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domingo, 18 de agosto de 2019

A PERGUNTA NECESSÁRIA




dúvida,boy,doubt,vector Por que isso aconteceu comigo?
Esta é a pergunta mais comum, quando somos atingidos pelas tragédias da vida. Em geral, não queremos apenas entender a razão do ocorrido. Ansiamos por saber por que foi exatamente conosco e não com outros.          
O problema é que raras vezes temos uma explicação satisfatória para as tragédias e sofrimentos de nossa vida. E quando encontramos alguma explicação, ela não tem o poder de consertar o estrago causado e, portanto, dificilmente ajuda-nos a conviver pacificamente com o resultado da tragédia. Além disso, a pergunta esconde a crença de que, sabendo as causas, poderei evitar novas tragédias. Isso revela o desejo de controlar nossas vidas. 
            Por isso, penso que a pergunta adequada seria: Como reagir diante da tragédia? Como devemos nos comportar? Como deve ser nossa vida depois dela?
           Na busca de resposta a essas perguntas, convém analisarmos o comportamento de um homem que enfrentou uma enxurrada de tragédias: Jó. 
            Vivendo uma vida justa, agradável e cheia de prosperidade, de uma hora para a outra, Jó se viu vazio de tudo. Todos os bens levados por bandos inimigos, ou consumidos por uma tempestade de fogo, e todos os filhos mortos por um forte vento que derrubou a casa onde estavam. Estas trágicas notícias chegaram-lhe uma atrás da outra, sem lhe dar um mínimo de tempo para se recuperar (Jó 1.13-19).  
            Como Jó reagiu? Com sua tristeza adorou a Deus (Jó 1.20-22). 
            Tornou-se comum em nossa cultura, não suportar a tristeza. Queremos a alegria e até pagamos por ela.  Essa perspectiva contaminou nosso modo de adorar a Deus. Pensamos que só podemos adorar verdadeiramente na euforia dos momentos alegres. Mas Jó e vários salmistas depois dele nos mostram que devemos adorar não só na tristeza, como também COM nossa tristeza (Sl 42,43).
            Jó manifestou sua tristeza de acordo com a cultura de sua época: rasgou seu manto, rapou o cabelo e prostrou o rosto em terra. Mas nesta tristeza e com sua tristeza, ele adorou. 
            E como foi sua adoração? Ele se curvou diante de Deus, reconhecendo Sua soberania e declarou que tudo na vida era um dom. Seus bens e filhos não lhe eram direitos agora negados, mas doações imerecidas, que graciosamente lhe foram concedidos por Deus para serem desfrutados por um tempo. Eram presentes temporários, não eternos.  
Tragédias são choques de realidade que nos ajudam a perceber que não teremos para sempre nem os bens materiais e nem as pessoas que amamos. Mais cedo ou mais tarde elas nos deixarão, ou nós as deixaremos. 
            Em sua adoração, Jó confessou que o doador fora Deus e que, de modo soberano, Ele tinha o direito de tomar.  Este reconhecimento é adoração que pode coexistir com a tristeza e sua manifestação. Não é pecado chorar, lamentar nem manifestar tristeza, desde que reconheçamos que nosso Deus é o Soberano doador de todos os bens que possuímos. 
            Após essas tragédias, Jó perdeu a saúde e o apoio da esposa, mas não perdeu seu caráter. A aflição não modificou sua convicção. A esposa reconheceu que ele ainda se agarrava a sua integridade. Ela propôs que ele amaldiçoasse a Deus e se entregasse à morte. Enxergo nesta proposta a intensa aflição daquela mulher! Ela se aflige pela perda dos filhos e bens e com o sofrimento de seu marido. Diante disso, anseia que ele fique aliviado daquela angústia.  Antes de julgá-la, convém sermos compreensivos. Somos muito mais parecidos com ela do que com Jó. Queremos ver-nos livres do nosso sofrimento do modo mais rápido, ainda que isso contrarie nossas convicções e macule nosso caráter. Achamos que o alívio, mesmo que custe nossa fé, vale a pena. 
O conselho dela não é sábio e Jó claramente afirma isso. Ele também queria libertar-se de seus sofrimentos, mas sem perder sua fé em Deus. Para ele não valia a pena não sofrer se isso incluísse a perda da fé. A fé em Deus era, para ele, um bem mais valioso que uma vida confortável e sem sofrimento. Sua resposta para a esposa é uma declaração de fé das mais sublimes: 
            Deus nos deu o bem, e nós recebemos.
            Deus tem nos dado o mal, e devemos também receber. 
            Só a fé em Deus faz isso.
Jó perdeu também os amigos. Em um primeiro momento eles estavam tão aturdidos com o sofrimento, que ficaram sem palavras! Depois falaram o que não deviam, culpando Jó por aquele sofrimento. Além do fardo da tristeza, os amigos de Jó queriam que ele carregasse o da culpa. Afirmaram que se ele confessasse seus pecados, tudo voltaria ao que era antes. Mas Jó sabia que isso era mentira. Era mais uma saída fácil e errada que contrariava sua fé. 
Ele atravessou solitário todo o seu sofrimento, armado apenas com sua fé em Deus. E essa companhia foi o suficiente.  Para Jó, sua fé era mais valiosa que seus filhos, esposa e amigos. Era seu maior bem. Foi intensamente sofrido perder os filhos, não ter o apoio da esposa, ser acusado pelos amigos. Mas, seria eterna e irremediavelmente doloroso perder a fé. Se você perdeu tudo nesse mundo, menos a fé em Deus, você não perdeu nada.
Como se continua a viver depois de uma tragédia? Como levantar a cada dia e, acompanhado de intensa dor, enfrentar a vida? Mantendo a fé em Deus. Dando um passo de cada vez, e confiando naquele que tudo sabe, tudo pode e tem todo amor para nos confortar. 

terça-feira, 15 de março de 2016

SOBREVIVENDO COM LOBOS


           Sobrevivendo com Lobos é o título de um livro, e filme de mesmo nome, que conta a história, em sua maior parte fictícia, de uma garota judia belga, cujos pais foram presos, na Segunda Guerra, quando ela tinha sete anos. Ela inicia uma viagem de mais de dois mil quilômetros, da Bélgica até à Ucrânia, guiada apenas por uma pequena bússola e movida pela determinação de encontrar os pais.
            Embora a história da viagem não seja real, reflete a realidade emocional de crianças que sobreviveram sozinhas, passando por fome, sede, solidão abandono, infância perdida, estupros, prisão e assassinato de pais e irmãos, enfim todas as tragédias que caracterizam uma guerra. A autora, Misha DeFonseca, cria uma cena na qual a protagonista é acolhida, protegida e alimentada por lobos. Daí o título do livro, que pode ser uma alusão a outros tipos de lobos, que destroem seus semelhantes.
            Literalmente um livro fabuloso que li de uma sentada. À noite, após a leitura, minha mente foi assaltada por uma questão recorrente: por que Deus permite sofrimento tão intenso?  
Acordei ainda turbado e sem resposta. A meditação no momento devocional clareou meus pensamentos. Percebi que há duas perspectivas para encararmos o sofrimento.
            Uma delas espera que a vida seja sempre feliz, no mínimo com poucas e leves tribulações. Entende que, como Deus é Criador, Soberano e Bom, Ele tem a obrigação de proteger as pessoas de todo sofrimento intenso. Acredita também que nós merecemos sempre o que a vida tem de bom e de melhor. Então, quando o sofrimento se apresenta, perguntamos espantados e em pânico: por quê?        
Já a outra perspectiva admite que somos pecadores e, por isso, não merecedores de nenhuma bondade. Sabe que nossa arrogância e egoísmo levou-nos a nos revoltarmos contra Deus e vivermos do nosso modo, indiferentes a Ele. Por essa razão, Ele não tem nenhuma obrigação de providenciar o bem para nós. O sofrimento é exatamente o que merecemos. Nesse caso a surpresa não seria quando o sofrimento chega, e sim quando ele não chega. O porquê aqui é outro: “por que, eu sendo tão pecador, Deus ainda me agracia com algumas coisas boas?”, ou: “por que eu não sofro mais do que já estou sofrendo?”
Qual das duas perspectivas é bíblica? Isto é, qual das duas é defendida pela Bíblia?
À luz do ensino de Jesus em Lucas 13.1-5, creio que a segunda. No texto algumas pessoas se chegam a Jesus e falam de galileus que foram assassinadas por Pilatos enquanto ofertavam seus sacrifícios a Deus. Diante de um episódio assim, pode-se pensar que aqueles galileus eram tão pecadores que mereciam isso. Ou que Deus permitiu um sofrimento injusto.
Jesus não concorda com nenhuma das duas explicações. Nem os galileus eram mais pecadores do que os outros, nem Deus permitira um sofrimento injusto. Jesus indica que o que havia acontecido com os galileus é algo merecido por todos, pois todos são pecadores.
Para confirmar, Ele adiciona mais uma catástrofe, a queda de uma torre que matou dezoito pessoas. Seus ouvintes não deveriam nem pensar que aqueles dezoito haviam desagradado a Deus de modo maior do que os que escaparam, nem tão pouco imaginar que o acidente causara um sofrimento injusto. A verdade é que todos mereciam aquele sofrimento. Se uns não o receberam foi por pura graça de Deus, que lhes concedia mais um tempo para o arrependimento.
Diante dessas reflexões, cheguei à conclusão que Deus não tem a obrigação de nos livrar de sofrimento nenhum. Como pecadores, merecemos mais do que o sofrimento que já experimentamos. Se mais não vem é por causa da misericórdia de Deus. E quando recebemos o bem é a Sua graça que nos alcança, sem nenhum mérito de nossa parte.
A pergunta correta, então, não é “por que Deus permitiu tanto sofrimento na vida de crianças sobreviventes da guerra?”, mas, “por que Deus cuidou dessas crianças em meio a tantos perigos, permitindo que escapassem, enquanto tantas morreram?”.
Diante da calamidade que acontece com outros devemos nos perguntar: por que não comigo? E entender que o bom Deus está nos oferecendo mais uma oportunidade de arrependimento. 



sexta-feira, 10 de maio de 2013

UMA CARTA PARA QUEM ESTÁ SOFRENDO


Há algum tempo recebi uma carta de uma senhora cristã que, juntamente com sua família, passava por intenso sofrimento. Na carta ela perguntava a razão daquele sofrimento. Esta é uma pergunta sempre feita: Por que os bons sofrem? Compartilho neste blog  a resposta que lhe escrevi.
Prezada irmã,
É difícil dizer com precisão as razões do nosso sofrimento. À luz da Bíblia podemos dizer que Deus faz uso do sofrimento para nos corrigir, fortalecer, testar nossa fé e testemunhar tanto aos homens como aos seres espirituais, o nosso amor por Ele, como foi o caso de Jó.
O sofrimento também pode nos preparar para missões que Deus tem para nós. Veja o exemplo de José (Gn 37-50). Homem fiel, que andava com Deus, mas passou anos numa cadeia, isto sem ter cometido nenhum crime, pelo contrário, a razão do seu sofrimento foi sua obediência. Deus estava preparando José para testemunhar Dele e ser instrumento salvador para Seu povo. Os alvos de Deus vão além de nosso conforto e bem estar neste mundo.
Pense em Noemi e Rute que passaram por sofrimento, viuvez, desamparo e pobreza que chegou ao estado de ter que depender de outros. Tudo isto para prepará-las para serem antecedentes do Messias. Não teríamos conhecido a história de Rute se não fosse o seu sofrimento (Rt 1-4).
Davi, mesmo fiel, teve que passar anos se escondendo no deserto, muitas vezes sem ter o suficiente para ele se seus acompanhantes. Deus o estava preparando para ser o rei de Israel 1 Sm 22-31).
Outro exemplo é o do paralitico que Jesus curou. Quanto sofrimento ele suportou! Mas era o meio preparado por Deus para que ele se encontrasse com Jesus e recebesse a graça da salvação (Mc 2.1-12).
Foi no exílio da ilha de Patmos que João teve a gloriosa visão do Apocalipse (Ap 1.).
Há muitos outros exemplos bíblicos.
É difícil saber a razão de cada sofrimento num caso em particular. Algumas vezes, nem aquele que está sofrendo sabe o motivo. Voltemos ao exemplo de Jó. Ele nunca soube por que passou por tudo aquilo. Para ele foi suficiente saber que Deus estava no controle e que Deus era sábio.
Nestas áreas não temos muitas certezas. Apenas algumas, e estas devem ser suficientes para manter a nossa fé. Quero compartilhar três certezas que se encontram em Romanos 8.
1ª certeza. A glória  futura será bem maior que o sofrimento do presente. Rm 8.18
Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.
Paulo claramente diz que tem a certeza de que o sofrimento presente nem se compara à glória que será revelada em nós. Uma verdade que ele já havia escrito de modo enfático em 2 Coríntios 4.16-18,
Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.
Apesar dos problemas externos, não podemos desanimar; porque a tribulação momentânea de agora vai produzir uma glória eterna no futuro, sem qualquer comparação; quando olharmos para trás vemos que a tribulação, por mais intensa, ainda foi leve, se comparada à glória que teremos; por isso não devemos nos concentrar apenas no que é visível, no que é temporal, mas no que Deus tem preparado para nós na eternidade.
2ª certeza. Deus faz todas as coisas cooperarem para o nosso bem.  Romanos 8.28,29.
Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
O verso 29 explica qual é este bem: ser semelhantes a Jesus. O grande alvo de Deus para nossas vidas, não é nosso sucesso aqui, não é uma situação confortável neste mundo, mas sim que sejamos semelhantes a Jesus, para então habitarmos na eternidade com Ele. Todos nós temos uma cota de sofrimento, que nos aperfeiçoa para sermos semelhantes ao Filho de Deus. Todos os homens de Deus passaram por sofrimentos, de uma maneira ou outra. A fidelidade deles não era uma troca pelas bênçãos de Deus, antes era a manifestação de sua fé amorosa e sua devoção para Aquele que é O Bem e Valor supremo do universo.  
3ª certeza. Nada nos afasta do amor de Deus, Romanos 8.38,39.
Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Não podemos medir o amor de Deus pelas bênçãos terrenas. Satanás vai nos tentar a medir o amor de Deus pelo tanto de conforto que Ele nos dá aqui. Muitas vezes nos comportamos como crianças e adolescentes imaturos, que medem o amor dos pais pelos presentes recebidos. A grande prova do amor de Deus já nos foi dada, Jesus Cristo (Rm 5.8). Por causa disto, nenhum sofrimento desta vida pode nos separar deste amor. Este é o maior amor que podemos ter.
Minha oração será que você se agarre nestas certezas, e que no meio deste sofrimento sua fé seja aperfeiçoada, passando no teste, mostrando que é mais valiosa do que qualquer bem deste vida (1 Pedro 1.7).

quarta-feira, 7 de março de 2012

OLHO PIDÃO


A expressão “olho pidão” indica alguém que pede com os olhos. Pode ser o olhar suplicante do mendigo, ou o olhar guloso da criança diante do balcão de doces. Ambos comunicam seus desejos pelos olhos.  É o olhar do personagem Chaves, do seriado do mesmo nome, que mesmo balançando a cabeça indicando que não quer o sanduiche de presunto, os olhos dizem o contrário.
O olhar do peregrino também é um olhar pidão. No salmo 123 ele diz que seus olhos esperam em Deus, e este olhar além de esperar, clama. Junto com o olhar há um pedido por misericórdia. Ele olha para Deus e conta os seus problemas. A causa de seu sofrimento é o desprezo. Ele e os outros adoradores são vistos como insignificantes, sem valor, e sem importância, desdém que é acompanhado de escárnio. E isto irrita e dói em sua alma. 
Por isso ele diz que está saturado e ensopado das zombarias dos arrogantes e soberbos. Daqueles que pensam que podem viver sem Deus, desfrutando do bem bom da vida sem preocupações.  Os arrogantes são descritos em Amós 6.1 e Isaías 32.9,11, como pessoas que não se importam com a iminência do juízo de Deus, e nem se afligem com o pecado cometido. Vivem para vestir-se bem, festejar e divertir-se. A indulgência, luxúria e frivolidade são suas aspirações. 
Os orgulhosos se levantam como ondas do mar. Apoiando-se em seus próprios expedientes e forças, zombam daqueles que humildemente dependem de Deus; que sofrem, e aparentemente não prosperam.
Um exemplo deste desprezo aparece em Neemias 2.19 e 4.1-4. Provocado pela ira e pela inveja, o menosprezo duvida de até onde podemos ir; considera inútil os nossos esforços; e zomba do potencial de nossas realizações. Ele pode se manifestar lançando dúvidas sobre nossas intenções e nos caluniando. Seu alvo é nos desanimar. Este desprezo é pior do que a ira (Mateus 5.22).
Diante deste ataque o salmista dirige seu olhar para o SENHOR, com atitude de servo (humilde, submissa, concentrada, esperançosa), e conta seu problema para Deus.
Igual ao peregrino, também enfrentamos o desprezo dos outros. Talvez por nos considerarem fracos, idiotas, atrasados, retrógrados, por ainda acreditamos em coisas que não fazem sentido no mundo moderno. Somos incompreendidos, por não darmos vazão às nossas paixões, por reprimirmos os nossos desejos. Chamados de bobos, de gente que não sabe aproveitar a vida (1 Pedro 2.11,12,13; 4.2,4).
Qual o desprezo que lhe aflige? A indiferença dos que você ama? O descompromisso de quem deve cuidar de você? A infidelidade de quem deveria ser fiel? A falta de atenção e gratidão das pessoas pelas quais você tem se desgastado? Falsas acusações? Juízos precipitados sobre suas aflições? Depreciação do seu trabalho? Descrença em suas capacidades? Pouco caso de suas ideias? Xingamentos? Pessoas que nem lhe dirigem a palavra? Outros que riem de suas convicções e comportamento? Você está cheio, já não aguenta mais?
O que pretende fazer? Para quem está olhando?
O peregrino nos ensina que na adoração alegre, também há espaço para o desabafo humilde, a súplica sofrida, o clamor confiante. Faça como ele, dirija seu olhar para o Senhor, pedindo misericórdia, conte seu problema, e aguarde com confiança.

  

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Por que Deus deixa que seja destruído o que nos é valioso?


Um dos textos da nossa campanha de oração foi o salmo 74. Este salmo é uma oração em forma de poesia. Nela o autor implora o socorro de Deus porque o templo tinha sido destruído pelos inimigos e estava em ruínas.

O templo, ou santuário, era algo de muito valor para o israelita. Começara como um tabernáculo, uma tenda no deserto. O próprio Deus ordenara sua construção, Êxodo 25.8. Ali ele é chamado de santuário, isto é lugar determinado para ser sagrado, separado, consagrado para Deus. Deus diz que por este santuário habitaria no meio do povo. Treze capítulos do livro de Êxodo são destinados para falar das instruções e construção do mesmo. Deus determinou tanto o material que seria usado, como cada detalhe da construção. O próprio Deus mostrara o modelo a Moisés, Ex. 25.9. Deus também escolheu e habilitou os artistas que fariam esta construção, Ex. 35.30-35. Por causa de tudo isto, este tabernáculo era belo.

Mas, seu maior valor não vinha do fato de ser rico e belo, e sim porque era a habitação de Deus. O próprio Deus deixa isto claro em sua inauguração, quando Sua glória enche aquela tenda, Ex. 40,34s. Dali Deus passou a orientar Seu povo na caminhada no deserto. Sempre que o povo acampava o tabernáculo ficava no meio do acampamento, e as tribos de Israel em volta. Deus era o Rei de Israel, e o tabernáculo era Seu palácio, era também chamado de tenda da congregação, porque nele Deus se encontrava com Seu povo. A arca, que era símbolo do trono de Deus estava nele.

Nele o povo fazia suas orações, como Ana quando pediu um filho, sacrificava suas ofertas de arrependimento pelos pecados e gratidão pelas bênçãos recebidas. Nele eram realizadas as comemorações anuais, quando o povo deixava seus afazeres e se dirigia para festejar relembrando as bênçãos de Deus. Era o centro de Israel.

O rei Davi planejou construir um prédio, no lugar da tenda, para ser o templo de Deus. Deus aprovou sua idéia, mas disse que o filho de Davi, Salomão, construiria. Davi preocupou-se em deixar todo o material e as recomendações necessárias para esta construção, 1 Crônicas, 29. Ele mesmo menciona que a obra era grande porque não seria um palácio para homens, mas para Deus, 1 Cr 29. 2. Cinco capítulos de 2 Crônicas e 3 de 1 Reis são para descrever esta construção. E na inauguração deste templo a glória de Deus também o enche. Salomão faz uma oração de dedicação, e nesta oração ele diz que aquela seria uma casa de oração para todos os povos. Simbolicamente seria o lugar onde Deus atenderia tanto o povo de Israel como os outros povos em audiência.

Os israelitas devotos tinham esta casa na mais alta estima. Os salmos 84, 122, manifestam o amor que os salmistas tinham por este lugar. O salmo 42 conta-nos da saudade que um exilado tinha daquele lugar. Os israelitas idólatras passaram a ver o templo como algo mágico, no tempo do profeta Jeremias, eles acreditavam que Deus nunca castigaria a cidade, já que o templo estava ali.

Mas Deus permitiu a destruição do templo. Ele ficou em ruínas. Por que Deus permitiu que algo tão valioso fosse destruído pelos inimigos do Seu povo?

Hoje nós também temos muitas coisas de valor, coisas boas, criadas por Deus, dadas por Ele, que funcionam como sinais de sua presença e bênção sobre nós. Saúde, família (cônjuges e filhos), amigos, uma igreja onde podemos servi-lo, um emprego, missionário e pastores atuantes, etc. E algumas vezes Ele também permite que estes “santuários” seja destruídos, arruinados. Por quê?

Refletindo sobre isto cheguei a algumas conclusões que quero compartilhar: 1) Deus quer nos mostrar que pode atuar sem seus símbolos, mesmo sem o templo Ele continuou atuando na história de Israel. 2) Deus quer nos ensinar a não idolatrar nenhuma de suas bênçãos. Ele quer que nós o adoremos, e não adoremos seus dons. Os dons são instrumentos para nos aproximarmos Dele, e não para nos desviar Dele. Muitas vezes nos concentramos tanto nas bênçãos que esquecemos do Deus que nos dá a bênção. Devemos lembrar que o maior valor é Ele. 3) Deus quer testar nossa fé. Quer que verifiquemos se ela está fundada Nele, ou em coisas visíveis. Ele quer que conheçamos se nós vamos continuar fiéis a Ele mesmo quando o que Ele nos der for retirado. 4) Deus quer nos laçar em Seu colo. É nas horas de aflições, de perdas de algo valioso, que os fiéis se voltam para Deus de modo mais intenso em oração. 5) Deus quer nos fazer refletir sobre o que tem valor de fato em nossa vida. 6) Deus usa nossas perdas para edificar outros, se não fosse a destruição do templo não estaríamos aprendendo com o salmo 74 hoje.

Vamos ser gratos pelas coisas valiosas que Deus nos deu. E continuar confiando Nele quando permitir que estas nos sejam tiradas.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

ESTÁ COM PROBLEMAS? ORE. A oração é a solução (3ª parte)

“Tens problemas? Podes orar!

Deus já sabe e quer ajudar.

Não sejas duvidoso, pois Deus é poderoso.

Por que se preocupa tanto? Podes orar!

Este cântico foi aprendido nos meus tempos de criança na Escola Bíblica Dominical. Ele comunica uma poderosa verdade, que eu mais cantei do que pratiquei, infelizmente!

A mesma verdade é expressa por Tiago de modo ainda mais direto e simples: Alguém está sofrendo no meio de vocês? Façam oração... (Tg 5.13a). Numa simples frase nos é dado um poderoso e eficaz conselho. Está passando por algum problema? Sentindo alguma aflição? Experimentando sofrimento? Pois ore. É assim tão simples! Tão fácil! Tão a nossa mão! Mas, incrivelmente, não praticamos, não acreditamos que possa funcionar.

A oração é a solução para nossos sofrimentos.

A palavra que Tiago usa para “sofrimento” era um termo geral que falava sobre a experiência de todo tipo de aflição e provação. Ela e suas variações foram usadas outras cinco vezes no NT, em todas se reportando ao sofrimento por causa do evangelho (2 Tm 1.8; 2,3,9; 4,5; Tg 5.10). . Em 2 Timóteo Paulo menciona que sofre pelo evangelho, como se fosse um malfeitor, chegando até a ser preso. Quando Paulo escreveu esta carta ele estava preso em Roma, numa prisão difícil de ser encontrada (1.16,17) e aguardando a execução (4.6). Achava-se solitário (2 Tm 4.10,11), prejudicado por alguns (4.12), abandonado pelos amigos (1.15); em sua primeira defesa, ninguém o havia ajudado, ele havia sido deixado em grande dificuldade (4.16). Mesmo assim afirma que não se envergonha deste sofrimento, e desafia Timóteo a sofrer junto com ele (1.8; 2.3,9). Era o sofrimento por perseguição, prisão, etc. Tal qual o sofrimento de um soldado que está em guerra.

Os leitores de Tiago também passavam por muitos problemas que provavam sua fé (1.3); alguns eram oprimidos e desonrados pelos ricos (2.6,7; 5.1-6). Tiago lhes afirma que “A oração é grande fonte de forças para a aflição que estão experimentando

Diante do sofrimento não precisamos ficar resmungando da vida, murmurando contra outros, atormentando-se, nem se preocupando. Tiago diz que diante dos problemas da vida, a reação do cristão deve ser a oração. Foi a reação de Jesus, Lucas 22.44 nos informa que Ele, estando em agonia, orava ainda mais intensamente, isto é, quanto maior a luta de Jesus, mais Ele se agarrava à oração.

O sofrimento pode inclusive ter este propósito, levar-nos a buscar a Deus. O versículo de Tiago 4.13 nos ensina que podemos adorar tanto tristes quanto alegres. Pela oração e pelo cântico. Para alguns a tristeza é um motivo para não adorar, para não buscar a Deus. É possível que eles raciocinem assim: Por que orar se posso me preocupar, reclamar e me lamentar?

A oração é a solução para os nossos problemas, mas... é preciso orar com paciência (Tg 5.10, outro lugar onde a mesma palavra “sofrimento” aparece), isto é com um ânimo longo, sem desanimar diante dos problemas. Paciência expressa a idéia de não entregar os pontos, mesmo estando sob intensa pressão, é permanecer firme no lugar mesmo quando tudo nos incentiva a correr. Jesus já havia ensinado a orar sem desanimar, sem entregar os pontos, mesmo que Deus pareça demorado em fazer justiça (Lucas 18.1,7).

Tiago nos dá exemplos de paciência (5.7-11). Da mesma forma como o agricultor aguarda pacientemente os frutos, o cristão deve esperar a vinda do Senhor para poder colher os frutos plantados pelo sofrimento experimentado hoje. Semelhante aos profetas, que sofreram em nome do Senhor, o cristão deve suportar o sofrimento sem desanimar em sua fé. Também Jó que sofreu muito, mas não abandonou a fé, clamou e esperou com paciência a resposta de Deus, serve de modelo para nós agüentarmos o sofrimento com oração.

Esta paciência se demonstra em deixar o coração firme, estável, sem vacilar. E também sem se queixar contra os irmãos por causa das dificuldades. Alguém que se lamenta e se queixa está demonstrando falta de paciência. Alguém que o ânimo ora se inclina para um lado ora para o outro, também indica que não está aguardando com confiança em Deus.

Está sofrendo? Está enfrentando problemas com a família, nos negócios, em sua vida espiritual, na igreja, etc.? Faça oração. Siga o simples conselho de Tiago, e experimente o grande poder que ele tem. Pois a oração é a solução para os nossos problemas, mas deve ser misturada com paciência, pois o desânimo mata a eficácia da oração.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

OS CISNES CANTAM MAIS DOCEMENTE QUANDO SOFREM


As palavras do título desta postagem vieram do livro "O Sorriso Escondido de Deus", de John Piper (pg. 9).
Tanto a Bíblia como a natureza nos ensinam que o sofrimento pode nos fazer cantar melhor. Nos sofrimentos os cisnes cantam com mais doçura. No Brasil temos o exemplo do pássaro Assum-Preto, que depois de ter seus olhos furado passa a cantar o dia todo.
A mesma verdade pode ser aplicada à Davi, o doce salmista de Israel (2 Sm 23.1), pois ele escreveu vários de seus salmos em horas de sofrimento. Um exemplo é o salmo 3, que foi composto quando fugia de seu filho Absalão. Fugir de um filho já é algo tremendamente trágico para qualquer pai, e no caso de Davi era pior, pois além da vida, o filho queria seu trono.
A história nos é contada em 2 Sm 15-17. Após quatro anos de subversão, Absalão liderou uma rebelião aberta. Quando tomou ciência da revolta, Davi fugiu, pois sabia que esta era sua única alternativa naquele momento, pois muitos haviam  se aliado à Absalão.
Enquanto fugia, subindo pelo monte das Oliveiras, Davi e o povo choravam com a cabeça coberta. Um desafeto resolveu atirar-lhe pedras e xingá-lo de assassino, bandido e homem sem valor. Davi se sentia frustrado, triste, envergonhado e com dúvidas. O que tinha de mais precioso estava deixando para trás. Sua vida parecia estar entrando em colapso.
Com mais de 60 anos, Davi teve que lidar com os problemas que a notícia repentina lhe trazia: planejar uma fuga rápida, tomar decisões no meio da pressão, enfrentar uma subida íngreme, acalmar os acompanhantes e suportar a angústia interior.
Ele chegou às margens do Jordão, cansado e estressado (2 Sm 16.14). Ali passou pelo menos uma noite. Será que foi nesta ocasião que compôs este salmo? Ou depois de ter atravessado o Jordão quando organizava o exército para a defesa (2 Sm 17.27-18.2)? Ou mesmo quando ficou no acampamento esperando o resultado da guerra (2 Sm 18.4)? Todas essas eram ocasiões de aflição, necessidade e exaustão.
Mas o cisne canta mais docemente nesta hora! O salmo é uma oração em forma de poesia, onde Davi contou a Deus o seu problema de modo realista: são muitos os inimigos, muitos os revoltosos, e muitos os que o desanimam dizendo que Deus não mais o salvará. (versos 1,2).
Davi não era um sonhador otimista que havia cegado para a realidade. Ele via a situação como ela se apresentava, e a colocou diante de Deus.
Mas ele também via Deus como Ele é: o seu escudo, a sua glória, Aquele que era capaz de animá-lo, mesmo quando tudo era motivo para desânimo (verso 3). Então ele clamou com a confiança de que seria ouvido. Mesmo longe de seu palácio, da arca do Senhor, de sua Jerusalém amada, e com sua vida e reino ameaçados, ele sabia que podia deitar, dormir e levantar, porque era Deus quem o segurava (verso 5). Mesmo perseguido em um deserto, ele não ficava assustado por causa dos muitos inimigos. Já que muitos estavam se levantando contra ele, pediu que Deus se levantasse a favor dele. Já que muitos estavam dizendo que Deus não iria salva-lo, ele pediu para Deus salvá-lo. Porque é somente Deus quem pode salvar e abençoar os seus (versos 6,7).
Quando estiver em situações de sofrimento, lembre-se de Davi. Conte a Deus sua aflição, mas também, lembre-se de quem Deus é para você. Não se deixe levar pelas palavras de desânimo, clame a Deus. Mesmo quando perseguidos, em desespero e dúvida, cansados, estressados, podemos deitar, dormir, acordar e cantar

Quando a luta está travada, ventos fortes sopram em mim
Quando sinto-me cercado, e a força chega ao fim
Quando a vida destrói sonhos, e os vales são reais
Deus me dá quando a Ele clamo, asas espirituais.
(Hino "Asas Qual Águias", de Ron Hamilton, Tradução de Paulo C. Bondezan, publicado no Hinário Voz de Melodia, 2004).



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