quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

POR QUE NÃO HAVIA LUGAR?


Na postagem anterior vimos que Maria e José não conseguiram um lugar na hospedaria da pequena cidade de Belém, mesmo ela estando prestes a dar à luz. Algo que hoje nos aparenta ser incrível. Ainda mais quando sabemos que a mão invisível de Deus moveu o imperador Cesar Augusto para decretar um recenseamento, para fazer cumprir a promessa de que o Messias nasceria lá. Por que essa mesma mão poderosa não moveu o coração do dono da hospedaria para arrumar um lugar para o casal, e desta maneira Jesus nasceria num lugar mais apropriado?

Parece-nos que seria bem mais fácil tornar sensível o coração de uma pessoa diante da necessidade de uma mulher grávida, já entrando em trabalho de parto, do que o coração de um imperador distante. Além disso, Deus poderia mover o coração de um hóspede, que aceitaria ceder seu lugar para Maria e José. Ou mesmo tocar no coração de um residente de Belém, para que convidasse o casal para sua casa. Mas nada disso aconteceu, por quê? Por que Deus não planejou as circunstâncias para que Seu Filho não precisasse ser colocado num cocho quando nascesse?
Por que o menino deitado numa manjedoura era um sinal. Isto é declarado em Lucas 2.12. O termo traduzido como “sinal” era utilizado para indicar “algo por meio do qual se reconhecia alguma coisa ou pessoa”, como o caso do beijo de Judas (Mt 26.48). Também para uma marca ou prova confirmatória e autenticadora, como a assinatura de Paulo (2 Ts 3.17). No texto de Lucas o sinal comprovava que o anjo estava falando a verdade, pois um recém-nascido deitado numa manjedoura era algo singular e inusitado. Além disso, iria ajudar os pastores a achar o menino certo, pois apenas ele estaria naquela situação.
Um sinal também indicava um milagre, uma operação sobrenatural, que apontava para uma realidade bem maior (Jo 2.11). O nascimento de Jesus também foi um sinal neste sentido, foi milagroso, pois nasceu de uma virgem. E aquela criança deitada num cocho, apontava para o grande milagre da encarnação, de Deus que assumiu a natureza humana, do Soberano que assume a forma de servo (Fp 2.5-11).
Algo que prenunciava o futuro era outro uso da palavra “sinal”. Em Lucas 2.34, Simeão diz que Jesus seria um sinal de contradição, isto quer dizer que através Dele se decidiria a queda ou exaltação, salvação ou perdição de todos os homens. O menino deitado na manjedoura e visitado pelos pastores sinalizava que estava sendo rejeitado pelo mundo, mas seria crido por aqueles a quem Deus graciosamente O revelou (Mt 11.25,26).
O nascimento de Jesus não foi valorizado pelas pessoas influentes da época. Podemos dizer que foi desprezado, pois ocorreu num estábulo, e foi deitado numa caixa de alimentar animais. Mas foi valorizado pelos céus. Deus enviou Seu anjo para notificar aos pastores que Seu Filho havia nascido. Na época os pastores de animais também não eram tão valorizados. De modo geral eram considerados não confiáveis e religiosamente impuros. Estavam fora da cidade, tomando conta de seus animais. Deus os visitou com Sua glória.
A primeira reação foi de medo. Mas a palavra que o anjo anunciou os tranqüilizou. São boas notícias, é o evangelho. A expressão “trazer boas novas”, que aparece em nossas versões, é o verbo “evangelizar”. Um de seus usos no mundo grego era para anunciar o nascimento de um novo rei. Isto era considerado uma boa notícia porque gerava expectativas de uma melhora nas condições de vida.
Aquele deitado numa manjedoura era o Rei do Universo, traria melhores condições de vida para toda eternidade! Essa era a notícia mais importante a ser dada, pois traria alegria para todo o povo de Deus. O tempo de Deus cumprir Sua promessa havia chegado. O Salvador dos pecados e da condenação eterna nasceu para nós. O Messias, aquele que foi escolhido, separado e ungido por Deus para trazer o Seu Reino chegou. Ninguém percebeu, mas acabava de ocorrer o nascimento mais importante já ocorrido neste mundo!
O fato de ter como berço um recipiente de barro, usado para alimentar animais, sinaliza que os valores deste mundo não são os valores de Deus. O mundo não está em sintonia com Deus. O mundo não aprecia o que é precioso para Deus. O mundo não enxerga o que realmente é importante. O homem é cego para notar o que é de valor determinante para sua vida.
Aquele sinal pressagiava a maneira como Jesus seria tratado no restante de Sua vida e até hoje. Rejeitado pela maioria, aceito apenas por alguns. Em que grupo você está? Para você, Jesus é um sinal de queda ou de exaltação? De salvação ou de perdição?

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