domingo, 12 de fevereiro de 2012

O OLHAR QUE ESPERA


O que esse olhar espera? Debruçada no muro, ao lado do portão, olhar concentrado, penso que minha amiga Regina esperava algo. Mas o quê? Como a foto já tem algum tempo, penso que nem ela mesma se lembre. Mas, se ela pudesse recordar para quem ou o quê olhava, ela saberia o que estava esperando. 
Jesus disse que os olhos são a lâmpada do corpo (Mateus 6.22,23). Por eles podem entrar a luz que ilumina nossa vida, ou as trevas que nos deixam na escuridão. 
Nosso olhar pode nos corromper ou fazer nossa vida brilhar.  Em momentos de dificuldades, o lugar ou a pessoa para onde olhamos pode determinar nossa reação. Podemos nos encher de esperança ou de frustração, dependendo de para o quê, ou quem olhamos. O cantor peregrino nos ensina no Salmo 123 que devemos olhar para Deus em nossos momentos de aflição.
A expressão “elevar os olhos” era usada para expressar a atenção de alguém quando precisava fazer uma escolha, como Ló que ergueu os olhos para procurar a melhor parte da terra (Gn 13.10,14). Também para indicar o desejo por alguém, como a mulher do Potifar que pôs os olhos em José (Gn 39.7).
O salmista fala que eleva os olhos para “Aquele que habita nos céus”. Que não é atingido pela revolta dos homens, pois está muito acima deles (Sl 2.4). Também tem seu trono estabelecido no alto, e por isso domina sobre tudo (Sl 103.19). Ele é o que do alto olha e sonda tudo (Sl 11.4). Por estar acima de todos, Ele faz tudo como lhe agrada (Sl 115.3). O que habita nos céus é Supremo e Soberano. É para Ele que o salmista dirige o seu olhar em busca de socorro (Sl 25.15; 141.8). 
O peregrino, estando no templo, eleva os olhos em adoração, expressando tanto sua escolha por Deus ao invés dos ídolos (Ez 18.6,12,15), como seu desejo e esperança de ser socorrido.
O modo como se olha também é importante. O olhar pode ser de revolta, de ódio, de tristeza, ansiedade, etc. Mas o olhar do peregrino é de expectativa concentrada, humilde e confiante. É como olhar da empregada para as mãos da patroa, que não desvia a atenção, aguardando as ordens na forma de gestos, para então se levantar e obedecer. É o olhar da deferência e dependência, da submissão e prontidão.
Mas também é o olhar súplice do servo necessitado, que reconhece não ter mérito, mas que precisa do socorro, e por isso busca a graça e misericórdia de Deus. Ele quer ver um gesto de compaixão, pois se encontra numa situação de necessidade. Esta pode ser causada por vários fatores: a aflição e solidão que surge do ódio dos inimigos (Sl 25.15,16,19); a tribulação que é fruto dos próprios pecados (Sl 31.9); a culpa que precisa de perdão (Sl 51.1); a angústia contínua que causa depressão (Is 33.2); o desânimo que debilita (Sl 6.2); as calamidades que pedem solução (Sl 57.1).
Ele sabe que Deus é Soberano na administração da Sua graça (Ex 33.19), por isso mantêm uma atitude de espera submissa. Com confiança obediente.  Cheio de esperança persistente. Manifestando humildade dependente.
Na espera há uma tensão, mas como servo, ele prefere esperar o alívio com tensão; do que renunciar a Deus, e tornar-se soberbo, buscando em suas ações a solução para seus problemas.
Ao elevar os olhos ele espera misericórdia. Sua atitude não é “Dê-me o que quero”, mas, tem piedade de mim. Não é “recompensa minha bondade para que as pessoas vejam como sou superior”, mas “tem compaixão de mim”; não é “castiga-me pelos meus pecados para que me sinta melhor”, mas, “tem misericórdia de mim”; não é, “seja bom comigo, pois eu tenho feito boas coisas”, mas, “preciso de tua graça, pois sou pecador”.
Para onde você olha quando se encontra em dificuldade? Para os lados, buscando a ajuda de outros homens; para si mesmo, buscando a ajuda interior; para baixo, não buscando ajuda nenhuma e entregando os pontos; para cima, buscando a ajuda dos grandes; ou para o céu, buscando a ajuda de Deus, e esperando pela misericórdia Dele? 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

CULTO: OPORTUNIDADE PARA ORAR


            É incrível como tarefas simples, mas importantes, são negligenciadas. Certos deveres não são complicados, têm muita importância para a vida, e mesmo assim são descuidados. Exemplos: escovar os dentes, lavar as mãos, exercitar-se fisicamente, etc. A mesma atitude é vista na vida com Deus.  Certos compromissos espirituais não são difíceis, são até muito simples de serem executados. Têm extrema importância para a manutenção e desenvolvimento de nossa vida espiritual. Mas são absurdamente negligenciados. Um exemplo: a oração.
                A oração está longe de ser uma tarefa complicada. Para orar não é preciso conhecimento bíblico avançado, nem recursos financeiros, e nem talentos especiais. Qualquer um pode orar: criança, jovem, adulto ou idoso. Pobre ou rico. Culto ou iletrado. Não é necessário um tempo e nem um lugar especial para se praticar a oração. Qualquer hora e em qualquer lugar podemos orar. Mas, quão pouco oramos!
                Embora simples, a oração é de importância incalculável. Ainda que se faça uma leitura superficial das Escrituras, ela nos revela os efeitos que a oração pode produzir em nossas vidas. Apenas para reforçar esta verdade podemos citar: “Muito pode em seus efeitos a súplica do justo” (Tg 5.16b); “e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis” (Mt 21.22); “Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” (Lc 11.9). Mesmo assim, oramos muito pouco!
                Há momentos que podem relembrar e incentivar a prática da oração. Um deles é o culto coletivo.  O peregrino que ia adorar em Jerusalém sabia da importância da oração e que o culto era uma oportunidade para motivá-la. No salmo 122, após testemunhar sua alegria em adorar com comunhão e aprendizado, ele faz um pedido: “Orai pela paz de Jerusalém, e ele mesmo faz a oração “eu peço: haja paz em ti (Sal 122.6,8).
                A motivação da sua oração era o amor. Amor por Jerusalém. Lá estava a casa do Senhor, onde o povo de Deus se reunia em comunhão e adoração; ali estava o trono do rei ungido que tinha como dever garantir um governo justo; e lá se podia aprender as instruções de Deus. Para manter o louvor, aprendizado e comunhão havia a necessidade da paz e do sucesso de Jerusalém.
                Mas também amor por seus irmãos e amigos. Ele queria o bem estar deles, e isto dependia da tranquilidade e segurança de Jerusalém. Estes dois amores estavam relacionados. Da paz de Jerusalém dependia a paz dos que cultuavam em Jerusalém.  
                A forma da oração era entusiástica. Isto se manifesta quando ele fala de buscar o bem de Jerusalém. A palavra “buscar” significa procurar alguma coisa com entusiasmo e esforço. O que deixa claro como ele valorizava aquela cidade e a adoração a Deus.  Pois só se ora com entusiasmo por aquilo que se valoriza. Também revela que acreditava na oração como uma forma de fazer algo pelo bem de alguém. Para ele, orar era buscar o bem daquele pelo qual se orava.  Nossa falta de oração não seriam sinais de nossa falta de amar e de valorizar o que Deus valoriza? Ou ainda sinal de nossa falta de crença na eficácia da oração?
                A exortação do salmo é válida para nós, pois Deus tem um plano para a Jerusalém terrestre (Lc 21.24). Ela não reconheceu sua oportunidade de paz (Lc 19.41-44). Mas, um dia a adoração a Deus será restaurada nela (Is 2.2-5; Ez 40-44).
                Enquanto oramos pela restauração da Jerusalém terrestre e aguardamos a chegada da Jerusalém celestial (Ap 21.10,11) devemos orar também por nossas igrejas. Somos exortados a isso com ordens diretas das Escrituras: “Orais uns pelos outros” (Tiago 5.16, ver ainda Efésios 6.18-20); e também com exemplos de pessoas que oravam e pediam orações (Rom 1.9,10; 15.30; 2 Co 1.11; Ef 1.6; Col 1.9).
                A Bíblia também nos exorta à prática da oração nos cultos: Mt 18.19,20  Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.
                Uma das razões da oração deve ser paz e tranquilidade para o avanço do evangelho. 1 Tim 2.1,2Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito.” 2 Tes 3.1,2Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós; e para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque a fé não é de todos.
Eugene Peterson disse que Uma das aflições do trabalho pastoral é a de ouvir sem fazer careta todas as desculpas que as pessoas dão como motivo de não irem à igreja. Para aqueles que tiraram seu foco de Deus há muitos motivos para não adorar na igreja (causados pelos nossos pecados e dos outros). Se você tem estes motivos vá adorar por causa de Deus, com alegria pelo que Ele já fez, faz e vai fazer por você. E também para pedir que Ele aperfeiçoe sua vida e a de seus irmãos.  Vamos banhar nossa adoração com oração. Vamos usar nossos cultos públicos para buscarmos nosso Deus em oração e pedir que Ele abençoe Sua Igreja.