sábado, 24 de dezembro de 2011

NATAL: UMA VISITA ESPECIAL DE DEUS A HUMANIDADE


             Uma resposta adequada à pergunta “o que é o Natal?”, é que ele é a comemoração da visita especial que Deus fez aos homens.
              Deus fez várias visitas fez ao homem. A Bíblia é a história de Deus, cheio de misericórdia e amor, buscando o homem, que está perdido em seus pecados. Desde o Jardim do Éden que Ele vem ao homem. Ele visitou o homem de várias maneiras; em sonhos e visões, através de anjos e mensageiros humanos, falando e aparecendo diretamente. Todas estas vindas eram preparatórias para uma vinda especial e diferente: aquela que Ele veio em forma humana.
No Natal Deus veio assumindo nossa humanidade, tornando-se homem, sem deixar de ser Deus. O evangelho de Mateus nos conta como foi esta visita.  No capítulo 1.1-17 é mostrada a ascendência humana de Jesus. Indicando que Ele era descendente de Abraão, a família escolhida; de Israel, a nação escolhida; e de Davi, a rei escolhido. A primeira frase do parágrafo que vai de 18-23 diz: “O nascimento (origem) de Jesus Cristo foi assim. O propósito é contar que a geração de Jesus foi sobrenatural, isto é, não foi produzida por meios humanos, fato enfatizado três vezes no texto.
           Maria estava prometida em casamento a um homem chamado José, mas o casamento ainda não havia sido consumado. Seria correspondente hoje a um noivado, só que naquela época já era um compromisso tal qual um casamento, mas o casal ainda não morava na mesma casa. Maria e José tinham o status de casados, mas não haviam tido relações sexuais.  Neste estado Maria foi encontrada grávida. Esta gravidez foi produzida pelo Espírito Santo.  Ele veio e gerou Jesus no ventre da virgem. Sendo assim, não houve a participação de um homem. Foi um ato sobrenatural. Fugindo aos padrões normais da geração de qualquer outra pessoa.
A Bíblia narra outros nascimentos milagrosos, mas nenhum semelhante a este. Podemos citar Isaque, Jacó, João Batista e outros. Nestes casos havia a impossibilidade causada pela esterilidade das mulheres e ou pela velhice dos homens. O milagre foi a habilitação para que os homens gerassem e para que as mulheres concebessem, mas ainda através de uma relação sexual. Deus capacitou homens e mulheres incapazes a manterem um relacionamento, e assim gerarem outro ser humano.  O milagre foi essa capacitação, mas o modo foi natural.
No nascimento de Jesus não foi assim, o próprio modo não foi natural. Não houve a participação de nenhum homem. Não houve nenhum relacionamento sexual.  A geração de Jesus no ventre de Maria foi feita pelo Espírito Santo. Era o próprio Deus que estava naquele ventre, só que em forma humana, na forma de um bebê.
José percebeu que Maria estava grávida, mas ainda não sabia que a geração havia sido do Espírito Santo. Pela lei, ele poderia acusar Maria diante de um tribunal e levá-la ao apedrejamento (Deuteronômio 22.23,24). Mas ele era um homem justo, não queria envergonhá-la, expor publicamente a sua gravidez, ou o pecado que ele pensava que ela teria cometido. Por isso planejou um processo de divórcio particular. Seu propósito era deixar que Maria ficasse  livre para casar com o pai do bebê. 
Enquanto ele refletia neste projeto, Deus lhe enviou um anjo que lhe revelou a realidade. Este mensageiro celestial confirma que a gravidez de Maria havia sido gerada pelo Espírito Santo. O anjo acrescenta a missão de Jesus: salvar alguém de alguma coisa.
Por isso o seu nome seria Jesus, que é a forma da língua original do Novo Testamento (grego) dos nomes Josué e Oséias, que eram suas formas na língua original do Antigo Testamento (hebraico). O significado destes nomes é “o SENHOR salva”. Jesus veio para ser o Salvador de Seu povo, não de toda e qualquer pessoa, mas daqueles que se comprometem com Ele em fé e arrependimento. Daqueles que se identificam como seus, formando o Seu povo.
A salvação seria do pecado. Todos os nossos males são causados pelo pecado, nosso e dos outros. O pecado trouxe doenças, dores, maldições, tristezas, choro, morte física e morte eterna. Deste modo, a salvação genuína tem que nos livrar desta causa maior. Ser livre do pecado significa ser salvo da maldição aqui e da condenação eterna. Esta foi a salvação que Jesus veio trazer.
É dito que o nascimento de Jesus foi assim, para que uma profecia feita 700 anos antes, fosse cumprida. Esta profecia se acha em Isaías 7.14. Ela anuncia a concepção por parte de uma virgem. Novamente temos a ênfase na geração sobrenatural de Jesus. E pela terceira vez mostra que esta criança seria a presença de Deus entre nós. Por isso um de seus outros nomes seria Emanuel, uma palavra hebraica que significa “Deus entre nós” ou “Deus conosco”.
Isto é o Natal, Deus se fazendo presente entre nós. Deus visitando-nos através de Seu Filho Jesus. E esta visita foi para nos salvar de nossos pecados. Este Deus deve estar presente em sua vida. Deve ser Emanuel para você. Você precisa fazer parte do povo Dele, recebendo-O em sua vida, através do arrependimento de seus pecados. Crendo na Pessoa Dele, e na missão que Ele veio realizar.  Só assim você terá, não apenas um Feliz Natal, como também uma eternidade feliz.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

UM SÍMBOLO E SUAS EVOCAÇÕES


          Pela graça de Deus tive a honra de ser o paraninfo da turma de formandos do Seminário Batista do Cariri de 2011. Esta turma escolheu como nome a palavra grega “ichthys”, que significa peixe.  Este foi um dos primeiros símbolos dos cristãos e uma das primeiras manifestações da arte na Igreja Cristã.  Com base neste símbolo evoquei três pensamentos.
            O primeiro deles surge do conteúdo do símbolo.   Uma das razões para a escolha do peixe como emblema cristão era que as cinco letras da palavra em grego (IX𝚯US?US) formavam um acróstico com as letras iniciais da frase “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”.  E a frase expressava a confissão de fé na centralidade da Pessoa de Cristo.  "Jesus", que significa “O Senhor Salva” era o nome humano de Cristo, e mostrava a crença da Igreja na encarnação e historicidade desta pessoa. "Cristo", que significa “ungido” (Messias), indicava que Ele foi o escolhido e ungido por Deus para realizar Seu projeto redentivo, e trazer o estabelecimento de Seu reino.  "Filho de Deus", manifestava a crença de que este Jesus é da mesma natureza de Deus, sendo Deus também. E que, por ser Deus e o Ungido de Deus, Ele se tornou o Salvador dos seus seguidores, livrando-os do pecado e da condenação que este acarreta. O escritor Michael Green diz “Notem como este símbolo sustenta o fato de que o cristianismo é Cristo, e que se ocupa totalmente com Ele.” (Livro Mundo em Fuga, pg. 24).
É imperativo que Jesus Cristo seja reconhecido como o Deus eterno, auto-existente, que foi o Messias prometido, e na plenitude do tempo se encarnou na história, pisou nesta terra, no tempo e no espaço, que aqui viveu e ensinou, morreu e ressuscitou, para ser nosso Salvador. Que Ele foi o designado e escolhido por Deus para ser o Único Mediador e Autor da nossa salvação (João 1.14; Atos 4.12; 10.38-43;  1 Coríntios 15.3,4; Gálatas 4.4,5; Hebreus 5.7-9).
O peixe, como gravura cristã nos lembra que o centro de nossa fé e da nossa vida é Cristo. Não fomos chamados primariamente para seguir uma religião, mas uma Pessoa. Não fomos vocacionados para propagar idéias de um grupo, mas os ensinos de uma Pessoa.  Não fomos convocados para servir prioritariamente a uma causa, mas a uma Pessoa.  Não fomos ordenados para nos comportarmos principalmente de acordo com uma moral elevada e cumprir princípios éticos sábios, mas para imitar uma Pessoa. E esta pessoa é Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador.
            O segundo pensamento vem da razão do símbolo. Ele foi adotado pelos cristãos  por causa das perseguições e calúnias levantadas contra eles. Os cristãos  tinham que evitar a ostentação de sua religião, isto é, qualquer símbolo que fosse entendido imediatamente como religioso. O desenho do peixe foi uma das maneiras que usaram para facilitar a identificação, e marcação de lugares das reuniões e cultos. Apenas os iniciados saberiam o significado deste acrônimo.
O peixe é uma testemunha da perseguição que nossos antepassados enfrentaram, na forma de oposições, calúnias, injustiças, perdas de bens, torturas, prisões e mortes. Mas também atesta que eles não desistiram da fé. Nossa época e cultura, acostumada ao conforto, nem consegue entender como alguém se dispõe a morrer por uma crença. Mas o peixe também nos lembra que ser cristão é estar disposto a sofrer.
Este sofrimento é por causa da identificação com Cristo, conforme 1ª Pedro 4.12-14. Não deve ser encarado como surpresa, como se fosse estranho ao cristianismo, mas como parte do pacote da salvação.  Ele é sinal da glória futura. Portanto, sofrer por Cristo é uma graça (Filipenses 1.29).
Mas o sofrimento, também, é por causa do serviço a Deus. Conforme Colossenses 1.24, o sofrimento é necessário para o crescimento e edificação da Igreja. E em 2ª Timóteo 2.10 é dito  que é preciso suportar o sofrimento para que os eleitos conheçam a salvação.   
A perseguição, a oposição, a humilhação, a injustiça e a calúnia, devem ser aceitas como parte do seguir e do servi r a este Jesus Cristo Filho de Deus, Salvador.
            O terceiro pensamento me vem à lembrança por causa do chamado que Jesus fez aos primeiros discípulos, relatada em Mateus 4.19: “E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” Eles eram pescadores e continuaram pescadores, mas de outro tipo de peixes. Agora deveriam lançar as redes da pregação para pescarem outros discípulos.  Eles haviam sido conquistados, agora deveriam conquistar (Filipenses 3.12). Foram chamados, e agora deveriam chamar.
Podemos fazer um jogo de palavras aqui, usando o símbolo cristão do peixe. Eram pescadores, que foram pescados pelo ICHTUS (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador), para pescarem outros homens, e levá-los ao mesmo ICHTUS que os pescou.
Como diz o hino “Pescador” todo mundo está pescando nesta vida, mas pescando peixes que não saciam a fome. Precisam conhecer o Peixe verdadeiro (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador).
           O peixe me lembra que somos pescadores de homens, para conduzi-los a Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador.

sábado, 3 de dezembro de 2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

DUAS CASAS, UMA TEMPESTADE, DOIS DESTINOS


Sendo um excelente comunicador, Jesus desenhava e pintava seus ensinos na mente dos ouvintes. Ele usava ilustrações e figuras que facilitavam a compreensão e a memorização de suas idéias. Uma destas ilustrações fala de duas casas (Mateus 7.24-27; Lucas 6.46-49).
            As duas casas poderiam ser iguais na aparência. Ou, talvez, uma delas fosse mais bonita, mais rica, mais luxuosa, mais atraente, etc. Mas havia uma diferença significativa entre elas, e esta não era aparente.  Quem passasse por aquelas casas não notaria esta diferença de imediato, teria que ser um bom observador para perceber. Mas esta diferença iria marcar os destinos daquelas casas.
            As duas casas enfrentaram uma tempestade. Uma mesma tempestade. Tempestade que trouxe ventos fortes e chuvas que se transformaram em enchentes. Foi aí que a diferença apareceu. Quando a tempestade passou as pessoas viram que uma casa ainda estava de pé, mas a outra havia desabado. Uma casa resistiu à tempestade, outra foi destruída por ela.  Qual era a diferença?
            Os alicerces. Uma casa tinha alicerces firmes, sobre a rocha, em cima de chão resistente. A outra fora construída sobre areia, sem firmes fundamentos. Os alicerces não apareciam para quem observasse depois das casas construídas, mas fizeram a diferença quando a tempestade apareceu.
De fato a diferença também estava além dos alicerces, estava nos homens que haviam construído as casas. Um deles cavou até que aparecesse o solo firme, a rocha, para então começar a construir. Ele trabalhou, esforçou-se, preocupou-se com a segurança de sua casa. Levou em conta que as tempestades poderiam surgir. Foi previdente. Já o outro não quis ter este trabalho. Construiu a casa na superfície. Foi imediatista, queria uma casa logo, não queria ter trabalho. Não pensou na segurança. Talvez imaginou que a vida sempre seria fácil, que as tempestades não surgiriam. Não foi previdente.
O que Jesus queria ensinar com esta ilustração? O que ele queria dizer com casa, tempestade e alicerces? 
As casas são nossas vidas. Os alicerces são o ouvir e obedecer aos ensinos de Jesus. Quem apenas ouve os ensinos de Jesus, e apenas confessa que O segue, sem de fato obedecer aos seus ensinos, esta construindo uma vida sem alicerces. Aquele que não apenas ouve e confessa, mas também obedece, está edificando uma vida com alicerces firmes. Um dia virá a tempestade. A grande tempestade, que testará nossas vidas. Quem ouviu e obedeceu ficará firme, quem apenas ouviu será arruinado.
Algumas pessoas acham fácil seguir a Jesus, pois estão seguindo apenas de ouvido e de boca, mas não estão obedecendo, e nem querem obedecer. Quem olha para elas pode até achar que de fato elas são fiéis seguidoras de Jesus. Mas a tempestade irá mostrar que elas não têm alicerces. Já outras pessoas sabem que seguir a Jesus envolve o custoso trabalho de obedecer, estão com as vidas edificadas sobre a rocha. Uma permanecerá, outra será destruída. Qual é a casa que moramos?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

VISTA CANSADA




Recebi uma apresentação do texto “Vista Cansada” de Otto Lara Resende, onde ele discorre sobre a banalização do nosso olhar.  
De fato temos a vista cansada.
Por ver todos os dias, nossos olhos se acostumam, então eles olham, mas não veem. Pensamos que vemos, mas não vemos. A familiarização torna nossos olhos opacos. Olhar uma cena que contemplamos todos os dias é como olhar para o vazio.
Creio que isso se deve a nosso prejulgamento. Noto isso na leitura. Algumas pessoas leem errado, não porque não saibam identificar os símbolos, mas por pressuporem o que está escrito. Antes de ler de modo completo a palavra ou frase, elas recitam o que pensam que leram, e não o que de fato está escrito. 
Fazemos isso também no ouvir. Alguém fala alguma coisa, prestamos atenção apenas nas primeiras palavras, e deduzimos o restante. Quanto problema de comunicação isso acarreta! É como se disséssemos "já sei o que você vai dizer", e desligássemos para o que a pessoa de fato diz.
O mesmo ocorre quanto aos olhos. Falamos para nós mesmos "isso eu já estou cansado de ver", e mudamos o olhar para outras coisas. Pensamos que vemos, mas não vemos.
Estes pré-juízos são causados por nosso orgulho. E como somos prejudicados por isso. Perdemos muita beleza do dia a dia. Não percebemos nossos filhos crescerem, as estações mudarem, etc.
Reclamamos que nada acontece de novo, que a vida é a mesma rotina. Isto porque não vemos o que está acontecendo ao nosso redor. Quantas maravilhas! Mas estamos acostumados com a mesmice do nosso olhar, não da vida.
As oportunidades surgem, mas não vemos. As pessoas nos amam, mas não vemos. Deus se apresenta, mas não vemos.  
Isto aconteceu com os contemporâneos da época de Jesus. Por não serem cegos, estarem acostumados a ver, não viram o Filho de Deus em Jesus. Não viram a chegada do Messias. Eles só viram mais um mestre, mais um rabi, ou mesmo mais um profeta, ou até mesmo, mais um operador de milagres, isto é, pensaram que viram aquilo que já estavam acostumados a ver, o que já fazia parte de sua visão opaca e cansada (João 9.39; Lucas 8.10).
Isto também acontece com nossa leitura da Palavra de Deus, de tão acostumados com ela, não vemos o que ela nos diz. Perdemos a noção de que, quando lemos a Bíblia, Deus está falando conosco. Ouvimos, mas não entendemos. Vemos, mas não percebemos.  
Podemos terminar a vida com olhos vazios. Mesmo com olhos, somos como cegos no mundo. Só a Luz do Mundo, Jesus, pode nos curar deste olhar cego, que vê, mas não enxerga (Jo 8.12; 9.39). Só assim, vamos enxergar as maravilhas que Deus tem preparado para nós (1 Co 2.9).
Precisamos clamar: “TIRA A VENDA DOS MEUS OLHOS PARA QUE EU POSSA CONTEMPLAR AS MARAVILHAS DAS TUAS INSTRUÇÕES”, como no Salmo 119.18.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

JESUS ESTÁ EM VOCÊ?


Fazer uma prova, passar por um exame, ou realizar um teste, provocam várias reações. Estas vão da excitação ao trauma, passando pelo desconforto, constrangimento, insegurança, medo, tremor, suador, desespero, e assim por diante. Mas, não há como viver, e não ser testado. Começamos a vida fazendo o teste do pezinho, e não paramos mais. São provas nas escolas, exames médicos, testes de nervos, etc.

Há os testes que os outros nos impõem e aqueles que nós mesmos escolhemos realizar para provarmos nossas qualidades. Há, também, o auto-exame, a análise que fazemos de nós mesmos visando avaliar como estamos em determinada área da vida. Verificamos nossos sentimentos, propósitos, motivações, saúde, e outros aspectos. Este é o exame mais constante. Acredito que o realizamos todos os dias, em menor ou maior grau.

Certas mudanças em nossas vidas são resultados de auto-exames. Observamos, refletimos, analisamos certos aspectos de nossa vida, concluímos que não estão bem, e decidimos mudar. Nem sempre acertamos, mas esta auto-análise é necessária para se viver de modo pensado. Quando isso não ocorre, simplesmente somos levados, sem saber para onde, nem por quem, nem por que e nem para quê.

A falta de auto-exame pode trazer conseqüências perigosas. Quando a pessoa não observa seu corpo, pode não se dar conta de problemas de saúde, que se detectados a tempo, teriam cura. Quando não analisa sua condição financeira, pode assumir compromissos que a deixarão numa situação complicada. Quando não examina seu comportamento, poderá tomar atitudes que afetem sua vida de modo drástico e até irreversível.

Mas há um auto-exame que é crucial não apenas para esta vida, mas, também, para a eternidade. É a análise da nossa condição espiritual. Várias vezes a Bíblia nos exorta a fazê-lo.

Em Gálatas 6.3,4 diz: Porque, se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana. Mas prove cada um o seu labor e, então, terá motivo de gloriar-se unicamente em si e não em outro. Neste texto somos exortados a examinar ou testar o nosso trabalho, para não nos enganarmos. Quando o padrão de nossa auto-avaliação se baseia na maneira como os outros vivem, corremos o risco de ter um conceito próprio elevado e irreal. Isto é auto-engano. Como um aluno que se dá por satisfeito por ter conseguido uma nota sete, já que os outros alunos da classe tiveram uma nota menor. O critério de avaliação não deve ser a vida das outras pessoas, mas nossa própria vida comparada com a vontade de Deus.

Já em 1ª Coríntios 11.28 diz: Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão e beba do cálice. 7-31 Olhando o contexto (versos 27-31) notamos a exortação ao auto-exame para participar da ceia do Senhor. Quando fazemos nossa auto-análise, não corremos o riso de participar da da ceia sem estar em condições dignas. Evitamos uma participação ritualista e leviana, que não consegue discernir o significado e propósito da ceia. Evitamos o julgamento do Senhor, que pode chegar com doença e morte.

Em 2ª Coríntios 13.5 é dito: Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé, provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados. O apóstolo Paulo, após se defender das acusações e questionamentos feitos ao seu ministério, quando a igreja de Corinto testava o seu apostolado, diz que os irmãos é que deveriam testar se eles mesmos estavam na fé. Se, de fato, Jesus Cristo estava neles. Se Jesus não estivesse neles, então, não teriam passado no teste, estavam reprovados, desqualificados.

O exame da fé é essencial. A possibilidade do auto-engano existe e é grande. A igreja de Sardes tinha fama de viva, mas era morta (Ap 3.1). A igreja de Laodicéia se achava rica, abastada e não necessitada, mas era infeliz, miserável, pobre, cega, e nua (Ap 3.17). Jesus estava do lado de fora desta igreja (Ap 3.20).

Uma das formas de nos enganarmos é apontando os erros de outros, ou mesmo os difamando, como ocorria na igreja de Corinto. Condenar os outros é uma tática para esconder nosso pecado, ou mesmo diminuí-lo e desculpá-lo.

Devemos nos avaliar, não pela opinião dos outros, não pela fama já conquistada, não pelos valores do mundo, e sim pela Palavra de Deus. Procurar os sinais da presença de Jesus em nossas vidas. Verificar se nossa sabedoria apresenta os sinais de ser divina e não mundana (Tg 3.13-18). Analisar se temos o testemunho do Espírito Santo em nossa vida (Rm 8.9,16). Observar se amamos os irmãos (1 Jo 3.14). Examinar se praticamos a justiça (1 Jo 3.7). Testar se nosso ensino é o correto (1 Jo 4.1-3).

Se o resultado do auto-exame não for a aprovação, devemos fazer as mudanças necessárias, clamando a ajuda e a misericórdia divinas. Antes do exame final, vamos nos auto-examinar.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

MORREU NA FORCA CONSTRUÍDA POR SEU ÓDIO


Uma das lições do livro de Ester, é que, mesmo quando o nome de Deus não aparece nos créditos, podemos ter certeza de que ainda é ELE quem escreve, produz e dirige todas as cenas.

Para cumprir seus propósitos Deus pode usar a soberba e o ódio dos homens. Isto é ilustrado na vida de um dos personagens do livro, Hamã. Ele aparece no capítulo 3, quando é promovido pelo rei Assuero para ser uma espécie de primeiro ministro no reino, acima de todos os outros ministros. Todas as pessoas deveriam honrar Hamã inclinando-se diante dele. Mas Modercai, o tio e também pai adotivo de Ester, não faz isso.

A razão era que Hamã era agagita, isto é, descendia de Agague, antigo rei dos amalequitas. Entre este povo e os judeus, existia um conflito mais que milenar. Ambos descendiam de irmãos que foram rivais e inimigos por algum tempo: Esaú e Jacó. Amaleque era descendente de Esaú, os judeus de Jacó (Gen 25.27-34; 27; 36.12).

Quando Israel saiu do Egito, Amaleque, de forma covarde, atacou os israelitas. Deus ordenou que estes, depois de estabelecidos em Canaã, deveriam destruir aqueles (Ex 17.8-14; Deut 25.17-19). Esta ordem deveria ter sido cumprida por Saul, mas ele desobedeceu (1 Sam 15.2-9).Então Mordecai crê que não deve honrar um descendente daquele povo, e Hamã, nutrindo um grande ódio, quer destruir os judeus. É neste contexto e usando estes ingredientes que Deus cumpre Sua palavra.

Hamã é um exemplo de como a soberba, o ódio e o ressentimento não só nos impedem de desfrutar das boas coisas da vida, como a destrói. Ele tinha uma boa família, o apoio do rei, o respeito de todos os súditos (menos um), fama e riquezas. Mas, não estava satisfeito enquanto visse Mordecai sem se curvar diante dele (Ester 5.11-13). Ficou obcecado pelo seu ódio.

De fato, ele nem havia percebido que Mordecai não se inclinava, foi a intriga palaciana que lhe fez saber (Ester 3.2-5). As pessoas são ágeis em fazer fofoca, movidas pela inveja. Todos se inclinavam menos Mordecai. Os outros invejaram, e por isso contaram para Hamã, para ver quem podia mais nessa queda de braço. Se Hamã tivesse ignorado, a vida continuaria. Mas, em seu orgulho ele queria unanimidade. E este orgulho fez surgir o longo ressentimento racial. Isto o levou à ira, e ela é uma péssima conselheira.

O ódio o cegou.

  • Cegou para a futilidade do motivo. Um homem da posição de Hamã não deveria se ocupar com algo tão pequeno, pois apenas um homem, em todo o reino, não lhe prestava reverência.
  • Cegou para a motivação dos que fizeram chegar à notícia até ele. Não é que estivessem querendo honrar Hamã, mas humilhar Mordecai. (Est 3.3-5)
  • Cegou para a falta de proporção de sua reação. Ele extrapola em seu ódio, vai além do motivo. Não quer acabar apenas com Mordecai, mas com todos os judeus. Apenas uma palavra com o rei, sobre Mordecai, resolveria o caso.
  • Cegou para a verdade. Ele usa de mentiras para poder se vingar (Est 3.8). O que ele fala dos judeus não era justo, já que o próprio Mordecai salvara o rei de uma conspiração (Est 2.21-23).
  • Cegou para o cumprimento de sua função no reino. Ele usa os recursos, o tempo e os funcionários do reino, para vingar seus ressentimentos pessoais, e não para o bem do reino (Est 3.9-14).
  • Cegou para a reação dos súditos. O orgulho lhe produziu uma sensação de segurança e a vingança, de satisfação. (Est 3.15).
  • Cegou para a necessidade de averiguar tudo que estava envolvido no seu decreto, inclusive o fato de que a rainha era sobrinha de Mordecai, e também dos judeus.
  • Cegou para as circunstâncias em volta, afinal sentiu-se tão seguro que não desconfiou do suspense de Ester, nem da razão pela qual seria o único convidado para o banquete com o rei.
  • Cegou para averiguar o que estava acontecendo quando o rei fala sobre honrar alguém (Est 6.6).
  • Cegou para a fragilidade de sua posição. De um dia para o outro, sua sorte mudou. Cegou para a fraqueza de seus amigos. Numa noite estavam ouvindo suas glórias e aconselhando-o a dar vazão ao seu ódio, no outra apenas lhe dizem o óbvio, sem nenhuma ajuda a mais (Est 5.14; 6.13).
  • Cegou para a Palavra de Deus. Pois ele era descendente de Agague, que era amalequita, e Deus havia dito que os destruiria. (Ex 17.14), e havia a promessa feita a Abraão (Gen 12.1-3). Se quisesse ser bem sucedido, deveria abençoar os judeus, e não persegui-los.

Cego, morreu na forca que seu ódio construiu (Est 7.10).

Vamos lembrar: o ódio, o ressentimento, a raiva, nos cegam, e destroem nossa vida. E apesar dos nossos rancores e planos, é a vontade de Deus que prevalece, mesmo quando visivelmente Ele não aparece.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

FILHOS OU MORTE


Creio que a maioria de nós, brasileiros, está acostumada com a frase: “Independência ou Morte”, que é atribuída a Dom Pedro I no dia da proclamação da Independência do Brasil. Há uma frase semelhante na Bíblia, ela se encontra em Gênesis 30.1; “Dá-me filhos, ou se não, morrerei”. Ela foi pronunciada por Raquel para seu marido Jacó. Vamos olhar o contexto para melhor entender a frase.

Os pais de Jacó o enviaram à casa de seu tio Labão, com um duplo propósito: fazer com que Jacó escapasse da ira de seu irmão Esaú, que ele havia enganado, e conseguir uma esposa (Gen 27.42-45; 28.1,2). Labão tinha duas filhas: Lia e Raquel. Raquel era do tipo que enchia os olhos de qualquer rapaz (Gen 29.16,17). Logo,Jacó apaixonou-se por Raquel, e para casar com ela pagou o dote com sete anos de trabalho alegre, cuidando dos rebanhos de seu futuro sogro (Gen 29.18-20).

Só que Labão, aproveitando-se dos costumes do local e da paixão de Jacó, não cumpriu o trato. No dia do casamento deu a filha mais velha para Jacó (o fato das noivas usarem véu e o escuro da noite permitiu o engodo). Jacó teve que trabalhar mais sete anos para pagar o dote de Raquel, e assim ficou com as duas esposas. O que era praticado naquela cultura, apesar de não aprovado por Deus (Gen 29.21-30).

Raquel era a mais amada, Lia apenas tolerada, mas Lia tinha filhos, Raquel não. Apesar do amor do marido, Raquel passou a ter ciúmes pelo fato da irmã poder ter filhos. Sentiu-se ameaçada em perder o lugar de esposa privilegiada. Ela pensava que se não tivesse filhos, era melhor morrer. Esquece Deus, esquece o amor de seu marido, as provas de amor que ele já havia dado, e tem uma única preocupação: ter filhos. Isto se torna sua obsessão. Ela acreditava que sua segurança estava no fato de ter filhos, que seu valor na vida dependia disso. Ela havia se tornado idólatra.

Quando se é dominado por um desejo, a vida parece só ter sentido se esse desejo for satisfeito. Tudo passa a girar em torno do que ansiamos. E nos tornamos confusos e inseguros. Cobra-se de quem não pode resolver. Raquel exige que Jacó lhe dê filhos. Mas, Jacó sabia que isto era com Deus.

Outra conseqüência desta obsessão é a disposição para desobedecer a Deus, se isto se mostrar necessário na realização dos desejos. Raquel dá sua serva, para que seu marido Jacó coabite com ela, e possa ter filhos, que seriam considerados como seus. Mas estas soluções não resolvem o problema. O desejo e o anseio continuam. Só quando o primeiro filho nasce é que Raquel acha que seu vexame foi retirado (Gen 30.23).

Nossos desejos nunca são satisfeitos se eles se tornam o motivo da nossa existência. Quando Raquel tem seu primeiro filho, ela ainda pede que Deus lhe conceda outro (Gen 30.24).

Quando nossos desejos nos dominam eles nos matam. E foi no nascimento deste segundo filho que Raquel perdeu a vida. Isto é uma ironia. A mulher que desejou ter filhos, senão, preferiria morrer, morre por ter filhos (Gen 35.16-19).

Nossa segurança e valor não dependem de termos nossos desejos satisfeitos, mas do amor e cuidado de Deus para conosco. Nossos impulsos e desejos devem ser colocados diante de Deus. E esperamos nossa satisfação apenas Dele, e de mais ninguém. Pois, só Ele pode satisfazer plenamente nosso coração (Sl 37.4)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

RECUSOU O OURO, MAS ACEITOU O ENGANO!


Os livros de Reis (1º e 2º) nos contam a história do declínio do povo de Deus: do auge da bênção, com Salomão, ao fundo do poço, no exílio. Também dá a explicação para isso: a desobediência aos mandamentos de Deus e à Palavra dos profetas.O capítulo 13 do 1º livro de Reis nos declara estas verdades de modo ilustrado na vida de três personagens: o rei Jeroboão e dois profetas, cujos nomes não são mencionados.

Um dos profetas, intitulado “homem de Deus”, é enviado por Deus à Betel. Cidade do Reino de Israel, onde Jeroboão havia construído um santuário, e estava desviando o povo para a idolatria, adorando um bezerro de ouro. Este profeta demonstra ter muita coragem. Acata a ordem de Deus e se dirige a um reino que naquele momento era inimigo do seu país. Ele proclama a mensagem contra o altar idólatra no exato momento que o rei, diante de todo o povo, está oferecendo incenso nele.

Sua confiança em Deus também é notável. Pois anuncia um sinal, a rachadura do altar, que caso não ocorresse, traria a sua morte. Ele enfrenta um rei que está mais preocupado com seu bem estar do que com a obediência a Deus. A primeira reação do rei é de oposição e ameaça, a segunda é de pedir sua cura, nenhuma de arrependimento.

Mesmo assim o profeta demonstra ser alguém mais preocupado com a glória de Deus, do que com sua honra. Ele intercede pelo rei que havia ordenado a sua prisão. Ele sabe que era mais um milagre ocorrendo para vindicar a Palavra de Deus, e que poderia levar aquele povo ao arrependimento. Orar pelo bem de quem nos persegue é uma demonstração de obediência e confiança em Deus, e aquele profeta fez isso.

O profeta manifesta uma forte firmeza. Ele recusa o convite do rei para ir ao palácio, onde poderia ter uma refeição fortalecedora e ainda ganhar uma recompensa. Ele mantém seu compromisso e devoção a Deus, ainda que isso demande um sacrifício de ficar sem alimentação e suprimento de água. Sua necessidade está em segundo plano. Diferente de Jeroboão, pois testemunha que a glória de Deus está acima de seu bem-estar.

Só que esta história não tem um final feliz. Outro profeta surge na cena. Este morava no reino do norte, mas parece que não pregava contra a idolatria. Seus filhos estavam envolvidos no falso culto. Quando escuta sobre o homem de Deus e sua profecia, ele engendra uma falsa profecia. Não sabemos suas razões. Poderia ser o sincero desejo de manter comunhão com alguém que de fato conhecia a Deus, de saber mais sobre o propósito de Deus, ou o desejo de ganhar alguns pontos diante do rei, por levar o profeta de Deus até sua casa. O fato é que ele mentiu.

O ouro não corrompeu o homem de Deus, mas a falsa profecia o enganou o matou. Ele vacilou na vigilância. Como profeta de Deus poderia ter consultado a Deus sobre aquela nova mensagem. Ainda poderia ter solicitado alguma evidência da veracidade da profecia. Mas não faz nada disso. Acreditou que o outro profeta estava falando a verdade. Esta falta de vigilância lhe custou a vida.

Deus não muda a Sua palavra. A palavra dada ao profeta era para não comer nem beber em Israel, e não voltar pelo mesmo caminho, demonstrando que Deus estava rejeitando aquela nação. Por não seguir esta palavra, o profeta foi morto. Deus estava dizendo àquele povo: no passado Eu já anunciei que vocês deveriam adorar apenas a mim, e não fazer ídolos; e agora este novo rei fez ídolos e vocês estão adorando, pensando que isso veio de mim. Mas estão sendo enganados, e vou puni-los por se deixarem levar por esta falsidade.

A quem muito é dado, muito será cobrado. O profeta de Deus, apesar de sua grande devoção e obediência, porque caiu no engano, foi castigado. Deus estava avisando o povo, que privilégios demandam responsabilidades. Quantos privilégios Deus nos tem dado! A oportunidade de conhecer Sua Palavra, de conviver com pessoas que temem e buscam a Deus, o perdão dos nossos pecados, oportunidades para arrependimento, etc. Devemos tomar cuidado para não sermos enganados por falsas vozes.

Mais um milagre ocorre na história: o leão mata o profeta, mas não o devora, o jumento vê o leão e não corre. O corpo do profeta fica entre o jumento e o leão. Animais obedecem às ordens de Deus, os homens não. Nota-se pouco arrependimento nesta história, apesar das ameaças de Deus, de demonstrações sobrenaturais de Seu poder, e de como Ele faz cumprir a Sua Palavra, apenas o profeta velho acredita na Palavra de Deus. Aparentemente ele se arrependeu, e pediu para ser sepultado na tumba do homem de Deus, isto salvou seus ossos da profanação, quando, duzentos anos depois, a profecia foi cumprida (2 Reis 23.15-20) .

domingo, 3 de julho de 2011

O BRAÇO FOI CURADO, MAS O CORAÇÃO CONTINUOU DOENTE


Algumas pessoas recebem a graça de ver os sinais autenticadores da verdade de Deus, desfrutar dos atos milagrosos do Senhor, e ainda assim continuam na desobediência! Adoram a Deus da sua maneira, e buscam a Deus apenas para terem os problemas temporais e imediatos resolvidos, mas recusam resolver o problema eterno. Procuram a Deus para a cura do corpo, mas preferem continuar com a alma enferma.

Um exemplo disso é o rei Jeroboão, que passou a ser conhecido como Jeroboão I. Ele era um funcionário do rei Salomão. Sua capacidade o fez ser promovido a administrador. Por causa da desobediência de Salomão, Deus decidiu dividir o reino de Israel. O profeta Aías anunciou a Jeroboão que ele seria o rei das dez tribos. Se ele fosse obediente a Deus, seu reino seria estabelecido como o do rei Davi. Isto é, seria uma dinastia sobre Israel (1 Reis 11.40).

No tempo certo Jeroboão foi feito rei (1 Reis 12.20). Todavia não confiou em Deus, mas em sua capacidade e esperteza. Resolveu usar suas estratégias políticas e administrativas para manter o reino. Não existe erro em usar nossas capacidades, mas jamais devemos usá-las em desobediência à Palavra de Deus. Ele teve medo de que o povo voltasse para debaixo do domínio do reino dos filhos de Davi, se continuasse cultuando no templo, em Jerusalém. Por isso criou alternativas: dois novos lugares de adoração, dois bezerros de ouro para representar os deuses, sacerdotes que não eram da tribo de Levi, e festas religiosas na mesma época das festas instituídas por Deus. Um culto segundo a sua vontade, para atender aos seus interesses, conforme as suas conveniências, a seu bel-prazer (1 Reis 12.25-33).

Deus não se permite ser adorado conforme nós queremos, mas apenas segundo Ele mesmo estabeleceu! Por isso enviou um profeta para anunciar o juízo que traria sobre Jeroboão.

O homem de Deus chega exatamente no momento em que Jeroboão está oferecendo o incenso. Por ordem de Deus, ele profetiza que aquele altar seria destruído e profanado, por um rei chamado Josias, que seria um descendente de Davi. Os ossos dos falsos sacerdotes, que haviam sido instituídos por Jeroboão, seriam queimados nele. Esta profecia apresenta que aquele culto não era aprovado por Deus.

O rei se revolta e manda prender o profeta. Neste momento um segundo sinal ocorre: o braço do rei fica paralisado. Jeroboão clama que o profeta busque o favor de Deus, não para mudar seu coração duro, mas para curar seu braço endurecido. Jeroboão demonstra que estava mais preocupado com o seu bem-estar do que em ser obediente à Palavra de Deus. Buscava Deus para satisfazer seus desejos, resolver seus problemas, curar seus males imediatos, escapar de uma situação complicada e dolorosa. Não queria obedecer, não queria os bons resultados de longo prazo, que vêm como resultado de uma vida caminhando em obediência a Deus.

O profeta, que demonstra temer a Deus, clama, e mais um sinal se opera: o braço é curado. O rei o convida para comer em sua casa, e assim ele lhe presentearia. Mas o homem de Deus fica firme e resiste à tentação, obedece a Deus. Sendo modelo de como Jeroboão e a nação deveriam se comportar.

No capítulo 14 temos o mesmo comportamento de Jeroboão. Seu filho adoece, ele manda sua mulher ir disfarçada falar com o profeta Aías, o mesmo que havia profetizado o reino para ele. Manda presentes, tentando comprar Aías, da mesma forma que tentou comprar o homem de Deus do cap. 13. A profecia de Deus anuncia juízo, e dá como sinal a morte do menino. Mesmo assim, Jeroboão continua incrédulo.

Ele prefere um corpo sadio, e não um espírito obediente. Prefere garantir seu reino de acordo com suas idéias, do que confiar e obedecer a Deus. Prefere o caminho da sua vontade, ao da vontade de Deus. Ele já tinha visto o que acontecera no reino do sul, viu o altar fender-se, viu seu braço secar e voltar ao normal. Mas, os olhos do coração continuavam cegos para a Palavra de Deus, porque o coração estava seco.

Apesar de todos estes sinais, dados graciosa e explicitamente por Deus, nem Jeroboão nem o povo se arrepende. O braço do rei fora curado e voltou a movimentar-se, mas o coração continuou seco, afastado de Deus.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Bondade de Deus


Compartilhando leitura:

Vê-se a bondade de Deus na variedade de prazeres naturais que Ele providenciou para as Suas criaturas. Deus poderia ter-Se satisfeito em saciar a nossa fome sem que os alimentos fossem agradáveis ao nosso paladar - como Sua benignidade transparece nos diversos sabores que Ele revestiu os diferentes tipos de carne, vegetais e frutas! Deus não nos deu somente os sentidos, mas também nos deu aquilo que os agrada; e isso também revela a Sua bondade. A terra poderia ser tão fértil como é, sem a sua superfície ser tão deleitosamente variegada. A nossa vida física poderia ser mantida sem as lindas flores para encantarem os nossos olhos e para exalarem suaves perfumes. Poderíamos andar pelos campos, sem que os nossos ouvidos fossem saudados pela música dos pássaros. Donde, pois, esta beleza, este encanto, tão livremente difundido pela face da natureza? Verdadeiramente, "O Senhor é bom para todos, e as Suas ternas misericórdias são sobre todas as Suas obras" (Salmo 145.9)

OS ATRIBUTOS DE DEUS, de A.W. Pink. Publicações Evangélicas Selecionadas, 1990. Pg. 61

Este pensamento ajudou-me a encontrar a resposta para uma pergunta feita por um amigo há mais de dez anos. Porque não matamos nossa fome com alfafa, e preferimos um suculento e gostoso bife? A bondade de Deus criou gostos em nosso paladar, e providenciou sabores para satisfazê-los.


sábado, 25 de junho de 2011

A quem honra, honra


A graça de Deus chega a nós de várias maneiras, e uma das mais comuns é através de outras pessoas. Deus usa homens e mulheres como canais para fazer as águas de Sua graça abençoarem outras vidas.

A graça de Deus chegou a alguns de nós através da vida do Pastor Thomas Flenner Willson, mais conhecido como Pr. Tomé ou “seu Tomé”. Ele foi um dos pioneiros no trabalho evangélico aqui no Cariri.

Além de contribuir com seu trabalho para a evangelização, fundação de igrejas, ensino nas escolas seculares, inclusive na Universidade, também foi diretor, deão acadêmico e professor no Seminário Batista do Cariri. Tendo influenciado várias gerações de obreiros formados naquele seminário.

O Pr Tomé serviu a Deus aqui em nossa igreja por dez anos (1979-1988). Aqueles que são mais antigos na igreja podem lembrar de suas pregações, aulas na Escola Dominical, e como se voluntariava para discipular os novos convertidos. Atualmente ele mora nos EUA com duas filhas.

No dia 25 de maio ele completou 87 anos. E quero aproveitar este boletim para homenageá-lo. Pessoalmente sou muito devedor ao Sr. Tomé. Sem dúvida ele foi uma das pessoas que mais marcou a minha vida. Quero alistar alguns fatos:

Quando tomei a decisão de estudar em um seminário, escrevi para todos do Brasil, pois não sabia onde deveria estudar. Foi o Sr. Tomé aquele que mais rapidamente respondeu, e se prontificou a me ajudar a chegar aqui, minorando algumas dificuldades que eu enfrentava então. Esta carta teve um papel determinante em minha decisão de estudar no SBC. Posso até dizer que, se cheguei a estudar no SBC foi por causa desta carta incentivadora que ele me enviou.

Aqui foi professor exigente e dedicado, buscando que eu desse o meu melhor nos estudos e no trabalho. Esforçou-se sobremaneira para que eu pudesse fazer o mestrado. Inclusive custeando as mensalidades e viagens que eu tinha de fazer.

Se voltei para o Cariri, depois de formado, para ensinar no SBC, muito se deve ao Pr Tomé. Tanto incentivou os membros do conselho a me convidarem como me incentivou a aceitar. O mesmo se deu quanto ao pastorado da Igreja de Novo Juazeiro. Tenho certeza que sua palavra teve muito peso aqui, além de ter fortemente me aconselhado a aceitar este convite.

Se hoje sou convidado a pregar em vários lugares deste país, o seu Tomé também foi instrumento nisso, indicando meu nome para as igrejas, e muitas vezes, ele deixava de ir quando convidado, e cedia o lugar para mim.

Sempre tratou minha família com muito carinho. Quando chegamos ao Cariri e não tínhamos casa para morar, ele nos acolheu em sua casa.

A graça de Deus usou o Pr Tomé para que chegasse onde estou hoje. Ele me serve de exemplo, fazendo-me ver que sou canal através do qual a graça de Deus deve fluir para outros.

OBRIGADO SENHOR, PELA VIDA DO PR. TOMÉ, ajuda-me a ser para outros um pouco do que ele foi para mim.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Por que Deus deixa que seja destruído o que nos é valioso?


Um dos textos da nossa campanha de oração foi o salmo 74. Este salmo é uma oração em forma de poesia. Nela o autor implora o socorro de Deus porque o templo tinha sido destruído pelos inimigos e estava em ruínas.

O templo, ou santuário, era algo de muito valor para o israelita. Começara como um tabernáculo, uma tenda no deserto. O próprio Deus ordenara sua construção, Êxodo 25.8. Ali ele é chamado de santuário, isto é lugar determinado para ser sagrado, separado, consagrado para Deus. Deus diz que por este santuário habitaria no meio do povo. Treze capítulos do livro de Êxodo são destinados para falar das instruções e construção do mesmo. Deus determinou tanto o material que seria usado, como cada detalhe da construção. O próprio Deus mostrara o modelo a Moisés, Ex. 25.9. Deus também escolheu e habilitou os artistas que fariam esta construção, Ex. 35.30-35. Por causa de tudo isto, este tabernáculo era belo.

Mas, seu maior valor não vinha do fato de ser rico e belo, e sim porque era a habitação de Deus. O próprio Deus deixa isto claro em sua inauguração, quando Sua glória enche aquela tenda, Ex. 40,34s. Dali Deus passou a orientar Seu povo na caminhada no deserto. Sempre que o povo acampava o tabernáculo ficava no meio do acampamento, e as tribos de Israel em volta. Deus era o Rei de Israel, e o tabernáculo era Seu palácio, era também chamado de tenda da congregação, porque nele Deus se encontrava com Seu povo. A arca, que era símbolo do trono de Deus estava nele.

Nele o povo fazia suas orações, como Ana quando pediu um filho, sacrificava suas ofertas de arrependimento pelos pecados e gratidão pelas bênçãos recebidas. Nele eram realizadas as comemorações anuais, quando o povo deixava seus afazeres e se dirigia para festejar relembrando as bênçãos de Deus. Era o centro de Israel.

O rei Davi planejou construir um prédio, no lugar da tenda, para ser o templo de Deus. Deus aprovou sua idéia, mas disse que o filho de Davi, Salomão, construiria. Davi preocupou-se em deixar todo o material e as recomendações necessárias para esta construção, 1 Crônicas, 29. Ele mesmo menciona que a obra era grande porque não seria um palácio para homens, mas para Deus, 1 Cr 29. 2. Cinco capítulos de 2 Crônicas e 3 de 1 Reis são para descrever esta construção. E na inauguração deste templo a glória de Deus também o enche. Salomão faz uma oração de dedicação, e nesta oração ele diz que aquela seria uma casa de oração para todos os povos. Simbolicamente seria o lugar onde Deus atenderia tanto o povo de Israel como os outros povos em audiência.

Os israelitas devotos tinham esta casa na mais alta estima. Os salmos 84, 122, manifestam o amor que os salmistas tinham por este lugar. O salmo 42 conta-nos da saudade que um exilado tinha daquele lugar. Os israelitas idólatras passaram a ver o templo como algo mágico, no tempo do profeta Jeremias, eles acreditavam que Deus nunca castigaria a cidade, já que o templo estava ali.

Mas Deus permitiu a destruição do templo. Ele ficou em ruínas. Por que Deus permitiu que algo tão valioso fosse destruído pelos inimigos do Seu povo?

Hoje nós também temos muitas coisas de valor, coisas boas, criadas por Deus, dadas por Ele, que funcionam como sinais de sua presença e bênção sobre nós. Saúde, família (cônjuges e filhos), amigos, uma igreja onde podemos servi-lo, um emprego, missionário e pastores atuantes, etc. E algumas vezes Ele também permite que estes “santuários” seja destruídos, arruinados. Por quê?

Refletindo sobre isto cheguei a algumas conclusões que quero compartilhar: 1) Deus quer nos mostrar que pode atuar sem seus símbolos, mesmo sem o templo Ele continuou atuando na história de Israel. 2) Deus quer nos ensinar a não idolatrar nenhuma de suas bênçãos. Ele quer que nós o adoremos, e não adoremos seus dons. Os dons são instrumentos para nos aproximarmos Dele, e não para nos desviar Dele. Muitas vezes nos concentramos tanto nas bênçãos que esquecemos do Deus que nos dá a bênção. Devemos lembrar que o maior valor é Ele. 3) Deus quer testar nossa fé. Quer que verifiquemos se ela está fundada Nele, ou em coisas visíveis. Ele quer que conheçamos se nós vamos continuar fiéis a Ele mesmo quando o que Ele nos der for retirado. 4) Deus quer nos laçar em Seu colo. É nas horas de aflições, de perdas de algo valioso, que os fiéis se voltam para Deus de modo mais intenso em oração. 5) Deus quer nos fazer refletir sobre o que tem valor de fato em nossa vida. 6) Deus usa nossas perdas para edificar outros, se não fosse a destruição do templo não estaríamos aprendendo com o salmo 74 hoje.

Vamos ser gratos pelas coisas valiosas que Deus nos deu. E continuar confiando Nele quando permitir que estas nos sejam tiradas.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Até que entrei no santuário e entendi o fim deles...



Quando olhamos alguém bordando um tecido, nem sempre compreendemos de imediato o desenho, especialmente se o bordado estiver em seu início. Algumas vezes a pessoa que está bordando nos mostra um detalhe de sua obra, e aquele detalhe não tem significado para nós, mas a pessoa que está bordando já tem em mente o desenho completo, em sua perspectiva ela compreende bem a razão daquele detalhe. Nós muitas vezes, só compreendemos quando olhamos o bordado já completo. Na vida também acontece isto. Certos acontecimentos parecem sem sentido, se tomados de forma isolada, mas quando observados da perspectiva de quem já tem a idéia completa, compreende-se o sentido daquilo.

O autor do salmo 73 passava por um grande conflito espiritual. Ao observar a prosperidade dos ímpios, e experimentar aflição diária em sua própria vida, ele questiona de fato valia a pena ser justo. Ele mesmo testemunha que, por conta deste conflito, ele quase perdeu a fé em Deus.

A solução para o seu dilema veio quando ele entrou no santuário de Deus e entendeu. Algumas vezes enfrentamos dificuldades na vida e ficamos tentados a desanimar de seguir a Jesus. Olhando da nossa perspectiva da terra não entendemos a razão daquilo, mas quando observamos da perspectiva de Deus, entendemos.

As atitudes que o salmista tomou podem nos ajudar nestas situações. Vamos observá-las.

Em primeiro lugar, ele continuou indo ao santuário de Deus mesmo quando estava atormentado por dúvidas. Uma de nossas tentações, quando em problemas, é parar de chegar perto de Deus, seja pela ida a igreja, ou leitura da Bíblia, e até oração. O triste da história é que justamente nestes momentos quando mais precisamos destes meios de graça. Somos como pessoas doentes, que por conta de sua fraqueza não conseguem comer, na hora que elas mais precisam se alimentar. O santuário de Deus nos dá a visão correta, faz com que percebamos a perspectiva correta da coisa.

Não abandone a leitura das Escrituras, pois a lei do Senhor é perfeita e restaura a alma. Ela tem o poder de nos reanimar diante das dificuldades. O rei Davi testemunhou isto de modo insistente no salmo 119. O Senhor Jesus nos disse que suas palavras nos daria ânimo em meio as aflições do mundo, João 16.33. A oração também outra fonte de ânimo. Chegar diante de Deus e derramar nossos conflitos é o modo de nos aliviarmos com a pessoa certa. Ana experimentou este alívio em 1 Samuel 1.18. Jesus também disse que a oração era um modo de nos alegrarmos, João 16.24.

O freqüentar a igreja também pode nos reanimar. Através da Palavra, do testemunho de alguém, de um cântico, ou até de observamos a fidelidade de outros que passam por dificuldades iguais ou maiores que as nossas, podemos ter nossa fé avivada. Estas coisas podem nos fazer sentir melhor.

Mas, não devemos entrar no santuário para apenas nos sentir melhor, devemos procurar entender. O salmista disse que entendeu, isto é, conseguiu compreender, discernir, saber algo. Nosso chegar a igreja deve ser para aprender a verdade ou mesmo ser relembrados dela. O sentir-se melhor sem entendimento não tem alicerces sólidos. Logo o vento de outros sentimentos podem soprar e derrubar. Mas quando entendemos, damos suporte seguro aos nossos sentimentos.

A igreja existe para ser coluna e baluarte da verdade , 1 Timóteo 3.15. Seu principal papel é testemunhar da verdade. Uma das coisas que Jesus mais fez durante seu ministério foi ensinar. Os apóstolos tiveram esta preocupação também. A mudança em nossas vidas vem renovação da mente, Romanos 12.2. é preciso entender as coisas do modo correto para crescer. É preciso saber a verdade para vencer na crises. É preciso conhecer a vida do ponto de vista de Deus.

A igreja pode fazer você sentir-se melhor, mas o que de mais importante ela pode fazer por você é ajudar você a conhecer a verdade. Venha a Igreja par aprender.

Oração do Salmo 73


Fixa meu olhos em Ti, meu Deus.

Que eu não inveje a prosperidade

Daqueles que recusam ser teus

Mas que os contemple com piedade


Parece que não têm sofrimento

Que as dores só os rondam de longe

Que a fartura só lhes dá aumento

E que são imunes à sede e à fome


A arrogância, acham bonito

Com a riqueza fazem maldade

A violência é o seu vestido

E dizem que o Senhor nem sabe


Olhando prá eles minha fé vacilou

Pensei abandonar minha pureza

Considerei inútil viver com valor

Pois aflição me vinha com presteza


Se assim falasse teria traído

Os que acreditam na Tua bondade

Pois seria algo sem sentido

Tanto desprezo pela verdade


Então entrei na Tua presença

Escutei na Tua Palavra

O fim que se lhes apresenta

Ruína, morte, desgraça


Sua vida é como um sonho

Que se acaba bem depressa

Como um andar bisonho

Que escorrega numa queda


Com amargura d'alma

Portei-me como um bruto

Mas Tua destra me salva

E faz sentir -me seguro


Tu és meu único desejo

Aí no céu e aqui na terra

Mesmo quando desfaleço

Minha alma a Ti elevas