sábado, 2 de maio de 2009

NA CRUZ, A VALORIZAÇÃO DA FAMÍLIA.



O que você diria na hora da morte? Se você estivesse morrendo com intenso sofrimento, quais seriam suas últimas palavras? O Senhor Jesus pronunciou sete frases quando estava morrendo. As três primeiras manifestam preocupações com pessoas que lhe rodeavam.

Na primeira faz uma oração, pedindo a Deus perdão para os que lhe causam aquele sofrimento. Na segunda atende a uma oração, a do ladrão que roga participar no Seu Reino. Na terceira, revela seu cuidado com sua mãe. João 19.25-27.

E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa.

Para Maria, ser mãe de Jesus foi motivo de grande alegria, e de certas perturbações, (Lc 1.29,46-55). Ela procurou sempre guardar os acontecimentos, e juntar as peças em sua mente para poder entender (Lc 2.19,51), mas demorou saber o tipo de Messias que Jesus era. Esta incompreensão fez com que o relacionamento de Jesus com sua mãe nem sempre fosse ausente de tensões, apesar de ser um filho obediente (Lc 2.51). Sua preocupação em fazer a vontade do Pai celeste causou certas aflições a sua mãe (Lc 2.48). Ela presenciou a descrença dos irmãos (Jo 7.5), e a falta de entendimento dos parentes, que chegaram até a pensar que Jesus estava insano (Mc 3.21). Ela mesma, apesar de crer no grande poder de Jesus, nem sempre compreendia que Jesus seguia uma agenda diferente, o calendário do Pai celeste (Jo 2.3,4 ), e que Sua prioridade nos relacionamentos seguia outra ordem, a de Deus (Mc 3. 31-35). Mas estas tensões, nem a impediram de seguir Jesus até a cruz, nem impediram Jesus de cuidar dela. Desentendimentos na família são oportunidades para um maior amor, e não desculpas para não amar.

Para ela, aquele momento era o cumprimento de uma profecia (Lc 2.35), uma espada estava atravessando sua alma. Além da dor de perder o filho, ela sofria a decepção, ou pelo menos a perplexidade, de seus anseios messiânicos não se concretizarem do modo esperado. Suas expectativas eram semelhantes à de seus contemporâneos: o Messias traria a libertação política, econômica, e espiritual numa única vinda. A salvação dos justos e a condenação dos ímpios se dariam num mesmo momento. O mistério de duas vindas não havia penetrado na mente dos discípulos. Ainda não entendiam, que o Messias tinha vindo como Servo Sofredor, para pagar a penalidade do pecado dos homens, e depois viria como Rei glorioso, para instalar o Reino de Deus.

Para Jesus, aquele momento era a oportunidade de prover cuidado e conforto para sua mãe. Após providenciar um lar eterno para o ladrão que estava morrendo, ele quer dar um lar terreno para sua mãe, enquanto ela continuasse neste mundo. Jesus sabia que a vida em família é necessária, é uma fonte de segurança emocional neste mundo turbulento. No lar se encontra o ninho para alimento e descanso, não apenas físico, mas também psicológico. É numa família que nosso senso de identidade e valor pode ser fortalecido, pois ali cuidamos e somos cuidados. Jesus estava provendo para sua mãe um lar, onde ela seria cuidada, e poderia cuidar. Amar e ser amada. Jesus valorizava a família!

Estas palavras de Jesus nos ensinam que é preciso cuidar de nossas famílias, sem deixar que este cuidado nos impeça de cumprir o propósito de Deus em nossas vidas. Pode ser que fazer a vontade do Pai nos traga problemas com a família terrena, mas estes problemas não devem nos levar a abandonar o caminho que Deus quer para nós. Mas também, não devem nos impedir de manifestar amor e cuidado para com esta família. Outras mulheres também estavam ali. Mulheres de valor, que haviam seguido e ajudado a Jesus (Lc 8.2,3). Mas Jesus se dirige apenas a sua mãe, expressando Seu amor e cuidado, e fazendo uma provisão atenciosa para suas necessidades. Cuidar da família também é parte da missão que Deus tem para nós.

Aquele momento também nos mostra o cuidado amoroso de Deus para com aqueles que, mesmo sofrendo e sem entender toda razão de seu sofrimento, buscam fazer a Sua vontade. Maria podia não entender tudo, mas estava disposta a fazer a vontade de Deus, era serva do Senhor (Lc 1.38). Aos pés da cruz, ela recebe não apenas o apoio do o discípulo amado, mas as carinhosas palavras de Seu Filho Jesus, cumprindo a bênção de Mateus 19.29. João, que corajosamente acompanha a mãe de Jesus até a cruz, também sem tudo compreender, ganha mais uma mãe. Diante de situações difíceis em nossas famílias terrenas, melhor do que reclamar e cobrar dos outros, é olhar para as oportunidades graciosas que Deus dispõe para nosso suprimento no meio da família de Deus, e desfrutar delas.

Aprendemos ainda que, por maior que seja nosso sofrimento, podemos pensar primeiro nos outros. A família é um lugar para praticarmos isto. Somos egoístas, e quando sofremos podemos manifestar este egoísmo de forma mais forte, achando que isto obriga os outros a se preocuparem conosco, e nos permite sermos indiferentes aos sofrimentos e necessidades deles. Mesmo que as tensões e imperfeições das pessoas de nossa família nos causem dor, vamos manifestar amor cuidadoso para com elas.

Um comentário:

Marcos Aurélio Melo disse...

A família sempre esteve na mente do nosso Deus, como alicerce e sustentáculo de toda a sociedade. É importante notar o que pode passar desapercebido nestas palavras que Jesus disse na cruz, sobre a importância do núcleo familiar.
Que possamos sempre ter famílias fortes, e assim, teremos igrejas fortes.
Um abraço, e até breve.