quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A PERSEVERANÇA É O CAMINHO PARA A VITÓRIA



Certas pessoas têm muitas iniciativas e poucas “acabativas”. A primeira vez que ouvi essa frase a achei engraçada. Depois, pensando melhor, vi que ela pode ser mais trágica do que cômica. A maioria de nós inicia muito e conclui pouco.
Se existe uma época pródiga em revelar esta verdade, essa é o final de um ano e início de outro. O final nos faz lembrar que projetamos muito e realizamos pouco. O início manifesta a renovação de nosso entusiasmo em almejar muito.
Mas por que esta busca é abandonada no meio do caminho?
Creio que não seja por falta de capacidade ou oportunidade, mas por falta de perseverança. Cedemos facilmente diante dos obstáculos e problemas que aparecem entre nós e nossas metas.
Geralmente abandonamos nossos sonhos diante das primeiras dificuldades. Ao invés da resistência, cultivamos a desistência. Não chegamos às grandes conquistas, não experimentamos grandes vitórias, ficamos sempre no meio do caminho, tornamo-nos medianos, aceitamos a mediocridade e nos satisfazemos com ela.  Tudo isso porque nos faltam coragem para ultrapassarmos as barreiras, disciplina para enfrentarmos os desafios e a consciência de que sem luta não há vitórias.
Há uma história nas Escrituras que nos mostra que a perseverança pode ser um instrumento tocado por Deus para produzir em nós e através de nós o som da vitória.   Ela é narrada duas vezes, em 2º Samuel 23.8-12 e 1º Crônicas 11.10-14 onde são alistados os valentes de Davi.
O termo “valente” era usado para adjetivar quem realizava uma façanha incomum e se destacava em qualquer área de atividade. Nos textos mencionados, indica os guerreiros mais destacados,  os campeões do exército de Davi.
Três destes heróis ganharam a posição de proeminência por causa das conquistas nos campos de batalha. O primeiro deles numa só batalha matou 800 homens com sua lança. Para entender um pouco deste feito, é preciso ter em mente como eram as batalhas naquele tempo. Bem parecidas com as que são encenadas nos filmes da trilogia Senhor dos Anéis e o Hobbit, onde um soldado luta contra vários outros ao mesmo tempo com seu escudo, espada ou lança.
Mas, para evidenciar a proposta desta meditação quero enfatizar a ação dos outros dois. Os exércitos de Israel e dos filisteus estavam reunidos para a batalha, mas os soldados israelitas não resistiram e bateram em retirada. No entanto, Eleazar permaneceu ao lado de Davi e lutou tanto que teve uma espécie de câimbra e não consegui mais soltar a espada.  O texto diz que naquele dia Deus realizou um grande livramento e os outros soldados voltaram apenas para  aproveitar os despojos.
 O terceiro valente foi Sama. Também numa guerra contra os filisteus na qual os soldados israelitas fugiram. Mas ele se plantou no meio do terreno e bravamente resistiu, resgatando aquela terra das mãos dos inimigos. Novamente o texto menciona o grande livramento realizado pelo Senhor.
Nos dois casos houve luta ferrenha, desistência da maioria e alguns que perseveraram na batalha, mesmo sendo poucos e a peleja feroz. Estes heróis tiveram a coragem de se arriscar por um bem maior, a causa do reino do Senhor, representada naquela época na manutenção e expansão do reinado davídico.
Em ambas as ocasiões Deus estava atuando através da ação humana. A resistência e perseverança daqueles homens foram os meios para Deus operar o livramento de Seu povo.  O escritor do livro menciona estes atos para mostrar como Deus honra o esforço daqueles que permanecem fieis em prol do Seu Reino.
A causa final do grande livramento foi a ação de Deus, mas Ele a realizou através da coragem resistente e perseverante de Eleazar e Sama. Se eles tivessem também fugido diante do ataque filisteu, não teriam desfrutado a vitória. A perseverança foi o caminho trilhado por Deus para conduzi-los à glória.
Pode ser que em 2015 você se depare com situações semelhantes. Lutando sozinho pelos seus alvos. Se realmente vale a pena, se é de Deus, não desista, persista, resista, lute com coragem. Ele irá lhe conceder a vitória.  Lembremos de que, se somarmos as desistências de cada ano, poderemos chegar ao final da vida vazios de realizações e cheios de frustrações,  pois nossos alvos não passaram de boas intenções. Deus pode realizar grandes feitos através da nossa perseverança em continuar lutando.







quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Esqueceram de mim OUTRA VEZ?!!!!



“Esqueceram de mim” é o título da versão brasileira de uma comédia norte-americana, na qual uma criança é acidentalmente deixada sozinha em casa quando sua família sai de férias no Natal. Mas, enquanto a criança do filme foi esquecida em apenas um Natal, há outra pessoa que tem sido esquecida em quase todos os Natais.
Em cada Natal se intensifica a atitude de se preocupar com tudo, menos com o aniversariante. Recentemente, uma irmã compartilhou um diálogo com uma jovem que estava alegre por ter feito todas as compras do Natal, já tinha presente para todos. Então a irmã lhe perguntou: e para o aniversariante? Recebeu como resposta um olhar surpreso com outra pergunta: Qual aniversariante?
Jesus tem sido o esquecido de quase todos os natais e por quase todas as pessoas. Ele é como um aniversariante que todos comemoram sua festa, comprando roupas novas para si mesmos, desfrutando comidas apetitosas e presenteando uns aos outros, mas agindo com indiferença para com o aniversariante.
Mas Ele deveria ser a pessoa mais lembrada, não apenas no Natal, mas em todos os dias de nossa vida. Embora não tenhamos certeza que Ele tenha nascido no dia 25 de Dezembro, esta foi a data escolhida pela cristandade para celebrar o Seu nascimento. Por que este nascimento deve ser celebrado?
Entre outras razões, porque Jesus veio ao mundo para nos revelar Deus. No evangelho de João capítulo primeiro, o autor se refere a Jesus como o Verbo, isto é, a Palavra, a Comunicação ou a Mensagem.  Esta mensagem é uma pessoa, uma pessoa divina, pois era Deus e estava com Deus. A Mensagem é o próprio Criador e doador da vida de todos (João 1.1-4).
Esta Palavra fez sua morada entre nós tornando-se também humana. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (João 1.14).
A palavra “habitou” traduz um verbo que na língua original deriva do substantivo “tenda”. Quando o Seu povo estava no deserto, Deus ordenou que fosse construída uma tenda que serviria de santuário, para que Ele habitasse no meio do povo (Êxodo 25.8,9). Esta tenda se tornou o símbolo da habitação de Deus até que o templo foi construído (2º Samuel 7.6; 1º Crônicas 6.32). 
Tanto o tabernáculo como o templo não foram permanentes, funcionaram apenas como figuras e sombras da presença de Deus entre os homens. Esta se tornou realidade na vinda de Jesus ao mundo. Por isso Ele foi chamado de Emanuel, nome que significa “Deus conosco” ou “Deus entre nós” (Mateus 1.23). Devemos celebrar o Natal, pois nele Deus nos visitou na pessoa de Seu Filho Jesus (Lucas 1.68-71).
Esta visita foi plena de graça e verdade. “Graça e verdade” foi uma expressão usada no Antigo Testamento para retratar o caráter manifesto de Deus, embora este não fosse o uso único destas palavras. Sempre que Deus se revelava, Ele manifestava Sua graça e verdade (Ex 34.5-7).  A expressão tem uma força inclusiva, indicando tudo que estava no meio, semelhante à nossa “dos pés à cabeça”. Ela engloba tudo que Deus é e tem revelado a nós, e todas as Suas ações salvadoras.
Ele sempre agiu com graça e verdade, mas de modo completo foi na vinda de Jesus Cristo. Em Jesus, a graça e a fidelidade de Deus se revelaram de forma plena. Jesus é o retrato mais completo de Deus, pois é a própria imagem de Deus em forma humana. Devemos celebrar o Natal, porque nele recebemos a mais plena revelação de Deus e Sua suprema manifestação salvadora: a vinda de Seu próprio Filho Jesus.
Quando o tabernáculo e o templo foram inaugurados a glória de Deus se manifestou (Êxodo 40.34,35; 1º Reis 8.10,11). A manifestação visível desta glória era uma evidência da presença de Deus com seu povo. (Ex 13.21,22).  A vinda de Jesus também manifestou a glória de Deus. Em todas as ações de Jesus, incluindo sua morte e ressurreição, a glória de Deus pode ser vista.
Jesus foi a manifestação gloriosa, visível e humana de Deus.  Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou. (João 1.18). Somente através de Jesus é que podemos conhecer Deus.  O próprio Jesus disse: Quem vê a mim, vê o Pai.  (João 14.9). Devemos celebrar o Natal, porque nele Jesus veio ao mundo para que tivéssemos uma manifestação visível de Deus. 
         Esta é apenas uma das razões para celebrarmos o Natal do modo correto: Jesus veio para nos revelar Deus.
         Nestas últimas semanas, ocorreram em nosso país, esquecimentos de crianças que vieram a falecer por causa disso. Isso mostra que, fora das telas do cinema, esquecimentos produzem mais tragédias do que comédias.  E o esquecimento que se repete em cada Natal é o mais trágico de todos. Por isso, vamos fazer deste aniversariante, não apenas a pessoa mais importante do Natal, mas a mais importante das nossas vidas durante todo o ano.






sábado, 15 de novembro de 2014

JESUS, O ÚNICO INVICTUS

O poema Invictus, escrito pelo inglês William Ernest Henley em 1875, foi citado muitas vezes na literatura e no cinema, normalmente de forma motivadora, para afirmar que nada pode impedir a vontade de alguém em realizar seus sonhos e projetos. Nele o poeta agradece a algum deus (se houver algum, conforme ele diz) por sua alma que não se curva aos golpes da vida. O verso final diz assim:




Por ser estreita a senda – eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino  
Eu sou o comandante de minha alma.

            As duas últimas linhas são as mais conhecidas e expressam a filosofia autônoma que caracteriza a vida no mundo ocidental desde o advento do Iluminismo. O homem se julga dono e senhor de seu destino, o único comandante de sua vida.
Mas a História de cada um de nós prova o contrário, nenhum de nós é senhor do seu destino nem comandante de sua vida. A declaração da poesia só se aplica a um homem: Jesus Cristo. Só Ele foi senhor e dono de seu destino e comandante de sua vida.  
            Nenhum de nós escolheu nascer, nem decidimos a nossa origem e lugar de nosso nascimento. Mas Jesus teve este poder. Ele escolheu nascer entre os homens, esta foi uma decisão sua. Lemos em Filipenses 2.6,7 que Ele esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo e tudo que inclui a verdadeira natureza humana.  Sendo Deus, Jesus escolheu o tempo e o lugar de seu nascimento. Sabemos disso pelas profecias que já estavam feitas muito antes d’Ele nascer (Mt 1.22; 2.5).
            Ninguém consegue controlar suas decisões e o seu tempo de modo a não se curvar a nenhuma pressão, seja das pessoas ou circunstâncias. Por mais forte que seja a nossa determinação, normalmente nossos planejamentos cedem diante de imprevistos superiores à nossa vontade. Mas Jesus era senhor de seus momentos e da direção de sua vida, não cedendo às pressões ao seu redor. Quando sua mãe lhe comunica a necessidade de vinho nas bodas de Caná, Ele calmamente responde que ainda não é chegada a sua hora (Jo 2.4). Quando seus irmãos insistem para que Ele suba a festa e manifeste publicamente suas obras, Ele lhes diz que o seu tempo ainda não havia chegado (Jo 7.4).  Noutra ocasião sua mãe e seus irmãos tentam falar com Ele, mas nem isso interrompeu Seu ministério de ensino (Mt 12.46-50).  Quando seus discípulos o procuram para lhe informar de Seu sucesso, Ele não se deixa levar por essa informação, mas se levanta para continuar cumprindo Sua missão (Mc 1.35-39).
            Muitas vezes as necessidades físicas se colocam entre nós e as nossas decisões, de modo que não conseguimos avançar com nossos projetos por causa delas. Jesus soube dominar suas necessidades de fome e sede, priorizando Sua missão (Lc 4.2-4; Jo 4.6-30). Os discípulos insistiram que Ele se alimentasse, mas Ele indicou que não era o alimento físico que determinava seu uso do tempo, mas a vontade do Pai (Jo 4.34).
            Mesmo que alguém, com fortíssima determinação, consiga controlar os fatores mencionados nos dois parágrafos acima, a morte ainda tem o poder de impedir a realização de seus sonhos. Mas com Jesus não foi assim. Ninguém apressou Sua morte, mesmo tentando (Lc 4.28-30). Ela ocorreu no momento que Ele havia marcado. Apesar da astúcia dos homens e da traição de um dos seus, Ele sabia o Seu momento e o havia predito (Mc 8.31; 9.31; 10.32ss; 14.1,41,42). Conhecia quem o entregaria, quem o negaria e que os discípulos o abandonariam (Mc 14.21,27,30). Estava certo de Seu destino depois da morte (Mc 14.28). Voluntariamente se encaminhou para o lugar onde seria preso, pois era desta forma que as Escrituras se cumpririam (Mc 10.32,49).
            No seu julgamento não conseguiram incriminá-lo com falsas acusações, mas voluntariamente e sinceramente confessou quem Ele era, fornecendo o motivo que seus adversários queriam para acusá-lo e mandar matá-lo (Mc 14.53,55-65). Contrapondo-se à negação medrosa de Pedro, Ele manifesta confiança (Mc 14.66-72). Quando interrogado por Pilatos, governador e representante do Império Romano, a força dominante na época, Ele é que se mostra o Soberano e Senhor da situação (Mc 15.1-15).
Ele permaneceu calado e deixou-se castigar (Mc 15.15-20). Rejeitou a bebida anestesiante que poderia aliviar Sua dor (Mc 15.23). Foi Ele quem entregou Seu espírito, demonstrando completo senhorio sobre a morte (Mc 15.37). A sua morte foi uma autodoação em prol de seus amigos (Jo 15.13). Deixou claro que Sua vida lhe pertencia e que poderia espontaneamente doá-la, pois tinha autoridade para entregá-la e reavê-la (Jo 10.18).
Ninguém tem este poder e autoridade sobre sua própria vida, apenas Jesus. Portanto, Ele é o Único Invictus, o único Invencível.

domingo, 2 de novembro de 2014

O CULTO É UMA OPORTUNIDADE PARA TESTEMUNHAR

Há alguns anos ouvi de um pastor que o simples fato de um crente pegar sua bíblia e se dirigir à igreja para cultuar já seria um testemunho para os descrentes. Muitas vezes pensamos que testemunhar é apenas falar para alguém sobre Jesus e o plano da salvação. Mas creio que aquele pastor acertou em sua afirmação. A ida ao culto é um modo de testemunhar.
            No salmo 122 o peregrino celebrava com alegria o privilégio de cultuar a Deus em Jerusalém. Todo israelita ia ao templo prestar culto a Deus, pelo menos numa das grandes festas religiosas anuais. Era um momento de comunhão, mas também de testemunho e louvor.
No verso 4 ele afirma “para onde (Jerusalém) sobem as tribos, as tribos do SENHOR, como convém a Israel, para renderem graças ao nome do SENHOR”.
A expressão traduzida  “como convém a Israel”, literalmente é “como testemunho para Israel” ou “como testemunho de Israel”.
O termo “testemunho” começou a ser usado no Antigo Testamento para designar as tábuas da lei. Depois passou a indicar tanto a arca, onde estavam as tábuas da lei, como o Tabernáculo, onde estava a arca com as tábuas. Por isso que estes objetos eram também chamados de tábuas do testemunho, arca do testemunho e Tenda do testemunho (Êxodo 30.6; 38.21). Também foi usado para nomear a lei com as instruções e mandamentos de Deus (Salmo 19.8). A Palavra de Deus era um testemunho que Ele havia dado de Sua Pessoa e Obra.
Este testemunho indicava que deveriam adorar no lugar escolhido pelo próprio Deus (Êxodo 23.17; Deuteronômio 12.13,14). Portanto, quando o peregrino subia para Jerusalém, estava obedecendo ao testemunho que Deus dera de como deveria ser adorado e manifestava sua lealdade e disposição de aprender e seguir os testemunhos do Senhor.
Com esta obediência, também dava testemunho de Deus, isto é, testemunhava sua fé e obediência à Palavra de Deus.  Ele lembrava e alertava os outros israelitas sobre quem Deus era, o que Ele tinha feito e o privilégio que lhes era graciosamente dado de cultuar este Deus.
O povo de Deus hoje também deve testemunhar (Atos 10.42). É através do testemunho dos que já creram que outros chegam a crer (João 17. 20). Este testemunho é a proclamação de Jesus,  Sua obra e a necessidade de arrependimento e fé n’Ele (Atos 18.5; 20.21). Aqueles que já creram devem ser relembrados e reafirmados neste testemunho,  e o culto comunitário é uma oportunidade para isso (2 Timóteo 2.14).
Com o ensino da Palavra, com a manifestação da comunhão e com o nosso louvor testemunhamos de Deus e da nossa salvação em nossos cultos. Mas nossa fidelidade em comparecer nas reuniões da igreja já é um modo de testemunharmos que priorizamos Deus e Sua obra. Quando um crente deixa outros afazeres e se dirige a um local de culto a Deus, ele está dizendo para as pessoas ao seu redor, que considera Deus importante  e merecedor de seu tempo e louvor.

Portanto, a ida ao culto é uma forma de testemunhar.