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quarta-feira, 19 de julho de 2017

quarta-feira, 7 de março de 2012

OLHO PIDÃO


A expressão “olho pidão” indica alguém que pede com os olhos. Pode ser o olhar suplicante do mendigo, ou o olhar guloso da criança diante do balcão de doces. Ambos comunicam seus desejos pelos olhos.  É o olhar do personagem Chaves, do seriado do mesmo nome, que mesmo balançando a cabeça indicando que não quer o sanduiche de presunto, os olhos dizem o contrário.
O olhar do peregrino também é um olhar pidão. No salmo 123 ele diz que seus olhos esperam em Deus, e este olhar além de esperar, clama. Junto com o olhar há um pedido por misericórdia. Ele olha para Deus e conta os seus problemas. A causa de seu sofrimento é o desprezo. Ele e os outros adoradores são vistos como insignificantes, sem valor, e sem importância, desdém que é acompanhado de escárnio. E isto irrita e dói em sua alma. 
Por isso ele diz que está saturado e ensopado das zombarias dos arrogantes e soberbos. Daqueles que pensam que podem viver sem Deus, desfrutando do bem bom da vida sem preocupações.  Os arrogantes são descritos em Amós 6.1 e Isaías 32.9,11, como pessoas que não se importam com a iminência do juízo de Deus, e nem se afligem com o pecado cometido. Vivem para vestir-se bem, festejar e divertir-se. A indulgência, luxúria e frivolidade são suas aspirações. 
Os orgulhosos se levantam como ondas do mar. Apoiando-se em seus próprios expedientes e forças, zombam daqueles que humildemente dependem de Deus; que sofrem, e aparentemente não prosperam.
Um exemplo deste desprezo aparece em Neemias 2.19 e 4.1-4. Provocado pela ira e pela inveja, o menosprezo duvida de até onde podemos ir; considera inútil os nossos esforços; e zomba do potencial de nossas realizações. Ele pode se manifestar lançando dúvidas sobre nossas intenções e nos caluniando. Seu alvo é nos desanimar. Este desprezo é pior do que a ira (Mateus 5.22).
Diante deste ataque o salmista dirige seu olhar para o SENHOR, com atitude de servo (humilde, submissa, concentrada, esperançosa), e conta seu problema para Deus.
Igual ao peregrino, também enfrentamos o desprezo dos outros. Talvez por nos considerarem fracos, idiotas, atrasados, retrógrados, por ainda acreditamos em coisas que não fazem sentido no mundo moderno. Somos incompreendidos, por não darmos vazão às nossas paixões, por reprimirmos os nossos desejos. Chamados de bobos, de gente que não sabe aproveitar a vida (1 Pedro 2.11,12,13; 4.2,4).
Qual o desprezo que lhe aflige? A indiferença dos que você ama? O descompromisso de quem deve cuidar de você? A infidelidade de quem deveria ser fiel? A falta de atenção e gratidão das pessoas pelas quais você tem se desgastado? Falsas acusações? Juízos precipitados sobre suas aflições? Depreciação do seu trabalho? Descrença em suas capacidades? Pouco caso de suas ideias? Xingamentos? Pessoas que nem lhe dirigem a palavra? Outros que riem de suas convicções e comportamento? Você está cheio, já não aguenta mais?
O que pretende fazer? Para quem está olhando?
O peregrino nos ensina que na adoração alegre, também há espaço para o desabafo humilde, a súplica sofrida, o clamor confiante. Faça como ele, dirija seu olhar para o Senhor, pedindo misericórdia, conte seu problema, e aguarde com confiança.

  

sábado, 9 de outubro de 2010

UM REMÉDIO CONTRA OS MEDOS, ANGÚSTIAS E OUTROS MALES.


Numa das leituras preparatórias para a Escola Dominical deparei-me com um autor que receitou o salmo 23 para um senhor que estava tenso e nervoso por conta de seu sucesso no trabalho. A receita era ler o salmo cinco vezes ao dia durante sete dias. A leitura deveria ser acompanha de oração e meditação, embebendo-se com o salmo.

Para o autor o nosso pensar dirige o modo como somos. Se modificarmos o modo de pensar, mudaremos nosso jeito de ser e sentir. Logo, se alguém interioriza o salmo 23, deixará de lado a tensão e o nervosismo, pois confiará que o Pastor cuida de tudo e nada deixa faltar.

Mas, tem o pensamento este poder de determinar meu modo de ser? O que a Bíblia diz sobre isto?

Em Provérbios 23.7 diz que o homem invejoso é tal qual os seus pensamentos, por isso não se deve confiar nele. Isto indica que o pensamento forma a pessoa.

A mesma verdade aparece em Romanos 12.2. Ali temos a ordem de não sermos moldados pelo pensar deste mundo, mas sermos transformados pela renovação da mente. Isto é, um novo modo de pensar trará a transformação da nossa vida, só assim poderemos experimentar o fato de que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável. Mais uma vez a Bíblia indica que o meu pensar determina o que sou e como ajo. Se meu modo de pensar é o do mundo, eu irei agir e sentir como alguém do mundo. Mas, se deixo que meu modo de pensar seja o de Deus, eu irei agir e sentir como Deus quer que eu aja.

Outra evidência bíblica do poder do pensamento em moldar o que sou aparece no uso da palavra meditar. A meditação na palavra de Deus fazia a diferença entre o homem bem aventurado e o ímpio (Salmo 1). Era a meditação na Lei do Senhor que daria a Josué a capacidade de obedecer a Deus e assim ser bem sucedido (Josué 1.8). O salmista Asafe testemunha como seus sentimentos mudaram da perplexidade para o ânimo por conta de sua meditação nos feitos de Deus (Salmo 77). Os termos que foram traduzidos por meditar neste salmo de Asafe indicam uma atividade de repassar na sua mente o assunto (refletir, falar consigo mesmo), ou ainda falar baixo, planejar, pensar.

Com certeza nossos pensamentos moldam o que somos. Agimos por conta daquilo que pensamos. Você pode comprovar isto em sua vida. Quando pensamos mal de uma pessoa, isso afetará nossa maneira de agir com ela, iremos tratá-la com má vontade. Se você começa a pensar que algo de ruim pode acontecer numa determinada situação, começa a ficar preocupado e com medo, mesmo antes da situação surgir.

Quando medito no Salmo 23 as verdades do salmo irão determinar o modo como me comporto diante da vida. Para um pouco em cada dia e reconhecer que há alguém que cuida de mim e que nada deixará faltar, há de curar-me da ansiedade, do medo, da intranqüilidade, tensão, nervosismos, etc.

Que tal tomar a receita dada pelo autor?

Leia o salmo 23 com muita atenção. Depois leia meditando, isto é, refletindo em tudo que é declarado nele. Pense em como cada uma daquelas promessas pode ser aplicada em aspectos específicos de sua vida. Exemplo: se você se sente ameaçado por alguma situação, diga assim: mesmo que eu ande pelo vale da sombra da morte, O senhor estará comigo. Se você está precisando tomar alguma decisão, diga: O Senhor me guia pelas veredas da justiça, por amor do Seu nome.

Depois destas duas leituras faça mais uma leitura orando. Reafirmando para o próprio Senhor o que o Salmo diz. Seria assim: Senhor, eu sei que Tu és o meu Pastor, que o Senhor cuida de mim, e não vai deixar faltar nada que eu preciso. Continue recitando para o Senhor cada frase do salmo.

Cada vez que fizer as verdades do salmo se fixarão em sua mente. Durante o dia, quando as dificuldades surgirem, estas verdades serão ativadas pelo Espírito Santo, e você confiará cada vez mais no Pastor do Salmo.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

ANGÚSTIA


“Angústia” é o título da pintura cuja fotografia aparece ao lado. É obra de  David Alfaro Siqueiros e se encontra no Museu de Arte de São Paulo. Contemplando-a,  percebemos de imediato que o autor expressou com precisão  a terrível sensação da angústia.  Há expressões que refletem este mesmo sentimento, por exemplo:  “Passei um sufoco” ou “passei por um aperto”. Davi poderia usar estas expressões, pois ele passou por uma situação adversa e muito problemática que gerou uma grande angústia! Em 1 Sm 30.6 é dito que ele muito se angustiou.
 No Antigo Testamento a palavra “angústia”  tem o sentido literal de “estreito” ou  “apertado”. Ela indicava um caminho muito apertado (Nm 22.26). De modo figurado,   algumas vezes ela é traduzida como “tribulação” e “aflição”.  Quem passou por situações angustiantes pode concordar que a comparação com um caminho estreito serve bem para ilustrar uma situação de aflição.  
A angústia pode chegar a nós por diferentes caminhos, mas todos serão estreitos, apertados e podem nos deixar sufocados.  Pode ser uma aflição interna que perturba nosso coração (Sl 25.17); uma dor como a da mulher na hora de dar à luz ao primeiro filho (Jr 4.31); um lugar onde só se vê aflição (Is 8.22); um medo ou ansiedade que vem diante de um futuro ameaçador (Gn 32.7); um tempo em que nada dá certo (Jz 2.15); a opressão de inimigos (Jz 10.9); a sensação de que Deus não nos responde (1 Sm 28.15),  e assim por diante.
No caso de Davi era uma situação de terrível frustração e desespero, pois quando ele e seus soldados voltaram da guerra encontraram sua cidade totalmente queimada. As esposas, filhos e filhas tinham sido levados como prisioneiros por invasores. A situação era tão aflitiva que aqueles fortes soldados choraram até não ter mais forças nem para continuar chorando (1 Sm 30.1-4).
As causas da angústia são variadas. Pode ser o resultado de nossas escolhas erradas, como nossos pecados (Sl 78.49; Sf 1.17) e paixões ilícitas (2 Sm 13.2). Mas ela também pode nos acometer quando estamos agindo corretamente, na forma da morte de alguém querido (2 Sm 1.26) ou de perseguição pelos inimigos (Jr 6.24). A angústia de Davi não foi por causa de alguma ação errada sua, mas foi causada pela reação imatura de seus amigos.
Era uma angústia grande, porque além de ter perdido tudo, ainda havia a ameaça de perder a vida: pois o povo falava de apedrejá-lo, porque todos estavam em amargura, cada um por causa de seus filhos e de suas filhas (1 Sm 30.6). Ele estava sendo acusado injustamente. Aqueles homens eram seus amigos, estiveram com ele durante muitos anos e passaram por situações muito difíceis. Mas agora estavam tão amargurados que haviam esquecido tudo que Davi fizera de bom para eles e queriam matá-lo a pedradas. A incompreensão e acusação de amigos, que em momentos difíceis deveriam ser companheiros (Pv 17.17), podem nos trazer grande angústia. Creio que a decepção causada pelos amigos que não o ajudaram na angústia intensificou o sofrimento de Davi.
O que a angústia pode causar? Doença, como no caso de Amnon (2 Sm 13.2); um choro que acaba com nossas forças, e nos leva ao desânimo, à amargura e à revolta como no caso dos soldados de Davi (1 Sm 30.1-4); um coração ainda mais endurecido diante de Deus, como o rei Acaz (2 Cr 28.22); um desespero, que pode nos levar a agir contra o que achamos certo, e passar a buscar Deus por meios não aprovados por Ele, como o rei Saul (1 Sm 28.15).
O que Deus quer de nós em nossas angústias? Às vezes Ele quer nos corrigir e nos levar ao arrependimento (Dt 4.30), outras vezes Ele quer que conheçamos Seu poder e  que dependamos Dele. Pois Ele é a força no dia da angústia (Sl 37.39). Foi isto que Davi fez: porém Davi se tornou forte no SENHOR, seu Deus (1 Sm 30.16). Davi sabia que desistir no dia da angústia é para quem tem pouca força (Pv 24.10), mas a sua força era grande, pois vinha de Deus.
O que fazer em momentos de angústia? Clamar a Deus. Foi isto que fizeram algumas pessoas quando angustiadas: o rei Manassés, que se arrependeu e se humilhou diante de Deus (2 Cr 33.12); Jacó e os salmistas, que buscaram a Deus em oração (Gn 35.3; Sl 77.2; 86.7; 120.1; 142.2); Jó, que desabafou suas queixas diante de Deus (Jó 7.11). E o próprio Davi que buscou saber a vontade do Senhor (1 Sm 30.7,8).
       Nosso Deus nos responde no dia da angústia (Sl 20.2).  Quando clamamos, Ele nos socorre e é glorificado (Sl 50.15). Nosso Deus é refúgio seguro em todas as nossas aflições (Is 25.4). Ele é socorro abundante nos momentos de tribulação (Sl 46.1). Nosso Deus sente também as angústias de Seu povo, e por amor e compaixão nos ajuda em nossas angústias (Is 63.9).
       Caso você esteja angustiado, em alguma situação difícil, talvez até querendo desistir. Busque forças em Deus. Sugiro que leia este artigo novamente, com calma, relendo em sua Bíblia todas as referências aqui citadas e meditando nelas. Então, coloque sua angústia diante de Deus, aguarde o socorro Dele, depois, dê testemunho de como Ele te ouviu no dia da tua angústia. 

O VALOR DE LER LIVROS

                 A tecnologia acelerou significativamente nossas vidas, criando uma demanda por gratificação instantânea.  Essa mudança, ali...