segunda-feira, 27 de agosto de 2012

SEM MEDO DE SER DIFERENTE


         Geralmente ser diferente causa medo. Medo que assombra tanto quem é diferente, como aqueles dos quais o diferente difere.
         Diferente é aquilo que é raro, incomum, não frequente, e na maioria das vezes desconhecido, e tudo isso amedronta. A diferença normalmente é interpretada como divergência, desavença e falta de harmonia. E esta dissonância agride os ouvidos.          A diferença obriga as pessoas a reverem seus valores, a refletirem sobre suas escolhas tão semelhantes e comuns, e a avaliarem suas razões (que na maioria das vezes é baseada no que todo mundo faz e no que todo mundo pensa e diz). Este processo é desconfortável. Pode produzir mudanças, e estas assustam. Por isso, o diferente causa medo. 
         Mas o diferente também sente medo. Ser diferente é nadar contra a correnteza, o que exige um maior esforço. Ser diferente é andar na contramão, e isso é perigoso. Pode ser atropelado pela perseguição, o escárnio, e a pressão para se tornar igual a todo mundo e deixar de ser diferente. 
         Não gostamos de ser diferentes. Quando nos portamos diferentes, ou é porque queremos protestar, chamar a atenção,impressionar, ou orgulhosamente nos mostrar superiores, ou porque temos consciência da necessidade de agir assim. Nestes casos, ser diferente é algo dolorido e desconfortável, e exige coragem.
         Temos medo de ser diferentes. O medo sempre é causado por algo que ameaça aquilo que valorizamos. Há dois valores que prezamos muito: nossa integridade física e nossa imagem (nosso nome ou nossa estima). Ser diferente pode ameaçar estes dois bens preciosos.          Onde domina o totalitarismo, ter uma posição diferente da maioria pode causar perda da liberdade, sofrimento físico e até morte. Em culturas onde não há este totalitarismo, a imagem é o bem mais ameaçado. Ser diferente pode causar ostracismo, desprezo, perda de negócios, isolamento social, calúnias e rejeição. Isto tudo causa sofrimento e dor, gerando medo. 
         Este medo irá se manifestar em fuga, timidez, vergonha, desânimo, desespero, abandono de posição, mudança de convicções, e desistência de tarefas e missões. 
         Penso que foi por isso que o apóstolo Paulo escreveu para Timóteo reavivar o dom que Deus lhe havia dado (2ª Timóteo 1.6-8). “Por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos. Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação.Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu; pelo contrário, participa comigo dos sofrimentos, a favor do evangelho, segundo o poder de Deus” 
         Eram tempos difíceis e de perseguição. Paulo encontrava-se preso, sem perspectiva de livramento e acreditava que o final de sua carreira terrestre havia chegado (2ª Tm 4.6).          Ele lembra Timóteo que o dom que Deus lhe havia dado não deveria se apagar. As perseguições e pressões daqueles tempos poderiam jogar água fria tanto na fé sem fingimento, como na herança espiritual de valor, como no dom que Deus havia dado a Timóteo. 
         As brasas para manter este fogo aceso já haviam sido fornecidas. Deus não dera espírito de covardia. O termo traduzido como covardia (em outras versões aparece timidez) descreve a atitude de alguém que se amedronta e se apavora, e por isso deixa-se levar pelo desespero ou desânimo. Como os discípulos diante da tempestade (Mt 8.26 e Mc 4.40). 
         Sabendo que a natureza pecaminosa é propensa à covardia, Deus não poupou incentivo para que seu povo deixasse de lado esta atitude. Várias vezes Ele exortou o povo de Israel a não se intimidar diante da missão de conquistar a terra prometida (Dt 1.21; 31.6,8; Js 1.9; 8.1; 10.25). Como a timidez é algo contagiante, Ele ensinou que os medrosos não deveriam ir à guerra, pois poderiam desanimar os outros (Dt 20.8; Jz 7.3).  
         Jesus prometeu sua paz aos discípulos, e os exortou a não se intimidarem ou se acovardarem diante das situações que viriam (João 14.27). Também é dito que os tímidos ou covardes não habitarão no novo céu e na nova terra, mas que a parte deles será o lago de fogo (Apocalipse 21.8). 
         Ao invés de covardia, Deus havia dado um espírito de poder, amor e moderação. O poder do Espírito Santo, que nos capacita a cumprir a tarefa que Ele nos dar; o amor, que nos faz temer a Ele e não aos homens; e a moderação, que é a disciplina que mantém a mente alerta, numa atitude equilibrada, com a disposição para cumprir a missão recebida diante de qualquer ameaça. Isto é suficiente para que se tenha energia para manter acesa a luz do testemunho cristão, que faz a diferença. 
         O medo pode levar a pessoa a sentir-se envergonhada por ser diferente. Por isso, Paulo diz para Timóteo não se envergonhar nem do testemunho de Jesus nem do aprisionamento de Paulo. Mas se tornar um participante no sofrimento.          O próprio Paulo não se envergonhava de seu sofrimento, e elogia Onesíforo, que não se envergonhava das prisões do apóstolo (2 Tm 1.12,16). Jesus não se envergonhou de agir em prol de nossa salvação (Hb 2.11; 12.2), como Deus não se envergonha daqueles que deixaram o mundo, tornando-se diferentes, para herdar a pátria celestial (Hb 11.16). Para fazer a diferença é preciso ter a coragem de ser diferente. 
         A vergonha, que é o medo de ser ridicularizado pelos homens, trará consequências eternas, Jesus irá se envergonhar diante do Pai, daqueles que se envergonharem Dele aqui (Mc 8.38; Lc 9.26). 
         A coragem para ser diferente hoje, dará a você um destino diferente na eternidade (1 Jo 2.28).

4 comentários:

Anônimo disse...

que sejamos diferentes!

Soraya Missões Com Surdos disse...

Olá Pr. Amir!
Li seu texto. Colocações acertadas!
Ainda refletirei mais nele mas, agradeço por sua disposição de ser benção e de se deixar usar nas Mãos do Senhor no proposito de fazer a diferença aqui nesse mundo.. mundo que apesar de vivermos nele, não lhe pertencemos! Um grande abraço.
Sua irma e amiga,
Soraya Barbosa

Soraya Missões Com Surdos disse...

Olá Pr. Amir!
Li seu texto. Colocações acertadas!
Ainda refletirei mais nele mas, agradeço por sua disposição de ser benção e de se deixar usar nas Mãos do Senhor no proposito de fazer a diferença aqui nesse mundo.. mundo que apesar de vivermos nele, não lhe pertencemos! Um grande abraço.
Sua irma e amiga,
Soraya Barbosa

Peregrino disse...

Sabe pastor Almir! Eu descobri por experiência própria, que muitas vezes esse sentimento de vergonha de ser diferente, reside na falta de conhecimento do que acreditamos. As pessoas não conhecem o evangelho que apregoam e pensam ser ele um erro! Têm medo de esbarrar em um evolucionista ou carismático e ao serem confrontadas quanto às verdades que apregoam, não possuírem respostas verdadeiras e consistentes. Faço das palavras de Paulo as minhas: Romanos 01.16. Que Deus continue a lhe abençoar!!