segunda-feira, 30 de agosto de 2010

SOU CRENTE! E AGORA?

Sou crente! E agora?” Este foi o tema que os jovens da Igreja onde sirvo como pastor escolheram para o 17º Encontro Bíblico de Jovens e Adolescentes. O tema é composto por uma afirmação e uma pergunta. A afirmação é resultado de uma decisão: a pessoa tornou-se crente, mudou do estado da incredulidade para o da fé. E a pergunta é a indagação de como deve ser este novo estado, como ela deve se comportar, e o que esperar desta nova situação. O tema poderia ser resumido numa nova pergunta: O que significa ser crente?

A palavra “crente” adjetiva alguém que crê, uma pessoa que tem uma crença. Assim todas as pessoas são crentes. Pois todos crêem em algo. Mesmo aquele que se diz ateu tem uma crença: a fé na não existência de Deus.

Mas no sentido do tema escolhido, “crente” significa o que segue a Jesus. Foi usado assim no início do cristianismo. A Igreja era formada pelos crentes, ou literalmente pelos que haviam crido (At 2.44). Já então havia a preocupação em saber o que significa ser crente, e de modos diferentes, foi feita a mesma pergunta: somos crentes, e agora? Em resposta a ela foram escritos todos os livros do Novo Testamento. Cada um dos livros e das cartas do NT procura explicar em diferentes situações o que significa ser crente.

E eles dizem que ser crente é: basear a fé na Palavra, no ensino, no Senhor, no evangelho, e na salvação pela graça (At 4.4; 13.12; 14.23; 15.7,11). É ouvir a Palavra de Deus através dos instrumentos humanos, e aceitá-la como verdade e moldando a vida por ela (At 2.41; 14.1 1 Co 3.1). Também é um privilégio concedido pela graça eletiva de Deus (At 13.48;18.27).

Só aos crentes eram administrados os rituais de entrada na Igreja (At 8.12; 18.8); e eles recebiam o Espírito Santo quando criam (At 11.17; 19.2; Ef 1.13). Por isso formavam uma comunidade de convertidos e justificados (At 11.21;13.39); que se alegravam, abandonavam os hábitos pecaminosos e deviam praticar boas obras (At 11.21; 19.18; Tt 3.8). Os crentes eram salvos, mas precisavam ser ajudados (At 16.31;18.27).

No Brasil, o termo “crente” por um tempo foi usado para rotular os que haviam se convertido ao protestantismo. Naquele tempo, a pergunta do tema não era muito necessária, pois todos sabiam que ser crente era ser diferente. É verdade que havia alguns costumes e tradições que não têm base no Novo Testamento. Mas, o crente era caracterizado por: ter deixado a Igreja Romana, não adorar imagens, não fumar, não beber, honrar o casamento, usar um estilo mais tradicional de vestimentas, ler e conhecer a Bíblia, cantar hinos que falavam da cruz, do céu, e da salvação, etc. Além disso, o crente era perseguido ou ignorado, sendo tratado como alguém inferior. Mas, em compensação, os crentes eram considerados honestos, pagavam suas contas em dia, honravam a palavra dada, não tinham o nome sujo no comércio, não usavam palavrões, não se metiam em confusões, e tratavam todos com respeito.

O tempo passou, e o nome deixou de ser usado. Hoje o termo “evangélico” é o mais comum para indicar os protestantes. Mas, não foi só o termo que mudou. Na maioria das vezes o evangélico de hoje não faz nem sombra ao crente de outrora. Pode-se dizer que os evangélicos não adoram imagens, mas alguns estão adorando líderes, pastores, e têm algumas práticas como: sal grosso ungido, rosa ungida, água abençoado do rio Jordão, expressões mágicas para espantar demônios, e atrair as bênçãos de Deus (“tá amarrado em nome de Jesus”). Práticas estas que não ficam nada a dever à água benta, ao galho de arruda, ao sinal da cruz para dar sorte, etc.

Alguns evangélicos de hoje bebem socialmente, se não fumam é mais por causa das campanhas antitabagistas em prol da saúde, do que por causa da fé. As roupas curtas, justas, transparentes e decotadas são as mesmas de qualquer outra pessoa. Seu conhecimento da Bíblia resume-se a frases de alguns textos que prometem prosperidade e cura, seus cânticos em ritmos mais modernos, não têm letra que trate as coisas de Deus com profundidade, antes expressam uma vitória fácil e sem compromisso, e uma alegria sem sofrimento.

O evangélico não é mais perseguido nem ignorado. Os programas de TV apresentam os cantores evangélicos como estrelas. Em compensação, hoje, alguns evangélicos devem e não pagam, têm nome sujo no comércio, e nem sentem vergonha disso. Metem-se em confusão, divorciam-se caso não estejam do casamento, e casam novamente buscando a felicidade, achando tudo isso muito natural.

A pergunta do tema é muito necessária. Precisamos entender o que significa ser crente à luz da Palavra de Deus. E depois de sabermos e entendermos a resposta, temos que nos deter diante de outra pergunta: SERÁ QUE SOU CRENTE MESMO?

2 comentários:

Pastor Edson Sobreira Alves disse...

Pastor Almir! Excelente chamada de atenção que serve até como um protesto. Observo um ciclo que iniciou na Asia,depois Europa, Estados Unidos e agora Brasil,onde todos chegaram ao ponto máximo e esfriaram na espiritualidade. Seu esse ciclo acaba com a retidão dos planos de Deus com seu governo com "mãos de ferro" no milênio, mas até lá eu pergunto, como poderemos preservar ou mesmo resgatar o crente verdadeiro, fiel, honesto? Cabe a nós pastores, pais? Ou somente está nas mãos do Criador, eu sei que Ele está no controle. Sabemos que a cada dia é tendência o esfriamento da fé, podemos observar que o que mais se fala hoje é sobre reavivamento, volta às origens. Fala-se muito sobre os Puritanos. Não podemos perder o rumo, como agir? Sei que devemos orar, mas não somente orar, acho que falta mais fé. O que o senhor acha?
Um abraço...
Pr. Edson

Marcio Moraes disse...

Sinceramente, acredito que temos um sério problema de educação no reino de Deus. Assim como em nosso país, aqueles que desejam uma educação cristã de qualidade, precisam buscar além das igrejas.