sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

GRATIDÃO É SINAL DE INTELIGÊNCIA


Inteligência é a faculdade de aprender ou compreender a vida. Como toda capacidade humana ela pode ser desenvolvida ou embotada. Há exercícios para desenvolver a inteligência, como também há ações que podem esvaziá-la. Uma das atitudes que destrói a inteligência é a ingratidão.
Isso é demonstrado em Romanos 1.21. Nesse texto, Paulo, referindo-se às pessoas que torcem os valores humanos, afirma que elas “embora conhecendo a Deus, não o honraram como Deus nem lhe deram graças (ou lhe foram gratas), mas, ao invés disto, foram esvaziados (tornaram-se vazias) em seus raciocínios, e foi escurecido o seu coração insensato”.
Nos versos anteriores é afirmado que todas as pessoas têm acesso ao conhecimento de Deus, mas nem todas fazem uso adequado desse conhecimento. Algumas recusam glorificar a Deus e negam a gratidão a Ele devida. Isso tornou o processo de raciocinar falacioso e vão.  Não produzindo compreensão verdadeira da realidade. As razões concluídas são fictícias e nulas.  E a expressão dessas não passa de pensamentos vazios.  
  Cegado pela descrença, o homem não consegue se encontrar na realidade e perde a verdadeira razão da vida. Torna-se um errante no mundo, enganando e sendo enganado. Seus raciocínios e discursos são meros exercícios de vaidade.
A rejeição do conhecimento de Deus pode assumir várias formas, manifestando-se em um ateísmo declarado e, ou, um viver indiferente a Deus como merecedor de toda glória e gratidão. Mesmo quando confessamos crer em Deus, mas não lhe rendemos a devida glória e gratidão, estamos nos comportando como ateus. 
A recusa em reconhecer Deus em nossa vida como Aquele a quem devemos gratidão, leva a um comportamento de deficiência mental, não porque nosso cérebro tenha algum problema físico, mas porque não usamos adequadamente a capacidade mental que Ele nos deu.
Sem levar Deus em consideração teremos dificuldades para entender corretamente a vida. Os pensamentos ficarão infrutíferos. Nossa mente se tornará sem senso, como alguém que tateia em caminho escuro. A falta de gratidão gera uma vida de pensamentos sem valor. Sem reconhecer a Deus e agradecer a Ele, passamos a raciocinar de forma inútil e fútil. A presunção assume a direção de nossa vida. Julgamos que nós mesmos ou outros são a causa da nossa vida e de tudo de bom que ocorre nela e isso é mentira e ilusão.
         A falta de gratidão também turva nossos olhos e nos impede de reconhecer que, sem Deus, todo esforço humano é vazio, isto é, não produz nada (Salmos 126.1,2).  Nas trevas da ingratidão não enxergamos a realidade de que a vida é apenas uma sombra, e que sem Deus, tudo é vaidade: “Nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto, vi também que isto vem da mão de Deus,pois, separado deste, quem pode comer ou quem pode alegrar-se?” (Eclesiastes 2.24,25).
Ao abandonar Deus, as pessoas se tornam presas de nulidades, e por fim, elas mesmas se tornam nulas e vazias: “Assim diz o SENHOR: Que injustiça acharam vossos pais em mim, para de mim se afastarem, indo após a nulidade dos ídolos e se tornando nulos eles mesmos” (Jeremias 2.5)
Na ingratidão, somos dominados pela vaidade e negamos a Deus a honra e glória que com justiça lhe pertencem, e assim destruímos a validade do nosso pensar.
A gratidão não é apenas uma das formas de se evitar a vaidade e a arrogância, mas também de se afastar da idiotice. Ela demonstra que compreendemos corretamente a vida. Portanto, ser grato é sinal de inteligência.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

SER GRATO É UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA


 
       Um clamor por justiça percorre este mundo. Em todas as esferas da existência ele se faz ouvir. Nos lares, nas escolas, nos empregos, nos governos, é comum ouvirmos: Mas isso não é justo! Ou ainda: e ninguém não vai fazer nada?
       A injustiça nos deixa indignados. E com razão, pois fomos feitos para viver em justiça. Todavia, nem sempre esse clamor é sincero. Não raro, o pedido por justiça carrega alguma hipocrisia. Como Davi, exigimos que os injustos sejam punidos, e então ouvimos: Tu és o homem injusto (2 Sm 12.6,7). A maioria de nós comete injustiças diariamente. Em quase todos os momentos de nossa vida estamos nos colocando contra a justiça que clamamos.
       A injustiça ocorre quando se nega a alguém aquilo que lhe pertence por direito. E quando não somos gratos a Deus por tudo, estamos lhe negando a glória que lhe é devida. Portanto, ser ingrato é ser injusto.
       A ingratidão rouba de Deus aquilo que por direito lhe pertence: o reconhecimento de que Ele merece ser honrado como Deus. Em Romanos 1.21 está escrito que embora os homens conhecessem a Deus, não o honraram como Deus nem lhe deram graças (ou lhe foram gratos)...
       Por isso a ingratidão se configura uma espécie de ateísmo. Ser ingrato é resultado de não levar em consideração a Pessoa mais importante do mundo e da nossa vida. É ignorar a Deus e Sua revelação. É ser indiferente Àquele a quem devemos vida, respiração e tudo o mais (Atos 17.25).
       Já a gratidão evita a injustiça, pois reconhece que Deus merece toda a honra, glória e elogios pelo que ocorre em nossa vida. Ela admite e confessa que todo presente bom e todo dom perfeito é lá do alto, que desce do Pai das luzes... (Tiago 1.17). Estes presentes são dados a nós sem nenhum mérito de nossa parte, mas por pura graça de Deus. E a reação adequada a esta graça só pode ser a gratidão. A ingratidão é receber o presente e nem dar muito obrigado.
       Com a gratidão confessamos que Deus é soberano, sábio e bom. E Ele usa esta soberania, sabedoria e amor para levar a efeito o melhor para seus filhos. Mesmo quando a situação é dolorosa e desconfortável, o filho de Deus, embora sem entender todos os detalhes, será grato a Ele, e não irá escurecer o Seu plano com palavras sem conhecimento (Jó 38.2).
       Agradecer a Deus por tudo é uma questão de justiça. Portanto, ser ingrato é ser injusto.








quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

GRATOS SEMPRE



É comum manifestarmos nossa gratidão a Deus quando nossos anseios são alcançados. Quando nossos desejos são satisfeitos, reconhecemos a bondade de Deus e agradecemos por ela. Isto é bom, correto, apropriado e desejável. Seria pecaminoso se não nos comportássemos assim.
Ao agradecermos a Deus, estamos admitindo que nossas vitórias e conquistas não são nossas de fato, mas Dele. Rendendo ações de graças, publicamos que se não fosse por Ele, nossos sonhos não teriam se realizado, apesar de todo o nosso esforço e dedicação. Esses momentos de gratidão são alegres, festivos e até exultantes.
Mas, o que dizer de manifestar gratidão em momentos de sonhos despedaçados, alvos frustrados e conquistas ameaçadas? O que dizer de reconhecer a bondade de Deus quando a vitória não aconteceu, mas o insucesso apareceu?
Todos já percebemos que a vida não é apenas composta de momentos alegres. Há momentos desagradáveis, que podem até ser muitos. Em nossa vida recebemos o bem e também o mal (Jó 2.10). Nesses momentos também devemos manifestar gratidão. Devemos ser gratos a Deus em todos os momentos da vida porque esta é a vontade Dele para nossas vidas.
Saber e fazer a vontade de Deus deve ser o desejo de todo aquele que Nele crê. Costumamos enfatizar a busca da vontade de Deus nos grandes eventos da vida: a carreira a seguir, casamento, uma mudança de residência e noutros momentos julgados importantes. Mas há aspectos da vontade de Deus que já nos foram revelados, que nós devemos conhecer e praticar. E um deles é a nossa gratidão em todas as circunstâncias. Esta verdade é declarada de modo evidente em 1 Tessalonicenses 5.18 Em tudo sede agradecidos, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para vós.
Em Efésios 5.20 a mesma verdade é declarada “agradecendo sempre por tudo em nome do nosso Senhor Jesus Cristo a Deus e Pai.” A ênfase é forte: agradecendo sempre e por tudo. Em todos os momentos e por todas as situações devemos agradecer.
A palavra que o Novo Testamento usa para agradecer é “eucaristia”, que em nossa língua, além de outros significados também quer dizer “ato de dar graças”. Na língua original do NT ela tem a mesma raiz de palavras que expressam sentimento de alegria. Sendo composta de “graça” (charis), que expressa tudo aquilo pelo qual se deve alegrar (é interessante que dois versos antes, 1 Ts 5.16, Paulo nos diz alegrai-vos sempre), e do prefixo “eu”, que significa “bem”, “corretamente”, “apropriadamente”, “muito”. Agradecer ou dar graças é a atitude apropriada para quem recebeu uma graça e por isto está alegre. Gratidão é reação correta de quem se regozija porque foi agraciado. E é vontade de Deus que tenhamos esta atitude em todas as situações da vida.
Acreditamos que Deus está no controle de tudo, que nada ocorre sem sua permissão (Mt 10.29,30). Acreditamos também que Deus é sábio e não comente erros (Sl 139.1-6,16). Ainda acreditamos que Deus é amor e por isto faz tudo cooperar para o bem (Rm 8.28). Sendo assim nenhuma situação pode ser considerada ruim para o cristão. Aquilo que parece ser ruim faz parte de um plano maior que irá cooperar para nosso bem estar espiritual. Por isso devemos agradecer por tudo.
Mesmo as situações de sofrimento são manifestações da graça de Deus, e devem ser recebidas com alegria e gratidão (Tg 1.2-4; 1 Pd 4.12,13). Elas, além de produzir uma glória eterna, também redundam em benefícios para outros, que renderão graças a Deus ( 2 Co 4.8-17). Se acreditamos que “Deus é bom o tempo todo, e o tempo todo Deus é bom”, podemos ser gratos por tudo.
Ações de graças e demonstração de gratidão devem ser elementos básicos e duradouros na vida cristã. Vamos agradecer sempre e por tudo.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

A TOTAL PROTEÇÃO DE DEUS

Você se sente seguro? Penso que a resposta a esta pergunta seria um grande NÃO. Vivemos ameaçados por assaltos, acidentes, doenças, injustiças, perdas de pessoas queridas, perdas de empregos e posses, etc. Além destes perigos mais individuais, há os coletivos: aquecimento global, epidemias, catástrofes, e a incerteza do futuro, etc. Não há como ter sensação de segurança.
A segurança não é um problema novo. Os humanos convivem com os perigos desde que desobedeceram a Deus. Esta insegurança acompanhava o peregrino que ia para adorar em Jerusalém. No entanto, ousadamente ele canta uma segurança total (Salmo 121). Ele confia que Deus seguramente lhe protege. Categoricamente ele afirma que Deus o livra de todo mal. Quero destacar três declarações neste salmos que afirmam a total proteção de Deus na vida de seus filhos.
“De dia não te molestará o sol nem de noite a lua.” O peregrino canta que Deus nos guarda dos perigos diurnos e noturnos. Os perigos do dia são representados sol. A região do peregrino era castigada pelo sol. Os trabalhadores da agricultura e da pecuária sofriam com o calor (Cant 1.6; Mat 20.12). O sol poderia molestar a ponto de levar ao desmaio (Jonas 4.8), e à morte por insolação (2 Reis 4.19,20). Jacó chegou a dizer que o sol o consumiu (Gênesis 31.40). Também era instrumento de disciplina (Deut 28.22), e de modo figurado indicava a crueldade dos homens (Isaías 25.4).
Já os perigos da noite foram representados pela lua. Na época acreditava-se que as fases da lua poderiam causar distúrbios mentais. Deste conceito vieram termos como “aluamento”, “lunático”, “aluado” e “no mundo da lua”. Também havia as feras que saiam para a caça durante a noite (Salmo 104.21), e o frio que também poderia consumir alguém (Gênesis 31.20).
“O SENHOR te guardará de todo mal, guardará a tua alma” esta é outra ousada afirmação que o peregrino faz. O termo “mal” tanto pode se referir a pecado como a infortúnios e calamidades, como a perda da família (Rut 1.21; 1 Reis 17.20); dores físicas (Núm 16.15) e emocionais (Gên 43.6); ferimentos físicos (Jer 39.12); aflição (Am 6.3); e calúnia (Sal 109.20). De todos estes males Deus promete nos guardar. O Senhor guardará a nossa alma”, refere-se a totalidade da vida. O Senhor Jesus Cristo reafirmou esta verdade quando disse que “não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça.” (Lucas 21.18).
O SENHOR guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre. ”A expressão “saída e entrada” indicava o movimento dos exércitos, que saiam das cidades protegidas por muros para ir à guerra, e a saída de pessoas da mesma cidade para enfrentar as estradas desprotegidas. Também era usada para abranger todos os movimentos e extensão da vida humana (2 Sam 3.25; Deut 28.6; 1 Sam 29.6). Este guardar não apenas inclui toda a extensão de espaço, mas também de tempo, agora e sempre. Não apenas a viagem do peregrino a Jerusalém e sua volta ao lar, mas também a viagem eterna.
Estas afirmações nos deixam perplexos, porque sabemos que vários e muitos destes males têm acontecido na vida dos filhos de Deus, a própria Bíblia dá testemunho disto (Hebreus 11.35-38). Como conciliar a afirmação de que Deus nos guarda de todo mal, com o fato de que vários filhos de Deus foram mortos, presos, torturados, caluniados, etc.?
A vida de Jacó pode nos ajudar a entender isto. Ele testemunhou que Deus o havia guardado de todo mal (Gên 48.16). Mas, sabemos que sua vida não foi das mais fáceis. Teve que fugir de seu irmão, várias vezes foi enganado por seu sogro, teve que fugir deste também, numa luta com um anjo saiu com um defeito físico que carregou pelo resto da vida, seus filhos lhe causaram muito desconforto, ficou sem ver seu filho preferido por vários anos, sua família quase ficou sem alimentos, e várias outras aflições. Como ele pode dizer que Deus o havia resgatado de todo mal ?
A promessa de Deus a Jacó em Gên 28.15 nos explica “Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido.”Deus o guardaria para cumprir todo o propósito que Ele tinha para a vida de Jacó. Ele não permitiria que nenhuma das dificuldades impedisse Jacó de receber as promessas que Deus lhe havia dado. No final, depois de passar por tantas aflições, foi cumprido o gracioso propósito de Deus na vida de Jacó.
Também somos peregrinos numa caminhada, subindo também. Caminhada também cheia de perigos, de ameaças. Mas também temos um guarda, um protetor. Que nos guarda sempre e de todo mal. Por isso temos segurança e certeza que chegaremos a nossa Jerusalém celestial.
Nada poderá separar-nos dos propósitos de Deus. Ainda daremos topadas, torceremos o pé; sofreremos o calor e o frio; ficaremos doentes; seremos perseguidos. Ainda enfrentaremos o descaso que são encarregados de cuidar da segurança e justiça; pessoas loucas com armas na mão para tirar o que é nosso, até nossa vida; falhas humanas que podem produzir acidentes; doenças que atrapalham todos os nossos planos; pessoas que nos caluniam; etc. Mas o plano de Deus se cumprirá em nossas vidas. A água só pode afundar um navio se entrar nele. Assim as dificuldades só nos afundarão se entrarem em nós. Contamos com a Total Proteção de Deus.
Conta-se de uma menina que estava viajando num navio onde o capitão era seu pai. Numa noite uma horrível tempestade açoita o navio. As ondas sobem e jogam água dentro do navio, o vento forte parece deixar o navio sem rumo. Todos se acordam e ficam apavorados. Ela também acorda, esfrega os olhos e pergunta o que está acontecendo, respondem dizendo que é uma grande tempestade. Ela então faz nova pergunta: Meu pai ainda está no leme? Respondem: Sim, ele está. Ela volta para sua cama e logo adormece.

Se nos quisessem devorar demônios não contados,
Não nos podiam assustar, nem somos derrotados, Defende-nos Jesus, o que venceu na cruz, Senhor dos altos céus, e sendo o próprio Deus, Triunfa na batalha.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Meditação do dia - A Grande Fidelidade de Deus.

Há um cântico, normalmente entoado pelas crianças, que diz:

o amor de Deus é maravilhoso, tão alto que não se alcança, tão baixo que não tão fundo, e tão largo que não tem lado.

O mesmo se pode dizer da fidelidade de Deus. Quando a Bíblia fala que Deus é Fiel ela está dizendo que Ele é genuíno, sempre fala a verdade e cumpre suas promessas. Fidelidade é essencial em Deus, Ele não seria Deus se não fosse Fiel. A fidelidade de Deus é grande.
Grande em abrangência
(Sl 145.13). Nós, por conta de nossa natureza pecaminosa não somos fiéis em tudo que fazemos. Algumas vezes mentimos para escapar de uma culpa, ou de uma responsabilidade, ou até por brincadeira. Mas Deus é Fiel em tudo que faz.
Grande em extensão. Sl 36.5. Nossa fidelidade nem sempre agüenta grandes distâncias, ou alturas. Isto é, nem sempre suporta grandes testes. Muitas vezes somos fiéis quando é fácil ser fiel, quando as condições nos ajudam na fidelidade. Já a fidelidade de Deus, ultrapassa as nuvens. Não há limites para ela.
Grande em tempo ( Sl 119.90; 89.2) Nós nem sempre resistimos ao teste do tempo com nossa fidelidade. A demora diante de certa expectativa pode nos fazer infiéis. Mas não é assim com Deus. A fidelidade de Deus sempre permanece, resiste, ela não é mutável, nem determinada pelas circunstâncias.
Já que a fidelidade de Deus é grande, devemos esperar nela quando em aflição (Lm 3.1-23). Neste texto o profeta Jeremias narra sua grande aflição (versos 1-17). Nesta descrição da aflição ele faz questão de enfatizar a soberania de Deus. Ele claramente indica que Deus está permitindo seu sofrimento, que é Deus quem o machuca.
Nos versos 18-20 ele mostra a reação imediata a este sofrimento: desânimo. Considera que sua energia não voltará mais. Ele não tem mais esperança. As aflições povoam sua mente, e isto o abate ainda mais.
Mas há outra lembrança que chega a sua mente (versos 21-23), e esta lembrança reaviva a sua esperança. Esta lembrança faz com que ele adquira o ânimo novamente: Isto quero trazer de volta ao meu coração por isso tenho esperança (21). É a lembrança da misericórdia de Deus, que elas se renovam a cada manhã, e a lembrança de que grande é a fidelidade de Deus.

A fidelidade de Deus é grande, e ela pode reanimar a nossa esperança diante das aflições.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Ensaio 12 - À SOMBRA DO ONIPOTENTE

“Viver à sombra de alguém” é uma expressão de dependência. Quem vive à sombra de outro é porque depende dele. Nem sempre isto é bem visto em nossa cultura. Geralmente quando nos referimos a alguém que vive à sombra de outro, estamos comunicando a idéia de que está se aproveitando.
Na Bíblia a palavra "sombra" é usada para comunicar várias idéias. Além de seu sentido literal ela pode expressar algo transitório, efêmero, que tem curta duração (1 Cr 29.15); semblante ou aspecto (Jó 17.7); a imagem não muito nítida de algo (Cl 2.17; Hb 8.5; 10.1); uma ameaça (Mt 4.16); e também descanso e proteção. É neste último sentido que o peregrino, que ia adorar em Jerusalém, canta que o SENHOR era a sua sombra (Sl 121.5).
Numa terra de clima quente, como em Israel, a sombra tinha uma grande importância especialmente no verão. Pessoas e animais careciam de sombra para descansar (Gn 18.1; Ct 1.7; Is 49.10). Peregrinos precisavam de sombra para passar o calor da tarde quando viajavam (1 Rs 13.14; Gn 18.4,8).
Quem viajava também precisava sombra para se proteger. Estar debaixo da sombra do telhado da casa, significava estar protegido pelo dono da casa (Gn 19.8). Algumas pessoas buscavam esta sombra em nações e reis (Is 30.2; Lm 4.20). Isto mostrava sua confiança nestas autoridades (Jz 9.15).
No caso do peregrino o SENHOR tanto era sombra para proteção do calor como dos inimigos. Era sombra para descanso e segurança. Nós também precisamos desta sombra.
Algumas vezes a vida pode se tornar como um dia de calor fustigante, ou ainda de fortes tempestades. A crueldade dos homens maus é comparada a forte tempestade batendo contra o muro e um forte calor. O SENHOR é a sombra contra esta a opressão, diante da qual somos fracos (Is 25.4,5).
Outras vezes enfrentamos pessoas e situações que tentam nos destruir tanto física como espiritualmente. Ficamos como entre feras a nos rodear para nos devorar. Nestes momentos, como filhotes que se abrigam sob as asas da mãe, podemos encontrar abrigo à sombra das asas de Deus (Sl 17.8-12; 91.4).
Foi sob a sombra das asas de Deus que Davi foi se abrigar, quando era perseguido por Saul. Ele disse que ficaria ali até que as calamidades passassem (Sl 57.1). As calamidades podem ser tragédias como as acontecidas contra Jó (Jó 6.2; 30.13), problemas causados por filhos (Pv 19.13), ou a maldade que os homens carregam no íntimo (Sl 5.9). À sombra das asas de Deus, Davi cantava cheio de alegria, mesmo no deserto de Judá, provavelmente fugindo da rebelião de seu filho Absalão (Sl 63.7).
Os peregrinos precisavam de lugares seguros para se abrigar à noite, nós também
precisamos de lugar de refúgio quando a vida se torna escura e ameaçadora. O melhor abrigo para nossa segurança é a sombra do Onipotente, quando enfrentamos a escuridão que a vida pode nos trazer (Sl 91.1).
A sombra das asas de Deus nunca nos decepciona, diferente da sombra prometida por homens, que envergonha nossa confiança (Is 30.2,3). A sombra de Deus de fato pode nos surpreender fazendo além do que imaginamos. Rute buscou refúgio à sombra destas asas, quando não se lhe apresentava nenhuma perspectiva de um futuro promissor, e ela encontrou um futuro que nem em sonho poderia imaginar (Rt 2.12). O mesmo ocorreria com o povo de Deus no cativeiro (Is 51.16).
Esta sombra existe por conta da misericórdia de Deus, que é muito preciosa (Sl 36.7).
Deus pode fazer esta sombra na forma de um governante justo (Is 32.1,2),
ou dando -nos sabedoria para viver (Ec 7.12 literalmente “a sabedoria é sombra”), ou mesmo através de uma planta (Jonas 4.6).
Ele tem prometido um tempo quando providenciará uma sombra permanente para Seu povo (Is 4.5,6; Os 14.8). Isto será realizado através de Seu Servo, que na forma de sombra foi anunciado no AT (Cl 2.17; Hb 8.5; 10.1), e foi protegido e preparado pela sombra da Sua mão (Is 49. 2; 51.16). Até lá, como peregrinos seguimos em nossa caminhada para Jerusalém celestial, animados e protegidos por Sua sombra. É somente à sombra Dele, que nossa vida, que é como uma sombra fugaz, que logo se desfaz, ganha permanência.