segunda-feira, 28 de abril de 2008

Intensificando nossas orações

Orar e meditar nas Escrituras são deveres diários de cada cristão. A própria Bíblia nos exorta a meditarmos diariamente (Sal 1.2) e a orarmos sem cessar (1 Tes 5.17). Mas há épocas em nossas vidas nas quais precisamos intensificar nosso contato com Deus. Isto aconteceu na vida de Moisés para receber a Palavra de Deus na primeira vez e na segunda para interceder pelo povo (Ex 24.12-18; 34.28,29). Elias, quando desanimado diante da perseguição de Jezabel passou 40 dias caminhando (1 Reis 19.1-18). Daniel aplicou-se a oração por 21 dias para compreender a mensagem da Palavra de Deus (Daniel 10.1-3,12,13). Neemias quando soube da situação da cidade de Jerusalém passou três meses orando (Neemias 1.1-2.1). O próprio Jesus Cristo, guiado pelo Espírito Santo, passou 40 dias no deserto, antes de iniciar seu ministério (Lucas 4.1-13).
Os resultados na vida destes homens foram fantásticos. Moisés quando desceu do monte brilhava, irradiando a glória de Deus, manifestando a autenticidade da revelação recebida. Elias teve uma nova percepção dos modos de ação de Deus e foi reanimado para continuar com missão que Deus lhe dera. Daniel recebeu entendimento das revelações de Deus. Neemias teve a oportunidade de reconstruir os muros de Jerusalém. E Jesus venceu Satanás.
Nós também precisamos selecionar algum tempo para intensificar nossa busca por Deus. Assim poderemos refletir melhor sua glória, ganharmos novo ânimo para cumprirmos a missão que Deus tem para nós, entendermos melhor as Escrituras, realizarmos uma obra específica, e vencer as tentações de nosso inimigo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

OS CISNES CANTAM MAIS DOCEMENTE QUANDO SOFREM


As palavras do título desta postagem vieram do livro "O Sorriso Escondido de Deus", de John Piper (pg. 9). Tanto a Bíblia como a natureza nos ensinam que o sofrimento pode nos fazer cantar melhor. No sofrimento os cisnes cantam com mais doçura. No nosso Brasil temos o exemplo do pássaro Assum-Preto, que depois de ter seus olhos furados passa a cantar o dia todo. 
A mesma verdade pode ser aplicada à Davi, o doce salmista de Israel (2 Sm 23.1), pois ele escreveu vários de seus salmos em horas de sofrimento. Um exemplo é o salmo 3, que foi composto quando fugia de seu filho Absalão. Fugir de um filho já é algo tremendamente trágico para qualquer pai, e no caso de Davi era pior, pois além da vida, o filho queria seu trono.
A história nos é contada em 2 Sm 15-17. Após quatro anos de subversão, Absalão liderou uma rebelião aberta. Quando tomou ciência da revolta,  Davi fugiu, pois sabia que esta era sua única alternativa naquele momento, pois muitos haviam  se aliado à Absalão.
Enquanto fugia, subindo pelo monte das Oliveiras, Davi e o povo choravam com a cabeça coberta. Um desafeto resolveu atirar-lhe pedras e xingá-lo de assassino, bandido e homem sem valor. Davi se sentia frustrado, triste, envergonhado e com dúvidas. O que tinha de mais precioso estava deixando para trás. Sua vida parecia estar entrando em colapso.
Com mais de 60 anos, Davi teve que lidar com os problemas que a notícia repentina lhe trazia: planejar uma fuga rápida, tomar decisões no meio da pressão, enfrentar uma subida íngreme, acalmar os acompanhantes e suportar a angústia interior.
Ele chegou às margens do Jordão, cansado e estressado (2 Sm 16.14). Ali passou pelo menos uma noite. Será que foi nesta ocasião que compôs este salmo? Ou depois de ter atravessado o Jordão quando organizava o exército para a defesa (2 Sm 17.27-18.2)? Ou mesmo quando ficou no acampamento esperando o resultado da guerra (2 Sm 18.4)? Todas essas eram ocasiões de aflição, necessidade e exaustão.
Mas o cisne canta  mais docemente nesta hora! O salmo é uma oração em forma de poesia, onde Davi contou a Deus o seu problema de modo realista: são muitos os inimigos, muitos os revoltosos, e muitos os que o desanimam dizendo que Deus não mais o salvará. (versos 1,2).
Davi não era um sonhador otimista que havia cegado para a realidade. Ele via a situação como ela se apresentava, e a apresentou a Deus.
Mas ele também via Deus como Ele é: o seu escudo, a sua glória, Aquele que era capaz de animá-lo, mesmo quando tudo era motivo para desânimo (verso 3). Então ele clamou com a confiança de que seria ouvido. Mesmo longe de seu palácio, da arca do Senhor, de sua Jerusalém amada, e com sua vida e reino ameaçados, ele sabia que podia deitar, dormir e levantar, porque era Deus quem o segurava (verso 5). Mesmo perseguido em um deserto, ele não ficava assustado por causa dos muitos inimigos. Já que muitos estavam se levantando contra ele, pediu que Deus se levantasse a favor dele. Já que muitos estavam dizendo que Deus não iria salva-lo, ele pediu para Deus salvá-lo. Porque é somente Deus quem pode salvar e abençoar os seus (versos 6,7).
Quando estiver em situações de sofrimento, lembre-se de Davi. Conte a Deus sua aflição, mas também, lembre-se de quem Deus é para você. Não se deixe levar pelas palavras de desânimo, clame a Deus. Mesmo quando perseguidos, em desespero e dúvida, cansados, estressados, podemos deitar, dormir, acordar e cantar

Quando a luta está travada, ventos fortes sopram em mim
Quando sinto-me cercado, e a força chega ao fim
Quando a vida destrói sonhos, e os vales são reais
Deus me dá quando a Ele clamo, asas espirituais.

(Hino "Asas Qual Águias", de Ron Hamilton, Tradução de Paulo C. Bondezan, publicado no Hinário Voz de Melodia, 2004).

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O Segredo do Sucesso

O sucesso é algo perseguido por quase todos. O que é sucesso pode variar de pessoa para pessoa. O sucesso pode ser: poder, fama, dinheiro, paz ou mesmo tudo isto junto. De fato ser bem sucedido é alcançar nosso propósito na vida, atingir nossos alvos, completar nossa missão neste mundo. Uma pessoa bem sucedida é uma pessoa realizada, alguém que concretizou seus sonhos. Bem sucedido é quem se deu bem na vida do ponto de vista de Deus, o Criador da vida.
Como nossa vida é complexa nem sempre o sucesso é alcançado em todas as áreas. Alguns conseguem a realização profissional, mas fracassam na família. Outros são um sucesso entre os amigos, mas não avançam na profissão. Ainda outros são considerados bem sucedidos na área financeira, mas não têm saúde. E assim por diante. Isto nos leva às perguntas: “É possível ser bem sucedido em tudo? Qual seria o segredo de se dar bem em tudo na vida?” Quero apresentar um conselho que aparece quatro vezes na Bíblia, mostrando como ter sucesso em tudo.
A primeira é em Deut 29.9, quando Moisés fala aos filhos de Israel, na renovação da aliança feita entre Deus e o povo. Logo antes de tomarem posse da terra prometida. “Guardem as palavras desta aliança para as fazerem, e assim serás bem sucedido em tudo que fizeres.” Em outras palavras Moisés diz: se vocês tomarem o cuidado de obedecer, vocês serão bem sucedidos em tudo o que fizerem. O povo de Israel seria bem sucedido em tudo se obedecesse à Palavra de Deus.
Em Josué 1.7,8 encontramos o mesmo conselho. Neste momento da história Moisés havia falecido e Josué está assumindo o seu lugar. Sua missão é levar o povo de Deus para a terra prometida. Diante de tão grande tarefa, que poderia amedrontar Josué, Deus lhe diz assim: “Somente seja forte e muito corajoso, para teres o cuidado de fazer conforme toda a lei que te ordenou Moisés, meu servo, não se desvie dela nem para direita nem para a esquerda, assim serás bem sucedido em tudo que andares. Não se afaste da tua boca este livro da lei, e medita nele dia e noite com o propósito teres o cuidado de fazer conforme tudo que está escrito nele, porque então farás prosperar o teu caminho e assim serás bem sucedido.” Novamente é dito que a obediência à Palavra de Deus tem como resultado o sucesso em tudo que se faz na vida.
Para se ter uma obediência que traz sucesso algumas coisas são necessárias. Primeiro é preciso muita coragem, força e firmeza. Deus diz que Josué precisaria apenas ser muito forte. Sem coragem não se consegue obedecer à Palavra de Deus. Os covardes, fracos, desanimados e preguiçosos, logo desistem, não persistem em obedecer, e então não chegam ao sucesso.
A obediência exige cuidado e atenção. Josué seria constantemente tentado a fazer as coisas do seu modo e também pressionado a fazer como os outros queriam. Por isto era necessário estar vigilante, guardando-se das tentações e pressões, para poder fazer conforme a Palavra de Deus. Os desatentos e descuidados caem nas tentações, deixam-se levar pelas pressões muitas vezes sutis, e assim desobedecem a Deus, e não chegam ao sucesso.
Um terceiro requisito para a obediência é a meditação. Isto é enfatizado duplamente no texto. Primeiro na frase: não se afaste da tua boca o livro desta lei. Esta expressão “deixar sempre na boca” vem do costume das pessoas repetirem em voz baixa enquanto estudavam ou meditavam. Depois é dito para Josué meditar, isto significa lembrar e pensar sobre a Palavra de Deus. Meditar é falar consigo mesmo, é matutar em alguma coisa. É repassar o assunto na mente e refletir em como aplicar na vida. É através da meditação que a Palavra de Deus se incorpora em nós, e assim ficamos prontos para obedecer. Pela meditação na Palavra passamos a pensar como Deus pensa, a ver a vida como Deus vê, a reagir diante das situações como Deus quer. O que não medita, não repassa em sua mente e reflete na Palavra de Deus, não obedece, e assim não será bem sucedido.
A obediência bem sucedida é total. Toda a lei deveria ser obedecida. Não poderia haver nenhum desvio, nem para um lado nem para outro. Esta obediência garantiria para Josué o sucesso em todos os caminhos da vida.
A terceira vez que o conselho aparece é em 1 Cron 22.12s. Aqui o conselho é dado pelo rei Davi para o seu filho Salomão, que iria assumir o trono no seu lugar. Seguramente te dará o SENHOR sabedoria (sucesso) e entendimento e te comandará sobre Israel para guardar a lei do SENHOR. Assim prosperarás se cuidarem em fazer os estatutos e os juízos que ordenou o SENHOR a Moisés sobre Israel, seja forte e corajoso, não temas e não desanimes. Vários elementos do que foi dito a Josué também aparecem aqui. A condição para ter sucesso era a de obedecer o que Deus havia ordenado. Davi também indica que para isto era preciso coragem e firmeza. Deus iria dar a sabedoria, mas sabedoria que deveria ser usada na obediência. Salomão seria bem sucedido se obedecesse à Palavra de Deus
A última passagem é um conselho para todos nós, dado em forma de um cântico Sal 1.1-3. Ali é dito que abençoado é o homem que medita nas instruções de Deus ao invés de seguir as idéias e opiniões dos homens sem Deus. É dito que ele será bem sucedido em tudo que fizer: “E tudo quanto fizer prosperará.”
Este é o segredo: não perseguir o sucesso, mas perseguir a obediência à Palavra de Deus. Sucesso é resultado, sim, resultado de uma vida de obediência à Palavra de Deus.

sábado, 5 de abril de 2008

Adorando com alegria

A mãe de uma adolescente e uma criança disse a respeito de suas filhas e a igreja: Uma chora para não vir, outra chora para não sair. O interessante é que um dia esta adolescente havia sido como sua irmã, havia chorado para não sair da igreja, mas, com o passar do tempo, ela perdera o entusiasmo em adorar. Suas alegrias estavam em outros lugares. Infelizmente isto ocorre com muitos crentes. Quando novos convertidos há um brilho em seus olhos na hora de cultuar, o tempo passa e o brilho se apaga. Procuram qualquer desculpar para não adorar: choveu, fez frio, fez calor, não gosto do pregador, o irmão tal me ofendeu, o culto é chato, a pregação longa, etc. e tal.
Por que perdemos a alegria em adorar? Uma das razões é o pecado na vida. Davi admite que a falta de confessar o pecado o tornou sem ânimo. Sua vida ficou seca e sem entusiasmo. A mão de Deus se tornou um fardo sobre ele (Sl 32.3,4; 38-2-8). Como desfrutar o sabor de uma boa comida se o paladar está amortecido pelos vícios do mundo? Mas Davi nos aponta a solução. Confessar o pecado, aceitar o perdão de Deus (SL 32.5,6), e clamar para Deus restaurar a nossa alegria (Sl 51.8,12).
Outra causa para a falta de alegria na adoração é o mundanismo. Para o homem do mundo a alegria vem do comer, beber e divertir-se (Lc 12.19; 16.19), pois para ele é isto que faz a vida valer a pena, ele considera que é para isto que existem as coisas materiais. E quando nosso coração está dominado pelas coisas do mundo, só encontramos alegria nas coisas do mundo, e não em adorar a Deus. Passamos a ver a adoração apenas como um dever a ser cumprido. A solução é a transformação da mente e das afeições para não pensarmos como o mundo e para não amarmos o mundo (Rm 12,1,2; 2 Jo 2.15
Este mundanismo pode nos levar a fazer da adoração um ato de diversão. Foi isto que aconteceu com o povo de Israel (Ex 32.1-6). Moisés estava no monte recebendo as instruções de Deus. O povo ficou decepcionado com a demora dele. O termo traduzido por “tardar” dá a idéia de “ficar envergonhado, embaraçado, ou desapontado”. As expectativas do povo quanto à adoração eram outras. Não aceitaram o tempo e a forma de Deus. Reagem criando ídolos, que poderiam adorar segundo sua própria vontade. Não queriam adorar um Deus invísivel (Ex 20.3,4), com um profeta que os deixava ali no pé do monte por quarenta dias. E a adoração descambou para a diversão. A expressão “divertir-se” tanto pode se referir ao riso de incredulidade (Gn 18.12,13,15), à zombaria (Gn 19.14;21.9), ao ato sexual (Gn 26.8, traduzido como “acariciar”), ou a diversão na adoração (Jz 16.25). A alegria daquele povo estava em seus ídolos, e no fato de se divertir enquanto adorava (At 7.41).
A solução é adorar a Deus respeitando a Sua santidade. Deus exige ser adorado da maneira que Ele tem ordenando. O episódio acima ocorreu justamente depois de Deus dar as instruções para adoração. Ele indicou cada detalhe do lugar da adoração (Ex 25.8,9). A falha em adorar da forma estabelecida produz Sua ira (Lv 10.1-3; 2 Sm 6.1-11). Devemos adorar a Deus em reverência e santo temor (Hb 12.28,29)
A falta de gratidão é outro fator que ocasiona falta de alegria na adoração. Gratidão vem de apreciar a graça de Deus. Este pecado pode sutilmente entrar em nosso coração. Achamos que merecemos mais bênçãos do que aquelas que Deus graciosamente nos tem dado. Ficamos com a sensação de que temos recebido de Deus menos do que nós merecemos. Consideramos que Deus não está sendo justo conosco. E assim, perdemos a alegria em adorá-lo. O povo de Israel é um exemplo disto. Sempre achava que estava faltando alguma coisa: ora era água, ora comida, depois uma comida diferenciada, etc. Sua falta de contentamento levou a uma vida de murmuração e não de adoração alegre. Mesmo Deus se fazendo presente diariamente em suas vidas: nuvem guiando, maná diário, etc.
A solução é considerar que temos recebido muito mais do que merecemos. De fato todas as bênçãos de Deus sobre nós são imerecidas. Somos pecadores, e o que merecemos é a condenação eterna. Mas Deus nos tem dado a vida, a oportunidade de conhecê-Lo, de manter comunhão com Ele em adoração, e mesmo assim achamos isto pouco. Vamos lembrar os benefícios que Deus nos tem feito, isto tornará nossa adoração alegre. Como diz o hino: Se das vidas as vagas procelosas são, se com desalento julgas tudo vão, Conta as muitas bênçãos dize-as de uma vez, e hás de ver surpreso o que Deus já fez.
Com qual das duas filhas do exemplo inicial você se identifica? Você vem a igreja sem alegria por pura obrigação? Ou você acha prazeroso adorar a Deus?
Adorar a Deus sempre deve ser motivo de alegria.