sábado, 30 de janeiro de 2016

SENDO QUEM DEUS DESEJA


                                                         
             “Quando criança sonhei,
                    Ser Flash Gordon, 
                        super Homem, 
                          Robin Hood
Ou até um rei dos contos de fada
Quis ser ídolo num grupo de rock
Ou mocinho num filme de caubói”

            Esse verso pertence a um hino intitulado “Hoje sou feliz”, composto por Janires, músico brasileiro das décadas de 1970/80. Penso que faltou uma frase que manifeste o desejo de ser semelhante a algum jogador de futebol. Os personagens mudaram com o tempo, mas as frases expressam o anseio perene da vida de criança: ser alguém diferente do que se é.
Expostas à mídia e ouvindo histórias de heróis, as crianças cultivam um desejo por uma vida mais atraente e glamourosa. Sentem-se descontentes com a realidade que experimentam e suas vidas lhes parecem sem gosto.  Idealizam a felicidade naquela vida dos heróis dos contos e da televisão.
Não haveria grandes problemas se esse sonho ficasse restrito às brincadeiras fantasiosas da infância. Mas, o anseio por uma vida cheia de poder para resolver todo e qualquer problema, ou ainda, a ilusão de uma vida sem nenhum problema, onde tudo é beleza e felicidade, acompanham a maioria das pessoas mesmo na vida adulta.
Até aqueles que seguem a Cristo são contagiados por esse sentimento: como gostaria de ser Samuel, Elias, Moisés, Davi, Jeremias, Pedro, Paulo, ou qualquer outro personagem dos tempos bíblicos! Ser qualquer um, menos eu mesmo!
A verdade de que Deus nos quer da maneira que Ele nos criou deve ser martelada constantemente em nossa mente. Se Deus nos quisesse com dons e talentos que não temos, vivendo em outra época e em outros lugares, Ele nos teria feito assim.
Um dos textos bíblicos que enfatizam essa verdade é o Salmo 139.13-16. Lemos que Deus deu forma às pessoas quando ainda estavam no ventre de suas mães. E que cada um foi feito de um modo distinto e maravilhoso. Como um alfaiate, Ele bordou o corpo e as características de cada pessoa quando ainda estava oculta aos olhos humanos. Como um tecelão, Ele entrelaçou os fios para compor a vida de cada um.
Em Atos 17.26 lemos que Deus marcou o tempo e o local da habitação das pessoas. Querer ser outra pessoa é acreditar que Deus errou na confecção da nossa vida.
Talvez você pergunte: se é assim, porque a Bíblia ordena que a gente imite aqueles que agradaram a Deus?
Quando a Bíblia ordena que busquemos seguir o exemplo de alguém, ela está pensando em nosso caráter e nossa fé. Não nos talentos, tempos, oportunidades, ou outros fatores que fogem ao nosso controle.
O que precisa ser mudado em nossa vida é aquilo que o pecado deturpou. Criados por Deus, fomos contaminados e deformados pelo pecado. Nosso anseio deve ser sim por outra vida, mas uma vida nova, transformada pelo amor e poder de Deus. Devemos buscar ser o que Deus quer que sejamos com a forma física e os talentos que Ele nos doou, no tempo, no espaço e nas circunstâncias que Ele nos permite viver.
O alvo de Deus é que sejamos semelhantes a Cristo com o corpo que Ele nos deu, usando os talentos e dons que nos permitiu ter, aperfeiçoando o temperamento que escolheu para nós, nos lugares, tempos e condições que determinou para nossas vidas.
A felicidade está em enfrentar a vida com fé em Deus, aceitando Sua vontade e firmando-se na esperança do céu. Não queira ser outra pessoa, Deus quer você da maneira como Ele criou. Saiba que se Deus quisesse você diferente, Ele assim teria feito. Contente-se com o que você é, lute contra o pecado que deforma você e espere o dia quando você, finalmente, será e estará perfeito com Deus. O verso final do hino citado no início do artigo enfatiza essa verdade.
Mas sei que um dia o rei Jesus vai voltar
Pra buscar o seu povo
E os que foram lavados no Seu sangue
Vão com Ele nas nuvens se encontrar
Como sou feliz
Saber que não é sonho, nem loucura 
O que a Bíblia diz

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

APROVEITANDO A BOA NOTÍCIA

            Boas notícias nem sempre são bem aproveitadas.
Foi dito a alguém que receberia uma correspondência contendo instruções quanto a um prêmio. Quando a carta chegou, o destinatário estava muito ocupado resolvendo certos problemas, colocou-a de lado para ler depois. O tempo passou e, envolvido em outros afazeres, esqueceu. Um dia, alguém lhe perguntou sobre o prêmio, então lembrou-se da carta. Tendo encontrado, verificou com tristeza que o prazo para a entrega do prêmio havia se esgotado.
            Por desinteresse, incredulidade, preguiça, falta de tempo e outras razões, podemos deixar de desfrutar as boas notícias.       
Os pastores de Belém aproveitaram a boa notícia que lhes foi dada naquela noite do nascimento de Jesus (Lucas 2.8-20). Quando ouviram o evangelho do nascimento do Salvador, eles tomaram uma decisão:  vamos até Belém e vejamos os acontecimentos que o Senhor nos deu a conhecer.
Queriam verificar a informação, não ficaram alheios nem indiferentes. Foram atestar pois desejam ir além do ouvir falar. Puderam ver que os fatos comprovavam as palavras e que as palavras explicavam o sentido dos fatos.
A boa notícia da salvação exige uma reação de nossa parte. Algumas pessoas gostam de ouvir, mas ficam apenas nisso. Ouvem, gostam, comentam, mas não verificam os acontecimentos. Não se apropriam da oferta do evangelho. Como um doente que ouve que certo remédio pode curá-lo, mas nunca o experimenta.  Se você tem ouvido o evangelho, mas nunca foi até Cristo para comprovar a verdade da salvação, você está perdendo a boa notícia.
Os pastorem fizeram isso com urgência. Eles foram apressadamente. Não esperaram o dia amanhecer. Não argumentaram dizendo: já é tarde, nós estamos cansados, a mãe do menino está de resguardo, na próxima semana a gente vai. A notícia era boa demais para ser deixada para depois. Algumas pessoas adiam sua decisão de seguir a Cristo. Têm outras prioridades no momento. Acreditam que ainda terão muito tempo. Mas ninguém sabe quanto tempo ainda lhe resta. É preciso urgência, o tempo é hoje.
Depois de comprovar os pastores divulgaram a notícia. Não guardaram apenas para si, mas compartilharam com outros.  É natural contar a outros sobre aquilo que nos fez bem. Quando experimentamos um tratamento que ajudou em nossa saúde, informamos as pessoas que têm o mesmo problema. Quando encontramos um profissional que nos fez um bom serviço, indicamos para pessoas que estão precisando. E assim por diante. Então, quando experimentamos o evangelho, é natural que o partilhemos com aqueles que ainda não o conhecem.
Outra reação que o evangelho produziu nos pastores foi a adoração. Eles glorificaram e exaltaram a Deus por tudo que lhes fora anunciado. A vida deles havia sido mudada. Não eram mais simples pastores, mas pessoas que conheciam o Salvador. Que privilégio! Foram agraciados com o maior e mais necessário de todos os conhecimentos: a notícia da salvação. Tinham a maior das riquezas. A reação mais apropriada era a adoração.
Por isso os salvos cultuam. Prestar culto é reconhecer a imensa bondade e poder de Deus em nos alcançar com a salvação através de Jesus Cristo. O culto é consequência de conhecer a Deus, sua graça e sua salvação. Desinteresse em adorar é sinal de falta de apreço pela salvação.
Mas quero destacar outra reação, a de Maria, que meditava essas coisas em seu coração. Ela guardou com cuidado e foi juntando os acontecimentos para entender cada vez mais. O evangelho não pode ficar na superficialidade de nossa vida. É uma notícia com muita profundidade. Por isso, deve ser pensada e meditada para ser cada vez mais compreendida e desfrutada. Alguns ficam apenas nas beiradas do evangelho, não adentram para conhecer sua riqueza. Pobremente desfrutam apenas migalhas, diante de uma mesa farta para toda eternidade. Pense, medite, raciocine sobre o evangelho. Leia cada vez mais a Palavra, pedindo que Deus lhe oriente e aprofunde-se no conhecimento d’Ele.
O pastor Jenuam Lira compartilhou uma experiência que ilustra isso. Quando esteve no Havaí, teve a oportunidade de fazer um passeio a beira mar para ver baleias fazendo evoluções na água. Todos que estavam no ônibus se encantavam e vibravam, menos um: o motorista. Ele estava tão acostumado com aquela cena, que não via graça nenhuma.
Isso pode acontecer conosco. Podemos ficar tão familiarizados com a graça do evangelho, que ele se torna sem graça para nós, como se perdesse a graça. É isso é uma desgraça. Meditemos na mensagem, pois iremos ver que ela tem graça sobre graça.
Que neste ano de 2016 possamos aproveitar com profundidade a boa notícia do evangelho!