quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A ORAÇÃO E NÃO A AÇÃO, FOI A CAUSA DA VITÓRIA

          As nossas vitórias dependem muito mais de nossas orações do que de nossas ações.
        Apesar disso, é comum termos grandes dificuldades em nos dedicarmos à oração. Como escreveu o autor do livro "Ocupado demais para deixar de orar", a auto confiança e a auto suficiência desde que nascemos  são inculcadas em nós como virtudes e podem ser apontadas como algumas das razões para nossa resistência à oração. A oração vai contra estes valores que estão arraigados em nós.  A oração "É um atentado à autonomia humana, uma ofensa à independência do viver. Para as pessoas que vivem apressadas, determinadas a vencer por si mesmas, orar é uma interrupção desagradável" (Bill Hybels).
         No entanto,  é a oração e não nossa ação que conquista as vitórias permanentes em nossa vida. Esta verdade é exemplificada em Êxodo 17.8-13, que narra a ocasião quando Israel enfrentou sua primeira guerra depois que saiu do Egito.
          Moisés ordenou que Josué escolhesse alguns homens e fosse guerrear contra os amalequitas. É interessante que Moisés não foi para a guerra, ele mandou Josué. O que ele estaria fazendo enquanto Josué liderava a guerra? Ele disse que estaria de pé, firme, no cume do monte. Esta expressão também era usada para indicar alguém que se apresentava diante de uma autoridade (Ex. 34.2).
          Moisés  se apresentaria diante de quem? Ele  afirmou que estaria com o bordão de Deus em sua mão, o cajado que usara como pastor guiando o rebanho de seu sogro e que depois Deus escolhera como instrumento para operar os sinais no Egito (Ex. 4.17).
          Josué havia visto todos os sinais maravilhosos que Deus realizara no Egito quando Moisés, a mando de Deus, usava aquele bordão. Presenciara o momento quando o cajado foi levantado diante do mar Vermelho e este se abriu. Vira como água saiu da pedra, ali mesmo em Refidim, quando Moisés, obedecendo a Deus, feriu a rocha com o mesmo bordão. Portanto, Josué entendeu que Moisés estaria cumprindo uma função tremendamente importante para a vitória dos israelitas. Levantando o instrumento símbolo do poder e ação de Deus para libertar e sustentar Seu povo, Moisés estaria intercedendo diante de Deus pela vitória dos israelitas.
          A vitória não dependia dos recursos de Josué no campo de batalha, mas da atitude de Moisés no cume do monte. O verso 11 diz que quando Moisés erguia suas mãos o povo de Israel prevalecia (literalmente tinha força e era poderoso), mas quando Moisés abaixava a mão para descansar, os amalequitas é que ficavam fortes. Não havia mudança no número de soldados ou de armas envolvidos na guerra. Não era uma questão dos guerreiros terem mais ou menos vontade de guerrear. A vitória dependia de Moisés manter o bordão levantado.
          Alguém que observasse a guerra à distância poderia pensar que Moisés não estava fazendo nada de produtivo, apenas assistindo passivamente seu povo guerrear. Se fosse alguém com nossa mentalidade, iria até sugerir que Moisés teria mais utilidade se descesse do monte e participasse da guerra. É esta a vontade que sentimos nas crises: partir logo para a ação, fazer alguma coisa, tomar algumas providências, empreender alguns planos e outras atitudes que nos deixem ocupados. O que não suportamos é ficar parados enquanto a crise de desenrola diante de nossos olhos.
          Entendemos que este ato de Moises não era magia, mas sim uma demonstração pública de que ele e o povo dependiam de Deus para vencer aquela guerra. Levantar as mãos com o bordão era como dizer: “Deus, dependemos de Teu poder, estamos em tuas mãos”, pois tradicionalmente esta atitude de levantar as mãos é entendida como oração.
          Nas batalhas da vida precisamos agir com as armas que Deus nos tem dado naturalmente, mas acima de tudo, precisamos reconhecer que dependemos de Deus, clamar a Ele e pedir que, enquanto resolvemos os problemas, outros estejam intercedendo por nós em oração.
          É verdade que temos que empreender algumas ações e participar da guerra, mas a vitória depende da oração e não de nossa ação. Quanto mais tempo estivermos na presença de Deus, clamando a Ele, mais tempo estaremos com a vitória em nossas mãos.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

AMANDO NO FUTURO DO PRETÉRITO

“Muitos não encontraram aquilo que realmente esperavam viver. Então, passaram a viver aquilo que não esperavam encontrar”.  A partir de uma análise do poema "Você o seu retrato" do escritor Cassiano Ricardo, o Pr Wagner Amaral  fez uma reflexão muito apropriada sobre um dos fatores  que  causam problemas nos relacionamentos: 


o amar a imagem que faço do outro,  
amar minhas expectativas que projeto no outro, 
amar o que quero que o outro seja, 
amar o que desejo que o outro me ofereça, 

e não amar o que o outro de fato é, 
e não aceitar o que de fato ele tem para me oferecer. 
Isto equivale a amar no futuro do pretérito, 
amar o que era para ter sido, mas o que de fato não é. 

Vale a pena ler o artigo O RETRATO e refletir sobre ele em nossos relacionamentos. 
Está postado no antigo   blog do Pr Walter Amaral: 
Teologizando a vida 
http://teologia-zando.blogspot.com.br/2007/09/retrato_23.html

O INIMIGO ATACA ONDE E QUANDO ESTAMOS MAIS FRACOS

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A primeira batalha do povo de Israel, depois de sair do Egito, foi contra os amalequitas. Que era um povo nômade que vivia naquela região. A história é contada em Êxodo 17.8-13, e relembrada em Deuteronômio 25.17,18. Israel estava na quarta parada em sua jornada  para a terra prometida, num lugar chamado Refidim. Os amalequitas tentaram parar o avanço de Israel usando táticas de guerrilha. Aproveitaram-se do cansaço do povo, atacaram e mataram os mais desfalecidos, que vinha mais mais atrás. Na vida cristã também é assim. Enfrentamos inimigos que, muitas se aproveitam do nosso cansaço, e nos atacam nas áreas mais desfalecidas, menos vigiadas, mais vulneráveis e sensíveis. E causam sérios prejuízos.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O HINÁRIO DOS ROMEIROS


“Romeiro e romaria” são palavras muito conhecidas por nós. Elas começaram a ser usadas referindo-se aos peregrinos que iam a Roma ver o papa, por isto romeiros e romarias. Aqui em Juazeiro do Norte, elas descrevem os devotos que vêem venerar os feitos do Padre Cícero Romão Batista. Apesar de haver romeiro o ano inteiro, a cidade os recebe em maior número na época das cinco grandes romarias oficiais: fevereiro (Senhora das Candeias); março e julho, quando celebram o nascimento e morte do Padre Cícero Romão Batista; setembro, a da Senhora das Dores; e a de finados em novembro.
         Neste aspecto a cidade se parece um pouco com a Jerusalém da época do Antigo Testamento e início do Novo. O templo de Deus estava lá, então, a cidade recebia adoradores de toda parte do país de Israel e de vários lugares do mundo após o exílio. Estas visitas ocorriam durante o ano inteiro, mas em maior número em três épocas do ano, quando as estradas para  Jerusalém se enchiam de peregrinos que iam adorar. Normalmente iam com suas famílias, como Elcana e Ana (1 Sm 1.1), e José, Maria e Jesus (Lc 2.41s).
Deus havia ordenado que o seu povo se reunisse três vezes no ano para celebrar suas bênçãos, em três festas (Ex 23.14-17; Dt 16.16s). A páscoa, que comemorava a libertação do Egito, que seria no início do nosso mês de abril, quando começava a colheita da cevada. A do Pentecostes, também conhecida como “Primícias”, “Semanas” ou “Colheitas”, que festejava a chegada dos primeiros frutos, 50 dias após a Páscoa, no período da colheita do trigo. E a festa das Cabanas ou Tabernáculos, que relembrava o tempo que o povo havia passado no deserto, na primeira quinzena de outubro, no fim da colheita dos frutos e uvas.
Durante o trajeto, além de caminhar e conversar com os companheiros de viagem, os peregrinos cantavam. Especialmente quando estavam na subida para Jerusalém, que é uma cidade que fica no alto (800 mts. de altitude), portanto,vindo de qualquer lugar ou direção, é preciso subir.
Numa determinada época estes cânticos foram compilados e formaram um hinário que existe até hoje. Este hinário é conhecido por vários nomes: “Cântico dos degraus”; “cânticos de romagem”, “cânticos da subida”, ou “cânticos dos peregrinos”. Ele se encontra no livro dos salmos. Foram chamados de “cânticos dos degraus” ou “da subida”, porque eram usados nas procissões festivas dos peregrinos que nos tempos das festas subiam para Jerusalém ou porque os sacerdotes cantavam quando subiam as escadarias do templo.
           Todos os salmos são poesias cantadas que eram entoadas nos cultos do povo de Israel. O livro de Salmo é o único hinário inspirado por Deus, o único livro de cânticos que foi composto pelo Espírito Santo. O Novo Testamento ensina que era o Espírito Santo quem falava através dos autores (At 1.16; 4.25).
        Estas poesias são orações, ações de graças e instruções. Havia várias coletâneas de salmos: as orações de Davi (72.20); dos Coraítas (filhos de Coré); de Asafe; os de Aleluia; e outras . Que foram reunidas formando cinco livros (1-41; 42-72; 73-89; 90-106; 107-150). A coleção composta de 15 salmos, (120-134) formava o hinário dos peregrinos. Estes cânticos assumem a forma de louvor ou petição.
         Com estas canções os israelitas testemunhavam sua fé em Deus. O primeiro salmo desta coleção é uma oração que evoca uma pessoa distante, já o último é um convite para louvar no santuário de Deus. 
           Estudar estes salmos pode  nos ajudar em nossa caminhada rumo ao céu. Cada dia de nossas vidas é um caminhar, pois nós também somos peregrinos (1 Pd 2.11), a caminho da Jerusalém celestial. Enquanto caminhamos, vamos aprender a cantar e a testemunhar nossa fé em Deus.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O CONFORTO DA CRENÇA NA SOBERANA VONTADE DE DEUS

Por que José era uma pessoa que desfrutava o presente alegremente, esperava o futuro confiantemente, e aprendia do passado positivamente?              
Por causa de sua crença na soberania de Deus. Ele via a mão de Deus por trás de todos os acontecimentos de sua vida. Ele mesmo afirmou que, não havia sido os seus irmãos que o mandaram para o Egito, mas Deus. Também não fora sua capacidade e inteligência que o levara da prisão para ser ministro do Faraó, e sim Deus fizera isto. Repete isso cinco vezes (Gênesis 45.5,7,8,9; 50.19-21).            
Os irmãos haviam planejado o mal contra ele, mas acima destes irmãos, estava Deus que planejara o bem. Sem saber os irmãos de José, planejando o mal e querendo impedir que os sonhos dele se realizassem (Gênesis 37.20), cooperaram para que estes sonhos se cumprissem. É assim, Deus usa os planos maus dos homens para realizar a vontade salvadora Dele.            
                 José não apenas via a mão soberana de Deus agindo, como sabia que esta mão é sábia e boa. Ela sempre age com um propósito, e este propósito é bom. Ele diz “Porque para a vida, Deus me enviou na frente de vocês” (Gênesis 45.5,7; 50.20). Ele acreditava que Deus o enviara para o Egito com um propósito bom e salvador. Deus permitira tudo aquilo, para que a vida de sua família fosse preservada.            
José analisava sua vida à luz do propósito maior de Deus. Ele era uma peça no quebra-cabeça da história que Deus estava guiando. Havia algo maior e mais importante do que sua vida, e esta encontrava seu valor à medida que contribuía para este plano superior e mais valioso.
             Quando Deus age ocorre grandes livramentos, e José se via como instrumento deste grande livramento. Esta crença levou José a se preocupar com o bem estar tanto físico como emocional de seus irmãos e confortá-los (Gênesis 45.5,24; 50.21).            
            Quando a visão da soberania de Deus nos domina, não há espaço para vingança, para a arrogância, nem para humilharmos outras pessoas que estejam em posição inferior, e que no passado nos prejudicaram.        Quando cremos na soberania de Deus, continuamos caminhando em meios às dificuldades, confiando e obedecendo, sabendo que o bom propósito de Deus triunfará. Esta crença nos liberta para amar as pessoas, mesmo as que nos prejudicaram.
              Esta crença na bondade soberana de Deus é expressa de forma maravilhosa nesta poesia de William Cowper, que tem como título "Deus se move misteriosamente"
Quando as trevas escondem Sua face adorável 
 Eu descanso em Sua imutável graça; 
Em cada tormenta aguda e violenta 
Minha âncora está presa dentro do véu! 
 Deus se move de forma misteriosa 
Na realização dos seus milagres; 
Ele firma Seus pés no mar 
E cavalga sobre a tempestade 
 Nas profundezas insondáveis das minas 
Com habilidade que nunca falha 
Ele entesoura seus mais esplêndidos planos 
E opera Sua vontade soberana 
 Vós, santos temerosos, tomai novo alento 
As nuvens que tanto vos atemorizam 
São abundantes em misericórdia 
E irromperão em bênçãos sobre vossas cabeças 
 Não julgueis o Senhor por meio de fracos sentimentos 
Mas confiai Nele e em Sua graça; 
Por detrás de uma providência que amedronta 
Ele esconde uma face sorridente 
Seus propósitos logo amadurecerão 
Revelando cada hora; 
O broto pode ter um gosto amargo 
Mas a flor há de ser doce 
 A incredulidade cega certamente errará 
E julgará como inútil a Sua obra; 
Deus é o seu próprio intérprete 
E Ele mesmo lhe dará a conhecer.
 (Publicada no Livro O Sorriso Escondido de Deus, de John Piper, traduzido por Augustus Nicodemos).

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

BUSCANDO SINAIS DE ARREPENDIMENTO

Uma das histórias bíblicas que me fascina é a de José do Egito. Mas algo me intriga naquela história. Quando se encontrou com seus irmãos, depois de mais de 20 anos sem vê-los, ele não se deu a conhecer, nem manifestou alegria, pelo contrário, agiu com dureza. Inclusive tentando incriminar seus irmãos de delitos que eles não haviam praticado. Por quê?
Penso em duas possibilidades:
Primeira – caso José se desse a conhecer de imediato, talvez  seus irmãos, com medo, não mais voltassem ao Egito, e assim, José perderia a oportunidade de rever seu pai e seu irmão mais novo, Benjamim. 
Segunda – ele queria verificar se seus irmãos haviam se arrependido. Estes irmãos eram iracundos, mentirosos, violentos e adúlteros (Gen. 34; 35.22; 37.4,8,11,20,26,32).
     Em seu coração, José já havia perdoado os seus irmãos (Gen. 42.24,25) , mas a reconciliação dependia  de arrependimento e confissão. E este arrependimento deveria ser demonstrado com frutos.  José fez perguntas, não apenas para saber a situação de seu pai, mas também, para verificar se seus irmãos diziam a verdade. 
     Apesar de não ter se manifestado de imediato, ele deu vários sinais de que sabia alguma coisa. Por exemplo: escolheu Simeão para ficar preso no Egito. Pois, depois de Rubem, Simeão era o mais velho, portanto o maior responsável pela venda de José como escravo (Gen. 42.24). De fato, Rubem pretendia salvar o irmão, e estava ausente quando a decisão da venda foi tomada. 
     Outro sinal  que enviou a seus irmãos é que arrumou a mesa do mais velho para o mais novo, e deu porções maiores para Benjamim (Gen. 43.33,34). Se seus irmãos estivessem atentos, poderiam ter desconfiado de alguma coisa. 
Da parte dos irmãos houve sinais de tristeza. Reconheceram que a aflição que estavam passando era um tipo de punição pela aflição que fizeram José passar (Gen. 42.21). Mas a mentira sobre José ainda era mantida em segredo pelos nove, pois até  Rubem pensava que José havia morrido (Gen.42.22,38; 43.30).
Os sinais se apresentaram quando reagiram diante da possibilidade de Benjamim ser punido com a morte (Gen 44.13). Se não tivesse ocorrido nenhuma mudança na vida deles, provavelmente eles deixariam Benjamim ser preso ou morto, afinal haviam agido assim com Simeão, pouco tempo antes. Mas naquele momento demonstraram preocupação com o pai. Não queriam aumentar a tristeza do pai com a perda de mais um filho. Judá assume a liderança (Gen. 44.14), pode ser que os três, que eram mais velhos, (Rubem, Simeão e Levi) haviam perdido a influência, por causa dos problemas que causaram à família no passado. 
O arrependimento é sinalizado com a confissão, reconhecimento de que não são inocentes (Gen. 44.16), e disposição para pagar o preço de não causar mais sofrimento ao pai (Gen.44.30-34).
José agiu daquela maneira para o bem dos irmãos. Eles precisavam reconhecer o pecado deles, confessar a culpa, e manifestar amor pelo pai. Era necessário que aprendessem que o pecado deixa suas consequências. Isso faria com que pensassem duas vezes antes de pecar novamente. 
Esta atitude também causou sofrimento em José. Ele pagou um preço pela disciplina imposta a seus irmãos. Seria mais fácil para ele ter-se dado a conhecer imediatamente, visto  logo seu pai e seu irmão Benjamim, mas preferiu correr riscos. 
        Os irmãos poderiam não ter mais voltado, e assim perderia o contato com eles. Afinal, se eles não tivessem se arrependido com sinceridade,  não se preocupariam em perder Simeão (que havia ficado preso no Egito na primeira visita). Não era orgulho da parte de José, mas amor. Amor que perdoa, e busca a reconciliação, mas busca também o arrependimento e a restauração na alma dos que causaram a ofensa.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

JOSÉ, UM PRESO LIVRE


     José, filho de Jacó,  teve muitos motivos para ser uma pessoa amargurada e desconfiada. Quando ainda morava na casa de seu pai, ele foi odiado por seus irmãos, que não conseguiam  falar-lhe de modo pacífico (Gen 37.4). A razão era o fato de Jacó amar mais a José do que os outros filhos. Isso não era culpa de José, portanto o ódio e a implicância de seus irmãos era sem sentido. E havia algo pior do que a ira,  a inveja deles (Gen 37.11; Pv 27.4). Mas José agia com coração puro para eles, era transparente em contar os sonhos que Deus lhe dera, e foi sozinho ao encontro deles em um lugar distante (Gen 37.12-25).
Quando estava no Egito, José também poderia ter guardado ressentimentos. Fora para lá  vendido como escravo;  seus irmãos não atenderam  ao seu clamor aflito, quando pediu a piedade deles (Gen 42.21); estava  longe do amor de seu pai  e agora escravo em uma terra estranha. Mas manteve seu coração puro, servindo ao seu senhor como estivesse servindo a Deus.
Na cadeia José poderia ter deixado a amargura dominar seu coração, afinal, mais uma vez fora traído,  também acusado e preso injustamente. Mas não era esta sua atitude, ele se preocupava com a tristeza e problemas dos que estavam a sua volta e se dispões a ajudá-los (Gen 40.6-8). Foi esquecido pela pessoa que ajudara (Gen 40.23). Mesmo preso, José tinha um coração livre para amar e perdoar. E quando chamado se dispôs a ajudar, mesmos em saber o que seria feito dele (Gen 41).
     O perdão no coração deve ser automático, não podemos guardar ressentimentos, amargura, desejo de vingança, etc. Nosso coração deve desejar o bem para aqueles que nos prejudicaram. Foi assim com José. Se ele tivesse permitido ressentimento em seu coração, ele não teria prosperado como prosperou. Sua alma amargurada não teria se concentrado nas tarefas que tinha diante de si, não poderia ter feito o trabalho com o esmero que fez, não teria se preocupado com a tristeza das pessoas ao seu redor e não teria se preocupado em não pecar contra Deus. Sua alma manteve a pureza de um coração que perdoa e não se preocupa em se vingar.  
        Mesmo preso, José estava livre das algemas que aprisionam muitas pessoas: falta de perdão, desejo de vingança,ódio, ira, amargura, desconfiança, ressentimentos, e outras atitudes que aprisionam a alma e matam a vida. Apesar de preso, ele era livre. 

O SEGREDO DO SUCESSO


         José do Egito foi bem sucedido em todas as situações. Chegou a ser primeiro ministro do Egito, que era a grande potência na sua época. Nesta função, foi usado por Deus para salvar da destruição pela fome, tanto a nação egípcia, como os povos vizinhos, incluindo sua própria família e futura nação de Israel.
         Mas sua vida não foi fácil! Foi cheia de mudanças repentinas e trágicas. Sua mãe morreu quando ainda era menino. Sendo criado no meio de uma família marcada pela disputa, inveja e maus exemplos dos irmãos mais velhos. No meio desta família foi bem sucedido. Tornou-se o filho querido e de confiança de seu pai.  Por isso foi odiado por seus irmãos. Estes planejaram mata-lo, e isto muito angustiou sua alma (Gênesis 42.21,22). Concluíram que era melhor vende-lo como escravo para uma caravana de mercadores.  
Assim foi parar no Egito e comprado pelo chefe da guarda do Faraó. Lá também foi bem sucedido, de escravo foi promovido a administrador geral. Quando a vida parecia que ia se estabilizar, foi assediado pela esposa do chefe, manteve-se fiel a Deus. A mulher rejeitada e irada, acusou-o injustamente, e ele foi para os porões da prisão do Egito.  
Na prisão, José também fez sucesso,  tornou-se homem de confiança do carcereiro. E de lá saiu para ser vizir do Egito.
Em todas estas situações ele foi estrela, brilhou.
Qual o segredo de José? Em Gênesis 39, lemos que era a presença e bênção de Deus em sua vida. Seis vezes neste capítulo é dito que o Senhor estava com José e o abençoava. Não notamos José reclamando, ou culpando alguém por seu destino. Apenas obedecendo a Deus, e cumprindo suas responsabilidades em todas as situações. Isto é que é ser pro-ativo!
Não importa a nossa situação: por baixo, por cima, empregado, desempregado, com família, sem família, acolhido, abandonado, traído, apoiado. O que vai fazer a diferença não é a situação, mas a presença e bênção de Deus em nossas vidas.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

PEREGRINOS E FORASTEIROS - 1ª Parte



Ser um estrangeiro tem certo charme e aventura. Estar num país estranho desperta nossa atenção. O novo e o diferente criam um senso de expectativa e excitamento. Mas, também, há fragilidades e ameaças, pois vem a sensação de perigo e incerteza.

O forasteiro está longe de casa, das pessoas e coisas com as quais está acostumado. Normalmente ele não é um conhecedor adequado da língua, costumes, e lugares, do país onde se encontra. E isto o deixa desarmado diante dos imprevistos. Vive uma situação onde todos desconfiam dele, e ele não pode confiar em ninguém. Quem está longe de sua terra e de seus parentes, fica à mercê de pessoas desconhecidas. Isto pode ser assustador ou no mínimo desconfortável.

O estrangeiro, que é peregrino e forasteiro e não um turista é alguém que não tem onde criar raízes. Vive solto. Não tem uma situação fixa, sua vida é mais como uma tenda que ele arma e desarma conforme a situação. Este tipo de vida lhe dá liberdade, permite ir e vir sem muito compromisso, mas também lhe deixa desprotegido diante das tempestades e acidentes. Pode ser pego no meio de um temporal e não ter onde se abrigar, dependendo de favores de pessoas estranhas.

No Antigo Testamento, as palavras “peregrino” e “forasteiro”, referiam-se ao viajante que estava passando apenas uma noite ou uma temporada em lugar estranho (Jó 31.32). Como Abraão, que planejava ficar no Egito enquanto havia fome em Canaã, ou mesmo Jacó, na terra de seu sogro Labão, até passar a ira de seu irmão (Gn 12.10; 32.5). Aquele que morava em um país estranho, também era chamado de peregrino. Abraão havia chegado em Canaã para ficar. Seu filho Isaque, e seu neto Jacó, haviam nascido ali, mesmo assim eram forasteiros (Gn 35.27; Ex 6.4). Pois sua família de origem era de outro lugar, e eles não eram os proprietários de terra, não tinham os mesmos direitos que os cidadãos do lugar. Dependiam da boa vontade das pessoas dali, para sua manutenção e proteção.

Os filhos de Israel foram forasteiros no Egito (Deut 26.5). Quando chegaram à Canaã, passaram a ter sua própria terra. Em certo sentido deixaram de ser peregrinos e forasteiros. Tinham um lugar que era seu, onde poderiam criar raízes, e se estabelecerem. Mas, sendo eles o povo de Deus, deviam ter a consciência de que sempre seriam peregrinos e forasteiros. A terra que habitavam não era sua, mas de Deus (Lv 25.23). Todos nós somos peregrinos diante de Deus. O lugar onde moramos não é nosso, mesmo que estejamos vivendo ali há muitos anos.

Somos peregrinos e forasteiros porque estamos neste mundo de passagem. Passamos apenas uma chuva. Como viajantes que necessitam morar por apenas uma temporada. Esta consciência de brevidade geralmente nos falta, mas, como já foi dito: um homem precisa viver muito para perceber que sua vida é muito curta. No salmo 39, Davi pede a Deus que lhe mostre como a vida é passageira, semelhante à medida de alguns palmos e a uma sombra, que desaparece junto com o sol. Por isso ele é peregrino (Sl 39.13). Nossa esperança é Deus. Dependemos do favor Dele para passarmos nossa temporada com alento e felicidade. Ele é o único Eterno neste mundo. O único que permanece de geração em geração.

Somos peregrinos e forasteiros, porque não possuímos nada neste mundo. Quando Davi louva a Deus pelas ofertas que o povo havia trazido para a construção do templo, ele declara esta verdade (1 Cr 29.10-15). Tudo o que temos: riqueza, conhecimento, poder, influência, posição, foi nos dado por Deus, veio de Suas mãos. Ele de fato é o Dono. O que ofertamos a Deus nada mais é do que uma devolução do que Ele já nos deu. A própria vontade de dar é obra Dele em nós. Como forasteiros residentes, não possuímos nada, dependemos da boa vontade e favor do verdadeiro Dono para desfrutarmos de qualquer coisa.

Somos peregrinos e forasteiros porque não temos os valores e crenças daqueles que são cidadãos deste mundo. Era assim que se sentia o peregrino do Salmo 120.6-7. Ele almejava viver em paz, mas os que o rodeavam só pensavam na guerra. Este mundo é hostil àqueles que não comungam com seu comportamento de indiferença e desobediência para com Deus. Vivemos no mundo dos que acreditam ser fortes e autônomos, que não querem depender de Deus. Que vivem a fazer guerras para satisfazerem suas cobiças (Tg 4.1,2). Mas, o peregrino sabe que é frágil e dependente, que precisa de Deus. Por isto, é desprezado como fraco pelo mundo.

Somos peregrinos e forasteiros porque nosso lugar de segurança é no tabernáculo de Deus, na Sua morada. Este era o lugar de refúgio onde o salmista gostaria de estar hospedado, (Sl 61.4). Para isto havia certas condições (Sl 15). Peregrinos precisam das instruções de Deus, (Sl 119.19). Ele é Aquele que tem o conhecimento de todas as situações e lugares neste mundo que é estranho para nós. Precisamos conhecer como Ele quer que nós vivamos neste mundo. E clamar para que Ele nos dê a capacidade de seguir suas ordens.