sábado, 15 de novembro de 2014

JESUS, O ÚNICO INVICTUS

O poema Invictus, escrito pelo inglês William Ernest Henley em 1875, foi citado muitas vezes na literatura e no cinema, normalmente de forma motivadora, para afirmar que nada pode impedir a vontade de alguém em realizar seus sonhos e projetos. Nele o poeta agradece a algum deus (se houver algum, conforme ele diz) por sua alma que não se curva aos golpes da vida. O verso final diz assim:




Por ser estreita a senda – eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino  
Eu sou o comandante de minha alma.

            As duas últimas linhas são as mais conhecidas e expressam a filosofia autônoma que caracteriza a vida no mundo ocidental desde o advento do Iluminismo. O homem se julga dono e senhor de seu destino, o único comandante de sua vida.
Mas a História de cada um de nós prova o contrário, nenhum de nós é senhor do seu destino nem comandante de sua vida. A declaração da poesia só se aplica a um homem: Jesus Cristo. Só Ele foi senhor e dono de seu destino e comandante de sua vida.  
            Nenhum de nós escolheu nascer, nem decidimos a nossa origem e lugar de nosso nascimento. Mas Jesus teve este poder. Ele escolheu nascer entre os homens, esta foi uma decisão sua. Lemos em Filipenses 2.6,7 que Ele esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo e tudo que inclui a verdadeira natureza humana.  Sendo Deus, Jesus escolheu o tempo e o lugar de seu nascimento. Sabemos disso pelas profecias que já estavam feitas muito antes d’Ele nascer (Mt 1.22; 2.5).
            Ninguém consegue controlar suas decisões e o seu tempo de modo a não se curvar a nenhuma pressão, seja das pessoas ou circunstâncias. Por mais forte que seja a nossa determinação, normalmente nossos planejamentos cedem diante de imprevistos superiores à nossa vontade. Mas Jesus era senhor de seus momentos e da direção de sua vida, não cedendo às pressões ao seu redor. Quando sua mãe lhe comunica a necessidade de vinho nas bodas de Caná, Ele calmamente responde que ainda não é chegada a sua hora (Jo 2.4). Quando seus irmãos insistem para que Ele suba a festa e manifeste publicamente suas obras, Ele lhes diz que o seu tempo ainda não havia chegado (Jo 7.4).  Noutra ocasião sua mãe e seus irmãos tentam falar com Ele, mas nem isso interrompeu Seu ministério de ensino (Mt 12.46-50).  Quando seus discípulos o procuram para lhe informar de Seu sucesso, Ele não se deixa levar por essa informação, mas se levanta para continuar cumprindo Sua missão (Mc 1.35-39).
            Muitas vezes as necessidades físicas se colocam entre nós e as nossas decisões, de modo que não conseguimos avançar com nossos projetos por causa delas. Jesus soube dominar suas necessidades de fome e sede, priorizando Sua missão (Lc 4.2-4; Jo 4.6-30). Os discípulos insistiram que Ele se alimentasse, mas Ele indicou que não era o alimento físico que determinava seu uso do tempo, mas a vontade do Pai (Jo 4.34).
            Mesmo que alguém, com fortíssima determinação, consiga controlar os fatores mencionados nos dois parágrafos acima, a morte ainda tem o poder de impedir a realização de seus sonhos. Mas com Jesus não foi assim. Ninguém apressou Sua morte, mesmo tentando (Lc 4.28-30). Ela ocorreu no momento que Ele havia marcado. Apesar da astúcia dos homens e da traição de um dos seus, Ele sabia o Seu momento e o havia predito (Mc 8.31; 9.31; 10.32ss; 14.1,41,42). Conhecia quem o entregaria, quem o negaria e que os discípulos o abandonariam (Mc 14.21,27,30). Estava certo de Seu destino depois da morte (Mc 14.28). Voluntariamente se encaminhou para o lugar onde seria preso, pois era desta forma que as Escrituras se cumpririam (Mc 10.32,49).
            No seu julgamento não conseguiram incriminá-lo com falsas acusações, mas voluntariamente e sinceramente confessou quem Ele era, fornecendo o motivo que seus adversários queriam para acusá-lo e mandar matá-lo (Mc 14.53,55-65). Contrapondo-se à negação medrosa de Pedro, Ele manifesta confiança (Mc 14.66-72). Quando interrogado por Pilatos, governador e representante do Império Romano, a força dominante na época, Ele é que se mostra o Soberano e Senhor da situação (Mc 15.1-15).
Ele permaneceu calado e deixou-se castigar (Mc 15.15-20). Rejeitou a bebida anestesiante que poderia aliviar Sua dor (Mc 15.23). Foi Ele quem entregou Seu espírito, demonstrando completo senhorio sobre a morte (Mc 15.37). A sua morte foi uma autodoação em prol de seus amigos (Jo 15.13). Deixou claro que Sua vida lhe pertencia e que poderia espontaneamente doá-la, pois tinha autoridade para entregá-la e reavê-la (Jo 10.18).
Ninguém tem este poder e autoridade sobre sua própria vida, apenas Jesus. Portanto, Ele é o Único Invictus, o único Invencível.

domingo, 2 de novembro de 2014

O CULTO É UMA OPORTUNIDADE PARA TESTEMUNHAR

Há alguns anos ouvi de um pastor que o simples fato de um crente pegar sua bíblia e se dirigir à igreja para cultuar já seria um testemunho para os descrentes. Muitas vezes pensamos que testemunhar é apenas falar para alguém sobre Jesus e o plano da salvação. Mas creio que aquele pastor acertou em sua afirmação. A ida ao culto é um modo de testemunhar.
            No salmo 122 o peregrino celebrava com alegria o privilégio de cultuar a Deus em Jerusalém. Todo israelita ia ao templo prestar culto a Deus, pelo menos numa das grandes festas religiosas anuais. Era um momento de comunhão, mas também de testemunho e louvor.
No verso 4 ele afirma “para onde (Jerusalém) sobem as tribos, as tribos do SENHOR, como convém a Israel, para renderem graças ao nome do SENHOR”.
A expressão traduzida  “como convém a Israel”, literalmente é “como testemunho para Israel” ou “como testemunho de Israel”.
O termo “testemunho” começou a ser usado no Antigo Testamento para designar as tábuas da lei. Depois passou a indicar tanto a arca, onde estavam as tábuas da lei, como o Tabernáculo, onde estava a arca com as tábuas. Por isso que estes objetos eram também chamados de tábuas do testemunho, arca do testemunho e Tenda do testemunho (Êxodo 30.6; 38.21). Também foi usado para nomear a lei com as instruções e mandamentos de Deus (Salmo 19.8). A Palavra de Deus era um testemunho que Ele havia dado de Sua Pessoa e Obra.
Este testemunho indicava que deveriam adorar no lugar escolhido pelo próprio Deus (Êxodo 23.17; Deuteronômio 12.13,14). Portanto, quando o peregrino subia para Jerusalém, estava obedecendo ao testemunho que Deus dera de como deveria ser adorado e manifestava sua lealdade e disposição de aprender e seguir os testemunhos do Senhor.
Com esta obediência, também dava testemunho de Deus, isto é, testemunhava sua fé e obediência à Palavra de Deus.  Ele lembrava e alertava os outros israelitas sobre quem Deus era, o que Ele tinha feito e o privilégio que lhes era graciosamente dado de cultuar este Deus.
O povo de Deus hoje também deve testemunhar (Atos 10.42). É através do testemunho dos que já creram que outros chegam a crer (João 17. 20). Este testemunho é a proclamação de Jesus,  Sua obra e a necessidade de arrependimento e fé n’Ele (Atos 18.5; 20.21). Aqueles que já creram devem ser relembrados e reafirmados neste testemunho,  e o culto comunitário é uma oportunidade para isso (2 Timóteo 2.14).
Com o ensino da Palavra, com a manifestação da comunhão e com o nosso louvor testemunhamos de Deus e da nossa salvação em nossos cultos. Mas nossa fidelidade em comparecer nas reuniões da igreja já é um modo de testemunharmos que priorizamos Deus e Sua obra. Quando um crente deixa outros afazeres e se dirige a um local de culto a Deus, ele está dizendo para as pessoas ao seu redor, que considera Deus importante  e merecedor de seu tempo e louvor.

Portanto, a ida ao culto é uma forma de testemunhar.