terça-feira, 26 de maio de 2009

AMANDO DE FORMA INCONDICIONAL


A palavra “amor” é usada para as várias formas de amar: o amor fraternal, maternal, entre amigos, etc. Mesmo num casamento pode haver várias expressões de amor: o romântico, o físico, o afetivo, e outros. Há casamentos onde não há mais nenhuma destas formas de amar. Surgiram terceiros amantes, o alcoolismo se fez presente, a carreira profissional tomou todo espaço da vida, há o relaxamento nas obrigações e compromissos, as promessas não são cumpridas, e a falta de cortesia se manifesta em atos e palavras. O cônjuge se sente rejeitado como amigo e como amante.
Nesta situação alguns casais buscam a separação; ou aceitam continuar convivendo juntos de forma resignada e indiferente, agüentando um ao outro porque é o jeito. Mas a Bíblia nos apresenta outra solução: aprender a amar o cônjuge incondicionalmente. Como se ama incondicionalmente?
Amar incondicionalmente é amar independente dos méritos do outro. Não é fruto da emoção, mas da vontade, resultado de uma decisão. Não depende da virtude do outro. Procura fazer o bem ao próximo sem levar em conta a maneira como ele nos trata. É o amor que decide contribuir deliberadamente para o bem do outro, não se baseando no que o outro diz ou faz.
Foi assim que Jesus nos ensinou amar (Mateus 5.43-48). Ele disse que devemos amar os nossos inimigos, os que nos perseguem e cometem injustiça contra nós, e também aqueles que falam mal de nós e nos maltratam. Isto inclui o cônjuge que comete estas coisas. No casamento é possível ocorrer estas atitudes: falar mal um do outro por meio de reclamações e murmurações, perseguições através das implicâncias, maus tratos por palavras e agressões físicas, injustiças por negar e se recusar satisfazer os direitos do cônjuge, a até inimizades manifestadas pela indiferença e apatia na convivência diária. Aquele que obedece a Jesus irá amar o seu cônjuge mesmo que ele o trate assim.
O cristão não irá usar a vingança quando seu cônjuge for perverso com ele; não irá brigar quando o outro usurpar seus direitos; irá ceder às exigências, mesmo as injustas; estará disposto a ajudar sempre que o outro precisar (Mateus 5.37-42). Aquele que segue a Jesus irá orar pelo seu cônjuge mesmo que este viva a atacá-lo, irá expressar seu amor com palavras (saudar), mesmo que as palavras do outro sejam ferinas, irá fazer o bem, mesmo quando recebe o mal.
Este tipo de amor é o que diferencia o cristão daquele que não é, e mostra que a pessoa é filha de Deus. Este amor reflete o amor de Deus que faz bem até aos que são maus. É consistente, pois sempre age em prol do que é melhor para o outro.
É impossível amar incondicionalmente sem fazer sacrifício. Foi assim que Deus nos amou (Rm 5.8). Ele não esperou a nossa mudança para enviar Jesus para morrer por nós. Fez isto quando éramos pecadores. É o amor que dá a vida (Jo 15.3). Este amor deve ser vivenciado no casamento (Ef 5.25,26). O cristão fará sacrifícios para manter este amor em seu casamento e família.
Amar incondicionalmente é amar vitoriosamente. Pois este é o amor que vence o mal (Rm 12.21). Mesmo quando rejeitado, e quando o outro não reage positivamente este amor suporta, porque acredita que isto é o certo a ser feito, e também porque espera que o bem irá vencer, e assim se envolve e não fica indiferente. Ele nunca desiste, mas persiste em todas as circunstâncias. Quem ama assim nunca deixa de amar, mesmo quando não é correspondido (1 Co 13.7).
Amar incondicionalmente é amar dependentemente, não do outro, mas de Deus. Este amor não é natural, pois nós não temos condições de amar assim. Somos egoístas, interesseiros. Por natureza só amamos quem nos ama. Exigimos ser amados antes de amar. Por isso precisamos depender do amor de Deus que vêm a nós pelo Espírito Santo (Rm 5.5; Gl 5.22). Necessitamos aprender que nosso amor é secundário, conseqüente, do amor maior “ Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19)
Esta dependência se manifesta em leitura da Bíblia e oração. Para amar incondicionalmente você precisa conhecer o que é o melhor para seu cônjuge. Quem sabe o que é o melhor é Deus, e Ele nos revelou em Sua Palavra. É necessário conhecer a Bíblia para saber como amar incondicionalmente. A oração mostra que não tenho poderes em mim mesmo para amar desta forma, por isto clamo a Deus por este amor.
Este amor trará segurança, descontração, vitória sobre as tempestades da vida, ajudará no crescimento emocional e espiritual, e nos faz livres para obedecer a Deus. Quando meu amor é dependente do que o outro faz comigo significa que sou escravo dele, que estou vivendo sempre em reação a ele, mas quando amo incondicionalmente, fico livre, obedeço a Deus, e faço bem ao cônjuge, independente do que ele faz comigo, isto é liberdade! Amar o cônjuge incondicionalmente é fazer o bem a si mesmo.
Decida amar seu cônjuge incondicionalmente. Manifeste este amor em gestos e palavras. Persista, não desista, mesmo que seu cônjuge reaja mal. Clame a Deus, e se fortaleça lendo a Bíblia. Assuma este compromisso.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

FAMÍLIA: CAMPO E CELEIRO MISSIONÁRIO


“Costume de casa vai à praça.” frase que meus pais me disseram algumas vezes, quando cometia alguns dos erros infantis: falar com a boca cheia, mastigar com a boca aberta, etc. Ela expressa a idéia de que os hábitos praticados na casa, com o tempo, se tornam públicos. Isto é verdade não apenas com os costumes ruins, mas também com os bons hábitos. Por isso o hábito de fazer missões deve começar em casa.
Com “missões” estamos nos referindo ao propósito de Deus de alcançar pessoas de todas as nações para formar o povo redimido que irá adorá-lo eternamente (Ap 7.9). Fazer missões é se identificar com este projeto, comprometer-se com ele, apreciar e amar pessoas e tarefas que cooperem para que ele se concretize. Estas atitudes devem começar na família e se tornarem um hábito na vida de cada crente. A família cristã é um campo e celeiro missionário. Um texto que nos ajuda e compreender esta verdade é Gênesis 18.16-19.

“Tendo-se levantado dali aqueles homens, olharam para Sodoma; e Abraão ia com eles, para os encaminhar. Disse o SENHOR: Ocultarei a Abraão o que estou para fazer, visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra? Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito.”
O contexto é a visita que o SENHOR e dois anjos fazem a Abraão. Este se demonstra um servo especial. A princípio ele não sabe que aqueles sãos seres celestiais, mesmo assim cumpre com prazer seus deveres de hospitalidade, providenciado o melhor para os visitantes. Estes comem e bebem e depois revelam o nascimento iminente do filho prometido. Abraão mostra prazer em servir. A disposição para servir é uma das características das famílias que se comprometem com missões. Precisamos exemplificar e ensinar nossos filhos o prazer de servir, e assim os ajudaremos a desenvolver o hábito de fazer missões.
Depois da refeição, os visitantes seguem para Sodoma, e Abraão os acompanha. Deus compartilha seu plano com ele. Isto é algo feito para os amigos, o próprio Jesus assim disse (João 15.15). Por isso Abraão foi chamado “amigo de Deus” (2 Cr 20.7; Is 41.8; Tg 2.23). Ele era um que desfrutava a intimidade de Deus, com quem Deus compartilhava Seu conselho. Este é um privilégio para os que temem a Deus (Sl 25.14), para os que andam nos Seus caminhos (Pv 3.32). Esta amizade é o motivo da bênção divina na família (Jó 29.4). Valorizar o relacionamento com Deus é o alvo das famílias que apreciam missões. Elas se tornam amigas de Deus, desfrutam a Sua intimidade. Os pais precisam deixar claro com suas atitudes que Deus é seu maior tesouro. Para isto devem manter seu tempo de leitura bíblica e oração, e inculcar nos filhos este hábito. Mães devem tomar tempo para ler histórias bíblicas para seus filhos quando eles são pequenos, cultivar neles um gosto pelos heróis da Bíblia, e plantar em suas mentes os valores divinos. Desde cedo eles aprenderão que suas vidas devem glorificar a Deus, e fazer missões é parte disto.
Deus revela que vai punir Sodoma e Gomorra por conta dos pecados delas. Abraão escuta com atenção e reage de modo apropriado, intercedendo por aquelas cidades (Gn 18.23-33). A atenção à palavra de Deus é outra qualidade das famílias que se envolvem com missões. Deus nos tem revelado muito mais do que revelou a Abraão. Temos a revelação completa hoje na Bíblia sagrada. Quando a lemos temos Deus falando conosco, Deus nos comunicando Seu conselho, Seus planos futuros. Quanto mais prestarmos atenção á esta palavra, mais apropriadamente reagiremos ao projeto missionário de Deus.
A razão para Deus comunicar seu propósito a Abraão era o fato de que certamente ele se tornaria uma grande e poderosa nação, e também que ele e sua família seriam canais e exemplo da bênção de Deus. Abraão tinha o privilégio de receber o conselho de Deus, para assim abençoar outros com este conhecimento. Isto acontece quase imediatamente, pois assim que sabe do propósito de Deus quanto à Sodoma, ele intercede, e esta oração livra Ló e sua família da destruição (Gn 19.29). Depois Ló se tornou pai de duas nações (Moabe e Amom), e de uma delas surgiu uma antecessora do Messias: Rute.
Abraão foi semelhante ao Mar da Galiléia, que recebe as águas que vêm da neve do Monte Hermon, e as devolve no Rio Jordão para irrigar a terra e dessedentar pessoas. Neste mar há vida. Há pessoas que são como o Mar Morto, ao sul de Israel, o qual recebe milhões de litros de água do Rio Jordão, de outros rios, e ainda de fontes invernais, e as retêm, mas seu volume nunca aumenta. Estas pessoas recebem bênçãos de Deus: vida, recursos, habilidades, tempo, etc., mas as usam apenas para si mesmas. Não se tornam canais através dos quais as bênçãos fluem para outras pessoas. E assim, elas secam, não têm vida. As águas doces que recebem se tornam em águas salgadas.
Agir como um canal de bênção é a atitude da família que ama missões. Estas famílias não estão interessadas apenas no que a igreja pode fazer por elas, mas antes querem saber o que podem fazer pela igreja. Não buscam apenas receber uma bênção, mas ser uma bênção. Não apenas pedem orações, mas também se importam em orar pelos outros. Estão dispostas a tudo fazerem para que pessoas sejam alcançadas com a maior de todas as bênçãos, o evangelho (Gal 3.8). Elas aceitam servir, trabalhar, sacrificar, doar, cooperar para que outros sejam edificados e salvos. Não querem apenas chegar e encontrar tudo limpo, arrumado, para então se deliciarem com um culto agradável. Elas sabem que cultuar envolve fazer a obra de Deus. Elas não priorizam suas necessidades, mas antes buscar adoradores, tal qual Jesus, que mesmo cansado, evangelizou a samaritana (João 4).
Deus havia escolhido Abraão para ser um agente e exemplo de bênção no mundo. Mas este privilégio trazia uma responsabilidade: ordenar a família a andar nos caminhos de Deus. O termo “ordenar” indica tanto a instrução como incumbências que são passadas a subordinados (1 Sm 17.20; Rt 2.9; Gn 49.33). Era dever de Abraão instruir seus filhos nos caminhos de Deus, ordenar-lhe cumprir os mandamentos do Senhor. Deus sempre ordenou que as famílias transmitissem Suas obras e palavras (Ex 12.26s; Dt 4.9,10).
Um casal que acredita em missões verá seus filhos como seu primeiro campo missionário. Assumirá a responsabilidade de guiá-los nos caminhos de Deus. É incrível a quantidade de pais crentes que se preocupam com a saúde dos filhos, com a educação e futuro terreno deles, chegam a se sacrificar e endividar por conta disto, mas não aparentam nenhum pingo de temor quanto à saúde espiritual e futuro eterno deles. Alguns irão argumentar que os filhos não os escutam mais. Quando isto acontece, provavelmente é porque a instrução começou tarde. Houve omissão quando os filhos eram pequenos, e assim a autoridade para ordenar foi perdida. Quem ama seu filho cedo o disciplina! (Pv 13.4). Deus valoriza que os filhos sejam criados no evangelho. A prova disto é que uma das exigências para os oficiais das igrejas é que os filhos sejam crentes (Tt 1.6; 1 Tm 3.4). Deus quer salvar os filhos usando a instrução dos pais. Para ser celeiro missionário a família tem que antes ser campo missionário.
Agindo assim a promessa seria cumprida na família de Abraão. A graça de Deus opera a obediência humana. E assim a bênção se concretiza. A promessa de Deus não é automática, nem mágica. Ele atua gerando a submissão humana. E desta forma ela se cumpre.
O professor de Missões Jerry Leonardo disse que o preparo de um missionário transcultural começa quando ele é criança, no seu lar. Ali ele é iniciado em atitudes como: servir, prezar o relacionamento com Deus, disciplina em ler a Bíblia e orar, repartir as bênçãos, e andar em obediência a Deus. Cada pai e mãe têm um campo fértil em seu lar, para transformar num celeiro de missionários, filhos que serão sementes gerando frutos eternos.

domingo, 10 de maio de 2009

MÃE, SEU FILHO É SEU PRESENTE, E TAMBÉM SEU FUTURO


Algumas mães podem ficar frustradas por não terem recebido o presente que gostariam neste seu dia. Por desenvolverem uma missão tão árdua elas, com justiça, têm altas expectativas, que nem sempre são correspondidas, tanto por seus filhos, como por seus esposos. Seja por dificuldades financeiras, incompreensão, ou mesmo desvalorização, as mães não recebem os presentes que merecem. Mas, diante de Deus, o grande presente de uma mãe é exatamente ser mãe, ter um filho.

O Salmo 127.3 nos afirma que os filhos são presentes de Deus Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. A herança dada no Antigo Testamento era a terra (Josué 11.23; Juízes 2.6). Esta terra tanto servia para providenciar o sustento, como a segurança, e o descanso (Josué 1.13). Mas sem filhos, a terra era perdida (Num 27.8-11). Por isso, os filhos eram herança do Senhor tanto para manter a terra como para manter o nome. Ter filhos era garantia de ter sustento, segurança e descanso quando a velhice chegasse, e também a garantia de ter o nome lembrado quando partisse deste mundo.

Os filhos também são comparados a galardão, isto é salário, prêmios dados pelo Senhor. Estas duas comparações nos dizem que filhos são tesouros doados por Deus. Ter filhos não é apenas resultado de um relacionamento entre um homem e uma mulher, mas sim, da bênção de Deus, em conceder frutos daquele relacionamento. Eva entendeu isto muito bem, pois, quando concebeu Caim (Gen 4.1), disse que havia adquirido aquele filho com a ajuda do Senhor.

Outra imagem usada neste mesmo Salmo é dos filhos como flechas nas mãos de um guerreiro (Sal 127.4). As guerras eram comuns naqueles tempos (como hoje!), quase todos os anos elas ocorriam. Sempre havia povos inimigos prontos para roubar as colheitas (Juízes 6.3,4). Um homem que tivesse um estojo (aljava) cheio de flechas bem preparadas e afiadas, poderia defender sua propriedade, família e vida, com mais possibilidade de sucesso. As flechas eram guardadas e no momento necessário colocadas no arco e enviadas para cumprir sue papel. Pessoas são comparadas à flecha em Isaías 49.2, referindo-se ao Servo do Senhor, que era como uma flecha polida, pronta para executar a missão de glorificar a Deus.

Deus nos dá filhos para que nós possamos afiá-los com Sua Palavra (Deut 6.7, onde inculcar significa afiar), e assim no tempo certo, eles podem ser enviados para cumprir a missão que Deus tem para eles. Filhos são oportunidades de enviarmos a mensagem de Deus para um tempo quando nós não mais estivermos aqui, de deixarmos nossas crenças para as próximas gerações. Filhos são chances de cooperarmos para que a Palavra de Deus seja difundida no futuro.

Uma terceira ilustração para filhos aparece no Salmo 128.3, os filhos como brotos da oliveira. A oliveira era uma árvore extremamente útil na Palestina, famosa por seu fruto, óleo e madeira. Ela fornecia alimento, luz, remédio, e perfume. Ter uma oliveira com brotos era sinal de que haveria alimento, óleo para as lamparinas, para amenizar as dores do corpo, e para perfumar a vida. Filhos são rebentos verdes que podem nos nutrir de satisfação e realização, iluminar nossa vida com esperança, aliviar nossas tristezas com seus sorrisos, e perfumar nossos dias com felicidade e significado.

Outro Salmo nos fornece outras metáforas para filhos (144.12): “Que nossos filhos sejam, na sua mocidade, como plantas viçosas, e nossas filhas, como pedras angulares, lavradas como colunas de palácio;. Filhos como plantas cheias de vida, com flores que nos enriquecem no presente com suas cores e aromas, e nos prometem frutos para o futuro.

São também como pedras bem talhadas que sustentam uma casa, dando firmeza e segurança, que nos serão muito necessárias na velhice. São ainda como colunas que tanto servem para embelezar como para dar sustentação. Sim, filhos podem tornar nossa vida mais bela hoje, e sustentá-las com carinho, companhia e auxílio amanhã.

Portanto, mães, neste dias seus filhos são seu grande presente, e ainda podem se tornar o seu futuro. Cuide deles, como tesouros que precisam ser desenvolvidos.

sábado, 2 de maio de 2009

NA CRUZ, A VALORIZAÇÃO DA FAMÍLIA.



O que você diria na hora da morte? Se você estivesse morrendo com intenso sofrimento, quais seriam suas últimas palavras? O Senhor Jesus pronunciou sete frases quando estava morrendo. As três primeiras manifestam preocupações com pessoas que lhe rodeavam.

Na primeira faz uma oração, pedindo a Deus perdão para os que lhe causam aquele sofrimento. Na segunda atende a uma oração, a do ladrão que roga participar no Seu Reino. Na terceira, revela seu cuidado com sua mãe. João 19.25-27.

E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa.

Para Maria, ser mãe de Jesus foi motivo de grande alegria, e de certas perturbações, (Lc 1.29,46-55). Ela procurou sempre guardar os acontecimentos, e juntar as peças em sua mente para poder entender (Lc 2.19,51), mas demorou saber o tipo de Messias que Jesus era. Esta incompreensão fez com que o relacionamento de Jesus com sua mãe nem sempre fosse ausente de tensões, apesar de ser um filho obediente (Lc 2.51). Sua preocupação em fazer a vontade do Pai celeste causou certas aflições a sua mãe (Lc 2.48). Ela presenciou a descrença dos irmãos (Jo 7.5), e a falta de entendimento dos parentes, que chegaram até a pensar que Jesus estava insano (Mc 3.21). Ela mesma, apesar de crer no grande poder de Jesus, nem sempre compreendia que Jesus seguia uma agenda diferente, o calendário do Pai celeste (Jo 2.3,4 ), e que Sua prioridade nos relacionamentos seguia outra ordem, a de Deus (Mc 3. 31-35). Mas estas tensões, nem a impediram de seguir Jesus até a cruz, nem impediram Jesus de cuidar dela. Desentendimentos na família são oportunidades para um maior amor, e não desculpas para não amar.

Para ela, aquele momento era o cumprimento de uma profecia (Lc 2.35), uma espada estava atravessando sua alma. Além da dor de perder o filho, ela sofria a decepção, ou pelo menos a perplexidade, de seus anseios messiânicos não se concretizarem do modo esperado. Suas expectativas eram semelhantes à de seus contemporâneos: o Messias traria a libertação política, econômica, e espiritual numa única vinda. A salvação dos justos e a condenação dos ímpios se dariam num mesmo momento. O mistério de duas vindas não havia penetrado na mente dos discípulos. Ainda não entendiam, que o Messias tinha vindo como Servo Sofredor, para pagar a penalidade do pecado dos homens, e depois viria como Rei glorioso, para instalar o Reino de Deus.

Para Jesus, aquele momento era a oportunidade de prover cuidado e conforto para sua mãe. Após providenciar um lar eterno para o ladrão que estava morrendo, ele quer dar um lar terreno para sua mãe, enquanto ela continuasse neste mundo. Jesus sabia que a vida em família é necessária, é uma fonte de segurança emocional neste mundo turbulento. No lar se encontra o ninho para alimento e descanso, não apenas físico, mas também psicológico. É numa família que nosso senso de identidade e valor pode ser fortalecido, pois ali cuidamos e somos cuidados. Jesus estava provendo para sua mãe um lar, onde ela seria cuidada, e poderia cuidar. Amar e ser amada. Jesus valorizava a família!

Estas palavras de Jesus nos ensinam que é preciso cuidar de nossas famílias, sem deixar que este cuidado nos impeça de cumprir o propósito de Deus em nossas vidas. Pode ser que fazer a vontade do Pai nos traga problemas com a família terrena, mas estes problemas não devem nos levar a abandonar o caminho que Deus quer para nós. Mas também, não devem nos impedir de manifestar amor e cuidado para com esta família. Outras mulheres também estavam ali. Mulheres de valor, que haviam seguido e ajudado a Jesus (Lc 8.2,3). Mas Jesus se dirige apenas a sua mãe, expressando Seu amor e cuidado, e fazendo uma provisão atenciosa para suas necessidades. Cuidar da família também é parte da missão que Deus tem para nós.

Aquele momento também nos mostra o cuidado amoroso de Deus para com aqueles que, mesmo sofrendo e sem entender toda razão de seu sofrimento, buscam fazer a Sua vontade. Maria podia não entender tudo, mas estava disposta a fazer a vontade de Deus, era serva do Senhor (Lc 1.38). Aos pés da cruz, ela recebe não apenas o apoio do o discípulo amado, mas as carinhosas palavras de Seu Filho Jesus, cumprindo a bênção de Mateus 19.29. João, que corajosamente acompanha a mãe de Jesus até a cruz, também sem tudo compreender, ganha mais uma mãe. Diante de situações difíceis em nossas famílias terrenas, melhor do que reclamar e cobrar dos outros, é olhar para as oportunidades graciosas que Deus dispõe para nosso suprimento no meio da família de Deus, e desfrutar delas.

Aprendemos ainda que, por maior que seja nosso sofrimento, podemos pensar primeiro nos outros. A família é um lugar para praticarmos isto. Somos egoístas, e quando sofremos podemos manifestar este egoísmo de forma mais forte, achando que isto obriga os outros a se preocuparem conosco, e nos permite sermos indiferentes aos sofrimentos e necessidades deles. Mesmo que as tensões e imperfeições das pessoas de nossa família nos causem dor, vamos manifestar amor cuidadoso para com elas.