sábado, 28 de março de 2009

A BÍBLIA, HUMM! QUE DELÍCIA!

Usamos a expressão acima para indicar a sensação prazerosa que alguma coisa nos proporciona. Na maioria das vezes para um alimento de sabor extremante agradável. Mas, delicioso também é aquilo que proporciona prazer e deleite aos outros sentidos: visão (uma bela paisagem), olfato (um suave perfume), audição (uma música encantadora); e tato (um toque agradável na pele).
Penso que alimento pode nos proporcionar todas estas sensações. Algumas delícias nós começamos a degustar com os olhos, depois aspiramos seu aroma, então o paladar saboreia, língua, lábios, céu da boca e dentes sentem a textura daquele alimento, e por fim apreciamos o som provocado pelo desfrute.
O compositor do salmo 119 usa várias palavras para expressar este mesmo prazer com a Palavra de Deus. Para ele a Bíblia era algo delicioso. Um dos termos, aparece oito vezes, refere-se a algo que proporciona prazer e deleite, produzindo uma sensação agradável, de contentamento e alegria. Na forma verbal está nos versos 16,47,70: Terei prazer nos teus decretos; não me esquecerei da tua palavra. Terei prazer nos teus mandamentos, os quais eu amo. Tornou-se-lhes o coração insensível, como se fosse de sebo; mas eu me comprazo na tua lei. Traduzido como “ ter prazer”, este verbo expressa o gosto por algo, indicando que a pessoa encontra diversão e felicidade naquilo. É como se ele dissesse que a palavra de Deus é uma delícia! Na forma de substantivo encontramos o termo nos versos (versos, 24,77,92,143,174), Com efeito, os teus testemunhos são o meu prazer, são os meus conselheiros. Baixem sobre mim as tuas misericórdias, para que eu viva; pois na tua lei está o meu prazer. Não fosse a tua lei ter sido o meu prazer, há muito já teria eu perecido na minha angústia. Sobre mim vieram tribulação e angústia; todavia, os teus mandamentos são o meu prazer. Suspiro, SENHOR, por tua salvação; a tua lei é todo o meu prazer. Note que ele diz que mesmo na angústia, é o prazer na Palavra que o sustenta, para que ele não venha a perecer.
O salmista imita Deus neste prazer. Pois o próprio Deus se delicia com a sabedoria. É isto que nos diz o livro de Provérbios 8.30: então, eu estava com ele e era seu arquiteto, dia após dia, eu era as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo. Agir com sabedoria era o deleite de Deus quando Ele criava todas as coisas. E esta mesma sabedoria em Deus se alegrava com o que era criado.
No verso 35 outro termo é usado para transmitir a idéia de sentir grande satisfação em alguma coisa. Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela me comprazo. Esta palavra fala de algo que atrai porque é desejável. A pessoa tem vontade de experimentar por conta da satisfação emocional produzida. Há um deleite e alegria que são mostrados em atitude e conduta. O homem abençoado tem seu prazer na lei do Senhor (Sl 1.2), sente satisfação nos mandamentos de Deus (Sl 112.1).
Certas pessoas não gostam nem de ouvir a Palavra de Deus, para eles ela é uma comida desagradável (Jr 6.10) Mas também não adianta demonstrar um prazer fingido na Palavra de Deus, pois isto Deus condena. Era assim que se comportava o povo de Israel, manifestava gosto por ouvir a Palavra, mas não obedecia (Is 58.2). O prazer vai se mostrar na obediência. O degustar desta palavra não é a simples apreciação mental, mas a prática, o viver. Isto é comer a Palavra. Deixar que ela entre em nós e forme a nossa vida. O próprio Deus tem prazer no fato do Seu povo obedecer esta Palavra (1 Sm 15.22).
Quando experimentamos algo que provoca grande prazer em nós, passamos a desejar fortemente aquilo. Podemos até nos viciar, e achar que é impossível viver sem aquele objeto pelo prazer que ele nos proporciona. É assim que o salmista se sente em relação à Palavra de Deus. Desejo é outro termo usado por ele para falar de sua atitude com a Palavra de Deus (versos 20,40,174). Consumida está a minha alma por desejar, incessantemente, os teus juízos. Eis que tenho suspirado pelos teus preceitos; vivifica-me por tua justiça. Suspiro, SENHOR, por tua salvação; a tua lei é todo o meu prazer.O prazer produzido pela Bíblia lhe é tão intenso que ele o deseja com ardor. Este desejo é constante, por isso ele clama, pois sua vida depende desta palavra.
Esta verdade é expressa com outra palavra no verso 111, Os teus testemunhos, recebi-os por legado perpétuo, porque me constituem o prazer do coração. O salmista testemunha que a Palavra de Deus lhe proporciona tal júbilo, um abundante deleite, que ele fez dela a sua herança eterna. Ele quer possuir este prazer para sempre. Não quer nunca perder este prazer.
Por último vamos considerar mais um verso onde a idéia aparece, 131, Abro a boca e aspiro, porque anelo os teus mandamentos.Aqui o salmista diz que abre a boca e aspira. Esta expressão foi usada para falar de animais que aspiram o ar, porque desejam o alimento (Jr 14.6). Foi traduzida em outros textos como abocanhar, devorar com avidez (Ez 36.3; Sl 57.4). É assim que o salmista se sente em relação à Palavra, ele abre a sua boca para devorar com avidez, por conta do forte desejo e anseio que tem por ela. Tal como os recém nascidos pelo leite materno (1 Pd 2.2).
A Palavra de Deus é deliciosa. Mas por conta do pecado, que embotou nossos sentidos, não a apreciamos. Há alguns frutos que embotam nosso paladar. Depois de comer-los, nossa língua fica como que anestesiada e não sentimos mais sabor. É assim que o pecado faz conosco. Precisamos abandonar o pecado, e o fugaz e pernicioso prazer que ele produz, para sentirmos desejo pelo prazer da Palavra de Deus.
Nosso gosto pelos alimentos é aprendido. Tenho um amigo que não gostava de salada de verduras, em sua casa ninguém conseguia fazê-lo comer. Quando foi estudar na universidade, já que a comida era pouca, ele passou a misturar a salada com o arroz e feijão para completar o alimento. Quando voltou nas férias, para surpresa de sua mãe, ele pediu salada para acompanhar sua refeição. Hoje ele é um apreciador de saladas. O gosto foi desenvolvido. O mesmo pode acontecer com a Palavra de Deus. Precisamos nos desligar das inutilidades da TV, das conversas fúteis, das leituras e diversões que não alimentam de verdade, e mesmo do passear vago e infrutífero pela internet, para sentirmos o prazer saboroso que o estudo e prática da Bíblia dão. E assim poderemos dizer da Bíblia: Que delícia!







4 comentários:

prof_fort disse...

Realmente não existe nada melhor do que o genuíno leite espiritual. Isso me faz lembrar das pessoas, na maioria jovem, que gosta de "guloseimas"! O alimento dessas pessoas é rico em calorias mas pobre em vitaminas, proteínas, etc. Refrigerante com sanduíche no jantar. Pior é quando isso acontece na vida espiritual, e nos contentamos com uns fast-food evangélico. Devemos retornar para o verdadeiro alimento espiritual - e saboroso - que é a Palavra de Deus.

grato a Deus por tudo sempre
pastor victor

Marcos Aurélio Melo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcos Aurélio Melo disse...

Parabéns por mais este post sobre o sabor delicioso da Palavra de Deus em nossas vidas. Quão bom é ter o paladar "apurado" para as grandes delícias que a Bíblia nos apresenta. Coloquei uma das frases do seu texto que me chamou a atenção no meu blog, em "Frases que Compartilho".
Um abraço.

Pr. Rômulo Monteiro disse...

Obrigado pastor pela meditação!!! É sempre bom de "ouvir". Talvez porque suas palavras "refletem" as delícias das Palavras do nosso Deus. Continue sempre assim, direto e claro. Dessa forma sua palavra ficará mais "deliciosa".

Abração!!!!