quinta-feira, 2 de junho de 2011

Até que entrei no santuário e entendi o fim deles...



Quando olhamos alguém bordando um tecido, nem sempre compreendemos de imediato o desenho, especialmente se o bordado estiver em seu início. Algumas vezes a pessoa que está bordando nos mostra um detalhe de sua obra, e aquele detalhe não tem significado para nós, mas a pessoa que está bordando já tem em mente o desenho completo, em sua perspectiva ela compreende bem a razão daquele detalhe. Nós muitas vezes, só compreendemos quando olhamos o bordado já completo. Na vida também acontece isto. Certos acontecimentos parecem sem sentido, se tomados de forma isolada, mas quando observados da perspectiva de quem já tem a idéia completa, compreende-se o sentido daquilo.

O autor do salmo 73 passava por um grande conflito espiritual. Ao observar a prosperidade dos ímpios, e experimentar aflição diária em sua própria vida, ele questiona de fato valia a pena ser justo. Ele mesmo testemunha que, por conta deste conflito, ele quase perdeu a fé em Deus.

A solução para o seu dilema veio quando ele entrou no santuário de Deus e entendeu. Algumas vezes enfrentamos dificuldades na vida e ficamos tentados a desanimar de seguir a Jesus. Olhando da nossa perspectiva da terra não entendemos a razão daquilo, mas quando observamos da perspectiva de Deus, entendemos.

As atitudes que o salmista tomou podem nos ajudar nestas situações. Vamos observá-las.

Em primeiro lugar, ele continuou indo ao santuário de Deus mesmo quando estava atormentado por dúvidas. Uma de nossas tentações, quando em problemas, é parar de chegar perto de Deus, seja pela ida a igreja, ou leitura da Bíblia, e até oração. O triste da história é que justamente nestes momentos quando mais precisamos destes meios de graça. Somos como pessoas doentes, que por conta de sua fraqueza não conseguem comer, na hora que elas mais precisam se alimentar. O santuário de Deus nos dá a visão correta, faz com que percebamos a perspectiva correta da coisa.

Não abandone a leitura das Escrituras, pois a lei do Senhor é perfeita e restaura a alma. Ela tem o poder de nos reanimar diante das dificuldades. O rei Davi testemunhou isto de modo insistente no salmo 119. O Senhor Jesus nos disse que suas palavras nos daria ânimo em meio as aflições do mundo, João 16.33. A oração também outra fonte de ânimo. Chegar diante de Deus e derramar nossos conflitos é o modo de nos aliviarmos com a pessoa certa. Ana experimentou este alívio em 1 Samuel 1.18. Jesus também disse que a oração era um modo de nos alegrarmos, João 16.24.

O freqüentar a igreja também pode nos reanimar. Através da Palavra, do testemunho de alguém, de um cântico, ou até de observamos a fidelidade de outros que passam por dificuldades iguais ou maiores que as nossas, podemos ter nossa fé avivada. Estas coisas podem nos fazer sentir melhor.

Mas, não devemos entrar no santuário para apenas nos sentir melhor, devemos procurar entender. O salmista disse que entendeu, isto é, conseguiu compreender, discernir, saber algo. Nosso chegar a igreja deve ser para aprender a verdade ou mesmo ser relembrados dela. O sentir-se melhor sem entendimento não tem alicerces sólidos. Logo o vento de outros sentimentos podem soprar e derrubar. Mas quando entendemos, damos suporte seguro aos nossos sentimentos.

A igreja existe para ser coluna e baluarte da verdade , 1 Timóteo 3.15. Seu principal papel é testemunhar da verdade. Uma das coisas que Jesus mais fez durante seu ministério foi ensinar. Os apóstolos tiveram esta preocupação também. A mudança em nossas vidas vem renovação da mente, Romanos 12.2. é preciso entender as coisas do modo correto para crescer. É preciso saber a verdade para vencer na crises. É preciso conhecer a vida do ponto de vista de Deus.

A igreja pode fazer você sentir-se melhor, mas o que de mais importante ela pode fazer por você é ajudar você a conhecer a verdade. Venha a Igreja par aprender.

Oração do Salmo 73


Fixa meu olhos em Ti, meu Deus.

Que eu não inveje a prosperidade

Daqueles que recusam ser teus

Mas que os contemple com piedade


Parece que não têm sofrimento

Que as dores só os rondam de longe

Que a fartura só lhes dá aumento

E que são imunes à sede e à fome


A arrogância, acham bonito

Com a riqueza fazem maldade

A violência é o seu vestido

E dizem que o Senhor nem sabe


Olhando prá eles minha fé vacilou

Pensei abandonar minha pureza

Considerei inútil viver com valor

Pois aflição me vinha com presteza


Se assim falasse teria traído

Os que acreditam na Tua bondade

Pois seria algo sem sentido

Tanto desprezo pela verdade


Então entrei na Tua presença

Escutei na Tua Palavra

O fim que se lhes apresenta

Ruína, morte, desgraça


Sua vida é como um sonho

Que se acaba bem depressa

Como um andar bisonho

Que escorrega numa queda


Com amargura d'alma

Portei-me como um bruto

Mas Tua destra me salva

E faz sentir -me seguro


Tu és meu único desejo

Aí no céu e aqui na terra

Mesmo quando desfaleço

Minha alma a Ti elevas

7 comentários:

Anônimo disse...

Pastor, parabéns pelo belíssimo texto, o sr. tem o dom das palavras, que Deus o abençoe sempre. abraços
Ass. karina Carvalho

Pr. Júnior. disse...

Pastor, é bom saber que mesmo depois de sair do Seminário, ainda posso aprender com você. Oro por você! Quero que você continue sendo este servo de Deus.

Pastor Edson Sobreira Alves disse...

A nossa luta pela constância gradativa de crescimento espiritual é um grande desafio, cada um de nós passamos e ou passaremos pelas mesmas indagações de Asafe. Olhar para a prosperidade dos outros e compará-las com a nossa, lastimando porque estamos ficando pra traz é uma atitude mundana e essa é a nossa primeira conclusão, então poderemos dizer: ”isso não acontece comigo, pois sou “crente”. Sabemos as circunstâncias são diversificadas, sutis e muitas vezes imperceptível até que venha a transbordar. Então perceberemos que tudo isso não acontece somente com os outros, quando Deus permite que aconteça conosco Ele esta nos ensinando e nos chamando a atenção para voltarmos os olhos para Ele. Tudo isso, com certeza acontece , com a permissão do nosso Criador, com isso, Ele nos dará uma cosmovisão diferente quando conseguimos transpor estas barreiras e seremos instrumentos para ensinar a outros que não devemos fazer assim ou assado, pois passamos por isso em nossa pele. Mas, bem-aventurado é aquele que aprende sem ter que passar por toda esta tribulação. Nossa vida cristã é algo sublime, indescritível, cada dia vemos a "mão" do nosso Deus nos movendo, nos direcionando. Conseguimos entender tudo isso, tendo intimidade com nosso Criador. Cabe a cada um de nós, com a ajuda do nosso Deus, não perder o alvo, não desviar dos Seus caminhos. Obrigado pastor Almir por ter escrito este importante artigo. Amém! Pr. Edson & Cida.

Anônimo disse...

pastor Almir, gostei muito do seu artigo. Não sei se o senhor já ouviu a música de João Alexandre "O Tapeceiro", mas ela faz um paralelo com suas palavras... Deus é o tapeceiro. "Ele sabe o fim desde o começo..." O que me alegra é saber que Deus já tem seu plano para nossas vidas traçado desde o infinito passado. A Deus seja toda a glória!
Andrews Paul Marinho Tavares.

Janete Maia disse...

Parabéns

Belisa disse...

Pastor, essa meditação foi algo que eu precisava ouvir hoje em meu dia pois muitas fezes pensei como o salmista, e quando olhamos para os outros esquecemos de Deus.Agradeço a Deus pela sabedoria e inspiração que ele lhe dá para nos ajudar com palavras tão sábias.

GRAMÁTICA TEOLÓGICA disse...

Usar os óculos de Deus nem sempre é fácil!
Mas devemos confiar Naquele que nos ama e, acima de tudo, é Senhor de todo o universo.
Precisava ouvir essa hoje, louvado seja Deus, porque a encontrei.

Obrigado!