domingo, 22 de janeiro de 2012

ADORAÇÃO: MOMENTO DE APRENDIZADO


            Na época em que o templo de Deus estava construído em Jerusalém, os adoradores sinceros viajam até lá para cultuar. Algumas vezes isso era perigoso, mas mesmo assim, o trajeto era feito com cânticos. Os salmos 120-134 são chamados “de romagem” ou “dos degraus”, por ser uma coletânea de hinos que aqueles adoradores peregrinos entoavam enquanto subiam para a cidade.
            Após cantarem sua oração de angústia e sua confissão de segurança (Salmos 120, 121), eles entoavam um hino de alegria pela oportunidade da adoração (122). O fiel exultava por ter sido convidado ao templo, e por estar em Jerusalém adorando (versos 1,2), e proclamava a oportunidade de comunhão com os irmãos das outras tribos (versos 3,4).  
            No verso 5 ele fala da razão da ida à Jerusalém “Porque lá habitam tronos de justiça, tronos da casa de Davi.”A ida ao culto era uma oportunidade para aprender e praticar a justiça.
            Deus havia escolhido Jerusalém como capital de Seu reino terrestre naquela dispensação, e Davi e seus descendentes como os administradores deste reino. Neste governo a justiça deveria prevalecer (2ª Samuel 8.15; Jeremias 21.12). A cidade era a representação da autoridade de Deus sobre Seu povo em todas as áreas. Lá as disputas judiciais eram resolvidas. O padrão para esta decisão não era a vontade do rei, mas a Lei de Deus. Deus havia ordenado que o rei de Seu povo deveria conhecer a Sua Palavra e administrar o reino conforme estes princípios (Deuteronômio 17.18-20).    
            A prática desta justiça era para se tornar um costume diário abrangendo todos os aspectos da vida. Por isso, a ida ao culto era também um momento de aprendizado (Deut 14.23). Ir à Jerusalém adorar e comungar tinha como alvo o aprendizado do temor do Senhor,  que deveria ser praticado em todos os momentos da vida.
Em certas ocasiões a lei de Deus seria lida pelos sacerdotes e levitas para que todas as pessoas (incluindo as crianças) aprendessem e obedecessem a Deus todos os dias. (Deut. 31.9-13).  Foi isso que aconteceu na época do rei Josias (2ª Reis 23.1-3), e na época de Esdras (Neemias 8.1-12). E nestas duas ocasiões um reavivamento foi produzido. No culto coletivo o povo era lembrado de seu dever de cultuar a Deus pela obediência aos seus mandamentos, quando voltassem para casa.
            Em nossos dias não há um templo igual ao de Jerusalém, mas há um templo formado por pessoas, que é a Igreja de Jesus Cristo (1ª Pedro 2.5-10). Neste templo de gente cultuamos ao nosso Deus e aprendemos a Sua Palavra.
A leitura e ensino da Palavra devem ser praticados no culto. Timóteo é exortado a  ler, exortar e ensinar a Palavra de Deus. Era a exposição da Palavra que alimentaria o povo com os ensinos de Deus ((1 Tim 4.6,11,13).  O apóstolo Paulo exortou que suas cartas fossem lidas nas igrejas (Colossenses 4.16). Quando escreveu a primeira carta aos tessalonicenses ele exigiu em juramento que a carta fosse lida a todos (1 Tessal 5.27). Ele mesmo ensinava nas igrejas (1ª Cor 4.17) e ordenou que o ensino mútuo fosse praticado (Colossenses 3.16).
            A igreja também deve ser um local de administração da justiça (1 Cor 5.1-5; 6.1-11; Mateus 18.15-17). As reuniões para disciplinar e corrigir irmãos da igreja, e mesmo decidir sobre os problemas entre eles, devem ser momentos de adoração, e também de instrução (1ª Tm 5.20).
            Nossos cultos devem ser momentos de ensino e aprendizado. Neles devemos ser alimentados para a prática diária da Palavra de Deus. Mas, muitas vezes nossa prática é de  não nos importamos com a Palavra. 

sábado, 7 de janeiro de 2012

RESOLUÇÕES QUE PREVALECEM


            Resolução é uma tomada de decisão após deliberação. Isso é feito com freqüência na virada do ano. Aproveita-se a chegada do ano novo para renovar planos e projetos, atualizar sonhos e buscar uma vida melhor. Para isso decisões são tomadas. Sinceramente, temos que admitir muitas delas não vingam. Com o passar dos dias esquecemos o que prometemos, outras atividades tomam a prioridade, fraquejamos na disciplina, outros projetos surgem, e por aí vai. E assim, no final do ano, não lembrar torna-se até uma alternativa mais confortável do que a sensação de fracasso.
Mas há aqueles que com firme determinação mantêm suas resoluções. São pessoas resolutas, decididas em cumprir seus projetos, resolvidas em alcançar seus alvos. Uma dessas pessoas foi Jonathan Edwards, pastor que viveu no século 18. Admiro-o muito, e o que mais me impressiona é que, ainda na juventude, ele tomou 70 decisões e se empenhou em segui-las até o fim de sua vida. Elas passaram a ser conhecidas como as resoluções de Jonathan Edwards. Cito algumas delas: Resolvi que farei tudo o que considerar ser mais importante para a glória de Deus; resolvi nunca perder um momento, mas aproveitar o tempo da forma mais vantajosa que puder; resolvi nunca fazer qualquer coisa da qual devesse ter medo, caso esteja vivendo a última hora da minha vida.
Podemos perguntar: como tomar uma resolução que prevalece, que se mantêm e se cumpre? Podemos aprender muito com as resoluções de Jonathan Edwards. Mas gostaria de considerar outro jovem, que num ambiente bem inóspito tomou e manteve uma resolução extremamente importante. Sua história aparece em Daniel 1.8-16.
Ele encontrava-se cativo na Babilônia. Era um jovem com muitas qualidades, pois fora escolhido para ser treinado e se tornar um oficial no governo mundial que Nabucodonosor estava estabelecendo. Fazia parte da elite daquele povo pagão. Estar naquele grupo era o equivalente a ter passado no vestibular da Academia Imperial. Neste contexto sedutor e hostil, ele tomou uma decisão que marcou sua vida, e permitiu que a glória de Deus se manifestasse.
Esta resolução foi firmada em seu coração. A expressão traduzida como “resolveu firmemente” literalmente é “colocou no coração”. Uma análise rápida de seus usos no Antigo Testamento indica que colocar no coração incluía tratar algo como importante (como em 2ª Sm 18.3 e em Is 57.1 onde a Versão Atualizada traduziu como “impressionar-se”); de modo atencioso (traduzido como “observar” em Jó 1.8; 2.3); considerando aquilo com seriedade,  até chegar a uma conclusão correta (1 Sm 21.12 ; Is 41.20; Ag 1.5,7; 2.18); e assim guardar na mente para colocar em prática e não esquecer (Deut 11.18). Esta era uma atitude exigida para com a Palavra Deus (traduzido “aplicar” em  Deut 32.46).
Concluímos que Daniel observou a situação em que estava, aplicou seu coração às informações que tinha da Palavra de Deus, e chegou à conclusão de que era pecado participar daquela comida. Assim tomou uma decisão: não iria contaminar-se.
Este é um requisito para uma resolução que prevalece: surgir de um coração informado e comprometido com a Palavra de Deus. Daniel conhecia os mandamentos do Senhor quanto ao que poderia torná-lo impuro. E isso ocorria quando alguém desobedecia o que Deus havia ordenado (Sof 3.1; Nee 13.29; Mal 1.7,12).
Era parte do treinamento de Daniel ser alimentado pelo cardápio real. Só que aquela comida não seguia os padrões estabelecidos na lei de Deus (Lev 11.1-47; Deut 14.3-20), também poderia ter sido dedicada aos ídolos, antes de ir para a mesa. Ou ainda, Daniel e seus amigos perceberam que o banquete real seria um modo deles serem assimilados pela cultura babilônica, e assim perderiam sua identidade como servos de Deus. Eles reconheciam que sua missão não era a de se conformar com o mundo, mas de transformar o mundo. O que para muitos era um prêmio: comer da comida do rei, e beber do vinho real; para Daniel era uma maneira de se contaminar. Por isso ele preferiu ser fiel a um alimento superior, a Palavra de Deus (Deut 8.3; Sl 119.103).
Outro requisito para uma resolução prevalecer é colocá-la em prática de modo correto. Depois de tomar a decisão Daniel a implementou com entusiasmo, sabedoria e fé. Ele foi pedir ao chefe dos eunucos. Naquela época o termo “eunuco” referia-se a pessoas que eram oficiais do rei, não sendo necessariamente castrados. A palavra traduzida como “pedir” indicava uma busca entusiasmada e esforçada por algo desejado. Daniel procurou a autoridade competente, e de modo educado, mas incisivo, apresentou seu desejo.
O chefe dos eunucos, apesar de simpático a Daniel, mostrou que ele tinha outro senhor, com outras ordens, o seu rei. Notamos que ele temia a este senhor, tal qual Daniel temia ao Seu Deus. Seu medo era que, não participando da dieta real, Daniel e seus amigos ficassem mais abatidos do que os outros jovens daquele curso, e assim o rei iria culpar o chefe. Sua vida seria colocada em risco.
Daniel não desiste diante deste empecilho. É mais um desafio a ser vencido para concretizar sua resolução. Ele busca o encarregado imediato, que estava abaixo do chefe, e propõe um teste.  A maneira como ele se aproxima daquele encarregado é muito educada. A linguagem original dá a ideia dele pedindo “por favor”, e ainda apresentando-se como servo daquele homem.   Ele age com sabedoria e bom senso. Usa de tato e educação. Não é um revolucionário causando problemas.
Mas, também, age com fé. Isso transparece no teste proposto. Durante dez dias eles comeriam apenas legumes. Isto é, sementes, que poderiam incluir grãos de cereais, como cevada e trigo. E beberiam apenas água. No final dos dez dias o responsável examinaria as aparências deles e tomaria a decisão mais adequada.
Uma decisão que prevalece precisa de entusiasmo: deve haver esforço e disciplina para colocá-la em prática, e superar os desafios que surgem. Também é necessário sabedoria: escolher o melhor meio para aplicá-la, o modo melhor de tratar o assunto, as palavras corretas, as pessoas certas, e assim por diante. E ainda demanda fé: agir acreditando na bênção de Deus.
Isso nos leva ao terceiro requisito: uma decisão que prevalece necessita da graça de Deus. A graça de Deus se manifesta concedendo ao chefe dos eunucos uma atitude generosa e compassiva com Daniel. Ele se inclina ao pedido de Daniel. Ele torna-se simpático e não implicante com Daniel e seus amigos. Isso facilitou as coisas, mas isso foi concedido por Deus. Podemos ver a mão do Senhor agindo do início ao fim desse capítulo. Daniel estava naquela posição porque Deus entregara o seu povo na mão da Babilônia, Daniel conseguira ter seu pedido atendido por conta da simpatia do chefe dos eunucos, Daniel e seus amigos foram notados mais saudáveis do que os outros jovens, e receberam da parte de Deus, uma sabedoria maior.
Nossas resoluções só se concretizarão se Deus for gracioso conosco, e abrir as portas e caminhos para que elas se realizem. Devemos reconhecer que somos dependentes Dele. Sem Ele, nossa determinação, disciplina, empenho, sabedoria e recursos não darão em nada. Mas devemos lembrar que Sua graça usa nossa determinação, disciplina, empenho, sabedoria e recursos.
Uma resolução que prevalece precisa começar em nossa mente informada pela Palavra de Deus; ser implementada com empenho, sabedoria e fé; e ser dependente da graça de Deus.