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sexta-feira, 18 de maio de 2012

FELICIDADE É TER SIDO PERDOADO


A principal causa da infelicidade é o pecado. O pecado atrapalha a vida, deixando-a torta, desorientada, perdida. Ele produz tragédias, corrompe nossa mente, traz o medo, as acusações, as brigas, os problemas nos relacionamentos, etc. O pecado coloca culpa na nossa consciência. E uma consciência culpada não desfruta de paz, pelo contrário carrega uma angústia constante, uma agonia que atormenta e nos pressiona, levando-nos a ver a vida como algo sem graça, sem cor, sem sentido.
    A culpa pode levar alguém à loucura, e até mesmo à morte. Resolver o problema da culpa é essencial para nossa felicidade. Algumas pessoas tentam afogar a culpa nos vícios: álcool, sexo, drogas, etc. Outros tentam esquecê-la com uma vida agitada envolvendo-se em muitas atividades, passeios, diversões variadas, compras compulsivas, etc. Ainda há aqueles que procuram compensá-la com trabalhos, serviços aos outros, ou atividades religiosas. Estes são apenas paliativos que aliviam temporariamente a sensação de culpa, como analgésicos que amortizam a dor, mas não curam a infecção.
    O rei Davi passou pela experiência de tentar viver com a culpa sem tratá-la devidamente. Ele nos descreve como sofreu com isso. Mas ele também nos conta a tremenda felicidade de experimentar o perdão de Deus, que é o único remédio que resolve o problema da culpa. Estas descrições estão no salmo 32.
    O salmo começa com a expressão “Bem-aventurado”, que significa “abençoado por Deus”, “feliz”, “realizado”, “afortunado”.  Davi está dizendo “Oh! Como é feliz, e como vale a pena, a vida de alguém que foi perdoado”.
    O pecado é descrito como transgressão, rebeldia, infidelidade. É o não viver conforme os alvos estabelecidos por Deus. Pecar é fracassar em fazer a vontade de Deus. O pecado nos engana e seduz, nos leva a viver de modo mentiroso e ilusório.
    O perdão é expresso de modo bem gráfico. Quando Deus nos perdoa Ele pega o nosso pecado e leva embora. O fardo que pesava e afundava nossas vidas é removido e jogado longe. Podemos caminhar com os ombros levantados. Que alívio! Oh! Que felicidade!
    Quando Deus nos perdoa Ele cobre o nosso pecado, dando a ideia de que Ele não mais o vê quando trata conosco. As manchas são lavadas de modo completo, não fica nenhuma lembrança delas. Ele nos vê como pessoas puras, e todo fracasso é deixado no passado, sendo esquecido e não mais lançado em nosso rosto. Podemos começar de novo. Que oportunidade! Oh! Que felicidade!
    Quando Deus nos perdoa Ele apaga a nossa conta devedora. Nossa dívida é cancelada. Passamos a ter ficha limpa com Ele. Somos declarados sem culpas pelo Supremo Tribunal do Universo. Já não cabe mais nenhuma apelação contra nós. Estamos livres do medo da condenação. Um novo começo! Oh!Que felicidade!
    Quando Deus nos perdoa Ele nos liberta do estresse de viver enganosamente, iludindo a nós mesmos e aos outros. O auto-engano não existe mais, o pecado foi tratado com honestidade. Não precisamos mais fingir nem nos esconder. Podemos desfrutar de plena comunhão com Ele. Que recepção! Oh! Que felicidade!
    Mas, oh! Que infelicidade quando nós mesmos tentamos esconder o nosso pecado. Que tristeza quando não confessamos nossos erros e fracassos diante de Deus! Nosso físico sofre, os ossos ficam moídos. Não há louvor e palavras alegres, só gemidos. Não há ânimo, nem cores, nem vida, tudo parece um deserto. Não há flores nem frutos, a vida fica seca e desolada. Não há comunhão com Deus, mas Sua mão é um peso em nossas vidas. A pressão aumenta. A vida fica em tempo de explodir. Como uma infecção que lateja e traz dor para toda nossa vida.
    Quando nós cobrimos os nossos pecados, Deus os descobre. Que vergonha! Que infelicidade. Mas quando nós os descobrimos diante de Deus, Ele os cobre. O pus é retirado, a inflamação é tratada. A dor vai embora. A pressão do peito desaparece. Que alegria.  
Só é feliz quem recebe o perdão de Deus. Podemos ouvir com alegria a canção:
Oh! Sê então feliz, feliz.
Cada erro que você cometeu.
Foi pago pela graça de Deus, o Senhor.
Sê então feliz, feliz!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

VIDAS SEMELHANTES, DESTINOS DIFERENTES



Uma idéia muito comum é que o meio determina sua vida e o seu destino. Mas a Bíblia nos conta várias histórias mostrando que isto não é verdade. Uma delas ocorre no momento da crucificação de Cristo, e serviu de oportunidade para Jesus proferir sua segunda frase na cruz (Lucas 23.39-43). Este acontecimento nos mostra que vidas semelhantes podem ter destinos diferentes.

É a história de dois assaltantes. Dois homens que usavam de violência para se apropriar dos bens de outros (Mc 15.27,32; Mt 27.38,44). Por causa disso haviam sido condenados. Foram crucificados no mesmo dia que Jesus. Parte do sofrimento foi igual para os três: ser surrado pelo flagelo; carregar a trave da cruz até o lugar da execução; serem despidos: mãos e tornozelos pregados; corpo dependurado; esforço doloroso para respirar; dor de cabeça enorme; etc. Jesus ficou entre a dos dois assaltantes, cumprindo uma profecia (Is 53.12).

Mesmo compartilhando sofrimento semelhante ao de Jesus, eles zombavam de Jesus com insultos e blasfêmias (Mc 15.32; Mt 27.44), manifestando a rebeldia e perversidade dos seus corações. Um deles fez um clamor impossível de ser atendido: que Jesus salvasse a si mesmo e a eles também (Lc 23.39). Jesus só podia atender a um destes pedidos: ou Ele salvava a si mesmo, ou salvava os pecadores. E Sua escolha já fora feita: salvar os pecadores. Aqueles homens viam a cruz como sinal de fraqueza, e não de poder, de derrota e não de vitória, de fracasso e não de sucesso. Esta é a visão humana e mundana da cruz. Para eles Jesus ou era um mentiroso ou um iludido, pois proclamara ser o rei dos judeus, o Messias prometido, mas termina sua vida como um criminoso, condenado à morte, igual a eles.

Mas, uma mudança ocorre em um dos ladrões! Da blasfêmia ele passa à crença. Os atos e palavras de Jesus causam um impacto diferente em sua mente, não de descrença e zombaria, mas de arrependimento e fé. Ele sabia a razão pela qual Jesus estava sendo condenado: reivindicar ser o Messias, o Rei dos Judeus. Observara que, mesmo diante de tanto sofrimento e escárnio, Jesus reagia com amor. Ouvira a oração de Jesus: Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem (Lc 23.34). Notou que nesta oração Jesus chamou Deus de Pai. Isto quebrantou seu coração.

Seu arrependimento foi demonstrado numa mudança de atitude para com Jesus. Passa a desaprovar e a censurar os impropérios que o primeiro lançava sobre Jesus. Reconhece que é preciso temer a Deus. Ele pergunta: Será que mesmo diante da morte você não é capaz de temer a Deus? Isto demonstra que ele entendia que a ação de blasfemar contra Jesus era falta de temor a Deus. É uma percepção maior do que a dos religiosos, que viam Jesus como um impostor. O arrependimento envolve uma mudança da rebeldia para o temor que se curva e aceita a autoridade de Deus sobre nossas vidas. Do zombar para o respeito a Deus.

O arrependimento também incluiu um reconhecimento do pecado. Repreendendo o outro ele diz: Com certeza nós merecemos esta condenação. Estamos recebendo o que é justo, o que nossas obras de fato valem, o que é digno de nossos feitos. Este é o pagamento que merecemos por nossas vidas. Não há desculpas, nem acusações a outros. Ele não culpa a criação que seus pais lhe deram, a falta de oportunidades na vida, nem o fato do governo romano ser dominador e cruel, nem a influencia de amigos. Ele reconhece o seu pecado. Verdadeiro arrependimento é voltar-se para Deus, reconhecendo que tem pecado contra Deus. Que não merece nada Dele. Que a condenação eterna é o que merecemos. É confessar nossa condição pecaminosa diante de Sua santidade. Sem tentar esconder-se entre as árvores do jardim da vida, nem atrás de folhas de figueiras. É assumir que somos pecadores, e que isto não é culpa de ninguém, mas apenas nossa.

Além de arrependimento este homem demonstrou uma grande fé, aceitando como verdadeiras as palavras de Jesus. Jesus estava sendo condenado por ter reivindicado ser Deus, ser o Messias, ser o Rei prometido do reino de Deus. Ao dizer que Jesus não tinha feito nenhum mal, em nenhum lugar, e que Ele estava sendo condenado injustamente, o ladrão estava acreditando que todas estas reivindicações eram verdadeiras. Fé em Jesus é aceitar o que Ele disse sobre si mesmo: que é Deus, Salvador e Senhor.

Fé em Jesus é aceitar a cruz de Jesus como parte de Seu reinado messiânico. Ele acredita que Jesus é o Messias, que traria o reino de Deus. De uma maneira surpreendente, este homem demonstra uma fé maior do que a dos seguidores de Jesus. Estes haviam acreditado no Reino de Jesus até aquele momento, até a cruz, mas haviam perdido as esperanças, como demonstra a conversa dos dois discípulos no caminho de Emaús (Lc 24.21). Pense nisto: ele está ao lado de um homem que está sendo crucificado como um criminoso, mas acredita que este homem trará o reino de Deus. Fé que vê o invisível. Fé que vê além das aparências. Fé que é firme fundamento de sua esperança (Hb 11.1). Fé corajosa que vence toda oposição: contra a opinião da maioria, dos religiosos da época, e até de seu comparsa, ele crê que Jesus é o Rei. Fé que supera os obstáculos: as duas mãos pregadas na cruz não o impediram de agarrar a última e maior oportunidade de sua vida.

Fé em Jesus é clamar pelo reino, por salvação. Lembra de mim, Jesus quando vieres no teu reino. Uma oração simples, nenhuma palavra difícil. Um pedido que reconhecia que sua maior necessidade não era descer daquela cruz, não era ser livre do sofrimento daquele momento. Uma petição que confessa que sua maior necessidade ia além das coisas deste mundo, por mais urgentes que fossem. Uma oração que busca o Reino de Deus em primeiro lugar. Fé que confia na graça. Não havia nada que ele pudesse fazer para compensar seus erros e pecados. Não tinha como corrigir sua vida. Não tinha como realizar nenhum rito religioso. Apenas a fé em Jesus foi o instrumento visível da graça que veio sobre ele.

Esta fé recebe uma promessa certa, garantida, maravilhosa. Jesus diz ao ladrão: O que eu vou dizer é firme e de confiança, é garantido. Você pode crer, pode confiar. Pode ter certeza que neste mesmo dia você estará comigo no Paraíso. Estar com Jesus já seria maravilhoso, quanto mais no Paraíso. Sua salvação foi por pura graça. Não houve censura por só clamar na última hora. Não houve recriminação. O arrependimento e a fé foram aceitos. De graça tudo foi perdoado!

Algumas pessoas não mudam seu comportamento, independente da situação em que estejam. A mesma situação pode levar a diferentes atitudes. Um blasfema, outro se arrepende. Ambos tiveram oportunidade, mas só um fez bom proveito. Um começou blasfemando, mas foi capaz de analisar as circunstâncias, ver além das aparências. Interpretar a situação como sendo sua última chance. O outro fez pouco caso. Um foi da cruz ao paraíso; já o outro...

No céu, poder-se-á perguntar ao ladrão salvo: qual o dia mais feliz da sua vida? Com certeza ele dirá: o dia que eu fui crucificado. E se no inferno perguntarem ao ladrão não arrependido qual o pior dia da sua vida, ele poderá dizer: o dia no qual deixei escapar minha última chance. Qual das duas respostas você poderá ouvir?





domingo, 5 de abril de 2009

PAI, PERDOA-LHES.


Há vários setes na Bíblia: setes dias da semana, sete lâmpadas no candelabro, sete cartas às Igrejas da Ásia, setes selos do Apocalipse, etc. Há um grupo de sete frases, não tão famoso, mas muito importante, que aparece nos evangelhos. São frases curtas, ditas por Jesus na cruz, normalmente denominadas as sete palavras da cruz. Elas são interessantes por nos revelar as preocupações de Jesus naquele momento tão sofrido e decisivo.
Jesus havia estado sob intenso estresse. Pois há algum tempo a sombra da cruz o angustiava (João 12.27). A expectativa do cálice da ira de Deus caindo sobre Ele, fazia com que sua alma fosse sacudida por uma profunda comoção interna. Esta perturbação aumentou na reunião da quinta-feira com os discípulos (Jo 13.21), e atingiu proporções de uma enorme luta na agonia do Getsêmani, a ponto de Seu suor tornar-se como gotas de sangue (Lc 22.44).  
  Ele também havia passado por humilhações terríveis: preso como se fosse um bandido, à noite e em segredo, por um grupo armado; traído, negado e abandonado por seus seguidores; passara a noite em claro apanhando e sendo zombado pelos que o haviam prendido; depois sofreu um interrogatório injusto e difamador, sendo cuspido e esbofeteado; acusado falsamente diante de Pilatos, o governador. Este o enviou para o rei Herodes que desprezou e ironizou. Novamente voltou para Pilatos, que O reconheceu como inocente e por três vezes tentou libertá-lo. Mas a inveja e o ódio das autoridades judaicas eram grandes, por isso insuflaram a multidão para pedir que Jesus fosse crucificado e Barrabás solto. Jesus foi trocado por um rebelde e assassino, por aqueles que ele viera salvar!
O sofrimento físico de Jesus também foi intenso. Depois de preso foi esbofeteado, com os olhos vedados, para que pudesse profetizar quem o havia agredido. Sofreu o flagelo, que era ser amarrado de costas e apanhar com um chicote de couro, que trazia nas pontas pequenos pedaços de metal ou osso, e que tirava pedaços da pele. Alguns estudiosos afirmam que este castigo era tão cruel, que algumas pessoas morriam quando flageladas.  Nas mãos dos soldados Ele voltou a ser escarnecido.  Todo o destacamento foi chamado para zombar dele, dando-lhe um manto de púrpura, colocando-lhe uma coroa de espinhos sobre a cabeça, ajoelhando-se diante Dele com ironias, e lhe batendo-lhe na cabeça (Mc 15.16-20). 
Normalmente o condenado carregava apenas a parte horizontal da cruz, com a sentença escrita, ou um arauto ia à frente proclamando a acusação. Jesus estava tão exausto que desfaleceu no caminho. Quando chegou ao Monte chamado Caveira, Ele foi despido, deitado sobre a parte horizontal, os braços amarrados e os pulsos pregados pelos soldados. Com cordas, esta parte da cruz era levantada e fixada na parte vertical, que já estava posicionada. Havia um apoio para que o crucificado ficasse quase sentado e não tivesse seus pulsos rasgados pelos pregos. Seus tornozelos também eram atravessados com cravos. 
A posição era extremamente dolorosa. Há trinta centímetros do solo, cada esforço para respirar provocava grandes dores; a perda de sangue não era grande, pois os pregos estavam em locais de músculos, nervos e tendões, isto aumentava a dor e fazia com que o sangue regurgitasse para cabeça e estômago, provocando uma dor de cabeça lancinante.
Qual a primeira frase dita por Jesus neste momento de extremo sofrimento? Ao lado de dois criminosos e olhando para a multidão em volta, ele disse: Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem (Lucas 23.34).  A primeira preocupação de Jesus foi com o futuro eterno daqueles causavam seu enorme sofrimento! Ele clama que Deus lhes conceda mais uma oportunidade para arrependerem-se. As respostas daquela oração vieram tanto naquele momento, quando o ladrão e o centurião se arrependeram, como mais tarde, quando outros também aceitaram o perdão oferecido (Atos 2.37,38). 
Com isto Jesus nos ensina que dispensar perdão não depende de como nós nos sentimos. As sensações de Jesus naquele momento não eram agradáveis, de fato sua situação era muito desconfortável. Algumas vezes queremos perdoar, apenas, se nos sentirmos bem na situação, se nossas sensações nos guiarem ao perdão. Mas não é assim. Não importa o que estamos sentindo. Devemos dispensar perdão aos nossos ofensores, mesmo quando nosso sofrimento é grande.
Dispensar perdão também não depende de como os ofensores estão nos tratando. Enquanto Jesus estava na cruz, os soldados sorteavam suas roupas diante de seus olhos, desafiavam-no gracejando; as autoridades o ridicularizavam e blasfemavam, e a multidão olhava. Aparentemente ninguém manifestava arrependimento, tristeza, ou uma disposição para mudança. Mesmo assim Jesus pede que Deus não os condene, mas que mantenha Sua misericórdia, oferecendo mais uma chance de perdão. 
É comum guardarmos mágoas e ressentimentos em nossos corações. E só queremos perdoar quando notamos que as pessoas estão mudando de atitude em relação a nós.  Mas não deve ser assim. A disposição para o perdão, a dispensa da mágoa, o cancelamento do ressentimento, a soltura do desejo de vingança deve estar em nosso coração, mesmo que as pessoas não se arrependam. A reconciliação, a restauração às posições anteriores, e o desfrutar do perdão, dependem do arrependimento destas pessoas, mas o perdão em nosso coração não. Eles ainda podem continuar nos maltratando, mas nossa atitude deve ser de orar para que Deus lhes perdoe. 
Esta disposição depende de nos relacionarmos com Deus como nosso Pai. Jesus sabia que seu valor não dependia de como a multidão lhe tratava, nem do desprezo das autoridades. Mas do fato de ser Filho de Deus, de estar submisso à vontade soberana do Pai.  Ter Deus como Pai é o relacionamento que nos concede valor e estima. Temos certeza de Seu amor, Sua sabedoria, e Sua Soberania. Aceitamos que o sofrimento causado por outros é permissão Dele para nosso aperfeiçoamento ou concretização de Sua obra. Assim, não haverá espaço para as mágoas, e sim força para o perdão.  
Tiraram tudo de Jesus, até a roupa, mas não tiraram sua confiança e comunhão com o Pai e seu amor pelos homens. Jesus nos mostra que podem tirar tudo de nós: dignidade, respeito, conforto, fama, posses, roupas, e até a vida, mas ainda restará em nós algo para dar aos que nos roubam: o amor. Podemos amar mesmo quando estivermos despidos de tudo. 
Em seu amor Ele sabe que aqueles que o crucificavam não tinham noção do tamanho do pecado que estavam cometendo (Atos 3.17).  Nenhum de nós tem consciência de quão grandes são nossos pecados. Da gravidade de qualquer um deles. São tão pesados que causaram a morte de Cristo. As pessoas que nos ofendem também não têm noção da seriedade do que estão fazendo. Devemos clamar que Deus lhes perdoe. 
Diante do exemplo de Jesus reconheçamos que nada deve nos impedir de perdoar os que nos causam sofrimentos. Por mais dolorosos que sejam estes sofrimentos. Você tem retido o perdão? Imite a Jesus, perdoe.

domingo, 1 de junho de 2008

A MAIOR NECESSIDADE

Qual a sua maior necessidade? Uma das maneiras de descobrir e se imaginar na fábula da lâmpada do gênio. Você encontra uma lâmpada, toca nela, e de dentro dela sai um gênio disposto a atender um desejo seu. Se isto fosse possível, e acontecesse com você, qual seria o seu pedido? Outra maneira é se imaginar diante de Deus, tendo a permissão de fazer um único pedido. O que você pediria? Pense nisto com atenção por alguns momentos.
Com certeza iríamos pedir aquilo que julgássemos ser nossa maior necessidade. Isto mostraria nossa escala de valores, o que nós mais valorizamos, o que nós colocamos no topo da lista de nossos desejos e carências. Nosso pedido trataria de algo para nossa vida nesta terra: posse de algum bem, cura de alguma doença, solução de algum conflito relacional, alcançar algum estado ou posição na vida, etc. Em resumo: alívio de algum sofrimento ou realização de um sonho.
Mas nossa maior necessidade não é alívio de nenhum sofrimento que passamos nesta vida, nem a realização de algum sonho enquanto vivemos neste mundo. Nossa maior necessidade está relacionada com a eternidade. O que mais precisamos é o perdão dos nossos pecados para que assim possamos ter a salvação eterna com Deus.
Isto foi demonstrado num episódio contado nos evangelhos (Mt 9.1-8; Mc 2.1-12; Lc 5.17-26). Havia em Cafarnaum um paralítico, incapacitado de qualquer movimento. Qualquer pessoa que olhasse para aquele homem julgaria que sua maior necessidade seria a de andar, movimentar-se, ter o controle de seus músculos. Acredito que tanto ele como seus amigos pensavam assim, e por isso o conduziram até Jesus, para que fosse curado.
Quando Jesus olha para aqueles homens logo vê que eles têm fé. E diz para o paralítico: Tem bom ânimo filho, os teus pecados têm sido perdoados (Mt 9.2). Para quem está deitado em uma maca sem poder mover-se, ouvir esta frase parece até irônico. Jesus diz para ele ter coragem, ficar animado, deixar o medo de lado, pois os seus pecados estão perdoados. “Como ter bom ânimo se ainda estou paralítico?” Pode ter pensado aquele homem. Como aquele homem poderia ter coragem para enfrentar a vida se continuava paralítico?
É lógico que Jesus percebeu que aquele homem era paralítico, que tinha uma necessidade bem aparente: a de ser curado. Mas Jesus percebeu também a maior necessidade daquele homem, e esta não estava tão aparente aos olhos humanos. A necessidade do perdão dos pecados.
A maior causa de nossos medos e desânimos não é nossas necessidades físicas, nem nosso sofrimento causado por doenças, perseguição, falta de recursos, etc. A maior causa para nossa falta de coragem em enfrentar a vida é o nosso pecado. O pecado nos paralisa e consome nosso ânimo (Sl 32.3,4). Ele impede nossa plena realização na vida. Para ter ânimo e coragem para enfrentar a vida precisamos do perdão de Deus para nossos pecados.
Todos nós temos pecados (Rm 3.10-12,23). Aquele homem, que era um paralítico, completamente incapacitado de mover seus músculos, tinha pecados. É provável que nunca tenha matado ou roubado alguém, que não tenha cometido algum adultério, etc. Afinal nem podia se mover por si mesmo. Talvez ele fosse visto por alguns como um pobre coitado, inocente, já que sofria tanto com aquela situação. Mas ele tinha pecados, e o perdão de Deus era sua maior necessidade. Todos nós também somos pecadores, não importando a nossa situação, e nossa maior necessidade é o perdão de Deus.
Podemos ter o perdão de todos os nossos pecados quando nós aproximamos com fé do Senhor Jesus Cristo. Aquele homem buscou Jesus com fé, e recebeu o perdão dos pecados. Deve ter ficado surpreso com as palavras que Jesus lhe dirigiu, mas deve também ter se sentido aliviado de um grande fardo. A paz inundou a sua alma, todo o medo de Deus se foi, sabia que nenhuma condenação pesava sobre ele. Nós também podemos experimentar este mesmo perdão (1 Jo 1.9).
Deus pode usar nossos problemas e sofrimentos, para nos conduzir a Jesus, e assim termos perdão de pecados. A paralisia foi uma grande bênção para aquele homem. Pois se ele não fosse paralítico é provável que nunca teria buscado Jesus. Estaria levando sua vida como todos os outros homens, mas aquele sofrimento o levou até Jesus, e assim ele ganhou a salvação. As dificuldades em nossa vida têm como propósito nos levar a Jesus, e obter sua graça para desfrutarmos a eternidade com Ele.
As pessoas duvidam que Jesus possa perdoar pecados. Naquela casa muitos religiosos duvidaram do poder de Jesus em perdoar pecados. Ainda hoje, muitas pessoas também duvidam que possam ter seus pecados perdoados. Levadas por conceitos religiosos errados elas não podem crer que Jesus possa perdoas todos os seus pecados. E assim não desfrutam deste grande alívio na vida.
As curas e milagres realizados por Jesus teve como maior finalidade, não o bem estar ou alívio do receptor, mas a demonstração de Sua autoridade e missão neste mundo. Jesus curou e realizou milagres para demonstrar que Ele era o enviado autorizado por Deus para tratar com o problema do pecado do homem. Ele era o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Hoje Ele ministra o mesmo perdão através da pregação de Sua Palavra. Ele ordenou que seus seguidores pregassem este perdão em todo o mundo (Lc 24.47). A através Dele, qualquer pessoa que com arrependimento crê nesta mensagem tem o perdão dos pecados (Ef 1.7).
Este é nossa maior necessidade: o perdão dos nossos pecados.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

BUSCANDO SINAIS DE ARREPENDIMENTO

Uma das histórias bíblicas que me fascina é a de José do Egito. Mas algo me intriga naquela história. Quando se encontrou com seus irmãos, depois de mais de 20 anos sem vê-los, ele não se deu a conhecer, nem manifestou alegria, pelo contrário, agiu com dureza. Inclusive tentando incriminar seus irmãos de delitos que eles não haviam praticado. Por quê?
Penso em duas possibilidades:
Primeira – caso José se desse a conhecer de imediato, talvez  seus irmãos, com medo, não mais voltassem ao Egito, e assim, José perderia a oportunidade de rever seu pai e seu irmão mais novo, Benjamim. 
Segunda – ele queria verificar se seus irmãos haviam se arrependido. Estes irmãos eram iracundos, mentirosos, violentos e adúlteros (Gen. 34; 35.22; 37.4,8,11,20,26,32).
     Em seu coração, José já havia perdoado os seus irmãos (Gen. 42.24,25) , mas a reconciliação dependia  de arrependimento e confissão. E este arrependimento deveria ser demonstrado com frutos.  José fez perguntas, não apenas para saber a situação de seu pai, mas também, para verificar se seus irmãos diziam a verdade. 
     Apesar de não ter se manifestado de imediato, ele deu vários sinais de que sabia alguma coisa. Por exemplo: escolheu Simeão para ficar preso no Egito. Pois, depois de Rubem, Simeão era o mais velho, portanto o maior responsável pela venda de José como escravo (Gen. 42.24). De fato, Rubem pretendia salvar o irmão, e estava ausente quando a decisão da venda foi tomada. 
     Outro sinal  que enviou a seus irmãos é que arrumou a mesa do mais velho para o mais novo, e deu porções maiores para Benjamim (Gen. 43.33,34). Se seus irmãos estivessem atentos, poderiam ter desconfiado de alguma coisa. 
Da parte dos irmãos houve sinais de tristeza. Reconheceram que a aflição que estavam passando era um tipo de punição pela aflição que fizeram José passar (Gen. 42.21). Mas a mentira sobre José ainda era mantida em segredo pelos nove, pois até  Rubem pensava que José havia morrido (Gen.42.22,38; 43.30).
Os sinais se apresentaram quando reagiram diante da possibilidade de Benjamim ser punido com a morte (Gen 44.13). Se não tivesse ocorrido nenhuma mudança na vida deles, provavelmente eles deixariam Benjamim ser preso ou morto, afinal haviam agido assim com Simeão, pouco tempo antes. Mas naquele momento demonstraram preocupação com o pai. Não queriam aumentar a tristeza do pai com a perda de mais um filho. Judá assume a liderança (Gen. 44.14), pode ser que os três, que eram mais velhos, (Rubem, Simeão e Levi) haviam perdido a influência, por causa dos problemas que causaram à família no passado. 
O arrependimento é sinalizado com a confissão, reconhecimento de que não são inocentes (Gen. 44.16), e disposição para pagar o preço de não causar mais sofrimento ao pai (Gen.44.30-34).
José agiu daquela maneira para o bem dos irmãos. Eles precisavam reconhecer o pecado deles, confessar a culpa, e manifestar amor pelo pai. Era necessário que aprendessem que o pecado deixa suas consequências. Isso faria com que pensassem duas vezes antes de pecar novamente. 
Esta atitude também causou sofrimento em José. Ele pagou um preço pela disciplina imposta a seus irmãos. Seria mais fácil para ele ter-se dado a conhecer imediatamente, visto  logo seu pai e seu irmão Benjamim, mas preferiu correr riscos. 
        Os irmãos poderiam não ter mais voltado, e assim perderia o contato com eles. Afinal, se eles não tivessem se arrependido com sinceridade,  não se preocupariam em perder Simeão (que havia ficado preso no Egito na primeira visita). Não era orgulho da parte de José, mas amor. Amor que perdoa, e busca a reconciliação, mas busca também o arrependimento e a restauração na alma dos que causaram a ofensa.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

JOSÉ, UM PRESO LIVRE


     José, filho de Jacó,  teve muitos motivos para ser uma pessoa amargurada e desconfiada. Quando ainda morava na casa de seu pai, ele foi odiado por seus irmãos, que não conseguiam  falar-lhe de modo pacífico (Gen 37.4). A razão era o fato de Jacó amar mais a José do que os outros filhos. Isso não era culpa de José, portanto o ódio e a implicância de seus irmãos era sem sentido. E havia algo pior do que a ira,  a inveja deles (Gen 37.11; Pv 27.4). Mas José agia com coração puro para eles, era transparente em contar os sonhos que Deus lhe dera, e foi sozinho ao encontro deles em um lugar distante (Gen 37.12-25).
Quando estava no Egito, José também poderia ter guardado ressentimentos. Fora para lá  vendido como escravo;  seus irmãos não atenderam  ao seu clamor aflito, quando pediu a piedade deles (Gen 42.21); estava  longe do amor de seu pai  e agora escravo em uma terra estranha. Mas manteve seu coração puro, servindo ao seu senhor como estivesse servindo a Deus.
Na cadeia José poderia ter deixado a amargura dominar seu coração, afinal, mais uma vez fora traído,  também acusado e preso injustamente. Mas não era esta sua atitude, ele se preocupava com a tristeza e problemas dos que estavam a sua volta e se dispões a ajudá-los (Gen 40.6-8). Foi esquecido pela pessoa que ajudara (Gen 40.23). Mesmo preso, José tinha um coração livre para amar e perdoar. E quando chamado se dispôs a ajudar, mesmos em saber o que seria feito dele (Gen 41).
     O perdão no coração deve ser automático, não podemos guardar ressentimentos, amargura, desejo de vingança, etc. Nosso coração deve desejar o bem para aqueles que nos prejudicaram. Foi assim com José. Se ele tivesse permitido ressentimento em seu coração, ele não teria prosperado como prosperou. Sua alma amargurada não teria se concentrado nas tarefas que tinha diante de si, não poderia ter feito o trabalho com o esmero que fez, não teria se preocupado com a tristeza das pessoas ao seu redor e não teria se preocupado em não pecar contra Deus. Sua alma manteve a pureza de um coração que perdoa e não se preocupa em se vingar.  
        Mesmo preso, José estava livre das algemas que aprisionam muitas pessoas: falta de perdão, desejo de vingança,ódio, ira, amargura, desconfiança, ressentimentos, e outras atitudes que aprisionam a alma e matam a vida. Apesar de preso, ele era livre. 

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...