quinta-feira, 31 de março de 2016

LEMBRETE SEMPRE NECESSÁRIO - Soneto

Lembrete sempre necessário
Almir Marcolino Tavares
28/03/2016
(Soneto baseado no salmo 49)

Para plebeus e nobres,
também ricos e pobres,
o final é sempre a morte.
Ninguém tem outra sorte.

Entender o sentido,
fugir do destino,
decifrar o enigma,
eternizar a vida?

Nomear cidades,
erguer monumento?
Solução provisória!

Obter imortalidade?
Ilusão de momento!
Sem Deus? Só na memória. 


quinta-feira, 24 de março de 2016

GRATIDÃO PELA GRAÇA MANIFESTADA ATRAVÉS DA VIDA DO PASTOR TOMÉ WILLSON

A graça de Deus chega a nós de várias maneiras. Uma das mais comuns é através de outras pessoas. Deus usa homens e mulheres como canais para fazer as águas de Sua graça abençoarem outras vidas.
Esta graça chegou a alguns de nós através da vida do Pastor Thomas Flenner Willson, mais conhecido como Pr. Tomé ou “seu Tomé”.  Ele foi um dos pioneiros no trabalho evangélico aqui no Cariri cearense.
Além de contribuir para a evangelização, fundação de igrejas, ensino em escolas seculares, inclusive na Universidade, também  foi diretor, deão acadêmico e professor no Seminário Batista do Cariri. Com isso, influenciou várias gerações de obreiros formados naquele seminário. Na região do Cariri, o Pr Tomé serviu a Deus em várias igrejas. Na Igreja Batista Regular do Novo Juazeiro, serviu por dez anos (1979-1988). Os mais antigos na igreja podem lembrar de suas pregações, aulas na Escola Dominical, e de como se apresentava como voluntario para discipular os novos convertidos.
            No dia 23 de março, aos 92 anos, o pastor Tomé deixou esta vida. Na linguagem do apóstolo Paulo, ele partiu para estar com Cristo. A âncora que o prendia neste mundo foi solta, e ele empreendeu a viagem para a situação que é incomparavelmente melhor (Filipenses 1.23).  Nas palavras de Jesus, ele foi levado pelos anjos para a presença de Deus (Lucas 16.22)
            Quero aproveitar para repetir a homenagem que fiz ao Pastor Tomé por ocasião de seu aniversário de 87 anos. 
             Pessoalmente sou muito devedor ao Sr. Tomé. Sem dúvida ele foi uma das pessoas que mais marcou a minha vida.  Quero alistar alguns fatos.
            Quando tomei a decisão de estudar em um seminário, escrevi para várias escolas no Brasil, pois não sabia onde deveria estudar. Foi o senhor Tomé quem mais rapidamente respondeu e se prontificou a me ajudar a chegar aqui, minorando algumas dificuldades que eu enfrentava então. Sua carta teve um papel determinante em minha decisão de estudar no SBC. Posso até dizer que, escolhi estudar no SBC por causa daquela carta incentivadora que ele me enviou.
            No Seminário, foi professor exigente e dedicado, buscando que eu desse o meu melhor nos estudos e no trabalho. Esforçou-se sobremaneira para que eu pudesse continuar nos estudos em níveis além da graduação. Inclusive custeando várias mensalidades e viagens que eu tinha de fazer.
Se voltei para o Cariri, depois de formado, para ensinar no SBC, muito se deve ao Pr Tomé. Tanto incentivou os membros do conselho a me convidarem como me incentivou a aceitar. O mesmo se deu quanto ao pastorado da Igreja de Novo Juazeiro, que pastoreio há 27 anos. Tenho certeza que sua palavra teve muito peso para que os irmãos daquela época me convidassem. Além disso, fortemente me aconselhou a aceitar este convite.
            Se hoje sou convidado a pregar em vários lugares deste país, o seu Tomé também foi instrumento nisso, indicando meu nome para as igrejas, e muitas vezes, ele deixava de ir quando convidado, e pedia para que eu fosse em seu lugar. 
            Sempre tratou minha família com muito carinho. Quando chegamos ao Cariri, ainda sem casa para morar, ele nos acolheu em sua casa.
            A graça de Deus usou o Pr Tomé para que chegasse onde estou hoje. Ele me serve de exemplo, fazendo-me ver que sou canal através do qual a graça de Deus deve fluir para abençoar outros.
            OBRIGADO SENHOR, PELA VIDA DO PR. TOMÉ, Ajuda-me a ser para outros um pouco do que ele foi para mim.
           

sexta-feira, 18 de março de 2016

PARÁFRASE POÉTICA DO SALMO 37.1-9 - REAÇÃO QUANDO A INJUSTIÇA PARECE PROSPERAR

       Quando a injustiça se exacerba para prosperar e a indecência se assanha para prevalecer, buscando hostilizar a justiça e fazer pouco da honradez, duas tentações se apresentam como formas adequadas de reação: ira e/ou inveja. 
       Mas uma leitura do Salmo 37 vai nos mostrar que nenhum desses dois caminhos é o aprovado por Deus. O justo e o honrado devem evitar toda violência em sentimento e ação, sabendo que a ira produz mais maldade e injustiça. Ao invés disso deve derramar essa ira diante de Deus, com clamor por justiça, confiar e esperar na ação d’Ele. Fazer de Deus seu deleite e delícia. Deus não está inativo, a justiça triunfará. 



PARÁFRASE POÉTICA DO SALMO 37.1-9 

Por causa dos perversos não te exasperes, 
nem tão pouco os iníquos invejes. 
Pois depressa secarão como erva 
e murcharão como verde relva. 
Que tuas ações sejam confiança e bondade, 
e na terra te alimentes da fidelidade. 
O Senhor seja a tua satisfação, 
pois só Ele contenta nosso coração. 
Lança em Deus teu itinerário, 
confia, Ele fará o necessário. 
Fará surgir como luz tua justiça 
 e teu direito como sol que brilha. 
 No Senhor espera e descansa, 
firmando-se n’Ele com segurança. 
Não exasperes com a prosperidade 
do que caminha projetando maldade. 
Abre mão da ira, o furor deixa de lado, 
pois o mal se abriga no coração irritado. 
Sabe com certeza que Deus excluirá o mal, 
e os que n’Ele esperam triunfarão no final.

terça-feira, 15 de março de 2016

SOBREVIVENDO COM LOBOS


           Sobrevivendo com Lobos é o título de um livro, e filme de mesmo nome, que conta a história, em sua maior parte fictícia, de uma garota judia belga, cujos pais foram presos, na Segunda Guerra, quando ela tinha sete anos. Ela inicia uma viagem de mais de dois mil quilômetros, da Bélgica até à Ucrânia, guiada apenas por uma pequena bússola e movida pela determinação de encontrar os pais.
            Embora a história da viagem não seja real, reflete a realidade emocional de crianças que sobreviveram sozinhas, passando por fome, sede, solidão abandono, infância perdida, estupros, prisão e assassinato de pais e irmãos, enfim todas as tragédias que caracterizam uma guerra. A autora, Misha DeFonseca, cria uma cena na qual a protagonista é acolhida, protegida e alimentada por lobos. Daí o título do livro, que pode ser uma alusão a outros tipos de lobos, que destroem seus semelhantes.
            Literalmente um livro fabuloso que li de uma sentada. À noite, após a leitura, minha mente foi assaltada por uma questão recorrente: por que Deus permite sofrimento tão intenso?  
Acordei ainda turbado e sem resposta. A meditação no momento devocional clareou meus pensamentos. Percebi que há duas perspectivas para encararmos o sofrimento.
            Uma delas espera que a vida seja sempre feliz, no mínimo com poucas e leves tribulações. Entende que, como Deus é Criador, Soberano e Bom, Ele tem a obrigação de proteger as pessoas de todo sofrimento intenso. Acredita também que nós merecemos sempre o que a vida tem de bom e de melhor. Então, quando o sofrimento se apresenta, perguntamos espantados e em pânico: por quê?        
Já a outra perspectiva admite que somos pecadores e, por isso, não merecedores de nenhuma bondade. Sabe que nossa arrogância e egoísmo levou-nos a nos revoltarmos contra Deus e vivermos do nosso modo, indiferentes a Ele. Por essa razão, Ele não tem nenhuma obrigação de providenciar o bem para nós. O sofrimento é exatamente o que merecemos. Nesse caso a surpresa não seria quando o sofrimento chega, e sim quando ele não chega. O porquê aqui é outro: “por que, eu sendo tão pecador, Deus ainda me agracia com algumas coisas boas?”, ou: “por que eu não sofro mais do que já estou sofrendo?”
Qual das duas perspectivas é bíblica? Isto é, qual das duas é defendida pela Bíblia?
À luz do ensino de Jesus em Lucas 13.1-5, creio que a segunda. No texto algumas pessoas se chegam a Jesus e falam de galileus que foram assassinadas por Pilatos enquanto ofertavam seus sacrifícios a Deus. Diante de um episódio assim, pode-se pensar que aqueles galileus eram tão pecadores que mereciam isso. Ou que Deus permitiu um sofrimento injusto.
Jesus não concorda com nenhuma das duas explicações. Nem os galileus eram mais pecadores do que os outros, nem Deus permitira um sofrimento injusto. Jesus indica que o que havia acontecido com os galileus é algo merecido por todos, pois todos são pecadores.
Para confirmar, Ele adiciona mais uma catástrofe, a queda de uma torre que matou dezoito pessoas. Seus ouvintes não deveriam nem pensar que aqueles dezoito haviam desagradado a Deus de modo maior do que os que escaparam, nem tão pouco imaginar que o acidente causara um sofrimento injusto. A verdade é que todos mereciam aquele sofrimento. Se uns não o receberam foi por pura graça de Deus, que lhes concedia mais um tempo para o arrependimento.
Diante dessas reflexões, cheguei à conclusão que Deus não tem a obrigação de nos livrar de sofrimento nenhum. Como pecadores, merecemos mais do que o sofrimento que já experimentamos. Se mais não vem é por causa da misericórdia de Deus. E quando recebemos o bem é a Sua graça que nos alcança, sem nenhum mérito de nossa parte.
A pergunta correta, então, não é “por que Deus permitiu tanto sofrimento na vida de crianças sobreviventes da guerra?”, mas, “por que Deus cuidou dessas crianças em meio a tantos perigos, permitindo que escapassem, enquanto tantas morreram?”.
Diante da calamidade que acontece com outros devemos nos perguntar: por que não comigo? E entender que o bom Deus está nos oferecendo mais uma oportunidade de arrependimento.