quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

BASTARAM TRÊS DIAS

             Três dias são o bastante para que muita coisa  seja mudada!
            Certo comentarista chamou minha atenção para dois acontecimentos na história do povo de Israel, quando grandes mudanças ocorreram em três dias. Do entusiasmo e vibração para a amargura e murmuração,  do ânimo para o desânimo.
      O primeiro está registrado em Êxodo 15.22-24. O povo de Israel havia caminhado do Mar Vermelho ao deserto de Sur. Três dias antes, aquelas pessoas haviam presenciado um grande milagre, considerado um dos maiores na história de Israel. Deus abriu o mar, o povo passou pelo meio e os exércitos inimigos foram destruídos. Cantando  alegremente, eles louvaram a Deus por esta vitória. Já haviam testemunhado outras grandes manifestações do poder e da graça de Deus, quando foram as dez pragas enviadas sobre seus opressores.
            Mas, bastaram três dias de caminhada pelo deserto sem achar água, para que a alegria se transformasse em desespero.
            Temos que admitir que a situação não era fácil. Homens, mulheres, crianças e animais caminhando no deserto; os estoques de água acabando, e nada de encontrar fontes, rios ou lagos para saciarem sua sede. Mas eis que encontram um lugar onde havia água! Imagine os olhos brilhando, os sorrisos de alegria, as exclamações de alívio! Mas..., não puderam beber, as águas eram amargas. Que decepção!
            Qual a reação esperada em um momento assim? Em circunstâncias que consideramos normais, por causa de nossa natureza pecaminosa, a reação esperada seria de desespero. Mas este povo já tivera evidências suficientes, dadas há pouco tempo, de que Deus era capaz de providenciar água potável. Portanto, o esperado era que mantivessem uma expectativa alegre, indagando: qual milagre providencial Deus haverá de realizar agora?! Que nova maravilha nós testemunharemos da ação provedora de Deus?!
            No entanto, havia outra coisa amarga ali, além da água, era o coração do povo!            
          Mais decepcionante do que estar com sede, encontrar água e não poder bebê-la, é ter um Deus com tanto poder e ser incapaz de confiar Nele. Se existe um teste para a fé é o de uma esperança frustrada. O povo de Israel não passou neste teste. Sua reação não foi de confiança, mas de murmuração.
            O outro episódio ocorreu quase dois anos depois. Está registrado em Números 10.33-11.3. O povo havia passado quase dois anos parado no Sinai (quando as murmurações também haviam parado). Neste tempo, havia presenciado várias ações divinas. Inclusive a aparição magnífica de Deus no monte Sinai, quando desceu para dar as leis. O povo também tinha escutado as leis de Deus, construído o tabernáculo, aprendido as regulamentações quanto às ofertas e sacrifícios, provado  o juízo no caso do bezerro de ouro, entre outros acontecimentos extraordinários.
            Já havia experimentado  a direção divina todos os dias com a nuvem e a coluna de fogo, a provisão diária do maná e da água que saiu  da rocha. Será que agora confiavam que Deus era capaz supre todas as necessidades?
            Bastaram três dias de caminhada para as reclamações voltarem. O povo não reagiu com fé, mas se queixando. É interessante que nos dez primeiros capítulos do livro de Números há uma forte ênfase na obediência do povo a Deus. A frase “segundo tudo o que o SENHOR ordenara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel ” é repetida várias vezes. Mas, bastaram três dias de marcha para mostrar quão superficial era esta obediência e como ela estava condicionada às circunstâncias.
            Como somos parecidos como este povo. Mesmo sabendo e já tendo visto e experimentado o infinito poder provedor do nosso Deus, bastam três dias de dificuldades (algumas vezes até menos) para murmurarmos , esquecendo este poder e amor soberanos.
            Diante de uma dificuldade, o que se espera do povo de Deus é aceitação e obediência incondicionais. Quando se confia, também se espera sem reclamar. Murmurar é julgar a Deus e suas ações. Os que pertencem a Deus jamais devem se colocar numa posição de querer julgá-lo.
           A reclamação demonstra que minha devoção não é total, que minha obediência depende do meu conforto, que minha fé não é robusta e que meu amor é interesseiro.         
   Peregrinos murmuradores indicam que estão mais interessados no seu conforto do que no projeto de Deus para sua vida. Que preferem ficar acomodados em algum canto do deserto, do que enfrentar as provações para chegar à terra prometida.
            Quem reclama não tem espírito de peregrino!
            A murmuração demonstra que a memória é curta, pois logo esquece o que Deus já fez; que a visão é míope, pois é incapaz de enxergar o cuidado Dele vez após vez; e que se acha muito merecedor e importante para querer que Ele supra o que precisa imediatamente. Quanta arrogância!
            Murmurar é o resultado de esquecer o poder provedor de Deus e sua maravilhosa boa vontade e sabedoria em suprir nossas necessidades. Murmurar é ser impaciente com Deus. E isto é ser injusto.

2 comentários:

Pastor Junior disse...

Olá Pr. Almir. Obrigado pela reflexão. Estamos a uns três dias lutando por uma documentação da Igreja aqui e já estávamos quase nos chateando. Obrigado por nos relembrar a confiar e agradecer em tudo!

Espalhando a Glória do Mestre - Pr. Junior e Jorge (Cabo Verde)

Anônimo disse...

Bastam 3 dias, às vezes só 3 horas. Que o Senhor nos dê um coração agradecido e não murmurador.

Fares