, não aguentaram isso, e ficaram com inveja. E o que fizeram? Entupiram os poços de água. Ao fazer isso, não apenas prejudicavam a Isaque, mas também a si mesmos. Não satisfeitos pediram para Isaque se afastar deles. Nesse caso ficaram com os poços entupidos para eles. A inveja age irracionalmente.  
Outro problema com a inveja é que ela pode ser mascarada por desculpas aparentemente construtivas. Ao falar mal de uma pessoa que está sendo elogiada, o invejoso, muitas vezes, tenta mascarar sua inveja dizendo: só estou alertando vocês para a verdade sobre fulano. Em realidade, ele apenas não suporta o sucesso do outro. Outras vezes, pode tecer intrigas com calunias para destruir um relacionamento e alegar que está preocupada com o futuro de alguém das pessoas envolvidas. Pode criticar uma boa obra, afirmando que está fazendo isso para instruir a outros. E assim por diante.
Devemos tomar muito cuidado com nossas motivações quando criticamos ou falamos mal de alguém. Será que não é a inveja corroendo nossos corações?
Conta-se que um rei chamou dois de seus súditos, um ganancioso e um invejoso, e lhes disse que um deles poderia fazer-lhe um pedido e seria atendido. O outro não pediria nada, mas receberia o dobro do que o primeiro pedisse. Isto criou um impasse entre os dois servos, pois nenhum deles queria ser o primeiro a pedir. O ganancioso, porque desejava tudo. Sabia que, se pedisse primeiro, ficaria com a menor parte. O invejoso, porque não aguentaria ver o outro recebendo o dobro do que pedisse. Ele não encontraria nenhuma alegria no bem recebido por maior que fosse, pois sua concentração seria ver o outro recebendo o dobro, e isso o deixaria triste.  Depois de certo tempo no impasse, o ganancioso conseguiu convencer o invejoso a pedir primeiro, argumentando que se custassem mais, os dois poderiam perder. O invejoso decidiu pedir primeiro. Depois de muito pensar foi ao rei e disse: o meu pedido é que o senhor me deixe cego de um olho.
Ele perderia um olho, mas isso não o deixaria triste, já que o ganancioso, ficaria cego dos dois. Esse é o espírito da inveja. Que Deus nos livre dele!
Para enfrentar a inveja precisamos aprender a estimar e admirar o que os outros têm de bom, e manifestar gratidão a Deus, por estas bênçãos doadas a outros. Também devemos aprender o contentamento com o que Deus, soberanamente, nos tem dado. Se Ele decidiu dar mais a outros do que a nós, vamos louvar o Seu nome por isso, e pedir que Ele conceda sabedoria àquela pessoa para usufruir corretamente dos bens que Deus lhe tem dado. Isso nos livrará da inveja.