segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

UM ANO NOVO VEM AÍ! PERSEVEREMOS EM FAZER O BEM SEM DESANIMAR

 “Não se cansem de fazer o bem”. Esta exortação aparece duas vezes no Novo Testamento. "Portanto, não nos cansemos de fazer o bem, pois a seu tempo ceifaremos, se não tivermos desfalecidos." (Gálatas 6.9) “E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.” (2Tessalonicenses 3.13).
O verbo traduzido como “cansar” significa falhar em manter a resistência.  Isto é, desistir, desanimar, perder o ânimo e a coragem para prosseguir com uma tarefa ou alvo. Não é apenas se omitir diante de uma tarefa, mas relaxar os esforços, perder a coragem no meio das dificuldades, interromper a perseverança e persistência, antes de alcançar o objetivo, considerando que não vale a pena sucumbir à exaustão. A exortação é para superar a letargia, a preguiça, o tédio e a desesperança. O chamado é para não desanimar diante da fadiga. 
Lucas usou a palavra desanimar quando explicou a razão de Jesus contar a parábola do juiz iníquo e da viúva. A lição é que, por mais desesperadoras que sejam as circunstâncias, os cristãos devem permanecer orando obstinada e intensamente, sem nunca desistir (Lucas 18.1). Orar é empreender uma guerra, é lutar contra as forças espirituais do mal. Tais forças são formadas por: nossa própria natureza pecaminosa, que não gosta de orar; pelo mundo que nos rodeia, o qual nos induz a desconfiar da realidade invisível e a depender apenas do que nós podemos ver e tocar; e por Satanás, que tenta nos fazer descrer na eficácia da oração e a confiar apenas em nossos próprios recursos. Para perseverar na oração é preciso que a resistência nunca amoleça e a coragem nunca afrouxe. Nenhum obstáculo serve como desculpa para relaxar os esforços na oração.
Na carta aos Gálatas, Paulo desafia seus leitores a fazer o bem às pessoas, ajudar aqueles que precisam. Ajudar pessoas pode ser desanimador. Nem sempre elas agradecem, como esperamos, nem reconhecem o nosso esforço ou aproveitam a ajuda dada para crescerem e não dependerem mais de nós. Algumas vezes, até ficam viciadas em ser ajudadas. Além disso, ajudar a outros toma nosso tempo, recursos e energias. Isso pode deixar-nos cansados e desanimados. A razão para a exortação de Paulo é que, no tempo certo, a recompensa virá. O lavrador que colhe os frutos é o que persiste na semeadura e no cuidar da roça até o tempo adequado. De igual modo, os que colhem o bem são os que persistem em fazer o bem. Não os que desanimam e desistem. As palavras são claras: colheremos, se não desfalecermos.
Outra área da vida na qual podemos desanimar é no serviço prestado a Deus: na evangelização, no ensino, na proclamação da Palavra, no culto e no cuidado com a Igreja. Em 2 Coríntios 4.1,16, Paulo nos adverte contra o cansaço que nos leva ao desânimo no serviço cristão. As bases para a perseverança são o conhecimento de que a oportunidade e privilégio para realizar estes serviços nos foram garantidos pela misericórdia de Deus e a certeza de que as canseiras que este ministério acarreta são leves e momentâneas, quando comparadas com a glória que nos espera. O modo de perseverar inclui rejeitar tudo que é vergonhoso e fixar os olhos no invisível e eterno, e não no que é visível e temporário. 
As tribulações que atravessamos, ou mesmo as que presenciamos em outros, também podem nos levar à desistência. Mas em Efésios 3.13, novamente Paulo adverte para que isso não ocorra, pois as tribulações devem ser motivo de glória e não de vergonha e desânimo. Sofrer por Cristo é uma graça e uma glória. 
Por último, cuidemos para não desanimar na obediência aos mandamentos de Deus, como o povo de Deus na época do profeta Malaquias, que se cansou de obedecer a Deus, por calcular que não valia a pena, que não traria nenhuma vantagem e não lhes daria nenhum lucro (Malaquias 3.13-18). 
Eles chegaram a pensar que havia mais vantagem em agir com soberba, isto é, fazer da própria vida o que bem entendessem, sem se preocuparem com as ordens de Deus. “Os que agem assim é que se dão bem na vida", diziam eles. Estavam olhando apenas para as aparências, eram guiados por seus olhos, pelo visível. Semelhantes a Ló, quando escolheu as proximidades de Sodoma e Gomorra. Apenas as campinas férteis deste mundo lhe atraíam o coração (Gênesis 13.10,11). 
O texto de Malaquias, porém, deixa claro que havia outro grupo, os que temiam a Deus, cujas pessoas se incentivavam mutuamente a continuar servindo ao Senhor com fidelidade.  Apesar das aparências, Deus sabia de tudo e contava tudo. Ele registrava em Seu livro, como um diário de memórias, os que O honravam e que levavam em conta a Sua Pessoa. 
Esta é a realidade: Deus considera os que O consideram. Ele não esquece. Um dia vai recompensá-los. Um dia Ele vai deixar bem claro e patente a diferença entre o justo e o maldoso, entre servir a Deus e não servir. "Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o maldoso, entre os que servem a Deus e os que não servem" (Ml 3.18). 
Não se canse de obedecer a Deus, pois isso tem um valor eterno.
E porque é assim, não nos cansemos de fazer o bem durante todo o novo ano que se inicia.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

NATAL – UMA ANTIGA PROMESSA



            
Não sabemos se Jesus nasceu mesmo no dia 25 de dezembro. É provável que não.  Mas foi a data escolhida pela cristandade para comemorarmos o seu nascimento. 
De fato, este nascimento foi uma encarnação. A pessoa do Filho de Deus já existia, eternamente, antes de aqui nascer (João 1.1). A segunda pessoa da Trindade se fez humana, sem deixar de ser divina. Isso ocorreu para que se cumprissem antigas promessas de Deus.  

            O pecado humano e a graça divina foram os fatores que tornaram necessário este nascimento. Ao desobedecer a Deus, o homem trouxe a ruína para o belo e perfeito mundo criado. Dor, tristeza, doença, cansaço, fadiga, desesperança, desespero e morte misturaram-se com a beleza e os prazeres da vida. Nosso mundo é como um belo templo arruinado. Há resquícios de beleza e vida convivendo com feiura e morte. 
Algumas vezes, a vida é tão boa e bela que esquecemos de Deus e de nosso pecado e desejamos permanecer aqui para sempre. E, às vezes, a vida é tão terrível que esquecemos de Deus e nos desesperamos dela, desejando sair daqui o mais rápido possível para um lugar melhor. O cristianismo apresenta a sólida esperança de que um dia esses dois desejos se cumprirão. O templo será restaurado! Cremos nisso porque assim Deus, graciosamente, prometeu. 
            Essa combinação de tristeza e esperança já aparece na primeira promessa feita por Deus à raça humana, narrada em Gênesis 3.15. Depois de confrontar o homem com sua desobediência, Deus, que é o Supremo Juiz e Governante do universo, apresenta a sentença pelo pecado cometido. 
            A primeira sentença é para a serpente e sua descendência. Conforme a revelação posterior nos indica, esta serpente é Satanás.  Sua descendência é formada por todos aqueles que não se sujeitam ao domínio de Deus, sendo resistentes à Sua vontade. Jesus os  chamou de “raça de víboras” (Mt 12.34; Ef 2.1-3; 1 Jo 3.10; Ap 20.2). 
            A mulher, como a mãe de todos os viventes, representa a humanidade. Sua descendência são todos que resistem à serpente, sujeitando-se às ordens de Deus. Esta semente seria encabeçada por um único descendente que a representaria, o novo Adão, o cabeça da nova humanidade (Rm 5.14; 1 Co 15.22,45).
              Deus anuncia uma hostilidade entre os dois grupos de descendentes, os quais estariam em constante inimizade e conflito. Esta é a história da humanidade! Uma constante batalha entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira, entre os que se submetem a Deus e os que lhe resistem. 
            Uma guerra que deixaria feridos em ambos os lados, mas que teria um vencedor. Usando a linguagem da época em que o relato foi primeiramente escrito, Deus anuncia que o descendente da mulher pisaria sobre a cabeça da serpente. Nas guerras daquela época, o vencedor trazia o vencido aos seus pés e pisava em sua cabeça. Com este gesto, indicava que dominava sobre ele (Js 10.24). Com estas palavras Deus garante que o descendente da mulher derrotaria a serpente. Para Adão, ouvir esta sentença para a serpente, deve ter sido motivo de esperança. Tanta foi a esperança que ele deu um novo nome para sua esposa, chamando-a de “Eva”, mãe de todos os viventes.Haveria vida e esperança no meio da morte (Gn 3.20). 
            Mas o descendente também seria ferido. Sofreria a penalidade da culpa humana. Em sua vinda ao mundo, Jesus se solidarizou com a mistura de tristeza e alegria da humanidade. Ele sofreu por tomar sobre si o castigo pelo nosso pecado, mas foi esse sofrimento que nos trouxe a paz e a cura. Foi através de suas dores que Jesus experimentou a satisfação de fazer a vontade de Deus prosperar (Is 53.5,10-12). Foi através de sua morte que, finalmente, a morte foi derrotada (Hb 2.14,15).
            Já nesta promessa temos a profecia sobre os sofrimentos de Cristo e sobre as glórias que lhes seguiriam (1Pd 1.11).
            A promessa de um descendente vitorioso, que derrotaria as maldições resultantes do pecado, foi repetida nas Escrituras (Gn 12.1-3; Is 7.14; 9.6,7; 11.1-10; Mq 5.2) e começou a se cumprir milhares de anos depois, no nascimento de Jesus (Mt 1.21-23; Gl 4.4,5).
Este mundo será restaurado. Haverá novos céus e nova terra. Os portões do Paraíso, fechados por causa do pecado dos nossos primeiros pais, será reaberto por causa do nascimento, morte e ressurreição de Jesus. No Natal esta antiga promessa começou a se tornar realidade.