sábado, 10 de janeiro de 2015

VANGLÓRIA É FALSA PROPAGANDA

         Você já foi vítima de falsa propaganda? Já teve expectativas que o produto adquirido não satisfez? Como é decepcionante! Mas nós, além de vítimas, também podemos ser causa e autores da falsa propaganda, causando decepções e frustrações nos outros. Isso acontece quando buscamos e usamos o artifício da vanglória. 
         A vanglória é a glória vazia e sem conteúdo. É aquele orgulho sem nenhum motivo ou com falsos motivos, que ocorre quando a pessoa busca ou mesmo consegue uma reputação sem o devido fundamento. Ela até causa uma boa impressão, mas apenas com base na aparência, uma impressão oca, pois falta realidade ao que é propagado. É um produto com preço inflado, não vale o que marca a etiqueta.  Em resumo, vanglória é falsa propaganda. Passa-se a ideia de que algo existe e é bom, só que isso não é verdade.
         Essa glória vazia surge por causa de nosso desejo pela fama. Uma tentação perigosa e sempre presente é a aspiração pelas honras e glórias humanas.  Ansiamos por ser aceitos e amados, o que é lícito. Mas como tudo que é apropriado, este anelo também tem sido corrompido pelo pecado e nos conduz à vanglória.
         Somos exortados pelo Senhor a não buscar esta glória vazia.

Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros.
(Gálatas 5.26).

         Lembremos que todo motivo de glória em nossas vidas é fruto da graça de Deus e não de méritos nossos. "Tudo o que nós, criaturas, temos, nós temos apenas como uma dádiva, e, portanto, nunca devemos nos vangloriar de coisa alguma como se a tivéssemos produzido por nós mesmos (1 Co 4.7)" (Daniel P. Fuller, em A Unidade da Bíblia, pg.109)
         A vã glória é tão vazia que não se apresenta só, sempre se faz acompanhar. Uma de suas companhias preferidas é a provocação, que produz irritação.  Algumas vezes o orgulhoso faz isso de forma inconsciente. Noutras se apresenta arrogantemente com o precípuo propósito de provocar e irritar as outras pessoas. 
         Outra companheira da vanglória é a inveja. Que é aquele sentimento de má vontade diante da vantagem, suposta ou real, de outra pessoa. É um ressentimento pelo fato do outro possuir algo, que se deseja, mas não se possui. Normalmente esta má vontade se manifesta num menosprezo para com o outro, ou mesmo em tentar destruir aquilo que se quer e que o outro tem.    Como disse Xenofonte: “Os invejosos são aqueles que se zangam somente porque os seus amigos têm sucesso”.
          A irritação e a inveja causam, alimentam e manifestam o orgulho. São como palha na fogueira. Com os aditivos da inveja e da provocação, a vanglória intoxica nossos relacionamentos e envenena nossa vida.
         A busca pela glória humana é incompatível com a fé em Cristo. Jesus afirmou que: 

Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros e, contudo, não procurais a glória que vem do Deus único?  
(João 5.44) 
        
         Ela também é enganosa.

Porque, se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana. Mas prove cada um o seu labor e, então, terá motivo de gloriar-se unicamente em si e não em outro.
(Gálatas 6.3,4)

         Faz-nos pensar de nós mesmos o que de fato não somos. Carregamos um autoconceito que é falso. O soberbo nem percebe que está agindo com arrogância, pois esta  o ilude. Como expresso pelo amigo e pastor Daniel Simões: “A soberba é como mau hálito, só não percebe quem o tem”.
         No lugar de olharmos para as realizações das outras pessoas tentando competir com elas, sendo levados pela inveja e causando irritação, devemos averiguar nosso próprio trabalho. Inspecionar a nós mesmos para verificar se estamos realizando o nosso dever, cumprindo com nossa obrigação e concluindo nossa missão.
         Muitos dos problemas de relacionamento surgem porque, ao invés de cuidarmos das nossas obrigações, ficamos mais preocupados em verificar se os outros estão fazendo a suas. Fazemos isso com a finalidade de arrumarmos desculpas para a nossa inatividade e displicência, e dizemos “eu não fiz, mas também fulano não fez a parte dele”.  Outras vezes olhamos para o que os outros estão fazendo por competição, para nos compararmos e nos proclamarmos melhores. 
         Cada um de nós deve levar sua própria carga de tarefas, e quando olharmos para as tarefas dos outros, que seja para ajudar e não para competir.  Afinal, como afirmou Bernardo de Clairvaux (1090-1153) “O primeiro passo para o orgulho é a comparação”.
         Deixemos de lado a vanglória, o desejo de impressionar os outros e a busca pela fama ofertada pelos homens. Busquemos a glória que é eterna e tem peso, que é sermos aceitos e aprovados por Deus, por confiarmos e esperarmos nele, através do Seu Filho Jesus Cristo.
         E se as honras humanas baterem em nossa porta, que sejam trazidas pela providência divina e não porque corremos atrás delas. E que elas sejam lançadas aos pés daquele que merece toda a glória. 

os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas.
(Apocalipse 4.10,11)


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

GRATIDÃO: TEMPERO DO DEVER

Certas coisas ganham um sabor todo especial quando acompanhadas de outras. Exemplos: o pão fica mais saboroso com manteiga e café, a salada com azeite e a carne com um bom tempero. O mesmo fenômeno ocorre nos deveres para com Deus. Eles ficam mais agradáveis quando acompanhados de gratidão.
         A Bíblia nos ensina a temperarmos todos os serviços que prestamos a Deus com gratidão. A manutenção da unidade entre os irmãos deve ser acompanhada com a gratidão. Somos exortados a deixar a paz de Cristo governar os nossos corações, pois fomos chamados para conviver nesta paz em um corpo. Para isto devemos ser agradecidos: Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos(Cl 3.15).
Uma atitude de gratidão ajuda a manter tanto a paz em nossos corações, como a paz nos relacionamentos do Corpo de Cristo. As queixas e murmurações, que são sinais de ingratidão,  tornam a convivência desagradável. 
         O louvor a Deus deve ser acompanhado pela gratidão: cantando ao Senhor com graça nos vossos corações (Cl 3.16). Louvar a Deus é reconhecer quem Ele é, o que Ele tem feito e elogiá-lo. É impossível fazer isto sem gratidão, porque seria hipocrisia. Uma forma de expressar nossa gratidão é cantando.
         Todas as nossas ações devem representar o Senhor Jesus, e todas elas devem ser feitas com gratidão: tudo o que fizer, em palavra ou ação, façam em nome de Jesus, agradecendo através Dele a Deus (Cl 3.17). Somos embaixadores de Jesus, trazemos sobre nós a Sua marca, o que falamos e fazemos aponta para Ele. A gratidão é uma maneira de mostrarmos o quanto confiamos nele, na Sua soberania, no Seu amor e sabedoria em cuidar de nós. Ela também sinaliza que somos felizes em sermos servos dele.
         Nosso crescimento espiritual deve ser abundando em ações de graças (Cl 2.7). Crescer no relacionamento com Deus é conhecê-lo mais e melhor. E quanto mais conhecermos a Deus, mais maravilhados ficaremos com Ele e, consequentemente, mais gratos seremos. Não é possível crescer na fé com a ingratidão dominando o nosso coração.
Nossas orações devem ser regadas com ações de graças. A perseverança na oração deve ser seguida com a vigilância em ações de graças: Perseverai na oração, vigiando com ações de graças. (Cl 4.2). Também em Filipenses 4.6 é dito que a cura para a ansiedade é a oração acompanhada de gratidão: Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. A oração por todos os homens também deve ser feita com ações de graças: Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens. (1 Tm 2.1).
         Por último, a recepção de todas as boas coisas da vida deve ter a companhia da gratidão: pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável (1 Tm 4.4). Sempre lembrando que tudo que temos de bom (alimento, companheirismo, etc.) chegam a nós como produto da graça de Deus. E a reação adequada diante de uma graça é a gratidão.
         A gratidão é o acompanhamento indispensável dos deveres para com Deus. Sem gratidão, todos os deveres ficam sem graça e é impossível servir a Deus sem graça. A gratidão vai tornar o serviço a Deus uma obra de amor e alegria.
A gratidão é uma questão de atitude interior e não de circunstância. Veja o exemplo de David Rothenberg. Quando ele tinha seis anos, seu pai lhe deu um sonífero e depois derramou querosene sobre ele. Ele sofreu queimaduras de 3º grau em 90% do seu corpo. Alguns anos e 60 cirurgias depois, sabendo que faria outras, disse: estou vivo o que já é bom o suficiente.
         Sempre há motivos para agradecer. Nosso coração sempre será uma festa, quando a gratidão for o tempero constante de nossa vida. 
            A generosidade de Deus é tão grande, e nossa gratidão tão pequena.