terça-feira, 18 de novembro de 2008

UMA ALQUIMIA PARA A ETERNIDADE

      A prática da alquimia ocorreu na Idade Média,  buscava  conhecer a natureza e  encontrar a pedra filosofal ou o elixir da vida que  transformaria metais de pouco valor em ouro e prolongaria a vida. Apesar dos alquimistas não terem encontrado a pedra filosofal, eles descobriram algumas substâncias químicas que usamos hoje, entre elas o álcool.
      Eles também não alcançaram o objetivo de  ter uma vida mais longa e mais rica. Mas o Senhor Jesus ensinou a verdadeira alquimia para  alcançar a vida e as riqueza eternas, mostrando como transformar coisas de pouco valor em bens eternos e prolongar eternamente nossa vida. Este ensino aparece  numa intrigante parábola contada em Lucas 16.1-13.
     Um homem rico tinha um administrador, também chamado de mordomo ou ecônomo. A função deste  era gerenciar os negócios e propriedades do patrão incluindo: terras, gado, empregados, escravos, depósito de alimentos (por isso ele também era chamado de despenseiro) e algumas vezes até os filhos (Lc 12.42; Gl 4.2), como José na casa do Potifar.
      O administrador da parábola foi acusado de dissipar os bens do seu senhor. Quer dizer que ele gastou sem pensar,  como o filho pródigo em Lc 15.13, isto indicava que estava agindo com desonestidade ou negligência. O patrão o confrontou e exigiu que apresentasse as contas da administração porque seria demitido.
     O administrador ficou preocupado com seu desemprego. As opções que lhe restavam não lhe agradavam. Uma era trabalhar na terra cavando e plantando. Só que ele não tinha forças para isto. Trabalhara como administrador e não estava preparado fisicamente para trabalhar na terra. A outra era pedir esmolas. Mas isto o envergonhava. Seria rebaixar-se demais. O que fazer?
     Eis que lhe surgiu uma ideia para tirá-lo daquela situação difícil! Um plano que lhe permitiria ser hospedado nas casas quando ficasse desempregado. Chamou cada um dos devedores de seu patrão e lhes deu um desconto na dívida.
      Os comentaristas bíblicos apresentam algumas ideias para o que estava ocorrendo:
(1) O administrador estava dispensando a sua comissão dos empréstimos que fizera em nome do patrão, e assim deixando estes devedores comprometidos em ajudá-lo no futuro. Ele se sacrificaria agora, para receber mais tarde, quando teria mais necessidade.
(2) Ele estava descontado os juros que o próprio patrão cobrara indevidamente, já que a lei proibia de cobrar juros, e assim estava ganhando o favor dos devedores.
(3) Ele estava jogando todas as suas fichas na generosidade de seu patrão. Ao dar o desconto em nome do patrão, deixaria os devedores festejando alegremente e o patrão, sendo generoso, não se sentiria à vontade para anular o desconto e deixar os devedores decepcionados.
     Independente da interpretação adotada, a verdade que Jesus quer ensinar é obvia e aparece nas palavras “atiladamente” e “hábeis”, conforme traduzidas na versão atualizada. Na língua original do NT, estas palavras são correlatas, uma é o advérbio a outra o adjetivo. Elas se referem a uma atitude inteligente e prudente, que pensa nas consequências da decisão antes de agir, focalizando a capacidade de agir preparando-se para o futuro. Estas palavras foram usadas para  o homem que construiu sua casa sobre a rocha, pois pensou no futuro da casa, e não apenas na situação imediata , preparando-se para as tempestades que poderiam surgir (Mt 7.24). Também  para destacar a atitude das cinco virgens que levaram azeite a mais, sabiam que o noivo poderia demorar, e assim tomaram precauções para a hora da necessidade (Mt 25.2ss). E para mostrar a prudência do servo que cumpre sua tarefa, pois não sabe a hora que o senhor vai voltar (Mt 24.45).
     O administrador foi chamado de injusto, portanto não foi elogiado por causa da injustiça, e sim por sua capacidade de olhar para o futuro, prever uma situação difícil e transformar os meios que dispunha no momento em soluções para seu futuro.
     Jesus faz um contraste entre filhos deste mundo, isto é,  aqueles que pertencem a este mundo, a este sistema de vida,  cujos bens estão apenas nesta vida (Sl 17.14, Fp 3.19; Mt 13.22; Lc 20.34 ;2 Tm 4.10), e os filhos da luz , que são aqueles que, embora vivendo neste mundo, pertencem ao Reino de Deus (Jo 12.36; Ef 5.8; 1 Ts 5.5). Os filhos do mundo são mais aplicados em usar os bens deste mundo para seus propósitos mundanos (em sua geração), do que os filhos da luz em usar os mesmos recursos para os bens celestes. Os filhos deste mundo não conhecem os bens celestes, têm olhos apenas para as coisas desta geração, e nisto se aplicam com determinação.
     Diante disto Jesus faz uma advertência: fazer amigos das riquezas de origem injusta, para que quando faltarem estas riquezas os amigos recebam vocês nas tendas eternas. A riqueza aqui chamada de injusta refere-se aos bens deste mundo, não porque eles sejam adquiridos de modo injusto, mas porque esta riqueza carrega a característica deste mundo, que é a injustiça, quando amada ela leva os homens à prática de todos os males (1 Tm 6.10). Ela promete muito, mas realiza pouco, desperta nossa esperança e confiança, mas nos decepciona, não traz a felicidade que promete. Estas riquezas não podem garantir nossa vida depois deste mundo. Não nos livram da morte (Lc 12.20), não compram os bens do Reino (At 8.20).
     Não compramos nossa entrada no céu com nosso dinheiro, mas a maneira como usamos o dinheiro revela o nosso caráter, isto fica claro nos versos 10-13. Um dia estas riquezas nos abandonam e já não nos servirão. Por isso devemos transformá-las em valores eternos. Isto é feito usando os bens para: socorrer os necessitados (Lc 12.33); proporcionar alegria a quem não pode nos recompensar (Lc 14.13,14) e ajudar na expansão do evangelho no mundo (Fp 4.14-17).
      Quando investimos em missões, i.e, na expansão da mensagem do evangelho, estamos transformando bens terrestres em valores celestiais, fazendo com que amigos temporários se tornem irmãos eternos, como disse o autor Paulo Cesar no hino denominado "Vai Contar", gravado pelo grupo Logos: "nossos amigos em irmãos que galardões eternos lá nos céus serão".
     Este uso da riqueza indica que nosso coração não está aqui, mas no céu. Que nosso tesouro é Deus (Mt 6.21). Agir assim é usar os bens com fidelidade. É ser fiel nesta pouca riqueza daqui, e receber o muito da riqueza eterna. A vida não é para divertir, mas para investir. Investimos para eternidade amando a Deus acima de tudo.

Aproveite as oportunidades de hoje preparando-se  para a eterna necessidade.
Aproveite as riquezas de hoje investindo no tesouro da eternidade.
Aproveite os recursos de hoje para agir com fidelidade.
Aproveite o tempo de hoje para se dedicar a Deus com exclusividade.

2 comentários:

Marcos Aurélio disse...

Pastor Almir,

fantástica abordagem sobre estas questões eternas. E a ligação que faz com os alquimistas do passado é realmente bem relevante.

Que Deus continue abençoando o seu ministério.
E venha para a pescaria, com a turma aqui em Petrolina. Acho que será a pescaria do ano: uma pescaria "teológica".

Pastor Edson Sobreira Alves disse...

Pr. Almir! Fico contente com Deus por usá-lo em reflexões tão profundas como esta. Nossa vida cristã inserida no cotidiano do mundo necessita de informações bíblicas com esta parábola bem explicada e aplicada. Deus o abençoe!