domingo, 5 de abril de 2009

PAI, PERDOA-LHES.


Há vários setes na Bíblia: setes dias da semana, sete lâmpadas no candelabro, sete cartas às Igrejas da Ásia, setes selos do Apocalipse, etc. Há um grupo de sete frases, não tão famoso, mas muito importante, que aparece nos evangelhos. São frases curtas, ditas por Jesus na cruz, normalmente denominadas as sete palavras da cruz. Elas são interessantes por nos revelar as preocupações de Jesus naquele momento tão sofrido e decisivo.
Jesus havia estado sob intenso estresse. Pois há algum tempo a sombra da cruz o angustiava (João 12.27). A expectativa do cálice da ira de Deus caindo sobre Ele, fazia com que sua alma fosse sacudida por uma profunda comoção interna. Esta perturbação aumentou na reunião da quinta-feira com os discípulos (Jo 13.21), e atingiu proporções de uma enorme luta na agonia do Getsêmani, a ponto de Seu suor tornar-se como gotas de sangue (Lc 22.44).  
  Ele também havia passado por humilhações terríveis: preso como se fosse um bandido, à noite e em segredo, por um grupo armado; traído, negado e abandonado por seus seguidores; passara a noite em claro apanhando e sendo zombado pelos que o haviam prendido; depois sofreu um interrogatório injusto e difamador, sendo cuspido e esbofeteado; acusado falsamente diante de Pilatos, o governador. Este o enviou para o rei Herodes que desprezou e ironizou. Novamente voltou para Pilatos, que O reconheceu como inocente e por três vezes tentou libertá-lo. Mas a inveja e o ódio das autoridades judaicas eram grandes, por isso insuflaram a multidão para pedir que Jesus fosse crucificado e Barrabás solto. Jesus foi trocado por um rebelde e assassino, por aqueles que ele viera salvar!
O sofrimento físico de Jesus também foi intenso. Depois de preso foi esbofeteado, com os olhos vedados, para que pudesse profetizar quem o havia agredido. Sofreu o flagelo, que era ser amarrado de costas e apanhar com um chicote de couro, que trazia nas pontas pequenos pedaços de metal ou osso, e que tirava pedaços da pele. Alguns estudiosos afirmam que este castigo era tão cruel, que algumas pessoas morriam quando flageladas.  Nas mãos dos soldados Ele voltou a ser escarnecido.  Todo o destacamento foi chamado para zombar dele, dando-lhe um manto de púrpura, colocando-lhe uma coroa de espinhos sobre a cabeça, ajoelhando-se diante Dele com ironias, e lhe batendo-lhe na cabeça (Mc 15.16-20). 
Normalmente o condenado carregava apenas a parte horizontal da cruz, com a sentença escrita, ou um arauto ia à frente proclamando a acusação. Jesus estava tão exausto que desfaleceu no caminho. Quando chegou ao Monte chamado Caveira, Ele foi despido, deitado sobre a parte horizontal, os braços amarrados e os pulsos pregados pelos soldados. Com cordas, esta parte da cruz era levantada e fixada na parte vertical, que já estava posicionada. Havia um apoio para que o crucificado ficasse quase sentado e não tivesse seus pulsos rasgados pelos pregos. Seus tornozelos também eram atravessados com cravos. 
A posição era extremamente dolorosa. Há trinta centímetros do solo, cada esforço para respirar provocava grandes dores; a perda de sangue não era grande, pois os pregos estavam em locais de músculos, nervos e tendões, isto aumentava a dor e fazia com que o sangue regurgitasse para cabeça e estômago, provocando uma dor de cabeça lancinante.
Qual a primeira frase dita por Jesus neste momento de extremo sofrimento? Ao lado de dois criminosos e olhando para a multidão em volta, ele disse: Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem (Lucas 23.34).  A primeira preocupação de Jesus foi com o futuro eterno daqueles causavam seu enorme sofrimento! Ele clama que Deus lhes conceda mais uma oportunidade para arrependerem-se. As respostas daquela oração vieram tanto naquele momento, quando o ladrão e o centurião se arrependeram, como mais tarde, quando outros também aceitaram o perdão oferecido (Atos 2.37,38). 
Com isto Jesus nos ensina que dispensar perdão não depende de como nós nos sentimos. As sensações de Jesus naquele momento não eram agradáveis, de fato sua situação era muito desconfortável. Algumas vezes queremos perdoar, apenas, se nos sentirmos bem na situação, se nossas sensações nos guiarem ao perdão. Mas não é assim. Não importa o que estamos sentindo. Devemos dispensar perdão aos nossos ofensores, mesmo quando nosso sofrimento é grande.
Dispensar perdão também não depende de como os ofensores estão nos tratando. Enquanto Jesus estava na cruz, os soldados sorteavam suas roupas diante de seus olhos, desafiavam-no gracejando; as autoridades o ridicularizavam e blasfemavam, e a multidão olhava. Aparentemente ninguém manifestava arrependimento, tristeza, ou uma disposição para mudança. Mesmo assim Jesus pede que Deus não os condene, mas que mantenha Sua misericórdia, oferecendo mais uma chance de perdão. 
É comum guardarmos mágoas e ressentimentos em nossos corações. E só queremos perdoar quando notamos que as pessoas estão mudando de atitude em relação a nós.  Mas não deve ser assim. A disposição para o perdão, a dispensa da mágoa, o cancelamento do ressentimento, a soltura do desejo de vingança deve estar em nosso coração, mesmo que as pessoas não se arrependam. A reconciliação, a restauração às posições anteriores, e o desfrutar do perdão, dependem do arrependimento destas pessoas, mas o perdão em nosso coração não. Eles ainda podem continuar nos maltratando, mas nossa atitude deve ser de orar para que Deus lhes perdoe. 
Esta disposição depende de nos relacionarmos com Deus como nosso Pai. Jesus sabia que seu valor não dependia de como a multidão lhe tratava, nem do desprezo das autoridades. Mas do fato de ser Filho de Deus, de estar submisso à vontade soberana do Pai.  Ter Deus como Pai é o relacionamento que nos concede valor e estima. Temos certeza de Seu amor, Sua sabedoria, e Sua Soberania. Aceitamos que o sofrimento causado por outros é permissão Dele para nosso aperfeiçoamento ou concretização de Sua obra. Assim, não haverá espaço para as mágoas, e sim força para o perdão.  
Tiraram tudo de Jesus, até a roupa, mas não tiraram sua confiança e comunhão com o Pai e seu amor pelos homens. Jesus nos mostra que podem tirar tudo de nós: dignidade, respeito, conforto, fama, posses, roupas, e até a vida, mas ainda restará em nós algo para dar aos que nos roubam: o amor. Podemos amar mesmo quando estivermos despidos de tudo. 
Em seu amor Ele sabe que aqueles que o crucificavam não tinham noção do tamanho do pecado que estavam cometendo (Atos 3.17).  Nenhum de nós tem consciência de quão grandes são nossos pecados. Da gravidade de qualquer um deles. São tão pesados que causaram a morte de Cristo. As pessoas que nos ofendem também não têm noção da seriedade do que estão fazendo. Devemos clamar que Deus lhes perdoe. 
Diante do exemplo de Jesus reconheçamos que nada deve nos impedir de perdoar os que nos causam sofrimentos. Por mais dolorosos que sejam estes sofrimentos. Você tem retido o perdão? Imite a Jesus, perdoe.

4 comentários:

Marcos Aurélio Melo disse...

Pastor Almir,
sempre é bom relembrarmos do grande sacrifício que Jesus teve que oferecer em nosso favor. Ele sacrificou a si mesmo, como prova do grande amor que tinha pelo pecador, e ainda orou ao Pai pedindo perdão para os agressores.
Jesus é o nosso exemplo maior de altruísmo, e ter oferecido perdão suportando a agonia da cruz é a prova cabal de todo o seu amor.
Que Deus nos conceda a graça de enxergar o perdão estendido a nós pelo Senhor Jesus, e que não fechemos o coração quando temos a oportunidade de também oferecer o perdão a quem nos ofender.
Parabéns pela rica mensagem!!!
Que Deus o abençoe sempre.

Anônimo disse...

ola Pastor Almir esta mensagen ao lermos nos deixa impactado e como seria bom se nos tivessimos uma mente mais pura e mais limpa para absorvermos este conteudo e fazer com que inpreguinasse em nossa mente e sempre usassemos este metodo de perdão de amor de solidariedade no momento que somos agredidos mas ao contrario nos primeiro nós descotrolamos, depois e que nós consientisamos que erramos e devemos perdoar mesmo se atacados ou atingidos injustamente, bom assim e que agora sei que meu coração e de pedra e pensa muito mais em min mesmo do que nos outros mas DEUS e tão grande em misericordia que consede graça de refletir em sua palavra e em suas mensagens para aprender um pouco mais.

Obrigado por suas mensagens e que DEUS continui a lhe abençoar em toda sua vida em nome de JESUS.

norma disse...

Perdoar, uma atitude de fé. Isso é o que nos leva a aceitar e em Cristo fazer esse ato, dificil de realizar, mas Nele é que nos sustentamos e agimos. Obrigada pela mensagem de perdão.

Silene Bezerra disse...

Maravilhosa essa visão sobre o perdão.E como é algo que se torna difícil em nossas vidas, por causa do pecado. As vezes relutamos em perdoar alguém que nos pede o perdão, enquanto o nosso Senhor perdoava no momento exato em que seus ofensores e atingiam. Esse é o Deus Maravilhoso em quem cremos. Louvado seja o nome do nosso Senhor Jesus Cristo. A Ele exclusivamente a glória eternamente.