domingo, 20 de abril de 2014

SURPRESA! ELE RESSUSCITOU! AH! MAS ISSO NÃO ERA PARA SER SURPRESA.

“Foi surpresa, mas não era para ser!” Esta frase expressa algo um tanto incomum, pois o normal é o contrário: “Era para ser surpresa, mas não foi”, isso é, alguém planeja uma surpresa, mas a notícia vaza, e a surpresa acaba. Agora, algo ser avisado e ainda assim ser surpresa é mesmo surpreendente. 
Para aquelas mulheres, o que não devia ser surpresa, foi. Elas estavam tristes e desanimadas. Talvez até exaustas pelos acontecimentos dos últimos dias. Aquela Páscoa marcaria suas vidas para sempre! Quem imaginaria que a história terminaria assim? 
Elas haviam seguido Jesus desde a Galiléia. Não apenas seguido, mas também servido. De vila em vila, de cidade em cidade, enquanto Jesus pregava e realizava seu ministério, elas O acompanharam e O ajudaram. Algumas delas foram curadas de enfermidades e outras de demônios que as atormentava (Lucas 8.1-3). Cada uma delas sentia-se grata àquele homem.  
Acreditaram que Ele era o Messias prometido e que sua coroação final se daria em Jerusalém. Uma delas até pediu que seus dois filhos ocupassem posições de destaque no reino que Jesus instalaria (Mateus 20.20,21). A chegada em Jerusalém foi até promissora. Ele entrou montado num jumento e foi aclamado como o abençoado Filho de Davi (Mateus 21.1-11). Mas depois disso, a única coroação que Ele recebeu foi de uma coroa de espinhos. E, em vez do reconhecimento, viram Sua a condenação. E no lugar de um trono, Ele tomou uma cruz!   
Elas viram Seu sofrimento. Sentiram um pouco de Sua dor. Ouviram suas últimas palavras. Viram e ouviram quando Ele prometeu ao malfeitor que naquele mesmo dia estaria com Ele no paraíso. Testemunharam a escuridão que se apossou da terra em pleno meio dia e que durou até as três horas da tarde (Lucas 23.44). Ficaram perto da cruz e viram quando quatro soldados dividiram suas roupas e sortearam sua túnica. Também notaram o cuidado Dele com Sua mãe. (João 19.23-27). E mesmo depois de todos terem se afastados batendo no peito em sinal de tristeza, elas permaneceram observando de longe (Lucas 23.48,49).
Queriam saber onde e como ele seria sepultado, por isso acompanharam com os olhos quando José de Arimatéia e Nicodemos retiraram Seu corpo da cruz, ungiram com 34 quilos de mirras e aloés e envolveram em linho, como faziam com o corpo de um rei (João 19.38-42; 2 Cr 16.14), e como o colocaram no sepulcro que ficava num jardim perto do lugar da crucificação. Elas também viram a grande pedra que foi colocada fechando o túmulo (Lucas 23.55; Mateus 27.57-61). 
A sexta-feira já estava se encerrando, assim que o sol se escondesse começaria o sábado e elas teriam que descansar (Lucas 23.55-56). Deve ter sido um descanso triste e cheio de ansiedade! Logo que o sábado terminou elas correram para comprar e preparar os perfumes e especiarias para ungir o corpo de Jesus, manifestando seu amor e devoção por Aquele que tanto bem lhes fizera (Marcos 16.1). 
O sol que nascia naquele domingo as encontrou a caminho do sepulcro com uma grande preocupação: “quem retiraria a pedra do sepulcro?”, era a pergunta que faziam umas às outras. A pedra era grande e pesada, e depois de encaixada no sulco da entrada da sepultura ficava muito difícil de ser afastada (Marcos 16.2,3).  Mal sabia elas que Deus lhes havia preparado uma surpresa e havia feito infinitamente mais do que elas se preocupavam.
Quando se aproximaram viram: eis que a pedra já estava removida! Não tinham ideia de quem havia removido a pedra, mas aproveitaram a oportunidade e entraram no sepulcro. E aí sim, a maior das surpresas: o corpo não estava lá!
Em vez do corpo viram um jovem vestido de branco! Isso elas não esperavam! E assim ficaram alarmadas. O anjo tenta lhes acalmar e lhes noticia a ressurreição. Mas a notícia não as acalma, elas fogem tremendo, assustadas e cheias de medo. A surpresa fora tão inesperada que as apavora. 
Mas a ressurreição não devia ser uma surpresa para elas. Jesus havia anunciado várias vezes que iria ressuscitar (Mt 17.9,23; 20.19; 26.32; Mc 14.28) . Até seus inimigos lembraram disso (Mt 27.63). O Antigo Testamento fez esta profecia, conforme o Salmo 16.8-11, citado em Atos 2.25-28. Mas mesmo assim foi uma surpresa. O fato de não acreditarem na palavra de Jesus sobre a Sua ressurreição lhes causou preocupações e  esforços desnecessários.  
Ficamos em dúvida sobre o que pensar destas mulheres neste caso. Por um lado mostraram uma grande devoção e amor por Jesus. Sacrificaram seu tempo e recursos para ungir o Seu corpo. Mas por outro, esqueceram Seus ensinos e promessas. 
Mas, em vez de emitir um juízo, vamos nos alegrar com a notícia que elas ouviram: ELE NÃO ESTÁ AQUI. RESSUSCITOU. E vamos aprender a sujeitar nossas expectativas aos ensinos de Jesus. Isso poderá nos poupar esforço e preocupações desnecessárias! Pois Ele vive para nos atender e cuidar daquilo que nos preocupa!  


quinta-feira, 10 de abril de 2014

SER AMADO E SENTIR-SE AMADO


             “O que me faltava na vida era algo para amar e que me fizesse sentir amado.” quando li esta frase pensei que ela poderia ser aplicada a várias pessoas,  pois a carência de amor é uma realidade muito presente e triste em nosso mundo.    
          A falta de amor afeta o bem-estar geral. Alguém não amado pode tornar-se retraído e tímido, adquirir um ar doentio, sentir-se constantemente infeliz e amedrontado. Isso pode acarretar problemas físicos: doenças intestinais, vômitos, acessos de falta de ar, etc.
           Mas penso que na maioria dos casos não se trata de falta de amor, mas de não se sentir amado. Há uma diferença entre ser amado e sentir-se amado.  Certas pessoas são muito amadas, mas não se sentem amadas. Apesar de amadas, elas se queixam de falta de amor e desenvolvem os sintomas acima descritos. 
         Um exemplo é a atitude de alguns filhos.  As vezes eles são muito amados, mas por causa de sua imaturidade e egoísmo, criam expectativas irreais, por isso duvidam do amor dos pais e não se sentem amados (especialmente nas crises da adolescência). Este fenômeno também ocorre em outros tipos de relacionamento. 
       Muitas vezes estamos rodeados de amor, mas interiormente vazios e carentes. O problema não está fora de nós, mas dentro de nós. Há amor fora de nós, mas nossos corações estão estreitos demais para recebe-lo. Somos amados, mas não nos sentimos amados.
        Por isso, quando nos sentirmos vazios de amor e afeto, em vez de culparmos os outros, devemos olhar para a estreiteza de nosso coração.  Há um exemplo disso em 2 Co 6.11,12: “Para vós outros, ó coríntios, abrem-se os nossos lábios, e alarga-se o nosso coração. Não tendes limites em nós; mas estais limitados em vossos próprios afetos.”
       Estas palavras do apóstolo Paulo expressam um falar franco e amoroso, sem nada a esconder e sem segundas intenções e também um coração grande o suficiente para acolhe-los com afeto e simpatia. Não havia um amor limitado da parte do apóstolo, a estreiteza estava do lado dos coríntios.

       O relacionamento entre ele e a Igreja em Corinto não era dos melhores.  Ele estava enfrentando oposição e recebendo provocações por parte de alguns daquela igreja. Era acusado de falta de sinceridade e que agia com interesses escusos; suas maneiras estavam sendo desdenhadas e sua aparência desprezada. Mesmo assim ele expande seu amor para com eles, demonstrando uma afeição generosa. Estava disposto a gastar-se por eles (2 Co 12.15). Mas os coríntios não desfrutavam deste amor, porque haviam sido contaminados pelas provocações e calúnias levantadas contra o apóstolo, e assim duvidavam do afeto demonstrado por ele (2 Co 11.11).
        Os gestos amorosos de Paulo eram interpretados erroneamente por eles. Apesar de todo interesse e afeto do apóstolo, eles reclamavam que Paulo não os considerava. Um dos problemas é que comparavam Paulo com outros (2 Co 10.12), ou o julgavam pela aparência (2 Co 10.2,7). Suas expectativas eram de um líder brilhante, mas Paulo agia com humildade (2 Co 11.6-16).  

       Algumas pessoas não desfrutam de amor em seus relacionamentos, não porque não sejam amadas, mas porque seus corações estão fechados para o amor. Trancados pela desconfiança, pelo egoísmo, pela auto suficiência, pelo orgulho, por falsas expectativas e por tantas outras fechaduras.  Algumas vezes as entradas de suas afeições são estreitas demais, só aceitam o amor se for do seu jeito. E assim, seu reservatório de amor fica vazio e suas vidas secas. Embora haja um lago enorme de águas amorosas prontas para levar um refrescamento de afeto, estas  só entram aos pingos, pois os canais de entrada estão entulhados de ressentimento.
        Todos nós temos um mar de amor a nos rodear: o largo e amplo amor de Deus (Efésios 3.18,19). O problema é que a entrada do nosso coração muitas vezes é estreita e esse amor entra como por um conta gotas. Ficamos como pessoas famintas diante de uma mesa com fartos e deliciosos alimentos, mas a raiva, o ressentimento, a auto comiseração, e outras atitudes ruins trancam nossas gargantas e a comida não desce.

        Clamemos a Deus para que abra os nossos corações para o Seu amor e para o nosso próximo. E assim jamais ficaremos vazios de amor. Somos amados, portanto vamos nos sentir amados!