sábado, 15 de abril de 2017

E O ÚLTIMO GRITO FOI DE CONFIANÇA


            As palavras ditas por alguém na hora da morte podem expressar o cuidado com outros, o sofrimento do moribundo, ou ainda sua expectativa pós-morte. Nas seis horas que permaneceu vivo na cruz, Jesus falou pouco, mas suas palavras abrangeram esses três assuntos.
Foram sete comunicações. Três delas tratavam das necessidades de outros: um clamor ao Pai pedindo perdão para seus ofensores, uma promessa de salvação ao criminoso arrependido e a provisão de cuidado para sua mãe. Outras três expressavam sua dor e missão: seu sofrimento físico, sua sensação de solidão e abandono, e sua declaração de que a obra já estava completa. Já escrevemos sobre estas seis em postagens anteriores (Pai Perdoa-lhes; Vidas semelhantes, destinos diferentes; Na cruz a valorização da Família; Tenho Sede; Na maior solidão; Está Consumado) 
A sétima tratou de sua esperança pós-morte. Antes dela, ocorreram alguns sinais extraordinários, como sempre acontecia quando Deus realizava um evento marcante de Seu plano redentor (Lc 23.44-46).
Houve três horas de trevas, que iniciaram em pleno meio-dia e terminaram às 3 horas da tarde. O brilho do sol não apareceu. Não nos é explicado o significado deste sinal, embora Jesus, ao ser preso, tenha mencionado que a hora do poder das trevas havia chegado (Lc 22.53). Os profetas do Antigo Testamento também anunciaram que haveria trevas quando o juízo de Deus se manifestasse(Jl 2.10,30,31; 3.15; Am 8.9; Sf 1.15). Na morte de Jesus ocorreu o juízo sobre o pecado do Seu povo. Também houve tremor de terra e despedaçar de rochas (Mt 27.51). Estes sinais demonstram a suprema importância da morte de Cristo no plano redentor de Deus.
O segundo sinal foi o véu do santuário ser rasgado ao meio, de alto a baixo. Este véu era formado pelas cortinas que faziam a separação entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos no templo, em Jerusalém. No Santo dos Santos ficavam o propiciatório e a arca, símbolos do trono e da presença de Deus (Ex 26.31-37; Lv 16; Hebreus 9.3-8). Apenas o sumo-sacerdote entrava ali, uma vez por ano, depois de confessar os seus pecados e os do povo, sobre a cabeça do bode expiatório. Este bode era sacrificado e o seu sangue aparado e levado até o propiciatório onde era aspergido. Neste dia era efetuada a expiação, isto é, a penalidade que perdoava os pecados do povo. 
O significado do rasgar do véu é mostrado em Hebreus 9. 11,12; 10.19-21, onde é afirmado que a morte de Jesus nos abriu um acesso livre ao Pai. Agora, para se aproximar de Deus, não é mais necessária intermediação humana. Outro sangue, muito mais precioso e eficaz, foi derramado e apresentando, e este sacrifício garantiu nosso acesso a Deus, pela fé em Jesus, em qualquer dia e hora.
            Depois de garantir nosso perdão e nosso acesso a Deus e de ter passado por  todo o desgaste e sofrimento da noite sem dormir por causa do julgamento, e de ter suportado os castigos físicos antes e durante a crucificação, Jesus reuniu suas últimas forças e clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.
            A palavra “entregar” foi usada em situações nas quais se oferecia uma refeição a outra pessoa, mostrando que aquele alimento ficava à disposição da vontade do outro (Lc 9.16; 10.8; 11.6; At 16.34). Este clamor expressou que Jesus se colocava voluntariamente à disposição de Seu Pai, para cumprir plenamente a Sua vontade e realizar a nossa salvação. Como é dito em Isaías 53.12, Ele derramou sua alma na morte, levando os nossos pecados para interceder por nós. Jesus já havia dito que ninguém tiraria sua vida, mas que Ele espontaneamente a daria (Jo 10.18). Sua morte cumpria a vontade do Pai. Tudo o que deveria ser feito havia sido feito. Nada mais faltava.  Ele sabia que realizava o sacrifício, recebendo a justa punição que nossos pecados merecem. Por isso, deixou seu espírito ir para o Pai (Mt 27.50; Jo 19.30).
            “Entregar” também expressava a confiança em deixar algo sob os cuidados de outra pessoa (Lc 12.48; At 14.23; 20.32). Jesus repetia as palavras do Salmo 31.5, no qual há uma súplica por salvação. Os judeus costumavam fazer esta oração ao anoitecer. Como o salmista clamou a Deus e confiou n’Ele no momento da perseguição, acreditando que Deus o libertaria, Jesus confiou que o Pai o traria de volta da morte, através da ressurreição. Demonstrou toda a Sua confiança no Pai, deixando sua vida nas mãos d’Ele. Não havia mãos melhores a quem confiar seu espírito. Em seu momento mais angustiante e sofrido, Jesus manifestou confiança inabalável no cuidado providencial do Pai. Na hora da grande tortura, Jesus ainda estava em comunhão com o Pai, confiando nele, como esteve durante toda a sua vida.

            E o Pai honrou esta confiança, pois Jesus ressuscitou.


2 comentários:

Vera Silva disse...

Palavra abençoada!
Que Deus me ajude a entregar a Ele a minha vida assim também.

Vera Silva disse...

Palavra abençoada!
Que Deus me ajude a entregar a Ele a minha vida assim também.