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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O PASTOR DO SALMO 23

Se você já leu com atenção o Antigo Testamento, deve ter percebido que às vezes o nome SENHOR, aparece com todas as letras maiúsculas, e outras apenas com o S maiúsculo, e as demais letras minúsculas (isso ocorre nas versões tradicionais da Bíblia). Já se perguntou por que é assim?
Grafar a palavra SENHOR com todas as letras maiúsculas foi a maneira que nossas versões escolheram para traduzir o nome pessoal de Deus.
A palavra “Deus”, como aparece na Bíblia, não é um nome, mas um título, que com o passar do tempo foi usada como um nome. Este processo acontece em várias línguas. Na língua portuguesa poderíamos exemplificar com o termo “professor”, que designa a função de quem ensina. Com o tempo passou a ser usada como um título. A pessoa que ensina geralmente é conhecida como “professor Fulano de Tal”. Em alguns casos a palavra é usada como um nome identificando uma pessoa, exemplo: “fale com o professor”. E ainda há casos, em que o nome mesmo da pessoa é esquecido e ela é apenas conhecida como “professor”.
O mesmo ocorre com a palavra “pastor”, que designa uma função, mas é usada como um título, e em alguns casos confundida com um nome. Talvez, se você chegasse à igreja onde sirvo, apontasse para mim, e perguntasse: “qual o nome daquele homem?”, alguém respondesse: “Pastor Almir”.  É como se “pastor” fizesse parte do meu nome.
Isso também ocorreu com a palavra “Deus”, era um título, designando um ser divino.  Mas os deuses tinham nomes. E no caso do Deus das Escrituras Seu nome era grafado com quatro consoantes, mas sem vogais, semelhantes a estas que aparecem no quadro ao lado. Havia a forma reduzida “Yah ou “Jah”, que aparece na palavra Aleluia, e nos nomes Josué e Elias.
Acredita-se que no início da história do povo de Israel todos conheciam a pronúncia. Mas a partir de certa época, o nome não era mais pronunciado, quando queriam se referir a Ele, os israelitas usavam outros nomes, tai como Adonai, El, etc. Assim a pronúncia ficou esquecida.
Em séculos mais recentes admitiu-se a pronúncia “Jeová” (as consoantes do nome com as vogais de Adonai). Hoje acredita-se que a pronúncia mais de acordo com os tempos bíblicos seja “Javé”, “Iavé” ou “Iaoé”. Sempre que aparecer no Antigo Testamento o termo SENHOR, com todas as letras maiúsculas, saiba que está se referindo ao nome pessoal de Deus.
No salmo 23, este nome aparece duas vezes: no início e no final. De fato é a primeira palavra do Salmo.  Ela identifica o pastor do salmo.
“O SENHOR é o meu pastor!” Mas você conhece o seu Pastor?
Nos tempos bíblicos, os nomes eram mais que modos de distinguir e identificar as pessoas, também marcavam o que a pessoa era, ou havia sido, ou mesmo o que seria. Eles tinham significado, descreviam as pessoas e expressavam a sua essência (caráter, função, posição, aspecto físico, evento marcante da vida, etc.).
Alguns exemplos: “Abrão”, que significa “pai exaltado”, foi mudado para “Abraão”, que significa “pai de muitas nações”, por causa da missão que Deus lhe deu (Gn 17.5). Isaque significa riso, referindo ao fato que foi motivo de riso (Gn 21.5,6). Nabal significa “Insensato”, pois era isso que este homem era (1 Sm 25.25). E assim por diante.
Em nossa sociedade isto pode acontecer com alguém. A função ou mesmo um traço do caráter pode designar alguém. Pode-se nomear as pessoas como Fulano mecânico, Beltrano professor, ou ainda Sicrano Valentão. 
E o nome SENHOR, significa o quê?
            Em primeiro lugar este nome indica que Deus é uma Pessoa e não uma força abstrata. Ele é um ser pessoal. Na língua hebraica a origem do nome é o verbo “ser”. Seu significado é destacado na revelação que Deus faz a Moisés em Êxodo 3.12-16. O nome já era usado, mas o significado redentor só é revelado a Moisés. Ele era o Deus que estivera com os pais daquela nação, agora estava com Moisés e visitava o povo no Egito, e ainda seria lembrado assim, de geração em geração. É como se Deus dissesse a Moisés “Eu estou presente é o que Sou”. Ele é uma presença fiel, um Deus sempre presente (Jo 8.58).  
Este é o nome de uma pessoa que trata com outras pessoas. O nome expressa a proximidade e o cuidado de Deus para com Seu povo. Manifesta que Ele é o Deus que se revela de forma salvadora (Ex 3.16-20).  Ele fala, ouve, vê, cheira, busca, entristece-se, julga, manifesta sua graça e age (Gn 4.6,9,13,16; 8.21).  Também as pessoas podem se comunicar com Ele (Gn 4.26). Por isso é chamado de o Deus de Sem, de Abraão, de Isaque, e de Jacó (Gn 9.26; Ex 3.15).
            É o Deus Criador de todos e de cada homem (Ex.4.11). Também é o Deus Todo-Poderoso (Gn 17.1); o Deus Altíssimo (Gn 14.22); o Deus Eterno (Gn 21.33); o Deus que providencia a salvação (Gn 22.14); O Deus dos Exércitos, o Senhor da Guerra (Ex 15.3; Oséias 12.5); o Deus que sara (Ex 15.26); o Deus Zeloso e Santo (Ex 20.2; 31.13; 34.14; Lv 11.44s); o Primeiro e o Último, Senhor da História e único Salvador (Is 41.4; 43.10; 44.6; 48.12-13; 49.6,26).
            Ele mesmo se chamou de SENHOR pela primeira vez em Gênesis 15.7, quando afirmou que havia tirado Abraão de Ur dos Caldeus para lhe dar aquela terra, mostrando Sua Soberania sobre os homens e sobre a terra. Ele se definiu e foi definido em títulos; ações que empreende (Criação, redenção, revelação); deu-se a conhecer por Seus atos poderosos. Ele escolheu um povo, e fez aliança com esse povo, para abençoar todas as nações.
Ele é o Único Deus, o único soberano sobre a vida e a morte           , nada nem ninguém é superior a Ele: Vede, agora, que Eu Sou, Eu somente, e mais nenhum deus além de mim; eu mato e eu faço viver; eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar alguém da minha mão.” (Deut 32.39)
            O Pastor do Salmo 23 é um Ser Pessoal, Eterno, Todo-Poderoso, Soberano e que se relaciona de modo pessoal com Suas ovelhas. 

sábado, 5 de janeiro de 2013

O SALMO 23

Há alguns anos uma campanha publicitária lançou um produto anunciando que ele tinha mil e uma utilidades. Foi apenas uma estratégia de marketing para apresentar que o produto poderia prestar vários serviços e que não tinha apenas uma função. Há certas coisas que têm muitas utilidades. Não sei se chegam a 1001.
Na Bíblia há certos textos que se aplicam a determinada situação, mas não a outras.  Alguns expressam alegria, outros tristeza, uns nos servem quando estamos com medo, outros para os momentos de vitória. Mas há alguns que cobrem uma gama maior de situações da vida. E creio que alguns podem cobrir todas as situações da vida. Um destes é o salmo 23.
Ele pode trazer conforto ao sem forças; alegria ao entristecido; ânimo ao desencorajado; louvor ao alegre; esperança ao desanimado.  Tanto lábios chorosos e compungidos; quando bocas abertas em sorrisos; e tanto olhares entristecidos pelas perdas, quanto olhos brilhantes de conquistas podem declarar: O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará.
Pode servir de lenço para rostos molhados de lágrimas; de bandeira para uma causa; de poltrona na qual se descansa após um dia de trabalho; de um escudo que se toma para espantar o medo; ou de um travesseiro no qual se deposita a cabeça cheia de confiança no cuidado de Deus.
É um dos textos bíblicos mais graciosos e amados. Tem um apelo universal. Expressa confiança e confidência, pois fala de Deus de uma maneira muito pessoal.  Ele é familiar tanto no sentido de que é bem conhecido; como no sentido de que nos dá a sensação de estarmos em casa.
Ele é um salmo, mas o que é um salmo? Um salmo era um cântico sempre usado no louvor a Deus. Era uma maneira de manifestar alegria, gratidão, estima e reconhecimento da glória de Deus. Um salmo poderia ser entoado apenas com a voz, ou também ser acompanhado de instrumentos musicais.  Os salmos são orações, confissões, louvores e ensinos. Mas sempre cantados a Deus.
Com os salmos nós temos a oportunidade de falar com Deus sobre nossos pensamentos e sentimentos usando uma linguagem inspirada. Nos salmos podemos expressar: temores, dúvidas, confiança, tristezas, alegrias e esperanças.
O salmo 23 também é uma poesia, que é um estilo literário que nos ajuda a expressar ideias e sentimentos numa linguagem figurada, cheia de imagens, numa maneira evocativa.  A poesia pode tornar algo presente em nossa vida pelo exercício da memória e/ou da imaginação. Ela nos ajuda a provocar e evocar o sentimento, a sentir o que deveria ser sentido. Manifesta nossas emoções de modo intenso, bonito e imaginativo. O poeta é um pintor que com palavras pinta mensagens em nossas mentes.  A poesia ajuda-nos a expressar com arte e beleza nossas afeições para com Deus.
A poesia também tem a vantagem de expressar verdades profundas em poucas palavras. Apenas uma frase de uma boa poesia pode dar origem a muito pensar. A profundidade é expressa de modo bonito e breve. Cada frase do Salmo 23 tem esta característica. Há profundas verdades em cada uma delas. E as verdades são pintadas em cenas marcantes em nossas mentes.
O salmo 23 é um cântico em forma de poesia que faz uma confissão de confiança em Deus. O salmista canta sua confiança no cuidado de Deus. Ele se sente seguro e confiado, pois o SENHOR é o seu pastor.
Ele declara a hospitalidade de Deus. Expressa como se sente recebido por Deus, como um hóspede ilustre e amado. Ele canta o amor de Deus para com ele. Ele proclama as certezas que têm no relacionamento com Deus. Ele confessa suas esperanças e expectativas. Ele testemunha como Deus tem cuidado dele.
Recitar este salmo é confessar nossa admiração por Deus, é exercer fé no cuidado de Deus, e expressar segurança mesmo nas situações ameaçadoras, é declarar nosso amor pelo SENHOR, e cantar nossa esperança na comunhão eterna com Ele.
Leia, medite, internalize, e declare as verdades do Salmo 23. Não se deixe levar por suas sensações, mas deixe que os sentimentos dos salmos moldem você.






quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O CANTOR QUE ENCANTOU



Em 2 Samuel 23.1-7 temos as últimas palavras do rei Davi. No verso 1o temos a descrição de algumas qualidades dele. Entre elas está que ele foi o mavioso salmista de Israel. A palavra “mavioso” traduz um termo hebraico que significa: “belo, bom, agradável, encantador”. E o termo “salmista” poderia muito bem ser traduzido como “cantor”, que tanto indicava alguém que canta como quem fazia as músicas. Davi é então considerado um cantor ou compositor bom, encantador, agradável. Um cantor que encantava por compor salmos belos e agradáveis. Esta é uma verdade que todos nós podemos atestar ao ler os salmos que ele escreveu. Dentre estes salmos está o 23, que é considerado como a pérola dos salmos, e por alguns autores, como o rouxinol dos salmos. Este salmo é com certeza um canto que encanta.

Escrever algo que encante exige certas qualificações. Especialmente quando este canto encanta pessoas em todo canto do mundo por quase três mil anos. Quais seriam as qualificações de Davi para escrever tão belo canto?

Davi fora um dedicado pastor de ovelhas. Nas primeiras vezes que Davi aparece na Bíblia ele é sempre descrito como alguém que está apascentando as ovelhas de seu pai em Belém (1 Sm 16.11,19; 17.14). Demonstra ser um pastor cuidadoso, pois quando enviado por seu pai aos seus irmãos que estavam no exército de Saul, antes de sair, ele levanta ainda de madrugada e deixa as ovelhas com um guarda. Era um pastor extremamente dedicado ao rebanho, pois arriscava sua vida para salvar as ovelhas. Em 17.34,35 ele descreve como agia quando suas ovelhas eram atacadas por um leão ou um urso. Ele corria atrás, golpeava, tomava a ovelha de sua boca, e matava a fera. Não seria qualquer pastor que agiria desta forma. Só aquele que de fato entendia a função de pastor, que era cuidar do rebanho, e levava a sério esta responsabilidade. A experiência de Davi, nos campos de Belém, tomando conta devotamente das poucas ovelhas de sua família, qualificou-o para escrever este belo salmo.

Mas Davi também foi pastor de gente. Começou cuidando de uma tropa do exército de Saul (1 Sm 18.13,14). É dito que ele cumpria tarefas militares perigosas com muita prudência. Fez tão bem este serviço que despertou a inveja de Saul. Teve que fugir, e se tornou o líder de um rebanho um tanto estranho, pois era formado por homens endividados, atormentados e amargurados (1 Sm 22.2). Durante um bom tempo Davi pastoreou estes homens, algumas vezes em situações bem delicadas. Sempre agiu com prudência e sabedoria. Depois foi o rei de Israel. O próprio povo quando o sagra rei reconhece que ele é o prometido de Deus para pastorear Israel (2 Sm 5.2). No salmo 78.71,72, é dito que esta posição veio de Deus. Diz também que Davi a cumpriu com um coração inteiramente dedicado e com entendimento. Em suma foi um bem sucedido pastor de gente. Ser pastor de gente qualificou Davi para escrever este formoso canto.

Davi não apenas cuidou de ovelhas e liderou pessoas com devoção e inteligência, ele também foi pastoreado por Deus. Ele experimentou o cuidado e liderança de Deus em sua vida. Ele testemunha que já no tempo que cuidava das ovelhas era Deus quem o livrava das feras que atacavam o rebanho, de que este mesmo Deus lhe livraria de Golias.(1 Sm 17.37s). Durante o tempo que Saul o colocou na liderança de atividades militares ele agiu com prudência porque Deus estava com ele (1 Sm 18.14). Foi no Senhor que ele se agarrou quando seus próprios comandados pensavam em matá-lo por estarem profundamente amargurados (1 Sm 30.6). Soube esperar o tempo de Deus para livra-lo de Saul, mesmo tendo duas oportunidades de mata-lo (1 Sm 24 e 26). Davi sempre consultava o Senhor diante do que tinha para fazer (2 Sm 5.19,23). Era o Senhor que dava as vitórias de Davi (2 Sm 8.14), o próprio Davi reconhece que seu sucesso vinha de Deus ( 2 Sm 5.12). Por ter experimentado o pastoreio de Deus ele estava qualificado para escrever este canto que ainda nos encanta.

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...